Resumidamente, os 12 arquétipos são:
- do Ego: o inocente, o órfão, o guerreiro e o caridoso
- da Alma/Espírito: o explorador, o destruidor, o amante e o criador.
- do Self: o governante, o mago, o sábio e o bobo.
O inocente se caracteriza pelo otimismo e confiança, vê tudo pelo lado positivo e encara o mundo como terra prometida, na qual tudo dá certo. Não se preocupa com nada, confia cegamente que viver não é pesado ...Essa postura faz com que o inocente rejeite a verdade, desconfie de quem aponta os fracassos e os perigos e acredite nas promessas das autoridades, do pai, do Presidente.
É o arquétipo da "velhinha de Taubaté", personagem criada pelo escritor Luis Fernando Veríssimo, que assim a descreve:
coisa firme no país é a crença da Velhinha de Taubaté. Presidentes da República e ministros, por exemplo, a consideram um patrimônio nacional, já que ela acredita em todos os seus projetos e nas justificativas que dão depois para o fracasso dos projetos. Criada durante o Governo Figueiredo, a Velhinha não é mais personagem das crônicas de Verissimo, mas permanece um símbolo da fé cega no Brasil.- Tudo se resolverá, não se preocupem!, diz o inocente.
Entra em cena o órfão. Este é dominado pela inibição, pela mágoa.
Sente-se desajeitado, abandonado, traído, maltratado. Diante dele, temos vontade de consolá-lo, carregá-lo no colo, Para o órfão, disse Lula: "Não perca a esperança!"
O órfão vive o horror: está desesperado, aceita a mão de qualquer um. Vasculha os jornais em busca de algum político que o oriente, diga as soluções para o país, aponta diretrizes. Lamenta-se todo o tempo: -"Oh! que desgraça. E agora?" Identifica-se com o José, do Poema de Drummond: E agora, José?
manifestações contra a corrupção. Clamam pela ética, acreditando que basta ter boas intenções. Estabelecem metas e se crêem salvadores do mundo. O guerreiro tem suas qualidades, lógico, mas pode se tornar refém de suas crenças, fanático e intolerante. Assim, tratam qualquer opinião diferente como um anátema. Aquele que não concorda com suas idéias é um inimigo mortal. Seu lema é:- Quem não está comigo está contra mim!
O guerreiro quer resultados imediatos e, no afã de conseguir seus intentos, chega a se utilizar de métodos anti-éticos para defender a ética! Tem uma necessidade obsessiva de vencer e se torna querelante, intolerante e, às vezes, até paranóide. Vê, em tudo, uma conspiração:
- São as elites que querem desestabilizar o governo. Abaixo as elites! Morte aos inimigos!
organização das pessoas, fica condoído quando os depoentes da CPI se põem a chorar. Os caridosos choraram com a Renilda, com o Marcos Valério. Derramaram rios de lágrimas quando Duda Mendonça contou sua trajetória de menino pobre, na Bahia. Sentiu pena do Roberto Jefferson.O maior exemplo de caridade foi dado na sede do PT, em São Paulo, quando um grupo de aposentados doou pouco mais de R$ 240,00 reais aos cofres petistas. Afinal, o PT está devendo demais, não tem como pagar os empréstimos. Os aposentados renovaram sua filiação ao partido. Acreditam que podem salvá-lo. Tudo em nome da unidade.
Na época da campanha "Dê ouro para o bem do Brasil" (alguém se lembra?), arrancaram os próprios brincos e alianças e os depositaram nas urnas, em praça pública. Não reclamaram dos empréstimos compulsórios, cobrados por sucessivos governos. Pagam seus impostos sem se queixar, pois acreditam que o dinheiro será efetivamente utilizado para o bem de todos. Assistem e fazem mil telefonemas para o Criança Esperança e se orgulham disso.
Cada um de nós é resultante da mistura destes arquétipos. Não há o melhor. Todos têm seu lado positivo e seu lado negativo. Os extremos são patológicos. Mas, de acordo com Carol Pearson, cada um de nós pode descobrir, em si, traços mais marcantes de um ou de outro.
Pois é, diante desta crise que nos atingiu, como fazer? Em que acreditar? Vale a pena lutar? Qual a saída?
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A propósito, está em cartaz, em Belo Horizonte, uma peça teatral, Jung-Sonhos de uma vida:














