10 julho, 2007

Memória gustativa de comidas mineiras: o simples que é o máximo!

  • Conversa vai, conversa vem, o assunto aportou as praias da culinária, mais precisamente das comidas simples e gostosas. Aí, surgem as memórias olfativas e gustativas, lembranças de comidinhas do tempo de criança, da adolescência e até mesmo do que se comeu ontem. Parece mesmo que somos feitos de memória e de...Sonhos!

  • "Somos feitos da matéria dos sonhos". ["We are such stuff as dreams are made on." ( Shakespeare, in The tempest, 4.156)].
  • Já os nutrólogos ensinam: "diga-me o que come e direi o que você é".
  • Os sexólogos: "diz-me quem comes e dir-te-ei quem és".
  • Pois os filósofos, estes elucubrarão: "Quem como? Como como? Quando e porque como? Como?".
  • Caetano Veloso simplifica tudo: "eu como, eu como, eu como, eu como..."

Mas isto são prolegômenos, com certeza fátuos.

Retomemos do princípio: Conversa vai, conversa vem, lembrei-me de comidas simples, prosaicas, aqueles petiscos ou pouco mais que isso dos quais ainda sinto o gosto e o cheiro, mesmo que saboreados há décadas. Então, vamos lá:

1. purê de batata recheado com sardinha ao molho de tomate: minha mãe fazia uma espécie de pastel gordo com o purê, recheava, passava no ovo batido e na farinha (ou seja, à milanesa) e fritava. Muito bom!

2. arroz-feijão-couve refogada-angu e ovo frito, que minha avó preparava quando ia visitá-la, de surpresa. O feijão ficava na trempe do fogão "a serragem" (alguém conhece?), cozinhando por horas, lentamente. Simples e divino.

3. arroz-de-forno, que era comida de domingo. Hoje nem sei se existe, se alguém faz...

4. sanduíche de pão francês com mortadela, acompanhado de guaraná Champagne Antárctica. Querem combinação mais banal? Era uma exceção, geralmente em viagens, quase sempre longe de casa. Dizem que paulista gosta disso até hoje. Há anos que não provo e fico pensando nas calorias, no sódio excessivo, na mistura cabulosa das carnes (até de cavalo, dizem)... então fico na lembrança.

5. lombo fatiado, acebolado, com fatias finíssimas de jiló, tudo passado na chapa, na hora do pedido, na frente do freguês. Onde: no Mercado Central de Belo Horizonte, quase todo domingo. Acompanhado de cerveja geladíssima. A gente come em pé, no balcão: é um ritual imperdível para quem sabe o que é bom. Virou marca registrada do local.

6. pão-de-queijo quentim com cafezim. Este aí, meus caros, é hors concours, nem vou falar. [várias receitas aqui]. Para variar o lanche, Amélia faz uma broa de fubá que parece coisa do céu! [Aproveite a receita secreta da Amélia aqui].

7. canjiquinha de milho com costelinha de porco. Amélia, aqui em casa, é mestre nesta iguaria, saborosíssima quando quente, com pimentinha, cebolinha, pedaços de queijo derretendo. Meu pai, Soié, adora. No Mercado Central é prato premiado, chamado Mineirinho Valente [receita aqui].

8. feijão tropeiro no Bar 10 ou outro, no Mineirão, em dia de jogo: é servido em prato descartável de alumínio. Acompanhado de um ovo frito e um bife de pernil, preparados ali na nossa frente! Uma celebração à gastronomia que tem a unanimidade das torcidas. [Receita aqui].

9. Macarronada fria, sobra do almoço, devorada no final do domingo. Alguém discorda?

10. a décima iguaria fica por sua conta, caríssimo leitor: compartilhe comigo.

- Agora, com licença: vou "forrar o estômago".

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