20 janeiro, 2008

Uma tarde em Ouro Preto



Casario colonial em Ouro Preto-MG. (foto by clcosta)

Visitar Ouro Preto-MG é experiência singular e provoca emoções estéticas que motivam poetas, escritores, pintores, compositores e artistas de todo gênero. Embora não me enquadre em nenhuma dessas categorias, experimento igualmente emoções várias, à medida que subo e desço ladeiras, em meio ao casario colonial.
Desta feita, Amélia e eu, mais o filhote Ângelo, passamos uma tarde na antiga Vila Rica. Foi num impulso a decisão. Eram 11h da manhã de quarta-feira e pensávamos o que fazer para o almoço. Amélia sugeriu: Vamos almoçar em Ouro Preto? Não pensei duas vezes:
Vamos!

O Ângelo, que acabara de acordar, aceitou o convite e, num minuto, subíamos a Av. Raja Gabaglia em direção à BR-40, BH-Rio. Pouco mais e já estávamos no trevo de Alphaville. Daí a Ouro Preto a rodovia serpenteia por encaracoladas serras, como diria um antigo professor de literatura.

O caminho é parte da Estrada Real e bordeja lugares históricos que moldaram o espírito dos habitantes da Província das Minas Geraes: Itabirito, Cachoeira do Campo, Santo Antônio do Leite, Glaura... é uma viagem pela Inconfidência Mineira, pelas trilhas dos bandeirantes, pelas minas de ouro e minério de ferro que fizeram e ainda fazem a riqueza de poucos.

Decidimos almoçar mais tarde e fizemos um lanche revigorante: empadas de peito de frango com queijo catupiry e com palmito, além do tradicional pão-de-queijo.

Logo surge a entrada para Santo Antônio do Leite, lugarejo simpático, bem ali, pertinho. Dobramos à direita, não custava nada. Visitamos o Capricho Asturiano, famosa pousada do espanhol Manuel Noriega, com quem conversamos rapidamente. Somos atraídos por uma igrejinha recém-pintada, cartão-postal típico do interior, a capela de São José, em Gouveia:

Capela de São José, em Gouveia, próximo a Ouro Preto-MG (foto: clcosta)

Já em Ouro Preto, estacionamos próximo à igreja do Carmo. Visitamos, então, o Museu do Oratório, no qual se explicita a religiosidade doméstica e peregrina dos séculos XVII e XVIII. O acervo foi coletado e doado pela família Gutierrez, proprietária da famosa construtora Andrade-Gutierrez e idealizado pela filha do patriarca, Ângela Gutierrez.

A igreja do Carmo, imponente sobre a pequena elevação que tem o Museu da Inconfidência voltado para a Praça Tiradentes, é impressionante pela arquitetura barroca, com elementos estrangeiros pouco comuns: pedras italianas, azulejos portugueses e afrescos franceses. Não há aquela típica profusão de dourados, mais comuns ao estilo rococó, o que propicia ambiente místico e contemplativo:

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto-MG (foto: clcosta)

A natureza se impôs e buscamos o Relicário 1800, restaurante tradicional, que funciona há 38 anos sob a batuta da família de D. Firmina, dublê de marchand e chef. Ocupa, literalmente, as instalações de antiga senzala, cujas paredes de pedra-à-vista são recobertas de obras de arte, pinturas, esculturas e artesanato:

Escada de acesso ao Restaurante Relicário 1800, em Ouro Preto-MG. (Foto by clcosta)

O cardápio é variado mas qual mineiro recusa um frango-com-quiabo-e-angu? A entrada, mineiríssima: mandioca frita e linguiça de lombo.

No restaurante, deparei-me com uma belíssima obra do José Assunção, que morou e trabalhou em minha terra, Nova Era-MG. Conheci-o pessoalmente: era barbeiro (cabelereiro), até que sofreu um acidente e mudou-se para Itabira-MG. Faleceu há mais ou menos 5 anos e ficou famoso como uma das expressões da pintura primitiva, ou naïve (naïf):

Pintura de José Assunção, meu conhecido de Nova Era-MG (foto by clcosta)

O sol ainda derramava seu calor e sua luminosidade sobre a terra, convidando-nos a permanecer na Vila Rica colonial. Descemos a Rua Direita, dobramos a primeira esquina e caminhamos até a Igreja de Nossa Senhora do Rosário: Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Ouro Preto-MG (foto by Ângelo)

Ao crepúsculo, em foto do Ângelo, Amélia e eu nos despedimos desta viagem ao passado histórico das Minas Geraes. Algumas horas, apenas, em Ouro Preto e voltamos revigorados à metrópole.

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