Quando se fala em culto ao corpo, pensa-se logo no massacre que as mulheres adultas sofrem diante dos modelos de beleza e saúde propostos pela mídia. Tudo gira em torno da beleza física, em detrimento de outros valores.
Há uma verdadeira enxurrada de publicações, out-doors, propagandas televisas e espetáculos do show business nos quais os corpos jovens, magros, belíssimos são presença constante em todos os veículos de comunicação.
O mundo das aparências e do espetáculo para o qual as mulheres são convidadas a participar, sob pena de não serem reconhecidas como "pessoas existentes" é cruel. Basta acompanhar a "troca" das beldades expostas nas capas das revistas "masculinas": a cada mês surgem novas divas da beleza, classificadas sempre como "a mulher mais sexy do mundo"... Algumas semanas depois e nem nos lembramos mais de quem foi a capa da Playboy anterior: vem aí nova edição, e mais outra. Tudo descartável.
Na Revista de Cirurgia Plástica Estética (Aesthetic Plastic Surgery) de outubro/2004 os cirurgiões plásticos mexicanos Ramon Cuenca-Guerra e Jorge Quezada descrevem 5 tipos de defeitos nas "bundas" femininas e se propõem a consertá-las para obter "volume e projeção proporcionais ao resto do corpo". Nome do artigo: O que torna um traseiro bonito? (What makes buttocks beautiful?)
Criou-se um mercado bilionário, quase um shopping a vender consertos por meio de tecnologia médica, quer seja por depilação a laser, injeções de botox, liftings químicos e cirúrgicos da face/pescoço, quer seja por correções do nariz, implantes de mama, cirurgia para correção da região glútea e lipoaspiração.
Aquilo que seria a evolução natural da natureza tem sido visto como defeito a ser consertado, a partir de um modelo de normalidade baseado na aparência das adolescentes em flor.
Deve-se reconhecer, é lógico, que alguns pressupostos do que chamamos culto ao corpo têm imenso valor na qualidade de vida de todos: alimentação saudável e exercícios físicos como fatores de melhor qualidade de vida. A manutenção e conquista de um corpo saudável é mesmo de uma necessidade contemporânea, em face do sedentarismo e sobrepeso de grande número de pessoas. Mas esse argumento sucumbe diante dos imperativos da beleza.
As mulheres adultas - "mulheres-de-meia-idade" (seja lá o que isso quer dizer) - estão vivendo preocupações excessivas com dietas e cirurgias plásticas.
Pode parecer preocupação descabida numa sociedadade tão desigual, em que grande parte dos cidadãos vive abaixo da linha de pobreza e não se podem dar ao luxo de escolher o que comer.
Entretanto...
Existe, já, um problema de saúde pública, epidemiologicamente importante, com os seguintes indicadores:
• Aproximadamente 43 milhões de mulheres adultas, nos Estados Unidos, estão fazendo dieta para perder peso em algum dado momento; outros 26 milhões estão fazendo dieta para manter o peso. A insatisfação com a imagem corporal na meia-idade aumentou dramaticamente, mais do que duplicou, de 25%, em 1972, para 56%, em 1997.
• Quando perguntadas sobre o que as incomoda em seu corpo, um grupo de mulheres, com idades de 61 a 92 anos, identificou o peso como a maior preocupação;
• Mais de 20% das mulheres com 70 anos ou mais estavam fazendo dieta, embora o peso mais alto traga um risco mais baixo de morte naquela idade e a perda de peso possa realmente ser prejudicial;
• em 2003, um terço das internações em centro de tratamento especializado para transtornos alimentares era de mulheres com mais de 30 anos de idade;
• Sessenta por cento das mulheres adultas se envolvem em controle patológico do peso;
- 40% restringem sua alimentação;
- 40% comem em demasia;
- somente 20% são “comedoras” instintivas;
- 50% dizem que sua alimentação é desprovida de prazer e lhes causa sentimento de culpa;
Esses dados demonstram que "a pressão para buscar o corpo perfeito persiste funcinando para distrair as mulheres de questões mais significativas da vida".
As consequências danosas são detectadas no aumento de doenças relacionadas com a auto-estima, ao humor (depressão) e ao relacionamento interpessoal. Já se pode falar numa "crise da meia idade" análoga à "crise da adolescência". As mulheres enfrentam desafios novos:
- competição pelo mercado de trabalho;
- desempenho concomitante das tarefas tradicionalmente femininas;
- realização da pulsão sexual (como se manter sedutora? como despertar o desejo masculino?).
Reduz-se, cada vez mais, a questão da qualidade de vida (saúde plena, paz emocional) para a questão da aparência.
Leia mais neste site: NeuroPsicoNews, patrocinado pela Libbs.
Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
22 novembro, 2005
Cultuar o corpo: desafio para a "mulher-de-meia-idade"
21 novembro, 2005
Um arraso total! Gente saindo pelo ladrão do Black Diamond: juventude bonita, sambando ao som do verdadeiro samba de raiz. E os papais aqui, babando, babando... Amélia e eu orgulhosos do filhotes Ângelo e Leonardo. Ana Letícia tietando os manos.
Olhaí as fotos:

18 novembro, 2005
B o b a g e m ?
16 novembro, 2005
Guia prático para resolver TODOS os problemas
Provavelmente, este é o catecismo pelo qual rezam todos os depoentes nas CPIs.Os salafrários cometem suas estripulias e escondem. Até que alguém os denuncia e vão parar nas páginas marrons da Veja ou da Isto É. Negam peremptoriamente:
- "Tenho absoluta convicção de que isso não é verdade!".
Mas as provas aparecem:
- "Não fui eu, foi o Marcos Valério".
Este, por sua vez, recomeça a ciranda de mentiras:
- "Tudo foi empréstimo para o PT.".
Os políticos emendam:
- "Usei caixa dois, mas quem não usou?".
Você?
Nós?
15 novembro, 2005
A arte da convivência
Uma delas é a forma como ele se comunica com os outros, o que acontece através do cheiro e das mudanças das expressões facial e corporal.
Num primeiro contato, é comum que ele cheire o bumbum do outro. É esse cheirinho que os identifica e determina se o relacionamento será amigável. Geralmente, isso ocorre entre aqueles que ainda não chegaram na puberdade.
Se por alguma razão o cheiro não agradar, um tenta ameaçar o outro. E se um dos dois se sentir dominado, abaixa a cabeça ou vira de costas e expõe a genitália.
Isso demonstra que não se quer brigar. Quando um concorda com a rendição do outro, o relacionamento pode ser amigável.
Fique ligado nessas reações. A sua interferência, nesse momento, não é aconselhável e pode precipitar uma briga.
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Neste site você tem boas dicas para o bom relacionamento. Por que será que os humanos não aprendem com os cães?
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Ontem, 14nov, foi o Dia Internacional do Diabetes.
Lucia Malla, do outro lado do mundo, tem um post excelente sobre o tema, além de dar links preciosos.
| Diabéticos passam juntos o fim de semana para trocar experiências. É permitido até comer chocolates, sob o olhar cuidadoso dos médicos |
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13 novembro, 2005
C y b e r a d d i c t i o n
No meu consultório, tenho recebido pessoas que passam horas diante do micro em suas horas de lazer, quando estão em casa. Existem aqueles cuja fissura é tão irresistível a ponto de deixarem de lado o convívio familiar ou social. Alguns se dedicam aos games, outros aos chats (MSN), ao surf ininterrupto pela web, etc.
Um de meus clientes perdia aulas na faculdade e deixava de ir a festas com amigos para entreter-se no Orkut. Apavorado com a possibilidade de perder o semestre pelo número de faltas, resolveu:
- Doutor, estou muito feliz, decidi me suicidar.
- Como assim? Que aconteceu?
- Vai ser hoje à noite, já avisei aos meus 364 amigos...
- ???
- É, vou fechar minha conta no Orkut, doutor. Vou fazer meu orkuticídio.
- Ah!, bom!
- Estou tão feliz... não foi uma decisão fácil, mas perdia tempo demais.
- Pois que seja feliz, meu caro.
- Será que resisto?
Ano passado, a FolhaOnLine publicou um mini-teste para você saber se é um cyberaddicted, um viciado em internet:
Teste: Veja se você é viciado em internet
- Apresentar tolerância (necessidade de aumentar cada vez mais o tempo de uso da internet para obter a mesma satisfação)
- Apresentar abstinência (após diminuir ou cessar o uso, sentir efeitos como ansiedade, tremores, agitação, movimentos voluntários ou involuntários dos dedos, pensamento obsessivo sobre o que está acontecendo na internet, fantasias ou sonhos sobre a internet)
- Usar a internet para aliviar ou evitar os sintomas da abstinência
- Usar a internet mais freqüentemente ou por mais tempo do que havia planejado
- Gastar tempo significante com atividades relacionadas à internet (ler livros on-line, descobrir novas páginas, fazer compras, reservar ingressos de cinema --o mundo parece só funcionar por meio da internet)
- Desistir ou reduzir atividades recreativas, sociais ou profissionais por causa da internet
- Correr o risco de perder relações significantes, trabalho ou oportunidades na carreira e aulas por causa do uso excessivo da internet
* Teste desenvolvido pela Associação Psiquiátrica Americana
Para ser considerado um dependente de internet é preciso apresentar três ou mais desses critérios por pelo menos um ano
Pesquisas mais recentes apontam novos sintomas: cansaço ou irritabilidade, utilizar a internet como forma de escapar de problemas, mentir para familiares e amigos sobre o grau de envolvimento com a internet.
O tratamento consiste em algumas medidas comportamentais:
1. reconhecimento da pessoa de que é um cyberviciado;
2. afastamento dos ambientes desencadeadores da compulsão;
3. redução progressiva do tempo de exposição ao computador;
4. apoio familiar;
5. busca de atividades gratificantes fora do ambiente habitual;
6. perseverança.
Em casos mais difíceis:
1. Psicoterapia
2. Uso de medicamentos para ansiedade e/ou depressão.
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PS1: agradeço a D. Afonso pela dica. Seu blog é visita obrigatória!
11 novembro, 2005
É melhor ser alegre do que triste
- Eu? eu sou duro, não sei dançar....
Não saber dançar era exatamente o motivo que eu teria, não?
Fui, pois, assistir à segunda aula, no salão do Barroca Tênis Clube, bem em frente ao apartamento onde morávamos. Contagiaram-me a animação do grupo e o som balançante dos boleros tradicionais, executados pelas orquestras gravadas ainda nos discos de vinil e remasterados nos CDs: "Billy Vaughn", "Ivalnildo, Sax de Ouro", "Xavier Cugat", "Glenn Miller", "Românticos de Cuba", "Ray Conniff", "Orquestra Tabajara" entre outros. Era muita breguice... mas era delicioso! Aderi imediatamente e aquela atividade se tornou lazer semanal, compromisso inadiável e insubstituível.
Aos amigos que se espantavam e, não sem ironia, interrogavam-me a respeito de minha animação, respondia:
- Marido de mulher-que-dança, se não dança, dança!
Com efeito, Amélia era e ainda é dançarina de primeira categoria, disputada pelos professores e pelos colegas do grupo.
Nos finais de semana íamos a algum lugar que tivesse baile e nos esbaldávamos! De minha parte, com as professoras e, principalmente, com Amélia, meu par constante, fui me aperfeiçoando. Modéstia à parte, cheguei a ser considerado um pé-de-valsa (hehehe).
Dois pra lá, dois pra cá era o passo básico: aprendi a rodopiar, a jogar a dama para cima, fazer volteios e muitos outros.
No meu aniversário, organizamos a festa com o nome de Brega's Night Club, na qual os colegas do curso, juntamente com os professores, demos um show: Amélia foi a "dançarina" da noite, um sucesso que muito me orgulhou. Alegria, animação, música e dança... dançar é, realmente, uma terapia.
Belo Horizonte, na época, abrigava duas "gafieiras" tradicionais: o Elite e o Estrela. Frequentávamos ambas.
Amigos de outros estados e até estrangeiros, que por aqui passaram, conduzi ao Estrela, principalmente, para assistirem aos shows dos dançarinos "da casa".
Certa vez, o reitor da Univesidade de Barcelona (Espanha) e o diretor da sua Faculdade de Psicologia, que ciceroneei por aqui, ficaram de queixo caído. Vibraram!
Outra vez, ao retornar de um Congresso de Psicodrama em Juiz de Fora, encontro em meu apartamento o casal amigo (o Fernando e a Walkíria), recém chegados de João Pessoa-PB para passar uns dias conosco. Amélia, ao me abraçar, disse-me:
- Nossa, como você emagreceu nestes 5 dias!
De pronto respondi:
- Também pudera, dancei todas as noites!
- Com quem você dançou?, perguntou o Fernando, se Amélia ficou aqui?
- Com as colegas do congresso... umas dezessete!
O casal ficou assustadíssimo e perguntou à minha mulher se não tinha ciúmes. Logo expliquei:
- Quem dança com dezessete não fica com nenhuma!
Dançar é um ato de prazer compartilhado: enlaçados e imersos na música de rítmos bem marcados (samba, bolero, fox-trot, twist, cha-cha-cha...) temos momentos de felicidade, alegria, bom humor, relaxamento. Alguém definiu a dança como o pretexto para um longo amplexo!
É isso aí, "é melhor ser alegre do que triste", nos ensinou Vinícius de Moraes no Samba da Bênção!
10 novembro, 2005
Três conselhos, dois adendos e uma ordem

1. Nunca tome atalhos: Atalhos escondem perigos e armadilhas que podem ser mortais.
2. Nunca tenha curiosidade sobre o mal: Suas descobertas podem ser fatais.
3. Nunca tome decisões sob forte emoção: Suas decisões podem acarretar consequências terríveis.
Adendos: 1. Desconfie dos conselhos e dos conselheiros: Conselhos são fáceis de dar, difíceis de praticar e a responsabilidade por seus efeitos são de quem os segue, não de quem os dá.
2. Confie em Deus. Mas tranque o carro.
Ordem: Seja livre! Faça o que quiser com os ítens anteriores.
09 novembro, 2005
À mesa com os chefs europeus
- O Daniel (namorado) e eu queremos almoçar aí hoje... o que tem para o almoço?
Explicamos que já era quase meio-dia.
- Não tem problema, também nos levantamos agora.
- Pois venham, lá pelas 16h.
Amélia me pergunta:
- O que faremos?
- Não tenho a melhor idéia...
Foi aí que ela se lembrou dos filés de atum que aguardavam ocasião especial. Os chefes europeus nos socorreram: filé de atum com vinagre balsâmico, acompanhado de vagens, azeitonas pretas e tomates em gomos.
Entusiasta do jovem inglês Jamie Oliver, cujos truques culinários faz sucesso no GNT, Leo - o caçula - ajudou-nos a grelhar os medalhões de atum.
A iguaria foi servida sobre uma cama de batatas. Agregamos um ramo de alecrim, cultivado na floreira de nosso apartamento.
Acompanhou-nos um encorpado Trivento 2003; demi-sec, argentino, blend de shiraz com malbec, 13,5°.Daniel e Ana adoraram. Amélia se deliciou. Sou suspeito pra falar, mas reconheço que acertamos!
Já está virando tradição essa mania de fazer um prato mais elaborado aos domingos. Quase todos participam e a refeição tem-se tornado um verdadeiro ágape.
08 novembro, 2005
D E U S
"Deus é uma relação de amor. Deus é o amante do homem.
Não é uma idéia. É uma presença.
Nada exprime melhor Deus como o concebo do que o amor. Deus é um amor dançarino. Deus é dança. Há uma correlação profunda entre a trindade e a dança. Nada expressa melhor a trindade no seu misterioso dinamismo do que a dança. A vida divina é a dança sobre o abismo.
Deus é um turbilhão de amor.
Foi Léon Bloy quem concebeu a eternidade como dinamismo, ação turbilhonante, movimento de amor. Eu digo: a dulcíssima paz de Deus. O encontro com Deus é um encontro do amor. Pois o homem é, sim, um ser que carece de salvação.
E Deus me salva, a cada minuto.
Deus é o limite.
O mundo é um ato de amor fecundante,
A beleza salvará o mundo.
A música salvará o mundo.
O mundo é um poema”.
Assim o definiu Gabriel Perissé: Um dos homens mais cultos do país, devorador de livros, Villaça queria ser livre, inteiramente livre, para escrever. Ser apenas o que era, escritor, leitor, ir e vir sem maiores vinculações com o mundo, ser à parte, interessado, solitário, paradoxalmente próximo e distante das pessoas. Viveu o drama universal do artista. Deu-se por inteiro à literatura, como uma vocação absoluta.
05 novembro, 2005
Cio da Terra
Hoje fui vistoriar as vinhas da Serra do Caraça. As uvas estão "que é uma beleza"... A vidima será em janeiro de 2006. Que Baco nos proteja!
Acompanhar a evolução das vinhas, desde a preparação do terreno até ao estado em que estão hoje, é uma aventura: será que vai dar certo? as uvas ficarão boas? quanto tempo?

É preciso:
"Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão" (Milton Nascimento/Cio da Terra)
Pois a safra a ser colhida no início de 2006 já é quase realidade. Será a segunda e esperamos, novamente, fornecer as uvas para os padres do antigo Colégio do Caraça, onde os cachos esmagados adormecerão nos imensos tonéis e despertarão em vinho rubro (fotos aqui).
04 novembro, 2005
Sexo em números
O tema?
Comportamento sexual dos brasileiros de todas as regiões do Brasil.
O resultado do trabalho da Carmita é tão científico quanto curioso e está disponível no livro "Descobrimento Sexual do Brasil", publicado pela Summus Editorial. Recebi um exemplar durante o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Alguns exemplos:
- A maioria das mulheres classifica como "bom" o seu desempenho sexual. Um número menor declara que o desempenho é "excelente". "Regular" e "ruim" perdem nas estatísticas. Os homens acompanham esta avaliação, embora a faixa etária mais avançada seja menos satisfeita consigo mesma. Parece que as coisas não vão tão mal...
- Descobriu-se que 2,3% dos homens e 2,2% das mulheres confessaram já ter pensado (pelo menos uma vez na vida) em mudar de sexo.
- O cansaço é o que mais interfere negativamente no desempenho sexual de mulheres heterossexuais (58,6%). Os homens (50,8%) também apontam o cansaço como fator negativo para a qualidade de sua vida sexual.
- Homens e mulheres adolescentes têm muitas dúvidas e ansiedades por ocasião das primeiras experiências sexuais. Para os rapazes, questões como o tamanho do pênis, a capacidade de ereção, o momento da ejaculação, medo da gravidez, medo de doença sexualmente transmissível (AIDS), fantasias acerca do que a parceira vai dizer para os outros. As moças, igualmente, sofrem a respeito da própria performance (será que ele vai gostar?), têm medo de ficar tensas demais, têm dúvidas de como o rapaz vai encarar a sua virgindade, temem as doenças e a gravidez. Ou seja, de maneira geral, a primeira transa não é a melhor.
- O uso de preservativos em todas as relações sexuais é praticado por menos de 30% das mulheres e pouco mais que isso pelos homens.
- Quanto ao sexo extra-c0njugal ou extra-relacionamento afetivo, o Estado em que há menos casos de "traição" é o Paraná: mulheres (19,3%) e homens(42,8%). Paranaenses são os mais fiéis...
- Os Estados onde há maior prática de "sexo estra" são o Rio de Janeiro - mulheres(34,8%) e Bahia - homens(64,0%). As mineiras surpreenderam com índices maiores de infidelidade que as paulistas, baianas, pernambucanas, cearenses e goianas, entre outras.
- Existe grande discrepância quanto à quantidade desejada de relações sexuais e a quantidade efetiva realizada por semana. Os jovens gostariam de ter entre 6 e 8 relações por semana, enquanto têm, na verdade, até 3. Essa proporção é a mesma nas pessoas mais velhas: "a média realizada é a metade em qualquer fase da vida", demonstra as estatísticas. Sonha-se mais do que se faz!
Universo pesquisado: 38,9% casados; 11,2% amasiados; 37,5% solteiros; 10% divorciados; 2,4% viúvos. Todos eram alfabetizados, condição indispensável para responder às 87 perguntas.
Dra. Carmita Abdo reconhece que as estatísticas são apenas números, cabendo-lhes múltiplas leituras. No incício do livro, cita frase do escritor norte-americano, Mark Twain: "There are three kinds of lies: lies, concealed lies and statistics" = "Há três espécies de mentira: mentiras, mentiras disfarçadas e estatísticas".
Os dados vão se sucedendo, números e mais números, cujo significado jamais será unívoco. O conteúdo do livro não é específico para os profissionais da área; "ao contrário, pode ser entendido por qualquer pessoa que se interesse pelo assunto".
É lógico que a "radiografia" obtida pela pesquisadora jamais dará conta dos sentimentos mais profundos da pessoa. A dimensão "psicológica" - emocional - é atributo pessoal e deve ser perscrutado na singularidade de cada um.
Não se trata, pois, de um estudo sobre o Amor, sobre a afetividade, muito menos acerca dos mecanismos inconscientes que determinam e colorem as experiências afetivo-sexuais. Lembre-se Sigmund Freud que deu à palavra Éros (erotismo) uma dimensão muito maior do que a pura sexualidade: cumplicidade, amizade, prazer de viver, impulso à vida, intimidade, respeito mútuo, carinho...
Cada um de nós, afinal, sabe muito bem que a questão principal repousa sobre o verdadeiro objeto de desejo e sobre como obter a felicidade.
Eis a tarefa de nossa vida.
02 novembro, 2005
Ah!
Quarta-feira de folga, feriado bem no meio da semana, deveria mesmo ser de lei. Nada como uma pausa entre dois dias de muito trabalho... sei que é comodismo, o país perde receita e eu também (afinal, é um dia sem clientes). Mas que é bom, lá isso é.
Inda mais quando, ao levantar-me para o café-da-manhã, chego à copa e sinto aquele cheirinho de café recém coado (estamos usando o Fino Grão "forte", uma delícia!) e o odor indescritível - que só mineiro do interior conhece: pão-de-queijo saindo do forno!
Carinho da Amélia, "comemorando" que hoje amanhecemos toda a família em casa, diferente dos dias-de-semana comuns, quando cada um vai saindo de acordo com suas atividades, às vezes nem nos encontramos. Que venham outras quartas-feiras assim.
01 novembro, 2005
Gentileza urbana
- Alto lá! Esteja preso!
O marginal partiu pra cima dele.
- Pare ou atiro!
O ladrão avançava. Sem alternativa, o vigilante, que portava legalmente uma arma, deu um tiro para cima, como que dizendo:
- Não estou brincando, pare ou atiro!
Só então o ladrão foi imobilizado.
O delegado de plantão ouviu as partes e constatou que se tratava de um bandido respeitável, de extenso Curriculum Criminis. Gente fina, merecedor de toda delicadeza.
Baseado na Lei, mandou prender... o vigilante!
- Eu, Doutor?, protestou o funcionário, por que eu?
- O senhor colocou em risco a vida dos cidadãos! Sua bala poderia ter acertado algum inocente!
Quanto ao larápio, após ser lavrado um ato de suposta tentativa de arrombamento, foi jantar e dormir em casa. Afinal, estava cansado e estressado.
O vigilante amargou quatro dias de cana e está sendo processado por tentativa de assassinato.
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(*) Larápio: havia em Roma um pretor de nome Lucius Antonius Rufus Appius que se assinava L. A. R. Appius e passava sentenças favoráveis a quem melhor por elas pagasse, com o que larápio se tornou designativo de qualquer pessoa que agisse de modo desonesto.
31 outubro, 2005
Aniversário à Minas Gerais
O trânsito é infernal: toda a produção do Vale do Aço (Acesita, Belgo Mineira, Usiminas) escoa por essa rodovia que, agora, passa por um melhoramento. Máquinas na pista, empregados, falta de sinalização, etc. Após longa estiagem, chegou a temporada das chuvas. A neblina cobriu boa parte do trajeto, entre a entrada para Caeté e São Gonçalo do Rio Abaixo.
Nova Era, nosso destino, fica às margens do Rio Piracicaba, pouco antes que desemboque no Rio Doce, em direção ao Oceano Atlântico. Minas é a encruzilhada do Brasil: a leste, Vitória-ES; ao sul: São Paulo e Rio. Ao norte: Brasília e interior da Bahia. A oeste, Goiás e Mato Grosso. Êta mundão, sô!
A paisagem de montanhas é belíssima: ainda há registros de mata atlântica, embora predomine a vegetação de transição para o cerrado. O Rio das Velhas, a poucos quilômetros de Belo Horizonte, nos lembra que Sabará fica logo ali e que, se nos deixarmos levar por suas águas, chegaremos ao Rio São Francisco, deixando pra trás Santa Luzia e Jaboticatubas.
É muita história a impregnar essas terras das Gerais, caminhos dos Inconfidentes e dos tropeiros, igrejas e capelas dos tempos coloniais, altares e santos barrocos cobertos de ouro.
É a Estrada Real, com duas vias que partem da cidade do Rio de Janeiro e de Parati, para encontrarem em Ouro Preto. Daí, seguem por estas regiões que agora atravessamos e conduz a Diamantina, de onde desciam toneladas de diamantes, ouro, pedrarias. Hoje, as montanhas de Minas vão sendo carcomidas pelas mineradoras (MBR, Vale do Rio Doce, etc.) que exportam o minério de ferro que abastece o mundo. Ainda por aqui estão as internacionais Anglo Gold e outras, cujas galerias subterrâneas, algumas a 1200m de profundidade, produzem ouro como nunca se viu (e nunca veremos!).
Viajar pela 262, além dos sustos do tráfego pesado, nos proporciona recordar fatos históricos, os Ciclos do Ouro e do Minério, as devoções, o Barroco, etc.
Todos os obstáculos dessa viagem de ontem foram enfrentados com prazer, pois o objetivo era comemorarmos o aniversário do meu pai, Soié.
Chegamos ainda cedo em Nova Era, a tempo de tomar um lanche preparado pela minha mãe: empadinha e refrigerante para a meninada (os netos) e cafezinho com biscoito de polvilho, torradinho, torradinho... Nada muito substancioso, pois logo logo teríamos o almoço.
Dessa vez, a família se reunião no restaurante do Garden Hotel, cujo cardápio foi bem mineiro: saladas, tutu-de-feijão, arroz com milho verde, salpicão e lombo recheado. As sobremesas, além da inevitável torta de chocolate recheada com cocada mole, constituíram um espetáculo à parte: cidra cristalizada e em calda, mamão em calda, doce de leite mole e em pedaços, cajuzinho... Ah! É até exagero essa hospitalidade mineira...
À tardinha, uma visita ao Museu Histórico de Nova Era, com centenas de peças antigas, desde a fundação da cidade, no início do século 18. Uma belíssima exposição fotográfica exibia fotos e documentos das décadas de 20 a 50, todas do acervo de meu tio Diló (irmão do Soié), o primeiro fotógrafo da região. Minha mãe descreveu cada foto, nas quais podia reconhecer personagens que já se foram, figuras que marcaram sua infância na antiga São José da Lagoa.
Minas são muitas. Minas é plural.
28 outubro, 2005
Dupla festa
Nos outros meses, em menor escala, o dia 28 provoca grande afluxo de pessoas, a ponto de ser necessário fechar ao trânsito as ruas estreitas do Nova Floresta.
Ao voltar para casa, ontem, deparei-me com um outdoor alusivo à data nas imediações da Assembléia Legislativa. Tão descuidadamente foi feito que lá está escrito: funcionários púbicos! Já não pagam bem e ainda lhes comem uma letra. Ou foi proposital? Na verdade, muitos consideram os funcionários do governo como parasitas, dos quais um dos mais mal-afamados é o Poediculus Pubis, também conhecido como "chato", habitante dos pêlos pubianos... primo pobre dos piolhos (Poediculus Capitis), que se enroscam nas cabeleiras descuidadas. Freud explica?
26 outubro, 2005
Dr. John = jazz, blues, funk e rythm'n' blues
Há mais de um mês me preparei para assistir o mestre do jazz, blues, funk e rythm'n' blues. Dr John habita minha estante de CDs há muito tempo, desde que adquiri seu ótimo Goin' Back to New Orleans. O cara é manhoso para cantar e tocar: "arrasa" ao piano!
Aqui em Belô ele se apresentou com sua banda The Lover 911: John Fohl na guitarra, David Barard no baixo e Herman Ernest III na bateria. Barard deu um show à parte, empolgando a platéia.
Dr. John vestia um terno vermelho. Em vários momentos tocou simultaneamente o piano e o teclado. Emocionou o público com Sweet Home New Orleans, em homenagem à sua terra, devastada pelo Furacão Katrina. Tudo de bom. Uma noite e tanto!
22 outubro, 2005
Plebiscito: Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco? Hein? Heim?

- o eleitor prefere não pensar sobre o assunto, ou não consegue!
- as propagandas não apresentaram argumentos sólidos!
- os políticos, espertos como sempre, não deram as caras nos programas do TRE!
- não se sabem - ou não se quer saber - ou não se explicitam as verdadeiras consequências do SIM e do NÃO.
Penso que há outros problemas graves a serem discutidos - mas que são escamoteados. O povo, tratado como boi no pasto, não é convidado a opinar.
Um exemplo é a proposta de um plebiscito como no título deste post: Você concorda com a abolição das propagandas de bebidas alcoólicas e de tabaco?
Todos sabemos que o alcoolismo é a maior - digo, maior - constante em casos de acidentes e brigas, acarretando grande número de mortes - inclusive pelo uso das famigeradas armas de fogo - sem falar em facas, facões, canivetes, pedradas, cacetadas, esganadas e quejandos...
Todos sabemos que o alcoolismo é responsável por 25% das internações psiquiátricas, custando "o olho da cara" aos cofres públicos e empresas.
Todos sabemos que o alcoolismo é causa de outras doenças, tipo cirrose hepática, desnutrição, hipertensão, insuficiência renal, etc.
Todos sabemos que o uso do tabaco é a maior - digo, maior - causa de doenças pulmonares (entre outras, o mortífero câncer de pulmão) - 80%!
Todos vemos as fotos nos maços de cigarros e desconhecemos a mensagem: "O Ministério da Saúde adverte: fumar faz mal à saúde".
A Aliança Cidadã pelo Controle do Álcool-ACCA divulga notícias interessantes sobre o tema. Entre outras:
- Noruega - limitou a publicidade em 01/07/1975 - diminuiu o consumo em 26%
- Finlândia – em 01/03/1978 – diminuiu em 37%
- Nova Zelândia – em 17/12/1990 – diminuiu em 21%
- França – em 01/01/1993 – diminuiu em 14%
- Em países onde se proibiu a publicidade de licores, o consumo se reduziu em 16%;
- A proibição da publicidade de vinho e cerveja, diminuiu o consumo de álcool em 11%;
- A proibição de publicidades de licores reduziu os acidentes em 10%, e a de cerveja e vinho em 23%;
- A proibição da publicidade de bebidas alcoólicas na Suécia nos anos 70 diminuiu o consumo em 20%.
- Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) do ano passado, mostrou que 13,4% dos acidentados que entravam no pronto-socorro do Hospital São Paulo estavam embriagados ou foram vítimas de alguém que tinha bebido demais. A maioria tinha tomado o equivalente a seis latas de cerveja ou 250 ml de destilado nas últimas seis horas.
19 outubro, 2005
MATAR OU MORRER?
Parece-me que o foco das discussões oscila entre vertentes múltiplas:
1a.) como acabar com a violência?
2a.) como acabar com os bandidos?
3a.) acabando com os bandidos, acaba-se com a violência?
4a.) o que causa a violência?
Para a primeira questão, tenho uma resposta terrível: a violência é inerente ao ser humano (se não se educa uma inocente criancinha, ela já será insuportável!)
A história da violência (violência = uso da força) se confunde com a história do ser humano: no primeiro livro bíblico, aprendemos que os filhos de Adão e Eva se envolveram numa briga, por CIÚMES !!! Caim, não suportando o que ele interpretou como preferência divina por Abel (já que a fumaça dos sacrifícios do irmão -ao cremar as oferendas- subia em linha reta para o CÉU) resolveu matá-lo. De fato, acabou com ele.
Tá bom, isso pode ser apenas uma lenda judaica, mas serve de paradigma: se até os irmãos de sangue brigam e se matam, quem não será capaz de fazer o mesmo?
Amantes matam em nome do amor...
Soldados matam em nome da pátria...
A polícia mata em nome da Lei...
A Igreja, o Islã, o Protestante, todos mataram e continuam a matar em nome da Fé... (Dizem que as guerras religiosas são mais frequentes e mortíferas do que as guerras por território!) E matam em Nome-de-Deus!
Existem casos de homicídio, parricídio (filho matar o pai), filicídio (pais matarem filhos), etc....
O maior número de casos de abuso sexual e violência física contra crianças acontece DENTRO de casa, por um parente!!!
Quando alguém nos ofende, dizemos: "Fulano MORREU prá mim!"... ou seja: Eu o MATO afetivamente...
A história da humanidade é um filme de terror, verdadeiro holocausto, incessante, terrível, avassalador, onde os vencedores e dominadores sempre exterminaram seus semelhantes (tachados de hereges, inimigos perigosos, bárbaros... qualquer desculpa vale para, exatamente, livrar-nos da CULPA).
Não me assusto com os gritos de "morte aos inimigos! morte aos bandidos!" pois eu mesmo, na hora em que me sinto agredido, ou ao ter algum conhecido roubado, assassinado, lesado, eu mesmo sou dominado pela raiva ("se eu pudesse, te esganava!!!").
A RAIVA mobiliza meus impulsos agressivos (normais, naturais e necessários à sobrevivência) e, naquele momento, me identifico com meu agressor: Eu = Bandido! Se ele mata, eu também mato (ou condeno à morte, na forma da Lei).
Para a segunda questão (como acabar com os bandidos?) não tenho resposta. O que não significa que nada possamos fazer.
Para controlar a violência inerente ao ser humano (como demonstramos acima) a própria humanidade se esforça desde tempos imemoriais: Já na antiga Mesopotâmia, criou-se o primeiro código legislativo de que se tem notícia: o famoso Código de Hamurabi (meu irmão Bonifácio e minha filhota Ana Letícia podem dar aulas sobre isso).
Desde então, criam-se leis, que são aperfeiçoadas ao longo da história. Algumas leis são do tipo ( Honesto = Bandido ), são as normas tipo Lei do Talião (olho por olho, dente por dente)... Outras,mais brandas, outras mais severas, pois autorizam o Estado a matar o assassino, seus pais, seus filhos, seus parentes.... até confiscar todas as propriedades.... Isto existe, sim!
Eis, pois, o que considero a mãe de todas as questões: como punir os bandidos e como desestimular e inibir a violência que habita o coração dos homens?
- Tarefa impossível, porém NECESSÁRIA!
O que sustenta a humanidade na face da Terra é, exatamente, lutar para conseguir o impossível. Daí as leis, a ordem, os castigos, os prêmios.... enfim, a Lei (sempre imperfeita, nunca onipotente).
Por melhor que sejam, porém, leis são feitas por nós, homens e refletem nossa imperfeição.
12 outubro, 2005
Começa, hoje, aqui mesmo em Belô, o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria.Estarei presente, entre outros quatro mil colegas! Já agora de manhã, no MinasCentro, onde se realiza este mega-evento, encontrei colegas de Brasília, João Pessoa, Porto Alegre, São Paulo, Juiz de Fora, Pernambuco, Sergipe... tudo isso apenas na fila do "crachá"...
Serei relator numa Mesa Redonda acerca do "Diagnóstico Diferencial do Transtorno de Déficit de Atenção x Transtorno de Humor Bipolar em Crianças e Adolescentes" (ufa! o titulo é grande e a trabalheira pra preparar maior ainda!). Se der, faço um resuminho aqui no PrasCabeças.
A boa dica aos congressistas é uma visita ao Mercado Central, que fica logo em frente do MinasCentro: é só atravessar a avenida. Imagino que haverá mais congressistas tomando umas e outras que em algumas palestras (afinal, congresso é pra isso, não?).
11 outubro, 2005
Desarmamento - variações sobre um tema
COMO NOVA YORK REDUZIU AS ARMAS ILEGAIS por Louis Anemone (ex-chefe da Polícia de Nova York-NYPD (1995-99), e membro do Instituto Fernand Braudel. Este artigo foi adaptado de sua palestra na Conferência Internacional sobre Violência e Segurança Pública em São Paulo e Rio de Janeiro, em outubro de 1999)
Armas de fogo são utilizadas em 59% dos homicídios em Nova York e 90% dos assassinatos em São Paulo. Uma estratégia de redução da posse e uso de armas de fogo ilegais levou ao declínio dos homicídios em Nova York nos anos 90.
De 1993 a 1998 os assassinatos na cidade de Nova York caíram 64% e os disparos de armas de fogo da polícia caíram mais de 66%! O número de balas disparadas caiu de 1.017 em 1995 para 526 em 1998. O número de pessoas baleadas pela polícia caiu de 70 em 1995, 26 delas fatalmente, para 62 em 1998, com 19 mortes [comparadas com 593 civis mortos pela polícia em São Paulo].
Tivemos a nossa dose de controvérsias em torno de tiroteios e encontros envolvendo a polícia neste período, mas a tendência geral tem sido positiva, apesar da natureza chocante de alguns desses encontros, especialmente o estupro, por policiais, de Abner Louima em uma delegacia do Brooklyn em 1998 e os 41 tiros, desferidos por membros da unidade de crime de rua do Bronx, que mataram Amadou Diallo, um imigrante africano desarmado, em 1999.
A redução dos disparos teve um impacto profundo na vida da cidade. O New York Times noticiou em 1998 que o Departamento de Saúde de Nova York planejava fechar alguns de seus centros de traumatologia, pois o número de vítimas de tiros nesses hospitais não era mais suficiente para ocupar os jovens médicos especializados em serviços de emergência.
Uma estratégia para se atingir esses resultados surgiu em "Quatro passos para a redução do crime", elaborado por Jack Maple, que eram:
1. Inteligência precisa e oportuna comunicada claramente a todos.
2. Mobilização rápida das forças policiais.
3. Táticas eficazes.
4. Acompanhamento e avaliação implacáveis.
Continuação do texto: AQUI.
10 outubro, 2005
Sim ou Não? Sonhar é preciso!
Sinto-me cada vez mais como cego no meio do tiroteio. Estamos sendo soterrados por uma avalanche de números, estatísticas, dados conflitantes, falsos argumentos onde o que menos falta é consistência. A questão colocada é hamletiana:
- To be or not to be ?
- Sim ou não ?
- A favor ou contra?
Meu mal-estar me surpreende: por que estou enojado diante da proposta do tal plebiscito?
- Por que não vejo sentido nele: quais serão as consequências de um "sim" e de um "não"? A violência vai acabar? Vai diminuir? Seremos todos massacrados pelos bandidos? Vamos nós ficar mais bonzinhos, educados, respeitadores dos direitos uns dos outros? Reinará, enfim, a paz entre os homens?
Recorro à utopia: sonhar é preciso, viver não é preciso - bem sei que a frase original não é assim.
"Utopia" vem do grego (ouk=não + tópos = lugar, ou seja, lungar nenhum, lugar que não existe) e deu nome à famosa alegoria de Thomas More, acerca de um sistema político igualitário, trabalho dividido de acordo com a capacidade de cada um, igualdade social, talvez um "comunismo" ou "socialismo" idealizado.
Quanto ao tema do desarmamento, qual o meu mundo idealizado? Um mundo sem violência, um mundo onde todos se respeitassem, um mundo onde não haveria crimes, assaltos, abusos...
- Ah! mas isto é um sonho, este mundo não existe!
Pois é o que me resta: sonhar. Não um sonho delirante, pura fantasia, mas um sonho que pede ações concretas, que me ponha a trabalho. Na minha insignificância, posso manifestar meu desejo de que não existam armas no "não-lugar" (que é igual a "todo-lugar").
- Então você vai votar pelo "Sim" ao desarmamento?
- É isso, votarei no "Sim".
- Há alguma explicação racional para seu voto?
- Não, nenhuma. Assim como não vejo explicação racional para este plebiscito.
- Então, vote pelo "não"!
- E meu sonho, o que faço com ele?
07 outubro, 2005
Êêêê,ôô
Vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz!
O povo brasileiro é um dos povos mais felizes do mundo, segundo a pesquisa publicada pela BBC em 05 de outubro: Brasil é nono em 'ranking da felicidade' [Pesquisa revela que 82% dos brasileiros estão 'muito felizes' ou 'satisfeitos' com a vida.]
Antes de ler as explicações da BBC, já levanto algumas hipóteses:
1)Temos uns dos melhores governos do mundo, elogiado até pelo FMI;
2) nossas estradas estão entre as melhores, nas quais morrem apenas 53.000 pessoas por ano, muito pouco se comparado ao holocausto ou à gripe espanhola ou à bomba aômica que os USA jogaram sobre o Japão;
3) nossa desigualdade social não é tão cruel assim;
4) somos campeões mundiais da taxa de juros, enriquecendo os banqueiros e garantindo a estabilidade econômica (deles);
5) compramos nossas roupas na Daslu e bugigangas da China;
6) não temos mais corrupção, como está comprovado pela falta de provas nas CPIs. Tanto assim que o Congresso castigou o Cafajefferson por ter inventado tantas mentiras contra políticos honestíssimos;
7) nossos campos têm mais flores, nossas matas mais amores, as aves que aqui gorgeiam não gorgeiam como lá e o sertão vai virar mar com a transposição do Velho Chico;
8) aqui moram as mulheres mais lindas do mundo, como a Giselle Bundchen, por exemplo;
9) temos muitos amigos pobres, dos quais é o reino dos céus;
10) já estamos tendo furacões em Santa Catarina, coisa que só acontecia no Hemisfério Norte, embora ainda nos faltem vulcões e terremotos. Mas vamos chegar lá!
Por tudo isso, acho a pesquisa citada pela BBC completamente errada, ao enumerar apenas os seguintes motivos que tornam o brasileiro feliz:
- Boa saúde - 75%
- Casa própria - 63%
- Estabilidade financeira - 61%
- Casamento feliz - 44%
- Emprego interessante - 44%
- Viagem de férias - 38%
Mas se quiserem uma receita infalível para felicidade duradoura, eis a receita do Salmão ao Molho de Maracujá, do post anterior:I - o salmão: tempere suvemente duas postas de salmão, a seu gosto. Bote-o a fritar sobre fina camada de azeite numa frigideira com fogo baixo, por 15 minutos. Mantenha-o tampado. Ao servir, deixe o lado mais corado para cima, sobre o qual você derramará o molho.
II - o molho:
a) ingredientes:
- 1 xícara (de chá) de água
- 1 tablete de caldo de legumes
- 3 colheres (de sopa) de azeite
- 1/2 cebola ralada
- 1 dente de alho
- 1/4 de xícara (de chá) de suco de maracujá concentrado
- sementes de maracujá a gosto (coloquei a polpa de meio maracujá)
- 1 colher (de chá) de amido de milho (maizena) diluída em um pouco de água
- Doure a cebola e o alho no azeite. Adicione, a seguir, os demais ingredientes, exceto a maizena e deixe ferver. Por último, coloque a maizena, passe tudo por uma peneira e sirva imediatamente, sobre o salmão.
Qual vinho você recomenda, Allan?
E assim, sigamos felizes!
06 outubro, 2005
Salmão ao Molho de Maracujá
Dizem que os políticos preparam uma enorme pizza já temperada e no forno das CPMI's.
Quanto a mim, sou mais um salmão ao molho de maracujá, como este que preparamos - minha Amélia e eu - no domingo passado. O salmão foi o "grand chef" aqui. O molho de maracujá foi a quatro mãos. A ervilha e o arroz foram delicadamente cozidos pela Amélia.
Por ora, não quero saber de CPIzzas...
05 outubro, 2005
04 outubro, 2005
03 outubro, 2005
U R G E N T E !
Absurdo o que a Revista Veja fez na edição desta semana! A capa, de um mau-gosto terrível refere-se a uma pseudo-reportagem acerca do plebiscito de 23/out.
01 outubro, 2005
CAVE NE VENTUOSITATEM EMITTAS PER ANUM (*)
- Quem são os culpados?
- As vacas!
- É verdade?
- Olhaí a nota publicada nos jornais:
O gado francês produz mais do que duas vezes o total de gases emitidos pelas 14 refinarias de petróleo do país, diz um relatório preparado por economistas.Segundo o estudo, as 20 milhões de vacas e touros, cada um deles com quatro estômagos, respondem pela emissão de 38 milhões de toneladas de gases por ano, em sua maioria metano.
Suas emissões também incluem o óxido nitroso, ou o gás do riso.
A agricultura francesa é a campeã européia de emissões de gases que provocam o efeito estufa. O autor do relatório, Benoit Leguet, pediu aos fazendeiros que adotem uma alimentação mais facilmente digerível para os animais, para diminuir as emissões.
O relatório acrescenta ainda que os consumidores franceses também contribuem para a emissão desses gases, pois consomem mais carne do que o europeu médio.
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(*) Inscrição encontrada nas ruínas das Termas de Caracalla, em Roma - complexo balneário construído entre 212-217 DC pelo Imperador Caracalla. Todo cidadão tinha direito a tomar banhos em suas banheiras de mármore, que podiam receber 1.600 banhistas, ao mesmo tempo.
Ah!, a inscrição latina significa : Evite soltar pum! (Si non é vero...)








