07 março, 2010

Trilhas mineiras

 
O sábado foi especial: meu amigo Sérgio convidou-me a uma trilha jipeira. É o tipo de programa que me dá muito prazer.
Há algum tempo fomos a Matutu, próximo a Aiuruoca, nas encostas sul-mineiras da Serra da Mantiqueira. 
A Serra da Moeda e as colinas de Nova Lima também já trilhamos, comendo poeira, varando túneis abandonados e embrenhados sob a copa das árvores. 
É difícil descrever a alegria proporcionada pela descoberta de paisagens quase inacessíveis, lindas em sua intocada natureza. Há, igualmente, a adrenalina de vencer a rusticidade das trilhas, pedras, cavacos, buracos, vossorocas, subidas e descidas tão íngremes a desafiar a capacidade do jipe e os nervos do motorista.
Desta vez, o trajeto foi relativamente curto, programado pelo Caminho das Pedras, que o denominou de Passeio Cultural:  Passeio com grau médio/ baixo passando por  trilhas, matas e montanhas, pela região entre BR-040 e Fidalgo.

     Assim, deixamos a rodovia BR-40 (BH-Brasília) pouco antes de Sete Lagoas, em direção à Cachoeira do Urubu, recanto tão bonito quanto escondido. A paisagem é bem rústica, pontuada por pequenos 'ranchos', córregos, áreas de reflorestamento e pastos. Às vezes, serpenteamos sob a copa das árvores. Não faltaram obstáculos, a ponto de termos ficado uns 40min à espera da liderança descobrir um caminho "trilhável" (aconteceu que um proprietário de terra cercou a trilha...).
Ao lado da Cachoeira do Urubu, um comerciante criou um espaço bem arrumado, com gramado, quadra de futebol e um restaurante. Disse que recebe muita gente em fins de semana ensolarados, de dezembro a maio. Lazer bom e barato. 
Ontem, os jipeiros éramos os únicos presentes, pois amanhecera nublado e a terra molhada denunciou a chuva que caíra até poucos momentos antes de nossa chegada.
A pausa foi breve, pois muito chão nos esperava.
Até Pedro Leopoldo foi um pulo só, 9 quilômetros vencidos rapidinho, por asfalto. Chegamos ali por trás da estação ferroviária. Lá do alto vislumbrei o prédio onde mora meus tios e minhas primas. 
Atravessamos PL, tomamos a antiga estrada BH-Brasília e derivamos à direita, em busca da Fazenda JagoaraVelha, no município de Matozinhos-MG. É uma antiga fazenda da colonial, tendo as ruínas de uma enorme igreja bem ao lado da sede. A pousada é convidativa, mas o tempo urgia e... pé na estrada!  Há grande contraste entre aquela paisagem colonial em ruínas e algumas sedes de fazendas modernas, com plantações de milho e feijão, além de alguns haras muito bem cuidados.
Já Fidalgo, distrito de PL, é um distrito em franca evolução, apesar de antigo. Mantém alguns exemplares de casario colonial, esparsos, substituídos que foram por construções atuais, geralmente simples. Suas ruas tortuosas escondem casas de veraneio, entrevistas enquanto o comboi passava.
Chegou a hora do almoço (já às 15,30h), no restaurante Cheiro da Terra: local simples mas de comida típica mineira, na qual não faltou o feijão-tropeiro. Jardins e estacionamento margeando pequena lagoa, cuja foto encima este post.
Assim se passou o sábado, bem arrematado pelo discreto Galo 1x0 Democrata.
Muito mais fotos AQUI.

22 fevereiro, 2010

- Não é bem isso o que eu queria dizer...

Alguns estudiosos da linguística defendem que o sentido das palavras só existe na medida em que há uma contraposição, uma diferença, uma outra possibilidade, uma particularidade. Nomear é diferenciar.


Parece estranho, mas não é. Toda afirmação existe em oposição a uma não-afirmação, mais especificamente a uma negação.

Muitos devem se lembrar daquele bebê da Família Dinossauro que invocava o papai Dino como
"Não-é-a-mamãe". O "pai" só aparece por ser outro que não a mãe.

Aprendemos com René Spitz em seu livro
"O não e o sim" (No and yes. On the Genesis of Human Communication. International Universities Press, Inc. New York, 1957) que a primeira palavra com sentido semântico pleno utilizada pela criança é o NÃO, embora muitos pais e mães se encantem com os balbucios de seu filhote (papá, mamã) e disputem qual deles foi primeiramente nomeado.

O conversar comum, cotidiano, progride e se prolonga através de mal-entendidos, desmentidos e correções, logo seguidas de novos dizeres, cada vez mais necessários: "Não é bem assim", "O que eu queria dizer mesmo é...", "Você não entendeu direito", "Exatamente o que aconteceu?", "Quando falei tal coisa, é porque...", "Como assim? Explique melhor"...

Neste pequeno texto que estou escrevendo, cada parágrafo procura reforçar o anterior,
re-afirmar a idéia, prevenir possíveis distorções no entendimento, convencer pela repetição, demonstrar o que foi dito, etc. A linguagem, definitivamente, é capenga e insuficiente para dizer tudo...

Já em 1901,
Freud publicou um delicioso artigo, intitulado Psicopatologia da vida cotidiana (Psychopathology of everyday life), no qual aborda o tema dos atos falhos.

O conceito de ato falho (Fehlleistung, em alemão) não constava nos manuais de Psicologia e foi inventado por Freud. Na tradução inglesa, traduziu-se como parapraxis (parapraxia, em português).

[Parapraxia, segundo o Houaiss, é um termo originado diretamente do grego, pela justaposição do prefixo "par(a)" com o substantivo "praxis" = ação. "Par(a)" tem muitas acepções: 1) 'proximidade': parágrafo, paraninfo, paratireóide, parenteral, parêntese, parótico, parótida; 2) 'oposição': paranomia, paradoxo; 3) 'para além de': parapsicologia, parapsíquico; 4) 'defeito': parafasia, paralexia, paramimia, paramnésia, paraplegia; 5) 'semelhança': parastaminia, parastêmone, parastilo].

Na tradução brasileira das Obras Completas de Freud (Edição Standard, Editora Imago), encontramos a expressão ato falho, que pode ser, por exemplo, o esquecimento de algo importante, de um nome, o desvio em um trajeto predeterminado, a troca de palavras, etc. Distingue-se do erro comum, fruto da ignorância, imperícia ou conveniência. Ao cometer um ato falho, ninguém pode dizer "Eu não sabia" nem é possível renegá-lo: cai-se o véu, desvela-se algo oculto.

Os atos falhos são também conhecidos como lapsos (do latim, lapsus = escorregar, escapar) , aparecendo em compostos:
  • lapsus linguae = erro acidental ao falar, que altera o sentido que se pretendia dar à frase e que é interpretado (por influência da psicanálise) como expressão de pensamentos reprimidos;
  • lapsus calami = erro acidental ao escrever (do latim, calamus = caneta, pena com que se escreve);
  • lapsus memoriae = falta de lembrança; recordação defeituosa ou inexata.
A descoberta freudiana do significado dos atos falhos é tão importante quanto sua teoria acerca da Interpretação dos Sonhos.

Elementos dos sonhos e das parapraxias são indicadores de que existem conteúdos inconscientes, reprimidos, que
saltam à luz por uma falha nas defesas do sujeito. Portanto, são um caminho privilegiado para o entendimento da vida psíquica normal, assim como as descobertas anteriores permitiram a Freud teorizar sobre as neuroses.

Psicopatolgia da vida cotidiana foi muito valorizado pelo criador da Psicanálise pois, segundo ele, "seria imune a objeções, já que os atos falhos eram fenômenos experimentados por qualquer pessoa normal".

O artigo é muito interessante, tem uma linguagem clara e acessível, ilustrada com uma série infindável de exemplos. Há o orador que, ao abrir uma sessão solene, diz: "Tenho muito prazer em
encerrar esta sessão!", deixando evidente seus desprazer em estar ali.

A tese central de Freud é que os atos falhos, incluindo-se os lapsus linguae, são determinados por elementos que o sujeito não pretendia enunciar e seu significado oculto só aparece justamente na hora em que escapa ao controle da repressão. Assim, no velório, o cunhado diz para a viúva: "Meus parabéns", ao invés de dizer: "Meus pêsames". São eventos tão comuns e óbvios, por isso Freud os inclui como exemplos da psicopatologia da vida cotidiana.

O enunciante é surpreendido pelo que acaba de falar. Pode até ocorrer que ele não perceba, mas o interlocutor não deixará passar em branco. Pode provocar risos ou desconcerto, dependendo do conteúdo
revelado.

O conceito de ato falho já caiu no domínio do senso comum. Tanto assim que o próprio Presidente Lula, se interpretou, ontem pela manhã, durante entrevista, conforme divulgado na TV e
jornais:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje de manhã, em entrevista coletiva a nove emissoras de rádio, que irá "sim disputar as eleições" em 2006. Depois, corrigiu a informação, negou que já tenha se decidido pela reeleição, e disse ter cometido "um lapso". "Na verdade, a intenção era dizer se eu for para a disputa", esclareceu. Ele assegurou que não tem pressa de decidir sobre a reeleição."

Ao negar o que dissera, provoca apenas riso e descrença. Insiste: "na verdade, a intenção era...". Mas se ele mesmo reconhece um lapso, então deve saber que o dito escapou, era algo reprimido, mas escapou! Ou seja, quando diz sim, querendo dizer não, o que vale é o sim! Vale o dito.

Belo Horizonte's sunset

Sunset 
Foto obtida hoje, 21.fev.2010. Photo by Clcosta.

17 fevereiro, 2010

Dois lobos?

Certo noite, um velho índio Cherokee falou a seu neto a respeito da batalha que se trava dentro de todas as pessoas.
Ele disse:
- Meu neto, existe uma batalha dentro de todos nós.
Um é mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, arrependimento, a cobiça,
arrogância, auto-piedade, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, falsas
orgulho, superioridade e pura racionalidade.

O outro é bom: é alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade,
bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e
fé.

O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu
avô:
- Qual lobo vence?

O velho Cherokee simplesmente respondeu:
- O que você alimenta.

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Recebi e repasso.

Sistema de comentários

Este blog sempre esteve aberto a comentários. Afinal, uma das características desta ferramenta é a interação com os possíveis leitores.
Até ontem, funcionava o Haloscan, que interrompeu o sistema gratuito e está oferecendo a continuidade do serviço por alguns dólares anuais.
Por ora, vou tentar a própria configuração do Blogger. Até agora não consegui.
Se alguém quiser deixar seu comentário, pode enviar email para:
clcosta@ipvip.com.br
Um abraço, Cláudio.

16 fevereiro, 2010

Last chance Harvey (minha 'fuga' no Carnaval)

Já sabia que "Last chance Harvey" (Tinha que ser você) era um drama romântico um tanto leve, quase água-com-açucar. Mas é difícil resistir à chance de ver Dustin Hoffman e Emma Thompson juntos.

O filme se desenvolve em mix de tristeza, ansiedade, esperança, humor e comédia de costumes, numa Londres ensolarada de verão. É a história de duas pessoas maduras, cada qual em sua solidão, que resistem a correr os riscos da entrega amorosa, após sofrerem decepções. Mas, como sempre (?), sempre há uma chance, a última, ou não seria um filme hollywoodiano.
Joel Hopkins, diretor ainda novo e de curta filmografia, dirige com competência e foi feliz na escolha dos atores (afinal, ambos já são laureados em Hollywood) e parecem se divertir.

É um filme previsível, nada ambicioso, simples e se utiliza de certos clichés. Mas não há carnaval no filme e no conforto do sofá, pipoca estourando no micro-ondas, guaraná antárctica geladinho e boa companhia, foi mais uma boa 'fuga'.

15 fevereiro, 2010

Praça JK (minha 'fuga' no Carnaval)

 

Manhã de sol, brisa do mar... epa! BH não tem mar, não! Mas a brisa suavizava o calor da manhã e caminhar na Praça JK foi o programa ideal. Poucas pessoas, pistas livres, mp3 nos ouvidos... cada volta são 750m, marcados no chão pra ninguém me desmentir.
Se disser que dei muitas voltas, dirão que exagero. Se confessar que completei três em 30min dirão que sou lerdo.
Fazer o quê?
Vou ali tomar uma água de côco que ninguém é de ferro.
Ah! que a brisa era do mar, lá isso era!

14 fevereiro, 2010

Inhotim (minha 'fuga' no Carnaval)

Este domingo foi em Inhotim: Centro de Artes Contemporâneas de Inhotim.
Conhecemos o C.A.C.I. em 2006 ( fiz um post sobre nosso deslumbramento) e desde então voltamos lá periodicamente).


Hoje foi especial, pois tivemos a companhia do filho Ângelo e da norinha Renata, além de nos encontrarmos, lá, com alguns amigos e amigas.
Isso é que é Carnaval. O resto é baticum...
HomePage oficial.

13 fevereiro, 2010

Avatar (minha 'fuga' no Carnaval)

Agora que a onda passou, fomos (Amélia, eu, o filho Ângelo e a nora Renata) assistir Avatar, mega sucesso do momento (blockbuster, como dizem lá no Império.
Existem mil resenhas do filme, comentários pró e contra, críticas enfocando o aspecto técnicológico e inovador, interpretações várias.
Realmente, a 'experiência' visual 3D é arrebatadora, pois o espectador se vê dentro da ação, com sensações quase físicas de proximidade com objetos e atores. Não é novidade absoluta, pois na década de 50 houve vários lançamentos em 3D, com aqueles óculos ridículos obrigatórios para que o efeito visual se realize.
Assim, recebemos os nossos 'apêndices visuais', que utilizei tranquilamente, sem incômodo, por cima dos habituais.
A história é boa, prende a atenção e se vale de mitos ou arquétipos já visitados nos romances, nas tradições e em outros filmes: uma história de redenção e transformação, luta em defesa da natureza frente ao avanço desenfreado e violento do explorador, etc.
Valeu a ida ao cinema, na tarde tranquila deste sábado de carnaval, sem atropelos, sem baticum, sem pressa, sem engarrafamento, sem...

11 janeiro, 2010

Julie & Julia: o filme


Taí um filme que me deu enorme prazer de ver com belas cenas de época (Paris e USA após o fim da II Guerra - circa 1950).
É divertido, quase sempre ágil, belas recomposições, fazendo uma mistura soft de romance, drama, comédia e biografia.
» Direção: Nora Ephron
» Roteiro: Julie Powell (livro), Alex Prud'homme (livro), Nora Ephron (roteiro), Julia Child (livro)
» Gênero: Biografia/Comédia/Drama/Romance
» Origem: Estados Unidos
» Duração: 123 minutos

Elenco: Amy Adams, Meryl Streep, Jane Lynch, Stanley Tucci, Mary Lynn Rajskub, Vanessa Ferlito, Dave Annable, Chris Messina, Lindsay Felton

Meryl Streep dá um show de interpretação e, histriônica como nunca, domina as cenas em que aparece no papel de Julia Child, que aprecia e aprende culinária francesa. Acaba escrevendo um livro e ensinando receitas francesas às donas de casa americana, pela TV, nos anos 50-60 do século passado.
Julie Powel, jovem americana dos tempos atuais, se identifica com Child e decide fazer todas as 524 receitas em 365 dias, publicando sua epopéia num blog.

Amélia e eu nos divertimos muito, identificamo-nos em alguns episódios, pois muitas vezes nos aventuramos nas artes da culinária, sem pretensões mas com muitos bons resultados. Amélia é mestra em culinária mineira, doces, tortas, muffins, cookies e bem poderia ser protagonista de um filme.
Palavra de marido.

07 janeiro, 2010

Lula: o filme

Assistir ao filme "Lula: o filho do Brasil" foi experiência desafiante para quem busca entretenimento, cultura, 'adrenalina', emoção, curiosidade, conhecimento, surpresas, identificações.
Desta vez, o imperativo da curiosidade foi o motor principal: de alguma forma já conhecia o argumento, as inúmeras e contraditórias críticas, as acusações ("tentativa de criar um mito", "propaganda política"), etc.
- Fui conferir, diria.
A sala do BHShopping não estava lotado, predominavam os jovens na platéia, era o fim-de-tarde de um dia de semana.
Na fileira logo atrás de onde me assentava, três rapazinhos, entre 13 e 15 anos, anunciavam as cenas:
- Agora ele vai prensar o dedo, agora ele vai ser preso, dizia um para os outros, em voz apenas audível para quem estivesse logo ali, de orelha em pé.
O silêncio era total, para minha surpresa, pois as sessões vespertinas com platéia infanto-juvenil costumam ser interativas, com manifestações incômodas e, às vezes, engraçadas.
O filme relata a trajetória de um brasileiro nascido na pobreza extrema, migrante do nordeste para o sul maravilha, muita luta, muito trabalho e, por que não dizer, esperteza suficiente para sobreviver.
O ambiente familiar não poderia ser pior, embora comum: pai alcoolista, violência intrafamiliar, uma fieira de filhos, estratégias de sobrevivência, sonho de vida melhor.
Em Santos-SP, o menino Luíz Inácio aprende a driblar as vicissitudes, vê a mãe abandonar o pai que maltratava a todos e é educado nos bons princípios pela mãe, personagem graúda na história. A figura materna, com efeito, sobressai.
O desafio indicado na primeira linha deste comentário foi, para mim, entrar no clima do filme sem me referir o tempo todo na vida real: aquele ali é o Lula, presidente do Brasil... do qual posso gostar ou não, apoiar ou não, respeitar ou não.
Em certos momentos, sim, consegui, graças ao tratamento romanesco e épico dado pelo diretor Fábio Barreto. Em outros momentos, principalmente nas cenas documentais (inclusive com inserções de reportagens da época), não.
Com certeza, grande parte da mídia afinada com a oposição, que é preponderante e irritantemente preconceituosa em relação ao atual presidente, vai berrar aos quatro cantos que se trata de propaganda política em ano de eleição.
Cada um que vá assistir, não se deixe influenciar por opiniões a favor ou contra, pois essas jamais serão isentas.
Opinar sobre o filme em questão traz o risco de sofremos as pauladas do patrulhamento ideológico, à esquerda e à direita. Fazer o quê?
Quanto a mim, afirmo que gostei do filme, achei um bom espetáculo, entretenimento interessante e plasticamente razoável. Nada que mereça o Oscar, nenhuma maravilha imperdível.
O protagonista é conhecido de todos, influencia a vida de todos nós e, queiramos ou não, tem uma história de vida espetacular. Coisa de filme.