28 maio, 2009

Estilo Manuelino em BH

Pode-se dizer que Belo Horizonte é uma cidade que não preserva sua arquitetura. A cidade é relativamente nova (cento e poucos anos) e as demolições são uma constante. Provinciana no início do século passado, sonha em ser grande metrópole e já na década de 40 começou a desmanchar o que havia para plantar arranha-céus. As ruas, infelizmente, mantiveram-se na mesma largura. O traçado urbano do 'grande' centro (região interna à Av. do Contorno) em quase nada se modificou, mantendo-se aquele 'tabuleiro de xadrez' onde as ruas se cruzam na perpendicular a cada 100m, e as avenidas na diagonal!
Se há aqui um cartão postal da arquitetura moderna, falo da Igrejinha da Pampulha, do Niemeyer, há também representantes da art-déco e um surpreendente palacete em estilo manuelino, definido assim pela Wiki:

"O Estilo manuelino, por vezes também chamado de gótico português tardio ou flamejante, é um estilo arquitectónico, escultórico e de arte móvel que se desenvolveu no reinado de D. Manuel I e prosseguiu após a sua morte, ainda que já existisse desde o reinado de D. João II. É uma variação portuguesa do Gótico final, bem como da arte luso-mourisca ou arte mudéjar, marcada por uma sistematização de motivos iconográficos próprios, de grande porte, simbolizando o poder régio."

O edifício, que abriga a Casa de Cultura, fica na esquina da Rua da Bahia com a Avenida Augusto de Lima, bem no centro. Convive com edifícios mais antigos (Ed. Maleta, p.ex.) e outros mais modernos, como o da Previminas, antiga Caixa Econômica Estadual:


Casa de Cultura - Belo Horizonte - Minas Gerais - Foto by Cláudio Costa
Clique nas fotos para mais imagens.

27 maio, 2009

Vendo LOST (atrasado)

Sei que estou atrasado, pois última temporada já acabou. Mas estou ainda na 3a. e a cada capítulo tenho 42min de pura diversão.
Talvez por isso gostei de ver as caricatura de Charlie e Hurley, criadas por Dean, em seu blog.



26 maio, 2009

Mais Chapéu Panamá

A notícia tomou a 1a. página do Caderno de Cultura do Estado de Minas. Vários amigos me telefonaram para dizer:
- Ô Cláudio, cê viu a reportagem da banda dos meninos no jornal?
- Não, qual jornal?
- No Estado de Minas, sô.
- E fala o que?
- Eles tão falando do show da banda...
- Ah!, então, vou lá ler.

Cliquei no link Este samba é meu e li de fio a pavio.
Afinal, meus "meninos", Ângelo e Leo, embora em outros caminhos agora, foram dos fundadores da e participaram da gravação do CD "Samba na Biblioteca", que está sendo lançado. Acompanhei cada minuto do nascimento e fortalecimento do grupo, frequentei 'milhares' de shows caseiros, festas particulares, barzinhos, etc. Fizeram a primeira grande temporada no Jequitibar, animaram as quintas-feiras durante meses no Reciclo, apresentaram-se no Observatório, no Vinil, foram classificados entre as melhores bandas no Festival de Música da PBH, viajaram para algumas cidades do interior... enfim, aquela trajetória típica dos grupos de garagem até gravar o CD.
Agora é hora de repensar tudo, ensaiar outras músicas, etc. Tempo de colheita e de preparo.
E confira aqui:

19 maio, 2009

O mundo conforme Casciari (copy & paste)

Confesso que recebi via email, li, ri, gostei, pensei copiei e... postei só um pedacinho.

Não é lá do meu feitio, mas compartilho o começo e, quem quiser, siga este link.


O mundo conforme Casciari
Hernán Casciari

Li uma vez que a Argentina não é nem melhor, nem pior que a Espanha, só que mais jovem. Gostei dessa teoria e aí inventei um truque para descobrir a idade dos países baseando-me no 'sistema cão'.

Desde meninos nos explicam que para saber se um cão é jovem ou velho, deveríamos multiplicar a sua idade biológica por 7. No caso de países temos que dividir a sua idade histórica por 14 para conhecer a sua correspondência humana. Confuso? Neste artigo exponho alguns exemplares reveladores.

Argentina nasceu em 1816, assim sendo, já tem 190 anos. Se dividimos estes anos por 14, a Argentina tem 'humanamente' cerca de 13 anos e meio, ou seja, está na pré-adolescência. É rebelde, se masturba, não tem memória, responde sem pensar e está cheia de acne.

[Continue lendo aqui]


NOTA SOBRE O AUTOR:
Hernán Casciari nasceu em Mercedes (Buenos Aires), a 16 de março de 1971.
Escritor e jornalista argentino. É conhecido por seu trabalho ficcional na Internet, onde tem trabalhado na união entre literatura e blog, destacado na blognovela. Sua obra mais conhecida na rede, 'Weblog de una mujer gorda', foi editada em papel,com o título: 'Más respeto, que soy tu madre'.

16 maio, 2009

Uma noite no circo

Circo Pantanal, em Chopinzinho-PR - Foto by ÂngeloCosta

Compartilho com vocês o email que recebi do filho Ângelo, que agora mora com a Renatinha em Chopinzinho, sudoeste do Paraná, onde ambos exercem as funções de Médicos Veterinários:

Ontem eu e Renatinha fizemos 4 anos e meio de namoro!

O frio aqui tava demais, porém tínhamos que comemorar né? Decidimos ir a ao Circo Pantanal (chegou quinta-feira aqui em Chopinzinho e a estréia foi ontem, às 20,30h).

Colocamos o termômetro na janela enquanto tomávamos banho e trocávamos de roupa, ele foi baixando... baixando... e chegou a 6ºC. Provavelmente o vento lá fora provocaria uma sensação térmica muito mais gelada! Vesti uma meia de lã e, por cima dela, uma calça jeans. Depois, uma blusa de malha, uma blusa de moleton, outra blusa de lã e por cima o jaquetão!

Renatinha também se empacotou toda e saímos! Meu grande erro foi não ter estreado a touquinha e as luvas, (principalmente a touca!), pois o vento estava cortando o rosto, de verdade!

Caminhamos 1km até chegar ao tal Circo Pantanal! Tudo era igual a antigamente meeesmo!!!
Pagamos 12 merréis para entrarmos e, lá dentro, comemos logo um crepe no palito, recheado com uma mísera fatia de apresuntado, preparado por um travecão toda pintada!
Mais tarde descobrimos que todos os vendedores das barraquinhas eram os próprios artistas do circo: palhaços, motoqueiros do globo da morte, etc. Um molequinho vendendo pastel era o trapezista! Muito legal! O travesti mais tarde fez duas apresentações, uma com poodlezinhos pintados fazendo estrepolias e a outra como mágica! hahahahaha

Logo percebemos que a arquibancada era muito precária, uns tablados de madeira empilhados sobre os outros. Já imaginávamos um desastre! Mas quem está na chuva é pra se molhar, né? Escolhemos um lugar mais baixo, pois caso os tablados desabassem o tombo seria menor!

Compramos um algodão doce.
Ao nosso lado, um menininho loirinho uma gracinha! Aí, reparando bem, descobrimos que era o filho da faxineira lá do departamento! Muito legal ela, levou 3 dos seus 5 filhos.

Antes de começar o espetáculo, passou uma senhora tirando fotos com uma máquina digital!. Não entedemos mas fizemos pose. Mais tarde ela voltou e nos vendeu um chaveirinho com nossa foto.

Acabou tudo lá pelas 22,00h e voltamos tremendo de frio sob o vento que nos congelava (apesar de todo o empacotamento)!

Em casa, tomamos um caldo de moranga quentinho, que ninguém é de ferro.

No mais, foi muito boa a comemoração, valeu a pena porque foi divertida e inusitada!

Beijos do filho, Ângelo.


Ângelo e Renatinha: parabéns pelos 54 meses de namoro!!! Bem comemorados e vividos, claro!
Com muito gozo, Ângelo, li seu email, tal qual uma crônica que nomeio: "Uma noite no circo". Adorei.

Lembrei-me de meus tempos de criança, quando os circos viajavam pelo Brasil e a chegada de um deles a Nova Era motivava uma grande passeata: caminhões e carretinhas desfilavam pelas principais ruas, dava pra ver as jaulas dos felinos, elefantes trombeteando, palhaços em pernas-de-pau altíssimas. A meninada (olha eu lá!) correndo atrás, de calças curtas, pés descalços, verdadeira festa!

Aí, a gente ficava de cócoras nos barrancos que cercavam o local em que seria montada a grande tenda. Impressionava-nos a rapidez com que se desdobrava uma lona imensa, cordas para todos os lados e o mastro principal fincado lá no meio. Após um comando, um grito decidido, todos os funcionários, cada qual na ponta de uma corda, começavam a puxar. Aos poucos subia aquela tralha colorida.

Daí pra frente, não havia dúvida: chegou o Circo e amanhã vai ter espetáculo!
Suas fotos ficaram ótimas. Circo é assim mesmo: uma bagunça que dá certo, o inusitado que nos surpreende, a infância que ressurge dentro de nós.

Vou ali chamar sua mãe. Vai ficar doida!!!

Abração para Renatinha. Bjão. Pai.


11 maio, 2009

Uma receita e seu resultado

Pra não dizer que não comi pão-de-queijo agorinha mesmo.
Receita by Amélia
Fotos by Cláudio Costa - Arte em Porcelana by Mimu's da Mônica.

Amway paranóico

O fundamento básico do capitalismo é:

- O homem tem a posse daquilo que pode obter -

O que ele obtém é só dele;

Daí a expressão: Propriedade Privada.

Clique aqui para ler mais!

04 maio, 2009

On the road

Clique na foto para ver mais e mais.
Foram duas grandes viagens nas últimas três semanas: Primeiro, a Teresópolis-RJ, a 880km ida e volta.

Na semana seguinte, Chopinzinho-PR, mais 800km, de Curitiba (pra ir e pra voltar), fora o avião BH-Curitiba-BH.

Neste fim-de-semana outro périplo: BH-Conservatória-BH, outros incríveis 1100km pelas estradas brasileiras.

E sábado que vem, mais curvas na BR262, para o baile de sobrinha Luana e visita aos pais e manos em Nova Era-MG, total de 300km, daqui pra lá e de lá pra cá.

21 abril, 2009

Amor e desamor nos tempos atuais

De 30abr a 03mai, estarei em Conservatória-RJ, cidade serrana, voltada para o turismo. Fui convidado para participar do Congresso Nacional do Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos [CPPC], no Hotel Fazenda Vilarejo.

Quem me fez o convite - apesar de eu não fazer parte do CPPC - foi a amiga Janes Herdy, que já me acolheu por duas vezes em Cuiabá-MT, quando me chamara para ministrar um curso de Psicodrama e outro de Psicodrama e Dinâmica de Grupo na UFMT. A amizade se firmou, embora estarmos tão distantes, primeiro quando ela morava no Mato Grosso e, agora, morando em Niterói-RJ. Mas a Janes é dessas pessoas "de coração imenso", sensível e delicadíssima.


O tema de minha palestra será: Cuidados maternos e negligência: desamor nos tempos atuais, assunto de tristes manchetes nos noticiários: o descuido por parte de quem deveria cuidar da infância.


Claro que não poderemos atribuir somente às 'mães', de forma tão reducionista, toda a responsabilidade pelos descuidos que vitimam crianças e adolescentes. Pretendo partir do senso comum cultural e demonstrar que o tratamento dispensado às crianças e adolescentes, nos tempos atuais, está longe de ser manifestação de carinho e amor, mas de exploração e descaso.

Eis o resumo enviado à organização do evento:
"A Psicologia Evolutiva, em suas origens, se ocupou em desvendar os mecanismos das aquisições das funções psíquicas, em especial as capacidades psicomotoras, intelectuais, cognitivas e afetivas da criança, desde o nascimento.


Aos poucos, as teorias psicanalíticas, que atribuem aos precoces conflitos psíquicos a causalidade dos transtornos mentais, suscitaram minuciosas pesquisas acerca das relações objetais, obviamente colocando em cena a relação entre mãe e filho, estendida à relação pais e filhos.


Diante das demandas emanadas dos controladores sociais, psiquiatras e psicólogos descobriram a importância da educação e dos cuidados familiares na prevenção de condutas antissociais e da marginalização a que se relegavam os pequenos malfeitores, rebeldes e aqueles "de comportamento difícil".


Eis o campo conceitual que sustenta, hoje, o entendimento e as orientações de caráter 'preventivo' - ainda que sem garantias - e as intervenções exigidas pelo assustador número de crianças afetadas emocionalmente, muitas delas com o previsível destino da contravenção, do conflito com a lei e da marginalidade.


Talvez se possam utilizar os conceitos de amor e desamor para fundamentar ações psicossociais abrangentes e intervenções dos agentes de saúde na clínica.


O Autor pretende, com suas reflexões, animar o debate e a troca de experiências entre os participantes."


Aos leitores deste post, solicito sua colaboração: o que pensam a respeito deste tema? Ainda dá tempo de enriquecer minha fala. Aguardo ansiosamente, de verdade.

18 abril, 2009

Acabou-se o pão-de-queijo?

Na década de 80, quem tomava a Avenida Amazonas, em busca da saída oeste (Triângulo Mineiro) e sudoeste (São Paulo) atravessava a Cidade Industrial (Contagem). De olhos fechados, a qualquer hora, sabíamos a localização exata da Fábrica Cardoso, depois Aymoré, pois o aroma exalado dos fornos que tostavam os famosos biscoitos 'perfumava' tudo, penetrava nos ônibus e nos trazia água na boca. É verdade que, dependendo da direção do vento, outros aromas menos nobres nos provocavam reações de mal-estar, pois havia os curtumes e algumas empresas químicas poluentes, antes das exigências de filtros e controle ambiental.
Era orgulho bobo de mineiro falar para todo o mundo que era "nossa" uma das maiores fábricas de biscoitos do Brasil, da mesma forma que logo acrescentávamos uma informação: ali também se produzia a famosa Cocada Baiana Aymoré, aquela queimadinha acondicionada em lata, sobremesa irresistível. O coco podia ser da Bahia, mas melhor cocada era mineira! (Afinal, somos mesmo bairristas, tal como os gaúchos, os cearenses, os outros todos... ).
Hoje, a Aymoré pertence ao Grupo Arcor e Danone, nada tem de mineiro, o tempo levou...

Três Corações é cidade do sul de Minas, terra de Pelé, e nome de uma das dez mais famosas marcas de café de Minas Gerais, o Café Três Corações. Aqui pertinho de BH, em Santa Luzia, há uma enorme fábrica do Café Três Corações que, tal como a Biscoitos Cardoso, exala um aroma delicioso de café torrado e moído na hora. Talvez os moradores de seu entorno nem o sintam mais ou dele estejam enjoados, mas pra quem trafega raramente pelo trecho sabe pelo cheiro que a fábrica se aproxima, está logo ali.

Mais orgulho besta de mineiro: o Três Corações é nosso. Pois não é não: desde dezembro de 2000, a empresa passou a fazer parte do Grupo Strauss-Elite e em dezembro de 2005, a Strauss anunciou uma joint venture através da qual, juntamente com a Santa Clara, segunda maior empresa de café no Brasil, constitui uma nova empresa no Brasil: a Santa Clara Participações , com sede em Eusébio (Região Metropolitana de Fortaleza), no Ceará! A globalização, mais uma vez, se abateu sobre 'coisa nossa'.


Ah, mas pão-de-queijo ninguém tasca, é coisa de mineiro sim, uai! Também acreditava nisso, pelo menos até descobrir que a maior parte do queijo utilizado na marca mais famosa dessas plagas vinha da Austrália! Segundo os fabricantes (e isso há alguns anos, eles dizem), o queijo australiano teria mais padrão, mais sabor, menos contaminação, mais padronização e... melhor preço que o queijim mineiro. Mas Forno de Minas é a marca mais famosa do Brasil e é produzida aqui mesmo, em Contagem. Tá bom, não é nossa, é da General Mills, uma das maiores empresas de alimentos do planeta, dona da marca desde 2001:

Em 2001, a General Mills comprou as marcas Forno de Minas e Frescarini por meio da aquisição da Pillsbury Company. No Brasil, possui matriz em São Paulo e seis filiais espalhadas pelo país. As marcas que fazem parte do portfólio são Häagen-Dazs, da divisão de sorvetes super premium, e Nature Valley, divisão de barra de cereais. Mas a receita é nossa, criada pela Dalva Mendonça, responsável pela receita de sucesso do pão de queijo que é fabricado pela Pillsbury, ainda ali em Contagem, com queijo da Austrália.
Pois não existe mais! Acabou-se! Leia aí o press release da General Mills, datado de ontem, sexta-feira, a informar o fechamento da Forno de Minas:
"Aproximadamente 500 funcionários serão afetados pela decisão, inclusive os funcionários da unidade de produção localizada em Contagem, Minas Gerais. A companhia está oferecendo amplo pacote de benefícios e outros serviços para todos os funcionários afetados. Isso nos permitirá aumentar os investimentos em nosso principal foco, incluindo a expansão dos nossos negócios voltados para linha de sorvetes premium Häagen-Dazs e para as barras de cereais Nature Valley,” explica Pablo Pla, diretor geral da General Mills Brasil."

Acabou-se o pão-de-queijo?
É claro que não! Onde já se viu viver sem pão-de-queijo? Pode-se acabar a Forno de Minas, pode-se levar o 3Corações embora, compremos Cocada Baiana Aymoré dos grincos mas estas iguarias estão em nossa memória gustativa, olfativa e afetiva.
Aqui em casa, por exemplo, a Amélia é mestra em muitas coisas, até psicóloga ela é! E sabe fazer o melhor pão-de-queijo do mundo:

Pois então, sinta-se convidado: venha degustar do "verdadeiro' pão-de-queijo, elaborado de acordo com a tradição, porém com o upgrade caseiro aqui da Amélia.

13 abril, 2009

Rio from Niterói


Rio from Niterói, upload feito originalmente por ClaudioCosta.
Quando vi esta paisagem, lembrei-me das pinturas de Johann Moritz Rugendas, o pintor alemão que veio ao Brasil em 1821 como desenhista da missão científica do barão de Langsdorff.
Fotografei o Pão de Açucar lá do outro lado da baía da Guanabara, a partir da pequena elevação sobre a praia de Camboinhas, em Niterói. Visitava meu irmão Jaques & família, recém mudado para aquele recanto, entre Piratininga e Itacoatiara, praias oceânicas.
Maldosamente, muitos dizem que 'o melhor de Niterói é a vista do Rio'. Não chego a tanto, mesmo porque conheço pouquíssimo da capital fluminense.

Mas veja se não tenho razão em lembrar-me do Rugendas:

Colheita de café - Rugendas - Biblioteca Municipal de São Paulo

07 abril, 2009

Re: Cláudio & Freud by GUZ

O Guz, além de desenhista, é gentilíssimo e dono de uma poética eloquência. Eis sua resposta ao vídeo:

04 abril, 2009

De mãos dadas com Freud

Fernando Massote é um dos mais respeitados cientistas políticos de Minas, ex-professor da UFMG, uma figura e tanto. Tive a honra de ser convidado pro seu almoço de aniversário, hoje à tarde, quando convivi com seus amigos e companheiros de muitas lutas, jornalistas, políticos, médicos, gente de cultura e 'cabeça'. Parece anacronismo falar de 'gente cabeça', mas que as há, inda bem que existem, pois o que falta nesse mundão é quem veja, analise, pense e fale do que há por aí [querem exemplos? leiam o blog do Massote].



Pois lá estava o Guz, cartunista celebrado pelos desenhos mistos em lápis e guache, cujas caricaturas políticas cumprem a velha máxima 'ridendo castigat mores' [Guz no YouTube].

E não é que o danado do artista quis fazer minha caricatura? Embora o Houaiss diga que seja um desenho de pessoa ou de fato que, pelas deformações obtidas por um traço cheio de exageros, se apresenta como forma de expressão grotesca ou jocosa, senti-me homenageado e recebi este presente do Guz:
Dr. Cláudio de mãos dadas com Dr. Freud by Guz

E a Ana Letícia, filha deste papai aqui, filmou o make of:


03 abril, 2009

Tô aqui, uai!


Tô aqui, uai!
Um mês sem postar,
confirmo o adágio:
"em boca fechada
não entra mosquito".

Nem tanto, nem tanto,
sem paranóia, sem teogonia,
apenas me morde
um bicho preguiça
- taxonomia
pra falta de ânimo;
nada que uma taça de vinho
[sec, bien sûr]
não possa sanar

Então,
até.

01 março, 2009

In principio non erat pecunia

Pecus (gado) vale muita pecunia (dinheiro). Se é o que me falta, deduz-se que minhas posses pecuniárias são parcas, quase porcas.
É habito de políticos e administradores públicos amealhar pecunia de forma irregular, ilegal, sub-reptícia e até descaradamente desonesta. Conjugam bem o verbo peculiari, principalmente na primeira pessoa do singular (peculior) e são adeptos ao peculato (ato de roubar dinheiro público) e formam, assim, seu peculio (bens particulares, posses, haveres, dinheiro para a velhice e para velhacarias, pois sim!). O dinheiro (pecunia) público, surrupiado (sub-reptum = tirado às escondidas), torna-se peculiar (usado como próprio). [Escrevi isso aqui].

In principio non erat pecunia. No princípio, não havia dinheiro, todo sabemos. Não havia 'ciências econômicas', Ministro da Fazenda muito menos Banco Central. A coisa era tão confusa, que até o prof. Thiago Quintella confundia Fazenda e Tesouraria.

Foi preciso, então, inventar o escambo [s.m. 1 troca de mercadorias ou serviços sem fazer uso de moeda 2 p.ext. qualquer permuta].

Assim, quem pescasse mais peixe do que o necessário para si e seu grupo trocava este excesso com o de outra pessoa que, por exemplo, tivesse plantado e colhido mais milho do que fosse precisar. Esta elementar forma de comércio foi dominante no início da civilização, podendo ser encontrada, ainda hoje, entre povos de economia primitiva, em regiões onde, pelo difícil acesso, há escassez de meio circulante, e até em situações especiais, em que as pessoas envolvidas efetuam permuta de objetos sem a preocupação de sua equivalência de valor. Este é o caso, por exemplo, da criança que troca com o colega um brinquedo caro por outro de menor valor, que deseja muito.[Site do BCB]

Trata-se de um tema pelo qual jamais tive interesse especial, embora sejamos, eu e todos nós, completamente dependentes da organização econômica, luta pela sobrevivência, dependentes do dinheiro ganho autonomamente ou do salário [ etim salarìum,í 'quantia dada aos soldados para comprarem o sal; donde, soldo, salário, ordenado, emolumentos' ].


Eis que recebo um belíssimo presente, um livro ricamente encadernado, esteticamente impecável, que começo a ler e me fascina. Foi-me dado pelo próprio autor, o Prof. Carlos Perktold, de quem já falei aqui no PrasCabeças. Teve a gentileza de escrever uma dedicatória muito afetuosa, que me encheu de alegria e orgulho.

Carlos é historiador, psicanalista, colecionador de obras de arte, escritor e utilizou-se dos múltiplos saberes para produzir A Cultura da Confiança - do Escambo à Informática - A Hi$tória do Crédito no Bra$il.

Somos atravessados pela 'economia' neste mundo globalizado, no qual o dinheiro troca de mãos com a rapidez da internet, vai e volta, acumula-se e evapora-se e a crise do crédito nos assombra em manchetes apocalípticas. Há uma palavrinha, entretanto, que escapa às definições econômicas: a confiança. É na análise da 'cultura da confiança' que se pode entender melhor os fundamentos do sistema de trocas, compra e venda, acumulação e expropriação de riquezas, exploração da menos valia, os males e os bens da pecúnia.

In fine, pecuniam non habeo.
________________
Visite o site do livro.

24 fevereiro, 2009

Carnaval2009

Maria Eduarda e Aroldo - Foto by Cláudio Costa (Nova Era-MG, 2009)



Alegria


será todo ano
igual àquele que passou?

será que ninguém aprende
nas escolas de samba
que aquilo que se faz
na marquês de sapucaí
não é samba não?

o show de rock
a festa do axé
a praia entupida
o gole tomado
a ida e a volta
engarrafado na estrada
o que resta de tudo?

amanhã
cinzas
_________________________________________________________________
Pra não dizer que não houve festa, alegria espontânea, graça engraçada e boa lembrança, vejam o post do Soié, lá no Ontem&Hoje, meu pai de 85 anos comandando a Banda dos Farrapos:

14 fevereiro, 2009

Mensagem aos arrogantes


Sei que vocês, arrogantes,

violentamente deformados e quebrados

pelos golpes indeléveis da inveja,

ainda exibirão por algum tempo

o último perfil que representam:

olhares indiferentes a um pedido,

pernas firmes que simulam segurança,

músculos tensos em inútil esforço,

fartas cabeleiras que escondem a idade,

olhos abertos que não transmitem paz.


Pois sua ignóbil arrogância,

sua postura calculada,

sua desdenhosa segurança,

tudo isso acabará, um dia!


O tempo é persistente, tenaz.

A terra também espera por vocês:

Ao pó retornarão.


Cairão sob o próprio peso,

haverão de ser cinzas, ruínas, poeira,

quando sua pretensa imunidade nada mais será!

Tornar-se-ão pequenos, já que pequenos nunca deixaram de ser,

pessoas sem vida, puro escombro,

depois de ter vivido por um tempo

ostentando simulacros de vitórias

- glória vã de algo a dissolver-se

em eterno esquecimento!


************)(************


Livre adaptação de um poema de Angel Gonzales

11 fevereiro, 2009

Manchete bizarra

Parece-me que o Estado de Minas, que se auto-intitula o "grande jornal dos mineiros", contratou um bufão pra fazer suas manchetes da primeira capa. Olha essa aí, que 'bobeira'...

06 fevereiro, 2009

Become the hero

Em 15 de janeiro, mês passado, o piloto de um A320 conseguiu descer a aeronave no Rio Hudson, evitando centenas de mortos.
Pois não é que, algumas horas depois, o mineirim Leo Mendonça teve o clic: criou um jogo em que você pode se tornar um herói caso consiga realizar a mesma proeza do Comandante Sullenberger.
E aí, quer tentar?

Jogue aqui: Become the hero

30 janeiro, 2009

Existe tratamento para os "maus"?

O que tem de "gente ruim" por aí não tá no gibi, mas todo o dia os jornais ("escritos, falados e televisivos") nos inundam com notícias de assassinatos, roubos, sequestros, pais que jogam filhos pelas janelas, torturas, etc.
A violência nos horroriza e às vezes dizemos: 'só um desumano faria uma coisa dessas', 'esse cara é um animal', 'é o capeta!".
Mas é tudo coisa do bicho homem, de gente como a gente (ohhh!), pessoas que nasceram ali ao lado, são nossos vizinhos, nosso chefe, alguém com cara de santo e, de repente, o cordão de maldades aparece. Por isso cabe a pergunta:
A Psiquiatria acaba sendo convocada a opinar sobre esses sujeitos, principalmente quando aparece um serial killer, um psicopata.
Existe tratamento?
Acabo de ler uma entrevista do Dr. Michael H. Stone, Psiquiatra da Universidade de Columbia-NY, concedida ao jornal "Psiquiatria Hoje". Foi o Dr. Michael que elaborou um índice de maldade, uma escala aterrorizante, constando de 22 ítens. Michael adverte que a escala gradativa de maldade visa apenas entender as causas do assassinato e deve ser utilizada apenas para fins científicos, não sendo adotada pela Corte Forense:

Nível/Critério
01
Mata em defesa própria e não demonstra tendências psicopatas.
02
Amante ciumento, egocêntrico ou imaturo, que não demonstra tendências psicopatas.
03
Tendência à companhia de assassinos: personalidade aberrante -- provavelmente movido pelo impulso, com características anti-sociais.
04
Mata em defesa própria, após ter submetido a vítima a provocações extremas para que o atacasse.
05
Traumatizado, pessoa desesperada que mata parentes e outros (para dar suporte a hábitos vinculados ao uso de drogas) mas carente de traços marcantes. Genuinamente pré-disposto ao remorso.
06
Impetuosidade, assassino impetuoso, porém sem características psicopatas marcantes.
07
Altamente narcisista, não se distingue de uma pessoa psicopata com fundo psicótico que mata outras pessoas ao seu redor (tendo o ciúmes como motivo fundamental).
08
Pessoa não-psicopata com raiva latente e que mata quando tem essa raiva inflamada.
09
Amante ciumento com características psicopatas.
10
Assassino de pessoas que estavam "em seu caminho", ou que matou, por exemplo, testemunhas (egocêntrico, mas não distintamente psicopata).
11
Assassino psicopata de pessoas que estavam "em seu caminho".
12
Psicopata com sede de poder, que mata quando encontra-se encurralado.
13
Assassino com inadequação social, personalidade cheia de fúria que ataca quando se vê pressionada.
14
Impiedoso, rude e auto-centrado, planejador psicopata.
15
Psicopata de sangue-frio, assassino impulsivo ou assassino múltiplo.
16
Psicopata que comete múltiplos atos bárbaros.
17
Assassino em série sexualmente perverso, assassino-torturador (entre os homens, o estupro da vítima é o principal motivo que conduz ao assassinato, com intenção de ocultar as provas. A tortura sistemática não é principal motivação.)
18
Assassino-torturador cujo assassinato é a principal motivação.
19
Psicopata cujas principais motivações são o terrorismo, a subjugação, a intimidação, a violação e o estupro.
20
Assassino-torturador cuja tortura é a principal motivação, mas em personalidades psicóticas.
21
Psicopata preocupado com a tortura ao extremo, mas não conhecido por ter cometido assassinato.
22
Psicopata assassino-torturador, que possui a tortura como motivação principal.
Na entrevista, o Dr. Stone explica que há diversas abordagens daqueles que têm transtornos graves de personalidade e que poucos se adaptam a alguma terapia. Confessa que não há muito que fazer, e o sistema os mantém hospitalizados. "Damos a eles jogos e atividades, exercícios e comida apropriada, etc., e isso é tudo que temos".
Há pessoas que, mesmo intratáveis, não cometeram crimes e vivem na sociedade: alguns são arrogantes, desagadáveis, tornam infelizes as vidas de seus familiares e colegas de trabalho (eu conheço gente assim...).
Sobre os assassinos em série (serial killers), classifica-os em três grupos:
a) anjos da morte: enfermeiros e médicos que matam pacientes em hospitais com drogas letais;
b) pessoas misantrópicas: odeiam pessoas em geral e matam homens, mulheres e crianças sem nenhum motivo sexual;
c) homicidas sexuais: têm uma motivação sexual clara. Há alguns que chegam a experimentar orgasmo durante o crime; têm personalidade sádica (prazer obtido no sofrimento do outro).
O médico de NY advoga que todos os assassinos sexuais em série deveriam ficar presos pelo resto da vida.
Parece que o diabo existe e anda ao redor de nós:

29 janeiro, 2009

O ENTRUDO DAS PALAVRAS


As palavras agarram-se às coisas e ao tempo
Vêm de tão longe carregadas de vida e de sentido
Que só se deixam conhecer por música.
Escrever é pôr uma máscara que as esconde
E as deixa a dormir esperando quem as diga.

Há palavras com as asas do sentido cortadas
E quando as dizemos não somos capazes de voar
Nem nós as entendemos
Porque andamos com elas no bolso
Como cachico de vida que ficou agarrado ao retrato.

As palavras têm bilhete de identidade
E certidão de nascimento
Há que entrar em casa delas uma por uma
Descobrir o que têm dentro
E estendê-las à janela como mantas em manhã de S. João.

Poema de Fracisco Niebro Original escrito em língua mirandesa Tradução de João Ferreira
(Do livro Cebadeiros, da autoria de Fracisco Niebro.
Porto: Campo das Letras, 2002)

25 janeiro, 2009

Tiradentes: Mostra de Cinema

Começou neste final de semana a XII Mostra de Cinema de Tiradentes-MG, que acompanhamos desde sua primeira edição.
Neste 2009, infelizmente, não estamos lá. Mas as lembranças de mergulhos no mundo da tela grande, pré-estreias (será que aprendo a nova ortografia?), artistas e equipe técnica trançando prum lado e pro outro ainda alimentam meu espírito.
A cidade é fotogênica demais.
Impossível falar de Tiradentes sem recordar o piuíííí do trem:

22 janeiro, 2009

Queijo canastra

A tradição mineira de presentear com queijo ("um queijim") vem de longe...
A reportagem do "Terra de Minas" desta semana falou da Serra da Canastra, onde se produz o melhor queijo das Gerais. Num dos segmentos do programa, um pouco do nosso linguajar típico e 'segredos' de fabricação do famoso "queijo canastra". Clique e veja.

05 janeiro, 2009

Três filmes: 2 bons, 1 dispensável

Nunca antes na história deste país tivemos tão grande sequência de feriados e, graças à minha amnésia meteorológica, creio que jamais caiu tanta chuva em tão pouco tempo. Daí, que o programa mais frequente foi, mesmo, permanecer em casa, usufruindo as delícias domésticas (interprete como quiser; critique se puder).
Um dos programas foi assistir aos filmes da hora:
1- Sete vidas (Seven Pounds/ EUA, 2008)
Diretora:
Gabriele Muccino
Roteirista(s): Grant Nieporte
Elenco: Will Smith, Rosario Dawson
Sinopse: No filme, Smith interpreta Ben Thomas, um agente do Imposto de Renda com um segredo trágico que embarca numa extraordinária jornada de redenção que mudará para sempre a vida de sete estranhos. Um mistério intrigante e uma história de amor surpreendente, Sete Vidas (Seven Pounds) levanta questões perturbadoras acerca da vida e da morte, arrependimento e perdão, estranhos e amizades, amor e redenção - e explora as relações que unem os destinos das pessoas de modos surpreendentes.
O argumento é interessante, prende nossa atenção e suscita algumas De início, achei bastante lento e fragmentado. Mas a trama ganha densidade a partir do ponto em que se centra na relação entre o Will e Dawson. Não é moralista, apesar de tocar na universal questão da culpa. Em resumo: gostei muito e recomendo. Trailer.
2. Crepúsculo (Twilight/EUA 2008)
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson
Sinopse: Isabela Swan vai morar com seu pai em uma nova cidade, depois que sua mãe decide casar-se novamente. No colégio, ela fica fascinada por Edward Cullen, um garoto que esconde um segredo obscuro, conhecido apenas por sua família. Eles se apaixonam, mas Edward sabe que quanto mais avançam no relacionamento, mais ele está colocando Bella e aqueles à sua volta em perigo. Quando ela descobre que Edward é, na verdade, um vampiro, ela age contra todas as expectativas e não tem medo da sede de sangue de seu grande amor, mesmo sabendo que ele pode matá-la a qualquer momento.
Embora seja classificado como 'suspense', trata-se de um mix de ação, suspense e romance água-com-açucar. É o velho tema da atração pelo perigo, pelo estranho, pelo diferente. Pelo que li, está fazendo grande sucesso pelo mundo afora, com legiões de meninas (adolescentes) morrendo de amores pelo Robert Pattinson. Talvez seja pelo 'olhar feminino' que rege a direção: as meninas querem desvendar o mistério que possuem os homens e se mostram dispostas a tudo para isso. Um 'romeu e julieta' meio dark, com fotografia pálida, quase noir. Quase não consegui ultrapassar os primeiros 20 minutos, até que a trama envereda pela ação. Há uma certa mensagem acerca da aceitação das diferenças.
Fraco. Pior: parece que já está programado o Crepúsculo-2, a seqüência.
3. Na Natureza Selvagem (Into the wild/EUA, 2007)
Site Oficial: www.intothewild.com
Direção: Sean Penn
Roteiro: Sean Penn
Sinopse: Após concluir seu curso na Emory University, o brilhante aluno e atleta Christopher McCandless (Emile Hirsch) abre mão de tudo o que tem e de sua carreira promissora. O jovem doa todas as suas economias - cerca de US$ 24 mil - para caridade, coloca uma mochila nas costas e parte para o Alasca a fim de viver uma verdadeira aventura. Ao longo do caminho, Christopher depara-se com uma série de personagens que irão mudar sua vida para sempre.
Só por ter sido dirigito e roteirizado por Sean Penn, já é uma recomendação para Na Natureza Selvagem. Minha filha Ana Letícia foi quem me recomendou: - "Pai, você vai adorar este filme!"
A história é baseada em fato real e a família McCullen demorou a permitir sua filmagem. Quem é que nunca pensou em 'sumir no mato', 'morar numa praia primitiva' ou 'fugir da cidade grande'? Hoje, a Natureza é vista como o lugar de onde nunca deveríamos ter saído, o Éden perdido pelo pecado original.
O que não podemos esquecer é daquilo que nos falou Freud, em O mal estar na civilização: sair da natureza e entrar na cultura exige do homem enormes sacrifícios e repressões para regular a agressividade intrínseca que nos habita.