20 outubro, 2007

Civilidade para... médicos!

Conheci a palavra "civilidade" aos 11 anos.
É claro que, naquela época, aprendi muitas outras coisas que me marcaram e determinaram os rumos de minha vida. "Civilidade", porém, emergiu do pré-consciente ao me deparar com o conteúdo do pacote entregue pelos Correios: o livro "Etiqueta Médica", enviado como presente pelo Conselho Regional de Medicina (MG) para todos os médicos de Minas.

Foi aos 11 anos que frequentei as primeiras Aulas de Civilidade, assim denominadas as palestras semanais proferidas pelos padres-professores do vetusto
Colégio do Caraça. Pretendiam ensinar aos recém chegados alunos as boas maneiras: como proceder à mesa, como relacionar-se entre colegas, como estudar, como tratar os mais velhos e as autoridades, cuidados corporais, tom de voz, propriedade nos vestir, recepção de visitas, cuidados com quem nos hospeda, virtudes da polidez, discrição, gratidão, etc.

Pois esses assuntos todos e muito mais são retomados pelo Dr. Alcino Lázaro da Silva, do qual tenho lembranças das aulas de cirurgia.

Etiqueta Médica não é simples manual de boas maneiras, um rol de salamaleques, frescuras ou futilidades. Pelo contrário, seus tópicos e comentários têm profunda interseção com e Ética. Contém dicas e recomendações que visam garantir o melhor resultado do ato médico e giram em torno do conforto e respeito ao paciente. Isso significa ÉTICA.

O Dr. Alcino bem sabe das mazelas da formação médica, no que tange à capacitação humanística. Privilegia-se o conhecimento dito científico e se alimentam os sonhos onipotentes de muitos jovens, movidos pela sedução do 'avental branco' e a constelação de fantasias de ascenção social.

Não foi sem cálculo que reproduziu, na folha de rosto do libreto, uma frase de George Bernard Shaw:

"É isso que faz do estudante de medicina a figura mais desagradável da civilização moderna. Falta de respeito e de boas maneiras"
(in O Dilema do Médico).

Há ítens dedicados ao avental, vestuário, pontualidade(*), sigilo, como lidar com os acompanhantes, uso de telefones, o corredor do hospital, etc. Dois verbetes se referem à etiqueta cibernética (internet) e uso do correio eletrônico.
Atento aos novos hábitos sociais, impreganados de informalidade, fala até da goma-de-mascar:

"Não é elegante examinar mascando. Há dificuldade em se expressar, por dois motivos. A compreensão fica difícil pelas palavras truncadas e repassa-se uma sensação de maus hábitos alimentares. Para não dizer que algum perdigoto pode ser transferido para o paciente". [pag. 16]

Ao trabalho médico iluminado pelo saber, aquecido pelo humanismo e impregnado de ética, Dr. Alcino fornece pitadas de 'boa conduta', etiqueta e... civilidade.
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(*) As pesquisas sobre o que mais irrita os usuários de serviços médicos, nos Estados Unidos, indicam o tempo de espera nos consultórios, por causa da impontualidade dos colegas. Se lá é assim, aqui é pior! Ou você nunca passou por isso?

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