25 julho, 2006

D.I.S.P.

Uma das artimanhas da bandidagem do Rio de Janeiro, motivo frequente de reportagens na TV e Jornais, é a falsa blitz: grupo de fora-da-lei veste roupas do exército, ou da PM, ou da Polícia Federal e bloqueia uma daquelas avenidas denominadas Linha Amarela e Linha Vermelha.
Quando vou ao extinto Estado da Guanabara e me aproximo da tal cidade maravilhosa, meu coração fica aos pulos, como se gritasse em meu peito: "olha lá, hein, toma cuidado com uma falsa blitz!".

Como distinguir a falsa da verdadeira?

Notícias nos dão conta de que a polícia prendeu 'policiais', até mesmo policiais federais, delegados que dão o golpe e se mancomunaram com os verdadeiros bandidos. Taí uma diferença semântica difícil de definir: quem é o bandido?

Isso já virou rotina e jogou por terra a expressão daquele bandido - por sinal, nascido na minha cidade, Nova Era - que dizia: "bandido é bandido, polícia é polícia".

Mas hoje meu queixo caiu e ainda não o achei!
Os jornais de Beagá nos informam que uma falsa delegacia de polícia foi descoberta na vizinha cidade de Betim! Os caras alugaram uma casa e montaram a arapuca. Tinha computadores, uniformes da Polícia Civil, sala de delegado e sala de detetives. A placa, para tranquilidade dos cidadãos, tinha escrito:
Departamento de Investigação e Segurança Privada!

Ótima essa, não?

Cá com meus botões, fiquei a matutar:
- Quem sabe os "funcionários" da D.I.S.P não são gente boa? Diante da ameaça do PCC, dos 'soldados' do tráfico, dos sanguessugas, eles poderiam ter tido uma boa intenção: garantir a segurança onde falta segurança, uma ONG do bem, por que não?

O que fariam quando se deparassem com outros bandidos em sua 'área de influência'? Com certeza explicariam que não lhes fizessem concorrência, fossem assaltar em outra freguesia, não os desmoralizasse. A população se sentiria mais segura, etc. e tal.
E não receberiam salário do Estado, colaborando com o 'déficit zero' do governador Aécio!

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