24 junho, 2006

Já que a Copa é na Alemanha, aprenda alemão rápido!!!



** Aprendendo Alemão***

A língua alemã é relativamente fácil. Todos aqueles que conhecem as línguas derivadas do latim e estão habituados a conjugar alguns verbos podem aprendê-la rapidamente. Isso é o que dizem os professores de alemão logo na primeira lição.

Para ilustrar como é simples, vamos estudar um exemplo em alemão:

Primeiro, pegamos um livro em alemão, neste caso, um magnífico volume, com capa dura, publicado em Dortmund, e que trata dos usos e costumes dos índios australianos Hotentotes (em alemão, Hottentotten).

Conta o livro que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas com uma tela (Lattengitter) para protegê-los das intempéries.
Estas jaulas, em alemão, chamam-se jaulas cobertas com tela (Lattengitterkotter) e, quando abrigam um canguru, chamamos ao conjunto de "jaula coberta de tela com canguruLattengitterkotterbeutelratten).

Um dia, os Hotentotes prendem um assassino (Attentäter), acusado de haver matado uma mãeMutter) hotentote (Hottentottenmutter), mãe de um garoto surdo e mudo (Stottertrottel).

Esta mulher, em alemão, chama-se Hottentottenstottertrottelmutter e a seu assassinoHottentottenstottertrottelmutterattentäter.

No livro, os índios o capturam e, sem ter onde colocá-lo, põem-no numa jaula de canguru (Beutelrattenlattengitterkotter).
Mas o preso escapa.

Após iniciarem uma busca, chega um guerreiro hotentote gritando:
- Capturamos o assassino (Attentäter)!
- Qual Attentäter? - pergunta o chefe indígena.
- O Lattengitterkotterbeutelrattenattentäter, comenta o guerreiro, a duras penas
- Como ? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tela ? - pergunta o chefe.
- Sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentäter (assassino da mãe do garoto surdo-mudo da tribo)

- Ah, diz o chefe, você poderia ter dito desde o início que havia capturado o Hottentottenstottertrottelmutterlattengitterkotterbeutelrattenattentäter.


Assim, através deste singelo exemplo, podemos ver que o alemão é extremamente simples. Basta um pouco de interesse!

_________________

(Mais uma contribuição do mermão de BSB, o Paulo.

22 junho, 2006

Esperança e paciência

Não sei se a expressão "desencantar" existe em outros estados. Aqui em MG, quando alguém fica que "meio abobado", "paralisado", "atarantado" e, depois, sai deste quadro, dizemos: "Fulano desencantou".

Pois foi a minha interpretação para o comportamento do Ronaldo, no jogo de hoje (Brasil 4x1 Japão), logo após seu primeiro gol. O rapaz "desencantou", ficou solto, voltou a sorrir, correu mais em campo, participou de mais jogadas.
"Desencantou" de vez quando acertou o fundo das redes com um chute de pé direito, certeiro como há muito não víamos.

Antes de ouvir os comentaristas profissionais, prevejo a mudança de tom: sai o "gorducho", "baleia", "velho", "fora-de-forma" e entra o "fenômeno", o "perseverante", o Ronaaaaaaldo!
Logo agora, depois do jogo, assisto sua entrevista. Sorriso mais franco, sua marca registrada, o craque responde assim à pergunta do repórter sobre seus sentimentos logo após a providencial cabeceada: - Fiquei aliviado! Antes, chutei com pé esquerdo e o goleiro defendeu. Depois, com o pé direito e o goleiro fez milagre. Pensava: 'meu Deus, será que a bola não vai entrar?' até que veio o gol!

Confesso que eu também fiquei aliviado e emocionado. Mesmo percebendo as limitações do Ronaldo nos jogos anteriores, principalmente no primeiro, torcia para que ele se recuperasse, desse a volta por cima. E isso aconteceu nesse jogo recém terminado.
Destaco outra expressão do Fenômeno: - Sempre tive paciência.

Se fizermos uma analogia com as vicissitudes que a vida nos apresenta, creio que duas virtudes são fundamentais: a esperança e a paciência.
Não a esperança acomodada, inerte, "esperar sentado", mas a esperança-ação, a esperança-desejo. [Outro dia escrevi sobre a Esperança, confira!].
Quanto à paciência, refiro-me à paciência de esperar o tempo certo, à calma que não nos deixa perder o controle, a persistência.

Esperança + paciência = persistência.
- Não é?

________________
Em teste, meu álbum de fotos no Picasa.

20 junho, 2006

Sursum corda: para o alto os corações

Poemas de Viviane Mosé

Poemas do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso.

quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?

o tempo andou riscando meu rosto

com uma navalha fina

sem raiva nem rancor

o tempo riscou meu rosto

com calma

(eu parei de lutar contra o tempo

ando exercendo instantes

acho que ganhei presença)

acho que a vida anda passando a mão em mim.

a vida anda passando a mão em mim.

acho que a vida anda passando.

a vida anda passando.

acho que a vida anda.

a vida anda em mim.

acho que há vida em mim.

a vida em mim anda passando.

acho que a vida anda passando a mão em mim

e por falar em sexo quem anda me comendo

é o tempo

na verdade faz tempo mas eu escondia

porque ele me pegava à força e por trás

um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo

se você tem que me comer

que seja com o meu consentimento

e me olhando nos olhos

acho que ganhei o tempo

de lá pra cá ele tem sido bom comigo

dizem que ando até remoçando

muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos

abscessos tumores nódulos pedras são palavras

calcificadas

poemas sem vazão

mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado

prisão de ventre poderia um dia ter sido poema

pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa

palavra boa é palavra líquida

escorrendo em estado de lágrima

lágrima é dor derretida

dor endurecida é tumor

lágrima é alegria derretida

alegria endurecida é tumor

lágrima é raiva derretida

raiva endurecida é tumor

lágrima é pessoa derretida

pessoa endurecida é tumor

tempo endurecido é tumor

tempo derretido é poema

palavra suor é melhor do que palavra cravo

que é melhor do que palavra catarro

que é melhor do que palavra bílis

que é melhor do que palavra ferida

que é melhor do que palavra nódulo

que nem chega perto da palavra tumores internos

palavra lágrima é melhor

palavra é melhor

é melhor poema

_______________________________


Link e poema enviado pelo amigo Idelfonso - o Dé.


18 junho, 2006

Brasil x Austrália - haja coração!


Em Itaúna-MG, 100km a oeste de BH, acontecem os Jogos Jurídicos neste fim-de-semana. Desde sexta-feira, o filhote Leo está por lá, disputando não-sei-o-quê, mas, com certeza, se divertindo como nunca.

Imagino a farra que os universitários(as) aprontam nesses eventos: "Tudo pelo esporte!", deve ser o lema deles: ficam em alojamentos coletivos, alugam vans ou ônibus, aprontam as mochilas e pé-na- estrada.

A gente que é pai fica um pouco aflito. Mas só um pouquinho, porque sabemos bem o filho que temos e a turma que ele frequenta. Já nos falamos duas vezes por telefone, a última foi agorinha mesmo.

A Ana vai passar o domingo num sítio com amigos, onde assistirá Brasil x Austrália. Ela e as outras três MineirasUai! têm feito uns posts interessantíssimos no seu blog. Nada como a visão feminina para nos imunizar contra as baboseiras dos comentaristas profissionais tipo Galvão Bueno, Casagrande et caterva. Aliás, outros 'blogs da Copa' que vale a pena visitar são estes daqui (links copiados do Marmota - peço licença aqui, tá Marmota?:


Outro filho que passa o fim-de-semana fora é o Ângelo. Este foi a Paracatu, uns quatrocentos quilômetros em direção a Brasília, longe pra burro. Frequentemente viaja com um grande amigo, cujos pais têm uma fazenda por aquelas bandas. Como estudante de Veterinária, o rapaz adora. Chegou de volta ontem à meia-noite e hoje, pela manhã, também foi pros Jogos Jurídicos de Itaúna.

- Mas o que um 'veterinário' foi fazer no meio dos 'advogados'?

- Pois conto agora: Ângelo e Leo vão tocar com o Chapéu Panamá na festa de encerramento, dar um show pro pessoal sambar, logo após o jogo do Brasil contra a Austrália. Seja lá qual for o resultado (falta menos de uma hora para começar a 'guerra'), tem "a nova guarda do samba de raiz" pra balançar o coreto.

Desta vez, Amélia e eu ficaremos aqui, torcendo por eles: pelo Brasil e pelos filhotes.

A casa vazia, sem aquela animação dos 'meninos', não terá a presença física deles, mas coração de pai-e-mãe bate no ritmo dos corações dos filhos: Ana, Ângelo e Leo estarão conosco: cada lance bonito, cada gol do Brasil (espero que sejam muitos), cada susto em nossa defesa, tudo nos lembrará os olhos brilhantes dos 'meninos', os comentários da Ana, os gritos do Ângelo, as comemorações do Leo.

Enquanto aguardo o início da partida, leio uma entrevista do jogador Kaká ao Estado de Minas. Gostei da resposta:

Jornalista: Há uma grande esperança em Ronaldinho Gaúcho e havia também em cima de Ronaldo. Parece que, depois da estréia, a cotação deles caiu…

Kaká: É uma coisa que não entendo no Brasil. As pessoas têm a mania de depreciar o que é nosso, procuram desvalorizar. A culpa, em parte, é da imprensa, formadora de opinião. Não podemos generalizar, é claro. Ronaldo não precisa provar mais nada. Ganhou duas Copas, a de 2002 como artilheiro, conquistou títulos por onde passou e é idolatrado pelos torcedores da Inter, de onde saiu há quatro anos. Na Europa, todos querem uma estátua para ele nas praças. Só no Brasil não o valorizam, chamam ele de gordo e tudo mais. Um absurdo. Ele é intocável, especial, um jogador fabuloso. Precisa ser respeitado. Ronaldinho Gaúcho acabou de ser campeão da Liga dos Campeões da Europa, eleito o melhor do mundo pela segunda vez e vai brilhar. Foi apenas o primeiro jogo e estréia é sempre difícil. O time vai engrenar. Aqueles que criticam hoje estarão elogiando amanhã.



Dá licença que o jogo vai começar.
__________

Update:
Ufa! que sufoco! Mas ganhamos: Brasil 2x0 Austrália. Ronaldo melhorou, mas nem tanto. Muito susto nos deu a defesa brasileira. Aí entraram Robinho e, no final, Fred. Este aí liquidou a fatura. Vêm aí as mais duras batalhas. Haja coração!

16 junho, 2006

O inverno vai chegar

O inverno se aproxima. Hoje, pela manhã, a temperatura em Belo Horizonte estava em 10° C. O céu claro, azulzíssimo, demonstrava que a atmosfera tinha pouca umidade.

São pequenos sinais que me alegram, sempre, nesta época do ano: o frio (nem tão gelado), o azul do céu, dias claros, perspectiva das férias de julho, mais disposição para o trabalho.

O mais bonito, porém, são as florações dos ipês roxos. Aqui na Capital das Alterosas existem mais de 10 mil ipês, roxos, rosas, amarelos e brancos.
Ao circular pela cidade, é impossível não ficar embevecido com tanta cor: as copas altas, entre 20 e 30 metros, colorem as alamedas, compondo paisagens que amenizam o concreto dos edifícios e, até mesmo, a poluição que vem dos escapamentos.

Na próxima semana, estrearei minha Sony N1 com fotos dos ipês. Promessa pra mim mesmo.

Entretanto, ao abrir o jornal de hoje, deslumbrei-me com a foto abaixo, de autoria do fotógrafo Jair Amaral, do Estado de Minas. Os ipês tão floridos estão na Praça da Liberdade, emoldurando alguns edifícios centenários e um modernista Niemeyer, onde residiu o ex-presidente Tancredo Neves. Por hora, então, a foto não é minha. Admirem-na:


Foto by Jair Amaral - Jornal Estado de Minas - 16jun06

Desculpe--me, Mr. Ronaldo, mas não resisti:


Mais e mais no KibeLoco

15 junho, 2006

Frases & Blogs do dia

Frases do dia:

1. José Jorge, candidato a vice na chapa de Alckmin: Hoje temos um presidente que não trabalha, só viaja e bebe muito, como dizem por aí.

Pergunto: Será que dá pra fazer campanha sem apresentar projeto de governo? Ficar só na baixaria? Tucanos e pefelistas, tenham a santa paciência!

2. Ronaldo, o fenômeno:
Não está no manual que tenho de jogar bem sempre.

Sugiro: Rasga esse manual aí, ô Ronaldo!

3. José Luís Runco, médico da delegação brasileira no Mundial-2006: A tontura sentida por Ronaldo pode ter ocorrido devido ao estresse.

Ofereço: meu divã.

4. Stephen Hawking, aclamado físico britânico, depois de afirmar que o homem está próximo de descobrir as origens do universo, de onde viemos e para onde vamos: Mas o que eu gostaria mesmo é de compreender as mulheres!

Emendo: compreender-se a si mesmo, eis a questão.

5. Parreira, o técnico, em entrevista agorinha mesmo: Temos uma dupla de peso no ataque, Ronaldo e Adriano. Sem redundância, é no sentido futebolístico: uma dupla de peso.

Digo cá comigo: Parreira, não precisa explicar, já entendi tudo!

Blogs do dia:

1. Blog do Kaka

2. Blog do Fred

3. Blog do Rodrigo e do Tadeu, torcedores 'sem dinheiro', na Europa.

4. Blog do Curioso na Copa - do Marcelo Duarte, autor de O Guia dos Curiosos.

12 junho, 2006

Muito macho!

Um de minhas diversões favoritas, quando adolescente, era ler as revistas do Fantasma, Zorro, Batman, Mandrake, Capitão Marvel e Super Homem. Gostava, também, dos quadrinhos de Walt Disney (Pato Donald, Mickey, Tio Patinhas), mas os super-heróis eram demaaais!

Marvel era, na verdade, um rapaz (Billy) que ficara órfão. Um mago chamado Shazam lhe dera uma coleção de qualidades: a sabedoria de Salomão, o vigor de Atlas, o poder de Zeus, a coragem de Aquiles e a rapidez de Mercúrio. A transformação em Capitão Marvel se dava quando ocorria quando Billy gritava: Shazam! Para mim, a evocação dos deuses da Mitologia Grega era benvinda, poisas minhas leituras "clássicas" já me familializaram com o Olimpo.

O Super Homem (Super Man) era, igualmente, um personagem que habitava minhas fantasias: quantas vezes caminhei por entre os prédios sombrios de Metrópolis, onde morava o tímido repórter Clark Kent, apaixonado por Lois Lane. Outro tímido que adquiria superpoderes, esse tal de Kent. Nunca conseguia chegar aos "finalmentes" com a jovem, pois algum criminoso provocaria uma catástrofe e... -
Mais uma tarefa para o Super Homem! Clark Kent saía correndo, escondia-se num vão de porta ou num beco escuro, arrancava o paletó e... tchum! surgia o Super Homem.

Depois vieram os filmes, as séries de TV e aqueles personagens tão poderosos passaram a viver as vicissitudes da modernidade. Crises existenciais, fraquezas, incertezas e outras mazelas acometeram os super-heróis, nem tão super, às vezes anti-heróis.

De repente, começaram a dizer que o Super Homem era gay. Batman era gay. Todo mundo tinha virado gay?

Superman: o retorno

Dirigido por Bryan Singer (X-Men — O Filme, X2: X-Men United, Os Suspeitos), Superman – O Retorno é estrelado pelo novato Brandon Routh, que assumiu a responsabilidade de dar vida ao super-herói imortalizado pelo ator Christopher Reeve, nos quatro filmes da série.

Outra vez, Superman
sofre um bocado, pois depois de passar algum tempo longe da terra, volta e descobre que Lois Lane está casada e tem um filho... De novo, não chegou aos "finalmentes"... Seria uma mensagem subliminar para dizer que o cabra é gay, mesmo?

Metrópolis, entretanto, respira aliviada:
- Não, o Super Man não é gay, afirmam os diretores de
Superman: o Retorno, que vai estrear em breve.

O Super-Homem "é provavelmente o personagem mais heterossexual de todos os filmes que fiz", disse Singer, o diretor.

Acho que paira uma dúvida no ar. Singer usou a palavra "provavelmente"...

Afinal, o cabra é ou não é muito macho?

Habitantes da côrte, ou melhor, do DF


Mermão de Brasília - Paulo - me enviou um perfil do brasiliense. Algumas das características abaixo eu mesmo já experimentei: tabalhei no DF por 10 anos seguidos e consigo entender certas referências.

Vamos lá!

= Você se sente confortavel com a umidade de 10%.

= Você conhece os ministros e deputados como "O pai daquele cara da faculdade"

= Ao dirigir, você fica meio paranóico com os limites de velocidade.

= Você, de fato, pára o carro na faixa de pedestres.

= Você acha normal um PM a cada cruzamento.

= Você tem medo de jogar lixo pela janela do carro.

= Ouve dizer "é bem pertinho" e pensa tranqüilamente em 50 km.

= Você sabe do que estão falando quando perguntam "conhece alguém da cinco"?

= Todo fim-de-semana tem um churrasco.

= Você se sente à vontade com endereços em coordenadas cartesianas.

= Sabe que se for a um endereço nas 300, 100 e 200 irá a um apartamento bom; na 400 terá que subir escadas; na 700 vai ter de procurar vagas nas calçadas das casas e que, se for ao Sudoeste, corre o risco de que a quadra ainda não esteja asfaltada!

= Quando começam as chuvas você escuta " esse ano vai chover como nunca".

= Quando param a chuvas você escuta "esse ano a seca vai ser braba".

= Você chama os amigos de seus pais de "tio" e "tia".

= Você vê alguém fazer barbeiragem no trânsito e diz "Só pode ser goiano"

= Acha que de mar o nosso céu não tem nada, e na primeira oportunidade dá uma escapada para praia.

= Odeia quando chegam os seus parentes querendo conhecer a torre e a esplanada.

= Você reclama para o amigo: "Não tem nada para fazer nessa cidade..." Mas fica indignado quando alguém de fora reclama que em Brasília não tem nada para fazer.

= Você reluta, reclama e acaba indo comer pizza no Primo Piatto.

= Sabe, perfeitamente, o que significa quando alguém diz "Eu moro no Lago"

= Quando vai a outra cidade fica indignado e não entende por que construíram ruas tão estreitas com tanto cruzamento.

= Vê crianças gostarem tanto de descer para brincar "debaixo do bloco"

= Pelo menos cinco pessoas que você conhece fazem Direito.

= Fica chateado quando te perguntam se já viu o presidente.

= Você vê o dia começar friozinho; acha perfeitamente normal que às onze esteja fazendo um calor de rachar; à tarde esteja muito, muito quente e seco; à noite, frio novamente ou até mesmo desabando um temporal; isto, além de a chuva ter iniciado e parado cinco vezes durante o dia ou à tarde.

= Você não tem a menor noção do que seja uma esquina de paralelepípedos.

= Você acha que casa com piscina é a coisa mais normal do mundo.

= Até hoje chama o mercado Pão-de-Açúcar de "Jumbo"

= Você sabe que "Ir ao Gilberto" não quer dizer visitar alguém.

= Sabe que Samambaia não é uma planta !

= Você diz "Vou ao Shopping" sabendo que isso só pode siginificar ir ao Parkshopping, se não, diria "Vou ao Pátio" ou "Vou ao Alameda" .

= Sabe que se for ao shopping Pier 21, você não vai lá pra fazer compras.

= Sabe que uma boate da moda não dura mais do que três meses.

= Você, estudante, geralmente sai do colégio na sexta, vai pro Pátio, dorme na casa de um amigo e, no sábado à noite, vai pro Pier ... domingo é em casa !!!

= Já passou um carnaval ou feriado em Caldas Novas.

= Morre de rir, ou de raiva, nas vésperas de feriados, quando te dizem "o último que sair (da cidade) apaga a luz".

= Sempre que viaja é perguntado a qual gangue você pertence, e se você já queimou algum índio.

= Vai a churrascos onde o traje básico das meninas é jeans, sandália de salto alto e bolsa da Louis Vuiton.

= Biquíni nem pensar...

= Conhece, no mínimo, 10 pessoas que nunca foram ao Rio de Janeiro e têm mais sotaque que o pessoal de lá.

= Sabe que pra ir à padaria você leva, pelo menos, 10 minutos pra se arrumar.

= Sabe que as 3 girias da cidade são: Véi, Tipo e Cara

Se você concordou com a metade desta lista, você realmente é de Brasília....


É... Quem disse que Brasília não possui sua identidade?

09 junho, 2006

Choque musical

No Bairro Gutierrez, aqui em BH, existe um posto de gasolina que funciona como ponto de encontro de jovens aficcionados por carros "sonorizados". A partir de 23h, começam a chegar os boys com seus carangos (a gíria é antiga, mas o "espírito" é o mesmo!). A música rola alta. O volume aumenta de acordo com o teor alcoólico e a emulação dos concorrentes. O dono do barzinho anexo deve gostar: tem movimento, vende cervejas e tira-gostos, atrai a atenção de mais gente e o sucesso é total.


Para os vizinhos, porém, é um tortura.


Constantemente a polícia é acionada, além do "Disque Barulho" - um número de telefone da Prefeitura, que recebe denúncias de
excesso de decibéis em horas impróprias. Tanto a polícia quanto os fiscais municipais se mostraram, até agora, incapazes de coibir o abuso: os cidadãos que precisam dormir não dormem. As reclamações continuam, sai notícia no jornal, mas nada muda. Nem a turma emudece. Alguns dos moradores pensam em mudar. (Ai, que trocadilho infame!).

Vou sujerir à edilidade que usem um método homeopático. Todos sabem o princípio da Homeopatia: similia similibus curantur (as coisas iguais são curadas por coisas iguais - tradução livre, claro, mas dá pra entender, não?).

A idéia não é minha. Em Sidney, na Austrália, a municipalidade adotou a fórmula de se utilizar "barulho contra barulho" - taí o recurso homeopático!

Eis a notícia da BBC:
Barry Manilow foi recrutado para lutar contra o comportamento anti-social dos jovens da cidade de Sydney, na Austrália, onde sua música vai ser tocada em alto-falantes de um carro para dispersar grupos ruidosos.

"Música cafona é uma das formas de fazer com que eles deixem a área, porque não suportam a música", disse um funcionário da prefeitura local ao jornal local Daily Telegraph.

Além de Manilow, Bing Crosby e músicas das décadas de 30 e 40 também vão ser usadas.

A prefeitura quer impedir que grupos de jovens se reúnam em estacionamentos para tocar música alta.

A música da prefeitura vai ser tocada alta o suficiente para dispersar os grupinhos, mas não para irritar a vizinhança, esclareceu.

"Vamos usar todo o tipo de música clássica e músicas que não têm apelo junto ao público jovem".

De minha parte, pago pra ver. Não me agrada muito a idéia de se utilizarem músicas clássicas como remédio amargo, algo para espantar os jovens. Para mim, essa guerra musical pode sedimentar, nos jovens, a idéia de que os clássicos e os românticos são, realmente, "coisa do demo, é melhor cair fora!". Quanto aos vizinhos, dormirão embalados por sinfonias?

E aqui no Brasil? Qual música utilizar? Xitãozinho & Chororó contra os rappers? Axé Music contra os roqueiros? MPB contra os pagodeiros? Ou tudo vice-versa?

08 junho, 2006

"Tá tudo sob controle" - Cláudio LEMBO - Enquanto isso, mais de 20 terremotos sacudiram a terra nas últimas horas.

Atualizado em 8 de Junho às 14h20

Sismogramas Globais Abalos relevantes | Lista Completa


  08/06 16:29  5.2   Guiana Francesa                           10 Km 
08/06 14:59 4.8 região das ilhas Fiji 555 Km
08/06 11:35 5.0 sul de Xinjiang (China) 10 Km
08/06 08:01 2.6 sul do Alaska 1 Km
08/06 07:05 2.7 Alaska Central 1 Km
08/06 07:00 2.6 centro da Califórnia 14 Km
08/06 06:54 2.5 centro da Califórnia 15 Km
08/06 06:17 4.7 Moçambique 9 Km
08/06 04:23 4.8 Simeulue, Indonésia 39 Km
08/06 02:35 2.6 península Kenai (Alaska) 15 Km
08/06 01:31 3.3 região de Porto Rico 25 Km
08/06 00:16 3.1 próximo às Ilhas Kodiak, Alaska 200 Km
08/06 00:16 3.1 Ilhas Kodiak, Alaska 200 Km
07/06 23:28 2.8 Baixa Califórnia (México) 22 Km
07/06 21:32 3.4 sul do Alaska 1 Km
07/06 19:45 2.8 próximo às Ilhas Kodiak, Alaska 5 Km
07/06 19:45 2.8 Ilhas Kodiak, Alaska 5 Km
07/06 19:42 2.8 sul do Alaska 140 Km
07/06 18:40 2.9 centro da Califórnia 8 Km
07/06 18:23 4.7 Mar de Celebes 568 Km
07/06 17:46 2.8 sul da Califórnia 10 Km
07/06 14:36 3.3 sul do Alaska 100 Km
07/06 14:34 2.5 sul do Alaska 15 Km
07/06 09:28 4.7 região de Tonga, Pacífico 15 Km
07/06 07:28 2.7 Alaska Central 100 Km
07/06 06:51 2.5 sul da Califórnia 4 Km
07/06 04:07 2.8 Alaska Central 100 Km
07/06 04:04 3.0 ao norte de Idaho, EUA 5 Km
07/06 02:26 5.0 fronteira entre o Brasil e o Peru 187 Km
07/06 02:15 2.8 região oeste de Montana, EUA 7 Km
07/06 02:01 3.3 nordeste da Califórnia 0 Km
06/06 23:09 2.6 sul do Alaska 160 Km
06/06 22:48 2.6 região das Ilhas Unimak, no Alaska 30 Km
06/06 22:02 2.6 península Kenai (Alaska) 15 Km
06/06 21:10 2.7 nordeste da Califórnia 3 Km
06/06 17:03 4.9 região da fronteira entre Irã e Iraque 44 Km
06/06 15:40 2.7 sul do Alaska 100 Km
06/06 06:05 4.6 próximo às Ilhas Galápagos 17 Km
06/06 04:59 3.0 sul do Alaska 50 Km
06/06 04:34 5.1 Guatemala 200 Km
06/06 03:33 3.9 Alaska Central 70 Km
06/06 01:13 3.6 península do Alaska 50 Km
06/06 00:03 3.8 Golfo do Alaska 35 Km

06 junho, 2006

Cadê a Bahia?

Fiz dois posts sobre minha estadia na Costa do Sauípe, neste final de semana. Referi-me às delícias daquele paraíso, construído para proporcionar lazer 24h por dia: piscinas, fitness center, gastronomia abundante e requintada, etc.

Mas agora é tempo de refletir:


O empreendimento é espetacular: são 5 hotéis de alta categoria e 5 pousadas também de alto nível, tudo num espaço geográfico abençoado por Deus e bonito por natureza: mangues, dunas, mata atlântica, fauna e flora exuberantes, riachos e rios límpidos, praias quase infinitas... Mas... cadê a Bahia?

- Uai, mas você não estava exatamente na Bahia?

Pois é, acontece que a Costa do Sauípe tem um padrão globalizado, que nos priva do contato mais próximo com a genuína cultura local. Poderia estar situado nas Bahamas, na Flórida, no Ceará, na Indonésia que seria a mesma coisa!


- Anh? mas lá não tem comida baiana, lojas de artigos baianos na Vila da Praia, shows de axé-music e camisetas bordadas com berimbau, peixes, tartarugas, deuses do Candomblé, figuras de capoeira e artesanato indígena?

Tem tudo isso. Até algumas serviçais, no restaurante - aquelas que servem à mesa, por exemplo - estão vestidas de roupas típicas. Porém é tudo pasteurizado, globalizado, talvez até mesmo banalizado.

Por outro lado, não sei até que ponto as áreas de preservação foram respeitadas. Quero acreditar que os estudos de impacto ambiental foram feitos e suas conclusões obedecidas.

- Então, você não gostou?

Gostei e muito! Vale a pena passar uns dias lá, não restam dúvidas. Acho que, do ponto de vista econômico, aquele conjunto hoteleiro acrescenta muito ganho aos centenas - talvez milhares - de empregos gerados: numerosíssimos empregados atendem aos hóspedes diuturnamente, seja como arrumadeiras, cozinheiros, professores de ginástica, comerciários, prestadores de serviços, todos ganham seu salário e aprendem muita coisa. O treinamento parece ser de primeira qualidade e tudo flui muito bem. Além disso, há os fornecedores para restaurantes, bares, lojas de roupas e artesanato, etc., etc. As divisas geradas pelo turismo são enormes: passagens aéreas, translados, investimentos em infra-estrutura, etc. Não nego isso e sei que é uma "indústria sem poluição", como dizem. Viva o turismo!

- Talvez o "produto interno bruto" da Costa do Sauípe seja maior do que da maioria dos municípios brasileiros.


Entretanto, um turista que se limite a gozar suas férias ali dentro não terá a menor noção do que seja a Bahia e, muito menos, do que é o brasileiro.
Isso me causou certo desconforto, digamos, espiritual e cívico.

Comparei com outras viagens que já fizemos, nas quais o contato com a população em seu habitat nos proporciona uma experiência quase antropológica. Um turista mais atento às peculiaridades
humanas dos habitantes poderá vivenciar a espontaneidade da população, ao invés de se deparar com sorrisos bem treinados ou a atenção estudada apenas com intuito de nos vender algo, como se tudo no mundo fosse pura mercadoria.


Pois a sensação de sermos meramente um consumidor privilegiado nos é passada num lugar tão bonito, tão deliciosamente desenhado para o máximo prazer. É quase impossível escapar do apelo do marketing.

Sei que há turistas que só pensam em gastar e comprar, voltam pra casa com as malas cheias de souvenires e outras bugigangas, sequer prestando atenção à realidade local. São capazes de ir a Nova York, a Paris, a Roma ou a Petrópolis apenas pensando em descobrir lojas e shoppings onde possam exercitar seu poder de compra. Estes, a meu ver, foram, isso sim, comprados pelo sistema: são consumidores consumidos pela apelo do consumo! Vão à Costa do Sauípe e não à Bahia.

A estes, gostaria de perguntar:

- Cadê a Bahia?

______ooo))))*(000ooo______


Prá não dize que não falei das flores, eis algumas fotos:

05 junho, 2006

Passeio pela blogosfera

  • 1. Um pouco de psicologia bem humorada, no Ontem e Hoje, do Soié.
  • 2. O dia dos namorados vem aí. Mas o amor... no Livros & Afins.
  • 3. E não é que as Mineras entem de Futebol? Mineiras, uai!
  • 4. Mais comentários, críticas, notícias, bastidores, estórias sobre a copa? Um bando de "cobras" dá um banho na imprensa convencional no Verbütsfussballbloge. (Tá em Português, só o título é esse amontoado de consoantes!)
  • 5. Já na contagem dos seus "anos 50", D. Afonso, o Chato menos chato que os não chatos, voltou.

04 junho, 2006

Sauípe, últimos minutos...

Daqui a pouquinho, deixaremos este paraíso que é o complexo turístico da Costa do Sauípe.

Foram quatro dias vividos intensamente. A bem da verdade, a curtição começou há um mês, quando nos decidimos vir.

Amélia e eu, ficaremos com as recordações da suíte à beira mar, coqueiros, jardins, piscinas e mais piscinas, praia, fitness, pâtisserie française, sol e vento. Ah! a cama... ninho de plumas, segundo o folder da Rede Sofitel, super king size.

Como bons gourmets, fizemos questão de conhecer a cozinha e a padaria, onde se preparam as delícias da culinária francesa e brasileira, a convite do grand chef Athaíde, vencedor de Concursos Internacionais de pâtisserie e esculturas doces... hmmmm, só lembrar dá água na boca!

Agora, dê licença, pois vamos nos despedir com mais um almoço...

Ah! quase nos esquecemos de dizer: o Simpósio Internacional de Neurociências foi ótimo, hahaha...

02 junho, 2006

Costa do Sauípe-Bahia

Eis que estamos aqui, Amélia e eu, curtindo céu azul, praia, natureza, cama boa e comida de chef francês, no Sofitel Costa de Sauípe. Bahia, sim senhor!
Deixar o frio lá nas Minas Gerais e aportar no maior complexo hoteleiro do litoral nordestino , talvez do Brasil, foi uma oportunidade que não podíamos perder.
Acontece, aqui, desde ontem, o Simpósio Internacional de Neurociências! Alguém conhece coisa melhor do que mesclar a vontade do saber com o desejo de prazer?
A gente chegou ontem ao meio-dia e já curtimos tanto, conhecemos a Villa Nova da Praia, degustamos do bom e do melhor, que parece estarmos longe de Beagá há semanas! Confesso que já assisti duas palestras hoje. Ninguém, entretanto, é de ferro: namoramos na praia, participamos da aula de forró à beira da piscina e, depois, uma passadinha no Fitness Center - nome besta pra academia de ginástica: afinal, temos de "queimar" as calorias e afastar a culpa por algum excesso, não é?
Até domingo estaremos por aqui, sem ver TV nem ler jornal. Iraque? Eleições? Copa do Mundo? Sanguessugas? Que o mundo nos espere na segunda-feira!
Até lá!
Algumas fotos estarão aqui, com certeza. Ciao!

30 maio, 2006

Querer ou Desejar?

Muita gente se expressa assim, quando algo não vai bem:"Queria tanto que tal acontecesse...". Nessas horas, cabe a pergunta: -"Queria mesmo?" Ou como aquele bordão antigo, num homorístico em que Jô Soares exclamava, irônico: -"Querias!".

Quantos de nós respondemos a um convite, com a indefectível fórmula: -"Gostaria muito de ir". Se usamos a esfarrapada desculpa do "ah! esquecí-me!, nosso interlocutor nos olha com ar de desprezo ou ironia, como se dissesse: -"Arranja outra desculpa, ô meu!

Parece que sabemos, mesmo sem teoria alguma, que há uma diferença enorme entre DESEJAR e QUERER.

O "querer" é algo consciente, dito abertamente ou não. Quero isso e não quero aquilo. O "desejar" mora em outro cenário, bem mais embaixo, lá no "porão" do inconsciente, e nem sempre é tão acessível. Pode até acontecer de a gente "querer" o que não se deseja e "desejar" algo que, conscientemente, negamos. Tratam-se de desejos inconfessáveis, socialmente incorretos, o dos quais nos envergonhamos. Ou desejos que conflitam com nossa formação, nossos valores. Às vezes tememos o que queremos. É como se torcêssemos - sem o saber - para algo dar errado: assim, alguém fracassa num concurso para não ter de mudar de cidade; outro "se esquece" de um telefonema importante para resolver certo problema... somos mesmos complicados.

Por outro lado, o desejo é poderoso, tanto assim que, sem mais nem menos, cometemos um "ato falho": um esquecimento, um gesto ou uma fala que nos trai, desnudando o que estava escondido (muitas vezes escondido até de nós mesmos).

Freud, o criador da Psicanálise, escreveu um livro sobre isso: Psicopatologia da Vida Cotidiana. Nessa obra, de linguagem elegante e acessível, ele ensina que o pensamento aparentemente mais sem sentido, o lapso mais casual, o sonho mais fantástico possuem um significado que pode servir para desvendar os segredos da mente. (Você não vai se arrepender de ler.)

O sofrimento de cada um se constitui, no fundo, no fundo, num conflito entre o "querer" e o "desejar", muitas vezes incompatíveis. A gente acaba aprendendo que vai ser necessário fazer algumas concessões, tanto de um lado quanto de outro, e que o fato de não se poder ter tudo não é o fim do mundo.

Aliás, o "desejo" nunca se realiza completamente, estando o "objeto desejado" escorregando sempre para um mais além, o que, graçasadeus, sustenta o próprio desejo.

Nós não somos donos dos nossos desejos, mas somos responsáveis por eles.

Como nem sempre se coadunam "desejo" e "querer" mais os "laços sociais" que se tramam ou se desfazem de acordo com a cultura, ficamos por aí, "peregrinando neste vale de lágrimas" que é a nossa vida, pontuada de momentos felizes e de vicissistudes.

Agora, tem uma coisa: quase sempre, para não dizer sempre, somos presenteados de acordo com nosso empenho.

Sem esforço, nada feito.

29 maio, 2006

Surfando no Houaiss

Às vezes eu acho que tenho "mania" de dicionário. Sempre gostei de fuçar as páginas do meu Aurélio, ano de 1957 - o primeiro Aurélio a gente nunca esquece! Já procurei até palavras "sujas" - na época, falar "bunda" já era falar nome feio, hehehe.

Quando leio, se me deparo com um vocábulo desconhecido, não sossego enquanto não encontrar o significado exato, mesmo que já o tenha deduzido pelo contexto.

Acho também muito divertido descobrir as diferenças entre o linguajar de Portugal e o nosso: Saramago, por exemplo, me provoca a buscar no dicionário aquelas palvras que só os "patrícios" utilizam.

Um dos papos que tenho com meu filho Léo, quando lhe dou carona pela manhã, gira em torno de palavras que surgem sei-lá-de-onde. De repente, pergunto-lhe:
- Léo, o que é mequetrefe?
- Sei lá, pai.
- Pois olhei ontem no Houais. Mequetrefe é indivíduo intrometido, dado a meter-se no que não é de sua conta; enxerido; indivíduo de caráter duvidoso; patife, mariola, biltre; indivíduo sem importância, inútil, insignificante; borra-botas, joão-ninguém.
- Nossa! conheço tanto mequetrefe, hahaha...

Descubro, outrossim, nomes impensáveis para coisas do dia-a-dia. Aqui em Minas é de um jeito, lá no Sul é de outro e, no Norte, mais diferente ainda.
- Por exemplo?
- Aqui, aquele cítrico que descascamos com a mão, com odor delicioso, é a mexerica. No Sul, um aluno meu, de Florianópolis, me disse que é bergamota. Outros chamam de tangerina. Será que são frutas diferentes ou são a mesma?

Outro dia, numa daquelas conversas com o Léo, perguntei-lhe:
- Léo, você que cursa Direito, pretende ser um leguleio?
- Ah! pai, não enche!
- Vamos, diga!
- Sei lá, fala logo o que é.
- Tá bom. Leguleio é aquele advogado que observa rigorosamente as formalidades legais, interpretando a lei sem atentar para o espírito que a norteia; profissional formalista; advogado que se vale de meios para confundir uma questão ou protelar o andamento das causas.
- Ih! pai, tá cheio de advogado assim! O pessoal adora protelar as coisas. Tem ação judicial que demora anos, tantos e infinitos recursos são utilizados.

Pois não é que, recentemente, o mesmo Léo, que já é estagiário em um escritório de Advocacia, chegou todo contente?
- Pai, utilizei aquela palavra numa "Apelação de Contra Razões a um Recurso Extraordinário", encaminhada ao STF!
- Qual palavra?
- Aquela: leguleio!

É, pelo visto, a peste tá contaminando o garoto, hehehe...

28 maio, 2006

Sobremesa improvisadíssima de domingo

Pudim engana visita

Inredientes:

Para o pudim

3 copos de leite
5 ovos inteiros
9 biscoitos tipo maria
3 colheres de açúcar
Para a calda
1 xícara de açúcar
Meio copo de água

Como fazer:

Bater no liqüidificador o leite, os ovos, os biscoitos e o açúcar. Fazer, na própria fôrma de pudim, uma calda mais grossa, espalhando-a bem na vasilha – a calda deve ocupar três dedos da fôrma. Despejar a massa na fôrma e assar o pudim em banho-maria, em forno pré-aquecido (180 graus), durante 40 minutos. Desenformar e deixar esfriar. Pode ser levado à geladeira antes de servir.
Fica igualzim pudim-de-leite-condensado!!!

[Receita fornecida por Norma Barreto da Silva,
de Medina-MG]

Mais receitas típicas de nossas Minas Gerais, selecionadas por região, você tem no imperdível site: Sabores de Minas.

25 maio, 2006

"Caracu com ovo" é delicioso???

O primeiro aparelho de televisão que meu pai comprou foi em 1963!

Lá na pequena Nova Era - banhada pelo Rio Piracicaba, no Vale do Aço - a "modernidade chegou um pouco antes. Pouquíssimas famílias tinham TV e nós, crianças, ficávamos doidos para assistir algum programa e, na maior cara-de-pau, pedíamos aos vizinhos que nos deixassem vem desenhos e até filmes. Hoje, imagino o quanto éramos inoportunos em nossa curiosidade infantil. Tanto assim que os pais nos repreendiam e tentavam controlar nossa falta de senso crítico.

Os próprios adultos, porém, não resistiam e, quando iam buscar os filhos nas casas dos vizinhos, ficavam para assistir ao Repórter Esso, o telejornal emitido pela TV Tupi e retransmitido, em Minas, pela TV Itacolomi.
O Repórter Esso tinha credibilidade total. Seu locutor era o Gontijo Teodoro, que dava "Boa Noite" ao Brasil pontualmente às 20h. Nunca me esqueci do jingle que marcou a propapaganda brasileira:
"Só Esso dá a seu carro o máximo
Só Esso dá a seu carro o máximo
Só Esso dá a seu carro o máximo
Veja o que Esso faz!"
Letra simples, direta, eficaz e uma musiquinha que agarrava nos ouvidos. Como esquecer? Eu até sonhava em ter um carro só para colocar gasolina Esso nele...

Mas foi uma propaganda que eu adorava que me levou a desacreditar das "verdades" do marketing. Era o jingle da Caracu, repetido em todos os intervalos, que eu decorei:
"Vou te ensinar
Um receita
Muito gostosa
E fácil de fazer:
Arranje um ovo
E uma Caracu
E bata no liquidificador
Chá-chá-chá
Caracu com ovo
é delicioso
Caracu com ovo
É delicioso..."

Menino, eu nem tomava cerveja. Mas o desenho animado da propaganda e aquela musiquinha me convenceram. Um dia, insisti com meu pai para fazer a tal receita. Ele argumentou que deveria ser muito ruim, não era coisa para criança, amargava, etc. Mas tanto insisti, ajudado por meus irmãos, que Soié finalmente cedeu. Corri ao bar da esquina, comprei a garrafinha daquela cerveja preta e cheguei ofegante em casa. Meu pai, minha mãe e meus irmãos em torno da mesa, o ovo já esperando! "Ovo cru", eu lembrei. O líquido foi derramado dentro do copo do liquidificador, ajuntamos o ovo e... chá-chá-chá! Cada um com seu canequinho, loucos para provar daquilo que a tv nos convencera de que seria de-li-ci-o-so!
Ninguém conseguiu engolir aquele troço espumante amargo, ruim, gosmento.

Meu pai caiu na gargalhada:
- Não falei? Eu bem disse que não era bom.
Ainda tentei argumentar:
- Mas na televisão fala que é delicioso!
E ele:
- E vocês acreditam em tudo que passa na tv?

Aprendi. E isso me serve de lição até hoje...