05 abril, 2007

E o Soié a nadar...

Foto do Soié, by Clóvis Costa

Meu irmão, o Clóvis, convidou nossos pais - Ismael (Soié) e Aparecida) para uma viagem de férias. Em Janeiro, estiveram no Espírito Santo, onde visitaram outros manos. Mas, também, cometeram algumas.
Vejam a travessura de meu pai, Soié. (É só clicar no link e cairão no Ontem-Hoje, seu blog).

29 março, 2007

Pausa para respirar

  • Estou ali e volto já! Uma pausa nesta semana, mas já-já volto a dialogar com meus amigos-leitores.
  • Enquanto isso, divirtam-se com os dois últimos posts do meu pai, Soié, no Ontem-Hoje!
  • Abração.

20 março, 2007

Pra pensar

Inês Lemos, psicanalista, brindou-nos com algumas reflexões suscitadas pelos filmes Babel e A Pequena Miss Sunshine, no caderno Pensar, do EM. (link só para assinantes). Como não vi, ainda os filmes, deixo para comentar, depois. Mas o final do artigo, a meu ver, ultrapassa a referência filmográfica:

"A vida é para ser bordada, ponto a ponto. Destino traçado por fadas que idealizamos, que nos orientam e nos indicam os jardins de beija-flores. Refeição à mesa, com a família reunida. Juntos, comem o sofrer e saboreiam o saber.
Nas metrópoles, a vida de famílias que abandonaram seus feudos sentimentais e migram para lugares sem memória, conforto sem esperança, é rala, fria e frágil. A emoção, hoje, é participar do Big brother, eliminar o “babaca da vez”.
Triste é a juventude acreditar que a vida é essa obscenidade sem sabor, pecado sem dor, desistindo de encontrar o néctar dos deuses, no jardim da existência. Essa vida burguesa, dissoluta e sem sentido já havia sido severamente criticada por Salinger em seu ontológico O apanhador no campo do centeio:
- “Esses sujeitos que vivem dizendo quantos quilômetros fazem com um litro de gasolina... Sujeitos que nunca na vida abriram um livro. Sujeitos chatos pra burro”.
Salinger realizou um pouco do desejo de se ausentar da hipocrisia americana, tal como aspirava seu personagem de O apanhador. Retirou-se para uma vida despojada e marginal, ao que parece em uma cabana no Maine, onde não havia água encanada e luz elétrica. Distante da frieza do progresso e longe do alcacér, abarcou o universo, ao escrever e revelar ao mundo sabedoria. Soube viver a emoção de saber de si."

19 março, 2007

Sob o signo da emoção

Acabo de ler o post de hoje do blog de minha filhota Ana Letícia & amigas, o Mineiras,Uai!. Os flashs com que ela descreveu um tempo bom de muitos anos atrás me provocou risos e saudades. Só quem passou por aquelas vivências pode compreender que saudade boba é essa.

Também o post do meu pai Soié, no Ontem-Hoje provocou-me sentimentos gostosos.

Um comentário do primo Omar, no meu último post, igualmente, mexeu com lembranças, reavivou memórias e desencadeou emoções.

Há sentimentos e experiências que podem ser consideradas "inenarráveis", uma vez que só se pode ter noção do que se trata se a pessoa passar pela mesma situação. Mesmo assim, cada pessoa é única e singular e, em última instância, as palavras que vier a utilizar serão sempre coloridas pela sua particularidade.

Mesmo aqueles vocábulos (os "nomes comuns" ou "substantivos comuns") que nomeiam objetos cotidianos, ao serem utilizados por alguém ou ao se intrometerem no discurso carregam significados pessoalíssimos, construídos ao longo da vida de cada um de nós.
É mais ou menos isso que J.Lacan afirma quando diz que um significante (uma palavra qualquer, um signo, um traço) tem inúmeros significados [ S/s1,s2,s3... ].

Um exemplo óbvio seria a palavra "mãe", que, embora esteja associada indelevelmente à experiência pessoal de cada um com aquela entidade que nos gerou, ou cuidou, ou adotou, ou amparou, ou acarinhou... ou... ou... tá vendo? "mãe" são muitas, infinitas e, ao mesmo tempo, "mãe é uma só!": a minha!

Assim, cada palavra (=significante) tem significados múltiplos que se sucedem numa cadeia infindável.

Por isso mesmo podemos afirmar que a linguagem (a língua, qualquer língua) é insuficiente para dizer tudo o que se quer dizer! Haverá sempre um resto, um indizível, um inenarrável (palavra danada de bonita, essa).

Os poetas são aqueles que, ao se apropriarem das palavras, fazem delas sua matéria prima com que conseguem exprimir as mais recônditas emoções, surpreendendo-nos com achados tão originais que se transformam em arte.

Ah! olhaqui: 'saudade' também é nome de flor, de acordo com o mesmo Aurélio: Designação comum a diversas plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa maritima, e às suas flores; escabiosa, suspiro: "E ela deu-lhe do seio uma saudade / Murcha, e no entanto bela" (Gonçalves Dias, Obras Poéticas, II, p. 98).

17 março, 2007

Sociologia de estrada

- São 20,12h e acabamos de chegar a Nova Era.
Foram 4h de estrada, apenas 138km, pela BR 262, sentido leste.
A rodovia está sendo recuperada, já com o piso pronto, quase toda sinalizada, algumas pontes a serem alargadas, trevos precários.
- Então, por que demorar 4h para percorrer distância tão curta?
- Por burrice do DNIT e seu programa de 'recuperação' das estradas: as curvas (infinitas e acentuadas) não foram corrigidas, mas os motoristas, principalmente os de caminhão, carretas e ônibus aceleram pra valer.
Resultado: acidentes constantes.
- Como?
- Após o recapeamento, o número de mortes aumentou e o tempo de viagem, anteriormente de 1,50h, passou para o dobro, pois as retenções são diárias. Hoje, por exemplo, foram três acidentes graves envolvendo caminhões. Um deles foi até pitoresco: tratava-se de um transporte de biscoitos e vimos mais de 100 carros estacionados no acostamento. Os passageiros saíam correndo e saquevam a carga. Um opala (?) azul tinha o banco traseiro abarrotado de pacotinhos, até o teto. Uma farra!

Foto by Ana Letícia

- Será que alguém se interessou em saber como estava o motorista?
- Viajar por essas bandas é uma aula de sociologia, antropologia e política: pobreza, descaso, falta de civilidade e corrupção: obras inacabadas e mal feitas.
- Quem aprova e quem fiscaliza isso? Para onde vai o dinheiro - 38% do nosso rendimento - dos impostos?
- Quem souber responder que me diga.

Violência

Tempos Sombrios

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade.

Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes?

Pois falar de coisas inocentes
é quase um delito:

implica em silenciar
sobre tantos horrores.

[ De Bertold Brecht,
porque me faltam palavras ]

12 março, 2007

Fazenda da Vargem

Deparo-me com uma notícia sobre minha cidade natal, Nova Era, na primeira página do jornal EM de hoje. Fiquei triste com o que li:

Tombada pelo patrimônio público, a Fazenda da Vargem perde a cada dia um pouco de sua riqueza histórica e arquitetônica. Referência no desenvolvimento econômico e social da região do Vale do Rio Doce, o imóvel foi construído em 1840, em Nova Era. Desapropriada há 30 anos, com o objetivo de abrigar o parque da cidade, permanece desocupada e sem função.

A tal Fazenda da Vargem é uma construção magnífica, dos finais do séc. XIX e poderia ser um polo de atração turística, educação artística e ambiental para toda a região do Vale dos Rio Piracicaba e Rio Doce. Mas está caindo aos pedaços, como descreve a reportagem do jornalista Gustavo Werneck:

Três grandes impactos perturbam quem chega à Fazenda da Vargem, em Nova Era, na região Central do estado, a 137 quilômetros de Belo Horizonte. O primeiro está na beleza estonteante do casarão do século 19, pintado de azul e branco e, pelo visto, em paz com a natureza que o cerca. Mais de perto, embora a grandiosidade permaneça a mesma, vai caindo lentamente a máscara da conservação. De uma tacada só, vem o choque que conduz os olhos para a falta de janelas e portas, madeiras quebradas, mato crescendo entre tábuas do assoalho, teias de aranha e galinhas ciscando sobre pedras centenárias do pátio.

Há duas fotos maravilhosas (autoria: Beto Novais, do EM) que compartilho com vocês, para demonstrar a imponência da vetusta construção e quanta beleza se esconde no interior das Minas Gerais:


Há alguns anos, a administração municipal promovia anualmente a Feane - Feira de Arte e Artesanato de Nova Era: a participação popular era maciça e foi aí que as pessoas descobriram a riqueza cultural que possuíam. Além da 'feira' em que se vendiam produções da terra, havia shows com bandas de lá e de outras cidades. Um fim-de-semana de festas!

Na "Feane" assisti, pela primeira vez, a famosa banda Sagrado Coração da Terra, de Marcus Viana, que viria a fazer sucesso como compositor de trilhas sonoras para novelas da Globo, etc. O Marcus circulava entre o público, conversamos um pouco (ele nem sabe quem sou) e se mostrou admirado com a escolha de sua banda para tocar naquela cidadezinha. (Clique aqui para escutar algumas de suas músicas e assistir samples de alguns DVDs.)

Pois, agora, tomo conhecimento de que a Fazenda da Vargem pode estar indo pro beleléu, sem que ninguém assuma a responsabilidade de manter e revificar aquele patrimônio.

Triste sina. Temo que, um dia, alguém poderá parafrasear Drummond e exclamar: "A Fazenda da Vargem é apenas um retrato na parede... mas como dói".

_________
Créditos:
Fotografia: Beto Novais.
Retirado do EM de 12.mar.07

10 março, 2007

Soié & Ana

Vou fazer 'nepotismo' aqui:

1. Vocês já leram os dois últimos posts de meu pai, Soié, no Ontem-Hoje? Em 20/2, sou personagem (verdade ou fantasia?) de uma história de carnaval. Hoje, uma fábula contada pela minha avó.

2. O Mineiras, Uai! - da filhota Ana e amigas, está demais! E eu, aqui, babando...

Como se deduz, somos três gerações de blogueiros: O Soié - meu pai; eu aqui e minha filha, a Ana. Cada qual com seu estilo. Divirtam-se neste sábado.

04 março, 2007

Sobremesa de Aniversário


Amélia, como sempre, fez-me todos os agrados possíveis no dia do meu aniversário. As sobremesas foram de enlouquecer: dois rocamboles (um de doce-de-leite e outro de doce-de-leite-com-coco + damascos). Coisa de louco mesmo, não?

Mas não ficou aí. A surpresa do dia foi uma
Tartelete Romeu e Julieta, danada de gostosa, com recheio de goiabada e doce-de-queijo, uma combinação tipicamente mineira elevada à sofisticação francesa!

Clique nas fotos para ver o Álbum e... babar!

Precioso líquido

- O que é que custa quase R$ 6.000,00/ litro e não é para beber?
- Sei lá!
- TINTA DE IMPRESSORA!
- Ahn?
- É mais uma forma de roubo do qual não nos demos conta ainda!
Apenas reclamamos do preço.
- Só se for tinta feita de ouro, uai!

- Acorda! Você não vê que as impressoras ink-jet estão cada vez mais baratas? Pois é. Os fabricantes oferecem impressoras cada vez mais e mais baratas. Só que os cartuchos de tinta custam muito caro. Há casos em que o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora.
- Igualzinho às lâminas de barbear da Gilette. Comprei um ‘Sensor’, aquele com lâmina tripla. Custou-me pouquíssimo. Agora, vá comprar lâminas de reposição! Caríssimas e fabricadas nos Estados Unidos. Levam nosso minério, fazem o aço inoxidável e nos vendem as lâminas.
- Uma HP DJ3845 já pode ser encontrada por apenas R$170,00, nas principais lojas. Gastam-se R$ 130,00 para repor os dois cartuchos (10ml o preto e 8ml o colorido). Daí você vende facilmente sua impressora semi-nova sem os cartuchos por uns R$90,00 (pra vender rápido), e com
mais R$80,00 adquire nova impressora com cartuchos
originais de fábrica: ainda economizará R$50,00!
- Então é um bom negócio, hehehe!
- Bom pra quem fabrica tinta, ô meu. Os fabricantes fingem que nem é com eles, dizem que é caro por ser tecnologia de ponta, transformam o simples ato de fabricar tinta em algo mais complexo do que coletar a 3ª lágrima da Deusa-Loba dos Campos Elíseos, ou algo assim.
- Que Deusa-Loba é essa?

- Esqueça. O que importa é que o Cartucho HP, com míseros 10ml de tinta custa R$55,99. Isso dá R$5,99 por mililitro. Um litro = R$ 5.999,00! Quase R$ 6.000,00 por um litro de tinta de impressora! Já existem cartuchos com 5ml de tinta, os tais de HP 21 e 22. A Lexmark comete o mesmo abuso ao vender um único cartucho para a linha de impressoras X, o tal cartucho 26, com 5,5 ml de tinta colorida por R$75,00.
Se 1.000ml / 5.5ml=181 cartuchos, então 181 cartuchos custarão R$13.575,00. R$13.575,00 por um litro de tinta colorida! Com este valor podemos comprar: 300gr de ouro ou 3 TV s de Plasma de 42 polegadas.

- E eu com isso? Não tenho impressora, não tenho computador, só escrevo com lápis e moro em Jaçanã!

- Ops!

26 fevereiro, 2007

Abraço

Museu de Arte da Pampulha

Museu de Arte da Pampulha
Abraço - Escultura de Ceschiatti (Museu de Arte da Pampulha-BH)
Photo by Cláudio Costa

E por falar em abraço,
comemorarei meu aniversário
com vocês, amigos e amigas,
no Reciclo, dia 01.março - quinta-feira -
a partir das 21h.

O som é garantido pela banda dos filhotes (Ângelo e Leo),
"a nova guarda do samba": Chapéu Panamá.

Aguardo vocês lá: afinal, aniversário é pra ganhar abraço!
E a melhor forma de ganhar abraços é abraçar.
Vamos?


________________
Avenida do Contorno, 10564
Barro Preto

23 fevereiro, 2007

Quero ganhar de aniversário:



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Update: sou de Peixes: 25 de fevereiro!
Músico, poeta e louco, tenho de tudo um pouco!

20 fevereiro, 2007

CIÚME E DESESPERO: O INFERNO

Daqui a pouquinho, às 11h, darei uma entrevista à Rádio Itatiaia-FM (95,7) (clique no link para escutar on line).

O programa: José Lino

O tema: Ciúmes.


A jornalista que me convidou explica, por telefone:
- Está havendo um tititi no BBB7: uma das participantes brigou com o namorado, ambos participantes do programa, porque o rapaz deu uns selinhos nas colegas. Não quer desculpá-lo, nem a ele nem às 'amigas', pois se sentiu traída. Diz a mocinha que não pode suportar 'contato físico do namorado com mulher nenhuma!

A propósito, republico um post que fiz em 07 de setembro do ano passado. Aqui vai:

Procura-me um rapaz (N.) de 20 anos, universitário.

Acaba de perder a namorada (T.):

- “Ela é linda, doutor, uma modelo. A gente namora desde o segundo ano do colegial, eu tinha 15 anos e meio; ela, 14. Fazíamos tudo junto: fins-de-semana, festas, passeios, almoços, cinema, até a própria faculdade: ela quis entrar pra mesma faculdade que eu, um ano depois de mim. A gente só não se via quando estava dormindo! Agora, ela não quer saber mais de mim, brigou comigo. Chegou pra mim, de repente, na quarta-feira passada e, sem mais nem menos, falou:

- Olha, N., há dois meses estou repensando nossa relação. Resolvi dar um tempo!

Essas palavras me detonaram, Doutor. Desmontei. Chorei, implorei, falei que ela estava errada, que ela era a mulher de minha vida. Mas ela foi irredutível, saiu do carro, lá no estacionamento da faculdade e me deixou ali, feito criança, chorando. Na hora do almoço não fui pra minha casa, mas pra casa dela. Cheguei lá e falei com a mãe dela que T. estava ficando louca! A T. chegou e nem queria olhar pra mim. Mas insisti que deveríamos conversar mais. Aceitou. Fomos pro quarto dela e, aí, ela falou que não suportava mais meus ciúmes, que queria viver a vida, que queria sair com os colegas – coisa que eu não deixava. Se eu nem mesmo tenho amigos, como é que vou ficar sem ela? Mas ela não cedeu. Então lhe prometi que iria mudar, seria outro homem, que ela poderia sair, sim, mesmo que me machucasse. Jurei, da boca pra fora, claro, que a deixaria ir às festas da turma dela sem mim, que fosse ao shopping com as colegas, até mesmo que viajasse prum sítio, no final de semana. Mas ela tinha de me prometer que não ficaria com ninguém, que não beijaria ninguém, pois eu não suportaria. Eu me mataria se soubesse disso. Ela concordou e só então fui pra casa. À noite, liguei pra ela, só pra conversar como amigos e não a encontrei. Ela tinha ido pro barzinho com a turma dela. Não agüentei: desci a Avenida Afonso Pena a 140km, cortando pela direita e pela esquerda, devo ter sido multado naquele radar da Contorno, ali do Tobogã, o senhor sabe? Cheguei na Prudente de Morais. Ela bem ali, alegre, rindo, cheio de gente, uns caras que eu nunca vi. Avancei pra cima dela. Só não bati, mas xinguei de tudo: irresponsável, insensível, traidora, burra! Burra, sim, porque me tinha largado pra ficar com gente que só quer saber de sarrar ela. Burra porque não enxerga meu amor por ela, que ela é a mulher de minha vida. Tenho certeza disso, ela é a mulher de minha vida. O pessoal até me segurou, senão teria batido nela. Acabei indo pra casa, arrependido, com medo de ter colocado tudo a perder, pois eu a agredi feio. Não durmo desde então. Hoje é segunda e não consigo comer desde quarta-feira. Emagreci já 6kg por causa dela. A vida perdeu o sentido, doutor. Quero morrer. Mas não tenho coragem de me matar, não vou deixá-la por aí. Ainda mais porque acredito que ainda vou reconquistá-la. Posso falar com ela pra vir aqui? Pra ela fazer uma terapia com o senhor e voltar atrás? O senhor me ajuda?”

Ao nascer, perdemos o a segurança e aconchego proporcionados pelo útero e adquirimos duas ansiedades básicas que nos acompanharão pelo resto da vida: o medo do ataque e o medo da perda. Logo, estabelecemos uma relação idílica com a mãe, na ilusão de que formamos um par perfeito, até que descobrimos uma terceira figura, um gigante, o pai – o marido dela, o Outro. Na grande maioria dos casos, mais um intruso se interpõe: um irmão a se aninhar nos braços daquela que imaginávamos ser somente nossa.

Essas primeiras experiências amorosas e de “frustração” nos deveriam ter ensinado que:

a) não existem garantias de exclusividade;

b) não podemos manipular as ações do outro;

c) e mais ainda: não podemos dominar o desejo do outro!

Os ciúmes existem e atormentam os humanos desde Caim e Abel. Shakespeare desenvolveu o tema em Otelo. Os homens já inventaram o cinto de castidade. Mata-se e se morre por amor (?).

Os ciúmes podem ser decompostos em três sentimentos básicos que se manifestam em condutas correspondentes:

a) Insegurança: baixa de auto-estima e conseqüente medo de não ser amado, ansiedade, sentimento de posse e necessidade de controle. O ciumento se torna possessivo e cada vez mais insuportável ao outro. Cava sua própria desgraça!

b) Inveja: quero que meu (minha) amado(a) não dê a outrem o que julgo ser somente meu; não tolero ver outra pessoa receber o carinho, o afeto, o olhar daquele(a) que amo!

c) Raiva: odeio meu amado (minha amada) quando não faz aquilo que eu desejo. Odeio também quem recebe a atenção que deveria ser somente para mim. E meu ódio me leva à agressividade: tenho de destruir ambos: meu objeto de amor – que agora odeio – e o intruso – usurpador do meu bem e causa minha perda!

Muitas vezes, a baixa de auto-estima e a culpa por meus sentimentos e ações agressivas para com o objeto amado são tão insuportáveis que a agressividade se volta contra mim mesmo: então quero morrer: "se você não ficar comigo, eu me mato! Já que você me traiu, prá que viver?" O meu “suicídio por amor” contempla minha dupla necessidade: a autopunição e a punição de quem eu amava e agora odeio. E me odeio, por não possuir você, por ter deixado você escapar de mim, por odiar a quem amo!

Tais idéias podem ser fruto de fantasias, até mesmo de delírios (tal como o delírio de ciúme dos alcoólatras). Neste caso, as consequências são terríveis.

Se é verdade que um certo grau de ciúmes pode “esquentar” uma relação e mesmo erotizá-la, é mais comum que ciúmes patológicos tornam o amante cada vez mais rígido, vigilante, controlador, inseguro, às vezes deprimido e, muitas vezes, agressivo. A pessoa não suporta a idéia de perder o objeto de amor pela convicção de que jamais encontrará alguém que o substitua. O pensamento recorrente é:

- Tenho de estar absolutamente seguro(a) de que ele/ela me ama, pois sem seu amor não posso viver. Tenho que estar atento(a) porque, a qualquer momento, quando menos espero, posso ser roubado(a).

É o inferno, dentro de nós!
_______________
Post republicado.

17 fevereiro, 2007

São Francisco da Pampulha



Pousada às margens da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, a igrejinha de S. Francisco. Quedo-me, mudo.
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13 fevereiro, 2007

Sai de baixo!

Às vezes me sinto confortável por não morar no Rio de Janeiro, de onde chegam notícias aterradoras por causa da violência que impera numa das cidades mais lindas do mundo. Impressiona-me a quantidade de pessoas que são vítimas do que chamam "bala perdida".

Um levantamento exclusivo do Fantástico mostra que só no ano passado, 170 pessoas foram atingidas por balas perdidas na região metropolitana do Rio: 35 delas eram crianças com menos de 13 anos. E o pior: essa estatística é desconhecida pela polícia. Pior ainda: esses são os casos registrados.

Penso que essas balas não são "perdidas", mas "achadas", pois que acertaram alguém e, provavelmente, foram retiradas pelos cirurgiões, guardadas para prova material em processos, etc.

E as balas 'realmente' perdidas? Quantos milhares de projéteis voam de um lado para outro, no enfrentamento entre gangues e atiradas pela PM? Reportagens de TV mostram tiroteios noturnos nas favelas, com aquelas 'brasas' voando de um lado para outro: parecem fogos de artifício ou caudas de minúsculos cometas rasgando o breu da noite.

Agora, leio reportagem que fala de um grande meteorito em exposição no Museu de Mineralogia da Praça da Liberdade, aqui em BH:

Wikipédia: "O Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães de Belo Horizonte, foi criado pelo prefeito Oswaldo Pieruccetti em 1974 e implantado com a colaboração da administração do Estado de Minas Gerais, que cedeu o acervo da antiga Feira Permanente de Amostras.

Até 1992, o MMPDG funcionou na Rua da Bahia, esquina com Av. Augusto de Lima, onde funciona, hoje, o Centro de Cultura Belo Horizonte. Em junho de 2000, foi reinaugurado através de esforços conjuntos da Prefeitura de Belo Horizonte, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, da Secretaria Estadual de Minas e Energia e da COMIG, como parte integrante do memorial da mineração.

O acervo conta com cerca de 1.000 amostras expostas, de um conjunto total de 3.000, sendo 70 a 80% dele procedentes de Minas Gerais, cerca de 10 a 15% de outros estados e o restante de outros países."

O meteorito "Bocaiúva" tem aspecto metálico e cor negro-acinzentada. Pesa mais de 60 kilos e, devido à grande quantidade de minerais de ferro que o compõe, apresenta densidade elevada. Proveio da região de Bocaiúva, a 400 km ao norte de Belo Horizonte, de onde foi trazido para estudos na UFMG e guardado no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear.

Descubro, assustado que, além do valor científico, os meteoritos que caem na Terra à razão de 40.000 toneladas por dia, pesando, em sua maioria, apenas alguns gramas, podem conter alguns metais de grande interesse econômico (como ouro, cobre e níquel). Chove ouro, minha gente!

Se somos bombardeados por tal quantidade de poeira celestial a cada dia, acho que a possibilidade de ser atingido por um 'meteorito perdido' é muito maior do que por uma bala perdida... ou estou errado? Em dez dias serão 400 mil toneladas; em cem dias, então, 4 milhões de toneladas de poeira cósmica, feita de partículas miúdas ou do porte de um "Bocaiúva"! Sai de baixo!

Se, por um lado, chovem balas perdidas, por outro, o céu está despencando e não me avisaram.

E agora, José?

11 fevereiro, 2007

Turista em casa


Amélia e eu resolvemos fazer um tour por nossa Belo Horizonte: ontem, à tarde; hoje, pela manhã.

Aproveitamos a caminhada diária (o coração agradece!) e visitamos locais por onde passamos, de carro, com destino e hora determinados.

Pelas janelas do automóvel, as paisagens desfilam céleres . Mesmo que quiséssemos usufruí-las, o estresse do trânsito não nos permitiria reduzir a velocidade, fotografar, respirar cultura. Qual nada! Ficamos de olho na pista, nos retrovisores, atentos aos sinais. É preciso suportar até os mal educados.

Vez por outra um comentário:
- Olha! como está bonita a Pampulha!
- Vamos trazer nossas visitas aqui, um dia...
- Como Belo Horizonte cresceu!
- Que pena, quanta sujeira, quanta pichação nas casas...
O diálogo pontua o caleidoscópio intinerante, nem sempre agradável de se ver.

Muitas vezes, somos surpreendidos pela tonalidade das copas das árvores, pelo colorido das florzinhas amarelas de sibipurunas ou pela explosão dos ipês - roxos, amarelos, rosas!

Após dias de chuva, como é gostoso deixar-se levar pelo azul do céu, no qual as nuvens brincam de assumir formas infinitas, ora carneirinhos, ora monstros medonhos, ora fiapos de lã prateada pelo sol poente.

- Vamos passear?
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09 fevereiro, 2007

Horror

O que falar diante da brutalidade que vitimou um menino de 6 anos, no Rio, ontem? Tamanha violência atingiu, na verdade, todas as crianças, todas as famílias, todos cidadãos cariocas, fluminenses, brasileiros!
É hora do luto e da revolta.
Se o luto nos emudece, identificando-nos ao morto, a revolta nos atiça a agressividade e, muitas vezes, provoca-nos identificação com o agressor: olho por olho, dente por dente!
Não há o que dizer, mas é preciso dar voz à dor, por mais indizível que seja.
Da mesma forma é necessário falar do ódio que nos invade a alma, da raiva que precisa ser externalizada.
Quando se pensa que o tecido social já está por demais apodrecido, eis que surge uma ferida maior.
Incurável?


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
(Castro Alves em "Navio Negreiro")