Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
22 janeiro, 2009
Queijo canastra
05 janeiro, 2009
Três filmes: 2 bons, 1 dispensável
Diretora: Gabriele Muccino
Roteirista(s): Grant Nieporte
Elenco: Will Smith, Rosario Dawson
Direção: Catherine Hardwicke
Roteiro: Melissa Rosenberg
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson
31 dezembro, 2008
Museu de Artes e Ofícios
O domingo estava chuvoso e a preguiça submergia qualquer atividade. Mas mexer-se é preciso.
Eis que surge a idéia: visitar o Museu de Artes e Ofícios, tão elogiado por todos que o conheceram. Fica logo ali, bem no centro da cidade, na antiga estação da EFCB (Estrada de Ferro Central do Brasil). Com a decadência do transporte ferroviário de passageiros - uma aberração deste país - a estação estava quase totalmente ociosa, embora por ela transitasse, ainda, o Metrô de superfície de Belo Horizonte.
Pois agora lá está o MAO e fomos conhecê-lo.
Seriam necessárias várias visitas para usufruir de tanta informação, tantos objetos e fotos, uma viagem ao passado e um resgate dos ofícios e seus instrumentos.
Há história, há arte, há antropologia... tudo ali, bem disposto, com textos explicativos e estética impecável. É um dos mais completos e bem estruturados do Brasil (leia mais).
No próximo domingo chuvoso, quem sabe, driblemos a preguiça!
27 dezembro, 2008
Triz
Onde estão aqueles olhos cansados
que agora brilham, alertas?
Uma criança esquecida
dentro do corpo do adulto
sacode o corpo maduro
descrente de tudo que vê
Onde está o feitiço
que, olho no olho, prendia
o olhar de Pedro e Maria?
Eis que baila no espaço
ou sobre as águas - não sei -
um cone de luz que reluz.
É festa, é fogo, ilusão,
é busca, esperança, utopia talvez.
Foi quase por distração,
mas não dá pra mentir:
Por um triz,
fui feliz!
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23 dezembro, 2008
Jandira ou O Padre e a Moça
Rapidamente envolveu-se nos chamados grupos de jovens da paróquia. Menina esperta e graciosa, entrosou-se com todos. Ao lado da igreja, os padres mantinham pequena gráfica onde imprimiam, além de folhetos litúrgicos, livros e revistas de sadia literatura, vidas de santos, calendários e impressos em geral.
Jandira, a pedido da tia, foi contratada pelo Padre Antero, conhecedor da disposição da menina. Ela estudava pela manhã, ali mesmo no bairro e, tão logo almoçava, já estava separando papéis, paginando e grampeando fascículos. Miudinha, esticava-se na ponta dos pés diante daquelas mesas que lhe pareciam altas, enquanto tagarelava com os outros funcionários.
Sábado à tarde acontecia o "grupo de jovens", no qual se combinavam passeios, atividades pastorais, barraquinhas, etc. Até viagem à praia fizeram! Uma aventura somente permitida porque o senhor padre acompanharia os rapazes e as moças. Foi quando Jandira conheceu o mar. Lembrança para nunca se perder.
A menina se transformou em moça, vigiada pela tia zelosa. Dentro do espírito de aggiornamento do Concílio Vaticano II, o próprio vigário patrocinava, ocasionalmente, uma Hora Dançante no pátio interno da casa paroquial. O som era garantido pelas primeiras bandas-de-garagem surgidas em Belo Horizonte. Guitarras estridentes embalaram muitos namoros e flertes com as baladas dos Beatles e do romântico The Mamas and Papas...
A moça Jandira era comunicativa e adorava conversar com o padre Antero, a quem chamava de Tio. Eram conversas alegres, despretenciosas, sem maldade. Certa vez, organizou-lhe uma despedida, designado que fora para um curso especial de Teologia, em Roma. Nem bem o padre viajara e o carteiro passou a entregar, semanalmente, cartões postais vindos da Europa, exibidos orgulhosamente para toda a família e para os amigos. Um privilégio só dela, pois a mais ninguém o padre escrevia.
No dia de seus 20 anos, chega um pacote cheio de selos e carimbos, direto de Roma, par avion.
-Gente, exclamou, o tio lembrou-se de meu aniversário!
Rodeada de amigos e parentes, desembrulhou cuidadosamente a encomenda. Um cartão trazia as mais lindas palavras de Feliz Aniversário, lidas e relidas para todos, atentíssimos. Havia, ainda, duas pequenas caixas. Na primeira, um xale de seda, multicolorido - "a coisa mais linda que já vi". O que haveria no outro?
-Olha, gente, é uma camisola!
Ouviu-se um longo "Ohhhh!". Ali, em suas mãos alvas e trêmulas, cintilava minúscula lingerie vermelha, de seda pura, finíssima, de ótimo gosto, coisa nunca vista!
-Ohhhh!, o padre Antero lhe enviou isto?, exclamou a tia.
Jandira, inocente, não percebeu qualquer insinuação por parte dos outros, simplesmente se emocionava com o carinho que lhe devotava o Tio Antero. Nem lhe passou pela cabeça qualquer sentido além da pura amizade e dedicação de um pastor por uma humilde ovelha...
O sacerdote chegou algumas semanas depois e logo Jandira foi dar as boas vindas e agradecer tantos cartões e presentes. Padre Antero abraçou-a efusivamente. Ao ficarem a sós, disse-lhe:
-Jandira, vim para casar-me com você!
A moça deixou escapar um riso solto, quase uma gargalhada:
-Que isso, tio? O senhor é padre!. (Não conseguia parar de rir).
-Eu vou me casar com você, estou dizendo, nós vamos nos casar!
Foi aí que a moça se deu conta de que ele falava sério. Tomou o maior susto de sua vida, pois nunca imaginara que aquele homem 35 anos mais velho, ainda mais um padre, se interessasse por ela. Nem ela mesma jamais sentira qualquer atração pelo vigário.
Atordoada, atravessou a pracinha já decidida a voltar imediatamente para Ponte Nova. Largou tudo: escola, emprego, amigos. Pai e mãe, católicos tradicionais, a receberam com uma chuva de recriminações. Pouco a pouco, como a calmaria sucede as tempestades, o assunto se extinguiu, instaurou-se a rotina e namorados se sucederam na vida daquela mocinha.
Um ano se passou.
Era o mês de maio. O céu do domingo estalava de azul, enquanto o sol aquecia o vale do Rio Piranga. Jandira estendia roupas no varal do terraço quando percebeu um movimento incomum de automóveis. Contou cinco carros dos quais desciam pessoas que nunca vira. No meio delas, reconheceu o padre Antero, sem batina! Coração aos pulos, desce correndo e já encontra a comitiva sendo recebida pelo seu pai. A mãe, lá dos fundos, vem enxugando as mãos no avental. Ninguém entendia nada de nada. Todos falavam alto. No meio daquele alvoroço, o irmão do padre diz:
-Viemos para o noivado!
Padre Antero se adianta e, solenemente, declara ao pai da Jandira:
-Estou aqui para pedir a mão de sua filha em casamento. Consegui que o Papa me dispensasse dos sagrados votos do sacerdócio e meu Bispo já me liberou. Os papéis estão aqui.
-Para demonstrar a seriedade de minha proposta, eis as alianças. Vieram meus irmãos, minhas irmãs e alguns paroquianos como testemunhas.
O pai gaguejou qualquer coisa, esticando os beiços para os lados de Jandira:
-Isso é ela quem resolve.
Diante de todos, o agora ex-padre se aproxima da moça:
-Não falei que iria casar-me com você?
Apesar das advertências dos parentes, pais e amigos que vaticinavam futuras desavenças, desentrosamento entre cônjuges com tamanha diferença de idade e discriminação social, celebra-se o casório vinte dias depois, numa capela de Belo Horizonte. O fato era tão extraordinário que uma emissora de rádio perseguiu o carro da noiva, na tentativa de cobrir a cerimônia, ao vivo.
Casaram-se e tiveram três filhos.
. . .
Outro dia, aos 89 anos, faleceu o ex-padre Antero.
-Ele sempre me amou muito. Aprendi a gostar dele depois do casamento, pois nem namorar a gente namorou, diz-me Dona Jandira. Agora estou só, como é triste a solidão... Nós nos amávamos tanto!
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22 dezembro, 2008
Blogs'n soup
17 dezembro, 2008
Presépio mineiro
A tradição católica diz que o presépio surgiu no século 13, quando São Francisco de Assis quis celebrar um Natal o mais realista possível e, com a permissão do papa, montou um presépio de palha, com uma imagem do Menino Jesus, um boi e um jumento vivos perto dela. Nesse cenário foi celebradada em 1223 a missa de Natal. O sucesso dessa representação do presépio foi tanta que rapidamente se estendeu por toda a Itália. Logo se introduziu nas casas nobres européias e de lá foi descendo até as classes mais pobres. [daqui]
Desde a infância acompanhei a construção de presépios na minha casa. Início de dezembro era época de a meninada correr aos quintais em busca de pedras bonitas e musgos, que serviriam de caminhos e jardins no bucólico cenário de casinhas, pastagens e a gruta onde nasceria o Menino.
Aos adultos (lá em casa era minha mãe, mesmo) competia preparar as montanhas. Como? Cobriam-se com areia de minério azul escuro e faiscante os sacos de aniagem ou o grosso papel de cimento, previamente preparados com grude feito de polvilho e água.
Aos poucos, uma cidadezinha ia surgindo, fabricada com casinhas de madeira, cerâmica e papel maché, retiradas cuidadosamente das caixas que as guardavam do ano anterior.
Era um momento mágico: minha mãe e a criançada ao lado a desmbrulhar cuidadosamente os personagens e adereços guardados do ano anterior. Alegria maior era quando surgiam os bichos: ovelhas, burro, vaca, leões, girafa, patinhos, galinhas, um zoo inteiro! Não podia faltar um garboso galo carijó, que seria colocado em destaque. Ao galo caberia cantar bem alto, anunciando o nascimento de Jesus.
Seria apenas uma lembrança do passado, não fosse a determinação da Amélia de manter a tradição aqui. Nem que fosse simples improvisação, um aranjo com manjedeoura, o Menino, José e Maria.
Aos poucos, Amélia se sofisticou e, ultimamente, o presépio foi tomando importância e ganhando detalhes. Posso dizer que se amineirou, pois se caracteriza como uma vila do interior, construída com casinhas de cerâmica moldadas pela Jovita no Vale do Jequitinhonha e outras advindas de várias regiões do Brasil.
Se, ano passado, o presépio se restringiu a uma cidade plana com suas ruazinhas tortas ladeadas de casinhas, agora em 2008, novamente ajudada pelo filho Ângelo e pela norinha Renata, as montanhas de Minas compõem o cenário:
16 dezembro, 2008
Me engana que eu gosto
Eduardo Giannetti escreveu sobre este tal de auto-engano: auto-engano é muito bom e talvez indispensável para nos sustentar neste vale de lágrimas, expulsos que fomos do Éden, após sucumbirmos às vãs promessas de uma serpente esperta. Falácias nos arrebatam, promessas elegem candidatos e fantasmas nos assombram.14 dezembro, 2008
111
Igreja S. Francisco - Pampulha - BH
É uma jovem cidade, com belezas e mazelas, tão nova e tão cheia de problemas: trânsito, falta de transporte público digno, diferenças sociais gritantes. Mas é época de festa e a cidade tem lá seu lado bom, bonito, arrumado, moderno e "mineiríssimo".
Edifício projetado por Oscar Niemeyer - Praça da Liberdade - Belo Horizonte-MG
Video sobre processo de produção e suas mazelas
18 novembro, 2008
14 novembro, 2008
Doce-de-laranja e queijos.
Pois foi com produtos de Santa Maria de Itabira que minha cunhada e minha sobrinha (Rosa & Adélia) presentearam-me regiamente: queijos variados e um divino doce-de-laranja (este, feito pela própria Rosa).
Assim, em pleno dia-de-semana, o almoço aqui em casa virou festa, pelo menos na hora da sobremesa, genuinamente mineira e familiar. Tivemos queijo "minas" e dois tipos de requeijão, moreninho e com raspa. Impossível comer apenas um pedaço.
13 novembro, 2008
Memória x repressão x poesia
Não aquela poesia "escolar" aprendida no Grupo Escolar Desembargador Drummond, lá de Nova Era, terrinha mineira e simpática às margens do Rio Piracicaba....
Falo de quando minha cabeça foi se abrindo para o mundo mundo vasto mundo, nas aulas de Literatura Brasileira, no antigo Colégio do Caraça.
Tio Ismar tinha um modo especial de me presentear: foi-me dando, aos poucos, os livros de Monteiro Lobato, desde O Sítio do Picapau Amarelo até História do Mundo para as Crianças. Como eu viajava naquelas narrativas...
Tenho outras histórias com o Tio Ismar: deu-me o primeiro método para aprender piano, o Schmmol; levava-me a passear na Capital e, com ele conheci o asfalto (que ele brincava de chamar "chão preto"); levou-me a almoçar num restaurante "giratório", onde fiquei entre a comida deliciosa e o assombro diante das mesas que, literalmente, davam uma volta completa sobre o salão!!!
Pois bem, o tio atendeu meu pedido e enviou-me um exemplar da Antologia Poética, de Drummond. A correspondência passava na "censura prévia" do padre disciplinário (como casam os padres, este já se casou, também). Chamou-me ao seu gabinete, senho franzido, aspecto grave, tom de preocupação:
"-Meu filho, olhaqui, chegou um livro prá você, de um poeta muito esquisito!".
Impetuosamente lancei mão do livro recém desembrulhado, sobre a mesa.
"-Calma! quero comentar com você algumas coisas: veja essa poesia aqui... nem sei se é poesia".
Leu no meio do caminho tinha uma pedra..., "isso parece coisa de ateu, meu filho, sem esperança!".
Selecionou outro poema, A Mão Suja. Escandindo bem as palavras, voz de mistério, reticente:
"- Minha mão está suja.
Preciso cortá-la.
Não adianta lavar.
A água está podre.
Nem ensaboar.
O sabão é ruim.
A mão está suja,
suja há muitos anos."
"-Tá vendo, meu filho? isso não é coisa para um jovem puro e inocente como você. O autor está incentivando a masturbação! Isso vai desviar você do bom caminho!".
Dito isso, guardou o livro sob chave, numa gaveta da escrivaninha.
Desde então, nunca mais vi a Antologia Poética do Drummond!
Minha mãe, sabedora do meu gosto pela literatura e pelo poeta itabirano, passou a me enviar, semanalmente, recortes do jornal Estado de Minas, com as crônicas e poemas do poeta C.D.A.! Mãe é mãe.
Até que, saindo do Colégio, com um dos meus primeiros dinheirinhos, logo comprei aquele livro e muitos outros.... Só então, após anos, pude, enfim, usufruir do "presente" do Tio Ismar!
12 novembro, 2008
Vade retro
Foi um desses atrasos de Brasília para BH que me fez chegar ao Aeroporto de Confins (oficialmente "Tancredo Neves) às 23,50h de uma sexta-feira, 13.
10 novembro, 2008
Pro Allan
Esta foto vai pro Allan, do Carta da Itália. Ele mora na cidade de Piacenza.
Quem diria que no Mercado Central de Belo Horizonte existe um licor com o nome de Piacenza? Pois é...
A gente vai andando, olha uma coisa ali, outra lá e, de repente, topa com o nome Piacenza. Aí, vem à lembrança: Conheço quem mora lá, o Allan. A seguir, num ímpeto, saco da algibeira (quer dizer, do bolso mesmo) a máquina fotográfica: Vou mandar esta foto pra ele. Bom, pra ser sincero, acho que pensei em comprar o licor Piacenza e levar até lá, bem ali pertinho, só atravessar o Atlântico.
[O Piacenza é fabricado em Brumadinho, a 60km de BH. Parece que algum imigrante italiano resolveu homenagear suas origens. Há um número de telefone; chamei e ninguém atendeu. Se descobrir, conto. A propósito, a cidade abriga o Centro de Arte Contemporânea de Inhotim.]
O rótulo presentificou uma pessoa que nunca vi (a não ser por foto e pelos deliciosos textos).
No seu post de hoje, Allan comenta as implicações da diferença de fuso horário, que varia de 3 a 5 horas entre Piacenza e Brasil. Por uma coincidência cósmica (não acredito nisso, mas existe!), só agora, ao postar, observo o mostrador do relógio da foto acima. Alguém percebeu algo curioso?
Pra você, Allan, um brinde.
05 novembro, 2008
Soié na Folha de São Paulo
Veja lá no blog dele, o Ontem-Hoje.
28 outubro, 2008
Aniversário de casamento
18 outubro, 2008
Congresso e amenidades
Congressos são para trabalho, estudo, encontros com um milhão de colegas e centenas de ex-alunos, muitos deles espalhados por esse país: Florianópolis, Recife, São Paulo, Juiz de Fora, Ceará, interior de Minas, etc.
Mas vir a Brasília teve outro especial sabor, o sabor dos abraços aos amigos Paulo & Letícia e Valdir & Autinha.
No mais, é correr de uma sala a outra, caminhar meia maratona dentro do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, enorme. Além disso, há os stands da indústria farmacêutica, tal como uma feira de parque de diversões, cada laboratório brigando para atrair a atenção dos congressistas para seus produtos. Distribuem material científico, claro, mas repartem brindes, lanches, sorvetes, bugigangas. Também há utilidades, como livros técnicos, vídeos educativos (na área psiquiátrica) e ilhas de conforto onde nos assentamos com os colegas, descansamos as pernas e combinamos o que fazer, à noite, que ninguém é de ferro.
Tudo isso aconteceu de quarta até hoje. À tarde, encerra-se o evento e amanhã estaremos de volta a Beagá.
O intervalo na rotina diária é, igualmente, outra grande motivação para sair por aí, todo ano, cada vez em uma cidade. Ano que vem o Congresso da Associação Brasileira de Psiquiatria será em Sampa. Depois, em Fortaleza.
A ciranda continua, a engrenagem gira e a lusitana roda.
11 outubro, 2008
O psicopata: camaleão social
São impressionantes os relatos, teorias, estatísticas e conclusões com as quais me deparei ao ler o "O Psicopata - um camaleão na sociedade atual", do espanhol Vicente Garrido.Psicopatia é tratado pela Psiquiatria como um transtorno de personalidade, muito grave, cujos critérios diagnósticos o DSM-IV (manual diagnóstico da Associação Psiquiátrica Americana) enumera:
Ocorrência de um padrão de desrespeito e violação dos direitos dos outros, ocorrendo desde a idade de 15 anos, como indicado por três ( ou mais ) dos seguintes comportamentos:
1) falhas em adaptar-se às normas sociais que regem os comportamentos legais, indicadas pela repetição de atos que são motivos para prisão.
2) propensão para enganar, indicada por mentiras repetitivas, uso de
codinomes e manipulação dos outros para benefício ou prazer pessoal.
3) impulsividade ou falha em planejar o futuro.
4) irritabilidade e agressividade, indicado por brigas e agressões repetitivas.
5) desrespeito negligente pela própria segurança ou dos outros.
6) irresponsabilidade, indicada por falhas repetitivas em sustentar um trabalho consistente ou honrar obrigações ( financeiras ou morais ).
7) falta de remorso, indicado pela indiferença ou racionalização ao ter maltratado alguém ou roubado alguma coisa.
Muitas outras pessoas são psicopatas e não se dedicam ao crime. Podem viver em nosso prédio, ser nosso marido, esposa ou amante, nosso filho, nosso colega de trabalho, um político... É vital compreender isso, enxergar a magnitude do problema.
Tenho quase certeza de que o leitor deste post conhece um ou mais camaleões psicopatas, basta atentar para alguns de seus traços: têm eloquência e encanto superficial: falam muito, expressam-se com encanto, têm respostas espertas; não têm remorsos, são egocêntricos, mentem e manipulam o outro; são impulsivos, quase sempre irresponsáveis.
Meu primeiro psicopataMeu primeiro contato com um psicopata se deu quando eu era estudante de medicina, fazia estágio em uma clínica psiquiátrica. Lembro-me com detalhes do caso e do paciente que fora internado enquanto se discutia sua inimputabilidade num crime hediondo.
Tratava-se de um jovem de vinte e poucos anos, bancário. Ao rapaz competia levar grande soma de dinheiro vivo para ser depositado no cofre do Banco do Brasil. Era acompanhado por um colega. Apenas algumas quadras separavam as agências, de forma iam os dois, quase todos os dias, carregando uma bolsa recheadíssima.
Pois nosso personagem convenceu o colega a sumirem com tudo. Deixaram um fusquinha nas imediações e fugiram com a grana pela BR-40, em direção ao Rio. Num local ermo, entra numa estradinha de terra, mata o amigo e põe fogo no corpo e no carro. Some. Alguns dias depois reaparece e acusa o colega de sequestrá-lo e tentar assassiná-lo. Lutaram e o carro se desgovernou, capotando e se incendiando, explicou. O crime se esclareceu e os advogados alegaram "doença psiquiátrica".
Pois bem, acreditem se quiserem, mas o jovem tinha bom papo, era cordial com todos. Entretanto não se mostrava arrependido, dizendo que foi tudo loucura. Jogou papo pra cima de uma jovem psiquiatra que por ele se apaixonou! Conseguiu relaxamento da vigilância e fugiu da clínica. A médica quase morreu de paixão.
O livro do Garrido discorre sobre teorias da psicopatia, causas, etc. Fala do psicopata no mundo dos negócios e das profissões. Está disponível, no Brasil, pelas Edições Paulinas.Temos assunto para mais um post: o psicopata nas organizações/instituições.


