28 novembro, 2010

O todo e as partes

Assim escreveu Dr. Marcos Klar, psiquiatra e psicanalista:

Primeiro movimento. Allegro giusto.

Palavras nascem em opostos.
O que se conhece se conhece por ter diferenças quanto ao que se preconcebeu ser.
Palavras nascem gêmeas não idênticas, sexos diferentes.
Uma coisa é a multidisciplinaridade.
Que se opõe à unidisciplinaridade.
Outra é a interdisciplinaridade.
Contraposta à ideologia.
Causalidade contraposta a efeitos formais.
Não se perguntar: de onde veio isso?
Mas: o que fazer para evitar ter de passar por isso de novo?
A interdisciplinaridade responde;
A Medicina separa joiosos e trigosos.
Há o risco grave e o risco baixo.
Há profissionais da saúde que não são habilitados a atender em alto risco.
(risco estatístico de morte associada a diagnósticos médicos)
Há locais sem condições para emergência,
sendo mais asilos ou parques que
propriamente hospedagem para amparar tecnologicamente
de modo moderno
quem está á beira de uma grande
encrenca.
E qual a realidade das grandes encrencas na Psiquiatria?
Parecem grosseiras como uma fratura exposta?
Ou uma traiçoeiramente discreta concussão cerebral?
Médicos!

Segundo movimento. Adagio mesto.

A Ciência, em verdade, não é ciência pura, 
pois é infectada pela Política,
que decide na base do vulgo
o quê é melhor que o quê, em curto prazo
mas a Medicina,
que nada mais é que 
uma arte moral,
que atos e
palavras
se equivalem;
pois que vale é o consolo;
aí, nasceu a medicina das palavras,
a psicoterapia, a psiquiatria,
a iatrogenia psicológica.

Há um saber necessário,
a todo mundo, na verdade,
mas fundamental aos psiquiatras
e muito importante aos demais colegas de psicoterapia lato sensu.

Há o saber médico da mente
Que às vezes foge à intuição comum,
E magoa mais que o câncer,
Machuca mais que o trauma,
Desespera mais que a peste.
La maladie mentale.

Terceiro movimento. Andantino casi allegretto.

Saúde Mental é uma coisa.
Doença mental, outra.
Saúde natural é fortuita. 
Saúde, certeira mesmo,
é cuidados salutares.
É ato humano, não sorte ou 
algo só espontâneo.

Saúde Mental não pode ter o sentido falsamente generalista
que borras as fronteiras entre as diversas disciplinas e enfraquece seus conteúdos
[tirar diferenças é dessaber]

Firmar bem as diferenças entre as áreas distintas,
não áreas dentro da pessoa estudada
mas nos princípios e nos meios.
E mesmos fins, respeitadas as diversidades.
Essa é a interdisciplinaridade.
Onde quem decide o que é prioritário é o médico
(pois não só envolve conhecimento necessário,
mas atitude necessária diante dos estados de alto risco)
É decorrente do modelo médico.
(biotecnológico)

A cruel e injusta multidisciplinaridade
amontoando pessoas, minimizando o saber,
pela tirânica exclusividade falsamente humanitária
de 'acolhimento-e-inclusão'.
Destruindo o especializado,
pelo minimalismo pragmático
ideológico,
Rosa de Hiroshima.

... decorrentes de uma atitude puramente oligárquica
que tolhem do pacientes
 o direito pétreo de ter algum futuro.

Só o ato terapêutico médico,
tem a capacidade real de extrair o prognóstico,
não livros de diagnósticos médicos legíveis a leigos.
Voltemos a alguns milhões de anos atrás.

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