26 janeiro, 2007

De que somos feitos?

Antecipando um pouco a Postagem Coletiva a favor da Paz e contra a violência, convido a todos a aderirem à iniciativa do Lino Resende.
A blogagem está marcada para dia 30 de janeiro. Mais informações com o Lino.

De que somos feitos? Perguntei-me, hoje pela manhã, ao presenciar um jovenzinho em seu carrinho fazendo gestos obscenos para o motorista de um ônibus que, supostamente, lhe dera uma fechada.


As associações vieram:

Foi Shakespeare quem assim definiu a essência do ser humano: "Somos feitos da matéria dos sonhos, nossa vida pequenina é cercada pelo sono."

Freud, é demais sabido, atribuiu importância fundamental aos sonhos, a ponto de considerá-los a 'via real' para o conhecimento do inconsciente. Pretendeu criar um método para sua interpretação e para a compreensão das angústias que afligem o Homem. Se não sonhássemos, os conteúdos insuportáveis dos sonhos se refletiriam nos reguladores neurovegetativos (respiração, transpiração, ritmo cardíaco, pressão arterial...) e não dormiríamos em paz: "os sonhos são o guardião do sono", disse. Quando acordamos sobressaltados, o coração aos pulos e a respiração ofegante, constatamos um pesadelo "terrível".

Comumente, chamamos de pesadelo os sonhos em que somos vítimas de ataques, intempéries, vicissitudes de toda ordem: alguém morreu, um ladrão nos persegue, um criminoso nos ameaça ou um animal nos ataca. Nem sempre somos vítimas: há sonhos em que nós mesmos fazemos algo proibido, experimentamos desejos inconfessáveis, cometemos violências e praticamos atos reprováveis. Freud explica: "os sonhos são a realização dos desejos reprimidos".


Descobrimos, pelos sonhos, que não somos feitos apenas de bons sentimentos (solidariedade, amor, compreensão, etc) mas também – e principalmente – de impulsos agressivos. "Qualquer um sabe, por experiência própria, que o mau gênio, o egoísmo, a baixeza, a voracidade, os ciúmes e a hostilidade são sentidos e expressos pelos outros diariamente, embora não vislumbre tão claramente sua existência dentro de si". (Joan Rivière).

O noticiário da manhã já nos oferece um cardápio suculento: bombas no Iraque, tiroteio no Rio, assaltos nas rodovias, assassinatos no bairro vizinho, guerras, falcatruas, terrorismo... Ao meio dia, a TV tinge de sangue o prato do dia. À noite, não dormimos sem escutar e ver mais e mais do mesmo. Às vezes dá vontade de acreditar que "o inferno são os outros", como dizia Sartre e poetizaram os Titãs:

O Inferno São Os Outros
Não quero rotina, nem disciplina,
Não tenho hora, pra ir embora
Não vou pro trabalho, não ganho dinheiro
Não ando na moda, não olho no espelho

Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha, que estou errado, eu acho que não
Se todo mundo acha, que estou louco, eu acho que não

O problema não é meu
O paraíso é para todos
O problema não sou eu
O inferno são os outros, o inferno são os outros

Não tenho amigo, nem inimigo
Não me engano mais
Ninguém vive em paz
Não uso relógio
Não escondo a idade
Não ouço conselho
E nem falo a verdade

Projetamos no mundo externo, no outro, todo o mal. O mecanismo de projeção é, realmente, uma medida de segurança contra a dor, os ataques, o desamparo. O mal está lá fora e, quando temos sentimentos ruins, estes são causados pelos outros: "a culpa não é minha, foi ele quem me atacou".

As guerras assim se justificam: defesa do país, do território. O 'outro' é o agressor. Os noticiários oficiais denominam de 'insurgentes e rebeldes' aqueles que lutam contra o invasor – não é o que dizem os telejornais em relação aos iraquianos que lançam bombas contra os americanos?

Ora, se projetamos no outro todo o mal que nos aflige, o passo seguinte é justificar nosso ataque, nossa agressividade, nosso ódio. Se alguém me ofende, me desagrada, fala mal de mim, "ficamos de mal", não o convidamos para festas e dizemos: -"Fulano morreu para mim". Matamos! Ufa!

Somos feitos de amor e ódio, fome e amor, desejos egoísticos e desejos de harmonia e paz. O difícil – impossível – é controlar tudo isso...


25 janeiro, 2007

Tá mudado!

Com a cara e a coragem fiz a migração pro www2.Blogger!

Até agora, não mudou nada, não doeu.


De brinde, uma fotinha:




De INHOTIM

23 janeiro, 2007

Blogger beta?



Quando abro o editor para escrever algum post, recebo este aviso:

A nova versão do Blogger está pronta!

Agora a nova versão do Blogger possui marcadores de postagem, modelos editáveis via arrastar e soltar, controles de privacidade e todos os recursos originais que você já conhece. E ficou muito mais confiável.

Depois da mudança, o acesso é feito com o login da sua Conta do Google, mas os blogs continuarão os mesmos. O conteúdo e o layout não serão alterados.

Pois alguém já tem experiência neste tal de Blogger Beta?
Funciona bem? É igualzin ao antigo?
Os posts antigos continuarão a aparecer, tal e qual postados?
E os comentários via Haloscan?
Afinal, há vantagens em migrar?

Minha ignorância é enciclopédica, homérica, bíblica, atávica, descomunal...

Alguém aí pode me ajudar?
Desde já, agradeço...

20 janeiro, 2007

18 janeiro, 2007

Alguém leva a sério as advertências do MS?

O Minisério da Saúde adverte... alguém se importa?

A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) deve obrigar os fabricantes de bebidas alcoólicas a publicar advertências nos rótulos de seus produtos. Faz parte de uma campanha de conscientização mais agressiva a respeito dos malefícios do abuso.

Se vai surtir efeito, não sei. Parece-me que, no caso dos cigarros, onde há avisos semelhantes, há os que nem lêem e, se o fazem, ignoram as advertências.

A frase "O Ministério da Saúde adverte" já virou gozação e talvez até provoque certo descrédito. Mas não dá pra ficar parado diante dos acidentes de trânsito, mortes violentas, desavenças e outros prejuízos sociais causados pelo uso irresponsável de bebidas.

Quanto a mim, que trabalho na área de Saúde Mental, bem sei dos danos causados aos consumidores crônicos: psíquicos, neurológicos e sociais.

Mas cada qual é dono de seu corpo... ou melhor, acha que é e acaba perdendo a autonomia na medida em que se torna um dependente ou um inconsequente. Enfim, todo mundo sabe disso, mas faz questão de esquecer.

Eis as frases formuladas para os comerciais de bebidas alcoólicas:

  • “O Ministério da Saúde adverte: o álcool é causa de inúmeras doenças, como câncer de fígado e lesões cerebrais”

  • “O Ministério da Saúde adverte: o álcool causa dependência física, química e psíquica"

  • "O Ministério da Saúde adverte: a ingestão de álcool durante a gravidez é causa de retardo no desenvolvimento mental do bebê"

  • “O Ministério da Saúde adverte: acidentes de trânsito após o consumo de álcool são responsáveis pela maioria das causas de morte em todo o mundo. Se beber, não dirija”

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas é incompatível com a condução de veículos, podendo resultar em prejuízos para o indivíduo e/ou terceiros"

  • “O Ministério da Saúde adverte: a cada 100 acidentes de trânsito fatais, cerca de 70 são causados pelo consumo de álcool. Se beber, não dirija”

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas pode causar dependência, sendo proibida sua venda a menores de 18 (dezoito) anos"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas é prejudicial não só para o indivíduo como também para a sociedade"

  • "O Ministério da Saúde adverte: a cada 100 casos de adoecimento e morte no país, cerca de 10 são causados pelo consumo de álcool"

  • "O Ministério da Saúde adverte: a cada 100 laudos cadavéricos por mortes violentas, em 70 são detectados a presença de álcool"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas alcoólicas está relacionado ao abandono de crianças, aos homicídios, delinqüência, violência doméstica, abusos sexuais, acidentes e mortes prematuras"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o álcool é causa de inúmeras doenças, como pancreatite, hipertensão arterial, doenças do coração, acidentes vasculares cerebrais"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez é causa de má formação do bebê"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas alcoólicas impõe prejuízos incalculáveis ao indivíduo e a seus familiares, à sociedade e ao sistema de saúde pública"

  • "O Ministério da Saúde adverte: dirigir alcoolizado é crime de trânsito”

  • "O Ministério da Saúde adverte: vender bebida alcoólica à criança é crime”

14 janeiro, 2007

Frango com queijo na moranga


Porque hoje é domingo
Porque o tempo está frio
Porque chove de mansinho
e a alma até se arrepia

Ponha lenha no fogão
atice o fogo sem perdão

Pegue uma abóbora das maiores
e retiradas as sementes
por um tampo bem cuidado
deixe a moranga cozinhar

Recheie:
nacos de frango temperados
pimentão, tomate, cebola,
sabores olorosos do quintal

Cubra:
com requeijão
- sem miséria!

Leve ao forno
Gratine

Sirva com fidalguia
E devore como um frade
tão sublime iguaria

Suspire
(lamba os beiços, faz mal não!)

- Existe igual em sua terra?

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12 janeiro, 2007

Assutador!

Pedro Dória publicou e repasso, com o espírito de promover o bem público, a saúde de todos e a felicidade geral da nação! O artigo original se intitula What Happens To Your Body If You Drink A Coke Right Now?.
Mesmo que não seja tudo verdade científica, dá pra assustar:


" Vejam o que acontece em seu organismo se você beber uma latinha de coca-cola agora (vale para outros refrigerantes não-diet, acho eu):

  • Nos primeiros 10 minutos: 10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo porque o ácido fosfórico corta o gosto.

  • 20 minutos: O nível de açúcar em seu sangue estoura forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito neste momento particular.)

  • 40 minutos: Absorção da cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sangüínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.

  • 45 minutos: O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona igualzinho com heroína.)

  • > 60 minutos: O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.

  • > 60 minutos: As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. (Você urina.) Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, dos quais seus ossos precisariam.

  • > 60 minutos: Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritadiço. Você já terá posto para fora tudo o que estava na Coca, mas não sem antes ter posto para fora junto coisas das quais seu organismo precisaria. "
No mesmo site (em inglês) você pode aprender o que acontece com seu corpo se você parar de fumar agora...

11 janeiro, 2007

Trânsito complicado

Eu ia reclamar, no post de hoje, do trânsito aqui em BH, pelas seguinte razões:
  • 'ninguém' dá a seta antes de mudar de faixa ou entrar numa rua lateral;
  • todos os caminhões de entrega de refrigerantes, dinheiro, cerveja e cargas em geral param na faixa de rolamento, mesmo quando há vagas próximo à calçada;
  • a rodoviária fica no centro da cidade, cercada de ruas 'contra-mão' por todos os lados;
  • a cidade só tem subidas, nenhuma descida (juro!);
  • os concertos de asfalto, buracos da Cia. de Água e Saneamento e outros buracos mais são feitos no horário de rush (afinal, a noite é para dormir!).

Não, não vou falar nada disso, pois o que está no filme aí embaixo é mil vezes pior!


09 janeiro, 2007

Milagre

Orvalho
Tempestade
ou garoa:
a folha tenra
brinca de Deus
e transforma a água
em pérolas.




Foto by Cláudio Costa
Posted by Picasa

06 janeiro, 2007

Psicanalisando "O Código Da Vinci

Eu me permiti indicar, hoje, uma 'escuta' diferenciada do livro "O Código Da Vinci". O sucesso dessa obra não me pareceu lá muito merecido.

Li e me decepcionei com a pouca 'literatura', embora reconheça algum valor na trama policialesca. Entretanto, o 'pano de fundo' é instigante e provocou reações em todo o mundo ocidental.

Eis a análise feita pelo psicanalista Sérgio Telles:

"O enorme sucesso do romance O código Da Vinci, de Dan Brown, bem como do filme nele baseado, o caracterizam como produto típico da indústria cultural globalizada consumido vorazmente por milhões, até saturar o mercado e logo ser esquecido e substituído por um similar que inicia um novo ciclo de consumo. Em contrapartida aos produtos da indústria cultural, as obras de arte atingem um número pequeno de pessoas e persistem por muito tempo, seduzindo novas gerações. Elas dificilmente são tão lucrativas quanto os artefatos da indústria cultural, que enchem os bolsos de todos os envolvidos em sua produção.
O enredo já é de conhecimento geral:" (Leia mais aqui. Interessantíssimo!)

04 janeiro, 2007

Tim-tim.... crash!


Nos tempos em que trabalhei no Hospital João XXIII, o Pronto Socorro daqui de Beagá, atendi muitos acidentados em estado de embriaguês.

Isso acontece até hoje, infelizmente em maior quantidade. Parece que as campanhas contra a associação de álcool + volante caem no vazio. Uma das situações mais comuns era o sujeito ali, todo quebrado, afirmar categoricamente que não bebera quase nada, que não fica tonto com bebida alguma, que é forte, etc.

Eis uma demonstração de alteração da consciência devida ao estado etílico.
No link abaixo, uma demonstração prática de como os índices de concentração de etanol, no sangue, podem interferir em nossa capacidade de coordenação motora:

Arraste a chave com o mouse até o buraco da fechadura e clique. Nas concentrações mais baixas é até fácil. Depois...
O teste do bebum.

02 janeiro, 2007

Sim, mas...

Dentre meus desejos para 2007, um deles é que Deus me poupe dos chatos, daqueles chatos que se assentam a seu lado numa mesa de boteco e dão palpite sobre tudo, sabem tudo, criticam tudo. São aqueles que sempre concordam com você, dizendo:
- Sim, mas...

Se você lhes pergunta o que achou do filme tal, comentam:
- Ótimo, mas...

Ao contar-lhes que fomos à praia, logo perguntam:
- Choveu lá?

Se nos referirmos a um passeio a Natal, dizem logo:
- Você não foi a Jenipabu? Ah! então você perdeu.

Quando narramos algum episódio e citamos uma cifra, por exemplo: "Hoje, às nove horas, estourou uma bomba lá no Rio de Janeiro", imediatamente retificam:
- Não foi às nove, foi às 20 e 50!

E se você aponta o sucesso de alguém, reparam:
- É, mas fulano não é tão bom assim, aquilo foi sorte, herança, proteção, qualquer coisa.

Pior é quando começam:
- Fulano, se eu fosse você, faria de outro jeito.

Argh!

Pois, em verdade lhes digo: se esses chatos de galocha (expressão antiga, heim?) passarem longe de mim no ano que se inicia, já me dou por satisfeito.
________________________
O único 'chato' que manterei por perto, visitarei sempre e recomendo a todos é este aqui.

01 janeiro, 2007

Prosperidade para todos em 2007


Cesta de vegetais, originally uploaded by ClaudioCosta.

Cesta de ornamentação no Restaurante do Centro de Arte Contemporânea de Inhotim. Quem não esteve lá em 2006, que vá agora em 2007.

30 dezembro, 2006

Bacalhoada em 10 passos


Cool Slideshows



Foi assim que fizemos (mais a Amélia do que eu!) uma bacalhoada na véspera do Natal:
1. 800g de postas de filé de bacalhau do Porto, dessalgadas durante uma noite na água e, depois, grosseiramente desfiadas
2. levemente cozidas em meio litro de leite temperado com folhas de louro, alecrim e uma pitada de noz moscada
3. colocamos camadas de cebola, batatas cozidas em rodela, bacalhau; tudo regado a muito azeite extra-virgem
4. acabamento com azeitonas pretas, picadas
5. levamos ao forno até corar
6. enfeitamos com rodelas de ovos cozidos
7. preparamos uma bela salada e arroz branco
8. abrimos uma garrafa de vinho
9. brindamos e...
10. degustamos: Feliz Ano Novo!!!

27 dezembro, 2006

Pourquoi?

Algumas imagens nos ficaram da última Copa do Mundo : Roberto Carlos ajeitando a meia enquanto o Brasil sofria um gol da França; Felipão comandando a Seleção Portuguesa em uma de suas melhores participações; a improvável espontaneidade dos alemães, que explodiram de alegria durante aquele mês de junho; a perplexidade e a indignação da torcida brasileira diante do vexame de nosso (!) dream-team e a cabeçada de Zidane em Materazzi.
Pois foi essa última imagem que inspirou o estilista italiano Alessandro Ferrari para criar a coleção Xqua, cuja logomarca é a famosa cabeçada:

Alessandro explica:
- Il nome del marchio – continua Ferrari – nasce dall’esclamazione reiterata dal telecronista francese.
Xqua si pronuncia come il francese pourquoi.
E “perchè” è l’interrogativo che ci si pone dinanzi a un qualsiasi atto di violenza.

Todos nós nos perguntamos, diante daquela cena inesperada:
- Por que? Por que?
Vários programas de televisão e rádio se dedicaram a 'destrinchar' o caso, analisar quadro-a-quadro os poucos segundos em que Zidane caminhava calmamente à frente do Materazzi até que, de repente, se virou e tascou-lhe a cabeçada mortífera.

O Mercado é assim mesmo: apropria-se dos fatos, das emoções, das coisas boas e ruins, do sublime e da lama para transformar tudo em produto.

Aqui em Minas, o estilista Ronaldo Fraga é um mestre: já criou roupas a partir de poemas de Drummond, inspirou-se em imagens religiosas, em produções dos loucos de hospício (Artur Bispo, por exemplo), no assassinato de Zuzu Angel ("Quem matou Zuzu Angel?"), em Guimarães Rosa ("a cobra ri"), etc.

Moda engajada, dizia-se antigamente. Moda atual, look up-to-date, faschion, "da hora", etc. Reivenções, releituras, movimentos antropofágicos, etc.

Lembro-me de uma antiga propaganda de uma casa de roupas infantis, chamada O Príncipe, que dizia: "Príncipe veste hoje o homem de amanhã". Mas isso é conversa para depois.

25 dezembro, 2006

Verão



Após chegarmos de Nova Era-MG, onde passamos o Natal, esperamos terminar a chuvarada de verão e caminhamos pela Praça da Liberdade.
As ruas e alamedas sujas de tanta folhagem derrubada pela ventania. A luminosidade de um fim-de-tarde e as poças d'água convidaram para algumas fotos.
É o verão.

23 dezembro, 2006

PRESÉPIO VIRTUAL

Compartilho um presépio virtual, divertido para quem tem crianças por perto. Para montar o cenário, é só arrastar os personagens que estão na parte inferior da tela. Depois, clique em 'animer' ( play ) com o som ligado. Feliz Natal!
CLIQUE AQUI.

21 dezembro, 2006

Solilóquios

Solilóquio: ato de alguém conversar consigo próprio; monólogo 2 lit teat recurso dramático ou literário que consiste em verbalizar, na primeira pessoa, aquilo que se passa na consciência de um personagem [Opõe-se ao monólogo interior, porque o personagem, no solilóquio, articula os seus pensamentos de forma lógica, coerente.] ¤ etim lat. soliloquìum,ìi 'solilóquio, monólogo', pal. cunhada por santo Agostinho (354-430) para o seu Liber soliloquium, do lat. solus,a,um 'sozinho' + loqui 'falar' [Houaiss]

Lembrei-me dessa palavra erudita ao observar, no trânsito, alguns motoristas que falam, gesticulam e até gritam enquanto dirigem. Hoje, um vizinho de engarrafamento não conversava ao celular, não havia mais ninguém ao seu lado e o sujeito, ali, a discursar em voz alta sobre não sei sobre o quê.

Em caminhadas urbanas, já me deparei com solitários peripatéticos (de peritátésis, der. de peritatéó 'passear, ir e vir conversando - que era como fazia Aristóteles com seus discípulos nos jardins do Liceu, em Atenas). Procuro em volta, penso que falam comigo; mas, não! Conversam consigo mesmos ou com algum ente imaginário? Neste segundo caso, poderiam ser possuídos de louca alucinação (se não visual, pelo menos auditiva), o que se constituiria em sintoma de psicose.

Existem mesmo desses 'loucos de toda espécie' que escutam vozes, dialogam, discutem, altercam ou lançam impropérios contra um fantasma que lhes assolam a vida. Mas não é destes que falo aqui.

O solilóquio pode ser um profícuo diálogo interior (como queria Santo Agostinho), durante o qual, silenciosamente, o pretendente a santo ou o menos presunçoso místico desvendaria um caminho para encontrar-se com a Divindade.

Já os filósofos, igualmente, fazem lá seus solilóquios, num monólogo interior em busca da Verdade, construindo silogismos, contrapondo argumentos e raciocínios, numa dialética rigorosa em busca do conhecimento.

O blogueiro também comete solilóquios. Por que não? De repente, uma idéia me passa pela cabeça. Busco o computador, abro no blogger e ponho-me a conversar comigo mesmo, teclando quase sem pensar. Nessas horas, costumo parir um texto interessante. Se não para quem me lê, pelo menos para mim.

Pois foi o que fiz, agora.

Para deixar de ser solilóquio e tornar-se diálogo interessante, preciso dos testemunhos de vocês, opiniões e compartilhamento de experiências.

Caso contrário, deliro?

20 dezembro, 2006

Ouça um bom conselho...

Li e repasso este artigo do colega Dr.Eduardo Martins, cardiologista daqui de BH:


Saúde e conta bancária


Imagine a sua coronária: isso mesmo, você tem uma artéria coronária, aliás duas, a direita e a esquerda (e seus ramos). Tirando a sorte de você ter alta produção de óxido nítrico (uma genética antiateroesclerose), saiba que sua coronária não suporta cigarro, gordura, sedentarismo, obesidade, e seu novo inimigo: a cintura abdominal. Esta idéia de valorizar não o corpo, mas todos os corpos (mental, emocional, energético), inclusive os órgãos do corpo físico, gera a noção de saúde completa, aumenta o prazer de viver e dá o start nos investimentos em saúde.

Um investimento pequeno em saúde pode ser uma refeição saudável: “Hoje não vou comer carne vermelha, e vou priorizar uma salada”. Seria como depositar R$ 200 na poupança. Um grande investimento em saúde pode ser ir ao cardiologista, fazer um checape e iniciar atividades físicas com acompanhamento médico para evitar um blecaute. Se realizados todos os dias, os exercícios seriam como depósitos diários de R$ 500 no melhor fundo de investimento do mercado. Eis um grande investimento, talvez o maior de todos, que vai lhe dar um grande crédito de saúde no futuro. O que mais escuto em consultório é o paciente relatar amigos que bebem, fumam e já passaram dos 60 anos sem qualquer problema. Para esses pacientes costumo lembrar também que assim como esses sortudos, há quem tenha nascido em berço de ouro, cheio de tutu, e sequer precisa trabalhar. Se bem que a improdutividade de bom não tem nada, e só estraga a saúde. Portanto, aos mais fixos nesta idéia, sugiro visitar o pronto atendimento de hospitais cardiológicos para ver a quantidade de infartados obesos, tabagistas e sedentários. Aliás, junto aos idosos em fim de linha, esta é a população de CTIs, mundo afora.

Se, como a maioria absoluta da população mundial, você não recebeu um patrimônio genético recheado de óxido nítrico; se quer sacar saúde, quando precisar – e na terceira idade você vai precisar –, mude agora, comece a poupar saúde, aproveitando a virada do ano. Na sociedade pós-industrial dos lanches e do estresse, poupar dinheiro não adianta. Se você não guardar créditos de saúde, a conta bancária pode ficar para seus descendentes." name="not_bod" type="hidden">
O termo saúde pode ser definido como um estado de bem-estar íntimo, um somatório dos elementos psíquico, social, mental, emocional, energético e espiritual, ou seja, a homeostase interior. Se alguém lhe perguntasse se você tem saúde, o que você responderia? Você pode sentir a saúde? Onde está a saúde? Quanto de saúde eu tenho? Saúde é algo virtual, ninguém vê, não se conhece o local do corpo (ou corpos) em que habita, mas, se você está em casa lendo este artigo, é provável que ela esteja aí com você em maior ou menor qualidade. O dinheiro é semelhante à saúde em um aspecto: quando está investido. Ele não aparece, mas está lá, e dá certa segurança ao cidadão, pois ele sabe que diante de qualquer emergência tem uma reserva, uma garantia e, assim, vive melhor: menos tenso, mais seguro diante da vida. Pois é este virtualismo que une saúde ao dinheiro. Eis dois elementos da vida humana difíceis de serem cuidados com a devida atenção ao mesmo tempo. Muitas pessoas despreparadas para a vida plena gastam mais do que têm, tanto em termos financeiros quanto em sua própria saúde. Outras preferem guardar dinheiro, mas não guardam saúde; já, outras, guardam saúde, associam-na à vaidade, e esta combinação estimula a abertura constante da torneira bancária.

Imagine a sua coronária: isso mesmo, você tem uma artéria coronária, aliás duas, a direita e a esquerda (e seus ramos). Tirando a sorte de você ter alta produção de óxido nítrico (uma genética antiateroesclerose), saiba que sua coronária não suporta cigarro, gordura, sedentarismo, obesidade, e seu novo inimigo: a cintura abdominal. Esta idéia de valorizar não o corpo, mas todos os corpos (mental, emocional, energético), inclusive os órgãos do corpo físico, gera a noção de saúde completa, aumenta o prazer de viver e dá o start nos investimentos em saúde.

Um investimento pequeno em saúde pode ser uma refeição saudável: “Hoje não vou comer carne vermelha, e vou priorizar uma salada”. Seria como depositar R$ 200 na poupança. Um grande investimento em saúde pode ser ir ao cardiologista, fazer um checape e iniciar atividades físicas com acompanhamento médico para evitar um blecaute. Se realizados todos os dias, os exercícios seriam como depósitos diários de R$ 500 no melhor fundo de investimento do mercado. Eis um grande investimento, talvez o maior de todos, que vai lhe dar um grande crédito de saúde no futuro. O que mais escuto em consultório é o paciente relatar amigos que bebem, fumam e já passaram dos 60 anos sem qualquer problema. Para esses pacientes costumo lembrar também que assim como esses sortudos, há quem tenha nascido em berço de ouro, cheio de tutu, e sequer precisa trabalhar. Se bem que a improdutividade de bom não tem nada, e só estraga a saúde. Portanto, aos mais fixos nesta idéia, sugiro visitar o pronto atendimento de hospitais cardiológicos para ver a quantidade de infartados obesos, tabagistas e sedentários. Aliás, junto aos idosos em fim de linha, esta é a população de CTIs, mundo afora.

Se, como a maioria absoluta da população mundial, você não recebeu um patrimônio genético recheado de óxido nítrico; se quer sacar saúde, quando precisar – e na terceira idade você vai precisar –, mude agora, comece a poupar saúde, aproveitando a virada do ano. Na sociedade pós-industrial dos lanches e do estresse, poupar dinheiro não adianta. Se você não guardar créditos de saúde, a conta bancária pode ficar para seus descendentes.
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Publicado em 19dez06 no EM