21 novembro, 2005


O Show da Banda Chapéu Panamá, sábado, esteve ótimo!

Um arraso total! Gente saindo pelo ladrão do Black Diamond: juventude bonita, sambando ao som do verdadeiro samba de raiz. E os papais aqui, babando, babando... Amélia e eu orgulhosos do filhotes Ângelo e Leonardo. Ana Letícia tietando os manos.
Olhaí as fotos:

18 novembro, 2005

B o b a g e m ?

Dr. Márcio Candiani, psiquiatra, enviou-me um Projeto para Nova Ortografia Brasileira, a seguir.
Trata-se, é claro, de mais uma brincadeira dessas que rolam na Internet, geralmente como spam. Desconheço a autoria, e repasso como chegou:
"Este é um programa de cinco anos para resolver o problema da falta de autoconfiança do brasileiro na sua capacidade gramatical e ortográfica, ou seja, dos analfabetos funcionais.
Em lugar de melhorar a qualidade do ensino nos moldes praticados antes da década de 70, vamos facilitar as coisas, afinal, a língua portuguesa é difícil demais mesmo.
Para não assustar os poucos que sabem escrever, nem deixar mais confusos os que ainda tentam acertar, o programa será gradual.
No primeiro ano:
1. o "Ç" vai substituir o "S" e o "C" sibilantes, e o "Z" o "S" suave.
Peçoas que açeçam a internet com freqüênçia vão adorar, prinçipalmente os adoleçentes.
2. O "C" duro e o "QU" em que o "U" não é pronunçiado çerão trokados pelo "K", já ke o çom é ekivalente. Iço deve akabar kom a konfuzão, e os teklados de komputador terão uma tekla a menos. Olha çó ke koiza prátika e ekonômika.
No segundo ano:
1. Haverá um aumento do entuziasmo por parte do públiko no çegundo ano, kuando o problemátiko "H" mudo e todos os acentos, inkluzive o til, seraum eliminados. O "CH" çera çimplifikado para "X" e o "LH" pra "LI" ke da no mesmo e e mais façil. Iço fara kom ke palavras como "onra" fikem 20% mais kurtas e akabara kom o problema de çaber komo ce eskreve xuxu, xa e xatiçe.
2. Da mesma forma, o "G" ço çera uzado kuando o çom for komo em "gordo", e çem o "U" porke naum çera preçizo, ja ke kuando o çom for igual ao de "G" em "tigela", uza-çe o "J" pra façilitar ainda mais a vida da jente.
No terçeiro ano:
1. a açeitaçaum publika da nova ortografia devera atinjir o estajio em ke mudanças mais komplikadas serão poçiveis. O governo vai enkorajar a remoçaum de letras dobradas que alem de desneçeçarias çempre foraum um problema terivel para as peçoas, que akabam fikando kom teror de soletrar.
2. Além diço, todos konkordaum ke os çinais de pontuaçaum komo vírgulas dois pontos aspas e traveçaum tambem çaum difíçeis de uzar e preçizam kair e olia falando çerio já vaum tarde.
No kuarto ano:
1. Todas as peçoas já çeraum reçeptivas a koizas komo a eliminaçaum do plural nos adjetivo e nos substantivo e a unificaçaum do U nas palavra toda ke termina kom L como fuziu xakau ou kriminau já ke afinau a jente fala tudo iguau e açim fika mais faciu.
2. Os karioka talvez naum gostem de akabar com os plurau porke eles gosta de eskrever xxx nos finau das palavra mas vaum akabar entendendo.
Os paulista vaum adorar.
Os goiano vaum kerer aproveitar pra akabar com o D nos jerundio mas ai tambem ja e eskuliambaçaum.
No kinto ano:
1. Akaba a ipokrizia de çe kolokar R no finau dakelas palavra no infinitivo ja ke ningem fala mesmo e tambem U ou I no meio das palavra ke ningem pronunçia komo por exemplo roba toca e enjenhero e de uzar O ou E em palavra ke todo mundo pronunçia como U ou I, i ai im vez di çi iskreve pur ezemplu kem ker falar kom ele vamu iskreve kem ke fala kum eli ki e muito milio çertu ?
2. Os çinau di interogaçaum i di isklamaçaum kontinuam pra jente çabe kuandu algem ta fazendu uma pergunta ou ta isclamandu ou gritandu kom a jenti e o pontu pra jenti sabe kuandu a fraze akabo.
Conclusão:
Naum vai te mais problema ningem vai te mais eça barera pra çua açençaum çoçiau e çegurança pçikolojika todu mundu vai iskreve sempri çertu i çi intende muitu melio i di forma mais façiu e finaumenti todu mundu no Braziu vai çabe iskreve direitu ate us jornalista us publiçitario us blogeru us adivogado us iskrito i ate us pulitiko i u prezidenti Lulla.
Olia ço ki maravilia."
Prefiro escrever como aprendi, pois a tal de "nova ortografia" me pareceu exdrúxula demais. Aliás, só por ser exdrúxula, já é demais...
......ooooooOOOOOO)))*(((OOOOOOoooooo......
Suas Excelências os Senhores Deputados e Suas Senhorias os Senhores Depoentes nas CPIs, já começaram a adotar a nova Ortografia, ou seria a Nova Ortofonia?
- Comem os "s" dos plurais das palavras, principalmente dos adjetivos.
- Jamais fazem concordar o sujeito plural com os verbos.
- Usam frases feitas para negar e para afirmar: "Absolutamente não!", "Com certeza absoluta", "Estou absolutamente convicto de que a acusação é mentirosa!", e por aí vai.
O gerúndio já entrou (êpa!) pelos fundos da linguagem, via scritpts de telemarketing traduzidos diretamente do inglês: "Vou estar apresentando um produto", "Vou estar ligando novamente amanhã"...
A expressão "de que" se transformou num vício de linguagem insuportável:
"Eu penso de que o assunto é importante."
"Acredito de que o criminoso será pego."
... e por aí vai!

16 novembro, 2005

Guia prático para resolver TODOS os problemas

O diagrama para resolver problemas, abaixo, eu achei no excelente TheChatterBox da Fer Guimarães Rosa, que o encontrou aqui.

Provavelmente, este é o catecismo pelo qual rezam todos os depoentes nas CPIs.
Os salafrários cometem suas estripulias e escondem. Até que alguém os denuncia e vão parar nas páginas marrons da Veja ou da Isto É. Negam peremptoriamente:
- "Tenho absoluta convicção de que isso não é verdade!".
Mas as provas aparecem:
- "Não fui eu, foi o Marcos Valério".
Este, por sua vez, recomeça a ciranda de mentiras:
- "Tudo foi empréstimo para o PT.".
Os políticos emendam:
- "Usei caixa dois, mas quem não usou?".

Afinal, quem é palhaço e otário?
Eu?
Você?
Nós?

15 novembro, 2005

A arte da convivência

Para que você entenda o comportamento dele e não o transforme em um neurótico é importante que, antes de puni-lo, conheça algumas atitudes que fazem parte do seu instinto.

Uma delas é a forma como ele se comunica com os outros, o que acontece através do cheiro e das mudanças das expressões facial e corporal.

Num primeiro contato, é comum que ele cheire o bumbum do outro. É esse cheirinho que os identifica e determina se o relacionamento será amigável. Geralmente, isso ocorre entre aqueles que ainda não chegaram na puberdade.

Se por alguma razão o cheiro não agradar, um tenta ameaçar o outro. E se um dos dois se sentir dominado, abaixa a cabeça ou vira de costas e expõe a genitália.

Isso demonstra que não se quer brigar. Quando um concorda com a rendição do outro, o relacionamento pode ser amigável.

Fique ligado nessas reações. A sua interferência, nesse momento, não é aconselhável e pode precipitar uma briga.
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Neste site você tem boas dicas para o bom relacionamento. Por que será que os humanos não aprendem com os cães?
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Ontem, 14nov, foi o Dia Internacional do Diabetes.
Lucia Malla, do outro lado do mundo, tem um post excelente sobre o tema, além de dar links preciosos.

Diabéticos passam juntos o fim de semana para trocar experiências. É permitido até comer chocolates, sob o olhar cuidadoso dos médicos

Leia mais.
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13 novembro, 2005

C y b e r a d d i c t i o n

D. Afonso XX, da estirpe Alencastre, auto-cognominado O Chato, postou hoje sobre o aparecimento de uma nova espécie de drogadição, a dos Cyberviciados. Além de citar um palestrante, o ilustre professor Afonso forneceu o link da Dra. Maressa Orzack, onde ela descreve os principais sintomas de quem não consegue se afastar do computador.

No meu consultório, tenho recebido pessoas que passam horas diante do micro em suas horas de lazer, quando estão em casa. Existem aqueles cuja fissura é tão irresistível a ponto de deixarem de lado o convívio familiar ou social. Alguns se dedicam aos games, outros aos chats (MSN), ao surf ininterrupto pela web, etc.
Um de meus clientes perdia aulas na faculdade e deixava de ir a festas com amigos para entreter-se no Orkut. Apavorado com a possibilidade de perder o semestre pelo número de faltas, resolveu:

- Doutor, estou muito feliz, decidi me suicidar.
- Como assim? Que aconteceu?
- Vai ser hoje à noite, já avisei aos meus 364 amigos...

- ???

- É, vou fechar minha conta no Orkut, doutor. Vou fazer meu orkuticídio.

- Ah!, bom!
- Estou tão feliz... não foi uma decisão fácil, mas perdia tempo demais.
- Pois que seja feliz, meu caro.
- Será que resisto?


Ano passado, a FolhaOnLine publicou um mini-teste para você saber se é um cyberaddicted, um viciado em internet:

Teste: Veja se você é viciado em internet

  1. Apresentar tolerância (necessidade de aumentar cada vez mais o tempo de uso da internet para obter a mesma satisfação)
  2. Apresentar abstinência (após diminuir ou cessar o uso, sentir efeitos como ansiedade, tremores, agitação, movimentos voluntários ou involuntários dos dedos, pensamento obsessivo sobre o que está acontecendo na internet, fantasias ou sonhos sobre a internet)
  3. Usar a internet para aliviar ou evitar os sintomas da abstinência
  4. Usar a internet mais freqüentemente ou por mais tempo do que havia planejado
  5. Gastar tempo significante com atividades relacionadas à internet (ler livros on-line, descobrir novas páginas, fazer compras, reservar ingressos de cinema --o mundo parece só funcionar por meio da internet)
  6. Desistir ou reduzir atividades recreativas, sociais ou profissionais por causa da internet
  7. Correr o risco de perder relações significantes, trabalho ou oportunidades na carreira e aulas por causa do uso excessivo da internet

* Teste desenvolvido pela Associação Psiquiátrica Americana

Para ser considerado um dependente de internet é preciso apresentar três ou mais desses critérios por pelo menos um ano

Pesquisas mais recentes apontam novos sintomas: cansaço ou irritabilidade, utilizar a internet como forma de escapar de problemas, mentir para familiares e amigos sobre o grau de envolvimento com a internet.

O tratamento consiste em algumas medidas comportamentais:
1. reconhecimento da pessoa de que é um cyberviciado;
2. afastamento dos ambientes desencadeadores da compulsão;
3. redução progressiva do tempo de exposição ao computador;
4. apoio familiar;
5. busca de atividades gratificantes fora do ambiente habitual;
6. perseverança.

Em casos mais difíceis:
1. Psicoterapia
2. Uso de medicamentos para ansiedade e/ou depressão.

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PS1: agradeço a D. Afonso pela dica. Seu blog é visita obrigatória!

PS2: antes que o vício me pegue, vou já sair e dar uma caminhada. O dia está nublado, mas sem chuva.

11 novembro, 2005

É melhor ser alegre do que triste

Há algum tempo, na "febre" de gafieiras aqui em Belô, Amélia e várias amigas se interessaram por aulas de "dança de salão".
À primeira aula não fui, pois burramente pensava:
- Eu? eu sou duro, não sei dançar....

Não saber dançar era exatamente o motivo que eu teria, não?

Fui, pois, assistir à segunda aula, no salão do
Barroca Tênis Clube, bem em frente ao apartamento onde morávamos. Contagiaram-me a animação do grupo e o som balançante dos boleros tradicionais, executados pelas orquestras gravadas ainda nos discos de vinil e remasterados nos CDs: "Billy Vaughn", "Ivalnildo, Sax de Ouro", "Xavier Cugat", "Glenn Miller", "Românticos de Cuba", "Ray Conniff", "Orquestra Tabajara" entre outros. Era muita breguice... mas era delicioso! Aderi imediatamente e aquela atividade se tornou lazer semanal, compromisso inadiável e insubstituível.

Aos amigos que se espantavam e, não sem ironia, interrogavam-me a respeito de minha animação, respondia:
- Marido de mulher-que-dança, se não dança, dança!

Com efeito, Amélia era e ainda é dançarina de primeira categoria, disputada pelos professores e pelos colegas do grupo.
Nos finais de semana íamos a algum lugar que tivesse baile e nos esbaldávamos! De minha parte, com as professoras e, principalmente, com Amélia, meu par constante, fui me aperfeiçoando. Modéstia à parte,
cheguei a ser considerado um pé-de-valsa (hehehe).

Dois pra lá, dois pra cá era o
passo básico: aprendi a rodopiar, a jogar a dama para cima, fazer volteios e muitos outros.

No meu aniversário, organizamos a festa com o nome de Brega's Night Club, na qual os colegas do curso, juntamente com os professores, demos um show: Amélia foi a "dançarina" da noite, um sucesso que muito me orgulhou. Alegria, animação, música e dança... dançar é, realmente, uma terapia.

Belo Horizonte, na época, abrigava duas "gafieiras" tradicionais: o Elite e o Estrela. Frequentávamos ambas.

Amigos de outros estados e até estrangeiros, que por aqui passaram, conduzi ao Estrela, principalmente, para assistirem aos shows dos dançarinos "da casa".
Certa vez, o reitor da Univesidade de Barcelona (Espanha) e o diretor da sua Faculdade de Psicologia, que ciceroneei por aqui, ficaram de queixo caído. Vibraram!

Outra vez, ao retornar de um Congresso de Psicodrama em Juiz de Fora, encontro em meu apartamento o casal amigo
(o Fernando e a Walkíria), recém chegados de João Pessoa-PB para passar uns dias conosco. Amélia, ao me abraçar, disse-me:
- Nossa, como você emagreceu nestes 5 dias!
De pronto respondi:
- Também pudera, dancei todas as noites!
- Com quem você dançou?, perguntou o Fernando, se Amélia ficou aqui?
- Com as colegas do congresso... umas dezessete!

O casal ficou assustadíssimo e perguntou à minha mulher se não tinha ciúmes. Logo expliquei:
- Quem dança com dezessete não fica com nenhuma!

Dançar é um ato de prazer compartilhado: enlaçados e imersos na música de rítmos bem marcados (samba, bolero, fox-trot, twist, cha-cha-cha...) temos momentos de felicidade, alegria, bom humor, relaxamento. Alguém definiu a dança como o pretexto para um longo amplexo!

É isso aí, "é melhor ser alegre do que triste", nos ensinou Vinícius de Moraes no Samba da Bênção!
E dança é alegria, principalmente quando estou bailando com você, Amélia.

10 novembro, 2005

Três conselhos, dois adendos e uma ordem


1. Nunca tome atalhos: Atalhos escondem perigos e armadilhas que podem ser mortais.
2. Nunca tenha curiosidade sobre o mal: Suas descobertas podem ser fatais.

3. Nunca tome decisões sob forte emoção: Suas decisões podem acarretar consequências terríveis.


Adendos:
1. Desconfie dos conselhos e dos conselheiros: Conselhos são fáceis de dar, difíceis de praticar e a responsabilidade por seus efeitos são de quem os segue, não de quem os dá.
2. Confie em Deus. Mas tranque o carro.

Ordem: Seja livre! Faça o que quiser com os ítens anteriores.

09 novembro, 2005

À mesa com os chefs europeus

Em novembro de 2001, Amélia e meus filhos me presenterarm com uma obra de arte: "À mesa com os chefs europeus -Peixe e Marisco", da coleção Eurodelices, editora Könemann. Serve-me sempre como inspiração e orientação. Mesmo que não faça uma receita exatamente como sugerida, as dicas são preciosas na confeção de um prato.

Neste domingo, dia de preguiça e de gastronomia, nem bem acabáramos de levantar, telefona-nos a filhota Ana Letícia:
- O Daniel (namorado) e eu queremos almoçar aí hoje... o que tem para o almoço?

Explicamos que já era quase meio-dia.
- Não tem problema, também nos levantamos agora.
- Pois venham, lá pelas 16h.
Amélia me pergunta:

- O que faremos?
- Não tenho a melhor idéia...

Foi aí que ela se lembrou dos filés de atum que aguardavam ocasião especial. Os chefes europeus nos socorreram: filé de atum com vinagre balsâmico, acompanhado de vagens, azeitonas pretas e tomates em gomos.


Entusiasta d
o jovem inglês Jamie Oliver, cujos truques culinários faz sucesso no GNT, Leo - o caçula - ajudou-nos a grelhar os medalhões de atum.

A iguaria foi servida sobre uma cama de batatas.
Agregamos um ramo de alecrim, cultivado na floreira de nosso apartamento.

Acompanhou-nos um encorpado Trivento 2003; demi-sec, argentino, blend de shiraz com malbec, 13,5°.
Daniel e Ana adoraram. Amélia se deliciou. Sou suspeito pra falar, mas reconheço que acertamos!

Já está virando tradição essa mania de fazer um prato mais elaborado aos domingos. Quase todos participam e a refeição tem-se tornado um verdadeiro ágape.

08 novembro, 2005

D E U S


"Deus é uma relação de amor. Deus é o amante do homem.
Não é uma idéia. É uma presença.
Deus é uma experiência, é a existência tout court.
Deus é, e sendo, é o amor.
Nada exprime melhor Deus como o concebo do que o amor. Deus é um amor dançarino. Deus é dança. Há uma correlação profunda entre a trindade e a dança. Nada expressa melhor a trindade no seu misterioso dinamismo do que a dança. A vida divina é a dança sobre o abismo.

Deus é um turbilhão de amor.
Foi Léon Bloy quem concebeu a eternidade como dinamismo, ação turbilhonante, movimento de amor. Eu digo: a dulcíssima paz de Deus. O encontro com Deus é um encontro do amor. Pois o homem é, sim, um ser que carece de salvação.

E Deus me salva, a cada minuto.

Deus é o limite.
Quando eu chego ao limite, eu digo: -Deus!
Vejo o tempo, o fluxo do tempo, e me interrogo: para onde vai o tempo?
O tempo vai para Deus.
Deus é o estuário do tempo.
Deus é o mar desse rio do tempo.
Deus é o mar.
Sempre em movimento. Sempre dançarino.
Sempre dançando o seu infinito balé, balezinho tão humilde,
tão leve, tão invisível, tão de cada minuto,
balé de Deus, na água.
A vida está na água.

O mundo é um ato de amor fecundante,
um logos spermatikós, um ato de pura beleza.
A beleza salvará o mundo.
A música salvará o mundo.

O mundo é um poema”.

[Texto de Antônio Carlos Villaça (1928-2005): ex-bispo de Guaxupé-MG; memorialista; escritor; crítico literário; pensador católico (às vezes, ateu); um solitário cheio de amigos.]

Assim o definiu Gabriel Perissé: Um dos homens mais cultos do país, devorador de livros, Villaça queria ser livre, inteiramente livre, para escrever. Ser apenas o que era, escritor, leitor, ir e vir sem maiores vinculações com o mundo, ser à parte, interessado, solitário, paradoxalmente próximo e distante das pessoas. Viveu o drama universal do artista. Deu-se por inteiro à literatura, como uma vocação absoluta.

05 novembro, 2005

Cio da Terra


safra 2006 2, originally uploaded by clcosta.

Hoje fui vistoriar as vinhas da Serra do Caraça. As uvas estão "que é uma beleza"... A vidima será em janeiro de 2006. Que Baco nos proteja!

Acompanhar a evolução das vinhas, desde a preparação do terreno até ao estado em que estão hoje, é uma aventura: será que vai dar certo? as uvas ficarão boas? quanto tempo?


É preciso:
"Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão" (Milton Nascimento/Cio da Terra)

Pois a safra a ser colhida no início de 2006 já é quase realidade. Será a segunda e esperamos, novamente, fornecer as uvas para os padres do antigo Colégio do Caraça, onde os cachos esmagados adormecerão nos imensos tonéis e despertarão em vinho rubro (fotos aqui).

04 novembro, 2005

Sexo em números

7.103 pessoas (54,6% homens e 45,4% mulheres) responderam a 87 perguntas de um questionário elaborado pela Dra. Carmita Abdo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital da Clínicas de São Paulo, aplicado em todas as regiões do Brasil, preponderantemente no Sudeste.

O tema?
Comportamento sexual dos brasileiros de todas as regiões do Brasil.
O resultado do trabalho da Carmita é tão científico quanto curioso e está disponível no livro "Descobrimento Sexual do Brasil", publicado pela Summus Editorial. Recebi um exemplar durante o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria.
Compõe-se de inúmeras tabelas, permeadas por textos explicativos, o que não significa tortura para o leitor, pois os ítens podem ser pesquisados a bel prazer e fornecem subsídios para reflexão, para retificar alguns mitos do senso comum e, principalmente, para nos surpreender.
Alguns exemplos:
  • A maioria das mulheres classifica como "bom" o seu desempenho sexual. Um número menor declara que o desempenho é "excelente". "Regular" e "ruim" perdem nas estatísticas. Os homens acompanham esta avaliação, embora a faixa etária mais avançada seja menos satisfeita consigo mesma. Parece que as coisas não vão tão mal...
  • Descobriu-se que 2,3% dos homens e 2,2% das mulheres confessaram já ter pensado (pelo menos uma vez na vida) em mudar de sexo.
  • O cansaço é o que mais interfere negativamente no desempenho sexual de mulheres heterossexuais (58,6%). Os homens (50,8%) também apontam o cansaço como fator negativo para a qualidade de sua vida sexual.
  • Homens e mulheres adolescentes têm muitas dúvidas e ansiedades por ocasião das primeiras experiências sexuais. Para os rapazes, questões como o tamanho do pênis, a capacidade de ereção, o momento da ejaculação, medo da gravidez, medo de doença sexualmente transmissível (AIDS), fantasias acerca do que a parceira vai dizer para os outros. As moças, igualmente, sofrem a respeito da própria performance (será que ele vai gostar?), têm medo de ficar tensas demais, têm dúvidas de como o rapaz vai encarar a sua virgindade, temem as doenças e a gravidez. Ou seja, de maneira geral, a primeira transa não é a melhor.
  • O uso de preservativos em todas as relações sexuais é praticado por menos de 30% das mulheres e pouco mais que isso pelos homens.
  • Quanto ao sexo extra-c0njugal ou extra-relacionamento afetivo, o Estado em que há menos casos de "traição" é o Paraná: mulheres (19,3%) e homens(42,8%). Paranaenses são os mais fiéis...
  • Os Estados onde há maior prática de "sexo estra" são o Rio de Janeiro - mulheres(34,8%) e Bahia - homens(64,0%). As mineiras surpreenderam com índices maiores de infidelidade que as paulistas, baianas, pernambucanas, cearenses e goianas, entre outras.
  • Existe grande discrepância quanto à quantidade desejada de relações sexuais e a quantidade efetiva realizada por semana. Os jovens gostariam de ter entre 6 e 8 relações por semana, enquanto têm, na verdade, até 3. Essa proporção é a mesma nas pessoas mais velhas: "a média realizada é a metade em qualquer fase da vida", demonstra as estatísticas. Sonha-se mais do que se faz!

Universo pesquisado: 38,9% casados; 11,2% amasiados; 37,5% solteiros; 10% divorciados; 2,4% viúvos. Todos eram alfabetizados, condição indispensável para responder às 87 perguntas.

Dra. Carmita Abdo reconhece que as estatísticas são apenas números, cabendo-lhes múltiplas leituras. No incício do livro, cita frase do escritor norte-americano, Mark Twain: "There are three kinds of lies: lies, concealed lies and statistics" = "Há três espécies de mentira: mentiras, mentiras disfarçadas e estatísticas".

Os dados vão se sucedendo, números e mais números, cujo significado jamais será unívoco. O conteúdo do livro não é específico para os profissionais da área; "ao contrário, pode ser entendido por qualquer pessoa que se interesse pelo assunto".

É lógico que a "radiografia" obtida pela pesquisadora jamais dará conta dos sentimentos mais profundos da pessoa. A dimensão "psicológica" - emocional - é atributo pessoal e deve ser perscrutado na singularidade de cada um.

Não se trata, pois, de um estudo sobre o Amor, sobre a afetividade, muito menos acerca dos mecanismos inconscientes que determinam e colorem as experiências afetivo-sexuais. Lembre-se Sigmund Freud que deu à palavra Éros (erotismo) uma dimensão muito maior do que a pura sexualidade: cumplicidade, amizade, prazer de viver, impulso à vida, intimidade, respeito mútuo, carinho...

Cada um de nós, afinal, sabe muito bem que a questão principal repousa sobre o verdadeiro objeto de desejo e sobre como obter a felicidade.

Eis a tarefa de nossa vida.

02 novembro, 2005

Ah!


Pão-de-queijo, originally uploaded by clcosta.
O "dia dos finados" amanheceu chuvoso na capital das Minas Gerais...
Quarta-feira de folga, feriado bem no meio da semana, deveria mesmo ser de lei. Nada como uma pausa entre dois dias de muito trabalho... sei que é comodismo, o país perde receita e eu também (afinal, é um dia sem clientes). Mas que é bom, lá isso é.
Inda mais quando, ao levantar-me para o café-da-manhã, chego à copa e sinto aquele cheirinho de café recém coado (estamos usando o Fino Grão "forte", uma delícia!) e o odor indescritível - que só mineiro do interior conhece: pão-de-queijo saindo do forno!
Carinho da Amélia, "comemorando" que hoje amanhecemos toda a família em casa, diferente dos dias-de-semana comuns, quando cada um vai saindo de acordo com suas atividades, às vezes nem nos encontramos. Que venham outras quartas-feiras assim.

01 novembro, 2005

Gentileza urbana

Édson Maia Campos é vigilante em uma empresa, aqui em Belo Horizonte. Numa noite dessas, enquanto fazia a ronda, surpreendeu um larápio(*) dentro do estabelecimento. Deu logo o grito:
- Alto lá! Esteja preso!
O marginal partiu pra cima dele.
- Pare ou atiro!
O ladrão avançava. Sem alternativa, o vigilante, que portava legalmente uma arma, deu um tiro para cima, como que dizendo:
- Não estou brincando, pare ou atiro!
Só então o ladrão foi imobilizado.
O delegado de plantão ouviu as partes e constatou que se tratava de um bandido respeitável, de extenso Curriculum Criminis. Gente fina, merecedor de toda delicadeza.
Baseado na Lei, mandou prender... o vigilante!
- Eu, Doutor?, protestou o funcionário, por que eu?
- O senhor colocou em risco a vida dos cidadãos! Sua bala poderia ter acertado algum inocente!
Quanto ao larápio, após ser lavrado um ato de suposta tentativa de arrombamento, foi jantar e dormir em casa. Afinal, estava cansado e estressado.
O vigilante amargou quatro dias de cana e está sendo processado por tentativa de assassinato.
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(*) Larápio: havia em Roma um pretor de nome Lucius Antonius Rufus Appius que se assinava L. A. R. Appius e passava sentenças favoráveis a quem melhor por elas pagasse, com o que larápio se tornou designativo de qualquer pessoa que agisse de modo desonesto.

31 outubro, 2005

Aniversário à Minas Gerais

Dirigir pela BR 262, no sentido Belo Horizonte-Gov.Valadares é uma temeridade! A rodovia deixa BH em direção leste e logo serpenteia por entre as escarpas da Serra do Espinhaço: à direita, ficam os maciços da Serra da Piedade e da Serra do Caraça, na direção de Ouro Preto. No topo da primeira, estão uma ermida em homenagem à Nossa Senhora da Piedade e e o Observatório Astronônico da UFMG; à esquerda, a cordilheira segue em direção à Serra do Cipó e busca a Chapada Diamantina, lá na Bahia.

O trânsito é infernal: toda a produção do Vale do Aço (Acesita, Belgo Mineira, Usiminas) escoa por essa rodovia que, agora, passa por um melhoramento. Máquinas na pista, empregados, falta de sinalização, etc. Após longa estiagem, chegou a temporada das chuvas. A neblina cobriu boa parte do trajeto, entre a entrada para Caeté e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Nova Era, nosso destino, fica às margens do Rio Piracicaba, pouco antes que desemboque no Rio Doce, em direção ao Oceano Atlântico. Minas é a encruzilhada do Brasil: a leste, Vitória-ES; ao sul: São Paulo e Rio. Ao norte: Brasília e interior da Bahia. A oeste, Goiás e Mato Grosso. Êta mundão, sô!

A paisagem de montanhas é belíssima: ainda há registros de mata atlântica, embora predomine a vegetação de transição para o cerrado. O Rio das Velhas, a poucos quilômetros de Belo Horizonte, nos lembra que Sabará fica logo ali e que, se nos deixarmos levar por suas águas, chegaremos ao Rio São Francisco, deixando pra trás Santa Luzia e Jaboticatubas.

É muita história a impregnar essas terras das Gerais, caminhos dos Inconfidentes e dos tropeiros, igrejas e capelas dos tempos coloniais, altares e santos barrocos cobertos de ouro.

É a
Estrada Real, com duas vias que partem da cidade do Rio de Janeiro e de Parati, para encontrarem em Ouro Preto. Daí, seguem por estas regiões que agora atravessamos e conduz a Diamantina, de onde desciam toneladas de diamantes, ouro, pedrarias. Hoje, as montanhas de Minas vão sendo carcomidas pelas mineradoras (MBR, Vale do Rio Doce, etc.) que exportam o minério de ferro que abastece o mundo. Ainda por aqui estão as internacionais Anglo Gold e outras, cujas galerias subterrâneas, algumas a 1200m de profundidade, produzem ouro como nunca se viu (e nunca veremos!).

Viajar pela 262, além dos sustos do tráfego pesado, nos proporciona recordar fatos históricos, os Ciclos do Ouro e do Minério, as devoções, o Barroco, etc.

Todos os obstáculos dessa viagem de ontem foram enfrentados com prazer, pois o objetivo era comemorarmos o aniversário do meu pai, Soié.

Chegamos ainda cedo em Nova Era, a tempo de tomar um lanche preparado pela minha mãe: empadinha e refrigerante para a meninada (os netos) e cafezinho com biscoito de polvilho, torradinho, torradinho... Nada muito substancioso, pois logo logo teríamos o almoço.

Dessa vez, a família se reunião no restaurante do Garden Hotel, cujo cardápio foi bem mineiro: saladas, tutu-de-feijão, arroz com milho verde, salpicão e lombo recheado. As sobremesas, além da inevitável torta de chocolate recheada com cocada mole, constituíram um espetáculo à parte: cidra cristalizada e em calda, mamão em calda, doce de leite mole e em pedaços, cajuzinho... Ah! É até exagero essa hospitalidade mineira...

À tardinha, uma visita ao Museu Histórico de Nova Era, com centenas de peças antigas, desde a fundação da cidade, no início do século 18. Uma belíssima exposição fotográfica exibia fotos e documentos das décadas de 20 a 50, todas do acervo de meu tio Diló (irmão do Soié), o primeiro fotógrafo da região. Minha mãe descreveu cada foto, nas quais podia reconhecer personagens que já se foram, figuras que marcaram sua infância na antiga São José da Lagoa.
Minas são muitas. Minas é plural.
Soié e Aparecida recebiam a todos em alto astral

28 outubro, 2005

Dupla festa

O 28 de outubro, é dedicado pelos católicos a São Judas Tadeu. Na verdade, são dois os santos do dia: Simão e Judas Tadeu - este ficou com a fama, aquele ninguém conhece. Outro Judas famoso, o Iscariótes, vendeu-se por 30 dinheiros e entregou Cristo aos soldados romanos. Enforcou-se numa figueira e sua alma deve estar penando por aí...

Aqui em Belo Horizonte, no bairro Nova Floresta, existe um enorme santuário em homenagem ao "santo das causas impossíveis", Judas Tadeu:
As ruas do entorno ficam abarrotadas, durante todo o dia. As missas se sucedem de hora em hora, assistidas por milhares de fiéis, alguns vestidos com túnicas, tal qual os santos.
O comércio ambulante se aproveita: barraquinhas de pipoca, algodão doce, maçã do amor, sanduíches (cachorro quente com milho verde, maionese, folha de alface, catchup e mostarda!). Refrigerantes, sucos, cerveja. Miniaturas de imagens, terços, medalhas, escapulários e santinhos, além de folhetos com orações, tudo é oferecido ao "peregrino". Vem gente de toda parte, daqui mesmo, da região metropolitana e até de municípios mais distantes.
É uma "festa do interior" em plena metrópole.
Nos outros meses, em menor escala, o dia 28 provoca grande afluxo de pessoas, a ponto de ser necessário fechar ao trânsito as ruas estreitas do Nova Floresta.

Quando o Aeroporto da Pampulha ainda era o mais utilizado - agora os vôos foram transferidos para o distante Tancredo Neves - Confins - eu o utilizava muito. Durante 10 anos, frequentei a ponte aérea BH-Brasília, pois ministrava cursos na capital federal. Tão logo o avião decolava e se inclinava para a direita, de sua janela eu vislumbrava a enorme cúpula da Igreja de São Judas. Tinha certeza, então, de que estava voando!

Hoje é, também, o dia do Funcionário Público.
Ao voltar para casa, ontem, deparei-me com um outdoor alusivo à data nas imediações da Assembléia Legislativa. Tão descuidadamente foi feito que lá está escrito: funcionários púbicos! Já não pagam bem e ainda lhes comem uma letra. Ou foi proposital? Na verdade, muitos consideram os funcionários do governo como parasitas, dos quais um dos mais mal-afamados é o Poediculus Pubis, também conhecido como "chato", habitante dos pêlos pubianos... primo pobre dos piolhos (Poediculus Capitis), que se enroscam nas cabeleiras descuidadas. Freud explica?

O título deste post, entretanto, se refere a outras duas comemorações, para mim muito mais importantes:
1- hoje é meu aniversário de casamento! Se casar é uma loteria, então ganhei na loto, digo sempre. Minha companheira é a Amélia, que me trata a "pão-de-ló e chantilly", no sentido literal e nos outros sentidos todos. Não é a Amélia do Mário Lago, a tal "mulher de verdade que passava fome ao meu lado", muito antes pelo contrário: passamos é muito bem! Agora, "mulher de verdade", lá isso é!

2. hoje é, ainda, o aniversário de meu pai, Soié. Para quem o conhece, nem é preciso falar de sua alegria de viver junto à eterna namorada Aparecida - minha mãe!-. Nem de sua dedicação à família, suas piadas, pegadinhas e brincadeiras. Uma vez o chamei de Soié, o Espirituoso!. Sabe contar casos como ninguém: confiram no Ontem e Hoje, o Blog do Soié!

Este fim-de-semana será dedicado aos dois - Soié e Aparecida: estaremos em Nova Era-MG, onde as saudades serão abrandadas com muito papo, risos, encontro dos irmãos, sobrinhos e netos. O almoço de domingo promete! Estão convidados...

26 outubro, 2005

Dr. John = jazz, blues, funk e rythm'n' blues

Ontem foi dia do show de Dr.John no Chevrolet Hall de Belo Horizonte, atração do Tim Festival 2005.
Há mais de um mês me preparei para assistir o mestre do jazz, blues, funk e rythm'n' blues. Dr John habita minha estante de CDs há muito tempo, desde que adquiri seu ótimo Goin' Back to New Orleans. O cara é manhoso para cantar e tocar: "arrasa" ao piano!
Aqui em Belô ele se apresentou com sua banda The Lover 911: John Fohl na guitarra, David Barard no baixo e Herman Ernest III na bateria. Barard deu um show à parte, empolgando a platéia.
Angelo & Pai no Dr John
Minha companhia foi o filho Ângelo

Dr. John vestia um terno vermelho. Em vários momentos tocou simultaneamente o piano e o teclado. Emocionou o público com Sweet Home New Orleans, em homenagem à sua terra, devastada pelo Furacão Katrina. Tudo de bom. Uma noite e tanto!

22 outubro, 2005

Plebiscito: Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco? Hein? Heim?


Amanhã é o referendo acerca da proibição ou não da venda de armas em território nacional. Segundo um jornal de hoje, os eleitores vão escolher o SIM ou o NÃO movidos mais por argumentos emocionais do que racionais. Ou seja:
  • o eleitor prefere não pensar sobre o assunto, ou não consegue!
  • as propagandas não apresentaram argumentos sólidos!
  • os políticos, espertos como sempre, não deram as caras nos programas do TRE!
  • não se sabem - ou não se quer saber - ou não se explicitam as verdadeiras consequências do SIM e do NÃO.

Penso que há outros problemas graves a serem discutidos - mas que são escamoteados. O povo, tratado como boi no pasto, não é convidado a opinar.

Um exemplo é a proposta de um plebiscito como no título deste post: Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco?

Todos sabemos que o alcoolismo é a maior - digo, maior - constante em casos de acidentes e brigas, acarretando grande número de mortes - inclusive pelo uso das famigeradas armas de fogo - sem falar em facas, facões, canivetes, pedradas, cacetadas, esganadas e quejandos...

Todos sabemos que o alcoolismo é responsável por 25% das internações psiquiátricas, custando "o olho da cara" aos cofres públicos e empresas.

Todos sabemos que o alcoolismo é causa de outras doenças, tipo cirrose hepática, desnutrição, hipertensão, insuficiência renal, etc.

Todos sabemos que o uso do tabaco é a maior - digo, maior - causa de doenças pulmonares (entre outras, o mortífero câncer de pulmão) - 80%!

Todos vemos as fotos nos maços de cigarros e desconhecemos a mensagem: "O Ministério da Saúde adverte: fumar faz mal à saúde".

A Aliança Cidadã pelo Controle do Álcool-ACCA divulga notícias interessantes sobre o tema. Entre outras:


Exemplos de países que limitaram a publicidade de álcool e tabaco e os efeitos desta limitação até 1996:
  • Noruega - limitou a publicidade em 01/07/1975 - diminuiu o consumo em 26%
  • Finlândia – em 01/03/1978 – diminuiu em 37%
  • Nova Zelândia – em 17/12/1990 – diminuiu em 21%
  • França – em 01/01/1993 – diminuiu em 14%
  • Em países onde se proibiu a publicidade de licores, o consumo se reduziu em 16%;
  • A proibição da publicidade de vinho e cerveja, diminuiu o consumo de álcool em 11%;
  • A proibição de publicidades de licores reduziu os acidentes em 10%, e a de cerveja e vinho em 23%;
  • A proibição da publicidade de bebidas alcoólicas na Suécia nos anos 70 diminuiu o consumo em 20%.

  • Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) do ano passado, mostrou que 13,4% dos acidentados que entravam no pronto-socorro do Hospital São Paulo estavam embriagados ou foram vítimas de alguém que tinha bebido demais. A maioria tinha tomado o equivalente a seis latas de cerveja ou 250 ml de destilado nas últimas seis horas.

Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco?

19 outubro, 2005

MATAR OU MORRER?

Tem rolado uma discussão até interessante, que a todos nos faz pensar:
- Como acabar com a violência?

Há inúmeras propostas, idéias... que vão desde o desânimo (nada se pode fazer) até à instauração da pena de morte (legalizada) o porte de armas à população civil (para que se defenda!) ou a proibição de venda de armas (para que não nos matemos!!!).
- SIM ou NÃO no referendo?

Parece-me que o foco das discussões oscila entre vertentes múltiplas:
1a.) como acabar com a violência?
2a.) como acabar com os bandidos?
3a.) acabando com os bandidos, acaba-se com a violência?
4a.) o que causa a violência?

Para a primeira questão, tenho uma resposta terrível: a violência é inerente ao ser humano (se não se educa uma inocente criancinha, ela já será insuportável!)

A história da violência (violência = uso da força) se confunde com a história do ser humano: no primeiro livro bíblico, aprendemos que os filhos de Adão e Eva se envolveram numa briga, por CIÚMES !!! Caim, não suportando o que ele interpretou como preferência divina por Abel (já que a fumaça dos sacrifícios do irmão -ao cremar as oferendas- subia em linha reta para o CÉU) resolveu matá-lo. De fato, acabou com ele.

Tá bom, isso pode ser apenas uma lenda judaica, mas serve de paradigma: se até os irmãos de sangue brigam e se matam, quem não será capaz de fazer o mesmo?
Amantes matam em nome do amor...
Soldados matam em nome da pátria...
A polícia mata em nome da Lei...
A Igreja, o Islã, o Protestante, todos mataram e continuam a matar em nome da Fé... (Dizem que as guerras religiosas são mais frequentes e mortíferas do que as guerras por território!) E matam em Nome-de-Deus!
Existem casos de homicídio, parricídio (filho matar o pai), filicídio (pais matarem filhos), etc....

O maior número de casos de abuso sexual e violência física contra crianças acontece DENTRO de casa, por um parente!!!

Quando alguém nos ofende, dizemos: "Fulano MORREU prá mim!"... ou seja: Eu o MATO afetivamente...

A história da humanidade é um filme de terror, verdadeiro holocausto, incessante, terrível, avassalador, onde os vencedores e dominadores sempre exterminaram seus semelhantes (tachados de hereges, inimigos perigosos, bárbaros... qualquer desculpa vale para, exatamente, livrar-nos da CULPA).

Não me assusto com os gritos de "morte aos inimigos! morte aos bandidos!" pois eu mesmo, na hora em que me sinto agredido, ou ao ter algum conhecido roubado, assassinado, lesado, eu mesmo sou dominado pela raiva ("se eu pudesse, te esganava!!!").

A RAIVA mobiliza meus impulsos agressivos (normais, naturais e necessários à sobrevivência) e, naquele momento, me identifico com meu agressor: Eu = Bandido! Se ele mata, eu também mato (ou condeno à morte, na forma da Lei).

Para a segunda questão (como acabar com os bandidos?) não tenho resposta. O que não significa que nada possamos fazer.

Para controlar a violência inerente ao ser humano (como demonstramos acima) a própria humanidade se esforça desde tempos imemoriais: Já na antiga Mesopotâmia, criou-se o primeiro código legislativo de que se tem notícia: o famoso Código de Hamurabi (meu irmão Bonifácio e minha filhota
Ana Letícia podem dar aulas sobre isso).

Desde então, criam-se leis, que são aperfeiçoadas ao longo da história. Algumas leis são do tipo ( Honesto = Bandido ), são as normas tipo Lei do Talião (olho por olho, dente por dente)... Outras,mais brandas, outras mais severas, pois autorizam o Estado a matar o assassino, seus pais, seus filhos, seus parentes.... até confiscar todas as propriedades.... Isto existe, sim!

Eis, pois, o que considero a mãe de todas as questões: como punir os bandidos e como desestimular e inibir a violência que habita o coração dos homens?
- Tarefa impossível, porém NECESSÁRIA!

O que sustenta a humanidade na face da Terra é, exatamente, lutar para conseguir o impossível. Daí as leis, a ordem, os castigos, os prêmios.... enfim, a Lei (sempre imperfeita, nunca onipotente).

Por melhor que sejam, porém, leis são feitas por nós, homens e refletem nossa imperfeição.

O que podemos esperar de uma civilização em que o exercício da autoridade está sendo colocado em cheque, os governantes titubeiam no exercício do controle de atividades ilícitas, já não se consegue diferenciar o certo e o errado, a polícia e o ladrão?

Ora, a única forma de inibir os impulsos agressivos é a EDUCAÇÃO, no sentido mais amplo.

Começa, aqui, o exercício das Virtudes: JUSTIÇA, alegria, solidariedade, respeito ao próximo, CULTURA, amor, poesia, arte, honestidade, não submissão ao consumismo, valorizar o SER e não o TER!!! Exatamente o que vai na contramão dos (des)valores do mundo atual.

A injustiça é tão disseminada e estrutural que podemos afirmar: a violência faz parte e é uma das estratégias de dominação e segregação. Ou seja: está deflagrada a luta de castas!

- Difícil, né?
- Eu também acho.

12 outubro, 2005

Começa, hoje, aqui mesmo em Belô, o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria.
Estarei presente, entre outros quatro mil colegas! Já agora de manhã, no MinasCentro, onde se realiza este mega-evento, encontrei colegas de Brasília, João Pessoa, Porto Alegre, São Paulo, Juiz de Fora, Pernambuco, Sergipe... tudo isso apenas na fila do "crachá"...
Serei relator numa Mesa Redonda acerca do "Diagnóstico Diferencial do Transtorno de Déficit de Atenção x Transtorno de Humor Bipolar em Crianças e Adolescentes" (ufa! o titulo é grande e a trabalheira pra preparar maior ainda!). Se der, faço um resuminho aqui no PrasCabeças.

A boa dica aos congressistas é uma visita ao Mercado Central, que fica logo em frente do MinasCentro: é só atravessar a avenida. Imagino que haverá mais congressistas tomando umas e outras que em algumas palestras (afinal, congresso é pra isso, não?).

11 outubro, 2005

Desarmamento - variações sobre um tema

COMO NOVA YORK REDUZIU AS ARMAS ILEGAIS

por Louis Anemone (ex-chefe da Polícia de Nova York-NYPD (1995-99), e membro do Instituto Fernand Braudel. Este artigo foi adaptado de sua palestra na Conferência Internacional sobre Violência e Segurança Pública em São Paulo e Rio de Janeiro, em outubro de 1999)

Armas de fogo são utilizadas em 59% dos homicídios em Nova York e 90% dos assassinatos em São Paulo. Uma estratégia de redução da posse e uso de armas de fogo ilegais levou ao declínio dos homicídios em Nova York nos anos 90.

De 1993 a 1998 os assassinatos na cidade de Nova York caíram 64% e os disparos de armas de fogo da polícia caíram mais de 66%! O número de balas disparadas caiu de 1.017 em 1995 para 526 em 1998. O número de pessoas baleadas pela polícia caiu de 70 em 1995, 26 delas fatalmente, para 62 em 1998, com 19 mortes [comparadas com 593 civis mortos pela polícia em São Paulo].

Tivemos a nossa dose de controvérsias em torno de tiroteios e encontros envolvendo a polícia neste período, mas a tendência geral tem sido positiva, apesar da natureza chocante de alguns desses encontros, especialmente o estupro, por policiais, de Abner Louima em uma delegacia do Brooklyn em 1998 e os 41 tiros, desferidos por membros da unidade de crime de rua do Bronx, que mataram Amadou Diallo, um imigrante africano desarmado, em 1999.

A redução dos disparos teve um impacto profundo na vida da cidade. O New York Times noticiou em 1998 que o Departamento de Saúde de Nova York planejava fechar alguns de seus centros de traumatologia, pois o número de vítimas de tiros nesses hospitais não era mais suficiente para ocupar os jovens médicos especializados em serviços de emergência.

Uma estratégia para se atingir esses resultados surgiu em "Quatro passos para a redução do crime", elaborado por Jack Maple, que eram:
1. Inteligência precisa e oportuna comunicada claramente a todos.
2. Mobilização rápida das forças policiais.
3. Táticas eficazes.
4. Acompanhamento e avaliação implacáveis.

Continuação do texto: AQUI.