08 fevereiro, 2006

Quarta maluca

Um dos supermercados do bairro promove, hoje, a "Quarta Maluca": às quartas-feiras oferece descontos significativos no setor de hortifrutigranjeiros.
É competição frontal com os "sacolões". Estes possuem bancas de legumes, frutas, raízes vendidos a 79 centavos o kilo, preço muitíssimo mais em conta que os praticados pelos supermercados. Nas quartas, a briga é até boa, supostamente em benefício do consumidor.

Trata-se, evidentemente, de estratégia de marketing para atrair mais gente à loja. A gente vai comprar uma "verdurinha" pro almoço e acaba comprando outros ítens. Há que ter objetividade e cuidado para não cair nas armadilhas dos marketeiros (que nos "vendem" até políticos corruptos!).

O título da promoção, "quarta maluca", pretende nos convencer de que os gerentes daquele estabelecimento "endoidaram", "amalucaram" e baixaram os preços: "Oba! estão doidos, estão vendendo bananas a preço de... banana!".

Maluco, porém, fiquei eu próprio, hoje, uma quarta-feira que já começou "da pá virada":

Os sintomas de loucura total começaram pela manhã, com a cozinha alagada. Feita uma anamnese cuidadosa, descobri que na véspera, antes de ir dormir, o Léo havia deixado o lava-louças cumprindo sua tarefa: xícaras, copos, pratos e talheres estavam limpos, mas a cozinha se transformara em lagoa!

O diagnóstico se firmou, um pouco mais tarde, quando o funcionário de uma empresa de manutenção veio tratar de outra loucura desencadeada na segunda-feira.
Dessa feita, os sintomas acometeram a máquina de lavar roupas, que não sabia mais se centrifugava, se torcia, se enxaguava.

Confusão de idéias e distúrbios de movimentos mereceram outra anamnese que, por sua vez, esclareceu o excesso de peso das roupas introduzidas naquele cilindro que chacoalha a roupa e deve ter chacoalhado a cabeça - o motor! - da dita cuja.

Dois disturbios matinais num dia de calor e um milhão de coisas para serem resolvidas só podem ser coisas de uma quarta-feira maluca:

O lava-louças sofrera ruptura vascular, ou seja, a mangueira tinha um furo. Não me perguntem a etiologia daquele buraco, pois nem mesmo o doutor-técnico soube explicar.
O exame anátomo-patológico da peça afetada revelou o que demonstra a ilustração abaixo:


Mais tarde, quando a Ana Letícia e eu fizemos, em cartório, a transferência do noso velho carro, vendido a preço de "quarta maluca", descobrimos que, ao preencher aquele documento próprio, ela o havia datado como se hoje fosse 08 de janeiro!

Conclusão: como estamos em 08 de fevereiro, o Detran-MG, que não brinca em serviço, já foi logo aplicando uma multa de R$ 127,00, já que a transferência do veículo estava fora do prazo (tem que ser feito em 30 dias corridos, e o documento indicava que 31 dias já se passaram!). De nada adiantou chorar e espernear, "dura lex sed lex", vale o que está escrito. Como diziam: "escreveu não leu, o pau comeu"!

O sol estava de rachar e a gente ali, enlouquecidos pela canícula de mais de 30 °C e pela loucura matinal dos eletrodomésticos.

Ou sempre fomos, nós mesmos, malucos?

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