06 janeiro, 2008

Churrasqueiro de primeira viagem

Dia desses, em companhia da Amélia e da AnaLetícia, caminhava pela orla da Lagoa da Pampulha quando fomos atraídos pela exposição de uma dezena de minichurrasqueiras. Estavam enfileiradas na calçada mesmo. Ao lado, um sujeito com cara de bon vivant descansava numa cadeira de praia (ou de "beira de lagoa", já que Minas não tem mar). Outros caminhantes seguiam em frente, acompanhados pelo homem com um olhar de soslaio, bem despistado. Era o vendedor que, depois, se nos apresentou como o próprio fabricante.

Amélia e Ana se cutucaram (coisa de mineiro), adivinhando meu interesse denunciado pela diminuição do ritmo da caminhada. A troca de olhares entre elas era mais eloquente que o diálogo que imaginei:
- Olha o pai querendo comprar a churrasqueira!
- Ele sempre quis, mas nem sabe fazer churrasco!
- Nem gosta tanto, né?
- Aposto que ele vai lá ver de perto.

Num instante, atravessei a Av. Otacílio Negrão de Lima -aprazíveis 18km que circundam a lagoa- e já perguntava ao tal homem como era aquilo, como funcionava, quanto gastava de carvão, se podia colocar na varanda do apartamento, o material com que era fabricado, etc.
O sujeito se empolgou, explicou tudim, tim-tim por tim-tim, não perdeu a paciência e garantiu a qualidade do produto com um argumento sólido:

- Sou eu mesmo que fabrico. É chapa de aço de 1mm, não dá fumaça, não enferruja, o calor dura até 12h sem precisar trocar o carvão, a pintura é resistente ao calor, pode levar que o senhor vai ficar satisfeito. Só aqui na região da Pampulha já vendi mais de duzentas. Leva lá pra sua mulher ver.
Carreguei a menorzinha.
Repeti o discurso do vendedor-fabricante, enquanto as duas faziam mil perguntas. Ana se empolgou primeiro. Amélia foi cedendo e terminou me incentivando a comprar:
- A gente pode por na varanda. Pra pouca gente vai ser a conta e não precisaremos ir para a churrasqueira grande do prédio.

Após regatear, tornei-me o mais novo proprietário de uma minichurrasqueira, sonhando com uma costelinha no abafo e coisas que tais.
A estréia foi imediata. Tão logo chegamos em casa, entronizamos o aparelho numa posição estratégica e começou a odisséia: afinal, como é mesmo que se acende o carvão da churrasqueira?

Os experts em churrascologia em geral e os gaúchos em particular podem rir e debochar, mas só Deus sabe como apanhei até obter o ponto certo de assar a carne e ter certeza de que, finalmente, comeríamos churrasco.


Daí pra frente, só alegria: o churrasco teve acompanhamento de umas geladíssimas Terezópolis e nacos de ciabata. Foi nosso almoço de domingo.



Amélia se lembrou de que tínhamos algumas bananas "caboclas", dadas pela tia Nhanhá, lá de Santa Maria de Itabira. Foram assadas ali mesmo, na churrasqueirinha e num minuto tínhamos a mais maravilhosa das sobremesas: banana assada com açucar, canela e sorvete!
Virou festa:
Agora que aprendi, posso convidar:
- Aceita?
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