02 fevereiro, 2006

Se beber, não voe. Se voar, não beba.

Já li em algum lugar que os pilotos das companhias aéreas são muito propensos a usarem drogas (pesadas, inclusive), entre elas o álcool. As explicações são muitas: tédio durante as intermináveis travessias oceânicas; piloto automático que os dispensa de tarefas; salários bons que lhes proporcionam disponibilidade financeira; vida solitária (mesm para os casados), devido às constantes viagens e pernoites em cidades diferentes; hotéis confortáveis com bares convidativos; depressão; lazer que inclui idas a boates e restaurantes, onde é de praxe que se tome um drink, etc.

Aquele charme imaginado por nós, pobres mortais, é pura fantasia: no ar, a rotina é constante e os procedimentos de vôo são controlados por computadores e lista pormenorizadas de tarefas, altamente estressantes. Não é a toa que os sindicatos dos aeronautas recusa a colocação de câmeras de vídeo nas cabines - isso é o que já ouvi falar, alguém sabe melhor? Mesmo assim, viajo de avião sem problema nenhum, pois uso do mais manjado mecanismo de defesa que existe: negação!

Mas que passarinho fique bêbado, essa é novidade pra mim. Aqui em Minas (talvez alhures, também), se denomina a danada da cachaça de "água que passarim não bebe". Então, como é que as inocentes aves foram entrar nessa?

Eis a notícia:

Especialistas que examinaram 40 passarinhos encontrados mortos em Viena disseram que eles não foram vitimados pela gripe aviária, como se temia inicialmente, mas que se chocaram contra janelas, depois de se embebedarem ao comer frutas fermentadas. Os pássaros - cujos restos foram cuidadosamente examinados - tinham fígados tão ruins que "pareciam alcoólatras crônicos", disse Sonja Wehsely, porta-voz da autoridade de saúde animal de Viena. T

Todos morreram com o pescoço quebrado, depois de se chocarem contra vidraças, aparentemente depois de se esbaldarem em frutinhas que tinham começado a apodrecer. O processo de fermentação que acompanha a decomposição transforma o açúcar do suco da fruta em álcool.

Segundo a porta-voz, o processo de fermentação provavelmente continuava dentro do estômago dos pássaros, o que os deixava ainda mais desorientados durante o vôo.

Eu, hein?

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