04 novembro, 2005

Sexo em números

7.103 pessoas (54,6% homens e 45,4% mulheres) responderam a 87 perguntas de um questionário elaborado pela Dra. Carmita Abdo, do Instituto de Psiquiatria do Hospital da Clínicas de São Paulo, aplicado em todas as regiões do Brasil, preponderantemente no Sudeste.

O tema?
Comportamento sexual dos brasileiros de todas as regiões do Brasil.
O resultado do trabalho da Carmita é tão científico quanto curioso e está disponível no livro "Descobrimento Sexual do Brasil", publicado pela Summus Editorial. Recebi um exemplar durante o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria.
Compõe-se de inúmeras tabelas, permeadas por textos explicativos, o que não significa tortura para o leitor, pois os ítens podem ser pesquisados a bel prazer e fornecem subsídios para reflexão, para retificar alguns mitos do senso comum e, principalmente, para nos surpreender.
Alguns exemplos:
  • A maioria das mulheres classifica como "bom" o seu desempenho sexual. Um número menor declara que o desempenho é "excelente". "Regular" e "ruim" perdem nas estatísticas. Os homens acompanham esta avaliação, embora a faixa etária mais avançada seja menos satisfeita consigo mesma. Parece que as coisas não vão tão mal...
  • Descobriu-se que 2,3% dos homens e 2,2% das mulheres confessaram já ter pensado (pelo menos uma vez na vida) em mudar de sexo.
  • O cansaço é o que mais interfere negativamente no desempenho sexual de mulheres heterossexuais (58,6%). Os homens (50,8%) também apontam o cansaço como fator negativo para a qualidade de sua vida sexual.
  • Homens e mulheres adolescentes têm muitas dúvidas e ansiedades por ocasião das primeiras experiências sexuais. Para os rapazes, questões como o tamanho do pênis, a capacidade de ereção, o momento da ejaculação, medo da gravidez, medo de doença sexualmente transmissível (AIDS), fantasias acerca do que a parceira vai dizer para os outros. As moças, igualmente, sofrem a respeito da própria performance (será que ele vai gostar?), têm medo de ficar tensas demais, têm dúvidas de como o rapaz vai encarar a sua virgindade, temem as doenças e a gravidez. Ou seja, de maneira geral, a primeira transa não é a melhor.
  • O uso de preservativos em todas as relações sexuais é praticado por menos de 30% das mulheres e pouco mais que isso pelos homens.
  • Quanto ao sexo extra-c0njugal ou extra-relacionamento afetivo, o Estado em que há menos casos de "traição" é o Paraná: mulheres (19,3%) e homens(42,8%). Paranaenses são os mais fiéis...
  • Os Estados onde há maior prática de "sexo estra" são o Rio de Janeiro - mulheres(34,8%) e Bahia - homens(64,0%). As mineiras surpreenderam com índices maiores de infidelidade que as paulistas, baianas, pernambucanas, cearenses e goianas, entre outras.
  • Existe grande discrepância quanto à quantidade desejada de relações sexuais e a quantidade efetiva realizada por semana. Os jovens gostariam de ter entre 6 e 8 relações por semana, enquanto têm, na verdade, até 3. Essa proporção é a mesma nas pessoas mais velhas: "a média realizada é a metade em qualquer fase da vida", demonstra as estatísticas. Sonha-se mais do que se faz!

Universo pesquisado: 38,9% casados; 11,2% amasiados; 37,5% solteiros; 10% divorciados; 2,4% viúvos. Todos eram alfabetizados, condição indispensável para responder às 87 perguntas.

Dra. Carmita Abdo reconhece que as estatísticas são apenas números, cabendo-lhes múltiplas leituras. No incício do livro, cita frase do escritor norte-americano, Mark Twain: "There are three kinds of lies: lies, concealed lies and statistics" = "Há três espécies de mentira: mentiras, mentiras disfarçadas e estatísticas".

Os dados vão se sucedendo, números e mais números, cujo significado jamais será unívoco. O conteúdo do livro não é específico para os profissionais da área; "ao contrário, pode ser entendido por qualquer pessoa que se interesse pelo assunto".

É lógico que a "radiografia" obtida pela pesquisadora jamais dará conta dos sentimentos mais profundos da pessoa. A dimensão "psicológica" - emocional - é atributo pessoal e deve ser perscrutado na singularidade de cada um.

Não se trata, pois, de um estudo sobre o Amor, sobre a afetividade, muito menos acerca dos mecanismos inconscientes que determinam e colorem as experiências afetivo-sexuais. Lembre-se Sigmund Freud que deu à palavra Éros (erotismo) uma dimensão muito maior do que a pura sexualidade: cumplicidade, amizade, prazer de viver, impulso à vida, intimidade, respeito mútuo, carinho...

Cada um de nós, afinal, sabe muito bem que a questão principal repousa sobre o verdadeiro objeto de desejo e sobre como obter a felicidade.

Eis a tarefa de nossa vida.

02 novembro, 2005

Ah!


Pão-de-queijo, originally uploaded by clcosta.
O "dia dos finados" amanheceu chuvoso na capital das Minas Gerais...
Quarta-feira de folga, feriado bem no meio da semana, deveria mesmo ser de lei. Nada como uma pausa entre dois dias de muito trabalho... sei que é comodismo, o país perde receita e eu também (afinal, é um dia sem clientes). Mas que é bom, lá isso é.
Inda mais quando, ao levantar-me para o café-da-manhã, chego à copa e sinto aquele cheirinho de café recém coado (estamos usando o Fino Grão "forte", uma delícia!) e o odor indescritível - que só mineiro do interior conhece: pão-de-queijo saindo do forno!
Carinho da Amélia, "comemorando" que hoje amanhecemos toda a família em casa, diferente dos dias-de-semana comuns, quando cada um vai saindo de acordo com suas atividades, às vezes nem nos encontramos. Que venham outras quartas-feiras assim.

01 novembro, 2005

Gentileza urbana

Édson Maia Campos é vigilante em uma empresa, aqui em Belo Horizonte. Numa noite dessas, enquanto fazia a ronda, surpreendeu um larápio(*) dentro do estabelecimento. Deu logo o grito:
- Alto lá! Esteja preso!
O marginal partiu pra cima dele.
- Pare ou atiro!
O ladrão avançava. Sem alternativa, o vigilante, que portava legalmente uma arma, deu um tiro para cima, como que dizendo:
- Não estou brincando, pare ou atiro!
Só então o ladrão foi imobilizado.
O delegado de plantão ouviu as partes e constatou que se tratava de um bandido respeitável, de extenso Curriculum Criminis. Gente fina, merecedor de toda delicadeza.
Baseado na Lei, mandou prender... o vigilante!
- Eu, Doutor?, protestou o funcionário, por que eu?
- O senhor colocou em risco a vida dos cidadãos! Sua bala poderia ter acertado algum inocente!
Quanto ao larápio, após ser lavrado um ato de suposta tentativa de arrombamento, foi jantar e dormir em casa. Afinal, estava cansado e estressado.
O vigilante amargou quatro dias de cana e está sendo processado por tentativa de assassinato.
__________________________________________________________
(*) Larápio: havia em Roma um pretor de nome Lucius Antonius Rufus Appius que se assinava L. A. R. Appius e passava sentenças favoráveis a quem melhor por elas pagasse, com o que larápio se tornou designativo de qualquer pessoa que agisse de modo desonesto.

31 outubro, 2005

Aniversário à Minas Gerais

Dirigir pela BR 262, no sentido Belo Horizonte-Gov.Valadares é uma temeridade! A rodovia deixa BH em direção leste e logo serpenteia por entre as escarpas da Serra do Espinhaço: à direita, ficam os maciços da Serra da Piedade e da Serra do Caraça, na direção de Ouro Preto. No topo da primeira, estão uma ermida em homenagem à Nossa Senhora da Piedade e e o Observatório Astronônico da UFMG; à esquerda, a cordilheira segue em direção à Serra do Cipó e busca a Chapada Diamantina, lá na Bahia.

O trânsito é infernal: toda a produção do Vale do Aço (Acesita, Belgo Mineira, Usiminas) escoa por essa rodovia que, agora, passa por um melhoramento. Máquinas na pista, empregados, falta de sinalização, etc. Após longa estiagem, chegou a temporada das chuvas. A neblina cobriu boa parte do trajeto, entre a entrada para Caeté e São Gonçalo do Rio Abaixo.

Nova Era, nosso destino, fica às margens do Rio Piracicaba, pouco antes que desemboque no Rio Doce, em direção ao Oceano Atlântico. Minas é a encruzilhada do Brasil: a leste, Vitória-ES; ao sul: São Paulo e Rio. Ao norte: Brasília e interior da Bahia. A oeste, Goiás e Mato Grosso. Êta mundão, sô!

A paisagem de montanhas é belíssima: ainda há registros de mata atlântica, embora predomine a vegetação de transição para o cerrado. O Rio das Velhas, a poucos quilômetros de Belo Horizonte, nos lembra que Sabará fica logo ali e que, se nos deixarmos levar por suas águas, chegaremos ao Rio São Francisco, deixando pra trás Santa Luzia e Jaboticatubas.

É muita história a impregnar essas terras das Gerais, caminhos dos Inconfidentes e dos tropeiros, igrejas e capelas dos tempos coloniais, altares e santos barrocos cobertos de ouro.

É a
Estrada Real, com duas vias que partem da cidade do Rio de Janeiro e de Parati, para encontrarem em Ouro Preto. Daí, seguem por estas regiões que agora atravessamos e conduz a Diamantina, de onde desciam toneladas de diamantes, ouro, pedrarias. Hoje, as montanhas de Minas vão sendo carcomidas pelas mineradoras (MBR, Vale do Rio Doce, etc.) que exportam o minério de ferro que abastece o mundo. Ainda por aqui estão as internacionais Anglo Gold e outras, cujas galerias subterrâneas, algumas a 1200m de profundidade, produzem ouro como nunca se viu (e nunca veremos!).

Viajar pela 262, além dos sustos do tráfego pesado, nos proporciona recordar fatos históricos, os Ciclos do Ouro e do Minério, as devoções, o Barroco, etc.

Todos os obstáculos dessa viagem de ontem foram enfrentados com prazer, pois o objetivo era comemorarmos o aniversário do meu pai, Soié.

Chegamos ainda cedo em Nova Era, a tempo de tomar um lanche preparado pela minha mãe: empadinha e refrigerante para a meninada (os netos) e cafezinho com biscoito de polvilho, torradinho, torradinho... Nada muito substancioso, pois logo logo teríamos o almoço.

Dessa vez, a família se reunião no restaurante do Garden Hotel, cujo cardápio foi bem mineiro: saladas, tutu-de-feijão, arroz com milho verde, salpicão e lombo recheado. As sobremesas, além da inevitável torta de chocolate recheada com cocada mole, constituíram um espetáculo à parte: cidra cristalizada e em calda, mamão em calda, doce de leite mole e em pedaços, cajuzinho... Ah! É até exagero essa hospitalidade mineira...

À tardinha, uma visita ao Museu Histórico de Nova Era, com centenas de peças antigas, desde a fundação da cidade, no início do século 18. Uma belíssima exposição fotográfica exibia fotos e documentos das décadas de 20 a 50, todas do acervo de meu tio Diló (irmão do Soié), o primeiro fotógrafo da região. Minha mãe descreveu cada foto, nas quais podia reconhecer personagens que já se foram, figuras que marcaram sua infância na antiga São José da Lagoa.
Minas são muitas. Minas é plural.
Soié e Aparecida recebiam a todos em alto astral

28 outubro, 2005

Dupla festa

O 28 de outubro, é dedicado pelos católicos a São Judas Tadeu. Na verdade, são dois os santos do dia: Simão e Judas Tadeu - este ficou com a fama, aquele ninguém conhece. Outro Judas famoso, o Iscariótes, vendeu-se por 30 dinheiros e entregou Cristo aos soldados romanos. Enforcou-se numa figueira e sua alma deve estar penando por aí...

Aqui em Belo Horizonte, no bairro Nova Floresta, existe um enorme santuário em homenagem ao "santo das causas impossíveis", Judas Tadeu:
As ruas do entorno ficam abarrotadas, durante todo o dia. As missas se sucedem de hora em hora, assistidas por milhares de fiéis, alguns vestidos com túnicas, tal qual os santos.
O comércio ambulante se aproveita: barraquinhas de pipoca, algodão doce, maçã do amor, sanduíches (cachorro quente com milho verde, maionese, folha de alface, catchup e mostarda!). Refrigerantes, sucos, cerveja. Miniaturas de imagens, terços, medalhas, escapulários e santinhos, além de folhetos com orações, tudo é oferecido ao "peregrino". Vem gente de toda parte, daqui mesmo, da região metropolitana e até de municípios mais distantes.
É uma "festa do interior" em plena metrópole.
Nos outros meses, em menor escala, o dia 28 provoca grande afluxo de pessoas, a ponto de ser necessário fechar ao trânsito as ruas estreitas do Nova Floresta.

Quando o Aeroporto da Pampulha ainda era o mais utilizado - agora os vôos foram transferidos para o distante Tancredo Neves - Confins - eu o utilizava muito. Durante 10 anos, frequentei a ponte aérea BH-Brasília, pois ministrava cursos na capital federal. Tão logo o avião decolava e se inclinava para a direita, de sua janela eu vislumbrava a enorme cúpula da Igreja de São Judas. Tinha certeza, então, de que estava voando!

Hoje é, também, o dia do Funcionário Público.
Ao voltar para casa, ontem, deparei-me com um outdoor alusivo à data nas imediações da Assembléia Legislativa. Tão descuidadamente foi feito que lá está escrito: funcionários púbicos! Já não pagam bem e ainda lhes comem uma letra. Ou foi proposital? Na verdade, muitos consideram os funcionários do governo como parasitas, dos quais um dos mais mal-afamados é o Poediculus Pubis, também conhecido como "chato", habitante dos pêlos pubianos... primo pobre dos piolhos (Poediculus Capitis), que se enroscam nas cabeleiras descuidadas. Freud explica?

O título deste post, entretanto, se refere a outras duas comemorações, para mim muito mais importantes:
1- hoje é meu aniversário de casamento! Se casar é uma loteria, então ganhei na loto, digo sempre. Minha companheira é a Amélia, que me trata a "pão-de-ló e chantilly", no sentido literal e nos outros sentidos todos. Não é a Amélia do Mário Lago, a tal "mulher de verdade que passava fome ao meu lado", muito antes pelo contrário: passamos é muito bem! Agora, "mulher de verdade", lá isso é!

2. hoje é, ainda, o aniversário de meu pai, Soié. Para quem o conhece, nem é preciso falar de sua alegria de viver junto à eterna namorada Aparecida - minha mãe!-. Nem de sua dedicação à família, suas piadas, pegadinhas e brincadeiras. Uma vez o chamei de Soié, o Espirituoso!. Sabe contar casos como ninguém: confiram no Ontem e Hoje, o Blog do Soié!

Este fim-de-semana será dedicado aos dois - Soié e Aparecida: estaremos em Nova Era-MG, onde as saudades serão abrandadas com muito papo, risos, encontro dos irmãos, sobrinhos e netos. O almoço de domingo promete! Estão convidados...

26 outubro, 2005

Dr. John = jazz, blues, funk e rythm'n' blues

Ontem foi dia do show de Dr.John no Chevrolet Hall de Belo Horizonte, atração do Tim Festival 2005.
Há mais de um mês me preparei para assistir o mestre do jazz, blues, funk e rythm'n' blues. Dr John habita minha estante de CDs há muito tempo, desde que adquiri seu ótimo Goin' Back to New Orleans. O cara é manhoso para cantar e tocar: "arrasa" ao piano!
Aqui em Belô ele se apresentou com sua banda The Lover 911: John Fohl na guitarra, David Barard no baixo e Herman Ernest III na bateria. Barard deu um show à parte, empolgando a platéia.
Angelo & Pai no Dr John
Minha companhia foi o filho Ângelo

Dr. John vestia um terno vermelho. Em vários momentos tocou simultaneamente o piano e o teclado. Emocionou o público com Sweet Home New Orleans, em homenagem à sua terra, devastada pelo Furacão Katrina. Tudo de bom. Uma noite e tanto!

22 outubro, 2005

Plebiscito: Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco? Hein? Heim?


Amanhã é o referendo acerca da proibição ou não da venda de armas em território nacional. Segundo um jornal de hoje, os eleitores vão escolher o SIM ou o NÃO movidos mais por argumentos emocionais do que racionais. Ou seja:
  • o eleitor prefere não pensar sobre o assunto, ou não consegue!
  • as propagandas não apresentaram argumentos sólidos!
  • os políticos, espertos como sempre, não deram as caras nos programas do TRE!
  • não se sabem - ou não se quer saber - ou não se explicitam as verdadeiras consequências do SIM e do NÃO.

Penso que há outros problemas graves a serem discutidos - mas que são escamoteados. O povo, tratado como boi no pasto, não é convidado a opinar.

Um exemplo é a proposta de um plebiscito como no título deste post: Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco?

Todos sabemos que o alcoolismo é a maior - digo, maior - constante em casos de acidentes e brigas, acarretando grande número de mortes - inclusive pelo uso das famigeradas armas de fogo - sem falar em facas, facões, canivetes, pedradas, cacetadas, esganadas e quejandos...

Todos sabemos que o alcoolismo é responsável por 25% das internações psiquiátricas, custando "o olho da cara" aos cofres públicos e empresas.

Todos sabemos que o alcoolismo é causa de outras doenças, tipo cirrose hepática, desnutrição, hipertensão, insuficiência renal, etc.

Todos sabemos que o uso do tabaco é a maior - digo, maior - causa de doenças pulmonares (entre outras, o mortífero câncer de pulmão) - 80%!

Todos vemos as fotos nos maços de cigarros e desconhecemos a mensagem: "O Ministério da Saúde adverte: fumar faz mal à saúde".

A Aliança Cidadã pelo Controle do Álcool-ACCA divulga notícias interessantes sobre o tema. Entre outras:


Exemplos de países que limitaram a publicidade de álcool e tabaco e os efeitos desta limitação até 1996:
  • Noruega - limitou a publicidade em 01/07/1975 - diminuiu o consumo em 26%
  • Finlândia – em 01/03/1978 – diminuiu em 37%
  • Nova Zelândia – em 17/12/1990 – diminuiu em 21%
  • França – em 01/01/1993 – diminuiu em 14%
  • Em países onde se proibiu a publicidade de licores, o consumo se reduziu em 16%;
  • A proibição da publicidade de vinho e cerveja, diminuiu o consumo de álcool em 11%;
  • A proibição de publicidades de licores reduziu os acidentes em 10%, e a de cerveja e vinho em 23%;
  • A proibição da publicidade de bebidas alcoólicas na Suécia nos anos 70 diminuiu o consumo em 20%.

  • Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) do ano passado, mostrou que 13,4% dos acidentados que entravam no pronto-socorro do Hospital São Paulo estavam embriagados ou foram vítimas de alguém que tinha bebido demais. A maioria tinha tomado o equivalente a seis latas de cerveja ou 250 ml de destilado nas últimas seis horas.

Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco?

19 outubro, 2005

MATAR OU MORRER?

Tem rolado uma discussão até interessante, que a todos nos faz pensar:
- Como acabar com a violência?

Há inúmeras propostas, idéias... que vão desde o desânimo (nada se pode fazer) até à instauração da pena de morte (legalizada) o porte de armas à população civil (para que se defenda!) ou a proibição de venda de armas (para que não nos matemos!!!).
- SIM ou NÃO no referendo?

Parece-me que o foco das discussões oscila entre vertentes múltiplas:
1a.) como acabar com a violência?
2a.) como acabar com os bandidos?
3a.) acabando com os bandidos, acaba-se com a violência?
4a.) o que causa a violência?

Para a primeira questão, tenho uma resposta terrível: a violência é inerente ao ser humano (se não se educa uma inocente criancinha, ela já será insuportável!)

A história da violência (violência = uso da força) se confunde com a história do ser humano: no primeiro livro bíblico, aprendemos que os filhos de Adão e Eva se envolveram numa briga, por CIÚMES !!! Caim, não suportando o que ele interpretou como preferência divina por Abel (já que a fumaça dos sacrifícios do irmão -ao cremar as oferendas- subia em linha reta para o CÉU) resolveu matá-lo. De fato, acabou com ele.

Tá bom, isso pode ser apenas uma lenda judaica, mas serve de paradigma: se até os irmãos de sangue brigam e se matam, quem não será capaz de fazer o mesmo?
Amantes matam em nome do amor...
Soldados matam em nome da pátria...
A polícia mata em nome da Lei...
A Igreja, o Islã, o Protestante, todos mataram e continuam a matar em nome da Fé... (Dizem que as guerras religiosas são mais frequentes e mortíferas do que as guerras por território!) E matam em Nome-de-Deus!
Existem casos de homicídio, parricídio (filho matar o pai), filicídio (pais matarem filhos), etc....

O maior número de casos de abuso sexual e violência física contra crianças acontece DENTRO de casa, por um parente!!!

Quando alguém nos ofende, dizemos: "Fulano MORREU prá mim!"... ou seja: Eu o MATO afetivamente...

A história da humanidade é um filme de terror, verdadeiro holocausto, incessante, terrível, avassalador, onde os vencedores e dominadores sempre exterminaram seus semelhantes (tachados de hereges, inimigos perigosos, bárbaros... qualquer desculpa vale para, exatamente, livrar-nos da CULPA).

Não me assusto com os gritos de "morte aos inimigos! morte aos bandidos!" pois eu mesmo, na hora em que me sinto agredido, ou ao ter algum conhecido roubado, assassinado, lesado, eu mesmo sou dominado pela raiva ("se eu pudesse, te esganava!!!").

A RAIVA mobiliza meus impulsos agressivos (normais, naturais e necessários à sobrevivência) e, naquele momento, me identifico com meu agressor: Eu = Bandido! Se ele mata, eu também mato (ou condeno à morte, na forma da Lei).

Para a segunda questão (como acabar com os bandidos?) não tenho resposta. O que não significa que nada possamos fazer.

Para controlar a violência inerente ao ser humano (como demonstramos acima) a própria humanidade se esforça desde tempos imemoriais: Já na antiga Mesopotâmia, criou-se o primeiro código legislativo de que se tem notícia: o famoso Código de Hamurabi (meu irmão Bonifácio e minha filhota
Ana Letícia podem dar aulas sobre isso).

Desde então, criam-se leis, que são aperfeiçoadas ao longo da história. Algumas leis são do tipo ( Honesto = Bandido ), são as normas tipo Lei do Talião (olho por olho, dente por dente)... Outras,mais brandas, outras mais severas, pois autorizam o Estado a matar o assassino, seus pais, seus filhos, seus parentes.... até confiscar todas as propriedades.... Isto existe, sim!

Eis, pois, o que considero a mãe de todas as questões: como punir os bandidos e como desestimular e inibir a violência que habita o coração dos homens?
- Tarefa impossível, porém NECESSÁRIA!

O que sustenta a humanidade na face da Terra é, exatamente, lutar para conseguir o impossível. Daí as leis, a ordem, os castigos, os prêmios.... enfim, a Lei (sempre imperfeita, nunca onipotente).

Por melhor que sejam, porém, leis são feitas por nós, homens e refletem nossa imperfeição.

O que podemos esperar de uma civilização em que o exercício da autoridade está sendo colocado em cheque, os governantes titubeiam no exercício do controle de atividades ilícitas, já não se consegue diferenciar o certo e o errado, a polícia e o ladrão?

Ora, a única forma de inibir os impulsos agressivos é a EDUCAÇÃO, no sentido mais amplo.

Começa, aqui, o exercício das Virtudes: JUSTIÇA, alegria, solidariedade, respeito ao próximo, CULTURA, amor, poesia, arte, honestidade, não submissão ao consumismo, valorizar o SER e não o TER!!! Exatamente o que vai na contramão dos (des)valores do mundo atual.

A injustiça é tão disseminada e estrutural que podemos afirmar: a violência faz parte e é uma das estratégias de dominação e segregação. Ou seja: está deflagrada a luta de castas!

- Difícil, né?
- Eu também acho.

12 outubro, 2005

Começa, hoje, aqui mesmo em Belô, o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria.
Estarei presente, entre outros quatro mil colegas! Já agora de manhã, no MinasCentro, onde se realiza este mega-evento, encontrei colegas de Brasília, João Pessoa, Porto Alegre, São Paulo, Juiz de Fora, Pernambuco, Sergipe... tudo isso apenas na fila do "crachá"...
Serei relator numa Mesa Redonda acerca do "Diagnóstico Diferencial do Transtorno de Déficit de Atenção x Transtorno de Humor Bipolar em Crianças e Adolescentes" (ufa! o titulo é grande e a trabalheira pra preparar maior ainda!). Se der, faço um resuminho aqui no PrasCabeças.

A boa dica aos congressistas é uma visita ao Mercado Central, que fica logo em frente do MinasCentro: é só atravessar a avenida. Imagino que haverá mais congressistas tomando umas e outras que em algumas palestras (afinal, congresso é pra isso, não?).

11 outubro, 2005

Desarmamento - variações sobre um tema

COMO NOVA YORK REDUZIU AS ARMAS ILEGAIS

por Louis Anemone (ex-chefe da Polícia de Nova York-NYPD (1995-99), e membro do Instituto Fernand Braudel. Este artigo foi adaptado de sua palestra na Conferência Internacional sobre Violência e Segurança Pública em São Paulo e Rio de Janeiro, em outubro de 1999)

Armas de fogo são utilizadas em 59% dos homicídios em Nova York e 90% dos assassinatos em São Paulo. Uma estratégia de redução da posse e uso de armas de fogo ilegais levou ao declínio dos homicídios em Nova York nos anos 90.

De 1993 a 1998 os assassinatos na cidade de Nova York caíram 64% e os disparos de armas de fogo da polícia caíram mais de 66%! O número de balas disparadas caiu de 1.017 em 1995 para 526 em 1998. O número de pessoas baleadas pela polícia caiu de 70 em 1995, 26 delas fatalmente, para 62 em 1998, com 19 mortes [comparadas com 593 civis mortos pela polícia em São Paulo].

Tivemos a nossa dose de controvérsias em torno de tiroteios e encontros envolvendo a polícia neste período, mas a tendência geral tem sido positiva, apesar da natureza chocante de alguns desses encontros, especialmente o estupro, por policiais, de Abner Louima em uma delegacia do Brooklyn em 1998 e os 41 tiros, desferidos por membros da unidade de crime de rua do Bronx, que mataram Amadou Diallo, um imigrante africano desarmado, em 1999.

A redução dos disparos teve um impacto profundo na vida da cidade. O New York Times noticiou em 1998 que o Departamento de Saúde de Nova York planejava fechar alguns de seus centros de traumatologia, pois o número de vítimas de tiros nesses hospitais não era mais suficiente para ocupar os jovens médicos especializados em serviços de emergência.

Uma estratégia para se atingir esses resultados surgiu em "Quatro passos para a redução do crime", elaborado por Jack Maple, que eram:
1. Inteligência precisa e oportuna comunicada claramente a todos.
2. Mobilização rápida das forças policiais.
3. Táticas eficazes.
4. Acompanhamento e avaliação implacáveis.

Continuação do texto: AQUI.

10 outubro, 2005

Sim ou Não? Sonhar é preciso!

Aproxima-se o dia do plebiscito sobre o desarmamento.
Sinto-me cada vez mais como cego no meio do tiroteio. Estamos sendo soterrados por uma avalanche de números, estatísticas, dados conflitantes, falsos argumentos onde o que menos falta é consistência. A questão colocada é hamletiana:
- To be or not to be ?
- Sim ou não ?
- A favor ou contra?

Meu mal-estar me surpreende: por que estou enojado diante da proposta do tal plebiscito?
- Por que não vejo sentido nele: quais serão as consequências de um "sim" e de um "não"? A violência vai acabar? Vai diminuir? Seremos todos massacrados pelos bandidos? Vamos nós ficar mais bonzinhos, educados, respeitadores dos direitos uns dos outros? Reinará, enfim, a paz entre os homens?

Recorro à utopia: sonhar é preciso, viver não é preciso - bem sei que a frase original não é assim.

"Utopia" vem do grego (ouk=não + tópos = lugar, ou seja, lungar nenhum, lugar que não existe) e deu nome à famosa alegoria de Thomas More, acerca de um sistema político igualitário, trabalho dividido de acordo com a capacidade de cada um, igualdade social, talvez um "comunismo" ou "socialismo" idealizado.

Quanto ao tema do desarmamento, qual o meu mundo idealizado? Um mundo sem violência, um mundo onde todos se respeitassem, um mundo onde não haveria crimes, assaltos, abusos...

- Ah! mas isto é um sonho, este mundo não existe!

Pois é o que me resta: sonhar. Não um sonho delirante, pura fantasia, mas um sonho que pede ações concretas, que me ponha a trabalho. Na minha insignificância, posso manifestar meu desejo de que não existam armas no "não-lugar" (que é igual a "todo-lugar").

- Então você vai votar pelo "Sim" ao desarmamento?
- É isso, votarei no "Sim".

- Há alguma explicação racional para seu voto?
- Não, nenhuma. Assim como não vejo explicação racional para este plebiscito.
- Então, vote pelo "não"!
- E meu sonho, o que faço com ele?
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07 outubro, 2005

Êêêê,ôô
Vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz!


E eu que não sabia?

O povo brasileiro é um dos povos mais felizes do mundo, segundo a pesquisa publicada pela BBC em 05 de outubro: Brasil é nono em 'ranking da felicidade' [Pesquisa revela que 82% dos brasileiros estão 'muito felizes' ou 'satisfeitos' com a vida.]

Antes de ler as explicações da BBC, já levanto algumas hipóteses:


1)Temos uns dos melhores governos do mundo, elogiado até pelo FMI;
2) nossas estradas estão entre as melhores, nas quais morrem apenas 53.000 pessoas por ano, muito pouco se comparado ao holocausto ou à gripe espanhola ou à bomba aômica que os USA jogaram sobre o Japão;
3) nossa desigualdade social não é tão cruel assim;
4) somos campeões mundiais da taxa de juros, enriquecendo os banqueiros e garantindo a estabilidade econômica (deles);
5) compramos nossas roupas na Daslu e bugigangas da China;
6) não temos mais corrupção, como está comprovado pela falta de provas nas CPIs. Tanto assim que o Congresso castigou o Cafajefferson por ter inventado tantas mentiras contra políticos honestíssimos;
7) nossos campos têm mais flores, nossas matas mais amores, as aves que aqui gorgeiam não gorgeiam como lá e o sertão vai virar mar com a transposição do Velho Chico;
8) aqui moram as mulheres mais lindas do mundo, como a Giselle Bundchen, por exemplo;
9) temos muitos amigos pobres, dos quais é o reino dos céus;
10) já estamos tendo furacões em Santa Catarina, coisa que só acontecia no Hemisfério Norte, embora ainda nos faltem vulcões e terremotos. Mas vamos chegar lá!

Por tudo isso, acho a pesquisa citada pela BBC completamente errada, ao enumerar apenas os seguintes motivos que tornam o brasileiro feliz:

  • Boa saúde - 75%
  • Casa própria - 63%
  • Estabilidade financeira - 61%
  • Casamento feliz - 44%
  • Emprego interessante - 44%
  • Viagem de férias - 38%
Verdadeiramente uma maravilha: 61% têm estabilidade financeira e 38% viajam nas férias!!!
Quase que me considero infeliz, diante de tanta felicidade...

Mas se quiserem uma receita infalível para felicidade duradoura, eis a receita do Salmão ao Molho de Maracujá, do post anterior:

I - o salmão: tempere suvemente duas postas de salmão, a seu gosto. Bote-o a fritar sobre fina camada de azeite numa frigideira com fogo baixo, por 15 minutos. Mantenha-o tampado. Ao servir, deixe o lado mais corado para cima, sobre o qual você derramará o molho.

II - o molho:
a) ingredientes:
  • 1 xícara (de chá) de água
  • 1 tablete de caldo de legumes
  • 3 colheres (de sopa) de azeite
  • 1/2 cebola ralada
  • 1 dente de alho
  • 1/4 de xícara (de chá) de suco de maracujá concentrado
  • sementes de maracujá a gosto (coloquei a polpa de meio maracujá)
  • 1 colher (de chá) de amido de milho (maizena) diluída em um pouco de água
b) modo de fazer o molho:
  • Doure a cebola e o alho no azeite. Adicione, a seguir, os demais ingredientes, exceto a maizena e deixe ferver. Por último, coloque a maizena, passe tudo por uma peneira e sirva imediatamente, sobre o salmão.
Minhas observações: caso o suco seja muito concentrado ou o maracujá muito ácido, utilize menor quantidade ou dilua mais. Para corrigir a acidez é permitido colocar um pouco de açucar, sem que fique "agridoce".

Qual vinho você recomenda, Allan?

E assim, sigamos felizes!

06 outubro, 2005

Salmão ao Molho de Maracujá


Salmão ao Molho de Maracujá, originally uploaded by clcosta.

Dizem que os políticos preparam uma enorme pizza já temperada e no forno das CPMI's.
Quanto a mim, sou mais um salmão ao molho de maracujá, como este que preparamos - minha Amélia e eu - no domingo passado. O salmão foi o "grand chef" aqui. O molho de maracujá foi a quatro mãos. A ervilha e o arroz foram delicadamente cozidos pela Amélia.
Por ora, não quero saber de CPIzzas...

05 outubro, 2005

Ildeu Brandão faleceu há 11 anos. Sempre escreveu muito, mas pouco publicou.
Está para sair um livro inédito de contos.
Eis uma pérola:
ATO FALHO
"Aqui em casa não tem uma barata", disse a mulher, num tom de desafio.
Os que estavam na sala se entreolharam, com exceção do marido da desafiante, que não era capaz de ousar nem mesmo olhares.
"Nem uma para remédio", concluiu ela, depois de chicotear os olhos em torno, caçando alguma aceitação do desafio. Não encontrou nenhum e gritou para o interior, voltando a cabeça na direção da cozinha e fazendo estufar as veias do pescoço:
"Jova, traz as bolachas".
Jova, que era Juventina, trouxe as bolachas num prato, cobertas com uma toalhinha azul, e pôs o prato no centro geográfico da mesa. Todos se inclinaram, na expectativa da iminente quebra do jejum forçado, e o dono da casa descobriu as bolachas, puxando a toalhinha azul para um lado. Quinhentos pares de olhos pousaram então, ao mesmo tempo, sobre uma bolacha diferente na forma e na cor, que encimava a pilha de bolachas.
O dono da casa, concluindo um instantâneo levantamento da situação, pinçou-a com dois dedos, mastigou-a e engoliu-a - antes que ela escapasse."
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[Publicado no Suplemento Literário de Minas Gerais, setembro, 2005.]

04 outubro, 2005

Há dias em que penso
ser minha linguagem,
talvez, a do vento

[Takuboku Ishikawa,
em tradução de Masuo Yamaki
e Paulo Colina]

03 outubro, 2005

U R G E N T E !


Absurdo o que a Revista Veja fez na edição desta semana! A capa, de um mau-gosto terrível refere-se a uma pseudo-reportagem acerca do plebiscito de 23/out.
Corra para este link: UM CRIME CONTRA A INSENSATEZ
Corra mesmo, mas leia devagar.
Depois, me conte.

01 outubro, 2005

CAVE NE VENTUOSITATEM EMITTAS PER ANUM (*)

Os gases emitidos na atmosfera provocam efeito estufa. Daí, a temperatura dos mares aumenta. Então, os furacões e tempestades ficam mais numerosos e destruidores. Katrina e Rita, os últimos furacões que atingiram a costa leste e a Gulf Coast dos EEUU quase destruíram completamente New Orleans e arrasaram com Louisiana, parte do Texas, inúmeras plataformas petrolíferas, etc...

- Quem são os culpados?
- As vacas!
- É verdade?
- Olhaí a nota publicada nos jornais:

O gado francês produz mais do que duas vezes o total de gases emitidos pelas 14 refinarias de petróleo do país, diz um relatório preparado por economistas.
Segundo o estudo, as 20 milhões de vacas e touros, cada um deles com quatro estômagos, respondem pela emissão de 38 milhões de toneladas de gases por ano, em sua maioria metano.
Suas emissões também incluem o óxido nitroso, ou o gás do riso.

A agricultura francesa é a campeã européia de emissões de gases que provocam o efeito estufa. O autor do relatório, Benoit Leguet, pediu aos fazendeiros que adotem uma alimentação mais facilmente digerível para os animais, para diminuir as emissões.

O relatório acrescenta ainda que os consumidores franceses também contribuem para a emissão desses gases, pois consomem mais carne do que o europeu médio.


Ou seja, daqui a pouco teremos de assinar um novo Protocolo de Kioto para combater a emissão de flatos. Se 20 milhões de vacas peidorreiras já dão conta de aumentar o efeito estufa, o que aconteceria se os 3 bilhões de seres humanos resolverem emitir flatos simultâneamente?
_______________________________________________
(*) Inscrição encontrada nas ruínas das Termas de Caracalla, em Roma - complexo balneário construído entre 212-217 DC pelo Imperador Caracalla. Todo cidadão tinha direito a tomar banhos em suas banheiras de mármore, que podiam receber 1.600 banhistas, ao mesmo tempo.
Ah!, a inscrição latina significa : Evite soltar pum! (Si non é vero...)

29 setembro, 2005

CASAMENTO É LOTERIA?

Depois de narrar a história do Pe. Antero e Jandira, uma improvável história de amor, fiz um post , sobre um artigo do Psicanalista Carlos Perktold, no qual ele aborda as vicissitudes da “Revolução Feminista”.

A partir de algumas observações do comportamento “amoroso” de jovens da classe média, afirma que, atualmente, há muita resistência por parte dos rapazes em estabelecer vínculos mais estáveis com as moças. Segundo Perktold, as jovens que têm hoje entre 25 e 30 anos, filhas das primeiras beneficiárias da tal revolução, acabam sofrendo mais, pois o crescimento intelectual, a independência financeira e a igualdade competitiva entre os sexos as tornariam ameaçadoras para uma classe de homens, que só querem “ficar”. Daí, Carlos Perktold conclui “o tiro do devastador canhão revolucionário das feministas dos anos 60 do século passado está saindo pela culatra social e as conseqüências são pagas por seus filhos".

Os comentários ao post foram ótimos:

Sandra , bem irônica e incisiva, diz: Sou independente financeiramente, sustento minha casa e meu filho, e acho que não estou a fim de ter outro para “cuidar” (...) Acho que a revolução era inadiável. Só não contávamos com a apatia dos homens e a falta de entendimento.

Afonso contesta com as estatísticas que indicam a estabilidade no número de casamentos e aponta a distorção sociológica do artigo: Os "muitos jovens adultos" que atendes em teu consultório - ou que podem freqüentar um consultório - são uma minoria.

Yvonne foi direta: se existe uma coisa que me deixa extremamente chateada é quando ouço alguém falar que o tiro saiu pela culatra no que diz respeito ao feminismo. Quanto à disponibilidade sexual, queremos sexo e parceiros para compromissos ou uma noite de amor sem grandes conseqüências. Isto também é um preço a ser pago por sermos livres. Não abro mão de viver esses tempos em nome de nada.

Bete concorda ipsis litteris com a Yvonne e acrescenta: E o que aconteceu com nos mulheres e que nos evoluimos e os homens continuam na mesma posicao, infelizmente.

Jacque se identifica um pouco com o tom do artigo e exemplifica: E já passei por uma situação hilária de um ex-namorado meu me perguntar, todo temeroso, quais as minhas intenções com ele. Ri muito e perguntei: "Vc tá achando que quero casar?" E ele respondeu: "é natural que a mulher pense nisso, né?" Respondi: "mas só temos 1 mês de namoro e essa idéia de casar ainda tá muito longe de mim". Ele então suspirou aliviado e riu. (Pode uma coisa dessas?)

Allan, lá da Itália, filosofa: quando é que deixaremos de ser homem e mulher, branco e preto, cristão e muçulmano e passaremos a ser somente seres humanos?

Ismael Cirilo, do alto de sua experiência de 81 anos, acha o tema complicado – afinal, ele e minha mãe se casaram em 1948, são um exemplo de vida em comum, esbanjam alegria. Mesmo assim, não deixou de comentar: esse tema é muito avançado para mim, entretanto, de acordo com o meu raciocínio, o Perktold tem razão, parece que o tiro saiu pela culatra.

Alberto Eiguer, psicanalista francês, em seus livros “Um Divã para a Família” e "O Parentesco Fantasmático" estabelece alguns “organizadores” que orientam a escolha de parceiro. Para ele, os casamentos e, por extensão, a família, se estruturam por mecanismos inconscientes ligados às primeiras experiências de vinculação .
Alberto Eiguer edifica um modelo de vínculos intersubjetivos narcísicos e objetais, do qual emergirá a representação do antepassado que desperta identificações cheias ou ocas, estruturantes ou aniquiladoras. E assim, mostra que doravante faz-se necessário - se admitirmos que o sujeito utiliza-se do outro como defesa, como fonte e motor de seu imaginário - pensar a família em termos de "transgeração" e "mito familial". Afirma que “os objetos parentais constituem o núcleo do inconsciente familiar”, para o bem e para o mal, penso eu.

Para Eiguer, são três organizadores: 1) Escolha de objeto; 2) as vivências do “eu familiar” e sentimentos de pertença”; 3) o romance familiar, vivido na primeira infância, representando uma imagem idealizada dos pais.

Quanto ao primeiro ítem - “escolha de objeto” - haveria três modelos:

1) Escolha objetal anaclítica, ou assimétrica: o homem ou a mulher buscam um parceiro que lhes forneça amparo e apoio (mãe ou pai da infância). É uma escolha alimentada pela pulsão de conservação e visa, antes de tudo, dominar a angústia de perda das figuras parentais. Haveria uma identificação mútua na perda e cada um idealiza o outro. De alguma forma, o casal se julga sabedor de como um deve sanar a falta do outro. Dois caminhos se oferecem: a) defensivo: quando o homem escolhe uma mulher que é o oposto ao pai e vice versa; b) regressivo: quando se identifica, no parceiro, um sucedâneo da figura parental de identificação. Conheço um casal, por exemplo, que se conheceu no Cemitério Parque da Colina(BH), quando ambos velavam as respectivas mães.

2) Escolha objetal narcisista, ou simétrica: Neste caso, a pessoa se liga a um parceiro que se assemelha:
a) ao que se é;
b) ao que se foi;
c) ao que gostaria de ser;
d) ao que possui uma parte do que se foi.

O vínculo se estabelece a partir de uma idéia de poder, orgulho, onipotência e ambição. Por exemplo: o parceiro seria alguém que seja difícil, a fim de se comparar com ele em força e em capacidade manipuladora. Há um jogo sadomasoquista na relação. Exemplo: uma pessoa, muito fechada, tímida e insegura se sente atraída pelo parceiro arrogante e sociável. É provável que uma das partes acabe desprezando a outra.

3) Escolha objetal edípica, ou dissimétrica: trata-se de uma escolha regida pela identificação madura e adulta ao pai do mesmo sexo.
Exemplos:
a) um rapaz se casa com uma mulher que, de alguma forma, representa a mãe dele;
b) casais que procuram o significado de sua relação amorosa, de interação homem-mulher, baseados nas vivências satisfatórias em suas famílias de origem.

As afirmações de Alberto Eiguer se basearam em pesquisas feitas durante anos, na França, com casais que procuraram terapia. As bases teóricas se fundamentam na teoria psicanalítica do Complexo de Édipo e sua resolução – teoria esta colocada em cheque por inúmeros autores. Afinal, Freud viveu na época vitoriana e tinha, por modelo, a família estruturada pelo pai, mãe e filhos. Esse tipo de família, por incrível que pareça, somente foi definido por Littré, em 1869 (há menos de duzentos anos).

Aliás, é bom lembrar que a palavra "família" deriva do verbete latino "famulus" = 'domésticos, servidores, escravos, séquito, comitiva, cortejo, casa, família'.

Atualmente, após a “revolução feminista”, a liberdade sexual, o desmascaramento das hipocrisias pequeno-burguesas, a facilidade de se obter divórcio, os filhos de pais separados ou “avulso”, inseminação artificial, clonagem, muita coisa mudou.

Será que, finalmente, os casamentos que “dão certo” são, mesmo, uma loteria?
________________________________________________________
[acrecentei ao verbete "Família", da Wikipédia, este comentário do livro de Alberto Eiguer. Confira]

28 setembro, 2005

Pela descriminalização do aborto



Notícia de hoje: "Brasília – Depois de enfrentar resistências por mais de um mês, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, conseguiu o aval para apresentar ontem na Comissão de Seguridade da Câmara a proposta para descriminar o aborto. A presença da ministra foi confirmada minutos antes do início da solenidade, logo depois de uma reunião que teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para discutir o assunto. Nilcéa se atrasou, mas sua chegada teve gosto de vitória para as feministas. Ela entrou pela porta junto da platéia, foi aplaudida e cantou o Hino Nacional. Até o início da tarde, as avaliações eram de que a entrega da proposta da descriminação do aborto seria feita por integrantes da comissão tripartite criada pelo próprio governo para discutir a revisão da lei, o que reduziria o impacto do gesto.

Integrada por 18 pessoas que representaram a sociedade civil, o Executivo e o Legislativo, a comissão reuniu-se entre abril e agosto. Por maioria, propôs a liberação do aborto até a 12ª semana de gestação. Para casos em que a gravidez é fruto de violência, o prazo é de 20 semanas. Pela proposta, a gestante poderá fazer a interrupção da gravidez em serviços públicos ou, se tiver plano de saúde, num hospital conveniado, sem necessidade de carência.

A reviravolta se desenhou ontem mesmo. Na semana passada, cansados de esperar uma confirmação do governo, integrantes de movimentos sociais decidiram tomar a liderança e apresentar, por conta própria, o projeto no Congresso."

A questão do aborto sempre provocou controvérsias. Grande parte da disciplina e dos livros de Bioética tratam deste tema: quando se pode interromper uma gravidez? a partir de quando o ovo (óvulo fecundado) pode ser considerado uma pessoa? existem justificativas éticas, morais e jurídicas para se interromper a gravidez? já se pode considerar que existe vida humana antes que o ovo consiga a nidação na mucosa uterina? a mulher pode dispor do próprio corpo, geri-lo de acordo com sua consciência ou está submetida ao controle de outrem? como separar aspectos religiosos de aspectos biológicos e jurídicos?

No Dossiê Bioética e as Mulheres: Bioética e legalização do aborto há rellexões pertinentes para fundamentar uma discussão aberta e sem preconceitos sobre o direito da mulher sobre o próprio corpo e considera anti-ético obrigar indiscriminadamente a todas a seguirem uma linha de conduta derivada de uma posição religiosa específica.

Para mim, a descriminalização do aborto acabará com a hipocrisia da sociedade em relação a inúmeras gestações não desejadas e propiciará o acesso democrático a clínicas de tratamento bem estruturadas. Cada caso deverá ser considerado individualmente, um a um, avaliado por equipe multi e interdisciplinar, cabendo escutar a gestante para que suas demandas e conflitos mais profundos tenham encaminhamento adequado. Emocionalmente, a experiência de abortar pode acarretar culpas profundas, dependendo da matriz de personalidade, meio cultural e orientação religiosa. Tanto o aborto imposto por uma sociedade machista quanto a criminalização pura e simples se tratam de violência contra a mulher.

Milhares de mulheres são vítimas de procedimentos toscos, infectantes e violentos, causa de elevado número de mortalidade: isto sim, quase um genocídio que afeta principalmente as pessoas de menor poder aquisitivo, sem condições de buscar ajuda em clínicas regulamentadas.

Creio que não se trata, aqui, de defender a prática generalizada abortiva: antes é necessário dar condições de vida digna à gestante e ao futuro bebê, formando cidadãos que tenham acesso às condições de vida, lazer, liberdade e trabalho. A educação para a saúde e conscientização dos métodos anti-conceptivos, bem como o acompanhamento pré-natal são premissas básicas para a dignidade das mulheres e dos frutos de seu ventre. Ou seja, antes de tudo, a procriação responsável.

Trata-se, pois, agora, "apenas" de descriminalizar aquilo que não deveria ser crime.
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Hoje, blogagem coletiva no NÓS NA REDE. Confira os links abaixo:
Descriminalização do Aborto

>> A favor da descriminalização

:: Morte e vida - severina? - Lucia Malla
:: Meu último aborto - Milton Ribeiro
:: Aborto - Afonso
:: Aborto: em defesa de qual vida? - Túlio Vianna
:: A liberdade de optar - Viva
:: Pela descriminalização do aborto - Guto Magalhães
:: Nem só as mães são felizes - Ana Lucia
:: Aborto: reflita antes de julgar - Marmota
:: Direito à escolha - Smart Shade of Blue
:: Todo apoio ao projeto de descriminalização do aborto - Idelber Avelar
:: Aborto - Flávio Prada
:: Hipocrisia Conceitual - Hernani Dimantas
:: O certo, o errado, e a descriminalização do aborto - Cynthia Semíramis
:: Aborto: questão sulamericana - Luiz
:: Sobre o aborto - Sergio Leo
:: Agulhas de tricô servem pra tricotar - Tiago Casagrande
:: Aborto não é crime - Maria Elisa Máximo
:: Dia pela descriminalização do aborto - Biajoni
:: Por que apóio a descriminalização do aborto - Leila Couceiro
:: Direito Necessário - Elenara
:: A liberdade de decidir - Juliano
:: O aborto na história - Denise Arcoverde
:: Pela descriminalização do aborto - Cláudio Costa
:: Pela O crime do Padre Amaro - Helena Máximo
:: Da vida, do direito, da estupidez - Gejfin
:: Pela defesa da vida. Pela descriminalização do aborto. - Roberson
:: João, Maria e Tia Dulce - Bruno
:: Nós na Rede - Pedro Dória

:: Aborto - Marcelo
:: Aborto - 30 anos - Horvallis
:: A Humanidade é Filha da Mulher - Beth S
:: Minha experiência pessoal com o aborto - Ju
:: Acolhimento ao sagrado - Lilian
:: Quando? - Charô

>> Contra

:: Por que sou contra o aborto - Maria Helena Nóvoa
:: O meu e o teu umbigo - Roman
:: Direito à vida, uma questão de classe - Su


26 setembro, 2005

Pura diversão

Hoje, inspira-me o último post da DaniCast. Ela comenta alguns videoclips do artista David Bowie e cita sua música “Wednesday Child” (ele nasceu em 8 de janeiro de 1947).

Quando criança, eu ficava intrigado com os nomes dos dias em português: aquela série de "feiras", començando pela segunda (onde estaria a primeira?) era incompreensível. Mais tarde, aprendi que essa terminologia é coisa lusitana (coisa de português, sim, senhor!).


Os irmãos lusitanos ordenavam a semana de acordo com as feiras que organizavam para vender seus produtos que se sucediam em regiões diversas. Dos antigos romanos, que deram os nomes de acordo com os deuses homenageados, mantiveram apenas o Domingo e o Sábado:

  • Domingo: dia do senhor, do Dominus, do Sol. (Em inglês: Sunday = dia do Sol)
  • Sábado: dia da "sabbata", dia da ceia, quando os soldados romanos voltavam à suas casas e faziam uma ceia festiva junto aos familiares.

OS DIAS DA SEMANA

PORTUGUÊS

MITOLOGIA ROMANA

INGLÊS

CASTELHANO

Domingo

Dominus (Deus do Sol)

Sunday

Domingo

Segunda-feira

Dies Lunae (dia sereno)

Monday

Lunes

Terça-feira

Marte. Deus da guerra - Fogo

Tuesday

Martes

Quarta-feira

Mensageira da chuva - Dia da Água

Wednesday

Miércoles

Quinta-feira

Flos, Dia das flores, da Natureza

Thursday

Jueves

Sexta-feira

Dia do Ouro

Friday

Viernes

Sábado

Sabbata, ceia, terra natal

Saturday

Sábado

DaniCast conta que existe um folclore (inglês? norte-americano?) acerca do significado do dia-da-semana em que cada um nasceu:

“Monday’s Child is fair of face (bonito)
Tuesday Child is full of grace (abençoado)
Wednesday’s Child is full of woe (má sorte, tristezas)
Thursday’s Child has far to go (”vai longe”, boa sorte)
Friday’s Child is loving and giving (amoroso e bondoso)
Saturday’s Child works hard for a living (vida difícil, cheia de trabalho)
But the child that is born on the Sabbath day
is fair and wise, good and gay”
(é justo, sábio, bom e alegre)

Por meio deste Calendário Perpétuo, descobri que eu sou amoroso e bondoso (!!!) e que me casei com uma mulher que se chama Amélia, que tem boa sorte e vai longe!!! Ou seja, cada marido tem a mulher que merece! hehehehehehe