07 setembro, 2005

Sobre o Brasil: nós na rede


Faço parte de um grupo de blogueiros que discutem questões entre si. Foi proposto que, hoje, todos escrevessem posts sobre a data nacional. Fui deixando prá depois e... não fiz o meu. Mas aqui vai uma série de línks dos colegas do Blog-Left e de mais alguns. Atualizarei, depois.


# Brasil - À Francesa
# Brasil - Pelo Cordão - C.O.S.F. Com o sotaque francês
# Design brasileiro - Básico e Necessário
# Dia da independência do Brasil - Nutriane
# Hoje é feriado mas eu trabalho - Lixo Tipo Especial
# Independence Day - Chez Moi
# Independência e corte - Uma Malla pelo Mundo
# Independência ou morte? - Tulio Vianna
# Encontros do Cotidiano - Telma Arcoverde
# Meu País - Papel Maché
# O que significa independência hoje? - Stuck in Sac
# Ode ao Umbiguismo - Monicômio
# Onde cantam os sabiás... - Tudo Pode Acontecer
# Outro sete de setembro - Onde anda Su?
# Pátria - O Chato
# Pátria Amada!!! - Entre Dois Mundos
# Sete de Setembro - A Sopa no Exílio
# Sete de setembro com Nós na Rede - Imaginação ao Poder
# Sob o mesmo céu - Macaxeira Blues

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Brasilidade com conciência crítica. Eis a questão.

03 setembro, 2005

UXORICÍDIO & FILICÍDIO

Acabo de conceder à Rádio Itatiaia-FM uma entrevista que deverá ir ao ar no "jornal da manhã" de segunda-feira.

A repórter Solange Bastos relatou-me a tragédia ocorrida às 15,30h de quinta (1° de setembro): um jovem adulto, 28 anos, pedreiro, ligou para emissora mais ouvida em MG:
- Vocês se lembram do caso de uma pessoa que matou mulher e filhos? Pois é, fiz a mesma coisa.

O homem acabara de assassinar a própria esposa e o filho de 7 meses. Detalhou os fatos: ele e a mulher se davam muito bem. Durante um jogo sexual, ela lhe pediu para que a amarrasse na cama. Empolgado, asfixiou-a! A seguir, deu banho no filho e o aprontou, enquanto resolvia para quem o entregaria. Mas concluiu que "não haveria sentido o menino viver sem a mãe" e o matou... Só então telefonou para a rádio.

Antes de se entregar à Polícia, buscou no colégio os filhos que teve com outras companheiras, levou-os para tomar sorvete e os entregou às respectivas mães...

O episósio é chocante e a repórter deseja opinião minha, do ponto de vista psiquiátrico e psicanalítico: Trata-se de um caso de "psicopatia"? Quer saber se o homem é louco, se jogos sexuais podem desencadear crimes, se a causa do crime estaria no desemprego, ou se "todos nós somos assassinos em potencial"(sic)!

Evidentemente não é possível diagnóstico psiquiátrico e psicanalítico sem que se entreviste o sujeito, sem que tenhamos seu relato, sua história de vida, etc. Mas casos assim sempre atiçam a curiosidade e é normal que busquemos explicações do tipo: "esse cara é louco". Com respostas simplistas, afastamos de nós qualquer semelhança com o outro, dito anormal, psicopata, doido... ou seja: eu sou normal, loucos são os outros! Portanto, isso nunca acontecerá comigo. Cruz credo, t'esconjuro, sai pra lá, comigo não!!!

Inúmeros estudos, porém, demonstram que os portadores de doença mental - ou "loucos de toda espécie", no ultrapassado jargão jurídico - não são as pessoas mais violentas. Ou seja, nós - os normais (?) - é que engordamos as estatísticas da criminalidade.

"A psicopatologia, nesses últimos 10 anos, adquiriu conhecimentos que correspondem a 90% do que havia sido conhecido em toda história da humanidade em termos de neurofisiologia. Isso, evidentemente, repercute num substancial incremento sobre o entendimento acerca da pessoa humana e de seu comportamento.

A despeito desse conhecimento que explodiu na última década, a maioria das pesquisas ou não encontrou uma associação entre doença mental e o risco de cometer crimes de violência, ou encontrou apenas uma discreta associação, estatisticamente não significativa." [Ballone]



A primeira pergunta que surge é: trata-se de um psicopata?
O conceito de "psicopatia" tem mudado ao longo dos avanços da Psiquiatria. Resumidamente, podemos definir o psicopata como uma pessoa cujo tipo de conduta chama fortemente a atenção e que não pode ser classificado nem de louco nem de débil: está num campo intermediário. Indivíduos assim se distinguem da maioria da população em termos de comportamento, conduta moral e ética. Diz-se que têm "personalidade psicopática" (PP). Atualmente, a Classificação Internacional de Doenças-10ª revisão (CID-10) os classifica como portadores de Transtorno de Pernsonalidade Anti-social.
São incapazes de se integrar a qualquer grupo, devido ao seu egoísmo absoluto e a não aceitarem qualquer tipo de regras. Só o que eles querem é o que interessa. No início, eles até fazem amizades com facilidade mas, diante dos primeiros conflitos, a sua amoralidade aparece em todo o seu potencial. Terminam por ser rejeitados pelos grupos em pouco tempo. São, por isso, em geral indivíduos solitários, que migram de grupo em grupo até que não restem mais grupos para os aceitarem".
[Se você quiser conhecer os vários tipos de psicopatas, entre neste site aqui, do psiquiatra Geraldo Ballone. Excelente!!!]

No relato jornalístico de ontem, diz-se que os vizinhos, amigos e parentes sempre consideraram o criminoso como pessoa normal. Teve filhos com outras mulheres e não os abandonou: dava pensão, buscava na escola, pai exemplar. Não tem o perfil de um psicopata. A não ser que fosse um fingidor, mestre da dissimulação, podemos acreditar nisso: um sujeito comum e normal que se transforma num "monstro" aos olhos da sociedade - e, talvez, de si mesmo.

Há casos em que o assassino apresenta explicações delirantes, tipo: "fiz isso porque Deus mandou"; "escutei uma voz dentro de mim ordenando que matasse". Outras vezes, constata-se que se tratava de uma intoxicação por alguma droga. No caso em questão, nada disso. Como explicar?

Na Psicanálise, tal fato se denomina "passagem ao ato" durante um surto psicótico, no qual o sujeito é arrebatado para fora da realidade, invadido pelo Real (Lacan: tudo aquilo que é sem ordem, sem lei, está dentro de nós mas é indescritível, inenarrável).
Trata-se de uma teoria complexa, que podemos simplificar mais ou menos assim: todos nós temos fantasias inconscientes indescritíveis, irredutíveis à plena palavra. A maneira saudável de lidar com isso se dá via linguagem simbólica, mecanismo incompleto porém aceitável. A cultura é fruto desta operação, permitindo ao bicho-homem que supere a ordem do "natural" (animal), da pura necessidade instintiva e alcance a ordem simbólica, por cujo intermédio pode falar de seus desejos, seus fantasmas, sua total impossibilidade de lidar com o indizível (por exemplo, o terror da morte). Por isso falamos: aceitando nossa incompletude e a impossibilidade de realização plena de nossas pulsões, submetemo-nos a uma lei inaugural (a castração freudiana ou a "Lei-do-Pai", na famosa expressão lacaniana).

A passagem-ao-ato, a irrefreável atuação concreta - quando tudo poderia se passar no plano simbólico, fantasioso - é um dos momentos em que o sujeito escapa à simbolização, é dominado pelo Real. Por isso se diz que, na psicose, falta a lei-do-Pai. O Nome-do-Pai é estruturador da subjetividade. Quando falta, não há âncora e o indivíduo se perde no Real.

A consequência, pois, da ausência do simbólico é a passagem ao ato, através do que o indivíduo, por um momento perde/busca a própria identidade. O crime horrendo desencadeia uma angústia insuportável, pois suas motivações são incompreensíveis tanto para a sociedade quanto para aquele que o cometeu. Em muitos casos, é seguido de suicídio, não apenas pelo remorso, mas pela angústia do desconhecimento de si:
- Eu fiz isso? Quem, em mim, cometeu esse desatino?

Na sua tese de medicina, “Da psicose paranóica em suas relações com a personalidade”, de 1932, Lacan descreve o caso de uma mulher, que ele chamou Aimée (em francês = Amada). Aimée apaixonou-se por uma atriz, uma vedete. Perseguiu-a por todos os lugares até que, na saída de um espetáculo, a esfaqueou. Lacan explica: É assim uma ilustração clínica das potencialidades do amor, quando esse é levado ao extremo: a facada dada por Aimée na vedete que, a título de ideal, absorvia seu investimento libidinal. A fotografia no jornal, nos dias seguintes à sua prisão, devolveu-lhe a calma.

Assim, o assassino mineiro da esposa e do filho de 7 meses, desesperado, almeja o "re-conhecimento" e telefona imediatamente à Rádio Itatiaia, como se bradasse:
- Eu existo, eu sou eu, tanto que matei. Eis-me aqui. Olhem para mim. Eu existo!

Essa teoria - aqui resumida e simplificada, com perda de elementos e de compreensibilidade, bem o sei - essa teoria, repito, poderá explicar crimes tão absurdos?

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1) Uxoricida: aquele que mata a própria esposa. Do latim: uxor-is (esposa) + caedere (matar, deitar abaixo, cortar).
2) O "Real":

O registro psíquico do real não deve ser confundido com a noção corrente de realidade. Para Lacan, o real é aquilo que sobra como resto do imaginário e que o simbólico é incapaz de capturar. O real é o impossível, aquilo que não pode ser simbolizado e que permanece impenetrável ao sujeito do desejo para quem a realidade tem uma natureza fantasmática. Diante do real, o imaginário tergiversa e o simbólico tropeça. Real é aquilo que falta na ordem simbólica, os restos que não podem ser eliminados em toda articulação do significante, aquilo que só pode ser aproximado, jamais capturado.

Lacan veio reconhecer que, para o ser falante, não há adequação na relação entre o objeto e sua imagem, entre as partes do corpo e a imagem que se tem dele. Como a nossa imaginação desordenada pode preencher sua função? Como o imaginário e o real podem ser articulados na economia psíquica do sujeito? Esta polaridade, esta fratura entre o imaginário e o real, entre o simbólico e o real corresponde exatamente à categoria da secundidade. O real é sempre bruto e abrupto. É causação não governada pela lei do conceito. O real resiste ao simbólico porque ele insiste, en souffrance, de tocaia para tomar de assalto o simbólico. [Santaella Braga]

01 setembro, 2005

Sempre é bom lembrar que...

Desde que habito neste mundo internético-virtual-blogsférico-eletronicmailed, já entrei em contato imediato de terceiro grau com todo tipo de mensagens. Pois hoje o sempre presente Márcio Candiani, amigo de pele-osso-e-vísceras (êpa!) me encaminhou o decálogo abaixo:

Você já cometeu uma gafe na internet ou é pessoa finíssima no meio virtual? Como em todos lugares, na Web também é preciso saber se comportar, agir e comunicar. Para não dar uma mancada.com é melhor usar o bom senso e conhecer alguns princípios básicos de etiqueta. O código de boas maneiras no mundo virtual evita mal-entendidos, ajuda a formar uma boa imagem do usuário e afasta a fama de inconveniente virtual, ou “mala”, se preferir.


No livro “net.com.classe” (Ed. Melhoramentos), a autora Claudia Matarazzo comenta o comportamento adequado neste novo mundo! Selecionamos 10 dicas preciosas, confira:

Velocidade na sala de chat
1 – “Numa sala de bate-papo, velocidade é fundamental. Seu parceiro não vai se sentir à vontade esperando 5 minutos até que você digite uma dissertação de mestrado simplesmente para responder à clássica pergunta ‘como você é?’”

Já nos e-mails
2 – “Nos e-mails, o excesso de concisão pode ser mal interpretado. Será que você é tão atarefado assim que não pode perder uns minutinhos a mais escrevendo algumas linhas?”

Repassar coisas
3 – “Existem pessoas com a péssima mania de repassar toda mensagem engraçadinha ou página interessante que recebe a uma lista enorme de usuários. Isso sem falar nas ‘correntes’ de oração, abaixo-assinados e terrorismo on line na forma de aviso sobre novos tipos de vírus. Você, internauta elegante, não vai cair nessa tentação”.

Assine sempre
4 – “Uma dúvida comum é se o e-mail deve ser assinado ou não, já que a identificação do remetente costuma aparecer no corpo da mensagem. Deve, sim! Não custa nada uma despedida simpática para fechar a mensagem. E nenhuma despedida é suficientemente simpática se não tiver o nome da pessoa que a está enviando.”

Segue em anexo
5 – “Se você não quiser ser muito inconveniente, jamais envie algo em formatos ‘pesados’ como BMP. Vale a pena perder um tempinho convertendo as imagens de JPG ou GIF, que são mais amigáveis e fáceis de transportar sem perder qualidade”.

Formal ou informal
6 – “O tom predominante nos e-mails deve ser a informalidade, a exceção é o uso profissional do correio eletrônico, que deve ser um pouco mais formal. Contudo, ‘informal’ não quer dizer ‘no tapa’. Sempre revise os e-mails à caça de erros de português e, principalmente, de digitação”.

Cores e fontes
7 – “Evite, sempre que puder, o uso de cores e fontes diferenciadas nos e-mails. Esses recursos tiram um pouco a seriedade do texto e correm o risco de cair no puro e simples mau-gosto”

Responda em até 24 horas
8 – “Demorar demais para responder um e-mail é considerado uma grande falta de educação ou, pelo menos, de interesse. A maioria das pessoas agüenta 24 sem irritação. Com 48 horas já surge sensação de abandono.”

Fulano de tal
9 – “Alguns engraçadinhos usam caracteres especais para formar seu ‘nick’ no chat. Sinceramente, fica parecendo coisa de adolescentes aficionados por computador. Nada mais chato que conversar com alguém que chama %$#*&%()”.

Polêmicas inúteis
10 – “Evite participar de polêmicas inúteis. Muita gente entra nos chats apenas para extravasar seus recalques e dedicar-se à ofensa virtual, só pelo prazer de dizer coisas que não teria coragem de dizer pessoalmente. Ignore esses tipos”.

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Se depender de mim, vou direto pro céu, pois não transgrido nenhum desses mandamentos. Como dizem os deputados lá nas CPIs: "tenho absoluta convicção que eu não fiz isso!". Ou: "nego com veemência qualquer deslize de minha parte". "Se me acusam, que mostrem as provas". Ou seja: tô limpo - até prova em contrário...

31 agosto, 2005

Circuito cultural: Jazz & companhia

De alguns anos para cá, Belo Horizonte tem sido incluída no roteiro de shows internacionais. Não os maga-eventos (Pink Floyd, por exemplo) mas os mais intimistas, como de música de câmera e jazz.

Os eventos mais nobres são realizados no Palácio das Artes, que fica no "Central Park" de BH, o famoso Parque Municipal, palco de uma das aventuras mais hilariantes do Sr. Soié - leia!

Lembro-me de meu primeiro show de jazz no Palácio das Artes: há mais de 20 anos, fomos eu e Amélia, ainda noivos, assistir uma histórica apresentação do Dave Brubeck Quartet. Já vimos, também, o Jean Luc Ponty, para falar dos "dinossauros".

Hoje, mais um evento imperdível: o Festival "Jazz Gerais 2005", de hoje até sexta-feira.

A abertura será feita por uma banda de BH, formada em Belo Horizonte por experientes músicos da cidade e da Europa prestigia em seu repertório o jazz tradicional da década de 20 e o swing da década de 30, dosando durante a execução das músicas a marca própria do grupo com os arranjos originais. (
site do festival).
A seguir:
Judy Carmichael, pianista da Califórnia, que é uma das maiores representantes do swing da atualidade. Seus estudos musicais são tão profundos que Judy já foi requisitada para viajar por todo os EUA ensinando estudantes de música sobre a história e a evolução do jazz. Desde que se mudou para Nova York no início dos anos 80, Judy Carmichael tem sua agenda repleta de apresentações, já tendo se apresentado em países como Índia, Brasil, Singapura e China.

Vou ver se ainda consigo ingresso...

30 agosto, 2005

Retrato

"Estamos perdidos há muito tempo...
O país perdeu a inteligência e a consciência moral.
Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada.
Os caracteres corrompidos.
A prática da vida tem por única direção a conveniência.
Não há princípio que não seja desmentido.
Não há instituição que não seja escarnecida.
Ninguém se respeita.
Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos.
Ninguém crê na honestidade dos homens públicos.
Alguns agiotas felizes exploram.
A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia.
O povo está na miséria.
Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente.
O Estado é considerado na sua ação fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.
A certeza deste rebaixamento invadiu todas as consciências.
Diz-se por toda a parte, o país está perdido!"
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[Texto de Eça de Queiroz, escrito em 1871. A qual país ele se referia? Ganha um doce quem adivinhar. Do site Brasileiro Pocotó, boletim n. 26)]

29 agosto, 2005

Maluquice

Pra quem quer saber o que é conversa-sem-pé-nem-cabeça, recomendo um(a) interlocutor(a) completamente biruta, que dá resposas às vezes divertidas, outras burras, irritantes ou... quaquer coisa odara... clique aqui.

27 agosto, 2005


Vontade mesmo eu tinha de estar em Tiradentes, no melhor festival de Gastronomia do Brasil. Pra começar, uma viagem de "maria-fumaça" partindo de São João del Rei... Posted by Picasa

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Pra não ficar apenas na saudade, fui pra cozinha e preparei uma moqueca de surubim, degustada pelo meu pai, o Soié do Ontem e Hoje, e minha mãe, a eterna namorada dele! O pai está aqui em casa, recuperando-se de cirurgia, conforme ele conta lá no blog dele...

26 agosto, 2005

Faça humor, não a guerra (3)

Continuando esta série "faça humor, não a guerra", compartilho hoje o "causo" contado pelo meu amigo Paulo Alonso. Ele mora em Brasília, portanto, é fonte fidedigna! Mandou-me:

MENSAGEM CODIFICADA

No Palácio do Planalto, estavam juntos, em reunião de alta cúpula, Zé Dirceu, Delúbio e Lula.

Apressado e nervoso chega um mensageiro, e diz:

- Senhor Presidente da República! É urgente e muito importante! Acabaram de enviar um e-mail com esta mensagem codificada, e me ordenaram que viesse entregá-la imediatamente para o conhecimento de Vossa Excelência.

E entrega uma folha, com o carimbo CONFIDENCIAL e URGENTE, onde está escrito apenas uma curta mensagem: O63FBI.

Lula olha e diz que não entende nada. Então, passa a folha para Delúbio que também olha e não entende nada. Delúbio passa o papel para Zé Dirceu, que diz:

- Também não entendo nada. Parece uma mensagem codificada, mas disseram que é importante... Senhor Presidente, sugiro enviá-la imediatamente para o pessoal da Agência Brasileira de Informações (ABIN) decifrá-la...

Nisto, o mensageiro, um mineiro muito humilde e tímido, diz, assim, meio envergonhado:

- Eu sei o que isto quer dizer....

E, então Lula, surpreso, falou:

- Mas, como você sabe, companheiro? Esta é uma mensagem muito complexa e enigmática, é coisa de gente da área de informações, do pessoal da espionagem...

E o mineirinho, muito inseguro, mas matreiro, disse:

- Eu acho que O63FBI quer dizer o seguinte: - "Oceis Treis Ferraram o Brasil Inteiro".

24 agosto, 2005

Faça humor, não a guerra (2)

Entre tantas mazelas, decepções e indignação com o campo político brasileiro, mais um post "levanta moral". Esta foi repassada pela Elenara, de Porto Alegre:

A MORTE DO SENADOR

Um senador está andando tranqüilamente quando é atropelado e morre. A alma dele chega ao Paraíso e dá de cara com São Pedro na entrada.
-"Bem-vindo ao Paraíso!"; diz São Pedro .
-"Antes que você entre, há um probleminha. Raramente vemos parlamentares por aqui, sabe, então não sabemos bem o que fazer com você.
-"Não vejo problema, é só me deixar entrar", diz o antigo senador. -"Eu bem que gostaria, mas tenho ordens superiores.
Vamos fazer o seguinte: Você passa um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Aí, pode escolher onde quer passar a eternidade.
-"Não precisa, já resolvi. Quero ficar no Paraíso diz o senador. - Desculpe, mas temos as nossas regras."
Assim, São Pedro o acompanha até o e levador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta se abre e ele se vê no meio de um lindo campo de golfe. Ao fundo o clube onde estão todos os seus amigos e outros políticos com os quais havia trabalhado. Todos muito felizes em traje social. Ele é cumprimentado, abraçado e eles começam a falar sobre os bons tempos em que ficaram ricos às custas do povo. Jogam uma partida descontraída e depois comem lagosta e caviar, so bebem Wisky 24 anos e cercados de lindas ninfetas só de calcinha. Quem também está presente é o diabo, um cara muito amigável que passa o tempo todo dançando e contando piadas. Eles se divertem tanto que, antes que ele perceba, já é hora de ir embora. Todos se despedem dele com abraços e acenam enquanto o elevador
sobe. Ele sobe, sobe, sobe e porta se abre outra vez. São Pedro está esperando por ele. Agora é a vez de visitar o Paraíso. Ele passa 24 horas junto a um grupo de almas contentes que andam de nuvem tocando harpas e cantando. Tudo vai muito bem e, antes que ele perceba, o dia se acaba e São Pedro retorna. -"E aí ? Você passou um dia no Inferno e um dia no Paraíso. Agora escolha a sua casa eterna."
Ele pensa um minuto e responde:
-"Olha, eu nunca pensei ... O Paraíso é muito bom, mas eu acho que vou ficar melhor no Inferno."
Então São Pedro o leva de volta ao elevador e ele desce, desce, desce até o Inferno. A porta abre e ele se vê no meio de um enorme terreno baldio cheio de
lixo. Ele vê todos os amigos com as roupas rasgadas e sujas catando o entulho e colocando em sacos pretos. O diabo vai ao seu encontro e passa o braço pelo
ombro do senador.
-" Não estou entendendo", - gagueja o senador
- "Ontem mesmo eu estive aqui e havia um campo de golfe, um clube, lagosta, caviar, e nós dançamos e nos divertimos o tempo todo. Agora só vejo esse fim de
mundo cheio de lixo e meus amigos arrasados!!!"
O diabo olha pra ele, sorri ironicamente e diz:
-"Ontem estávamos em campanha. Agora, já conseguimos o seu voto..."
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Agora, o seguinte: o blog da Elenara é o que há! Criativo, politizado, lúcido, lúdico... corra pra lá!

23 agosto, 2005

Faça humor, não a guerra

Repasso, como recebi, o texto abaixo, enviado pelo amigo, Dr. Márcio Candiani, psiquiatra, batuqueiro e piadista:

Pérolas da Polícia Militar/MG

Este anedotário é obra de um Tenente Coronel da PM-MG, que recentemente expôs o conteúdo de seu livro no Programa do Jô Soares, salientando que todas as frases foram originalmente coletadas dos livros e relatórios de registro policial.

Eis alguns erros notórios escritos por policiais em ocorrências:

"Senhor delegado, deu entrada no Pronto-Socorro Municipal o cidadão, vítima de 'gargalhada'. Gargalhada no peito, no rosto e nas costas. Segue anexo um 'gargalho' de garrafa."

"O veículo, durante o acidente, teve amassamento no pára-choques e nos pára-lamas dianteiros, sendo quem não pudemos colher melhores dados, devido à vítima haver fugido a galope." (Era um atropelamento de cavalo).

"O condutor foi preso em flagrante por estar dirigindo em velocidade 'incombatível' com o local."

"Ocorreu um abalroamento de pessoas."
"Os conduzidos! , além da algazarra, ainda xingavam a todos com palavra de baixo escalão".

"Demos cobertura à ambulância na condução de um 'débito mental' até o PSM".

"O condutor do veículo colocava em risco a segurança das pessoas, pois estava dando 'cavalo de Paulo' na rua."

"Chegando ao local, encontramos a vítima caída ao solo, aparentando ter cometido um homicídio contra si mesmo."

"No históric o da ocorrência, constava como objeto apreendido: duas latas de cera 'Odd' e uma lata de cera PPO."
(Uma das latas estava de cabeça para baixo).

"Formava uma 'língua de fogo que lavava a rua'."

"O cidadão machucou o 'membro do rosto'."

"O conduzido, que foi preso em flagrante, disse que era inocente na acusação e que não estava passando de bode respiratório."

"O sujeito estava vestido com uma calça Jeans e uma camisa 'destampada'."

"...os indivíduos tentaram resgatar o autor do nosso domínio através do uso de força 'anônima'."

Essa é a melhor:
"O cadáver apresentava sinais de estar morto."

"Foi apreendido um quilo de lingüiça 'perfumada'."

"Atendemos à 'solicitação do solicitante', que nos narrou que o autor praticava 'atentado violento' ao pudor, pois exibia para os transeuntes os 'órgãos sanitários'."

"Após discutir com a vítima, o autor desferiu um forte soco no rosto da mesma, que de tão violento, 'soltou a tampa de seu nariz'."

21 agosto, 2005

É PRECISO REINVENTAR A POLÍTICA

A cena política está emporcalhada. Sinto náusea, tédio, descrença e, até, desesperança. Talvez seja este o maior mal que a onda de denúncias de corrupção - quase sempre comprovadas - que assola o atual governo - para mim TODOS os governos: fazer-nos descrer da política. Se desanimarmos, se desistirmos, o que virá, depois?
Nessa tarde de domingo, uma leitura, entretando, me faz repensar e, até, renova-me algumas esperanças, dá-me um pouco de alento. Compartilho com vocês.

Conheço pessoalmente, o Dr. Célio de Castro, ex-prefeito de Belo Horizonte, atualmente afastado de suas atividades para se recuperar de um Acidente Vascular Cerebral.
Célio sempre se mostrou pessoa estudiosa, afável, que sabe escutar, atenciosa. Essas qualidades lhe granjearem demanda incessante por seus serviços de clínico geral. Tanto assim que seu slogan de candidato á prefeitura da capital mineira foi "Doutor BH". Elegeu-se com mais de 76% dos votos.

Iniciou o discurso de posse, em janeiro de 1997, com uma passagem do escritor mineiro Guimarães Rosa, segundo quem "uma coisa é pôr idéias arranjadas; outra é lidar com país de pessoas de carne e de sangue, de mil e tantas misérias". Foi reeleito em outubro de 2000. A doença o afastou em novembro de 2002.. Sucedeu-lhe Fernando Pimentel.

Em artigo para a revista Transfinitos, da Escola de Psicanálise-ALEPH (Editora Autêntica, BH, 2003), Célio de Castro tece alguns comentários sobre Política e Psicanálise - parece-me que o texto é de 2001 - no qual demonstra um espírito conectado com vários campos do saber, da filosofia à psicanálise, da história às ciências políticas.

Em Política e Psicanálise, o então prefeito de BH, assinala que tanto o criador da Psicanálise (Freud) quanto seu reinventor mais famoso e polêmico (Jaques Lacan) eram muito céticos em relação à política. Leia-se a carta de Freud a Einstein ("Por que a guerra?") . Cita a descrença de Lacan quanto aos grupos: "Juntem-se o tempo necessário para fazer algo e, logo, se separem para fazer outra coisa".

Para Célio de Castro, o que não é Política:

a) "Política não é economia. Não pode, definitivamente, ser submetida ao predomínio da lógica do mercado. Desagradam-me, profundamente, certas figuras do sucesso midiático, que expressam a lógica do mercado: como a marqueteira esperta e o jovem impúbere ao qual chamo neo-yuppie, com um celular na mão e a cotação da bolsa na outra. Tanto uma como o outro não conseguem juntar a lógica (ou a sede) do lucro com a banalidade do pensamento."

b) "Política não é a gestão administrativa dos negócios, pois as propostas administrativas primam pela arrogância e pelo culto à burocracia mais paralisante."

c) "Política não é opinião pública. Muitas vezes, fazer política é opor-se rigorosamente à opinião pública. Sustento que a opinião pública, no pós-moderno, é uma caricatura manipulada pelos âncoras de TV, pelos marqueteiros presunçosos e pelos editorialistas donos da verdade."

d) "Política também não é ciência, cuja proximidade dogmática com a política produziu catástrofes históricas, como o stanilismo, e aporias dramáticas, como expresso em toda a obra de Althusser."

e) "Política sequer deve ser entendida como atrelada à história ou, mais precisamente, a um historicismo sociológico vulgar, fatalista e ingênuo, cuja consequência mais irônica é a disposição, muitas vezes manifestada pelas esquerdas, de marcar dia e hora da revolução."

f) "A política não é o social. Mais que ninguém, reconheço o valor e a necessidade dos programas sociais, principalmente num país devastado pela desigualdade e pela miséria. Porém, é preciso atentar para o seguinte ponto: as demandas sociais são manifestações - legítimas ou não - de grupos, corporações, segmentos ou classes sociais. E uma característica imprescindível da política é o seu caráter universalizante, isto é, dirigir-se a toda humanidade."

Continua o Dr. Célio: O que é a política:

"Política é um pensamento coletivo que produz ações para mudar a realidade. Um pensamento sem ação esgota-se numa retórica vazia. A ação, sem pensamento, perde-se num ativismo estéril, quem sabe histérico. Há uma subjetividade na política, ouso dizer. Sem subjetividade, essa política não existe. Porém, atenção: esse sujeito é um sujeito do pensamento coletivo. A subjetividade desse pensamento coletivo sustenta-se num conceito de igualdade que pronunci que todo Homem pensa, portanto, pode fazer política."

O que significa "Pensar política":

"Pensar política significa, em rápidas palavras, sustentar contra todos os obstáculos e circunstâncias, as idéias de justiça, igualdade e liberdade. Estas são palavras que legitimam o pensamento político (...)
Diria que as palavras que explicitam a ação coletiva podem ser enumeradas: ousar, resistir, inventar e manter a fidelidade."

Política não é politicagem:

"Politicagem é praticada sob o predomínio do interesse. Ao contrário, a política é essencialmente desinteressada. Para usar um termo de Alain Badiou, é um interesse desinteressado."

"Ou reinventamos a política ou será a barbárie" (Célio de Castro)

18 agosto, 2005

Desatenção, Hiperatividade e Impulsividade = TDAH

Sábado - depois de amanhã - mais um curso sobre Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade... doença da moda?
Parece que o mundo descobriu a roda e as revistas, jornais, TVs, tudo falando deste negócio de TDA/H... e eu, mais uma vez, vou dar um curso sobre o tema: estarei no Ciclo-Ceap, de 9h às 18, neste sábado, apresentando o seguinte programa:
1. Conceito/Histórico/Epidemiologia
2. Descrição clínica/psicopatologia
3. Causas: etiologia
4. Alterações neurofisiológicas
5. Como fazer o diagnóstico: entrevistas, escalas, exames
5. Alterações do comportamento: escola, família, vida social
6. Consequências sócio-psicológicas
7. Evolução: criança/adolescência/adulto
8. Tratamentos: orientação ao paciente e família/medicamentos
9. Discussão e apresentação de casos clínicos

Já escrevi, aqui, dois posts sobre TDAH. Republico, abaixo, um deles:

Grande número pessoas, em torno de 3% a 6% da população infantil e 2% da adulta, tem dificuldade para se concentrar, relaxar, ficar quieto e, consequentemente, apresenta baixo desempenho escolar, comprometimento afetivo-social e, na vida adulta, dificuldades conjugais e laborais.
Parece uma estatística exagerada. Entretanto, pesquisas feitas no Brasil e nos outros países confirmam este número. Descartando-se problemas físicos e outros transtornos emocionais (psiquiátricos), a causa mais frequente do quadro de desatenção e hiperatividade chama-se Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).
É uma doença da moda? Não.
Na verdade, as revistas semanais e os principais jornais, até mesmo a TV, têm feito reportagens sobre o assunto, provavelmente porque a indústria farmacêutica está lançando alguns medicamentos novos (ou em nova apresentação) para tratar os portadores de TDAH. Essa constatação, no entanto, não invalida a preocupação dos educadores, psicólogos e psiquiatras com o transtorno, pois, segundo a Academia Americana de Medicina, o diagnóstico e tratamento deste quadro está muito bem estabelecido, com validade superior à de muitas doenças físicas: - é a condição mórbida crônica de maior prevalência em crianças na idade escolar; - é o distúrbio neurocomportamental mais comum na infância; - cerca de 40% das crianças portadoras, não tratadas, evoluem para abuso de drogas, comportamentos antisociais e de risco, na adolescência; - o transtorno persiste até a idade adulta, com sérias consequências.
O quadro clínico costuma ser predominantemente de Desatenção, de Hiperatividade, de Impulsividade ou, ainda, um misto disso tudo. O diagnóstico é clínico, quer dizer, não depende de exames laboratoriais (sangue, eletroencefalograma, imagens).
  • Desatenção - os principais sintomais são estes: - dificuldade a prestar atenção, descuidar das atividades escolares e profissionais, parece não escutar o que se lhe diz, não seguir instruções, não terminar tarefas escolares ou deveres profissionais, dificuldade em organizar tarefas e atividades, evitar envolver-se em atividades que requeiram esforço mental constante, perder coisas, distrair-se facilmente...
  • Hiperatividade - eis os principais sintomas: - agitar as mãos, tamborilar frequentemente, mexer-se nas cadeiras, balançar pernas e pés, abandonar o assento em momentos inadequados, correr incessantemente quando não apropriado, dificuldade em se envolver silenciosamente em atividades de lazer, estar frequentemente a "mil", como se fosse movido por um motorzinho, falar demais...
  • Impulsividade - caracteriza-se por: - frequentemente dar respostas precipitadas antes das perguntas serem concluídas, apresentar constante dificuldade em esperar a vez (em filas, por exemplo), interromper ou meter-se em assuntos de outros, irritar-se rapidamente quando algo não vai bem, não tolerar frustração, envolver-se em brigas, apresentar comportamentos opositivos com frequência...

Como se pode ver, uma criança, adolescente ou adulto com TDAH terá dificuldades nas áreas principais de sua vida: acadêmica, relacional e profissional. Sobre este tema, já escrevi um post anterior. Fui mais objetivo neste atual, pois estou preparando um curso sobre o assunto, promovido pelo Ciclo-Ceap.

Um ótimo site, em português, sobre o assunto, é o da ABDA.

15 agosto, 2005

Ridendo Castigat Mores

As charges do Paulo Barbosa podem ser vistas:
  • Paulo Barbosa: Cartunista e ilustrador, Paulo Barbosa já trabalhou em diversos jornais e revistas de Belo Horizonte. Hoje, atua na imprensa sindical. Paulo Barbosa define-se como ateu praticante, atleticano pero no mucho e recomenda, como receita de saúde, falar mal do governo, qualquer que seja, pelo menos uma vez por dia. [ retirado daqui ].
  • Ridendo castigat mores = Pelo riso corrigem-se os costumes

13 agosto, 2005

A crise e os arquétipos do eu interior: brincando com Jung

Não sou junguiano e confesso que, de Jung, li apenas a enorme correspondência trocada entre ele e S. Freud e o livro autobiográfico "Memórias, Sonhos e Reflexões". Sua noção de arquétipo é uma das contribuições mais marcantes - embora alguns questionem, como sempre.
"Arquétipo", para C.G. Jung (1875-1961), é o conteúdo imagístico e simbólico do inconsciente coletivo, compartilhado por toda a humanidade, evidenciável nos mitos e lendas de um povo ou no imaginário individual, esp. em sonhos, delírios, manifestações artísticas etc.; imagem primordial (definição do Houaiss).

Carol Pearson é uma psicóloga que aplicou a teoria dos arquétipos de Jung ao desenvolvimento da personalidade e estendeu estes conceitos às posturas individuais e grupais nas relações interpessoais e organizacionais. Para ela, Arquétipos são padrões naturais da mente e coração humanos. Orientam-nos e nos ajudam a saber o que fazer e para onde ir. Compreendo-os, podemos nos defender dos perigos, enfrentar dificuldades e evitar as quedas.
Em seu livro "O despertar do herói interior" Carol Pearson classifica os arquétipos da personalidade em 12 categorias básicas, jamais encontradas isoladamente em cada um de nós, nem mais valorizadas umas em relação a outras. Na verdade, cada "arquétipo" tem lá seus pontos positivos e negativos.

Resumidamente, os 12 arquétipos são:
  • do Ego: o inocente, o órfão, o guerreiro e o caridoso
  • da Alma/Espírito: o explorador, o destruidor, o amante e o criador.
  • do Self: o governante, o mago, o sábio e o bobo.

Não me estenderei aqui sobre cada um (veja quadro aqui - em inglês), mas ocorreu-me correlacionar os quatro arquétipos do Ego com os modos de enfrentamento da crise política atual, em especial, a derrocada do PT e a desilusão (dos 53 milhões de eleitores) com o presidente Lula.

O inocente se caracteriza pelo otimismo e confiança, vê tudo pelo lado positivo e encara o mundo como terra prometida, na qual tudo dá certo. Não se preocupa com nada, confia cegamente que viver não é pesado ...
Essa postura faz com que o inocente rejeite a verdade, desconfie de quem aponta os fracassos e os perigos e acredite nas promessas das autoridades, do pai, do Presidente.
É o arquétipo da "velhinha de Taubaté", personagem criada pelo escritor Luis Fernando Veríssimo, que assim a descreve:
Os governos mudam, as promessas se renovam, as autoridades nem tanto, mas se há uma coisa firme no país é a crença da Velhinha de Taubaté. Presidentes da República e ministros, por exemplo, a consideram um patrimônio nacional, já que ela acredita em todos os seus projetos e nas justificativas que dão depois para o fracasso dos projetos. Criada durante o Governo Figueiredo, a Velhinha não é mais personagem das crônicas de Verissimo, mas permanece um símbolo da fé cega no Brasil.


O inocente, pois, acreditou piamente nas promessas de campanha do seu candidato (Lula) e desconfia de todos aqueles que o criticam. Seus irmãos gêmeos, também inocentes, crêem totalmente nas boas intenções de Roberto Jefferson ou de Zé Dirceu ou de cada um daqueles políticos que vociferam contra a corrupção, fazendo teatro à frente das câmeras da TV Senado. Podem acreditar em coisas diferentes, mas fator que os une é: acreditam, confiam cegamente, têm certeza de que o mundo é bom e tudo vai dar certo! O Lula sabe o que está fazendo, ele é bom, honesto, bem intencionado.
- Tudo se resolverá, não se preocupem!, diz o inocente.

Mas a decepção é inevitável: contrariando promessas de campanha, o governo liderado pelo "campo majoritário" do PT manteve a mesma política econômica neoliberal, colocando Henrique Meirelles - big boss do capitalismo - com a chave do cofre, que só abre para os banqueiros. O escândalo do mensalão cobriu de lama os cintilantes palácios de Brasília. As campanhas políticas - como sempre - foram pagas com dinheiro sujo, caixa dois, contas no exterior... Oh! e agora?
Entra em cena o órfão. Este é dominado pela inibição, pela mágoa.
Sente-se desajeitado, abandonado, traído, maltratado. Diante dele, temos vontade de consolá-lo, carregá-lo no colo, Para o órfão, disse Lula: "Não perca a esperança!"
O órfão vive o horror: está desesperado, aceita a mão de qualquer um. Vasculha os jornais em busca de algum político que o oriente, diga as soluções para o país, aponta diretrizes. Lamenta-se todo o tempo: -"Oh! que desgraça. E agora?" Identifica-se com o José, do Poema de Drummond: E agora, José?

Alguns se identificarão com o guerreiro. Gritam palavras de ordem, tentam salvar o partido, organizar manifestações contra a corrupção. Clamam pela ética, acreditando que basta ter boas intenções. Estabelecem metas e se crêem salvadores do mundo. O guerreiro tem suas qualidades, lógico, mas pode se tornar refém de suas crenças, fanático e intolerante. Assim, tratam qualquer opinião diferente como um anátema. Aquele que não concorda com suas idéias é um inimigo mortal. Seu lema é:
- Quem não está comigo está contra mim!
O guerreiro quer resultados imediatos e, no afã de conseguir seus intentos, chega a se utilizar de métodos anti-éticos para defender a ética! Tem uma necessidade obsessiva de vencer e se torna querelante, intolerante e, às vezes, até paranóide. Vê, em tudo, uma conspiração:
- São as elites que querem desestabilizar o governo. Abaixo as elites! Morte aos inimigos!

Finalmente, há o caridoso: acredita na união de todos, na Família, no espírito de colaboração. Defende a organização das pessoas, fica condoído quando os depoentes da CPI se põem a chorar. Os caridosos choraram com a Renilda, com o Marcos Valério. Derramaram rios de lágrimas quando Duda Mendonça contou sua trajetória de menino pobre, na Bahia. Sentiu pena do Roberto Jefferson.
O maior exemplo de caridade foi dado na sede do PT, em São Paulo, quando um grupo de aposentados doou pouco mais de R$ 240,00 reais aos cofres petistas. Afinal, o PT está devendo demais, não tem como pagar os empréstimos. Os aposentados renovaram sua filiação ao partido. Acreditam que podem salvá-lo. Tudo em nome da unidade.
Na época da campanha "Dê ouro para o bem do Brasil" (alguém se lembra?), arrancaram os próprios brincos e alianças e os depositaram nas urnas, em praça pública. Não reclamaram dos empréstimos compulsórios, cobrados por sucessivos governos. Pagam seus impostos sem se queixar, pois acreditam que o dinheiro será efetivamente utilizado para o bem de todos. Assistem e fazem mil telefonemas para o Criança Esperança e se orgulham disso.

Cada um de nós é resultante da mistura destes arquétipos. Não há o melhor. Todos têm seu lado positivo e seu lado negativo. Os extremos são patológicos. Mas, de acordo com Carol Pearson, cada um de nós pode descobrir, em si, traços mais marcantes de um ou de outro.

Pois é, diante desta crise que nos atingiu, como fazer? Em que acreditar? Vale a pena lutar? Qual a saída?
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A propósito, está em cartaz, em Belo Horizonte, uma peça teatral, Jung-Sonhos de uma vida:
“Tomamos cuidado para não tornar a peça uma autobiografia. Apresentamos momentos da vida dele, em que as sensações falam mais alto”, explica Jayme Periard, que interpreta Jung. Em um processo de flashback, enquanto o médico relata, para uma jornalista (Fátima Freire), os fatos e pessoas importantes de sua vida, os atores vão interpretando as situações. “É tudo muito tocante, emocionante mesmo. Jung fascina pois, além de ser médico, tinha uma mediunidade grande e se interessava por processos ocultos”, completa.

12 agosto, 2005

Circuito boemia & cultura

1. O Idelber nos convidou e, de bom grado, aceitamos: Ana Letícia e eu fomos à tradicional e tão significativa Cantina do Lucas - tombada pelo patrimônio histórico de Belo Horizonte, sim senhor! - para nos encontrar com o Biajoni. Lá estavam o Guto e a Mônica.
Dizer que o Bia é gente fina é pouco: o papo rolou solto, com "causos" mineiros de um lado e prosa paulista - com direito a todos os rrrr - de outro. O Bia está esquentando os motores para participar do VI Salão do Livro de BH.
Hoje, daqui a pouco, assistiremos à Mesa Redonda com Idelber, Inagaki e Fal. Ou seja: blogueiros dando o show!
2. O Lula, hoje, falou, falou e nada disse. A vaca está indo pro brejo? E agora, José? Mais o vez, vale a pena a leitura deste post aqui do Idelber. Profético!
3. Corrigindo o link do post anterior: O Soié anda vendo coisas, agora vê vacas que olham para o céu...
4.
Enquanto isso, lá na China:
Ex-diretor do Banco da China é condenado à morte por corrupção
PEQUIM - O ex-presidente do escritório em Hong Kong do Banco da China, uma das quatro principais entidades estatais do país, foi condenado à pena de morte nesta sexta-feira por corrupção, informou a agência oficial Xinhua.
[notícia completa, no jbonline].
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P.S. por causa de um atendimento que extrapolou o horário, não conseguimos chegar a tempo da Mesa Redonda do Idelber... por telefone, disse-me que foi ótima. Então, fica pra ele, pro Ina, pra Fal, pro Bia e pra mais quem lá esteve contar... (23h)

10 agosto, 2005

Quequiéisso?

Meninos, eu vi:
ontem, no interrogatório do Marcos Valério, quando o assunto era o aluguel de dois andares de um hotel em Brasília, pelo ex-sócio do MV, para festas animadas por garotas de programa, o nobre, ilustre e preclaro deputado, Sua Excelência Romeu Tuma, disse:
- Acho que tem muito deputado com mais medo do Surubão do que do Mensalão!

09 agosto, 2005

(Quase) tudo sobre artes

Em Rio das Ostras-RJ, Amélia e eu conhecemos Maria da Penha Araújo: [Pesquisadora e Web-Writer; Formada em Relações Públicas, Membro da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), da Radio Netherland (Holanda) - Programas culturais e da The Developing Countries Farm Radio Network (Canadá) - Programas culturais]

Penha e sua irmã Lourdes são proprietárias do Hotel Atlântico, na Costa Azul de Rio das Ostras. O Atlântico é coisa fina: tem piscina, jardins, um restaurante com pratos deliciosos (principalmente massas), fica na praia mesmo, onde sopra constantemente a brisa e o marulhar das ondas embala conversas prá lá de culturais: pois as irmãs viajaram meio mundo e têm, nas paredes, quadros de artistas, pôsteres de espetáculos da Brodway e off-Brodway, ingressos de teatros e shows, autógrafos de artistas, etc. Há, ainda, uma sala de leitura, biblioteca de literatura e arte, com uma varandinha anexa e o infinito oceano à sua frente...
Pois a Maria da Penha mantém um site, AllAboutArts, que é um arraso!
"Tudo sobre artes" = artigos, ótimos textos, fotos, recomendações, fonte de pesquisa, etc.
Há referências sobre mais de 600 artistas de todo o mundo, com perfil biográfico, principais trabalhos, etc. Apesar do nome em inglês, o site é brasileiríssimo e já está sendo "adotado" em faculdades, escolas, cursos livres, etc. Também divulga eventos artísticos e você pode enviar folders e comunicar seu trabalho: basta acessar a página.

(Amélia e eu não nos hospedamos no Hotel Atlântico, mas o visitamos três vezes e lá jantamos, servidos elegantemente pela proprietária Lourdes. Sugeriu-nos um Tagliatelli com ervas e Filé de frango grelhado. Acompanhamos com o Merlot bem encorpado, Reserva Especial. Ah... nem te conto.)
Na apresentação AllAboutArts, Maria da Penha Araújo escreveu:
Uma obra de arte é como o amor: desde o início da sua criação, ainda em semente, até a sua concretização final, ela deve ser tratada com paixão e carinho, para que possa alcançar a plenitude. Somente o amor e a arte são capazes de trazer sensações especiais: alegrias supremas, tristezas profundas ou desejos indescritíveis.
No momento em que o homem cria a arte ele passa a dominar a matéria.


É isso: All about arts... tudo (ou quase tudo) sobre artes. Para quem sabe ou quer saber.

08 agosto, 2005

Salão do Livro - não dá pra perder!

Programa obrigatório a partir desta quinta-feira (11/08) é o VI Salão do Livro de Minas Gerais & Encontro de Literatura. Serão dez (!) dias plenos de atividades culturais. Programação aqui!
Amélia e eu sempre participamos, visitando stands, assistindo uma palestra ou outra. Comparecemos a lançamentos de livros. Fuçamos tudo!!! Compramos, também: verdadeiras pechinchas, pois quase tudos os livros são vendidos com desconto.
Tropeça-se com autores e com gente conhecida, gente ligada às artes e à literatura-em-especial.

Desta feita, teremos a participação de BLOGUEIROS ILUSTRES:
No dia 12, às 19h30, a mesa Blogs: a literatura e o espaço virtual aborda as novas linguagens literárias e as interações coletivas pela internet. Participam da discussão o jornalista Alexandre Inagaki (SP), a escritora Fal Azevedo (SP) e o doutor em Literatura Latino-americana, Idelber Avelar (BH). A coordenação é do professor e historiador Afonso Andrade (BH).
Na foto, o escriba aqui com o "professor" Idelber, num encontro regado a Bohemia (a prova do crime está aí). Foi na Pizzaria Glutões, com a presença de outros blogueiros: a Cynthia Semíramis, o Túlio, o Guto e a Mônica. Mais detalhes aqui.

Essa Mesa Redonda não podemos perder. Estarei na primeira fila !!!
E vocês?

07 agosto, 2005

Além do que se fala: sexo, machismo e outros preconceitos

Somos seres-da-palavra ("parlêttre"), dizia Lacan. Ainda mais: o nosso inconsciente é estruturado pela linguagem. Somos o que falamos (hommelettre = homem letra) Pensamos porque falamos. Somos atravessados pela palavra. As palavras traem. No princípio era o Verbo. Cometa um lapsus linguae e seu desejo inconsciente estará revelado. Morre-se pelo que se diz.

Pois bem, eis aqui alguns exemplos de como as palavras formam nosso juízo moral sobre as coisas, estruturam nossos preconceitos e valores acerca da mulher:
  • Em alemão, os substantivos são divididos em três gêneros: masculino, feminino e neutro. Mas não deixa de ser curioso que para os alemães a palavra criança seja neutra. Mas classificar como neutra a palavra (Mädchen) que designa menina ou moça, é estranho, não? O mesmo ocorre para esposa (Weib).
  • O órgão sexual da mulher pertence ao gênero feminino em todas as línguas latinas, mas no francês, "le vagin" é masculino!
  • Na cerimônia de casamento, sempre há recomendações aos noivos: Na Alemanha, o noivo recebe instruções de "amar e honrar" a esposa. Em hebraico, recomenda-se que a noiva "ame, acalente e obedeça" ao marido. No casamento grego, o papel da mulher está bem explícito: "Esta mulher submeter-se-á a este homem". Já na Espanha, o feminismo venceu: "Eu lhe dou uma esposa, mas não uma escrava!"
  • Já a lei islâmica dá ao homem o direito de desposar quatro esposas de cada vez, com uma vantagem: para se divorciar, basta que o homem pronuncie, três vezes, a seguinte fórmula: "Taaleka wallahi wa billahi wa tallahi" [Por Alá os laços estão dissolvidos]. Esta fórmula não pode ser usada pela mulher...
  • Em espanhol, você não pode usar a palavra "madre" para se referir à mãe de alguém. As expressões "la madre" ou "tu madre" sugerem um insulto, que remete a práticas sexuais questionáveis por parte da mãe da pessoa com quem se fala... Por isso, quando você quiser se referir respeitosamente à mãe de seu interlocutor, não se esqueça de falar "su señora madre" (a senhora sua mãe). Aqui no Brasil, a gente é mais direto e grita logo: "Filho de uma p***!"
  • Mas se você quiser externar sua indignação em espanhol - menos em conversas polidas, é claro - grite: "carajo!". "Carajo" é a palavra que indica o membro viril do touro. Antigamente, este apêndice era transformado em chicote para açoitar escravos...
  • Agora, se você quiser chamar seu amor de forma poliglota, aprenda:
    • Em alemão: mein Schatz = meu tesouro
    • Em espanhol: mi sangre = meu sangue (bem dramático, não?)
    • Em francês: mon petit chou = meu repolhindo (vai uma saladinha, aí?)
    • Em italiano: gioia mia = minha alegria
    • Em russo: golubchik = meu pombinho
    • Em japonês: tamago kato no kao = um ovo com olhos
    • Já o italiano, quando quer lançar um gracejo para uma mulher mais madura, não hesita em dizer: "Vechia ma ancora buona!" = velha, mas ainda boa! (Por nossas bandas, já se cantou: "Não interessa se ela é coroa, panela velha é que dá comida boa!")
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Onde aprendi isso? Lendo e me divertindo demais com o livro "As línguas do mundo", de Charles Berlitz. Super interessante! Tenho a 3a. edição da Nova Fronteira, de 1988, há anos e, de vez em quando, abro aleatoriamente e vou lendo. Charles Belitz é neto do famoso fundador das Escolas Berlitz, embora não tanha mais vínculo nenhum com essa instituição.