05 junho, 2004

A torre de Belo Horizonte

A capital de Minas Gerais está ganhando uma atração turística digna de ser visitada:
mais de pertoSua construção está em fase de finalização e já se destaca por sobre vales formados pela Serra do Curral, com uma visibilidade de 360°.Será, segundo dizem, a mais alta da América Latina, com um restaurante panorâmico a 82 metros do chão.
 Posted by HelloPraticamente toda a região metropolitana poderá ser apreciada, além de outras cidades circunvizinhas, bem como pontos culminantes da serra da Canastra, serra da Moeda, serra de Itaguara, Betim, Santa Luzia, Nova Lima, Aeroporto de Confins. Além do restaurante, haverá um shopping de alto luxo.

04 junho, 2004


Nada como um fim de tarde na varanda da Pousada das Cores, em Cocais-MG... paz e tranquilidade! Posted by Hello

Mensagem às estátuas

MENSAJE A LAS ESTATUAS

Vosotras, piedras
violentamente deformadas, rotas
por el golpe preciso del cincel,
exhibireis aun durante siglos
el ultimo perfil que os dejaron:
senos inconmovibles a un suspiro,
firmes piernas que desconocen la fatiga,
musculos tensos en su esfuerzo inutil,
cabelleras que el viento no despeina,
ojos abiertos que la luz rechazan.
Pero vuestra arrogancia inmovil,
vuestra fria belleza,
la desdenosa fe del inmutable gesto,
acabaran un dia.
El tiempo es mas tenaz.
La tierra espera por vosotras tambien.
En ella caereis por vuestro peso,
sereis, si no cenizas, ruinas, polvo,
y vuestra sonada eternidad sera la nada.
Hacia la piedra regresareis piedra,
indiferente mineral, hundido escombro,
despues de haber vivido el duro, ilustre,
solemne, victorioso, ecuestre sueno
de una gloria erigida a la memoria
de algo tambien disperso en el olvido.


Angel Gonzalez

30 maio, 2004

Soié, o espirituoso

Quem é Soié?
Soié é o apelido de meu pai, Ismael. Se fosse fazer-lhe um rapidíssimo perfil, começaria assim:
Meu pai "é um sujeito espirituoso"....
a palavra "espírito" vem do latim (spiritus) que, por sua vez, vem do grego "Pneuma". Tanto "spíritus" quanto "pneuma" significam "sopro". Por isso, a gente chama aquela borracha cheia de ar de PNEU, abreviatura de "pneumático". O médico que cuida de pulmão é o pneumologista, para diagnosticar as pneumonias... Daí, a gente lê na Bíblia que, após moldar no barro o corpo de Adão, Deus "assoprou e infundiu-lhe o espírito", ou seja, encheu-o de ar... que traduzimos por "alma"="espírito".... No Novo Testamento, em Pentecostes, o "Espírito Santo" (o sopro divino) desce sobre os apóstolos.
Ora, do barro inerte a um ser vivo, só mesmo cheio de "ar", "de espírito", de "alma".
Quando alguém está angustiado (angústia = aperto no peito) é porque sua respiração está insuficiente, consequência da ansiedade, do medo, da depressão... A voz (produto do ar que sai dos pulmões e vibra nas cordas vocais) fica mais fraca... às vezes, até dizem: -"parece que tem um bolo aqui na minha garganta"... quando queremos chorar, ficamos com um nó na garganta e quando gargalhamos, rimos até "até faltar ar"... ou seja, para podermos rir bastante, é preciso estarmos cheios de ar, ou seja: sermos ESPIRITUOSOS.
Quando paramos de respirar, o "espírito" se vai, é o fim.
Por tudo isso, meu jovem pai de 80 anos é um senhor muito vivo, pois é super-espirituoso, conta piadas e brinca com todos: é a VIDA em pessoa!
Para quem não conhece: meus Pais!  Posted by Hello

Auxilium profligatis contumelia est.

Muita gente se pergunta por que os iraquianos, afegãos e outros povos invadidos pelos norte-americanos, especialmente pelos "Bush boys", reagem agressivamente contra aqueles que se propõem a "ajudar a restaurar a democracia, acabar com a fome e a miséria, melhorar as condições de vida" e outras benesses. Sem menosprezar as explicações dadas por especialistas internacionais, sabedores de geopolítica e quejandos, nomeio este post com uma das sentenças de Siro. PUBLIUS SYRUS(c. 85 - 43 a.C), era poeta latino, escravo em Roma durante sua juventude e, após ser libertado, percorreu diversas vilas da Itália, declamando suas peças burlescas, recheadas de lições de moral. Algumas de suas sentenças se conservaram até hoje.[M.-N. Bouillet, Dictionnaire Universal d’Histoire et de Géographie. Paris: Hachette, 1857, p. 1462].
Pois bem , o que Siro teria a dizer ao pretenso Senhor do Universo, aquele presidente "bonzinho" do Norte?
- Auxilium profligatis contumelia est! (tradução para Bush: Help wounds the pride of those whose cause is lost!).
Ajuda depois da derrota é afronta..
Para conhecer centenas de citações de Siro, corra para a página do Kocher. É muuuuito boa!

O tal do "controle externo"

Uma discussão que se arrasta, por ser complexa e por ferir interesses nem sempre honestos, trata do "controle externo" do Judiciário. Tradicionalmente, o Poder Judiciário (Juizes e Magistrados) se ordenam por dispositivos internos ao próprio sistema, seja para prevenir ou remediar possíveis erros sentenciais ou mau uso do Poder, seja para gerir carreiras, salários, promoções, etc. Não vou entrar no mérito da questão, que foge à minha alçada. Entretanto, associo este imbroglio a uma outra esfera: a policial. Também, aqui, sabemos de dispositivos internos ao sistema de Segurança Pública, que tem lá suas Corregedorias e, em última instância, está subordinado ao Poder Executivo. Este, por sua vez, respeitando os limites constitucionais, tem no Poder Legislativo uma espécie de monitoragem quase obsessiva, uma vez que necessita de acordos com partidos diversos para que o Governo se sustente.
È o tal do "equilíbrio" entre os Três Poderes (até nome de praça, em Brasília!) que caracteriza da Democracia representativa.
O que me despertou para o tema foi um post do Alexandre Cruz Almeida, em seu LiberalLibertárioLibertino. Cruz cita uma frase em inglês, "Who Watches the Watchers?",
"Quem vigia os vigias?" que serviu de título para um livro recém publicado:
Um estudo sobre controle externo da polícia no Brasil
Julita Lemgruber, Leonarda Musumeci e Ignacio Cano, Editora Record, 2003. com a seguinte resenha:
"Até mesmo os policiais do próprio país não gostam da Polícia do Brasil. Investigadores, escrivães inspetores, a "tiragem" do policiamento civil, e os soldados, cabos e sargentos, os praças da polícia militar - todos dizem que estão sendo injustiçados e perseguidos pelos superiores hierárquicos. Apontam como vilões a minoria privilegiada das duas entidades: delegados e oficiais da PM que vivem isolados nos gabinetes, distantes dos riscos de morte de quem faz o patrulhamento nas ruas mais violentas do mundo.
A revolta silenciosa da base das duas grandes corporações de segurança pública brasileiras é apenas uma das descobertas deste livro, embora não seja uma obra de denúncia.
Quem vigia os vigias? é o primeiro resultado concreto de um projeto de pesquisa que visa aprimorar o controle externo da polícia, hoje limitado às ações ainda muito frágeis das Corregedorias e das Ouvidorias de Polícia."
. Julita deu uma entrevista a Paloma Cotes, da Revista Época (26/2/2004), que pode ser lida integralmente aqui.
Pois bem, AlexandreCruz acaba de pedir aos seus leitores a origem daquela expressão "Quem vigia os vigias?". Após fuçar um pouco, encontrei o site do Professor Henerik Kocher, PÁGINA DOS PROVÉRBIOS, MÁXIMAS E CITAÇÕES, riquíssima em citações em Latim, Espanhol, Francês, Italiano, Português e... Esperanto! Não encontrando a citação em sua página, pedi ajuda ao professor que, imediatamente, enviou-me a seguinte resposta: "Bom dia, Claudio. A frase é "Sed quis custodiet ipsos custodes?" É de Juvenal, Satirae 6.347. No caso, a tradução será "Mas quem vigiará os próprios vigias?" Como ex-aluno do Caraça, você sem dúvida sabe mais latim do que eu, que sou mero amador. Por isso, peço que, se encontrar erros na minha página, me informe, para que os usuários aproveitem melhor. Um abraço, Kocher."
Alguns me falam de "cultura inútil", mas como é bom!


29 maio, 2004

TDAH : a "doença da hora?"

TDAH é a sigla para o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Segundo a Associação Médica Americana, trata-se de um transtorno dos mais bem estudados e documentados, como poucos em Medicina.
Catarcterísticas: Desde a década de 50, nos EUA, já encontramos a referência a crianças que não conseguem manter a atenção e a concentração por muito tempo, são muito irritadiças, não suportam a frustração, são extremamente inquietas, desobedientes, impulsivas, etc. O fracasso escolar se explica pela "voação", quando ficam "no mundo da lua", nem escutam o que a professora diz. Esquecem-se de anotar os deveres, esquecem objetos e compromissos, não toleram um esforço mental mais prolongado. Tendem a ser birrentas, desafiadoras, destemidas (sobem em qualquer lugar!), correm de um lado para outro. Geralmente são crianças inteligentes, espertas e, por isso mesmo, aos poucos vão percebendo os próprios fracassos e as constantes repreensões e castigos dos adultos, concluindo que são rejeitadas e piores que os colegas. Daí, podem se tornar mais deprimidas, ansiosas e com baixa de auto-estima. Ou seja, não é fácil ser um "portador" de TDAH.
As classificações deste transtorno se baseiam nas três principais
característas:
a) disatenção: distractibilidade
b) inquietação: hiperatividade
c) comportamentos agressivos e desastrados: impulsividade.
A evolução dos estudos foi mudando, aos poucos, a compreensão deste quadro e a consequente substituição de seu nome:
- Lesão cerebral mínima, quando se pensava que o distúrbio era devido a uma pequena e invisível lesão no Sistema Nervoso Central.
- Disfunção Cerebral Mínima: quando o foco passou a ser a incapacidade funcional do cérebro.
- Transtorno hipercinético e Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade, nas classificações atuais, de origem norte-americana: DSM-IV e CID-10.
Da mesma forma, as causas do problema vêm sendo deslocadas de fatores educacionais (falta de limites) para fatores genéticos (há enorme concordância de aparecimento do transtorno em gêmeos e parentes). Atualmente se sabe que há alterações na transmissão dos impulsos nervosos, principalmente na córtex cerebral (responsável pela atenção e interesse, no sistema límbico e hipotalâmico e nos núcleos da base, onde funcionam os "filtros" dos impulsos originários das percepções.
Uma explicação simplificada poderia ser dada com o seguinte exemplo: ao escutarmos uma campanhia de telefone, podemos ignorá-la se não estivermos esperando chamada. ("Que alguém atenda, não eu.") Logo voltamos a nos concentrar no que estávamos fazendo. O hiperativo-desatento logo correria para atender, chamaria o verdadeiro destinatário e... se esqueceria de voltar a fazer o que fazia.
As pesquisas mais acuradas apontam para um índice de prevalência relativamente alto de portadores de TDA/H: de 3% a 7% da população escolar. Todas as escolas possuem crianças com este transtorno e, muitas vezes, tratam-nas como se fossem puramente indisciplinadas, de "má índole", sem educação, etc. Acabam expulsando e estigmatizando tais alunos que passam a "peregrinar" de escola para outra, acarretando prejuízo acadêmico e onerando as famílias.
A evolução dos casos não tratados pode ser muito ruim, com 40% se tornando adolescentes mal-adaptados, recorrendo a drogas (álcool e outras) e com comportamentos anti-sociais. Muitos chegam até à idade adulta com transtornos graves, desajustes acadêmicos, laborais, relacionais, além de doenças secundárias, como depressão, ansiedade e abuso de drogas.
Os tratamentos propostos incluem:
1) uso de medicamentos
2) orientação da família, do portador e da escola
3) às vezes psicoterapia e ou treinamento
Há estudos mostrando o risco de se fazer este diagnóstico com "muita facilidade", tornando um problema médico aquilo que poderia ser característica pessoal ou consquência de estresse ou até mesmo incapacidade das escolas.
Além disso, o mundo contemporâneo nos oferece uma multiplicidade de estímulos, fazendo exigências e provocando uma inquietação constante. Sobre isso há uma pesquisa recente, feita pelo psiquiatra Rossano Lima, mestre em Saúde Coletiva do Instituto de Medicia Social da Uerj, em que "relaciona os sintomas de uma doença cujo diagnóstico vem crescendo a taxas espantosas com as características do sujeito pós-moderno, aquele que, segundo o sociólogo Zigmunt Bauman, está "pronto a adaptar-se a um mundo que não oferece mais garantias e lastros estáveis e sólidos".
Numa entrevista excelente feita por Carla Rodrigues no site NoMín imo, Rossano afirma: Podemos dizer que a rápida propagação do TDA/H depende de um amplo arranjo cultural a lhe respaldar e ressoar. Edward Hallowell, um dos principais divulgadores do transtorno nos EUA, chegou a propor que a sociedade atual é indutora de "pseudo-TDA/H". O problema, não resolvido por ele nem por ninguém, é o da ausência de critérios confiáveis para diferenciar o quadro tido como verdadeiro (supostamente biológico) do falso (que seria culturalmente induzido). De qualquer maneira, podemos afirmar que uma sociedade que celebra como valores supremos a agressividade permanente no trabalho, a necessidade de mobilidade incessante e o imperativo do desvio contínuo do foco da atenção torna a existência do transtorno mais convincente e estimula a adesão das pessoas a suas concepções e a seu vocabulário. Não é por acaso que o surgimento e a explosão desse diagnóstico se dá agora, e não há trinta ou sessenta anos. .
Há inúmeros sites que falam sobre o assunto. Em português, recomendo este aqui.

... e o papagaio se foi!

Madrugada o telefone toca:
- Alô, Sô Carlos? Aqui é o Uóshito, casero do sítio.
- Pois não, Seu Washington. Que posso fazer pelo senhor? Houve algum problema?
- Ah, eu só tô ligando pra avisá pro sinhô que o seu papagaio morreu.
- Meu papagaio? Morreu? Aquele que ganhou o concurso?
- É, ele mess.
- Puxa! Que desgraça! Gastei uma pequena fortuna com aquele bicho! Ele morreu de que?
- Di cumê carne istragada.
- Carne estragada? Quem fez essa maldade? Quem deu carne para ele?
- Ninguém. Ele cumeu a carne dum dos cavalo morto.
- Cavalo morto? Que cavalo morto, seu Washington?
- Aqueles puro-sangue que o sinhô tinha! Eles morreu de tanto puxá carroça d'água!
- Tá louco? Que carroça d'água?
- Pra pagá o incêndio!
- Mas que incêndio, meu Deus?
- Na sua casa. Uma vela caiu, aí pegô fogo nas curtina tudo!
- Caramba!! Mas aí tem luz elérica! Que vela era essa?
- Do velório!
- Velório de quem???
- Da sua mãe! Ela apareceu aqui de noite, sem avisá e eu dei um tiro nela pensano que fosse ladrão!

28 maio, 2004

O DIA D

Thiago Zanini é um jovem advogado que faz Mestrado em Direito Internacional na Sorbonne (Paris) e mantém um blog Putz...exilado em Paris, linkado ao lado como Um brasileiro em Paris, que vale a pena visitar. Outro dia, falou de uma viagem à Normandia, local de desembarque dos aliados, na II Guerra Mundial, em 6 de junho de 1944. Foi o suficiente para que eu fosse invadido por uma lembrança de meus tempos de colégio, quando estava no Colégio do Caraça.
Naqueles dias, éramos visitados por padres franceses e um deles trouxe umas latas de filmes de 8mm sobre a França. À noite, fomos para o pátio assistir os "filminhos", quando... assisti a um filme feito por um cinegrafista americano, in loco, ao vivo e a P&B, dos preparativos, travessia do Canal da Mancha e o desembarque debaixo do fogo infernal dos inimigos (alemães). Chovia, o mar estava muito turbulento, aquelas barcaças que abriam a proa como se fossem baleias cuspindo gente, jipes, tanques... os homens, quais cupins saindo do buraco, iam caindo na água, ali mesmo se afogando. Cara, fiquei impressionadíssimo com aquilo. Não era filme de Hollywood, não, era filme 8mm, num projetor de mil novecentos e pouco, numa telinha feita de lençol, no pátio do colégio, à noite. Era filme mudo, imagine, e os padres-professores colocaram uma caixa de som tocando a Abertura de 1812, alternando com o Capricho Italiano, ambos de Tchaikowsky. Não dormi, à noite. Toda vez que escuto uma destas sinfonias, lembro-me nitidamente do dia D, no dia 6 de junho de 1944 (?). Veja as fotos aqui.
Muitos anos depois, assisti "O mais longo dos dias", uma superprodução hollywoodiana no cinema, technicolor, com artistas famosos (não me lembro mais quais eram - se alguém souber, diga-me). Olhaqui: as emoções que experimentei no pátio do Colégio, naqueles tempos remotos (!), foi maior do que as provocadas pelo filme. Ou então, para uma criança, tudo que acontecia era muito grande...

27 maio, 2004

Antidepressivos x suicídio

Suicídio com antidepressivos?

Acabo de dar uma entrevista para o programa Rádio Vivo, da Rádio Itatiaia de Belo Horizonte-MG (95.7 FM e 610 AM). O apresentador queria saber minha opinião acerca da possível exigência de se colocar, nos rótulos dos antidepressivos (AD), a inscrição:"Este medicamento pode levar ao suicídio" (sic). A notícia vem dos Estados Unidos, onde o órgão regulador da indústria farmacêutica e alimentícia (FDA-Food and Drug Administration) está sendo pressionado por defensores do consumidor, diante de alguns casos de auto-extermínio de pacientes em uso de AD. Fiz os seguintes esclarecimentos:
1. A primeira consideração é sobre o diagnóstico correto de Depressão. Na verdade, o termo "depressão" vem sendo utilizado indiscriminadamente. Nós, seres humanos, face a qualquer frustração (amorosa, empresarial, reprovação escolar, perda de um ente querido, etc) nos entristecemos, com toda a razão. Isto não significa que estejamos doentes. Ao invés de buscarmos as causas mais profundas do fracasso, que estão em nós mesmos - na maioria das vezes -, logo queremos um remédio que nos traga felicidade. A indústria farmacêutica estimula e se aproveita disso, fazendo-nos acreditar que existe a tal pílula da felicidade: o antidepressivo!!!
2. O diagnóstico psiquiátrico de Depressão deve levar em conta alguns critérios já estipulados em manuais diagnósticos, basear-se na história clínica e familiar do paciente e decidir pelo tratamento mais adequado.
3. Há depressões: a) predominantemente ansiosas, b) predominantemente com sintomas físicos (cefaléias, dores, problemas gástrointestinais, etc.), c) predominantemente com sintomas de irritabilidade, d) com sintomas de desânimo e inibição motoras, etc...
4. Neste último caso (depressão com inibição psicomotora), na forma mais grave (ideação de auto-extermínio) é que se deve tomar precaução quanto à possibilidade de uma passagem ao ato, ou seja, a real tentativa de suicídio. Isso pode ocorrer, paradoxalmente, na medida em que o paciente, após iniciar o tratamento, melhora e, sentindo-se mais animado e disposto, adquire forças para por em prática suas idéias de auto-extermínio e, aí sim, tentar realmente se matar!!!
5. Essas informações já constam na bula dos medicamentos e devem ser dadas pelo médico, no momento da prescrição (geralmente se explica isso aos parentes ou responsáveis pelo paciente). São casos raros, mesmo.
Mas não se pode esquecer que a depressão é uma doença que tem alto potencial de levar o sujeito ao suicídio, em índices muito elevados. Veja no PsicoWeb, que é um site espetacular de informação psiquiátrica, mantido pelo psiquiatra paulista GJBallone.
6. Além do mais, o tratamento para Depressão não é apenas medicamentoso, mas deve incluir uma Psicoterapia, processo em que o indivíduo terá oportunidade de rever sua posição na vida, sua relação com as pessoas e com o mundo em geral, implicar-se com seu adoecimento e com os processos de mudança, necessários para a não recaída. Na Medicina "organicista", o ideal é a restitutio ad integrum (volta ao estado anterior, supostamente íntegro), enquanto que na Psiquiatria que leva em conta o psiquismo da pessoa e sua responsabilidade no próprio adoecimento, a cura não será o retorno ao que era antes, pois, assim, estariam sendo restabelecidas as próprias condições de um novo adoecer!!!
A cura verdadeira supõe uma mudança de vida, geralmente feita às custas de muito esforço, onde cada um de nós terá que se haver com os descaminhos anteriores.
(Post republicado e atualizado)

26 maio, 2004

Realinhamento Sexual

Saiu na Folha de S. Paulo, em 23.maio.04 uma notícia instigante a respeito de um canadense, chamado David Reimer, nascido menino. Entretanto, foi transformado em menina aos dois anos, após seu pênis ter sido destruído em uma circuncisão feita por uma pessoa inexperiente usando um cauterizador.

"Num primeiro momento, a vida de Reimer foi descrita como história bem-sucedida, sendo objeto do primeiro estudo documentado de realinhamento sexual de uma criança cujos sexo, hormônios e cromossomos eram todos masculinos. Durante mais de duas décadas ele foi descrito em textos médicos como prova viva de que o gênero pode ser determinado pela maneira como uma criança é criada --ou seja, a vitória da criação sobre a natureza.

Mas Reimer chocou o mundo em 1997, ao levar a público sua jornada dolorosa para transformar-se novamente no homem que sempre sentira que devia ser."


A discussão a respeito de como uma pessoa "se torna" homem ou mulher é tema recorrente nos campos da Biologia, da Psicologia, da Psicanálise, do Direito e outros. É possível transformar um menino em menina, criando-o "como menina'? Ou o contrário? A "escolha sexual" depende do ambiente ou é determinada pelo gen? A aplicação de hormônios sexuais (estrógenos ou andrógenos) pode alterar a mente de uma pessoa, fazendo-a sentir e pensar como mulher ou como homem?
O caso de David Reimer serviu de paradigma médico e psicológico, até que ele mesmo desmentiu as observações que apontavam para o "sucesso" da decisão tomada por seus cuidadores, aos 2 anos de idade.
Sua história trágica tem sido contada pela imprensa leiga e médica, como em aqui(em inglês), onde se podem ver algumas fotos do David ainda quando criança, no colo da mãe (ele e o irmão gêmeo); ou mais tarde, já como rapazinho.
Reimer deu uma histórica entrevista a John Colapinto, que resultou num livro dramático intitulado "As Nature Made Him
The Boy Who Was Raised as a Girl" ou Como a natureza o fez. O rapaz que foi criado como uma moça, cuja capa aparece aqui.
A notícia da Folha, registrada no início deste post, informa que David Reimer acaba cometer suicídio.


23 maio, 2004

Nostalgia poética

Affonso Romano de Santana é poeta, ensaista, escritor. Em sua crônica de hoje, a propósito de uma viagem ao interior de Minas, incorpora o espírito proustiano de A la recherche du temps perdu e inspirado pelo topônimo da cidade que visitou, relembra um dos poetas que morreram cedo - conforme abordei no post anterior: Cassimiro de Abreu.
A crônica é deliciosa e vale a pena ser lida aqui:.Eu me lembro, eu me lembro.

Eis os versos:
Eu me lembro, eu me lembro! – Era pequeno

E brincava na praia; o mar bramia

E erguendo o dorso altivo, sacudia

A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:

“Que dura orquestra! Que furor insano!

“Que pode haver maior do que o oceano

“Ou que seja mais forte do que o vento?”-

Minha mãe a sorrir olhou pr’os céus

E respondeu: – Um Ser que nós não vemos

“É maior do que o mar que nós tememos,

“Mais forte que o tufão! Meu filho, é – Deus!”.

Autodenúncia

As discussões sobre do poderio dos chefões dos traficantes, a partir de suas bases nos morros, se desdobram cada vez mais. De um lado, acusa-se o Governo de não exercer suas atribuições, deixando à míngua um contingente enorme de marginalizados sociais que, diante da falta absoluta de perspectiva, enveradam pelo caminho da contravenção e do crime, servindo de "soldados" dos morros, "aviões" e "sentinelas" nas bocas-de-fumo e drogas. A terminologia escancara que a guerra já está aí.
Por outro lado, há uma crescente conscientização a respeito do financiamento dessa máquina mortífera, sugerindo perguntas tais como: -"Quem consome e paga pela droga, injetando dinheiro no esquema do tráfico?"
Veja-se o artigo
Eu ajudei a destruir o Rio, do jornalista
Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, no qual ele critica o "cinismo" dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: "eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro!"
"É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.
Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias. Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.
Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão. Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a
necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.
Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas. Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.
Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado. São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.
Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir: "Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro". Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes."
Taí, falou quem pode.


Não quero acreditar

Transcrevo a notícia publicada no Caderno D+ do Estado de Minas em 18.maio, terça-feira passada:
"Pesquisa maluca:
Poetas morrem mais cedo do que outros escritores, como novelistas e roteiristas, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos. Segundo James Kaufman, da Universidade do Estado da Califórnia, isso deve-se ao fato de que poetas são torturados ou autodestrutivos, ou adquirem uma má-reputação ainda jovens. Kaufman estudou 1.987 escritores mortos de todo o mundo que viveram nos últimos séculos e descobriu que os poetas “morrem significativamente mais jovens”. Na média, a expectativa de vida de um poeta é de 62 anos, contra a dos roteiristas, que é de 63 anos, a de novelistas 66, e a dos escritores de obras não-ficcionais, 68 anos."

Não quero acreditar nisso: será que o pesquisador James Kaufman considerou outras variáveis: Estilo de vida, abuso de substância, fome... Afinal, ser poeta nunca foi lá um meio de vida valorizado pela sociedade. A poesia transita por caminhos alternativos ou, mesmo, marginais. Um poeta consegue efetuar rupturas no discurso dominante e estereotipado da linguagem usual e, muitas vezes, é atravessado por conflitos entre o princípio da realidade e o que irrompe de seu interior. Não são poucos os poetas que afirmam escrever por necessidade e não por prazer.
A propósito, taí um poema do Fernando Pessoa:
Autopsicobiografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


19 maio, 2004

Novos links

1) Pras Cabeças agradece os comentários e incentivos do Luiz Alberto Machado, que tem um blog literário muuuuuito bom, com uma escrita ágil e bem típica, tornando os acontecimentos mais banais fonte de inspiração e gancho prá muita prosa. Vale a pena visitar Tataritaritatá.
2) O mesmo Luiz Alberto Machado mantém um Blog sobre poesias onde dá dicas e indicações preciosas. Prá muita gente, poesia é coisa vã e para nada serve! Por isso mesmo é tão importante, pois não se faz poesia para algo prático, mas por necessidade interior do poeta. A gente, então, aproveita e sai ganhando um refrigério ou uma punhalada na alma... que é bom prá deixar de ser "boi no pasto".
3) Mais um blog com literatura boa, dicas culturais, etc, do mesmo cabra macho aí de cima: VarejoSortido.

17 maio, 2004

Omelete por US$ 1.000!

Até eu sei misturar seis ovos, cebola picada, manteiga, creme de leite, carne de lagosta e caviar (só prá esnobar). Depois de tudo batido, jogo numa frigideira e... taí minha omelete chic. Preço?
Bom, se você estivesse no Hotel Norma, em Nova York, lá estaria o preço no cardápio:a ninharia de US$ 1.000 ! Confira esta noticia em Tablóide UOL e veja que não sou de mentiras (tão grandes, pelo menos!).
Para evitar gastar tanto, Amélia e eu nos hospedamos no novíssimo HOTEL FLORENZA, de NOSSOS PRIMOS Henriquinho/Cláudia e Linete Lopes, em Santa Bárbara, conforme relatei no post anterior. O Hotel é ótimo, novo, camas king size, frigobar e tv a cabo, uma ducha que põe você novinho, mesmo após uma caminhada pela Serra do Caraça. Os primos estão de parabéns.Tem um preço ótimo e as omeletes são quase de graça!


16 maio, 2004

Pelo circuito do ouro...

Amélia e eu passamos o final de semana fazendo um mini-tour pela região da Serra do Caraça, a 120km da capital mineira. Estivemos na Festa do Vinho, em Catas Altas, onde as barraquinhas no adro da Matriz vendiam artesanato local, quitutes variados e o "vinho" de jaboticabas, fabricado na região. Shows musicais animaram as noites, de sexta a domingo. Catas Altas está se tornando um destino turístico desde que se emancipou de Santa Bárbara.
Como viticultores e futuros produtores de vinhos, com certeza não endossamos a aplicação da palavra "vinho" para o produto resultante da fermentação das jaboticabas, aquelas frutinhas pretas, saborosas e típicas de Minas Gerais. Mas... trata-se de um esforço da comunidade de Catas Altas, marcando lugar no Circuito do Ouro, trecho importantíssimo da Estrada Real, o maior projeto turístico em implantação no país. Vale a pena experimentar!

15 maio, 2004

Néctar

Mobilizado pela sede de néctar para o espírito me conduzi ao colega Lucas Monteiro de Castro Sobrinho que, gentilmente, empresta-me o mais recente livro de Maria Esther Maciel, A MEMÓRIA DAS COISAS, ensaios de literatura, cinema e artes plásticas. Lucas acabara de recebê-lo, com dedicatória pessoalíssima, das mãos da própria autora. A leitura abriu-me um território instigante e transdisiplinar. Mas, antes de tudo, apresentou-me a poética de Maria Esther. Mineira de Patos de Minas, é professora de Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da UFMG e possui um curriculo extraordinário. Sua poesia é precisa e ambígua, cristalina e certeira, surpreendendo por dizer exatamente o que não se sabe dizer:
AULA DE DESENHO
Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.

Ao SobreSites-Poesia Maria Esther Maciel concedeu Entrevista que merece ser lida. Navegando nas ondas provocadas pela minha queda neste, para mim, novo oceano poético, aporto em recantos paradisíacos, como este Vigna-Maru.
A quem me lê, um convite: viaje pela poesia da palavra e da fotografia... Um bom fim-de-semana, com muita Arte!

13 maio, 2004

O "caldo" entornou!

Primeiro um jornalista do New York Times, um dos mais importantes jornais do mundo, faz a reportagem acerca da "preocupação nacional"(?) com um suposto abuso de álcool do presidente Lula". Depois, há uma reação extremamente histérica e, por isso mesmo, inadequada: confundiram péssimo jornalismo com ataque à honra pátria. Agora,o caldo entornou de vez, com a cassação do visto do malfadado jornalista. Criou-se uma pendenga muito maior do que o episódio mereceria! Além de criar espaço para discussão a respeito de liberdade de imprensa, etc. etc. O STJ concedeu a liminar dando direito a Larry Rohter de permanecer no país... E agora, José?
Aproveite esse imbroglio para treinar seu inglês, lendo o artigo original.

Chega de rego! (?)

Notícia veiculada na Agência Estado: Um deputado quer tornar ilegal vestir calças de cintura baixa no Estado americano da Louisiana. O projeto de lei, do deputado Derrick Shepherd, transforma em crime o ato de usar roupas em público que “exibam intencionalmente as roupas de baixo ou exponham intencionalmente qualquer porção dos pêlos pubianos, do sulco das nádegas ou dos genitais”. “Chega um momento, em toda sociedade, quando é preciso traçar uma linha pela decência”, disse ele em seu discurso pela medida, que foi saudado com vaias e pelo menos um grito jocoso: "Chega de rego!"
Eu, heim?