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22 dezembro, 2008

Blogs'n soup

O tempo úmido pedia encontros calorosos e alimentos quentes regados a cervas geladas. Foi exatamente o que providenciou o grande Idelber, acrescentando biscoito fino & massa a um encontro agradabilíssimo: intimou-nos a comparecer ao tradicional Skaldos [46 tipos de caldo de fabricação própria, desde o de carne com cebola, pimentão, cebolinha, salsa, azeitona, creme de leite, palmito e milho verde ao caldo de camarão com catupiry, cebolinha, salsa e tomate] na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza (pertinho da famosa esquina onde nasceu o mineiríssimo Clube da Esquina).

Nem precisa dizer que havia blogueiros e comentaristas de blog, categoria de leitores atentos que enriquecem os debates provocados por textos inteligentes da blogosfera.

Lá fomos nós, Amélia, Ana Letícia&Thiago e moi-même. Ao garçon coube a façanha de rearranjar as mesas, de tal forma que todos nos acomodássemos em torno de bate-papo agradabilíssimo, animado, multi-temático, levemente alcoólico [olha a lei seca aí, gente!], futebolístico, político, psicanalítico, jornalístico, jurídico e literário [lá estava Ana Maria Gonçalves, autora de um dos mais densos, interessantes e irresistíveis romances da língua portuguesa: Um defeito de cor].
Tudo de bom foi este encontro:
Altos papos

18 outubro, 2008

Congresso e amenidades

O Planalto Central está quente e seco. Mas há razoes para um passeio no Pontão, à beira do lago Paranoá: alguns restaurantes, os reflexos das luzes da Capital e a lua cheia soberana que me convida a passear tranquilamente com Amélia. Não diria que enlouqueci e, como Ismália, enxerguei ''uma lua no céu, outra lua no mar''. Não. Mas o poeta Alphonsus, certamente, repetiria a metáfora se aqui estivesse e fosse estimulado pelo chopp geladíssimo do Bierfass.

Congressos são para trabalho, estudo, encontros com um milhão de colegas e centenas de ex-alunos, muitos deles espalhados por esse país: Florianópolis, Recife, São Paulo, Juiz de Fora, Ceará, interior de Minas, etc.

Mas vir a Brasília teve outro especial sabor, o sabor dos abraços aos amigos Paulo & Letícia e Valdir & Autinha.

No mais, é correr de uma sala a outra, caminhar meia maratona dentro do Centro de Convenções Ulisses Guimarães, enorme. Além disso, há os stands da indústria farmacêutica, tal como uma feira de parque de diversões, cada laboratório brigando para atrair a atenção dos congressistas para seus produtos. Distribuem material científico, claro, mas repartem brindes, lanches, sorvetes, bugigangas. Também há utilidades, como livros técnicos, vídeos educativos (na área psiquiátrica) e ilhas de conforto onde nos assentamos com os colegas, descansamos as pernas e combinamos o que fazer, à noite, que ninguém é de ferro.

Tudo isso aconteceu de quarta até hoje. À tarde, encerra-se o evento e amanhã estaremos de volta a Beagá.

O intervalo na rotina diária é, igualmente, outra grande motivação para sair por aí, todo ano, cada vez em uma cidade. Ano que vem o Congresso da Associação Brasileira de Psiquiatria será em Sampa. Depois, em Fortaleza.

A ciranda continua, a engrenagem gira e a lusitana roda.

04 maio, 2008

Viagem afetiva

Bem sei que o ciclone previsto deixou sem luz o meu amigo Milton Ribeiro e muita gente mais lá pelas bandas do sul... mas, contrariamente às premonições do Serviço de Meteorologia, o fim-de-semana em Brasília-DF foi de tempo bom, em todos os sentidos: fizemos uma 'viagem afetiva', Amélia, Ana Letícia e eu.

Temos amigos valiosos na capital federal e queríamos estar perto deles e abraçá-los, para além do virtual internético ou dos telefonemas.

Assim, embornal a tiracolo, fomos num pé e voltamos no outro, mas a alegria dos encontros inundou nossos corações.
Primeiro, conhecemos a netinha meio-brasileira e meio-americana de Maria Auta e Valdir, numa festa de
segundo aniversário cheia de brilho, balões, brincadeiras e boa conversa. O papai Guga, que vimos ainda de calças curtas, agora é um jovem empreendedor lá nos States. O tempo passa...
No dia seguinte, hora de abraçarmos mermão Paulo e sua Letícia, de quem falei algumas vezes, em especial neste post de 2004.

Não era aniversário, mas também rolou a festa, juntou-se a família, filhos e namorado da filha, pois os laços afetivos são antigos e cultivados com encontros ocasionais, férias em conjunto, etc.
Não faltou champagne para o brinde de boas vindas.


'Quem encontra um amigo encontra um tesouro'. Pois então nos consideramos ricos, riquíssimos.

14 outubro, 2007

Travessia

Entre a partida e a chegada há o que Guimarães Rosa considera a 'travessia':


- Eu atravesso as coisas – e no meio da travessia não vejo! – só estava era entretido na idéia dos lugares de saída e de chegada.


É o que acontece nas viagens, antevividas desde o sonho e a preparação, a compra das passagens, o roteiro, a esperança ou o desejo dos encontros. A vida é, igualmente, uma viagem e uma travessia, cheia de mistérios e acontecimentos, alegrias e tristezas. Buscam-se para o viver: explicação, sentido, controle, conhecimento, leveza, memória que preserve os bons momentos por meio de imagens e recordações, fotos e lembranças.

Por isso narramos e descrevemos o acontecido, as peripécias, aventuras e vicissitudes, percepções e impressões. E, no narrar, revivemos...

A viagem que encerramos na madrugada de hoje teve muitos objetivos: participar do Congresso de Psiquiatria, passear pela serra gaúcha, comemorar nosso aniversário de casamento e rever amigos.

Para cada ítem caberá diferente linguajar, mesmo que o narrador seja o mesmo. Fatos serão ressaltados de acordo com a pretensa objetividade (jamais plena, bem o sabemos).

Mas a fidelidade que persigo, agora, é falar com alma e coração do Encontro que venceu o éter cibernético e o écran luminescente dos computadores e se concretizou em convivência de amizade. Na Travessia entre partida, chegada e retorno, tivemos histórias, famílias, amizade.

Falar com alma e coração do que experimentei nesses dias em Porto Alegre é tarefa para poetas, daqueles que ultrapassam o simples manuseio das palavras e transformam o vivido em 'universal', retratando o indizível das travessias que são as experiências cotidianas, encontros e desencontros.

Assim, meus caros Afonso e Milton, guardaremos, Amélia e eu, cada momento de convivência, cada chiste e cada abraço, cada delicadeza e a infinidade de sabores.


Ao Milton e sua Cláudia, nosso muito obrigado: compartilharam a própria casa de tal forma que nos sentimos à vontade, velhos conhecidos, amigos íntimos, simples assim.

A foto abaixo ilustra o clima de amizade, fruto de identificações e liberdade: nossas mãos em seus ombros obedeceram a script ditado pelo afeto:

Tainha na Telha (Mercado Central de Porto Alegre-RS)

Mais fotos e palavras belíssimas sobre nossos encontros foram postados pelo Afonso, aqui.

11 outubro, 2007

Micro-notas

Na azáfama que atormenta um congressista - não tipo daqueles de Brasília - mas tipo deste aqui que vos fala, diretamente do Congresso Brasileiro de Psiquiatria, em Porto Alegre - consigo um minutinho para deixar micro-notícias:

1. Consegui dormir a noite toda, de ontem pra hoje, na cama adrede preparada pelo casal Ribeiro-Antonini, num certo quarto amarelo. O segredo de uma boa noite de sono? Leia aqui.

2. O jantar que Madame Antonini preparou é qualquer coisa que somente grand-chefs conseguem produzir: legítimo risoto de camarão e uma surpreendente salada temperada com quelque chose éxotique... segredos, segredos. Se alguém souber como se deliciar e não engordar, conte-me. Ouvi dizer que o importante é 'comer sem culpa'. Tá bão...

3. O D. Afonso já contou nosso reencontro às margens plácidas do Guaíba, que não se sabe se é rio, lago, baía, enseada ou assemelhados. Tem até photographias.

4. Neste momento, Amélia faz um city-tour, enquanto o maridão assiste palestras (ou tecla estas micro-notas). Ninguém é de ferro.

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Azáfama e adrede são palavras buscadas no baú da memória para fazer jus ao linguajar pampeiro... quem for bagual que o diga.

19 julho, 2007

Balaio de Gatos e Gatas

Que Belo Horizonte é a capital mundial dos botecos, todo mundo sabe. Aqui acontece, há anos, o festival gastronômico Comida di Buteco, que movimenta a saudável boemia dos sem-praia: programa garantido é ir a um barzinho.

A palavra barzinho concentra todo e qualquer estabelecimento com mesas internas ou espalhadas na calçada e uma infinita variedade de tira-gostos, para todos os gostos e bolsos. A cerveja tem de estar geladíssima, o atendimento tem de ser de primeira e a comida é atração especial de cada um.

Natural, pois, que o Idelber e Ana Maria Gonçalves nos convocassem para o encontro dos blogueiros no Balaio de Gato. Éramos blogueiros e blogueiras, daí já me considerei um gato e saltei dentro do balaio.

O encontro foi ontem, plena quarta-feira. Dia útil, e daí? Todo dia é dia de boteco na capital das alterosas!

O local é super simpático, misto de barzinho e bazar de artesanato, badulaques, enfeites, lembranças, antiguidades, quadros, roupas, luminárias. Você acha de um tudo.





Quando chegamos, Amélia e eu, a mesa já estava composta dos gatos e gatas, blogueiros mineiros: Idelber e Ana Maria Gonçalves, Letícia e Fernando Lara, Juliana Mothern Sampaio, Fernanda Fefê e Maurício. Pouco depois chegou Ana do MineirasUai!
Então, estávamos lá:
  • Juliana Sampaio, uma das duas Mothern, sucesso de blog e TV (GNT).
  • Ana Letícia, filhota nossa, representando todas as Mineiras, Uai!

  • Letícia Marteleto, nossa professora demógrafa na Universidade de Michigan (USA), descreve suas aventuras no Letícia na Web, além de ser mãe da Helena e esperar mais um filhote do:

  • Fernando Lara, também nosso professor na Universidade de Michigan (USA), que ensina arquitetura, fala de espaços e de tudo o mais em Parede de Meia.

  • É claro que este que vos fala estava muitíssimo bem acompanhado pela primeira dama do Pras Cabeças, meu bem-querer Amélia.
Foi um encontro delicioso: a empatia e camaradagem nos irmanaram imediatamente. Em minutos, já estávamos íntimos, quase que descobrindo parentescos. Descobrimos amigos e referências comuns, confirmando, mais uma vez, que este mundo é muito pequeno. Mas nossa alma, ah!, nossa alma é enorme!

Eis os gatos e as gatas da noite:

Você pode ver todas as fotos do Balaio bem aqui.

15 junho, 2007

Novos Amigos

Completa uma semana que me assentei à mesa no Atelier das Massas, do chef Radaelli, em Porto Alegre.

À porta, fila de espera, enfrentada sem muito sofrimento, pois compartilhada com alguns colegas que participavam do Congresso de Psiquiatria da Infância e Adolescência [foto à esquerda]. O Atelier fora sugerido pelo mineiro Fabiano, em curso de especialização na capital dos pampas.

Entretanto, pouco antes das 20h, o colorado Milton Ribeiro, em resposta a telefonema que lhe fizera, liga-me convidando para jantar. Por instantes, instalou-se o conflito:
"-E agora? saio com a turma ou com o Milton, que desejo tanto conhecer pessoalmente?"

Durou um átimo e devolvi-lhe a ligação:
"-Já estou de saída e espero você e a Cláudia dentro de uma hora, para a sobremesa." Ele topou!

O grande Milton, porém, de coração grande e alma generosa, prega-me supresa e tanto ao aparecer sorridente, ainda a tempo de entrarmos juntos: decidiram-se a compartilhar conosco o programa de sexta-feira, ele e Cláudia.
Reconhecemo-nos imediatamente e o virtual cedeu ao real. Tal como acontecera, na véspera, quando abracei Dom Afonso e sua família, no aeroporto.
O jantar foi maravilhoso: o bom humor e a espontaneidade do Milton e da Cláudia logo nos contagiaram e posso dizer, sem exagero, que nossa mesa era a mais loquaz, animada e estrepitosamente gargalhante do lugar.



Mais um amigo para ser guardado do lado esquerdo do peito, como diz a canção.

O cardápio? Massas, of course. Precederam-nas os frios, outra marca registrada do lugar. Fui premiado com o Spaghetti Brody, exuberantemente guarnecido de camarões, champignons, ervas, brócolis...

Tudo muito bem regado ao Boscato Gran Reserva Extra, produto da terra. Tal como na casa de Dom Afonso, brindamos com vinho da terra. Nota 10!
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Mais fotos: aqui.
Ah! assista à entrevista hilária que o Flávio Prada acaba de postar, com o próprio Milton.

07 junho, 2007

A Condessa e o Plebeu

Era uma vez um reino muito distante, daqueles que só existem na imaginação. Ouvia-se falar que o clima era frio no inverno e quente no calor. Às vezes o sopro do vento vinha do nordeste, por isso chamavam-no 'nordestão'. Outro vento, pior ainda, descia dos Andes, enregelando a alma e o seu envoltório, e nomearam-no 'minuano'.

Falava-se, igualmente, de lutas e guerras farroupilhas, do 'homem do laço', do porto, das guaíbas, dos banhados e até mesmo da serra e do néctar que jorra de suas videiras. Seriam paraguaios, uruguaios, platinos ou gaúchos?

Pois que tem alma de aventureiro não se intimida.

Arriei e montei no cavalo ao qual eu chamarei de Fokker 100, da raça TAM. Sacode um pouco, tem selas meio apertadas, veio na base do pinga-pinga (Campinas e Curitiba) e apeei no tal reino, ao sul do equador, mais ao sul do trópico. Setentrional, o reino? Não sou afeito a geografias mas voei pelos céus, sobre montanhas e rios, planícies e outros "acidentes geográficos".

Ao desembarcar, eis que sou recebido por uma condessa, a Condessa Clarissa, acolitada pelo papai e pela mamãe, nobres, todos eles muito nobres.


Nobreza e fidalguia não rimam, mas fazem bem ao coração: quase me matam de tanta emoção (agora, rimou!).







P
alavras não há - socorram-me, poetas e trovadores!
Inspirem-me, musas e ninfas!
Forneçam-me significantes para um significado maior do que eu mesmo, plebeu das grimpas das Gerais, sendo recebido por tão ditoso séquito.

Morram de inveja, se invejosos forem os meus leitores.

Então, o céu estava límpido, o sol brilhava tépido, o vento não era nem minuano nem nordestão, era brisa que vivifica a alma e nos confirma que "amigo é coisa pra se guardar, no lado esquerdo do peito".
A Condessa

No mais, aqui estou. Acabei de chegar, nem esquentei lugar e já estou "em casa", neste reino do Rio Grande.