Affonso Romano de Santana é poeta, ensaista, escritor. Em sua crônica de hoje, a propósito de uma viagem ao interior de Minas, incorpora o espírito proustiano de A la recherche du temps perdu e inspirado pelo topônimo da cidade que visitou, relembra um dos poetas que morreram cedo - conforme abordei no post anterior: Cassimiro de Abreu.
A crônica é deliciosa e vale a pena ser lida aqui:.Eu me lembro, eu me lembro.
Eis os versos:
Eu me lembro, eu me lembro! – Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.
E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
“Que pode haver maior do que o oceano
“Ou que seja mais forte do que o vento?”-
Minha mãe a sorrir olhou pr’os céus
E respondeu: – Um Ser que nós não vemos
“É maior do que o mar que nós tememos,
“Mais forte que o tufão! Meu filho, é – Deus!”.
Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
23 maio, 2004
Autodenúncia
As discussões sobre do poderio dos chefões dos traficantes, a partir de suas bases nos morros, se desdobram cada vez mais. De um lado, acusa-se o Governo de não exercer suas atribuições, deixando à míngua um contingente enorme de marginalizados sociais que, diante da falta absoluta de perspectiva, enveradam pelo caminho da contravenção e do crime, servindo de "soldados" dos morros, "aviões" e "sentinelas" nas bocas-de-fumo e drogas. A terminologia escancara que a guerra já está aí.
Por outro lado, há uma crescente conscientização a respeito do financiamento dessa máquina mortífera, sugerindo perguntas tais como: -"Quem consome e paga pela droga, injetando dinheiro no esquema do tráfico?"
Veja-se o artigo
Eu ajudei a destruir o Rio, do jornalista
Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, no qual ele critica o "cinismo" dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: "eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro!"
"É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.
Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias. Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.
Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão. Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a
necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.
Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas. Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.
Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado. São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.
Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir: "Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro". Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes."
Taí, falou quem pode.
Por outro lado, há uma crescente conscientização a respeito do financiamento dessa máquina mortífera, sugerindo perguntas tais como: -"Quem consome e paga pela droga, injetando dinheiro no esquema do tráfico?"
Veja-se o artigo
Eu ajudei a destruir o Rio, do jornalista
Sylvio Guedes, editor-chefe do Jornal de Brasília, no qual ele critica o "cinismo" dos jornalistas, artistas e intelectuais ao defenderem o fim do poder paralelo dos chefes do tráfico de drogas. Guedes desafia a todos que tanto se drogaram nas últimas décadas que venham a público assumir: "eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro!"
"É irônico que a classe artística e a categoria dos jornalistas estejam agora na, por assim dizer, vanguarda da atual campanha contra a violência enfrentada pelo Rio de Janeiro. Essa postura é produto do absoluto cinismo de muitas das pessoas e instituições que vemos participando de atos, fazendo declarações e defendendo o fim do poder paralelo dos chefões do tráfico de drogas.
Quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro, lá pelo fim da década de 70, entrou pela porta da frente. Pela classe média, pelas festinhas de embalo da Zona Sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e nas emissoras de TV, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias. Quanto mais glamuroso o ambiente, quanto mais supostamente intelectualizado o grupo, mais você podia encontrar gente cheirando carreiras e carreiras do pó branco.
Em uma espúria relação de cumplicidade, imprensa e classe artística (que tanto se orgulham de serem, ambas, formadoras de opinião) de fato contribuíram enormemente para que o consumo das drogas, em especial da cocaína, se disseminasse no seio da sociedade carioca - e brasileira, por extensão. Achavam o máximo; era, como se costumava dizer, um barato. Festa sem cocaína era festa careta. As pessoas curtiam a comodidade proporcionada pelos fornecedores: entregavam a droga em casa, sem a
necessidade de inconvenientes viagens ao decaído mundo dos morros, vizinhos aos edifícios ricos do asfalto.
Nem é preciso detalhar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda, deve haver a necessária oferta. E assim, com tanta gente endinheirada disposta a cheirar ou injetar sua dose diária de cocaína, os pés-de-chinelo das favelas viraram barões das drogas. Há farta literatura mostrando como as conexões dos meliantes rastacuera, que só fumavam um baseado aqui e acolá, se tornaram senhores de um império, tomaram de assalto a mais linda cidade do país e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.
Qualquer mentecapto sabe que não pode persistir um sistema jurídico em que é proibida e reprimida a produção e venda da droga, porém seu consumo é, digamos assim, tolerado. São doentes os que consomem. Não sabem o que fazem. Não têm controle sobre seus atos. Destroem famílias, arrasam lares, destroçam futuros.
Que a mídia, os artistas e os intelectuais que tanto se drogaram nas três últimas décadas venham a público assumir: "Eu ajudei a destruir o Rio de Janeiro". Façam um adesivo e preguem no vidro de seus Audis, BMWs e Mercedes."
Taí, falou quem pode.
Não quero acreditar
Transcrevo a notícia publicada no Caderno D+ do Estado de Minas em 18.maio, terça-feira passada:
"Pesquisa maluca:
Poetas morrem mais cedo do que outros escritores, como novelistas e roteiristas, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos. Segundo James Kaufman, da Universidade do Estado da Califórnia, isso deve-se ao fato de que poetas são torturados ou autodestrutivos, ou adquirem uma má-reputação ainda jovens. Kaufman estudou 1.987 escritores mortos de todo o mundo que viveram nos últimos séculos e descobriu que os poetas “morrem significativamente mais jovens”. Na média, a expectativa de vida de um poeta é de 62 anos, contra a dos roteiristas, que é de 63 anos, a de novelistas 66, e a dos escritores de obras não-ficcionais, 68 anos."
Não quero acreditar nisso: será que o pesquisador James Kaufman considerou outras variáveis: Estilo de vida, abuso de substância, fome... Afinal, ser poeta nunca foi lá um meio de vida valorizado pela sociedade. A poesia transita por caminhos alternativos ou, mesmo, marginais. Um poeta consegue efetuar rupturas no discurso dominante e estereotipado da linguagem usual e, muitas vezes, é atravessado por conflitos entre o princípio da realidade e o que irrompe de seu interior. Não são poucos os poetas que afirmam escrever por necessidade e não por prazer.
A propósito, taí um poema do Fernando Pessoa:
Autopsicobiografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
"Pesquisa maluca:
Poetas morrem mais cedo do que outros escritores, como novelistas e roteiristas, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos. Segundo James Kaufman, da Universidade do Estado da Califórnia, isso deve-se ao fato de que poetas são torturados ou autodestrutivos, ou adquirem uma má-reputação ainda jovens. Kaufman estudou 1.987 escritores mortos de todo o mundo que viveram nos últimos séculos e descobriu que os poetas “morrem significativamente mais jovens”. Na média, a expectativa de vida de um poeta é de 62 anos, contra a dos roteiristas, que é de 63 anos, a de novelistas 66, e a dos escritores de obras não-ficcionais, 68 anos."
Não quero acreditar nisso: será que o pesquisador James Kaufman considerou outras variáveis: Estilo de vida, abuso de substância, fome... Afinal, ser poeta nunca foi lá um meio de vida valorizado pela sociedade. A poesia transita por caminhos alternativos ou, mesmo, marginais. Um poeta consegue efetuar rupturas no discurso dominante e estereotipado da linguagem usual e, muitas vezes, é atravessado por conflitos entre o princípio da realidade e o que irrompe de seu interior. Não são poucos os poetas que afirmam escrever por necessidade e não por prazer.
A propósito, taí um poema do Fernando Pessoa:
Autopsicobiografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
19 maio, 2004
Novos links
1) Pras Cabeças agradece os comentários e incentivos do Luiz Alberto Machado, que tem um blog literário muuuuuito bom, com uma escrita ágil e bem típica, tornando os acontecimentos mais banais fonte de inspiração e gancho prá muita prosa. Vale a pena visitar Tataritaritatá.
2) O mesmo Luiz Alberto Machado mantém um Blog sobre poesias onde dá dicas e indicações preciosas. Prá muita gente, poesia é coisa vã e para nada serve! Por isso mesmo é tão importante, pois não se faz poesia para algo prático, mas por necessidade interior do poeta. A gente, então, aproveita e sai ganhando um refrigério ou uma punhalada na alma... que é bom prá deixar de ser "boi no pasto".
3) Mais um blog com literatura boa, dicas culturais, etc, do mesmo cabra macho aí de cima: VarejoSortido.
2) O mesmo Luiz Alberto Machado mantém um Blog sobre poesias onde dá dicas e indicações preciosas. Prá muita gente, poesia é coisa vã e para nada serve! Por isso mesmo é tão importante, pois não se faz poesia para algo prático, mas por necessidade interior do poeta. A gente, então, aproveita e sai ganhando um refrigério ou uma punhalada na alma... que é bom prá deixar de ser "boi no pasto".
3) Mais um blog com literatura boa, dicas culturais, etc, do mesmo cabra macho aí de cima: VarejoSortido.
17 maio, 2004
Omelete por US$ 1.000!
Até eu sei misturar seis ovos, cebola picada, manteiga, creme de leite, carne de lagosta e caviar (só prá esnobar). Depois de tudo batido, jogo numa frigideira e... taí minha omelete chic. Preço?
Bom, se você estivesse no Hotel Norma, em Nova York, lá estaria o preço no cardápio:a ninharia de US$ 1.000 ! Confira esta noticia em Tablóide UOL e veja que não sou de mentiras (tão grandes, pelo menos!).
Para evitar gastar tanto, Amélia e eu nos hospedamos no novíssimo HOTEL FLORENZA, de NOSSOS PRIMOS Henriquinho/Cláudia e Linete Lopes, em Santa Bárbara, conforme relatei no post anterior. O Hotel é ótimo, novo, camas king size, frigobar e tv a cabo, uma ducha que põe você novinho, mesmo após uma caminhada pela Serra do Caraça. Os primos estão de parabéns.Tem um preço ótimo e as omeletes são quase de graça!
Bom, se você estivesse no Hotel Norma, em Nova York, lá estaria o preço no cardápio:a ninharia de US$ 1.000 ! Confira esta noticia em Tablóide UOL e veja que não sou de mentiras (tão grandes, pelo menos!).
Para evitar gastar tanto, Amélia e eu nos hospedamos no novíssimo HOTEL FLORENZA, de NOSSOS PRIMOS Henriquinho/Cláudia e Linete Lopes, em Santa Bárbara, conforme relatei no post anterior. O Hotel é ótimo, novo, camas king size, frigobar e tv a cabo, uma ducha que põe você novinho, mesmo após uma caminhada pela Serra do Caraça. Os primos estão de parabéns.Tem um preço ótimo e as omeletes são quase de graça!
16 maio, 2004
Pelo circuito do ouro...
Amélia e eu passamos o final de semana fazendo um mini-tour pela região da Serra do Caraça, a 120km da capital mineira. Estivemos na Festa do Vinho, em Catas Altas, onde as barraquinhas no adro da Matriz vendiam artesanato local, quitutes variados e o "vinho" de jaboticabas, fabricado na região. Shows musicais animaram as noites, de sexta a domingo. Catas Altas está se tornando um destino turístico desde que se emancipou de Santa Bárbara.
Como viticultores e futuros produtores de vinhos, com certeza não endossamos a aplicação da palavra "vinho" para o produto resultante da fermentação das jaboticabas, aquelas frutinhas pretas, saborosas e típicas de Minas Gerais. Mas... trata-se de um esforço da comunidade de Catas Altas, marcando lugar no Circuito do Ouro, trecho importantíssimo da Estrada Real, o maior projeto turístico em implantação no país. Vale a pena experimentar!
Como viticultores e futuros produtores de vinhos, com certeza não endossamos a aplicação da palavra "vinho" para o produto resultante da fermentação das jaboticabas, aquelas frutinhas pretas, saborosas e típicas de Minas Gerais. Mas... trata-se de um esforço da comunidade de Catas Altas, marcando lugar no Circuito do Ouro, trecho importantíssimo da Estrada Real, o maior projeto turístico em implantação no país. Vale a pena experimentar!
15 maio, 2004
Néctar
Mobilizado pela sede de néctar para o espírito me conduzi ao colega Lucas Monteiro de Castro Sobrinho que, gentilmente, empresta-me o mais recente livro de Maria Esther Maciel, A MEMÓRIA DAS COISAS, ensaios de literatura, cinema e artes plásticas. Lucas acabara de recebê-lo, com dedicatória pessoalíssima, das mãos da própria autora. A leitura abriu-me um território instigante e transdisiplinar. Mas, antes de tudo, apresentou-me a poética de Maria Esther. Mineira de Patos de Minas, é professora de Teoria da Literatura na Faculdade de Letras da UFMG e possui um curriculo extraordinário. Sua poesia é precisa e ambígua, cristalina e certeira, surpreendendo por dizer exatamente o que não se sabe dizer:
AULA DE DESENHO
Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.
Ao SobreSites-Poesia Maria Esther Maciel concedeu Entrevista que merece ser lida. Navegando nas ondas provocadas pela minha queda neste, para mim, novo oceano poético, aporto em recantos paradisíacos, como este Vigna-Maru.
A quem me lê, um convite: viaje pela poesia da palavra e da fotografia... Um bom fim-de-semana, com muita Arte!
AULA DE DESENHO
Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.
Ao SobreSites-Poesia Maria Esther Maciel concedeu Entrevista que merece ser lida. Navegando nas ondas provocadas pela minha queda neste, para mim, novo oceano poético, aporto em recantos paradisíacos, como este Vigna-Maru.
A quem me lê, um convite: viaje pela poesia da palavra e da fotografia... Um bom fim-de-semana, com muita Arte!
13 maio, 2004
O "caldo" entornou!
Primeiro um jornalista do New York Times, um dos mais importantes jornais do mundo, faz a reportagem acerca da "preocupação nacional"(?) com um suposto abuso de álcool do presidente Lula". Depois, há uma reação extremamente histérica e, por isso mesmo, inadequada: confundiram péssimo jornalismo com ataque à honra pátria. Agora,o caldo entornou de vez, com a cassação do visto do malfadado jornalista. Criou-se uma pendenga muito maior do que o episódio mereceria! Além de criar espaço para discussão a respeito de liberdade de imprensa, etc. etc. O STJ concedeu a liminar dando direito a Larry Rohter de permanecer no país... E agora, José?
Aproveite esse imbroglio para treinar seu inglês, lendo o artigo original.
Aproveite esse imbroglio para treinar seu inglês, lendo o artigo original.
Chega de rego! (?)
Notícia veiculada na Agência Estado: Um deputado quer tornar ilegal vestir calças de cintura baixa no Estado americano da Louisiana. O projeto de lei, do deputado Derrick Shepherd, transforma em crime o ato de usar roupas em público que “exibam intencionalmente as roupas de baixo ou exponham intencionalmente qualquer porção dos pêlos pubianos, do sulco das nádegas ou dos genitais”. “Chega um momento, em toda sociedade, quando é preciso traçar uma linha pela decência”, disse ele em seu discurso pela medida, que foi saudado com vaias e pelo menos um grito jocoso: "Chega de rego!"
Eu, heim?
Eu, heim?
O pior da TV
A programação televisiva sempre foi alvo de muitas críticas e poucas recomendações. Por ser um poderoso meio de comunicação, sobre o qual todos, literalmente, lançam os olhos, a TV provoca avaliações de toda ordem, críticas e tentativas de controle. A Câmara Federal, através da campanha "Quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania", que recebe e cataloga as denúncias e reclamações da população, divulgou a lista dos dez piores programas de TV, O período de 13 de janeiro a 7 de maio de 2004:
1º - "Celebridade" - 107 votos
2º - "Kubanacan" - 64 votos
3º - "Ratinho" - 28 votos
4º - "Pânico na TV" - 20 votos
5º - "Big Brother Brasil" - 18 votos
6º - "Eu Vi na TV" - 17 votos
7º - "Superpop" - 15 votos
8º - "Malhação" - 11 votos
9º - "Gilberto Barros" - 10 votos
10º - "Cidade Alerta" - 8 votos
Os critérios de inclusão foram as críticas aos programas de televisão que desrespeitam os direitos dos cidadãos. Segundo os telespectadores, as principais queixas contra as novelas foram: horário impróprio de exibição, apelo sexual e incitação à violência.
Na minha modesta opinião, não podemos ler estes dados sem levar em conta o índice de audiência. Se muito mais pessoas assistem determinado programa, é provável que surjam mas telespectadores dispostos a criticar. Será? Há péssimos programas em alguns canais, que quase ninguém vê... portanto ninguém reclama.
Num próximo post, vou comentar sobre algumas pesquisas acerca do poder ou não da TV influenciar crianças, etc.
1º - "Celebridade" - 107 votos
2º - "Kubanacan" - 64 votos
3º - "Ratinho" - 28 votos
4º - "Pânico na TV" - 20 votos
5º - "Big Brother Brasil" - 18 votos
6º - "Eu Vi na TV" - 17 votos
7º - "Superpop" - 15 votos
8º - "Malhação" - 11 votos
9º - "Gilberto Barros" - 10 votos
10º - "Cidade Alerta" - 8 votos
Os critérios de inclusão foram as críticas aos programas de televisão que desrespeitam os direitos dos cidadãos. Segundo os telespectadores, as principais queixas contra as novelas foram: horário impróprio de exibição, apelo sexual e incitação à violência.
Na minha modesta opinião, não podemos ler estes dados sem levar em conta o índice de audiência. Se muito mais pessoas assistem determinado programa, é provável que surjam mas telespectadores dispostos a criticar. Será? Há péssimos programas em alguns canais, que quase ninguém vê... portanto ninguém reclama.
Num próximo post, vou comentar sobre algumas pesquisas acerca do poder ou não da TV influenciar crianças, etc.
Conhecimento é Poder
Sheila Maria envia-me uma historinha dessas que transitam pela internet. Essas anedotas sempre retornam, modificadas ou não, reenviadas por quem tem o seu e-mail. Transcrevo a historinha de hoje, pois pretendo desenvolver um pouco mais este tema.
Valorize a sua especialidade
Um especialista foi chamado para solucionar um problema com computador de grande porte e altamente complexo... um computador que vale milhões de dólares. Sentado em frente ao monitor, pressionou algumas teclas, balançou a cabeça, murmurou algo para si mesmo e desligou o computador.
Tirou uma chave de fenda de seu bolso e deu volta e meia em um minúsculo parafuso, ligou o computador e verificou que tudo estava funcionando perfeitamente.
O presidente da empresa se mostrou surpreendido e ofereceu pagar a conta no mesmo instante.
-Quanto lhe devo? -perguntou.
-São mil dólares, por favor.
-Mil dólares? Mil dólares por alguns minutos de trabalho? Mil dólares por apertar um parafuso? Eu sei que meu computador vale milhões de dólares, mas mil dólares é um valor absurdo! Pagarei somente se você me apresentar uma nota fiscal com todos os detalhes que justifique tal valor.
O especialista balançou a cabeça e saiu.
Na manhã seguinte, o presidente recebeu a nota fiscal:
Serviços prestados:
Apertar um parafuso..................$ 1 dólar
Saber qual parafuso apertar........$ 999 dólares
Valorize a sua especialidade
Um especialista foi chamado para solucionar um problema com computador de grande porte e altamente complexo... um computador que vale milhões de dólares. Sentado em frente ao monitor, pressionou algumas teclas, balançou a cabeça, murmurou algo para si mesmo e desligou o computador.
Tirou uma chave de fenda de seu bolso e deu volta e meia em um minúsculo parafuso, ligou o computador e verificou que tudo estava funcionando perfeitamente.
O presidente da empresa se mostrou surpreendido e ofereceu pagar a conta no mesmo instante.
-Quanto lhe devo? -perguntou.
-São mil dólares, por favor.
-Mil dólares? Mil dólares por alguns minutos de trabalho? Mil dólares por apertar um parafuso? Eu sei que meu computador vale milhões de dólares, mas mil dólares é um valor absurdo! Pagarei somente se você me apresentar uma nota fiscal com todos os detalhes que justifique tal valor.
O especialista balançou a cabeça e saiu.
Na manhã seguinte, o presidente recebeu a nota fiscal:
Serviços prestados:
Apertar um parafuso..................$ 1 dólar
Saber qual parafuso apertar........$ 999 dólares
11 maio, 2004
Rave para surdos?
Inclusão social é a tônica dos discursos atuais, quando se trata de atenção aos portadores de deficiência e aos doentes mentais (eufêmicamente "portadores de sofrimento mental"). Trata-se de uma política interessante, enquanto visa diminuir a segregação a que são sujeitos os tais portadores. É obrigação, lógico, de toda a sociedade, o acolhimento a todos, sem discriminação das diferenças, obedecendo ao preceito constitucional (Art. 5° da Constituição da República/88). Além disso, do ponto de vista das políticas de saúde, em especial do que se denomina a Reforma Psiquiátrica, cabe à comunidade propiciar o tratamento possível aos seus membros, acionando os dispositivos sanitários apenas nos casos mais complexos ou de urgência/emergência.
Essas reflexões emergiram em minha mente, ao ler a nota do Caderno D+, do Estado de Minas, informando que as famosas raves (festas de música eletrônica) para deficientes auditivos estão cada vez mais populares na Grã-Bretanha. Nelas a música é tão alta que pode ser sentida fisicamente e os DJs abusam de batidas pulsantes e graves que fazem tremer o chão. Na semana passada, vários DJs organizaram uma rave para surdos que levou o nome de Deaf Jam.
A notícia, completa, aqui.
Essas reflexões emergiram em minha mente, ao ler a nota do Caderno D+, do Estado de Minas, informando que as famosas raves (festas de música eletrônica) para deficientes auditivos estão cada vez mais populares na Grã-Bretanha. Nelas a música é tão alta que pode ser sentida fisicamente e os DJs abusam de batidas pulsantes e graves que fazem tremer o chão. Na semana passada, vários DJs organizaram uma rave para surdos que levou o nome de Deaf Jam.
A notícia, completa, aqui.
Thriller poético
Luciano Almeida faz magia com as palavras para dar uma notícia. Corra para ler Gripe? Depois, aproveite e passeie pelo seu Fogo Cruzado.
10 maio, 2004
Google caipira?
Repasso a notícia como o cibernauta Márcio Candiani ma (epa!) passou:
Mineiros lançam o “Google caipira”
(AE)
Vem do interior de Minas a resposta brasileira ao Google. O site de busca Katatudo, lançado no começo do ano, foi todo desenvolvido em software livre - que pode ser usado e modificado gratuitamente, como o sistema operacional Linux - e planeja abrir seu próprio código-fonte até outubro.
"Estamos recebendo apoio da comunidade de software livre", afirma Leonardo Cardoso, de 27 anos, diretor de Tecnologia da Informação do Katatudo. A idéia da empresa é vender consultoria e tutoriais para quem quiser usar seu mecanismo de busca, gratuito, em seu site ou intranet, rede interna que usa a mesma tecnologia da internet.
Cadê?
Apesar de ter planos ambiciosos, o Katatudo, uma espécie de "Google caipira", ainda é pequeno mesmo na internet brasileira. O site não aparece no ranking do Ibope eRatings, o que quer dizer que possui menos de 120 mil usuários únicos por mês, segundo a empresa de pesquisas. O líder da lista dos serviços de busca mais visitados no Brasil é o americano Google, que prepara a abertura de capital em Wall Street. Em segundo lugar vem o Yahoo!, que controla o Cadê, o site de busca mais popular entre os criados no Brasil.
"O Cadê responde por 75% de nossas buscas", afirma o diretor-executivo de Serviços de Busca na América Latina do Yahoo!, Carlos Augusto Araújo. Em março, foi lançada uma nova versão do site, que usa a tecnologia de busca internacional da empresa configurada de acordo com os interesses do usuário brasileiro.
"A busca tem que ter um certo sotaque local", explica Araújo. Ele dá um exemplo: a palavra "vestibular", em inglês, tem outro significado. Num site de busca internacional, o internauta acaba recebendo várias indicações de páginas sobre "vestibular disorder", uma doença do ouvido. No Cadê (ou no Yahoo! Brasil, que usa a mesma base de dados), isto não acontece, pois o conteúdo brasileiro tem prioridade.
Universalização
Num cenário dominado por empresas globais, como o Google e o Yahoo!, o Katatudo, de Uberaba, traça uma estratégia de universalização. A empresa criou uma versão em inglês. "Até julho, vamos lançar mais quatro versões: em italiano, espanhol, russo e japonês", afirma Cardoso, do Katatudo.
Dez pessoas trabalham no site de busca mineiro, fundado por Cardoso e outros dois brasileiros. Parte do dinheiro usado vem dos serviços prestados pela empresa Minas Agência Digital, dos mesmos sócios. Eles criam e hospedam sites, entre outras atividades. Para se tornar conhecido, o Katatudo lançou um serviço de e-mail grátis, com capacidade ilimitada de armazenamento para usuários brasileiros.
Mineiros lançam o “Google caipira”
(AE)
Vem do interior de Minas a resposta brasileira ao Google. O site de busca Katatudo, lançado no começo do ano, foi todo desenvolvido em software livre - que pode ser usado e modificado gratuitamente, como o sistema operacional Linux - e planeja abrir seu próprio código-fonte até outubro.
"Estamos recebendo apoio da comunidade de software livre", afirma Leonardo Cardoso, de 27 anos, diretor de Tecnologia da Informação do Katatudo. A idéia da empresa é vender consultoria e tutoriais para quem quiser usar seu mecanismo de busca, gratuito, em seu site ou intranet, rede interna que usa a mesma tecnologia da internet.
Cadê?
Apesar de ter planos ambiciosos, o Katatudo, uma espécie de "Google caipira", ainda é pequeno mesmo na internet brasileira. O site não aparece no ranking do Ibope eRatings, o que quer dizer que possui menos de 120 mil usuários únicos por mês, segundo a empresa de pesquisas. O líder da lista dos serviços de busca mais visitados no Brasil é o americano Google, que prepara a abertura de capital em Wall Street. Em segundo lugar vem o Yahoo!, que controla o Cadê, o site de busca mais popular entre os criados no Brasil.
"O Cadê responde por 75% de nossas buscas", afirma o diretor-executivo de Serviços de Busca na América Latina do Yahoo!, Carlos Augusto Araújo. Em março, foi lançada uma nova versão do site, que usa a tecnologia de busca internacional da empresa configurada de acordo com os interesses do usuário brasileiro.
"A busca tem que ter um certo sotaque local", explica Araújo. Ele dá um exemplo: a palavra "vestibular", em inglês, tem outro significado. Num site de busca internacional, o internauta acaba recebendo várias indicações de páginas sobre "vestibular disorder", uma doença do ouvido. No Cadê (ou no Yahoo! Brasil, que usa a mesma base de dados), isto não acontece, pois o conteúdo brasileiro tem prioridade.
Universalização
Num cenário dominado por empresas globais, como o Google e o Yahoo!, o Katatudo, de Uberaba, traça uma estratégia de universalização. A empresa criou uma versão em inglês. "Até julho, vamos lançar mais quatro versões: em italiano, espanhol, russo e japonês", afirma Cardoso, do Katatudo.
Dez pessoas trabalham no site de busca mineiro, fundado por Cardoso e outros dois brasileiros. Parte do dinheiro usado vem dos serviços prestados pela empresa Minas Agência Digital, dos mesmos sócios. Eles criam e hospedam sites, entre outras atividades. Para se tornar conhecido, o Katatudo lançou um serviço de e-mail grátis, com capacidade ilimitada de armazenamento para usuários brasileiros.
09 maio, 2004
O erro médico no Código de Hamurabi
Dr. Márcio Candiani, psiquiatra de Belo Horizonte-MG, a propósito do Texto Completo do Código de Hamurabi, citado na Aula do Boni, enviou-me gentilmente o texto ASPECTOS DA RESPONSABILIDADE PENAL DO MÉDICO de Antonio Evaristo de Moraes Filho, cujo início transcrevo aqui:
"Ao longo dos séculos, a responsabilidade penal do médico, por atos praticados no exercício da profissão, recebeu os tratamentos mais variados, desde de um excessivo rigor como resposta ao fracasso em suas intervencões, até uma extremada benevolência, desembocando numa quase absoluta impunidade.
Pelo mais antigo estatuto penal conhecido, o Código de Hamurabi, os médicos não estavam sujeitos ao talião, sendo, neste ponto, mais felizes do que os arquitetos, que respondiam com a própria vida, nos casos de desabamento com vítimas fatais. Entretanto, a pena reservada aos profissionais da saúde se revestia de rigor: havendo a morte do paciente resultado de sua atuação, tinha as mãos decepadas (Asúa, "Tratado", t. IV, 1952, p. 681), pena que se destinava, na observação aguda de Moacir Scliar, "a evitar que um doutor desastrado repetisse o erro" ("A Paixão Transformada - História da Medicina na Literatura", 1996, p. 22). Ainda é de Scliar a informação de que as mãos eram cortadas se o paciente morto fosse um homem livre, pois se se tratasse de escravo, a sanção consistiria, tão só, em fornecer ao dono, um outro escravo em troca."
E hoje, como se lida com o erro médico?
"Ao longo dos séculos, a responsabilidade penal do médico, por atos praticados no exercício da profissão, recebeu os tratamentos mais variados, desde de um excessivo rigor como resposta ao fracasso em suas intervencões, até uma extremada benevolência, desembocando numa quase absoluta impunidade.
Pelo mais antigo estatuto penal conhecido, o Código de Hamurabi, os médicos não estavam sujeitos ao talião, sendo, neste ponto, mais felizes do que os arquitetos, que respondiam com a própria vida, nos casos de desabamento com vítimas fatais. Entretanto, a pena reservada aos profissionais da saúde se revestia de rigor: havendo a morte do paciente resultado de sua atuação, tinha as mãos decepadas (Asúa, "Tratado", t. IV, 1952, p. 681), pena que se destinava, na observação aguda de Moacir Scliar, "a evitar que um doutor desastrado repetisse o erro" ("A Paixão Transformada - História da Medicina na Literatura", 1996, p. 22). Ainda é de Scliar a informação de que as mãos eram cortadas se o paciente morto fosse um homem livre, pois se se tratasse de escravo, a sanção consistiria, tão só, em fornecer ao dono, um outro escravo em troca."
E hoje, como se lida com o erro médico?
Pras Cabeças na Galegria de Honra!
Alexandre Cruz Almeida, editor de LiberalLibertárioLibertino e do Guia de Blog, acaba de colocar Pras Cabeças em sua "galeria de honra"! Acredito que seja uma espécie de atestado de qualidade. Não é nada fácil, embora seja ótimo fazer Pras Cabeças: um exercício necessário.
Ah! o "galegria" aí do título foi um lapsus e, como tal, não se corrige, interpreta-se.
Ah! o "galegria" aí do título foi um lapsus e, como tal, não se corrige, interpreta-se.
Celso Pitta x Paes de Barros
Fernando Massote, cientista político e colunista de Opinião no jornal mineiro Estado de Minas, faz um interessante comentário acerca da voz de prisão dada pelo Senador Paes de Barros ao ex-prefeito paulistano, Celso Pitta. Creio que o professor Massote foi bastante ousado em sustentar seu discurso nos fundamentos do Direito, sem se deixar seduzir pelo alvoroço e regozijo de uma certa mídia. Eis sua Opinião:
O estado e o cidadão
A atitude do senador Paes de Barros, presidente da CPI do Banestado, contra o ex-prefeito Celso Pitta, mereceu um oportuno destaque por parte da imprensa. Numa clara manifestação contra os direitos do réu que ali se apresentava para ser interrogado, o senador utilizou as prerrogativas de sua função para provocar abertamente o depoente. À reação de Pitta, inteiramente legítima, pronunciada em função defensiva e cobrando do senador o respeito a seu direito a ser tratado com isenção, Paes de Barros respondeu com uma atitude francamente autoritária, arbitrária, mandando prender o depoente por desacato à autoridade.
A atitude de Pitta, acatando, sem reagir, o flagrante abuso de autoridade por parte do presidente, atesta o quão grave é o desconhecimento dos direitos do cidadão. Depondo numa audiência pública da CPI, em meio a dezenas de testemunhas, o ex-prefeito poderia ter reagido à altura, dando voz de prisão ao senador por abuso de autoridade, arrolando três testemunhas entre os presentes e levando o fato ao conhecimento da autoridade competente que, na ocasião, era a própria polícia, ali presente. O senador fez certamente os seus cálculos – político- eleitorais –, antes de consultar, como consultou, a sua assessoria técnica, que, irresponsavelmente, respaldou a atitude intolerante. Não é de hoje, aliás, que as CPIs são acusadas de se tornarem instrumentos
de propaganda de políticos inescrupulosos, que subordinam o trabalho de averiguações essenciais que as comissões realizam aos seus mais mesquinhos interesses pessoais. A melhor prova disso está
numa proposta que o deputado José Mentor (PT-SP) fez ao senador no
sentido que fosse dada a Pitta a oportunidade de se retratar. Os integrantes da CPI não quiseram correr riscos de ver o caso se agravar ainda mais contra eles e respaldaram logo a atitude provocativa do presidente, rechaçando a sugestão do deputado.
O senador presenteou a si mesmo com todos os direitos e negou,
em contrapartida, ao réu, todos os seus. E esta é uma experiência muito corriqueira na vida do cidadão comum, freqüentemente às voltas com o autoritarismo policial que vem do passado, num lastro cultural infernal que é o mais triste e fatal legado das nossas tantas ditaduras. A legislação atesta este autoritarismo. No Código Penal, o cidadão que desacata está sujeito a uma pena de seis meses a dois anos, enquanto a autoridade que abusa de suas prerrogativas pode sofrer uma pena máxima de dez dias a seis meses! E verdade é que pode também sofrer a perda da função que exerce, mas, mesmo assim, fica evidente a diferença pela
qual o estado submete autoritariamente o cidadão no Brasil.
O estado e o cidadão
A atitude do senador Paes de Barros, presidente da CPI do Banestado, contra o ex-prefeito Celso Pitta, mereceu um oportuno destaque por parte da imprensa. Numa clara manifestação contra os direitos do réu que ali se apresentava para ser interrogado, o senador utilizou as prerrogativas de sua função para provocar abertamente o depoente. À reação de Pitta, inteiramente legítima, pronunciada em função defensiva e cobrando do senador o respeito a seu direito a ser tratado com isenção, Paes de Barros respondeu com uma atitude francamente autoritária, arbitrária, mandando prender o depoente por desacato à autoridade.
A atitude de Pitta, acatando, sem reagir, o flagrante abuso de autoridade por parte do presidente, atesta o quão grave é o desconhecimento dos direitos do cidadão. Depondo numa audiência pública da CPI, em meio a dezenas de testemunhas, o ex-prefeito poderia ter reagido à altura, dando voz de prisão ao senador por abuso de autoridade, arrolando três testemunhas entre os presentes e levando o fato ao conhecimento da autoridade competente que, na ocasião, era a própria polícia, ali presente. O senador fez certamente os seus cálculos – político- eleitorais –, antes de consultar, como consultou, a sua assessoria técnica, que, irresponsavelmente, respaldou a atitude intolerante. Não é de hoje, aliás, que as CPIs são acusadas de se tornarem instrumentos
de propaganda de políticos inescrupulosos, que subordinam o trabalho de averiguações essenciais que as comissões realizam aos seus mais mesquinhos interesses pessoais. A melhor prova disso está
numa proposta que o deputado José Mentor (PT-SP) fez ao senador no
sentido que fosse dada a Pitta a oportunidade de se retratar. Os integrantes da CPI não quiseram correr riscos de ver o caso se agravar ainda mais contra eles e respaldaram logo a atitude provocativa do presidente, rechaçando a sugestão do deputado.
O senador presenteou a si mesmo com todos os direitos e negou,
em contrapartida, ao réu, todos os seus. E esta é uma experiência muito corriqueira na vida do cidadão comum, freqüentemente às voltas com o autoritarismo policial que vem do passado, num lastro cultural infernal que é o mais triste e fatal legado das nossas tantas ditaduras. A legislação atesta este autoritarismo. No Código Penal, o cidadão que desacata está sujeito a uma pena de seis meses a dois anos, enquanto a autoridade que abusa de suas prerrogativas pode sofrer uma pena máxima de dez dias a seis meses! E verdade é que pode também sofrer a perda da função que exerce, mas, mesmo assim, fica evidente a diferença pela
qual o estado submete autoritariamente o cidadão no Brasil.
08 maio, 2004
Chuva poética
Embora indecisa entre sol e nuvem, a manhã deixou cair fina chuva de poesia. Ramiro Conceição compôs "Catassol".
07 maio, 2004
E por falar em poesia...
A descrição deste Blog, sob a forma de um poema de Fernando Pessoa, é um aperitivo do que você poderá encontrar bem aqui.
Afinal, a arte poética é a linguagem que expressa o inexprimível, o inenarrável, a "coisa" que está dentro da alma! Por isso, os poetas dizem que escrevem por necessidade, não por diletantismo. Os verdadeiros, claro. Há momentos em que somos invadidos por emoções tão fortes, desconhecidas, ou tão estranhas, que palavras corriqueiras se tornam pálidas e vazias. Não foi em vão que muitos adolescentes (talvez nós mesmos, um dia) tomamos papel e lápis para, timidamente, rabiscarmos um poema apaixonado. Titubeantes e gaguejantes, emendamos "amor" e "coração", rimamos "querida" com "amor de minha vida". Sim, por que não? Não é o estado da arte mas é a emergência de uma necessidade de dar sentido ao frêmito que descompassa o coração. Cedo descobrimos: rimas pobres, palavras soltas ou garimpadas nos dicionários não nos tornam Poetas. Então, recolhemos da estante um livro de Literatura para dele extrair alguma bela poesia que fale por nós. Muitas vezes, selecionamos uma música, pela melodia e pelos seus versos, seja um Renato Russo, Bob Dylan, Caetano... Ah! como gostaríamos de ser poetas, "para eles é tão fácil", ingenuamente pensamos. Há, também, os poetas das telas, dos teclados, do mármore, da máquinas fotográficas, dos graffiti, etc. Onde houver uma emoção indizível e um espírito criativo, aí pode germinar um poeta.
Tomar de empréstimo a Fernando Pessoa uma centelha de sua arte foi a alternativa que me restou para a epígrafe deste meu bloguinho.
Afinal, a arte poética é a linguagem que expressa o inexprimível, o inenarrável, a "coisa" que está dentro da alma! Por isso, os poetas dizem que escrevem por necessidade, não por diletantismo. Os verdadeiros, claro. Há momentos em que somos invadidos por emoções tão fortes, desconhecidas, ou tão estranhas, que palavras corriqueiras se tornam pálidas e vazias. Não foi em vão que muitos adolescentes (talvez nós mesmos, um dia) tomamos papel e lápis para, timidamente, rabiscarmos um poema apaixonado. Titubeantes e gaguejantes, emendamos "amor" e "coração", rimamos "querida" com "amor de minha vida". Sim, por que não? Não é o estado da arte mas é a emergência de uma necessidade de dar sentido ao frêmito que descompassa o coração. Cedo descobrimos: rimas pobres, palavras soltas ou garimpadas nos dicionários não nos tornam Poetas. Então, recolhemos da estante um livro de Literatura para dele extrair alguma bela poesia que fale por nós. Muitas vezes, selecionamos uma música, pela melodia e pelos seus versos, seja um Renato Russo, Bob Dylan, Caetano... Ah! como gostaríamos de ser poetas, "para eles é tão fácil", ingenuamente pensamos. Há, também, os poetas das telas, dos teclados, do mármore, da máquinas fotográficas, dos graffiti, etc. Onde houver uma emoção indizível e um espírito criativo, aí pode germinar um poeta.
Tomar de empréstimo a Fernando Pessoa uma centelha de sua arte foi a alternativa que me restou para a epígrafe deste meu bloguinho.
Hamurabi: o texto completo!
Jorge Luís Gomes Fernandes disponibiliza, para quem quiser, o Texto Completo do Código de Hamurabi, citado na Aula do Boni.
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