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14 outubro, 2007

Travessia

Entre a partida e a chegada há o que Guimarães Rosa considera a 'travessia':


- Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada.


É o que acontece nas viagens, antevividas desde o sonho e a preparação, a compra das passagens, o roteiro, a esperança ou o desejo dos encontros. A vida é, igualmente, uma viagem e uma travessia, cheia de mistérios e acontecimentos, alegrias e tristezas. Buscam-se para o viver: explicação, sentido, controle, conhecimento, leveza, memória que preserve os bons momentos por meio de imagens e recordações, fotos e lembranças.

Por isso narramos e descrevemos o acontecido, as peripécias, aventuras e vicissitudes, percepções e impressões. E, no narrar, revivemos...

A viagem que encerramos na madrugada de hoje teve muitos objetivos: participar do Congresso de Psiquiatria, passear pela serra gaúcha, comemorar nosso aniversário de casamento e rever amigos.

Para cada ítem caberá diferente linguajar, mesmo que o narrador seja o mesmo. Fatos serão ressaltados de acordo com a pretensa objetividade (jamais plena, bem o sabemos).

Mas a fidelidade que persigo, agora, é falar com alma e coração do Encontro que venceu o éter cibernético e o écran luminescente dos computadores e se concretizou em convivência de amizade. Na Travessia entre partida, chegada e retorno, tivemos histórias, famílias, amizade.

Falar com alma e coração do que experimentei nesses dias em Porto Alegre é tarefa para poetas, daqueles que ultrapassam o simples manuseio das palavras e transformam o vivido em 'universal', retratando o indizível das travessias que são as experiências cotidianas, encontros e desencontros.

Assim, meus caros Afonso e Milton, guardaremos, Amélia e eu, cada momento de convivência, cada chiste e cada abraço, cada delicadeza e a infinidade de sabores.


Ao Milton e sua Cláudia, nosso muito obrigado: compartilharam a própria casa de tal forma que nos sentimos à vontade, velhos conhecidos, amigos íntimos, simples assim.

A foto abaixo ilustra o clima de amizade, fruto de identificações e liberdade: nossas mãos em seus ombros obedeceram a script ditado pelo afeto:

Tainha na Telha (Mercado Central de Porto Alegre-RS)

Mais fotos e palavras belíssimas sobre nossos encontros foram postados pelo Afonso, aqui.

11 outubro, 2007

Micro-notas

Na azáfama que atormenta um congressista - não tipo daqueles de Brasília - mas tipo deste aqui que vos fala, diretamente do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Porto Alegre - consigo um minutinho para deixar micro-notícias:

1. Consegui dormir a noite toda, de ontem pra hoje, na cama adrede preparada pelo casal Ribeiro-Antonini, num certo quarto amarelo. O segredo de uma boa noite de sono? Leia aqui.

2. O jantar que Madame Antonini preparou é qualquer coisa que somente grand-chefs conseguem produzir: legítimo risoto de camarão e uma surpreendente salada temperada com quelque chose éxotique... segredos, segredos. Se alguém souber como se deliciar e não engordar, conte-me. Ouvi dizer que o importante é 'comer sem culpa'. Tá bão...

3. O D. Afonso já contou nosso reencontro às margens plácidas do Guaíba, que não se sabe se é rio, lago, baía, enseada ou assemelhados. Tem até photographias.

4. Neste momento, Amélia faz um city-tour, enquanto o maridão assiste palestras (ou tecla estas micro-notas). Ninguém é de ferro.

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Azáfama e adrede são palavras buscadas no baú da memória para fazer jus ao linguajar pampeiro... quem for bagual que o diga.

08 outubro, 2007

Novo endereço (provisório)

Tenho o prazer em comunicar que, de ontem até quarta-feira, estaremos atendendo na Rua da Bavária, em Gramado-RS. Ressaltamos que nossa ocupação será apenas lazer: passeios, fundues, caminhadas, relax... Estaremos juntos, Amélia e eu, comemorando aniversário de casamento, namoro, etc. e tal...


De quarta a sábado, desceremos a serra e aportaremos na mui leal e tri-legal cidade de Porto Alegre. O local de nosso esconderijo só o sabe o mui leal amigo Milton Ribeiro que, juntamente com sua consorte Cláudia, nos acolherá num certo quarto amarelo... honra e distinção, meus caros!


Ontem, antes de aportarmos a Gramado, ainda tivemos o prazer de conviver com três nobres representantes da realeza gaúcha: D. Afonso, Kaya e a Condessa Clarissa.


Sorry, periferia!

07 junho, 2007

A Condessa e o Plebeu

Era uma vez um reino muito distante, daqueles que só existem na imaginação. Ouvia-se falar que o clima era frio no inverno e quente no calor. Às vezes o sopro do vento vinha do nordeste, por isso chamavam-no 'nordestão'. Outro vento, pior ainda, descia dos Andes, enregelando a alma e o seu envoltório, e nomearam-no 'minuano'.

Falava-se, igualmente, de lutas e guerras farroupilhas, do 'homem do laço', do porto, das guaíbas, dos banhados e até mesmo da serra e do néctar que jorra de suas videiras. Seriam paraguaios, uruguaios, platinos ou gaúchos?

Pois que tem alma de aventureiro não se intimida.

Arriei e montei no cavalo ao qual eu chamarei de Fokker 100, da raça TAM. Sacode um pouco, tem selas meio apertadas, veio na base do pinga-pinga (Campinas e Curitiba) e apeei no tal reino, ao sul do equador, mais ao sul do trópico. Setentrional, o reino? Não sou afeito a geografias mas voei pelos céus, sobre montanhas e rios, planícies e outros "acidentes geográficos".

Ao desembarcar, eis que sou recebido por uma condessa, a Condessa Clarissa, acolitada pelo papai e pela mamãe, nobres, todos eles muito nobres.


Nobreza e fidalguia não rimam, mas fazem bem ao coração: quase me matam de tanta emoção (agora, rimou!).







P
alavras não há - socorram-me, poetas e trovadores!
Inspirem-me, musas e ninfas!
Forneçam-me significantes para um significado maior do que eu mesmo, plebeu das grimpas das Gerais, sendo recebido por tão ditoso séquito.

Morram de inveja, se invejosos forem os meus leitores.

Então, o céu estava límpido, o sol brilhava tépido, o vento não era nem minuano nem nordestão, era brisa que vivifica a alma e nos confirma que "amigo é coisa pra se guardar, no lado esquerdo do peito".
A Condessa

No mais, aqui estou. Acabei de chegar, nem esquentei lugar e já estou "em casa", neste reino do Rio Grande.