23 julho, 2005

Notícias do litoral

  • Os dedinhos coçaram e estamos aqui na LanHouse de Rio das Ostras... bom receber os votos de boas férias de tantos que passam pelo PrasCabeças: cada dia fica mais evidente que "amigo(a) virtual existe.
  • Aqui o sol está quente, nem uma núvem no céu: quem é das montanhas de Minas vai ficando vermelhinho (de queimar e de vergonha da brancura)!
  • Jantamos com o genro, Daniel-engenheiro químico, que namora a Ana Letícia (do MineirasUai). No cardápio, filé de peixe ao molho de camarão, purê, arroz e salada de palmito. Trivial. "Prato divino, lindo e delicioso", disse Amélia.
  • Hoje, às 6h da manhã, D. embarcou para uma daquelas plataformas da Petrobrás onde vai ficar uma semana (!). Segundo ele, a plataforma é sustentada por dois mini-submarinos, não é "fincada no fundo do mar"! Prá chegar lá, mais de uma hora de helicóptero, partindo de Macaé até à "Bacia de Campos". Os tais mini-submarinos ficam estabilizados a 200m de profundidade. Da lâmina dágua até o fundo são 2 mil metros. A sonda ainda perfura mais 3000 m rocha a dentro. Tanto trabalho para retirar o tal "ouro negro", depois bombeá-lo à terra, daí à refinaria, fabricar a gasolina, que nos chega ao posto em torno de R$ 2,30. Acabei achando barato (rsrsrsrs), vocês concordam? Em Búzios, uma garrafinha de 350ml de água mineral tá custando R$ 3,50 !!! A coca-cola, "apenas" R$ 5. Beber óleo diesel sai mais barato!
  • Daniel conta que, na plataforma, há academia de ginástica, TV via satélite, telefone-a-pagar, biblioteca, salão de jogos, alojamento e restaurante. "O pior é quando chove e o mar fica bravo", diz ele, "balança tudo!" (Tô fora dessa, meu genro.)
  • O almoço de hoje teve sabor de saudade: voltamos ao Restaurante Por-do-Sol, em Barra de São João, onde estivemos há mais de 10 anos. O filhos ainda eram crianças e corriam de lado a outro às margens do rio. Prá variar: moqueca de dourada com camarão, pirão e arroz. O restaurante funciona numa casa antiga, provavelmente de mais de 100 anos, estilo colonial decadente. Só a arquitetura, pois a comida, feita na hora, continua excelente. O por-do-sol, por tras das montanhas da Serra do Mar, realmente, é uma atração.
  • Bom, amanhã teremos de caminhar dobrado, prá queima as "saudáveis" calorias, acumuladas carinhosamente com cocadas de leite condensado - típicas da região.
  • Amélia prometeu, em voz alta, levar alguns exemplares da cocada prá sogrinha dela, a Aparecida do Soié (Ontem e Hoje).
  • Agradecemos à Viva, o convite pro chope (por conta dela!). Fica prá outra oportunidade, tá? Se quiser vir a Rio das Ostras, estaremos esperando por você na Pousada Belmare, praia Costa Azul. Aí, o chope fica por nossa conta!!!
  • Aos filhotes que ficaram em Belo Horizonte, um beijo, um abraço, muitas saudades...

21 julho, 2005

Prá não falar de mensalão, cpi, malas e cuecas, um pouco de inutilidades

24 coisas que vc não pode morrer sem saber !!

01 - O nome completo do Pato Donald é Donald Fauntleroy Duck.
02 - Em 1997, as linhas aéreas americanas economizaram US$ 40.000
eliminando uma azeitona de cada salada.
03 - Uma girafa pode limpar suas próprias orelhas com a língua.
04 - Milhões de árvores no mundo são plantadas acidentalmente por esquilos
que enterram nozes e não lembram onde eles as esconderam.
05 - Comer uma maçã é mais eficiente que tomar café para se manter
acordado..
06 - As formigas se espreguiçam pela manhã quando acordam.
07 - As escovas de dente azuis são mais usadas que as vermelhas.
08 - O porco é o único animal que se queima com o sol além do homem.
09 - Ninguém consegue lamber o próprio cotovelo, é impossível tocá-lo com a
própria língua.
10 - Só um alimento não se deteriora: o mel.
11 - Os golfinhos dormem com um olho aberto.
12 - Um terço de todo o sorvete vendido no mundo é de baunilha.
13 - As unhas da mão crescem aproximadamente quatro vezes mais rápido que
as unhas do pé.
14 - O olho do avestruz é maior do que seu cérebro.
15 - Os destros vivem, em média, nove anos mais que os canhotos.
16 - O "quack" de um pato não produz eco, e ninguém sabe porquê.
17 - O músculo mais potente do corpo humano é a língua.
18 - É impossível espirrar com os olhos abertos.
19 - "J" é a única letra que não aparece na tabela periódica.
20 - Uma gota de óleo torna 25 litros de água imprópria para o consumo.
21 - Os chimpanzés e os golfinhos são os únicos animais capazes de se
reconhecer na frente de um espelho.
22 - Rir durante o dia faz com que você durma melhor à noite.
23 - 40% dos telespectadores do Jornal Nacional dão boa-noite ao William
Bonner no final.
24 - Aproximadamente 70 % das pessoas que lêem este post tentam lamber
seu cotovelo após ler o item 9!!!
__________________
25 - mais inútil de tudo: amanhã inicio meu período de férias. Pequeno: dez míseros dias que aproveitarei segundo a segundo, na companhia da Amélia.
Até a volta ou, se os dedos coçarem, faço uma visitinha a uma LanHouse e deixo aqui um post lúdico!

19 julho, 2005

Ctrl+C / Ctrl+V (por minha conta e risco)

Fritz Utzeri
O NeoPT morreu, viva o PT!

Foram necessários dois anos e meio para que a traição ao ideário generoso de um partido que nasceu das lutas populares saltasse aos olhos dos brasileiros, pasmos ante a desfaçatez suprema de justificar o roubo - injustificável - apenas porque ''o PT fez o que é feito no Brasil sistematicamente'', nas palavras de seu expoente máximo, falando de Paris e comprometendo-se de vez com a sujeira
Pessoalmente, apesar de ter declarado publicamente meu voto em Lula, aqui mesmo no JB, já deixava claro que desconfiava da versão light do candidato, domesticado e repaginado por Duda Mendonça. Mas, não poderia imaginar até que extremos o aparelhamento do Estado e a corrupção chegariam. Logo após a posse, comecei a falar em ''estelionato eleitoral''. Parei de chamar o presidente de Lula, por considerar que o operário em que havia votado não era o que estava na Presidência. Publiquei uma página inteira no Pasquim21, no dia 28 de janeiro de 2003 (23 dias depois da posse), perguntando: ''Erramos de operário?'', com duas fotos, uma de Lula, com a legenda: ''Votamos neste'', e outra, de Lech Walesa: ''E ganhamos este?''. Fui chamado de ''impaciente'', e essa era uma opinião amigável.
Justificava-se a inação e a continuidade da política econômica com o argumento de que o orçamento daquele ano, o primeiro de Luiz Inácio, fora feito por seu antecessor, o príncipe dos (s)ociólogos, Fernando II, engessando a gestão petista. Dizia-se que o ''orçamento de Lula'' seria diferente, falava-se em ''fase dois'' aos que se espantavam com a continuidade da política econômica, alardeava-se um ''Fome Zero'' nacional, enquanto o molusco dava, cada vez mais, evidências de despreparo e deslumbramento. Passei a chamar o PT de NeoPT.
O tempo passou e as ''reformas'' anunciadas nada reformaram, além de eliminar conquistas dos trabalhadores. Inativos foram taxados e bancos privilegiados, como na Lei das Falências, dando prioridade às instituições financeiras sobre os trabalhadores, no caso de uma empresa quebrar, ''permitindo'' aos empregados negociar com os bancos ''em igualdade de condições'' (???). À medida que o governo revelava sua inação, incapaz de deslanchar até mesmo os programas assistenciais, mostrava, cada vez mais, que seu único objetivo era tranqüilizar a economia, para pagar banqueiros e especuladores e fazer caixa dois para a reeleição, uma praga que inviabiliza o país.
A propaganda, o marketing e a pesquisa de opinião viraram regra, manipulando a opinião pública. Enquanto isso, surgiam as primeiras suspeitas de que havia algo errado com a integridade do NeoPT, face às evidências cada vez maiores do aparelhamento e loteamento do Estado e da adesão de gente como Roberto Jefferson (o do cheque em branco), José Sarney, Delfim Netto, Orestes Quércia e outros ''companheiros''.
Até que um dos bandidos - ameaçado de pagar a conta, sozinho, devido a um filmete exibido na TV, mostrando um funcionário dos Correios embolsando uma mixaria de R$ 3 mil e dizendo que seu suposto chefe (o bandido) era ''doidão'' - resolveu provar que era ''doidão'' mesmo e chutou o pau da barraca. Nome do bandido? E precisa dizer? Ele agora escreve nos jornais pontificando sobre financiamento de campanhas, em lugar de estar preso por não explicar o que fez com R$ 4 milhões que diz ter recebido do NeoPT. O fato é que a barraca veio abaixo, os ventiladores espalharam tudo pra todos os lados e hoje o Brasil está mergulhado na m..., melhor dizer, na lama.
E como estão os generosos militantes que deram o melhor de si em nome da esperança, ''sem medo de ser feliz'', como dizia a melhor promessa política do PT? Eles não são corruptos nem venais. Apenas acreditaram e lutaram. Cadê a felicidade? Felizes estão os banqueiros, blindados e satisfeitos com seu governo paralelo (Palocci e Meirelles), inatingido e inatingível, administrando uma esfera própria, que nada tem a ver com o Brasil. É preciso refundar o PT, um novo partido, livre de todos os que se locupletaram dele (incluindo Luiz Inácio) e voltar às bases de luta do povo brasileiro. Será preciso tornar a dar o primeiro passo, porque se a esperança morrer, estaremos mortos. O NeoPT morreu, viva o PT!

Fritz Utzeri escreve no JB às quartas-feiras

16 julho, 2005

UM AMOR VIRTUAL "AVANT LA LETTRE"

Quando eu era criança, lá em Nova Era, adorava acompanhar meu pai, o Soié do Ontem e Hoje, em seu trabalho de telegrafista da outrora venerável ECT - Empresa de Correios e Telégrafos.

Naquela época, não havia ainda os Marcos Valérios e os mensalões, conquanto a política dos coronéis, provavelmente, já se utilizava do poder do dinheiro para comprar eleitores e subornar políticos. Ou não?

Soié, com certeza, tem muitas histórias daqueles tempos quase heróicos, em que o Código Morse era impresso em fitas de papel, intermináveis (ponto, traço, ponto...). O aparelho emitia um estalido intermitente, que meu pai decodificava "de ouvido"!

A história a seguir é de um tempo muito anterior ao que eu, de calça curta e suspensório, sonhava em aprender a decifrar, para além do código, o mundo que imaginava existir do outro lado das montanhas daquele vale banhado pelo Rio Piracicaba.

Estamos em Londres, dia 29 de janeiro de 1867:

Ao meio-dia, John envia um telegrama para seu amigo Jonathan, em Nova York:
- Quero me casar. Arranje-me uma americana do meu gosto.
Meia hora depois, de Nova York, recebe a resposta:
- Tenho justamente o que desejais: olhos azuis, dentes de neve, cabelos pretos, cintura delgada, sem magreza, amiga da ordem e da economia, em suma, um tesouro.
Às 13 horas, John estava decidido:
- Dou-vos plenos poderes para tratar do negócio.
Às 14 horas, Jonathan informa que a moça estava interessada no casamento, mas desejava ver uma foto de seu futuro marido.
Trinta minutos depois, John adaptou um aparelho chamado Casseli e envia sua foto.
Às 15h, a decisão da moça, no telegrama de Jonathan:
- Achou-vos bem parecido. Consente no casamento!
Associa ao texto uma imagem da moça, agora noiva. John, já apaixonado, dispara várias mensagens do tipo:
- Adorável Jenny, desde o primeiro segundo em que vi vossa pulquérrima imagem, ficou ela gravada no meu coração.
Inda mais:
- Anjo adorado, já me tarda poder chamar-te de minha mulher, apertar-te nos meus braços.
John autoriza imediatamente Jonathan a comprar jóias no valor de 100 mil francos e presenteie a amada.
Às 18h, avisa ao amigo que, logo à meia-noite, embarcará num navio para casar-se assim que chegar a Nova York.
Entretanto, às 20h, recebe um telegrama "urgente", com os dizeres:
- É inútil embarcardes. Enquanto tratava de vosso negócio, pude apreciar todas as excelentes qualidades de Miss Jenny. Abri-lhe meu coração; posto que ela vos estime, dá-me preferência visto que sou seu vizinho.
Furioso, John pede reparação, ou seja, propõe um duelo:
- Um de nós deve morrer!
Jonathan concorda, e até provoca:
- Nada de demora, devo casar-me ainda hoje, à meia-noite!
À meia-noite em ponto, acompanhados de quadro testemunhas, duas em cada país, John e Jonathan seguram um fio, no qual é liberada uma carga elétrica.
John, em Londres, cai morto.

E a gente, neste início do século 21, achando que virtual só a internet...

Essa deliciosa e trágica história de amor, na qual uma pessoa se apaixona, é traída e morta em curtíssimo espaço de tempo, foi contada pelo Jornal "Diário de Minas", de Ouro Preto, em janeiro de 1867.
Uma mentira bem tramada, através da qual o articulista da época propõe uma discussão atualíssima: diante de novas e mais rápidas formas de comunicação, novas formas de sociabilidade se articulam.
Superando a intermediação dos mensageiros e a demora das cartas, surgiram o telégrafo, o telefone, o fax, a internet.
Amores se tecem e se desfazem, na rapidez do teclado. As propostas, via Messenger ou pelos chats, começam com um "vamos teclar?", passam pela webcam e terminam com um logout. Promessas, imagens e emails não resistem a um delete!

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Os créditos deste post são para Jairo Faria Mendes, que me inspirou com seu artigo de hoje, no Caderno Pensar, do Estado de Minas.

12 julho, 2005

"OS JUSTOS SEMPRE PAGAM PELOS PECADORES"

"Tem gente muito maldosa, Doutor. Tem gente que só pensa mal dos outros. Veja, por exemplo, o caso daquele homem lá do Ceará, preso no aeroporto de São Paulo, carregando dinheiro na cueca. Estão falando que ele é corrupto, que o dinheiro era do PT ou do Genoíno, sei lá. Só porque o homem é um pobre lavrador, falam isso dele. Ele mesmo explicou tudo, por que ninguém acredita no coitado? Tá tudo explicado: ele trabalhou, lavrou a terra, plantou verdura naquele árido do Ceará, carregou água na lata pra regar as plantinhas. Depois, colocou numa carroceria de uma velha camionete, como a gente faz lá na roça. Veio pra São Paulo, viajando por este Brasil a fora. Deve até ter passado fome, Doutor. Deu sorte: vendeu as verdurinhas todas na cidade grande, que não tem roça, o senhor sabe. Verdura boa, lá do Ceará, vale dinheiro, não é? Ajuntou um dinheirinho. De tão pobre, nem conta em banco ele tinha. O que fazer? Não podia voltar de camionete pra casa, correr risco de ser assaltado. Eu faria o mesmo, largava a camionete em qualquer lugar, pegava um avião e voltava. Pois então, foi o que ele fez. Escondeu o dinheiro, que ninguém é bobo, né? A polícia sempre persegue os mais humildes. Ao ver aquele nordestino, careca e com barba por fazer, na fila do avião, foi logo desconfiando. Prenderam o coitado e revistaram ele, como se fosse um vagabundo, um ladrão. Aquele dinheiro na cueca era a defesa dele contra os assaltantes. Escondeu bem escondido, pensando que ninguém ia botar a mão ali dentro, inda mais os homens da polícia. Pois não é que os meganhas apalparam ele de tal jeito que descobriram o dinheiro? Não adiantou explicar que tinha vendido as hortaliças, fruto do trabalho honesto. Ninguém acredita mesmo em pobre. Neste país, doutor, pobre e trabalhador não tem vez. Agora, como é que faz? Sem dinheiro, preso e, pior, acusado de fazer parte dos políticos. Eles, os políticos, é que são perigosos. O homem, coitado, não tinha nada a ver com a história de mensalão. Aqui no Brasil é assim, os justos pagam pelos pecadores. Cruz credo!"
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A propósito:

A batina do padre e a cueca do PT

Padre Aneiko, deputado estadual pelo PDC do Paraná, vinha do Paraguai. Na ponte da Amizade, fronteira de Foz do Iguaçu, encontrou-se com duas eleitoras de Curitiba, que lhe pediram para passar com alguns perfumes. Padre Aneiko amarrou os perfumes no cinto da calça, embaixo da batina. Na alfândega, o fiscal perguntou:

- Alguma mercadoria, padre?

- Não.

- E aí embaixo da batina?

- O que tem aqui embaixo da batina é dessas duas moças. Quer
ver?

O fiscal não quis.

["Causo" contado hoje, pelo colunista Sebastião Nery, no jornal Tribuna da Imprensa]



09 julho, 2005

Um pouco de tudo e mais: escândalos, frio e... terremoto

1 - Lúcia Malla é brasileira que mora em Seul. Viajante se descreve e nomeia seu blog: "Uma malla pelo mundo". Vivo na sua carona, aprendendo coisas e loisas. Essa da "dog-poop-girl" é uma aula de antropologia e psicologia social. Só não lê quem quem não quiser.

2 - Fortes rajadas de vento (70 km/h) e o frio de 11 graus, recorde do ano, causaram transtornos em Belo Horizonte, na noite de quinta-feira e na madrugada desta sexta. Houve queda de árvores e congestionamento na região Centro-Sul. Para a madrugada de hoje para amanhã, prevê-se mais frio, ainda. Talvez a gente exprimente temperatura entre 8 e 9 graus... brrrrr

3 - Receita do Soié para que você se aqueça neste inverno. Confira no: Ontem&Hoje.

4 - Domingo tem clássico no Mineirão. Espero que o Galo tire o pé do atoleiro...
Peço ao Idelber que compareça ao estádio ao lado
dela. Ao que parece, ela é um "pé quente" e tanto...
Quanto a mim, torço e retorço.
Atualização(domingo): Não foi desta vez. Perdemos! Agora é: "lavanta, sacode a poeira, dá volta por cima!"... afinal, torcedor do Galo é mesmo sofredor - não é a solução, mas não deixa de ser uma rima.


5 -
Uma imagem vale mais que mil palavras: Ao ver esta foto, lembrei-me do episódio da Roseana Sarney e seu marido (ou ex), lá no Maranhão... alguém se lembra? Essa grana toda estava com um assessor de um deputado que é irmão do Genoíno... Uma imagem dessas - além da capa da Veja com a assinatura do Genoíno aposta ao lado da do Marcos Valério - é dose letal, meu irmão! Acabo de saber da renúncia do Genoíno. Parece até dominó: as pedras vão caindo, uma após outra... enquanto isso, o Cafajefferson é aplaudido no Jô Soares.

6 - Na madrugada de quinta para sexta-feira, Belo Horizonte e adjacências foram atigindas por um
terremoto!
Segundo os analistas, sua intensidade foi de 3.3 graus na Escala Richter: destelhou casas e quebrou vidraças no distrito de São Sebastião de Águas Claras (Macacos). Além da corrupção, Minas agora tem terremoto!!!
______________________________________________
Frio, terremoto, dog-boop-girl, dinheiro na cueca... Será tudo isso obra do Marcos Valério, o homem da mala? Ou do Bob Cafajefferson? Ou do PT? Quem sabe é obra de Osama Bin Laden? Mais uma do Bush?

08 julho, 2005

"Reunião de Bacana"

Pegue seu violão, convide um amigo para tocar pandeiro e outro prá tocar cavaquinho. Com uma caixinha de fósforo, alguém faz a percussão. Cantar o que? Eis a sugestão do dia:



Todo mundo cantando esse refrão

Se gritar pega ladrão

Não fica um meu irmão [BIS]

Se gritar pega ladrão

Não fica um

Você me chamou para esse pagode

Nem me avisou aqui não tem pobre

Até me pediu pra pisar de mansinho

Porque sou da cor eu sou escurinho

Aqui realmente está toda a nata

Doutores senhores até magnata

Com a bebedeira e a discussão

Tirei a minha conclusão

REFRÃO

Lugar meu amigo é minha baixada

E ando tranquilo e ninguém me diz nada

E lá camburão não vai com a justiça

Pois não há ladrão e é boa a polícia

Lá até parece a Suécia bacana

Se leva o bagulho e se deixa a grana

Não é como esse ambiente pesado

Que voce me trouxe para ser roubado

[do compositor Ari do Cavaco - cantado inicialmente pelo conjunto Originais do Samba - mais detalhes, aqui]

04 julho, 2005

Fun Latin

Curiosidade para os aficcionados da Língua Latina.
Nem sei mais como, o certo é que cheguei neste site e me diverti. Trata-se de uma tentativa de traduzir termos modenos utilizando-se - corretamente - de palavras latinas. Por exemplo:

Toda música é clássica - em latim:

The Beatles

The Temptations
  • Cimictus


  • Inlecebrae
  • The Rolling Stones

    The Who
  • Lapides Provolventes


  • Ille Quis
  • The Grateful Dead

    The Monkees
  • Mortui Grati


  • Simitatores
  • The Beach Boys

    Country Joe and the Fish
  • Pueri Litoris


  • Iosephus Agrestis Piscesque
  • 29 junho, 2005

    Apontamentos para uma discussão sobre o Amor - IV

    Ciúmes, mais ainda:

    Há algum tempo fiz um
    post sobre ciúmes, que gerou o maior número de comentários do Pras Cabeças.
    Realmente, o tema é fonte de inesgotáveis discussões, mobiliza a criatividade de grande parte dos artistas, divide opiniões.

    Se alguns consideram que o sentimento de ciúme é prova de amor - "quem ama teme perder o objeto amado e zela pela sua conservação" - por outro lado, os que o experimentam e os alvo deste sentimento sofrem terrivelmente.

    Naquele post, entre outras coisas, escrevi:

    Os ciúmes podem ser decompostos em três sentimentos básicos que se manifestam em condutas correspondentes:

    a) Insegurança: baixa de auto-estima e conseqüente medo de não ser amado, ansiedade, sentimento de posse e necessidade de controle. O ciumento se torna possessivo e cada vez mais insuportável ao outro. Cava sua própria desgraça!

    b) Inveja: quero que meu (minha) amado(a) não dê a outrem o que julgo ser somente meu; não tolero ver outra pessoa receber o carinho, o afeto, o olhar daquele(a) que amo!

    c) Raiva: odeio meu amado (minha amada) quando não faz aquilo que eu desejo. Odeio também quem recebe a atenção que deveria ser somente para mim. E meu ódio me leva à agressividade: tenho de destruir ambos: meu objeto de amor – que agora odeio – e o intruso – usurpador do meu bem e causa minha perda!

    Há casos ainda mais graves:
    Na Psiquiatria, há uma categoria diagnóstica denominada "Ciúme Mórbido ou Patológico", caracterizada por "vários sentimentos perturbadores, desproporcionais e absurdos, os quais determinam comportamentos inaceitáveis ou bizarros. Esses sentimentos envolveriam um medo desproporcional de perder o parceiro(a) para um(a) rival, desconfiança excessiva e infundada, gerando significativo prejuízo no relacionamento interpessoal."

    Há ciumentos que sofrem até pelo passado das pessoas que amam, pesquisando fotos, cartas, restos de lembranças. Assaltam as gavetas e os guardados, tentam decifrar nas conversas de parentes quaisquer referências a antigas paixões. Infernizam a vida do(a) parceiro(a), querendo detalhes sobre a vida afetiva prévia, lugares, posições, carícias preferidas, etc.
    Ou seja: um mundo de sofrimento, angústia, desentendimentos, determinado pela "sombra monstruosa do ciúme" (Caetano Veloso, O Ciúme).

    Os casos de ciúme patológico geralmente evoluem para tragédias, uma vez que seus portadores provavelmente têm um Transtorno de Personalidade subjacente:
    • Personalidade paranóide: A característica essencial deste distúrbio é uma tendência global e injustificável para interpretar as ações das pessoas como deliberadamente humilhantes ou ameaçadoras. Tem normalmente início no final da adolescência ou no começo da idade adulta. Quase invariavelmente há uma crença de estar sendo explorado ou prejudicado pelos outros de alguma forma e, por causa disso, a lealdade e fidelidade das pessoas estão sendo sempre questionadas. Muitas vezes o portador deste Transtorno é patologicamente ciumento e questionador da fidelidade do cônjuge, ao ponto de causar situações francamente constrangedoras.
    • Personalidade obsessiva: Há, neste Transtorno de Personalidade, um padrão generalizado de perfeccionismo e inflexibilidade. As pessoas assim preocupam-se com a observância das normas, das regras, com a organização e com os detalhes. Normalmente são escravizados pelo simétrico, pelo limpo e pela ordem das coisas, desde a arrumação de seus pertences pessoais (guarda-roupas, gavetas, mesas), até a organização extremamente cuidadosa de coisas relacionadas à ocupação e profissão.
    Outra situação muito propícia ao ciúme mórbido ou patológico é o alcoolismo crônico, quando toma a forma de delírio celotípico:
    • o alcoolista, já com manifestações deliróides e alucinose alcoólica, passa a desconfiar absurdamente do cônjuge, fantasiando situações, interpretando fatos corriqueiros (telefonemas, pedaços de papel jogados no lixo, olhares na rua) como provas irrefutáveis de que estão sendo traídos. (Freud chega a falar de uma identificação do ciumento com o parceiro e um desejo inconsciente de estar em seu lugar(!), denotando uma tendência homossexual (!) - depois a gente fala disso).

    Pois bem:
    Amanhã, quinta-30/jun, às 10h da manhã, darei uma entrevista na
    Rádio Itatiaia (FM 95,7/610 AM) sobre Ciúmes, em especial sobre Ciúme Mórbido ou Patológico.
    Oiçam! (o programa "Rádio Vivo" é transmitido via satélite e online).

    27 junho, 2005

    Mais importante que o fato é sua versão?

    Karl Kraus: De que maneira o mundo é governado e como começam as guerras? Diplomatas contam mentiras para os jornalistas e passam a nelas acreditar quando as lêem na imprensa.

    • Pois eu mesmo digo:
    De que maneira o Brasil é governado e como começam as desesperanças?
    Picaretas e corruptos contam mentiras para os jornalistas e passam a nelas acreditar quando as lêem na imprensa.

    26 junho, 2005

    A CPI da novela (!) ou: Brazilians, go home!

    Tõ sabendo que existem quase 24 mil brasileiros presos - na cadeia! - lá na América (como a Rede Globo chama os States). Deslumbrados do Brasil estão entrando pelo cano e vendo o sol nascer quadrado. Daqui de Minas, a maioria sai da região leste: Governador Valadares e adjacências. Surpreendeu-me que, depois de Minas, o maior número de emigrantes sai da região de Criciúma-SC. Por que? Não faço a menor idéia.
    Além de caírem na ratoeira quando tentam atravessar a fronteira vindos do México, muitos cometem delitos mais ou menos graves e... zás! o policeman dá o bote! Pelo menos estão comendo de graça, será? Ou têm de pagar a "hospedagem" quando retornarem em vôos fretados dos USA direto prá Confins?
    Vejam o que li, aqui:
    Um dos motivos apontados para o boom de brasileiros nos Estados Unidos é a baixa do dólar
    e a novela América, exibida pela Rede Globo, que trata da emigração de brasileiros para os EUA.
    Por isso mesmo, a autora folhetim, Glória Perez, será ouvida nos próximos dias pela

    Comissão Parlamentar Mista de Inquérito
    (CPMI) que apura a
    ida de brasileiros para o exterior, principalmente para a terra do Tio Sam.
    O sonho de fazer a América anima muita gente a sacrificar tudo e emigrar, buscando no Império do Norte a saída da miséria. Aqui em Belo Horizonte, segundo dizem, a fila para conseguir passaporte está cheia de analfabetos. Sim, analfabetos que utilizam a impressão digital. Dá pra acreditar? Segundo o delegado da Polícia Federal de Belo Horizonte, o povo acorreu às filas depois que circulou um boato, falando que "vai sair uma lei nos Estados Unidos condicionando a entrada, lá, apenas aos portadores de diploma universitário!
    Segundo o último levantamento fornecido pelo Ministério das Relações Exteriores, em março, a distribuição de brasileiros por jurisdição consular do Brasil nos Estados Unidos é a seguinte
    Consulado em São Francisco
    Abrange os estados do Alaska, Washington, Oregon, Califórnia e Havaí
    30 mil brasileiros sendo 5 mil regulares e 25 mil irregulares
    Consulado em Los Angeles
    Montana, Idaho, Wyoming, Nevada, Utah, Califórnia e Arizona
    40 mil brasileiros sendo 20 mil regulares e 20 mil irregulares
    Consulado em Houston
    Colorado, Kansas, Novo México, Oklahoma, Arkansas, Texas e Louisiana
    300 mil brasileiros 100 mil regulares e 200 mil irregulares
    Consulado em Chicago
    Dakota do Norte, Minnesota, Wisconsin, Michigan, Dakota do Sul, Iowa, Illinois, Indiana, Nebraska e Missouri
    12 mil brasileiros 9 mil regulares e 3 mil irregulares
    Consulado em Miami
    Tennessee, Carolina do Norte, Mississippi, Alabama, Georgia, Carolina do Sul e Flórida
    150 mil brasileiros 75 mil regulares e 75 mil irregulares
    Embaixada em Washington
    Ohio, Virgínia Ocidental, Maryland, Virgínia e Kentucky
    44 mil brasileiros todos regulares
    Consulado em Nova York
    Nova York, Pensilvânia, Nova Jersey e Delaware
    350 mil brasileiros 105 mil regulares e 245 mil irregulares
    Consulado em Boston
    Maine, New Hampshire, Vermont, Massachusetts e Rhode Island
    225 mil brasileiros 45 mil regulares e 180 mil irregulares

    A Torre ou o shopping sem sacolas

    No próximo dia 21 de julho será inaugurado o Alta Vista Center Class, um complexo destinado ao turismo, lazer, centro de convenções, mirante, livraria e até cursinho pré-vestibular.
    O cenário já está dominado por uma torre de 82 metros, no alto do Belvedere, caminho da vizinha Nova Lima. Pretende-se que seja um grande atrativo para incrementar o turismo em Belo Horizonte, já que não temos mar (oh! dor-de-cotovelo dos mineiros...), não temos neve nem terremotos, nem tsunami (toc-toc-toc). O negócio, que exigiu, investimento de R$ 50 milhões de empresários mineiros que formaram a Asti Empreendimentos, vai além da torre. Os pontos destinados a restaurantes, cafés, choperias, boate, livraria, lojas de apoio, centro de eventos, pré-vestibular e cinemas ficam no prédio de quatro pavimentos, em L, localizado atrás da torre. Uma das seis salas de cinema da Cineart será vip, entrada privativa, com poltronas largas, mesas de apoio e uísque no cardápio!
    Há atrações para todos os gostos: desde Hard Rock Café até Leitura Megastore.
    Um dos incorporadores do Alta Vista disse:
    “Não é um shopping, de onde as pessoas vão sair com sacolas. É um centro de consumo do qual se sai sem sacolas, feliz”.
    Taí o grande lance: promessa e venda de felicidade, eis o sonho de consumo que orienta o marketing pós-moderno. Não nos oferecem aquilo de que precisamos: dão-nos, logo, a felicidade!!!
    Bom, pelo menos é um lugar para se divertir.
    Como adoro montanhas, já sei que vou dar uma passadinha lá na torre, alugar um daqueles binóculos e vasculhar a Serra da Moeda, a Serra do Caraça, a Serra da Piedade, a cidade que se derrama lá em baixo, vales e montanhas de Minas...
    Depois, já que ninguém é de ferro, comer massas italianas regadas a um bom vinho
    no Storica Fiorentina (pizzaria) ou na Cantina Masseria.
    Com os amigos que curtem boa música, estaremos no
    Espaço cultural Clube da Esquina - clube com café, bar e espaço para shows.
    Ou seja, mesmo sem mar, a gente se diverte (enquanto durar a grana).
    Boa semana!

    25 junho, 2005

    "A verdade é a buscadela" - João Guimarães Rosa

    João Paulo Cunha é o Editor de Cultura do Caderno Pensar, do Estado de Minas. Hoje, entre outras reflexões, publicou:

    "O teatro de horrores que tomou conta da sociedade brasileira nas últimas semanas tem como pano de fundo a questão da verdade e da mentira. Mais do que isso: da necessidade de se dizer a verdade e evitar a mentira quando se trata de interesse coletivo. De tal maneira se borraram as distinções entre público e privado, que o valor da verdade ficou solto, pendendo ora para os interesses pessoais (até os mais inconfessáveis são hoje confessados com certo orgulho), ora para a reafirmação de uma arena responsável de interesses sociais. Nesse palco, os meios de comunicação, muitas vezes, prestam um desserviço, ao valorizarem mais o que desvia do que aquilo que corrige.

    A polêmica não é nova. Kant e Benjamin Constant travaram um debate sobre o direito de mentir por razões humanitárias, em pleno furacão do iluminismo. Do debate entre os dois, defensores com o mesmo fervor do credo universalista da razão, somadas as contribuições de Rousseau e Schopenhauer, nasceu uma corrente rica de reflexão sobre direito, ética e moralidade. Kant era radical em seu imperativo moral: em absolutamente todas as situações deve-se falar a verdade. Já Constant, acreditava que por razões, como as filantrópicas, é possível se pensar em um certo direito de mentir. Kant achava que garantir estatuto de racionalidade à mentira era abandonar a civilização em nome da barbárie. Constant apelava para outros valores de civilização para entender a emergência da mentira, em alguns casos, como imperativo de outra forma de justiça.

    O que escapa a esse debate hoje é o nível dos debatedores e das verdades e mentiras em jogo. Os filósofos do esclarecimento falavam de um homem reto e de um jogo público afeito às regras e aos contratos. Hoje, nosso horizonte de falsidade foge a todas as regras. O filósofo da mentira é Roberto Jefferson, capaz de se portar como arauto da verdade, apenas porque afirma, com requintes de detalhes, que sua mentira é mais honesta pelo fato de apresentar de forma deslavada.

    O resultado social do que a sociedade brasileira vem acompanhando é grave. O desmonte da moralidade da política parece dar operacionalidade à alienação que sempre rondou uma sociedade patrimonialista como a nossa. Num terreno em que os valores públicos se desmancham nas mãos indecentes e concupiscentes dos novos heróis da amoralidade, a credibilidade das instituições vaza pelo ralo. Para quem achava “que todo político é ladrão”, a situação presente não instiga à revolta, mas ao abandono. Como num jogo do já sabido, a corrupção é dada uma variável humana da qual, no máximo, só se pode querer distância."

    - Ou isso ou a barbárie.

    21 junho, 2005

    Apontamentos para uma discussão sobre o Amor - III

    "O amor pode queimar?"

    Maria Cleonice - é assim que gosta de ser chamada, pois "os nomes duplos inspiram nobreza"- acordou bem disposta. Bonita, suave, de olhos azuis, ajeitou o cabelo, caprichou na maquiagem, borrifou um pouco de Poison nas curvas de seu pescoço e no colo bem feito. Os 41 anos não lhe cobram quase nada.
    Feliz? Pode-se dizer que sim, embora o ex-noivo, Antônio, ainda a faça suspirar um pouco, quando as boas recordações avivam a libido. De verdade, nunca se afastaram, pois, embora casado com Vanessa, o moço é seu colega de escritório. Além disso, mantêm explícita amizade e, para espanto de uns e admiração de outros, Maria Cleonice é íntima do casal - coisa dos tempos modernos.
    Às nove, suavemente envolta pela fragância venenosa do perfume, ela está diante do ex-noivo que, mais uma vez, solicita-lhe visita a um cliente, na vizinha cidade de Santa Luzia:
    - Não sei se é possível, Tonico, meu carro está na oficina.
    - Pois lhe empresto o meu, vá no Corsa.
    ...
    Lá pelas onze, Antônio explica isso à Vanessa. No trajeto para casa, tomada por um ciúme medrado insidiosamente nos últimos tempos, demonstra-lhe desagrado:
    - Benzinho, essa mulherzinha já tá abusando, você não acha? Tá sempre arrumando desculpa para ficar perto de você e, agora, nosso carro está com ela! Estou me segurando, não é de hoje!
    Antônio evitava qualquer discussão. Contemporizou:
    - Ah! meu amor... tá bom, tá bom, não vou dar mais colher de chá, você sabe que te amo!
    A tempestade quase fora adiada se não tocasse o celular. Era Maria Cleonice:
    - Oi, meu Tonico, passo na sua casa, devolvo o carro e almoço com vocês.
    Indeciso entre não desagradar à mulher e à ex-noiva, passa o telefone à Vanessa:
    - Você decide.
    - Olhaqui, sua noivinha frustrada, fique no seu lugar, vê se desconfia e dá um tempo!
    ...
    Às 16,32, o porteiro do prédio de Antônio e Vanessa abre o portão para o Corsa do 504. Bonita, suave, de olhos azuis, Maria Cleonice ajeita o cabelo:
    - O carro já está na vaga, Feliz Natal!
    ...
    A fumaça toma conta do ambiente. Espessa e negra, provém da garagem. Os bombeiros são chamados.
    Maria Cleonice comemorara o Natal incendiando o "corsinha do Tonico".
    - O fogo se alastrou, não foi minha culpa. Não queria queimar os outros cinco carros, lamentou.
    Bonita, suave, de olhos azuis...

    [republicação]

    19 junho, 2005

    Apontamentos para uma discussão sobre o Amor - II

    Dos meus tempos de criança, lembro-me de um hino religioso que começava assim:
    - "Prova de amor maior não há do que dar a vida pelo irmão".
    Matutava com meus botões:

    - "Como pode alguém dar a vida por uma outra pessoa, a não ser mesmo o Cristo?"

    Anos mais tarde, numa leitura de Françoise Dolto, psicanalista francesa, deparo-me com sua descrição das diversas categorias do amor, a partir da teoria freudiana. Françoise, entretanto, acrescentou uma outra possibilidade, para além do amor genital: o amor oblativo, de oblação: um tipo de amor que se caracteriza pela doação incondicional, sem desejo de reciprocidade. Ah! pensei, é como doar a vida por alguém...

    Em 11 de setembro de 2001, enquanto desmoronavam as torres gêmeas do World Trade Center em Nova York, exatamente no mesmo horário, um milagre de amor oblativo acontecia aqui mesmo em Belo Horizonte:

    Meu irmão, José Bonifácio, doava-me um de seus rins para que eu me curasse da insuficiência renal crônica que me consumia!

    Os versos daquele hino e a descrição do amor oblativo se concretizaram diante de mim: Boni é a prova de que existe, sim, um amor desinteressado, enorme, inconmensurável, impossível de se retribuir na medida exata da grandeza do doador! Qualquer palavra que eu diga será insuficiente, pequena, insignificante...

    Essas lembranças me assaltaram hoje, pela manhã, ao ler a crônica de Affonso Romano de Sant'anna, da qual transcrevo um trecho, para compartilhar com vocês. Utilizei o ctrl+c/ctrl+v sem pejo:

    E se você, garotão, tivesse nascido diabético e, por causa disso, na adolescência, descobrisse que estava ficando impotente, e que isso iria acarretar uma série de constrangimentos ao começar o flerte com uma garota…

    E se você, por causa da diabetes e porque sendo jovem, continuasse a viver todos os prazeres nas praias e festas, bebendo, fumando até que, de repente, aos 21 anos a cegueira desabasse sobre você, subitamente...

    E se você, além de diabético e de ficar cego, um dia estivesse na garupa de uma moto e sofresse um acidente com fratura exposta, que lhe botasse de cama muito tempo…

    E se você, diabético, cego, fraturado, acabasse, lá pelas tantas, tendo que fazer um inevitável transplante de pâncreas…

    E, como se não bastasse, daí a pouco tivesse que fazer um transplante de rim.

    Se você fosse assim, se eu fosse assim, teríamos todas as razões para dizer fiquem aí com esse mundo de Deus-e-do-diabo, estou tirando o time, desse jeito não dá para jogar nem na defesa nem no ataque.

    Mas não foi isso que aconteceu com Marco Antônio Queirós. Ao contrário de Dalida, aquela ex-miss Egito, linda e rica, que sem nenhum desses problemas resolveu se matar, MAQ, como seus amigos o chamam, virou excelente técnico em informática, casou-se com Sônia, teve o filho Tadzo, é dono de um humor inacreditável, uma juventude permanente nos seus quarenta e tantos anos e, diria, é uma pessoa mais feliz que 80% das que conheço. É ver para crer: entrem no site que ele preparou: Bengala Legal - e vocês terão uma idéia do que digo.

    Depois, leiam o livro que ele acaba de lançar, Sopro no corpo (Editora Rima Especial). E como sei que a distribuição de livros é problemática, dou o telefone e o endereço da editora: (16) 3372-5269.

    Agora lhes pergunto:
    - Amor de oblação e amor pela vida, existem ou não?

    16 junho, 2005

    Apontamentos para uma discussão sobre o Amor - I

    Passou-se o dia dos Namorados, ficaram para trás os apelos emocionais do comércio, os corações cor-de-rosa já não enfeitam as vitrines. A mídia insistiu em realçar o amor romântico, portanto idealizado. Nos blogs – inclusive neste aqui – muito se escreveu sobre o tema, com declarações de amor, etc.
    Daqui a pouco se falará do amor pelo pai (agosto já está próximo), do amor universal (Natal e Ano Novo), amor sexual (carnaval), amor pelo chocolate (!) na Páscoa, pelas mães em maio... o business não pode parar! No fundo, acho que se trata de uma apropriação indevida deste sentimento que chamamos “amor”.

    Afinal, que é o amor?

    Antes de tudo, trata-se de uma impossibilidade, definir o tema de quase todos os poemas, músicas, teatro, óperas... de quase toda Arte!

    Se a Psicanálise freudiana fundamenta os sentimentos de amor (relações de objeto, no jargão freudiano) nas relações libidinais (erotismo, segundo Freud), há outras abordagens possíveis, mesmo entre psicanalistas.
    Estudiosos do comportamento buscam mapear as modificações cerebrais desencadeadas por estímulos estímulos excitantes, reduzindo o sentimento amoroso a percepções sutis do odor dos ferormônios e reações bioquímicas intermediadas por neurotransmissores, que seriam vivenciadas pelo sujeito como sentimento amoroso. Ou seja, reduzem o amor a reações biológicas – que existem, é claro.

    O pensamento biologicista pode levar ao desprezo da história pessoal de cada um, fundada nas experiências relacionais da primeira infância.
    Essas experiências determinam a capacidade de formação de vínculos e se iniciam muito precocemente, quando o bebê não tem capacidade de discernir o que é necessidade e o que virá a ser desejo.

    O que importa, nos primeiros anos, é a obtenção de prazer, proporcionado pela estimulação de determinadas zonas corporais, que Freud associou ao desenvolvimento da libido: fase oral, fase anal, fase fálica e genital. Assim, ao prazer obtido primordialmente pela ingestão do alimento (incorporação), segue-se o prazer experimentado pelo controle dos esfíncteres (guardar-soltar) e, finalmente, o prazer vivido com a descoberta dos órgãos genitais que, ainda segundo Freud, evoluirá do auto-erotismo ao erotismo voltado para o outro do sexo oposto.

    Tudo isso é muito esquemático. A crítica aponta outro caminho: os destinos do erotismo devem ser desvinculados dos destinos do amor.
    Experiências e muita observação demonstram que as primeiras vivências não-eróticas (que não buscam satisfações ligadas às zonas erógenas) se manifestam com o desejo de se agarrar que, por sua vez, se originam no medo de ser largado! Por aí, se deduz que a posição subjetiva inicial do sujeito que ama é uma posição passiva: desejo de ser amado, de ser acolhido: um desejo terno –não libidinal- seria a primeira manifestação espontânea emocional da criança.

    Com efeito, deparamo-nos com jovens e adultos que não superaram esta fase, tendo uma vida amorosa marcada pelo medo do abandono, agarramento neurótico, ciúmes doentios. São amantes infantis em sua demanda insaciável, que se mantêm na posição passiva diante daquele a quem demandam:

    “Devo ser amado, sempre, em todo lugar, de todas as formas, em todo meu corpo, em todo meu ser – sem nenhuma crítica,
    sem o menor esforço de minha parte.”

    __________________________
    [Continuarei depois]

    12 junho, 2005

    MEU DIA DOS NAMORADOS


    Foi quando estudávamos no pré-vestibular que nos conhecemos. Há tempos, mas o sorriso daquele primeiro encontro ainda permanece em minhas retinas e balança meu coração.

    Aos poucos, como em uma novela, a vida nos foi enlaçando. Se há uma frase do Vinícius da qual não duvido, é esta: "A vida é a arte do encontro, embora haja tantos desencontros pela vida":

    Eu tinha namorada. Ela também namorava. Éramos apenas amigos, antes de tudo o que viria depois.
    O ano terminou, era hora de despedida. Já da escada, escuto aquela "pequetita" de cabelos negros a me chamar, abraçada com o seu namorado: queria o número de meu telefone, para saber se eu seria aprovado no vestibular. Ficou ali, escrito com caneta Bic, na palma de sua mão! Disse-me depois:
    -Pensava que nunca mais te veria!

    Faculdades diferentes: ela, Psicologia; eu, Farmácia & Bioquímica. Mas os deuses estavam a nosso favor: o curso de Anatomia era comum, no Instituto de Ciências Biológicas da UFMG. Surpresa. Reencontro. Alegria! Os amores rompidos nos permitiram a aproximação cada vez mais explícita.

    Resolvi mudar para Medicina. Outro vestibular. Éramos amigos e fui para sua casa esperar o resultado.
    Estávamos juntos, na varanda, bem ali na Rua Maria Inês, Floresta, quando escutamos meu nome no rádio: foi um abraço de mútuo contentamento e... um beijo - o primeiro! - selou nosso destino. Era amor, cultivado ao longo de dois anos de admiração mútua, amizade profunda, compartilhamento de dúvidas, incertezas, emoções, risos...

    Não havia, ainda, o "ficar", mas a gente "ficou", e muuuuito! Falava-se em "amizade colorida" - gíria inocente de um tempo de descobertas... Virou namoro, aquela amizade tão especial.

    Ah! e os bilhetes delicadíssimos que me enviava? Os cartões mais criativos, bem-humorados, carinhosos? Até que um dia, lá de Nova Era, envio-lhe uma carta. Escutava Vincent no radio e a carta seguiu com um fiapo da letra: "Now I understand, what You try to say to me..."

    Crescíamos juntos, descobrindo possibilidades, construindo o futuro. Animava-nos o desejo de estar sempre juntos. Se havia distância e pouco dinheiro, nem por isso desanimávamos: ah! lá ia eu, de guarda-chuva - o amor tudo pode! - caminhando feliz ao encontro dela: fora das telas, eu protagonizava um "singing in the rain" belorizontino, aspirando o aroma das damas-da-noite e dos jasmins plantados nas calçadas. Alegria pura, pois com tanto amor, resistir quem há de?

    Hoje, tão felizes quanto sempre. Juntos, cumprindo uma promessa - não pela promessa, mas pelo desejo mesmo: "na alegria e na tristeza, na saúde e na doença".

    Pois Amélia ainda me deu os três maiores presentes de minha vida: Ana Letícia, Ângelo e Leonardo:


    Dia 07 de junho de 2005, na lançamento da Revista de Psiquiatria & Psicanálise com Crianças & Adolescentes, todos nós juntos.


    São tantos os momentos bons, tanta cumplicidade, tanto respeito, tanta liberdade...
    Prá você, meu bem Amélia, um beijo neste Dia dos Namorados.
    Outro amanhã.
    Depois.
    Sempre...

    __________
    Inspiração e exemplo é o que nos têm dado
    Soié & Aparecida, onde tudo começou.

    11 junho, 2005

    A ESPERANÇA VENCERÁ, AINDA, O MEDO?

    Núvens negro-avermelhadas: tempestade? Incêndio? Estrela de ferro rachada: Terremoto?
    Confesso que estou perplexo e assustado. Leio articulistas bem informados (quase nunca isentos, é verdade), mas não previa uma avalanche tão assustadora.
    O acusado (Bob Jefferson, para os íntimos) aponta o dedo (sujo) e espalha sujeira. Afunda e leva consigo um Titanic inteiro?
    O que vem após o dilúvio? (trocadilho infame, repetido ad nauseam: após o Delúbio?) Seráo todos os políticos (petistas e não petistas) corruptos?
    O que começou a circular, hoje, na Veja e o que vai circular amanhã, na Folha de São Paulo, será combustível para incendiar o país?


    O deputado nessa última entrevista, acusou Deus e o mundo, falou até em mala cheia de dinheiro. Mas alertou:
    - "Não tenho provas"!
    "Esse dinheiro [do 'mensalão'] chega a Brasília, pelo que sei, em malas. Tem um grande operador que trabalha junto do Delúbio [tesoureiro do PT], chamado Marcos Valério, que é um publicitário de Belo Horizonte. É ele quem faz a distribuição de recursos."

    "José Janene [líder do PP] é um dos operadores.Ele vai na fonte, pega, vem."

    "Se você perguntar: 'Tem prova? Fotografou? Gravou?'. Não. Mas era conversa cotidiana na Câmara."
    Inda mais, diz que não precisa de segurança, não teme morrer, porque se fizerem alguma coisa com ele, a República afunda!

    Assim é fácil: digo o que quero e os outros que se lasquem! Os acusados sem prova que se expliquem...
    Onde estamos?

    E a Editora Abril tem credibilidade? A CPI vai apurar, MESMO? Os culpados (todos) serão punidos? Trata-se de uma purgação, uma crise que nos levará ao crescimento?
    Há um complô da direita? É o golpe?

    Na entrevista das páginas amarelas da VEJA que circula a partir de hoje, o Gabeira detona o PT, o Lula, as utopias:
    Veja: Houve um momento em que o senhor acreditou na luta de classes como saída para a transformação da sociedade. Em outro momento, defendeu a política do corpo e, mais recentemente, viveu a experiência de ser, por dez meses, governo. Foram três decepções?

    Gabeira: Eu acho que, realmente, na escolha do socialismo houve um erro meu no sentido de não compreender o momento histórico. Contribuiu para isso o fato de estarmos na ditadura militar e essa ditadura militar ser, em si, um símbolo do atraso. Então, você é facilmente levado à ilusão de que, sendo contra ela, você está na frente, quando a verdade é que você está na frente de um projeto em declínio. Quando entendi isso, com a visão do marxismo sendo superada na minha cabeça, não havia mais uma explicação da história, que era uma espécie de substituição da religião. Aí, eu tive de me voltar para dentro de mim para buscar onde estava a referência. Nisso, me vi com a política do corpo, que eu reconheço que foi absorvida pelo sistema. Passou a ser uma grande indústria, como, aliás, ocorre com todos os grandes movimentos. O elemento mais recente nessa sucessão de fracassos foi esse envolvimento com um governo que ia transformar o país e que resultou nessa farsa que vemos agora.

    Veja: Diante desses três fracassos, o que restou das suas convicções?
    Gabeira: A decisão de me apoiar em alguns princípios de atuação: a democracia é como uma visão estratégica, e não mais como os comunistas a viam, uma títica para chegar ao poder -, a defesa dos direitos humanos, da consciência ecológica e, finalmente, da justiça social. E caminhando por aí eu acho que posso fazer alguma coisa. Não é mais uma grande revolução, com o esplendor daqueles tempos, mas é um pouco parecido com aquela história do Salinger, de O Apanhador no Campo de Centeio: quando eu era jovem, eu queria morrer pela revolução. Agora, quero viver para transformar um pouco as coisas. Sem grandiosidade, sem melodrama. Com pequenas ações, apenas.

    Há muito que pensar, observar, esperar para julgar, decidir, escolher... Mas acho que o deputado tem, ele sim, as mãos sujas, o dedo sujo, muita culpa em cartório e está surtando. Ou sou eu que estou ficando maluco?

    E agora, José?

    10 junho, 2005

    Gentileza urbana

    Em Belo Horizonte o "trem tá feio":
    Uma policial militar, cuja casa fora assaltada duas vezes na mesma semana, colocou a faixa: "Ladrões! Esta semana fomos assaltados 2 vezes - Gentileza aguardarem até novos equipamentos para esta casa." Posted by Hello

    Isto sim! Vocês já pensaram na decepção dos ladrões, caso voltassem àquela casa e a encontrassem vazia, sem nada de valor? Pensariam:

    -Sacanagem dos donos, isso é coisa que se faça?

    E a vergonha da policial militar, coitada! Deixar os pobres larápios sairem de mãos abanando... Poderia até ser punida pelo Alto Comando, ridicularizada pelos colegas, desprezada pelos vizinhos.

    Proponho que lhe seja concedida o Prêmio "Gentileza Urbana 2005", reportagem no Jornal Nacional e uma participação no Faustão. Se for bonita, que seja capa da Playboy. Brasileiro é assim: cordial!