20 junho, 2007

Um defeito de cor & Mothern

Junho, aqui em Belo Horizonte, é repleto de feiras, atrações culturais, programas gratuitos ou pagos, tudo isso, acho eu, para 'esquentar o inverno'. Este chega oficialmente amanhã, mas já deu sinais de vigor há duas semanas, fazendo-me ressuscitar roupas de lã, adormecidas no aconchego dos armários desde o ano passado.

Um dos acontecimentos culturais mais empolgantes é o Salão do Livro, na 8a. edição. É ótima oportunidade para crianças e adultos conhecerem, de perto, autores e seus livros, folhear as últimas novidades ou os clássicos, livros técnicos, de arte, de literatura, infantis, importados, usados, etc e tal.

O 'Encontro Marcado' é um evento especial durante o salão, no qual o escritor responde a perguntas de um 'apresentador' e, a seguir, dialoga com o público: A proposta é promover conversas descontraídas, no formato de entrevista, que apresentam a trajetória do convidado, seu processo de criação, experiências, identificação no universo literário e suas obras.
Compareci, a convite do Idelber e da própria, ao Encontro Marcado com Ana Maria Gonçalves, que escreveu "Um defeito de cor". Muita gente já escreveu e falou sobre a maravilhosa epopéia produzida por Ana Maria Gonçalves.
Idelber assim a apresentou:
- É a primeira grande saga histórica em voz feminina no romance brasileiro, e é muito mais que isso. São umas 1.000 páginas, uns 400 e tantos personagens, 80 anos de história do Brasil-África-Atlântico-negro e uma voz alinhavando tudo: Kehinde, possivelmente Luiza Mahin, talvez a mãe do poeta negro Luiz Gama (continua aqui ).

Millor Fernandes simplesmente cai de joelhos diante do livro:
- Em suas 952 páginas, Um Defeito de Cor não tem hausto, parada pra respirar. Desmintam-me, por favor. É um dos livros mais importantes, coloco entre os melhores que li em nossa bela língua eslava. Entre os 100 melhores, Millôr? Que exagero é esse, rapaz?, entre os 10. TE CUIDA, SARAMAGO! (leia o Texto completo do Millôr)

Muita gente pergunta:
- Por que um livro tão extenso?
Ana responde:
- Foram dois anos de pesquisa e nove meses escrevendo, de domingo a domingo. Durante todo esse tempo, não fiz outra coisa, foi dedicação integral mesmo. Eu sou publicitária, e quando decidi parar tudo para escrever vendi minha agência em São Paulo e fui para a Bahia disposta a só pesquisar e escrever (Continua aqui).

Eu afirmo:
- Se você é daqueles que desanimam diante de 952 páginas, faça o seguinte: comece a ler! Duvido que não fique 'possuído' pela escrita, pelo personagem, pelo clima, pela história, pela emoção e pela abrangência de "Um defeito de cor". É começar e não parar. Depois me conte. Antes de completar um ano de lançamento, "Um defeito de cor" já ganhou o Prêmio de Literatura da Casa de las Americas!
E tem mais:


Ao final da entrevista, enquanto a Autora autografava seu romance, encontro o Idelber já bem acomodado numa mesa do "Café da Feira", em companhia das
Mothern, Juliana e Laura. Acheguei-me, é claro. Lá estava eu entre as globais do GNT: afinal, Mothern é um blog que virou sitcom de canal pago. Se você ainda não lê Mothern, não sabe o que anda perdendo.

Juliana, Idelber, Cláudio e Laura

Foi uma noite e tanto, mermão!

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