13 setembro, 2009

Minha BeautyFlex


A japonesa Beautiflex
Ela me acompanhou por anos, registrou ótimos momentos, fez-me rir das poses desajeitadas e emocionou-me com imagens significativas. É imponente, pesada, elegante em sua solidez, requer ajustes de foco, cuidado no tempo de exposição, abertura de diafragma, etc.
Há muito tempo repousava num fundo de armário, coitada, substituída que fora por outras e mais outras:
Olympus Trip - Yashica - AW818

Essas "maquininhas" aí de cima tiveram seus momentos de glória, compartilharam viagens e festas, apesar de limitadas. Carregava-as a tiracolo pensando em outras melhores, admirando os profissionais que desfilavam suas Cannon equipadas com lentes grande-oculares e tele-objetivas. O que não diminuía minha excitação ao admirar as fotografias tão logo recebidas do laboratório. Cada uma trazia surpresas ou decepções (luz ruim, falta de foco, cores pálidas, cabeças cortadas). Ao final, muito mais alegrias que ficaram guardadas em álbuns ou caixinhas de papelão.
As visitas eram convidadas a passar de mão em mão as fotos obtidas em Recife, Porto Alegre, Serra do Caraça, aniversário dos meninos.
-Gostou? Então lhe envio uma cópia, pelos correios.
Tudo calmo, experenciado, manuseado. Se necessário, mandava-se retocar os negativos, a lápis. Depois era o tempo de espera, alguns dias, visitar a loja e pegar as fotos. Será que o tempo andava mais devagar?

Fujifilm FinePix A101 - 1.3MegaPixels

Quando a Fuji chegou, ainda mantive o hábito de utilizar simultaneamente a Olympus e a nova digital. Era difícil resistir ao ritual de comprar o filme, colocá-lo na câmera, regular distância, bater uma, duas, três poses de cada cena para "ver qual ficaria melhor".
Entretanto, a praticidade das câmeras digitais, o resultado conferido ali mesmo no visor de LCD, os comentários imediatos, a possibilidade de enviar por email... resistir, quem há-de?
A Fuji agora está com meu filho Ângelo, antes que compre outra, em busca de mais pixels, mais nitidez, melhores resultados.
- C'est la vie... filosofou em francês o senso comum.

Sony Cyber-shot N1 - 8.1MP

Há quase três anos impera aqui a Sony N1, com poderosos 8.1 MegaPixels que nunca utilizei (ainda não houve necessidade), lentes Carl Zeiss, touch-screen, recursos multimídia, etc. Já está velha? É o que decretam os marketeiros, a roda tecnológica, o desejo de mais e mais, o tal do progresso.
Mas, por ora, meus dois amores ainda são esta nova-velha Sony e a robusta Beautyflex.

07 setembro, 2009

Mamão grávido

Mamão grávido
Foto by Cláudio Costa

Desde criança tenho a capacidade de me surpreender com as pequenas "coisas" da natureza, desde o imprevisto reflexo no espelho de uma poça d'água até às nuances da luz que incide sobre as montanhas, ao por-do-sol.
Lembro-me bem da alegria que era achar uma "banana gêmea" ou aquela laranjinha na laranja bahia. Coisas bobas, bobíssimas, mas que retornaram hoje ao me deparar com um mamãozinho dentro do mamão papaia. O café-da-manhã teve um sabor a mais, uma emoção tão inútil quanto desimportante, que me impeliu a correr para buscar a câmera e fotografar.
Amélia recordou as proibições da avó, que dizia ser perigoso comer bananas gêmeas porque eram 'alterações' da natureza! "-Quem disse que não comia? Era uma delícia!", sorriu Amélia ao contar as preocupações da Dona Rosinha, nascida em 1895.
O prosaico do feriado seria colorido pela surpresa do mamão grávido.

03 setembro, 2009

Serra do Rola Moça


3abr05SerraRolaMoça7, upload feito originalmente por ClaudioCosta.

A serra do rola-moça

Mário de Andrade




A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...


Eles eram do outro lado,
vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
o noivo com a noiva dele
cada qual no seu cavalo.


Antes que chegasse a noite
se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
e se puserem de novo
pelos atalhos da serra
cada qual no seu cavalo.


Os dois estavam felizes,
na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.


A Serra do Rola-Moça
não tinha esse nome não.


As tribos rubras da tarde
rapidamente fugiam
e apressadas se escondiam
lá embaixo nos socavões...


Temendo a noite que vinha.
Porém os dois continuavam
cada qual no seu cavalo,
e riam. Como eles riam!


E os risos também casavam
com as risadas dos cascalhos,
que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.


Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.


Faz um silêncio de morte,
na altura tudo era paz ...


Chicoteado o seu cavalo,
no vão do despenhadeiro
o noivo se despenhou.


E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.

02 setembro, 2009

Chaminés


Chaminés no Itaú Power Shopping, upload feito originalmente por ClaudioCosta.

As chaminés foram as únicas estruturas que sobraram da antiga fábrica de cimento Itaú, em Contagem-MG, região metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, ali estão três mega construções: O Leroy Merlin - casa e construção; o Sam's Club - hipermercado de atacado e o Itaú Power Shopping. Diz a lenda que compõem o maior centro de compras da América Latina. Será?

31 agosto, 2009

A maior feira

Domingo é dia de feira "hippie", um programa cheio de surpresas, onde se pode encontrar tesouros entre quinquilharias. Passeio obrigatório para quem vem de longe...

04 agosto, 2009

Imitação de Cristo

O velho padre, durante anos, tinha trabalhado fielmente.
Doente e moribundo, é notícia da hora em sua cidade, Brasília.
Já nos últimos suspiros, ele faz um sinal à enfermeira.
- Sim, Padre?
- Eu queria ver dois proeminentes políticos antes de morrer, Renan
Calheiros e Sarney, sussurrou.
- Sim, Padre, verei o que posso fazer.
De imediato, ela entra em contato com sua direção e esta com Congresso Nacional.
Para fazer um Ibope com o bom padre e melhorar a imagem surrada, os políticos logo aceitam fazer a visitinha, mas rápida né.
Quando chegaram ao quarto, com toda a imprensa presente, o velho padre, nas últimas, pegou um em cada mão.
Houve um grande silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do padre.
Renan então disse:
- Padre, porque é que fomos nós os escolhidos, entre tantas pessoas para estar ao seu lado?
O velho Padre, lentamente, disse:
-Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo o Nosso Senhor Jesus Cristo.
-Amém, disse Sarney.
-Amém, disse Renan Calheiros.
E o Padre concluiu:
-Então... como Ele morreu entre dois ladrões vigaristas, eu quero fazer o mesmo.

02 agosto, 2009

Paraty-RJ

Pequena lembrança da viagem a Paraty-RJ: Rodovia Rio-Santos (BR 101) pela orla da Baía de Ilha Grande (Angra dos Reis e Paraty), usina nuclear, casario colonial, pousada, etc.
Parati que, na língua tupi, significa "peixe de rio" ou "viveiro de peixes", era o nome que os índios guaianás davam ao local onde hoje fica a cidade. Originalmente, o nome era escrito com dois "i": Paratii. Posteriormente, já no século XVIII, o nome passou a ser escrito como Paraty, com "y". Esta grafia foi mantida até 1943, quando a Convenção Ortográfica Brasil-Portugal suprimiu o Y do alfabeto português. Desde então, escreve-se Parati. (Fonte: Portal Brasileiro de Turismo).

Fotos: Cláudio Costa
Música: Hora Staccato (Grigoras Dinicu)
Executada por: Isao Tomita (música eletrônica)

25 julho, 2009

Da gripe que está aí: mitos e verdades

43 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A GRIPE SUÍNA

1.-Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?

Até 10 horas.


2. - Quão útil é o álcool em gel para limpar-se as mãos?
Torna o vírus inativo e o mata.


3.-Qual é a forma de contágio mais eficiente deste vírus?

A via aérea não é a mais efetiva para a transmissão do vírus, o fator mais
importante para que se instale o vírus é a umidade, (mucosa do nariz, boca e
olhos) o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distancia.


4.-É fácil contagiar-se em aviões?

Não, é um meio pouco propício para ser contagiado.
Nota: no avião talvez não, mas aeroportos são lugares públicos... Carregue a garrafinha de gel... avemaria!


5.-Como posso evitar contagiar-me?

Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente
doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.

6.-Qual é o período de incubação do vírus?
Em média de 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase imediatamente.

7.-Quando se deve começar a tomar o remédio?

Dentro das 72 horas os prognósticos são muito bons, a melhora é de 100%


8.-De que forma o vírus entra no corpo?

Por contato ao dar a mão ou beijar-se no rosto e pelo nariz, boca e olhos.

9.-O vírus é mortal?

Não, o que ocasiona a morte é a complicação da doença causada pelo vírus,
que é a pneumonia.


10.-

Que riscos têm os familiares de pessoas que faleceram?

Podem ser portadores e formar uma rede de transmissão.


11.-A água de tanques ou caixas de água transmite o vírus?

Não porque contém químicos e está clorada


12.-O que faz o vírus quando provoca a morte?

Uma série de reações como deficiência respiratória, a pneumonia severa é o
que ocasiona a morte.


13.-Quando se inicia o contagio, antes dos sintomas ou até que se apresentem?

Desde que se tem o vírus, antes dos sintomas..


14.-Qual é a probabilidade de recair com a mesma doença?

De 0%, porque fica-se imune ao vírus suíno..


15.-Onde encontra-se o vírus no ambiente?

Quando uma pessoa portadora espirra ou tosse, o virus pode ficar nas
superfícies lisas como maçanetas, dinheiro, papel, documentos, sempre que
houver umidade. Já que não será esterilizado o ambiente se recomenda
extremar a higiene das mãos.

17.-O vírus ataca mais às pessoas asmáticas?

Sim, são pacientes mais suscetíveis, mas ao tratar-se de um novo germe
todos somos igualmente suscetíveis.

18.-Qual é a população que está atacando este vírus?

De 20 a 50 anos de idade.


19.-É útil a máscara para cobrir a boca?

Existem alguns de maior qualidade que outros, mas se você não está doente é
pior, porque os vírus pelo seu tamanho o atravessam como se este não
existisse e ao usar a máscara, cria-se na zona entre o nariz e a boca um
microclima úmido próprio ao desenvolvimento viral: mas se você já está
infectado use-o para não infectar aos demais, apesar de que é relativamente
eficaz.


20.-Posso fazer exercício ao ar livre?

Sim, o vírus não anda no ar nem tem asas.


21.-Serve para algo tomar Vitamina C?

Não serve para nada para prevenir o contagio deste vírus, mas ajuda a
resistir seu ataque.

22.-

Quem está a salvo desta doença ou quem é menos suscetível?

A salvo não esta ninguém, o que ajuda é a higiene dentro de lar,
escritórios, utensílios e não ir a lugares públicos.


23.-O virus se move?

Não, o vírus não tem nem patas nem asas, a pessoa é quem o coloca dentro do
organismo.


24.-Os mascotes contagiam o vírus?

Este vírus não, provavelmente contagiem outro tipo de vírus.


25.-

Se vou ao velório de alguém que morreu desse vírus posso me contagiar?

Não.

26.-Qual é o risco das mulheres grávidas com este vírus?

As mulheres grávidas têm o mesmo risco mas por dois, podem tomar os
antivirais mas em caso de de contagio e com estrito controle médico.


27.-O feto pode ter lesões se uma mulher grávida se contagia com este vírus?

Não sabemos que estragos possa fazer no processo, já que é um vírus novo.


28.-Posso tomar acido acetilsalicílico (aspirina)?

Não é recomendável, pode ocasionar outras doenças, a menos que você tenha
prescrição por problemas coronários, nesse caso siga tomado.

29.-Serve para algo tomar antivirales antes dos síntomas?

Não serve para nada.


30.-As pessoas com AIDS, diabetes, câncer, etc., podem ter maiores complicações
que uma pessoa sadia se contagiam com o vírus?

SIM.

31.-

Uma gripe convencional forte pode se converter em influenza?

NAO.


32.-O que mata o vírus?

O sol, mais de 5 dias no meio ambiente, o sabão, os antivirais, álcool em
gel.

33.- O que fazem nos hospitais para evitar contágios a outros doentes que não
têm o vírus?

O isolamento.

34.-O álcool em gel é efetivo?

SIM, muito efetivo.

35.-Se estou vacinado contra a influenza estacional sou inócuo a este vírus?

Não serve para nada, ainda não existe vacina para este vírus.

36.-Este vírus está sob controle?

Não totalmente, mas estão tomando medidas agressivas de contenção.


37.-O que significa passar de alerta 4 a alerta 5?

A fase 4 não faz as coisas diferentes da fase 5, significa que o vírus se
propagou de Pessoa a Pessoa em mais de 2 países; e fase 6 é que se propagou
em mais de 3 países.


38.-Aquele que se infectou deste vírus e se curou, fica imune?

SIM.


39.-As crianças com tosse e gripe têm influenza?

É pouco provável, pois as crianças são pouco afetadas. (Nota minha: a primeira vítima nos USA foi uma criança...)


40.-Medidas que as pessoas que trabalham devam tomar?

Lavar-se as mãos muitas vezes ao dia.


41.-Posso me contagiar ao ar livre?

Se há pessoas infectadas e que tussam e/ou espirrem perto pode acontecer,
mas a via aérea é um meio de pouco contágio.

42.-Pode-se comer carne de porco?
SIM pode e não há nenhum risco de contágio.

43.-Qual é o fator determinante para saber que o vírus já está controlado?

Ainda que se controle a epidemia agora, no inverno boreal (hemisfério
norte) pode voltar e ainda não haverá uma vacina.

____________________________________________________

(Além de tudo que devemos fazer, é preciso saber: informação é fundamental. O que pode ser conhecido para você, será novidade valiosa para alguém. )

Da gripe que está aí

Algumas notícias sobre a tal "gripe suína":

1. o controle da doença está precário, apesar de o governo dizer o contrário;

2. quando se contabilizam apenas os mortos e se limita o exame específico, não se pode confiar em estatísticas oficiais;

3. o governo está aconselhando a população a não procurar o serviço público se os sintomas não estiverem graves... quando for assim, a vaca já foi pro brejo;

4. o atraso na produção de vacina + aumento da velocidade de transmissão = mais e mais mortes;

5. tempo seco e frio aumentam as chances de contaminação.

6. para dificultar pegar o virus: evite lugares cheios de gente, aglomerações, contato com pessoas gripadas, uso de transporte coletivo. Lave as mãos, muitas vezes mesmo!

7. quanto mais gente contaminada maior a virulência!

(Divulguei porque acho que é questão de saúde pública, o bicho tá pegando e tem gente acreditando nas estatísticas oficiais).

20 julho, 2009

Do amor

"A M A R É . . ."

Tenho visitado inúmeros blogs, com os quais aprendo, divirto-me, irrito-me, espanto-me, rio, me identifico, surpreendo-me. Ou seja: esse mundo virtual é o espelho do mundo real, onde as vicissitudes do dia-a-dia se traduzem e se metaforizam de forma multifacetada, instantaneamente.

Alguns blogs chamam a atenção pelo conteúdo lamentoso em função das frustrações amorosas vivenciadas por quem os escreve: tal como um muro das lamentações, os diários virtuais, trazem à tona a carência maior do ser humano: o desejo de ser amado incondicionalmente! Oh! missão impossível!

Comecemos pelo princípio: ao nascer, o filhote do homem é totalmente dependente, frágil, incapaz de se manter. Graças aos cuidados maternos (ou de quem se assume como cuidador), sobrevive-se. Uma relação imediata se configura: necessitado + cuidador. Ou seja: no início da vida, somos "seres da necessidade". Até aí, funcionamos como todo ser vivo, animais: a mãe/cuidador se apresenta indispensável até que, pelo próprio desenvolvimento do bebê e pelas outras atribuições do adulto, ela (mãe) se afasta lentamente... já consegue se atrasar para acudir as necessidades do recém-nascido que, por seu lado, começa a antecipar os indícios de que será atendido: o ruído de passos, a voz, o barulhinho da colher mexendo o mingau, etc. Um hiato (uma fenda, um vazio) se interpõe na díade mãe-filho, propiciando ao bebê uma experiência fundamental: clamar pelo que precisa!

O chôro, o grito, a agitação de braços e pernas, tudo passa a se configurar como linguagem que é interpretada e verbalizada pela mãe: neném tá com frio, neném tá com dor-de-ouvido, neném tá com fome!

A evocação da figura ausente e dos objetos de satisfação instauram os princípios da linguagem simbólica (símbolo = representação da "coisa", sem a "coisa"). Nasce o "desejo"!

O que, pois, inaugura a linguagem é a "falta", a "perda do objeto" de necessidade e sua substituição pelo "objeto do desejo". Muito além das funções de sobrevivência (objetos de necessidade) clamamos por uma atenção colorida de afeto. Fornecer comida, apenas, não basta, é preciso que o ato de alimentar seja atencioso, cuidadoso, amoroso! "Com açucar e com afeto", na canção do Chico Buarque.

Se, antes, a mãe era identificada ao objeto necessário aos instintos básicos (sobrevivência, alimentação, proteção contra frio, etc), agora passa a ser a benfeitora que propicia a satisfação. É quem garante a vida e o prazer (éros/libido), constituindo-se como primeiro objeto erótico/libidinal da criança. Nasce o AMOR, expressão de reciprocidade gratificante entre mãe e criança (ainda sem romantismo, invenção tardia na história da humanidade).

A experiência fundadora do amor se expande vida afora, com a saudável substituição da mãe como objeto único de amor por outros objetos a serem conquistados - um ser a quem amamos e que nos ame (resolução do "complexo de Édipo").
Entretanto, uma ILUSÃO pode permanecer: a de que haverá alguém que nos garanta a satisfação plena, o afeto total, o amor incondicional! Inconscientemente, queremos repetir o idílio da primeira infância, quando nenhum esforço tínhamos que fazer: bastava desejar e... pronto! Satisfação garantida!

Muito mais tarde vamos aprender que "o amor é conquistado": temos de perguntar sempre ao outro: "o que queres de mim"? Só assim seremos amados. Enganam-se aqueles que se julgam dignos do amor, sem nada oferecerem.

O jogo é complexo e interminável: de um lado, projetamos no outro as qualidades que o tornam digno de nosso afeto. O outro, por sua vez, tudo faz para corresponder e, às vezes, se julga realmente portador de todas aquelas qualidades. E vice-versa!
Sobre isso, Jaques Lacan retoma uma frase platônica: "Amar é dar o que não se tem a quem não sabe o que quer"... Decifre-a quem puder.

O Amor, assim, é indefinível por natureza, incomensurável (nada matemático), inconsistente, sem garantia de retorno, absolutamente assimétrico - já que cada um tem seu inconsciente e seu imaginário forjados na mais tenra idade, com experiências tão singulares quanto incomunicáveis! Só mesmo os poetas para darem conta de falar do Amor: O amor é mesmo "fogo que arde sem se ver..." (Camões); é "...ânimo dos desmaiados, arrimo dos que vão a cair, braço dos caídos, báculo e consolação de todos os desditosos" (Cervantes); "Ninguém é pobre quando ama". (Camilo Castelo Branco). "Há amores sem felicidade, mas nunca felicidade sem amor" (Jacques Lelouch) e "ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor... nada disso me aproveitaria" (S.Paulo).
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Republicado.

18 julho, 2009

Um belo horizonte

Belo Horizonte-MG
Belo Horizonte-MG, upload feito originalmente por ClaudioCosta.

No alto da Serra do Curral, de repente, abre-se uma fresta em meio ao matagal: lá embaixo, Belo Horizonte!

10 julho, 2009

Pela janela a vida passa


Windows, upload feito originalmente por ClaudioCosta.

Cidadezinha qualquer

Carlos Drummond de Andrade



Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.
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De: "Alguma poesia" (1930)

Foto batida em Bichinhos (distrito de Prados-MG), típica "cidadezinha qualquer", que não é qualquer cidade, mas berço de um dos artesanatos mais originais de Minas.

06 julho, 2009

Vigorexia

Hoje, pela manhã, fui entrevistado no Bom Dia Minas, da Globo.
Falei sobre "Vigorexia", um transtorno que se diagnostica em pessoas tomadas pela preocupação excessiva com a sua massa muscular, numa intensidade de obsessão.
Acomete mais homens que mulheres, geralmente jovens, que têm uma percepção alterada da própriz configuração corporal (muscular, em especial). Jamais estão satisfeitos, mesmo contrariando as evidências, juízos médicos e o espelho. Veem-se raquíticos, esqueléticos, franzinos, enquanto exibem musculatura fortalecida pelos constantes exercícios, hipertrofias, etc.
Com o tempo, passam a dedicar tempo extraordinário aos exercícios físicos, chegando a isolar-se socialmente. Alguns prejudicam o próprio trabalho ou estudo. Para ser caracterizado com "distúrbio ou doença", deve ser ego-distônico (causar sofrimento ao portador), ser permanente (obsessividade) e com clara distorção da percepção corporal.
O transtorno se associa, muitas vezes, ao abuso de substâncias chamadas "complementos alimentares" para aumentar a massa muscular, aplicação de hormônios e seletividade exagerada de alimentos. Outros buscam correção cirúrgica, pois chegam a 'delirar', ou seja, apresentam claramente um transtorno sensoperceptivo da própria imagem corporal.
Por isso, a "vigorexia" é também chamada de Transtorno Dismórfico Corporal, que se caracteriza por:
A. Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva.

B. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.

C. A preocupação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (por ex., insatisfação com a forma e o tamanho do corpo na Anorexia Nervosa).
(
F45.2 (CID.10) ou 300.7 (DSM.IV))

O tratamento inclui alguma forma de psicoterapia e pode ser necessário utilização de psicofármacos, seja para controle da ansiedade subjacente, da depressão associada ou de traços 'psicóticos' dos portadores.
Eis a íntegra da entrevista:


20 junho, 2009

The sound of music

Quem nunca assistiu ao "A Noviça Rebelde" (The sound of music/USA/1965)?
Eu era adolescente quando o filme chegou ao Brasil: fui fisgado pela música, pelo enredo e pela bela noviça Julie Andrews. O enredo foi feito para agradar a todas as idades e oscila do drama à comédia, do suspense à dança. É um musical muito bem resolvido; em 1966 foi premiado com 5 Oscars:
Foi indicado também nas categorias de
Assisti-o algumas vezes naquela época. Anos mais tarde, já casado e com os três filhos, foi tempo de rever as grandiosas e melodramáticas cenas rodadas em Salzburgo (Áustria) e na Baviera (Alemanha). Os 'meninos' adoravam e, quando Amélia e eu queríamos sair à noite, o VHS os divertia por um bom tempo, embalando-os por mais de duas horas.

Hoje deparei-me com um vídeo no YouTube, gravado na Estação Central de Antuérpia (Bélgica): um grupo de 200 dançarinos começa a dançar sob a voz cristalina de Julie Andrews; os passageiros não foram advertidos e se surpreendem com a coreografia aparentemente espontânea em plena segunda-feira. São apenas 4 minutos de puro encantamento, confiram:

18 junho, 2009

TDAH - Reportagem de hoje no JN

Fui convidado a tecer alguns comentários acerca do uso do metilfenidato para tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDA/H). Já falei deste transtorno aqui nos PrasCabeças. Como psiquiatra, faço muitos diagnósticos deste quadro e, claro, conduzo o tratamento.
A bem da verdade, não gostei do título da reportagem nem do tom irônico -"droga da obediência" para falar do medilfenidato (MFD) - e alarmista -"assustadoramente".
A substância em questão foi experimentada pela primeira vez há mais de 50 anos, com resultados mais do que comprovados para ajudar na melhora do controle da atenção e da impulsividade, sintomas cardeais do TDAH.
Existem outras já em uso e algumas em experimentação, mas o MFD ainda é a primeira escolha recomendada pela FDA e todos os guidelines.
Os efeitos colaterais geralmente são suportáveis - às vezes inexistentes - e cessam com a diminuição ou retirada da droga. É um 'psicoestimulante' e isso faz com que seja de venda muito controlada. É considerado erro médico não medicar quando necessário, na dosagem correta, pelo tempo suficiente.
Por outro lado, ao mencionar o incremento da venda da medicação, não se considera o aumento do diagnóstico e a diminuição do preconceito social quanto ao uso de medicamentos psicotrópicos (desde que prescritos por psiquiatras conscientes, etc, etc.).
De qualquer forma, uma entrevista é uma entrevista, dos 20 minutos de filmagem foram aproveitados alguns segundo (quando descrevi os sintomas principais e mais comuns).
O assunto está na mídia, sai em capa de revista e é tema de congressos médicos.
Como aqui não é uma revista científica, fico com esses comentários gerais.
Se você quiser ler em português um bom site: www.tdah.org.br