Foto by Cláudio Costa (clique aqui para ver mais)
Namorar na praça da Matriz...
Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
É o inferno astral
do meu apê:
até a geladeira queimou.
O móvel encomendado
a tokstok atrasou.
E agora, José?
A tomada fez curto
o fio torrou
e o ferro esfriou.
São 12 trabalhos,
pra quem não é Hércules.
E sem ferramenta
como fazer?
Corri logo ali,
e veja o que vi:
é chave, é tesoura,
serrote, faquinha,
até chave inglesa
de bico potente.
Pequena e forte
usei pra valer.
E agora, José?
- Agora tá tudo nos trinques, brilhando, uai!
A serra do rola-moça
Mário de Andrade
A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...
Eles eram do outro lado,
vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
o noivo com a noiva dele
cada qual no seu cavalo.
Antes que chegasse a noite
se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
e se puserem de novo
pelos atalhos da serra
cada qual no seu cavalo.
Os dois estavam felizes,
na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.
A Serra do Rola-Moça
não tinha esse nome não.
As tribos rubras da tarde
rapidamente fugiam
e apressadas se escondiam
lá embaixo nos socavões...
Temendo a noite que vinha.
Porém os dois continuavam
cada qual no seu cavalo,
e riam. Como eles riam!
E os risos também casavam
com as risadas dos cascalhos,
que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.
Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.
Faz um silêncio de morte,
na altura tudo era paz ...
Chicoteado o seu cavalo,
no vão do despenhadeiro
o noivo se despenhou.
E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.
As chaminés foram as únicas estruturas que sobraram da antiga fábrica de cimento Itaú, em Contagem-MG, região metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, ali estão três mega construções: O Leroy Merlin - casa e construção; o Sam's Club - hipermercado de atacado e o Itaú Power Shopping. Diz a lenda que compõem o maior centro de compras da América Latina. Será?
1. o controle da doença está precário, apesar de o governo dizer o contrário;
2. quando se contabilizam apenas os mortos e se limita o exame específico, não se pode confiar em estatísticas oficiais;
3. o governo está aconselhando a população a não procurar o serviço público se os sintomas não estiverem graves... quando for assim, a vaca já foi pro brejo;
4. o atraso na produção de vacina + aumento da velocidade de transmissão = mais e mais mortes;
5. tempo seco e frio aumentam as chances de contaminação.
6. para dificultar pegar o virus: evite lugares cheios de gente, aglomerações, contato com pessoas gripadas, uso de transporte coletivo. Lave as mãos, muitas vezes mesmo!
7. quanto mais gente contaminada maior a virulência!
No alto da Serra do Curral, de repente, abre-se uma fresta em meio ao matagal: lá embaixo, Belo Horizonte!
Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
---------------------------------------------
De: "Alguma poesia" (1930)