24 abril, 2006

Meu imposto de renda e Balzac

Alguém aí conhece coisa pior do que fazer a declaração anual de imposto de renda?
Pra mim, é difícil achar atividade mais ingrata, por vários motivos:

1. a própria definição da "coisa": imposto, o que não é voluntário: ou faz ou então...

2. a constatação de que trabalho quase 5 (isso, mesmo, cinco!) meses ao ano para pagar os impostos, tributos, contribuições previdenciárias, iof, ipmf, etc. Sem falar nos impostos embutidos em tudo quanto é produto que a gente compra.

3. a odisséia de procurar os documentos do ano passado, conferir cpfs e cnpjs, olhar recibos de pagamentos efetuados, saldos bancários, etc.

4. constatar que o ítem do tal "evolução patrimonial" continua mirrado, mirrado. Enquanto os bancos lucram bilhões com a nossa contribuição, a gente continua suando a camisa pro arroz e feijão, mais uma ou outra gracinha.

5. descobrir, contra toda a esperança, que NÃO vou ter restituição nenhuma, pelo contrário, vou é contribuir mais e mais.

6. saber - ai, que dor - que dificilmente veremos algum benefício concreto com o imposto pago: as estradas vão continuar esburacadas, as filas vão continuar nos postos de saúde, muitos ficarão sem remédios, as escolas públicas não darão conta do recado - e a gente vai ter mesmo de custear empresários particulares que estão ganhando tubos de dinheiro com suas instituições educacionais (algumas são arapucas, todos sabem)...

Para descansar a cabeça, aliviar o espírito e curtir um pouco o domingo, aceitei a sugestão da filhota Ana Letícia e aluguei um DVD:

Nome do filme: Balzac e a costureirinha chinesa
Título Original: Balzac et la Petite Tailleuse Chinoise
Produção França/China (2002)
Direção: Dai Sijie

O resumo da história:

A história de BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA se passa no fim da década de 60, quando o líder chinês Mao Tse-Tung lança uma campanha que mudaria radicalmente a vida do país: a Revolução Cultural. Entre outras medidas drásticas, o governo expurga das bibliotecas obras consideradas como símbolo da decadência ocidental. Mas, mesmo sob a opressão do Exército Vermelho, uma outra revolução explode na vida de três adolescentes chineses quando, ao abrirem uma velha e empoeirada mala, eles têm as suas vidas invadidas por Balzac, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Rousseau, Dostoievski, Dickens...Os proibidos!

BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA é uma crônica da vida na China durante a revolução de 68. Um romance sobre a felicidade da descoberta da literatura, a liberdade adquirida através dos livros e a fome insaciável pela leitura, numa época em que as universidades foram fechadas e os jovens intelectuais mandados ao campo para serem "reeducados por camponeses pobres".

Entre os que tiveram de abandonar as cidades está o narrador de BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA e seu melhor amigo, Luo. O destino deles é uma aldeia escondida no topo de uma montanha. A vida não é fácil para a dupla, mas com muita coragem, senso de humor, uma forte imaginação e a companhia da Costureirinha — a menina mais bela da região — o tempo vai passando. Até que descobrem a mala repleta de livros banidos pela Revolução Cultural. As obras, sobretudo Ursule Mirouët, de Balzac, revelam aos adolescentes uma realidade que nunca haviam imaginado. E é por intermédio desse mudo novo além das fronteiras chinesas, e dos grandes mestres da literatura que o narrador, Luo e a Costureirinha compreendem que suas vidas pertencem a algo muito maior.

Minha opinião: trata-se de um filme muito bem feito, reconstituindo o ambiente da década de 60, nas altas montanhas da China. Delicado, romântico, ótima música, "bom pras cabeças".

Valeu!

Ah! já vou voltar ao imposto de renda. Argh!

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