O DAAB CANCELOU O SHOW...
Convite aos blogueiros de BH (*) e adjacências:
Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
Quando se fala em culto ao corpo, pensa-se logo no massacre que as mulheres adultas sofrem diante dos modelos de beleza e saúde propostos pela mídia. Tudo gira em torno da beleza física, em detrimento de outros valores.
Há uma verdadeira enxurrada de publicações, out-doors, propagandas televisas e espetáculos do show business nos quais os corpos jovens, magros, belíssimos são presença constante em todos os veículos de comunicação.
O mundo das aparências e do espetáculo para o qual as mulheres são convidadas a participar, sob pena de não serem reconhecidas como "pessoas existentes" é cruel. Basta acompanhar a "troca" das beldades expostas nas capas das revistas "masculinas": a cada mês surgem novas divas da beleza, classificadas sempre como "a mulher mais sexy do mundo"... Algumas semanas depois e nem nos lembramos mais de quem foi a capa da Playboy anterior: vem aí nova edição, e mais outra. Tudo descartável.
Na Revista de Cirurgia Plástica Estética (Aesthetic Plastic Surgery) de outubro/2004 os cirurgiões plásticos mexicanos Ramon Cuenca-Guerra e Jorge Quezada descrevem 5 tipos de defeitos nas "bundas" femininas e se propõem a consertá-las para obter "volume e projeção proporcionais ao resto do corpo". Nome do artigo: O que torna um traseiro bonito? (What makes buttocks beautiful?)
Criou-se um mercado bilionário, quase um shopping a vender consertos por meio de tecnologia médica, quer seja por depilação a laser, injeções de botox, liftings químicos e cirúrgicos da face/pescoço, quer seja por correções do nariz, implantes de mama, cirurgia para correção da região glútea e lipoaspiração.
Aquilo que seria a evolução natural da natureza tem sido visto como defeito a ser consertado, a partir de um modelo de normalidade baseado na aparência das adolescentes em flor.
Deve-se reconhecer, é lógico, que alguns pressupostos do que chamamos culto ao corpo têm imenso valor na qualidade de vida de todos: alimentação saudável e exercícios físicos como fatores de melhor qualidade de vida. A manutenção e conquista de um corpo saudável é mesmo de uma necessidade contemporânea, em face do sedentarismo e sobrepeso de grande número de pessoas. Mas esse argumento sucumbe diante dos imperativos da beleza.
As mulheres adultas - "mulheres-de-meia-idade" (seja lá o que isso quer dizer) - estão vivendo preocupações excessivas com dietas e cirurgias plásticas.
Pode parecer preocupação descabida numa sociedadade tão desigual, em que grande parte dos cidadãos vive abaixo da linha de pobreza e não se podem dar ao luxo de escolher o que comer.
Entretanto...
Existe, já, um problema de saúde pública, epidemiologicamente importante, com os seguintes indicadores:
• Aproximadamente 43 milhões de mulheres adultas, nos Estados Unidos, estão fazendo dieta para perder peso em algum dado momento; outros 26 milhões estão fazendo dieta para manter o peso. A insatisfação com a imagem corporal na meia-idade aumentou dramaticamente, mais do que duplicou, de 25%, em 1972, para 56%, em 1997.
• Quando perguntadas sobre o que as incomoda em seu corpo, um grupo de mulheres, com idades de 61 a 92 anos, identificou o peso como a maior preocupação;
• Mais de 20% das mulheres com 70 anos ou mais estavam fazendo dieta, embora o peso mais alto traga um risco mais baixo de morte naquela idade e a perda de peso possa realmente ser prejudicial;
• em 2003, um terço das internações em centro de tratamento especializado para transtornos alimentares era de mulheres com mais de 30 anos de idade;
• Sessenta por cento das mulheres adultas se envolvem em controle patológico do peso;
- 40% restringem sua alimentação;
- 40% comem em demasia;
- somente 20% são “comedoras” instintivas;
- 50% dizem que sua alimentação é desprovida de prazer e lhes causa sentimento de culpa;
Esses dados demonstram que "a pressão para buscar o corpo perfeito persiste funcinando para distrair as mulheres de questões mais significativas da vida".
As consequências danosas são detectadas no aumento de doenças relacionadas com a auto-estima, ao humor (depressão) e ao relacionamento interpessoal. Já se pode falar numa "crise da meia idade" análoga à "crise da adolescência". As mulheres enfrentam desafios novos:
- competição pelo mercado de trabalho;
- desempenho concomitante das tarefas tradicionalmente femininas;
- realização da pulsão sexual (como se manter sedutora? como despertar o desejo masculino?).
Reduz-se, cada vez mais, a questão da qualidade de vida (saúde plena, paz emocional) para a questão da aparência.
Leia mais neste site: NeuroPsicoNews, patrocinado pela Libbs.

Provavelmente, este é o catecismo pelo qual rezam todos os depoentes nas CPIs.| Diabéticos passam juntos o fim de semana para trocar experiências. É permitido até comer chocolates, sob o olhar cuidadoso dos médicos |
* Teste desenvolvido pela Associação Psiquiátrica Americana
Para ser considerado um dependente de internet é preciso apresentar três ou mais desses critérios por pelo menos um ano
Pesquisas mais recentes apontam novos sintomas: cansaço ou irritabilidade, utilizar a internet como forma de escapar de problemas, mentir para familiares e amigos sobre o grau de envolvimento com a internet.
O tratamento consiste em algumas medidas comportamentais:
1. reconhecimento da pessoa de que é um cyberviciado;
2. afastamento dos ambientes desencadeadores da compulsão;
3. redução progressiva do tempo de exposição ao computador;
4. apoio familiar;
5. busca de atividades gratificantes fora do ambiente habitual;
6. perseverança.
Em casos mais difíceis:
1. Psicoterapia
2. Uso de medicamentos para ansiedade e/ou depressão.
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PS1: agradeço a D. Afonso pela dica. Seu blog é visita obrigatória!

Acompanhou-nos um encorpado Trivento 2003; demi-sec, argentino, blend de shiraz com malbec, 13,5°. Hoje fui vistoriar as vinhas da Serra do Caraça. As uvas estão "que é uma beleza"... A vidima será em janeiro de 2006. Que Baco nos proteja!
Acompanhar a evolução das vinhas, desde a preparação do terreno até ao estado em que estão hoje, é uma aventura: será que vai dar certo? as uvas ficarão boas? quanto tempo?

É preciso:
"Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, a propícia estação
E fecundar o chão" (Milton Nascimento/Cio da Terra)
Pois a safra a ser colhida no início de 2006 já é quase realidade. Será a segunda e esperamos, novamente, fornecer as uvas para os padres do antigo Colégio do Caraça, onde os cachos esmagados adormecerão nos imensos tonéis e despertarão em vinho rubro (fotos aqui).
O resultado do trabalho da Carmita é tão científico quanto curioso e está disponível no livro "Descobrimento Sexual do Brasil", publicado pela Summus Editorial. Recebi um exemplar durante o XXIII Congresso Brasileiro de Psiquiatria. Universo pesquisado: 38,9% casados; 11,2% amasiados; 37,5% solteiros; 10% divorciados; 2,4% viúvos. Todos eram alfabetizados, condição indispensável para responder às 87 perguntas.
Dra. Carmita Abdo reconhece que as estatísticas são apenas números, cabendo-lhes múltiplas leituras. No incício do livro, cita frase do escritor norte-americano, Mark Twain: "There are three kinds of lies: lies, concealed lies and statistics" = "Há três espécies de mentira: mentiras, mentiras disfarçadas e estatísticas".
Os dados vão se sucedendo, números e mais números, cujo significado jamais será unívoco. O conteúdo do livro não é específico para os profissionais da área; "ao contrário, pode ser entendido por qualquer pessoa que se interesse pelo assunto".
É lógico que a "radiografia" obtida pela pesquisadora jamais dará conta dos sentimentos mais profundos da pessoa. A dimensão "psicológica" - emocional - é atributo pessoal e deve ser perscrutado na singularidade de cada um.
Não se trata, pois, de um estudo sobre o Amor, sobre a afetividade, muito menos acerca dos mecanismos inconscientes que determinam e colorem as experiências afetivo-sexuais. Lembre-se Sigmund Freud que deu à palavra Éros (erotismo) uma dimensão muito maior do que a pura sexualidade: cumplicidade, amizade, prazer de viver, impulso à vida, intimidade, respeito mútuo, carinho...
Cada um de nós, afinal, sabe muito bem que a questão principal repousa sobre o verdadeiro objeto de desejo e sobre como obter a felicidade.
Eis a tarefa de nossa vida.
