04 abril, 2010

Pra ser sincero...

Há cada dia mais e mais gente repete o bordão e suas variáveis:

- com toda a certeza; pra ser sincero; pra dizer a verdade; na verdade; etc.

Virou um vício ou é mesmo aquilo que penso ser?

Bom, penso que sempre começar uma frase assim indica que meu interlocutor não tem lá muita certeza de nada e utiliza a fórmula tentando esconder isso (talvez inconscientemente, concedo).

É comum diálogos deste tipo:

- Ontem fui a um restaurante excelente!

- Bom demais?

- Na verdade, acho que dei sorte, porque na semana passada não estava lá essas coisas.

De início, o cara afirma que o restaurante é excelente. Quando vai explicar, relativiza e bota um na verdade que indica, claramente, que o restaurante não é tão excelente.

Aí, me pergunto:

- Será mentira? Quer me enganar? Não sustenta o que diz? Tem medo do confronto, da opinião contrária, da decepção? Não quer se comprometer?

Acontece, também, quando elogia ou detrata alguém. Os primeiros adjetivos são fortes, definitivos. Nas explicações, porém, vão enfraquecendo, enfraquecendo até, às vezes, se substituírem pelo seu contrário. Parece engraçado, mas é irritante.

A gente vê isso nas entrevistas de TV, nas conversas de bar, até mesmo no consultório. Neste último caso, raramente deixo passar e faço o meu interlocutor refletir sobre o artifício que se impõe, automáticamente, a cada pausa para respirar (isso quando já percebi que é uma marca registrada do discurso dele).

Da mesma forma, a expressão "com certeza" surge quando o que menos se tem é certeza, já repararam? Parece que é induzida pelo outro, mas o seguimento do discurso mostra que se trata de uma opinião, de um gosto ou juízo pessoal ou, absurdo, prova de incerteza! Ele supõe, acha, pensa que.

Quando se trata de opinar sobre algo que mexe com as paixões, aí os adjetivos e advérbios se tornam absolutos e definitivos. Tem-se certeza de que o juiz roubou, que o outro motorista é que estava errado, que o guarda de trânsito foi parcial...

Pois é isso: cuidado com pessoas que têm certeza de tudo, pois, com certeza (!), escondem de si e do outro sua própria ignorância. 

[Há ainda aqueles que começam a responder sempre com um 'não', mesmo que queiram dizer sim. E os que iniciam toda frase com um 'bem', mesmo que pretendam discordar. Sem falar nos que concordam para discordar, ao dizer: 'sim... mas...']

Com certeza, temos muito assunto. Ou não?

01 abril, 2010

Revelação


Meu pai (Soié, 86 anos) finalmente revela o maior segredo de sua vida.
(Clique AQUI para descobrir) 

07 março, 2010

Trilhas mineiras

 
O sábado foi especial: meu amigo Sérgio convidou-me a uma trilha jipeira. É o tipo de programa que me dá muito prazer.
Há algum tempo fomos a Matutu, próximo a Aiuruoca, nas encostas sul-mineiras da Serra da Mantiqueira. 
A Serra da Moeda e as colinas de Nova Lima também já trilhamos, comendo poeira, varando túneis abandonados e embrenhados sob a copa das árvores. 
É difícil descrever a alegria proporcionada pela descoberta de paisagens quase inacessíveis, lindas em sua intocada natureza. Há, igualmente, a adrenalina de vencer a rusticidade das trilhas, pedras, cavacos, buracos, vossorocas, subidas e descidas tão íngremes a desafiar a capacidade do jipe e os nervos do motorista.
Desta vez, o trajeto foi relativamente curto, programado pelo Caminho das Pedras, que o denominou de Passeio Cultural:  Passeio com grau médio/ baixo passando por  trilhas, matas e montanhas, pela região entre BR-040 e Fidalgo.

     Assim, deixamos a rodovia BR-40 (BH-Brasília) pouco antes de Sete Lagoas, em direção à Cachoeira do Urubu, recanto tão bonito quanto escondido. A paisagem é bem rústica, pontuada por pequenos 'ranchos', córregos, áreas de reflorestamento e pastos. Às vezes, serpenteamos sob a copa das árvores. Não faltaram obstáculos, a ponto de termos ficado uns 40min à espera da liderança descobrir um caminho "trilhável" (aconteceu que um proprietário de terra cercou a trilha...).
Ao lado da Cachoeira do Urubu, um comerciante criou um espaço bem arrumado, com gramado, quadra de futebol e um restaurante. Disse que recebe muita gente em fins de semana ensolarados, de dezembro a maio. Lazer bom e barato. 
Ontem, os jipeiros éramos os únicos presentes, pois amanhecera nublado e a terra molhada denunciou a chuva que caíra até poucos momentos antes de nossa chegada.
A pausa foi breve, pois muito chão nos esperava.
Até Pedro Leopoldo foi um pulo só, 9 quilômetros vencidos rapidinho, por asfalto. Chegamos ali por trás da estação ferroviária. Lá do alto vislumbrei o prédio onde mora meus tios e minhas primas. 
Atravessamos PL, tomamos a antiga estrada BH-Brasília e derivamos à direita, em busca da Fazenda JagoaraVelha, no município de Matozinhos-MG. É uma antiga fazenda da colonial, tendo as ruínas de uma enorme igreja bem ao lado da sede. A pousada é convidativa, mas o tempo urgia e... pé na estrada!  Há grande contraste entre aquela paisagem colonial em ruínas e algumas sedes de fazendas modernas, com plantações de milho e feijão, além de alguns haras muito bem cuidados.
Já Fidalgo, distrito de PL, é um distrito em franca evolução, apesar de antigo. Mantém alguns exemplares de casario colonial, esparsos, substituídos que foram por construções atuais, geralmente simples. Suas ruas tortuosas escondem casas de veraneio, entrevistas enquanto o comboi passava.
Chegou a hora do almoço (já às 15,30h), no restaurante Cheiro da Terra: local simples mas de comida típica mineira, na qual não faltou o feijão-tropeiro. Jardins e estacionamento margeando pequena lagoa, cuja foto encima este post.
Assim se passou o sábado, bem arrematado pelo discreto Galo 1x0 Democrata.
Muito mais fotos AQUI.

22 fevereiro, 2010

- Não é bem isso o que eu queria dizer...

Alguns estudiosos da linguística defendem que o sentido das palavras só existe na medida em que há uma contraposição, uma diferença, uma outra possibilidade, uma particularidade. Nomear é diferenciar.


Parece estranho, mas não é. Toda afirmação existe em oposição a uma não-afirmação, mais especificamente a uma negação.

Muitos devem se lembrar daquele bebê da Família Dinossauro que invocava o papai Dino como
"Não-é-a-mamãe". O "pai" só aparece por ser outro que não a mãe.

Aprendemos com René Spitz em seu livro
"O não e o sim" (No and yes. On the Genesis of Human Communication. International Universities Press, Inc. New York, 1957) que a primeira palavra com sentido semântico pleno utilizada pela criança é o NÃO, embora muitos pais e mães se encantem com os balbucios de seu filhote (papá, mamã) e disputem qual deles foi primeiramente nomeado.

O conversar comum, cotidiano, progride e se prolonga através de mal-entendidos, desmentidos e correções, logo seguidas de novos dizeres, cada vez mais necessários: "Não é bem assim", "O que eu queria dizer mesmo é...", "Você não entendeu direito", "Exatamente o que aconteceu?", "Quando falei tal coisa, é porque...", "Como assim? Explique melhor"...

Neste pequeno texto que estou escrevendo, cada parágrafo procura reforçar o anterior,
re-afirmar a idéia, prevenir possíveis distorções no entendimento, convencer pela repetição, demonstrar o que foi dito, etc. A linguagem, definitivamente, é capenga e insuficiente para dizer tudo...

Já em 1901,
Freud publicou um delicioso artigo, intitulado Psicopatologia da vida cotidiana (Psychopathology of everyday life), no qual aborda o tema dos atos falhos.

O conceito de ato falho (Fehlleistung, em alemão) não constava nos manuais de Psicologia e foi inventado por Freud. Na tradução inglesa, traduziu-se como parapraxis (parapraxia, em português).

[Parapraxia, segundo o Houaiss, é um termo originado diretamente do grego, pela justaposição do prefixo "par(a)" com o substantivo "praxis" = ação. "Par(a)" tem muitas acepções: 1) 'proximidade': parágrafo, paraninfo, paratireóide, parenteral, parêntese, parótico, parótida; 2) 'oposição': paranomia, paradoxo; 3) 'para além de': parapsicologia, parapsíquico; 4) 'defeito': parafasia, paralexia, paramimia, paramnésia, paraplegia; 5) 'semelhança': parastaminia, parastêmone, parastilo].

Na tradução brasileira das Obras Completas de Freud (Edição Standard, Editora Imago), encontramos a expressão ato falho, que pode ser, por exemplo, o esquecimento de algo importante, de um nome, o desvio em um trajeto predeterminado, a troca de palavras, etc. Distingue-se do erro comum, fruto da ignorância, imperícia ou conveniência. Ao cometer um ato falho, ninguém pode dizer "Eu não sabia" nem é possível renegá-lo: cai-se o véu, desvela-se algo oculto.

Os atos falhos são também conhecidos como lapsos (do latim, lapsus = escorregar, escapar) , aparecendo em compostos:
  • lapsus linguae = erro acidental ao falar, que altera o sentido que se pretendia dar à frase e que é interpretado (por influência da psicanálise) como expressão de pensamentos reprimidos;
  • lapsus calami = erro acidental ao escrever (do latim, calamus = caneta, pena com que se escreve);
  • lapsus memoriae = falta de lembrança; recordação defeituosa ou inexata.
A descoberta freudiana do significado dos atos falhos é tão importante quanto sua teoria acerca da Interpretação dos Sonhos.

Elementos dos sonhos e das parapraxias são indicadores de que existem conteúdos inconscientes, reprimidos, que
saltam à luz por uma falha nas defesas do sujeito. Portanto, são um caminho privilegiado para o entendimento da vida psíquica normal, assim como as descobertas anteriores permitiram a Freud teorizar sobre as neuroses.

Psicopatolgia da vida cotidiana foi muito valorizado pelo criador da Psicanálise pois, segundo ele, "seria imune a objeções, já que os atos falhos eram fenômenos experimentados por qualquer pessoa normal".

O artigo é muito interessante, tem uma linguagem clara e acessível, ilustrada com uma série infindável de exemplos. Há o orador que, ao abrir uma sessão solene, diz: "Tenho muito prazer em
encerrar esta sessão!", deixando evidente seus desprazer em estar ali.

A tese central de Freud é que os atos falhos, incluindo-se os lapsus linguae, são determinados por elementos que o sujeito não pretendia enunciar e seu significado oculto só aparece justamente na hora em que escapa ao controle da repressão. Assim, no velório, o cunhado diz para a viúva: "Meus parabéns", ao invés de dizer: "Meus pêsames". São eventos tão comuns e óbvios, por isso Freud os inclui como exemplos da psicopatologia da vida cotidiana.

O enunciante é surpreendido pelo que acaba de falar. Pode até ocorrer que ele não perceba, mas o interlocutor não deixará passar em branco. Pode provocar risos ou desconcerto, dependendo do conteúdo
revelado.

O conceito de ato falho já caiu no domínio do senso comum. Tanto assim que o próprio Presidente Lula, se interpretou, ontem pela manhã, durante entrevista, conforme divulgado na TV e
jornais:

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje de manhã, em entrevista coletiva a nove emissoras de rádio, que irá "sim disputar as eleições" em 2006. Depois, corrigiu a informação, negou que já tenha se decidido pela reeleição, e disse ter cometido "um lapso". "Na verdade, a intenção era dizer se eu for para a disputa", esclareceu. Ele assegurou que não tem pressa de decidir sobre a reeleição."

Ao negar o que dissera, provoca apenas riso e descrença. Insiste: "na verdade, a intenção era...". Mas se ele mesmo reconhece um lapso, então deve saber que o dito escapou, era algo reprimido, mas escapou! Ou seja, quando diz sim, querendo dizer não, o que vale é o sim! Vale o dito.

Belo Horizonte's sunset

Sunset 
Foto obtida hoje, 21.fev.2010. Photo by Clcosta.

17 fevereiro, 2010

Dois lobos?

Certo noite, um velho índio Cherokee falou a seu neto a respeito da batalha que se trava dentro de todas as pessoas.
Ele disse:
- Meu neto, existe uma batalha dentro de todos nós.
Um é mau: é a raiva, inveja, ciúme, tristeza, arrependimento, a cobiça,
arrogância, auto-piedade, culpa, ressentimento, inferioridade, mentiras, falsas
orgulho, superioridade e pura racionalidade.

O outro é bom: é alegria, paz, amor, esperança, serenidade, humildade,
bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e
fé.

O neto pensou naquilo por alguns minutos e perguntou ao seu
avô:
- Qual lobo vence?

O velho Cherokee simplesmente respondeu:
- O que você alimenta.

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Recebi e repasso.

Sistema de comentários

Este blog sempre esteve aberto a comentários. Afinal, uma das características desta ferramenta é a interação com os possíveis leitores.
Até ontem, funcionava o Haloscan, que interrompeu o sistema gratuito e está oferecendo a continuidade do serviço por alguns dólares anuais.
Por ora, vou tentar a própria configuração do Blogger. Até agora não consegui.
Se alguém quiser deixar seu comentário, pode enviar email para:
clcosta@ipvip.com.br
Um abraço, Cláudio.

16 fevereiro, 2010

Last chance Harvey (minha 'fuga' no Carnaval)

Já sabia que "Last chance Harvey" (Tinha que ser você) era um drama romântico um tanto leve, quase água-com-açucar. Mas é difícil resistir à chance de ver Dustin Hoffman e Emma Thompson juntos.

O filme se desenvolve em mix de tristeza, ansiedade, esperança, humor e comédia de costumes, numa Londres ensolarada de verão. É a história de duas pessoas maduras, cada qual em sua solidão, que resistem a correr os riscos da entrega amorosa, após sofrerem decepções. Mas, como sempre (?), sempre há uma chance, a última, ou não seria um filme hollywoodiano.
Joel Hopkins, diretor ainda novo e de curta filmografia, dirige com competência e foi feliz na escolha dos atores (afinal, ambos já são laureados em Hollywood) e parecem se divertir.

É um filme previsível, nada ambicioso, simples e se utiliza de certos clichés. Mas não há carnaval no filme e no conforto do sofá, pipoca estourando no micro-ondas, guaraná antárctica geladinho e boa companhia, foi mais uma boa 'fuga'.

15 fevereiro, 2010

Praça JK (minha 'fuga' no Carnaval)

 

Manhã de sol, brisa do mar... epa! BH não tem mar, não! Mas a brisa suavizava o calor da manhã e caminhar na Praça JK foi o programa ideal. Poucas pessoas, pistas livres, mp3 nos ouvidos... cada volta são 750m, marcados no chão pra ninguém me desmentir.
Se disser que dei muitas voltas, dirão que exagero. Se confessar que completei três em 30min dirão que sou lerdo.
Fazer o quê?
Vou ali tomar uma água de côco que ninguém é de ferro.
Ah! que a brisa era do mar, lá isso era!

14 fevereiro, 2010

Inhotim (minha 'fuga' no Carnaval)

Este domingo foi em Inhotim: Centro de Artes Contemporâneas de Inhotim.
Conhecemos o C.A.C.I. em 2006 ( fiz um post sobre nosso deslumbramento) e desde então voltamos lá periodicamente).


Hoje foi especial, pois tivemos a companhia do filho Ângelo e da norinha Renata, além de nos encontrarmos, lá, com alguns amigos e amigas.
Isso é que é Carnaval. O resto é baticum...
HomePage oficial.

13 fevereiro, 2010

Avatar (minha 'fuga' no Carnaval)

Agora que a onda passou, fomos (Amélia, eu, o filho Ângelo e a nora Renata) assistir Avatar, mega sucesso do momento (blockbuster, como dizem lá no Império.
Existem mil resenhas do filme, comentários pró e contra, críticas enfocando o aspecto técnicológico e inovador, interpretações várias.
Realmente, a 'experiência' visual 3D é arrebatadora, pois o espectador se vê dentro da ação, com sensações quase físicas de proximidade com objetos e atores. Não é novidade absoluta, pois na década de 50 houve vários lançamentos em 3D, com aqueles óculos ridículos obrigatórios para que o efeito visual se realize.
Assim, recebemos os nossos 'apêndices visuais', que utilizei tranquilamente, sem incômodo, por cima dos habituais.
A história é boa, prende a atenção e se vale de mitos ou arquétipos já visitados nos romances, nas tradições e em outros filmes: uma história de redenção e transformação, luta em defesa da natureza frente ao avanço desenfreado e violento do explorador, etc.
Valeu a ida ao cinema, na tarde tranquila deste sábado de carnaval, sem atropelos, sem baticum, sem pressa, sem engarrafamento, sem...

11 janeiro, 2010

Julie & Julia: o filme


Taí um filme que me deu enorme prazer de ver com belas cenas de época (Paris e USA após o fim da II Guerra - circa 1950).
É divertido, quase sempre ágil, belas recomposições, fazendo uma mistura soft de romance, drama, comédia e biografia.
» Direção: Nora Ephron
» Roteiro: Julie Powell (livro), Alex Prud'homme (livro), Nora Ephron (roteiro), Julia Child (livro)
» Gênero: Biografia/Comédia/Drama/Romance
» Origem: Estados Unidos
» Duração: 123 minutos

Elenco: Amy Adams, Meryl Streep, Jane Lynch, Stanley Tucci, Mary Lynn Rajskub, Vanessa Ferlito, Dave Annable, Chris Messina, Lindsay Felton

Meryl Streep dá um show de interpretação e, histriônica como nunca, domina as cenas em que aparece no papel de Julia Child, que aprecia e aprende culinária francesa. Acaba escrevendo um livro e ensinando receitas francesas às donas de casa americana, pela TV, nos anos 50-60 do século passado.
Julie Powel, jovem americana dos tempos atuais, se identifica com Child e decide fazer todas as 524 receitas em 365 dias, publicando sua epopéia num blog.

Amélia e eu nos divertimos muito, identificamo-nos em alguns episódios, pois muitas vezes nos aventuramos nas artes da culinária, sem pretensões mas com muitos bons resultados. Amélia é mestra em culinária mineira, doces, tortas, muffins, cookies e bem poderia ser protagonista de um filme.
Palavra de marido.

07 janeiro, 2010

Lula: o filme

Assistir ao filme "Lula: o filho do Brasil" foi experiência desafiante para quem busca entretenimento, cultura, 'adrenalina', emoção, curiosidade, conhecimento, surpresas, identificações.
Desta vez, o imperativo da curiosidade foi o motor principal: de alguma forma já conhecia o argumento, as inúmeras e contraditórias críticas, as acusações ("tentativa de criar um mito", "propaganda política"), etc.
- Fui conferir, diria.
A sala do BHShopping não estava lotado, predominavam os jovens na platéia, era o fim-de-tarde de um dia de semana.
Na fileira logo atrás de onde me assentava, três rapazinhos, entre 13 e 15 anos, anunciavam as cenas:
- Agora ele vai prensar o dedo, agora ele vai ser preso, dizia um para os outros, em voz apenas audível para quem estivesse logo ali, de orelha em pé.
O silêncio era total, para minha surpresa, pois as sessões vespertinas com platéia infanto-juvenil costumam ser interativas, com manifestações incômodas e, às vezes, engraçadas.
O filme relata a trajetória de um brasileiro nascido na pobreza extrema, migrante do nordeste para o sul maravilha, muita luta, muito trabalho e, por que não dizer, esperteza suficiente para sobreviver.
O ambiente familiar não poderia ser pior, embora comum: pai alcoolista, violência intrafamiliar, uma fieira de filhos, estratégias de sobrevivência, sonho de vida melhor.
Em Santos-SP, o menino Luíz Inácio aprende a driblar as vicissitudes, vê a mãe abandonar o pai que maltratava a todos e é educado nos bons princípios pela mãe, personagem graúda na história. A figura materna, com efeito, sobressai.
O desafio indicado na primeira linha deste comentário foi, para mim, entrar no clima do filme sem me referir o tempo todo na vida real: aquele ali é o Lula, presidente do Brasil... do qual posso gostar ou não, apoiar ou não, respeitar ou não.
Em certos momentos, sim, consegui, graças ao tratamento romanesco e épico dado pelo diretor Fábio Barreto. Em outros momentos, principalmente nas cenas documentais (inclusive com inserções de reportagens da época), não.
Com certeza, grande parte da mídia afinada com a oposição, que é preponderante e irritantemente preconceituosa em relação ao atual presidente, vai berrar aos quatro cantos que se trata de propaganda política em ano de eleição.
Cada um que vá assistir, não se deixe influenciar por opiniões a favor ou contra, pois essas jamais serão isentas.
Opinar sobre o filme em questão traz o risco de sofremos as pauladas do patrulhamento ideológico, à esquerda e à direita. Fazer o quê?
Quanto a mim, afirmo que gostei do filme, achei um bom espetáculo, entretenimento interessante e plasticamente razoável. Nada que mereça o Oscar, nenhuma maravilha imperdível.
O protagonista é conhecido de todos, influencia a vida de todos nós e, queiramos ou não, tem uma história de vida espetacular. Coisa de filme.

12 dezembro, 2009

Eu é um outro

COMIGO ME DESAVIM

Sá de Miranda


Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo,
Pois que trago a mim comigo
Tamanho imigo de mim?

____________________________
Contemporâneo de Camões (1524?-1580), o poeta Francisco de Sá de Miranda (1481-1558) é, depois do bardo de "Os Lusíadas", o autor português mais lido do século XVI.
"Eu é um outro", como disse Arthur Rimbaud (1854-1891), 300 anos depois. Sá de Miranda já sabia.
O que Freud reafirma, ao dizer: "wo es war, soll ich werden’’, ou seja, lá onde o eu era, o sujeito deve advir.

24 novembro, 2009

O que falar?

Na semana que vem vou fazer uma palestra para aluno(a)s de um colégio (entre 14 e 18 anos) sobre transtornos alimentares: Anorexia e Bulimia, Vigorexia e temas afins.
Solicito aos meus parcos, porém valiosos, leitores que compartilhem aqui na caixa de comentários sua experiência/vivência com essas questões.

31 outubro, 2009

Surubim, shyraz-malbec, sorvete e amizade

A manhã passa devagar, já sem a chuvarada dos dias anteriores. Reza a tradição (ou não reza, o que dá na mesma) que hoje vou fazer uma moqueca de surubim.
O peixe acaba de chegar do Rio São Francisco. Não é daqueles de viveiro, cevado a ração e hormônio. Se disser que respira pelas guelras ainda trêmulas seria meia verdade.
Tomei sete postas bem cortadas, salguei-as com alho e sal dissolvidos em suco de meio limão. Deixei-as a repousar, respeitosamente.
Piquei em pequeninos pedaços oito tomates bem maduros e duas cebolas médias, que pus a dourar em óleo bem quente.
Colorau dá um tom único, enquanto a fome vigia o cozimento. Adicionei um pouco de tempero e os tomates.
Escuto a conversa do Ângelo ao telefone com Tiago Prata, amigo-irmão-camarada, entre tantos que nos brindam com sua amizade. O convite para 'comer um peixinho' brotou natural, enquanto o ambiente rescendia aroma do refogado.
'Já está na hora de colocar o peixe'. Foi pensar e agir, mergulhando as postas no molho que ferventava. Acrescentei generosa porção de azeite de dendê e não economizei no leite de côco. As ervas ali estavam: tomilho (uma pitadinha), orégano (toque italiano). Finalizando tudo, molho de pimenta lá de Trancoso, presente do Leo que sugere brisa, areia, água do mar e de rio, baianidade irresistível.

Moqueca de surubim by clcosta
Convivas à mesa, chegou a hora do brinde entre amigos:
Tiago Prata & Ângelo Costa

A conversa foi de recordações e atualizações, pois a distância e o tempo separaram-nos por longos seis meses. Novos desafios se descortinam e os projetos de cada um avançam celeremente para a plena concretização. O vinho é boa companhia para esses momentos, como nos confirmou o blend shyraz-malbec, invenção argentina.

Por sua vez, Amélia já idealizara a sobremesa e brindou-nos com a delícia do dia:

Purê de maçã com sorvete de passas ao rum e ganache de chocolate

12 outubro, 2009

Pièrre Barouh em BH

Iniciou-se, neste longo fim-de-semana, a Festa da Música, aqui em BH.
Ontem à noite, fui assistir o baixista Rômulo Marques e o cantor francês Pièrre Barouh. Marques é mineiro, radicado no França há anos e formou uma banda especial para os shows daqui, formando com Chico Amaral (sax e flauta transversa), Beto Lopes (guitarra e violão), além de bateria e piano.
Pièrre Barouh tornou-se famoso no final dos anos 60, quando participou do filme "Um homem, uma mulher", de Claude Lelouch.
O romance entre Anouk Aimée and Jean-Louis Trintignant arrebatou corações, o filme foi um sucesso, ganhou o Oscar e a Palma de Ouro em Cannes e se chamou a atenção para a produção musical brasileira, especialmente por causa do "Samba da Bênção", cantado por Pièrre Barouh, com o nome de Saravah.
Aos 74 anos, o então charmoso ator Pièrre Barouh enfrentou a platéia belorizontina, cantou sucessos antigos e, claro, empolgou a todos com o "Saravah".
Muito espontâneo, desceu do palco, circulou entre o povo, ganhou aplausos e distribuiu simpatia. Os mais jovens, claro, se admiraram com muitos cinquentões e sessentões na platéia que acompanharam o galã de tanto tempo atrás, ainda charmoso com sua cabeleira branca, sorridente e informal.
Pièrre Barouh cumprimenta a platéia na Praça do Papa, em BH - Foto by Cláudio Costa.



Talvez a grande contribuição de Pièrre Barouh tenha sido a 'descoberta' da música brasileira, registrada no documentário maravilhoso que fez, em 1969. Aparece até o Pixiguinha.



Trecho do documentário Saravah:

10 outubro, 2009

Eu sou Galo, ela é Cruzeiro

Foi na estrada, hoje, que pela vez primeira escutei a música "Galo e Cruzeiro", do Vander Lee. Amélia e eu adoramos a música e nos divertimos com a letra, pois eu sou mesmo Galo e ela é Cruzeiro.
Taí uma contribuição nossa para a paz no mundo: formamos um time vencedor e no coração dela sou artilheiro (e ai dela se me desmentir!).
Na casa de meus pais ocorre exatamente o inverso: ele é cruzeirense, minha mãe é atleticana, o que lhes possibilitou chegar às Bodas de Diamante: 60 anos de casados!

Sei de muitos outros casos assim, que confirmei pessoalmente em minhas passagens por Porto Alegre:
Se o MiltonRibeiro é Internacional, Mme. Antonini é Grêmio.
Já o DomAfonsoChato é Grêmio e tem a Kaia colorada.
Será válida uma tal lei da Física que fala da atração dos contrários?

Mas deixemos de bla-bla-bla e vamos ao vídeo (acompanhe a letra):





Galo e Cruzeiro
Vander Lee
Composição: Vander Lee

Minha Preta não fala comigo
desde primeiro de janeiro
Ela me deu a mala eu fui dormir na sala,
fiquei sem dinheiro
Não tem mais feijoada, nem vaca atolada,
rabada ou tropeiro
Já fez greve de cama diz que não me ama,
quebrou meu pandeiro

Na hora do cruzamento, ela deu impedimento
ou falta no goleiro
Pra aumentar meu tormento, meu irmão,
eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Com o gol anulado, saí do gramado,
voltei pro chuveiro
Isso tudo porque, meu irmão,
eu sou Galo e ela é Cruzeiro

Caí de centro-avante, pra médio-volante,
agora sou zagueiro
No último domingo ela foi jogar bingo
e eu fiquei de copeiro
Ela fala, eu me calo, ela canta de galo
lá no meu terreiro
Ela apita esse jogo, ela é quem bota fogo
no nosso palheiro

Ela finge que não, mas no seu coração
ainda sou artilheiro
Só faz isso porque, meu irmão,
eu sou Galo e ela é Cruzeiro
Ela finge que não, mas no seu coração
ainda sou artilheiro
Só faz isso porque, meu irmão,
eu sou Galo e ela é Cruzeiro

07 outubro, 2009

TDAH em adultos - Entrevista na Globominas



Esta foi minha entrevista de hoje na Globominas, programa Bom Dia Minas.
O tema é vasto e rezei para que N.Senhora dos Bons Resumos e Protetora dos Sintéticos me ajudasse a não me dispersar, não desperdiçar o tempo e transmitir o principal.
Não foi fácil.
Acrescentaria uma informação sobre o "por quê de o TDAH afetar o dobro de crianças em relação a adultos": o processo de desenvolvimento neurológico está ainda incompleto e o lobo frontal/pré-frontal (ao qual compete programar, estabelecer metas e definir ações) está imaturo, o que leva a maior grau de desorganização, desatenção e impulsividade.
Enquanto falava sobre novas exigências sobre a criança no início da fase escolar, pensava na informação do parágrafo anterior. Mas o tempo corria e outra pergunta foi feita... Acontece.

06 outubro, 2009

Rio Caraça

Foto by Cláudio Costa na Serra do Caraça-MG
próximo à nascente do Rio Caraça

O
rio
nasce
e corre
manso escorre
no fundo do vale
e aos poucos se espalha
às vezes
des
pen
ca
do alto das pedras
trocando o susurro
por graves rugidos
e serpenteia
e se enrosca
parece parar
no entanto
deságua
um dia
no
mar

27 setembro, 2009

Porta & Janela


Se a janela
ao longe enxerga
a porta
desconfia

Se a janela
se abre ao horizonte
a porta
se entreabre

Porta e janela
- como os olhos -
são a alma
das casas?

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Fotos by Cláudio Costa

15 setembro, 2009

Não é suiço mas resolve!

Não é suiço mas resolve!
Não é suiço mas resolve!, upload feito originalmente por ClaudioCosta.


Como ler na sala
se a lâmpada queimou?
Quero secar a pia,
a torneira fungou.

A porta travou
A gaveta enquiçou
o puxador se soltou.
E agora, José?


É o inferno astral
do meu apê:
até a geladeira queimou.
O móvel encomendado
a tokstok atrasou.
E agora, José?


A tomada fez curto
o fio torrou
e o ferro esfriou.

São 12 trabalhos,
pra quem não é Hércules.
E sem ferramenta
como fazer?

Corri logo ali,
e veja o que vi:
é chave, é tesoura,
serrote, faquinha,
até chave inglesa
de bico potente.
Pequena e forte
usei pra valer.


E agora, José?
- Agora tá tudo nos trinques, brilhando, uai!


13 setembro, 2009

Minha BeautyFlex


A japonesa Beautiflex
Ela me acompanhou por anos, registrou ótimos momentos, fez-me rir das poses desajeitadas e emocionou-me com imagens significativas. É imponente, pesada, elegante em sua solidez, requer ajustes de foco, cuidado no tempo de exposição, abertura de diafragma, etc.
Há muito tempo repousava num fundo de armário, coitada, substituída que fora por outras e mais outras:
Olympus Trip - Yashica - AW818

Essas "maquininhas" aí de cima tiveram seus momentos de glória, compartilharam viagens e festas, apesar de limitadas. Carregava-as a tiracolo pensando em outras melhores, admirando os profissionais que desfilavam suas Cannon equipadas com lentes grande-oculares e tele-objetivas. O que não diminuía minha excitação ao admirar as fotografias tão logo recebidas do laboratório. Cada uma trazia surpresas ou decepções (luz ruim, falta de foco, cores pálidas, cabeças cortadas). Ao final, muito mais alegrias que ficaram guardadas em álbuns ou caixinhas de papelão.
As visitas eram convidadas a passar de mão em mão as fotos obtidas em Recife, Porto Alegre, Serra do Caraça, aniversário dos meninos.
-Gostou? Então lhe envio uma cópia, pelos correios.
Tudo calmo, experenciado, manuseado. Se necessário, mandava-se retocar os negativos, a lápis. Depois era o tempo de espera, alguns dias, visitar a loja e pegar as fotos. Será que o tempo andava mais devagar?

Fujifilm FinePix A101 - 1.3MegaPixels

Quando a Fuji chegou, ainda mantive o hábito de utilizar simultaneamente a Olympus e a nova digital. Era difícil resistir ao ritual de comprar o filme, colocá-lo na câmera, regular distância, bater uma, duas, três poses de cada cena para "ver qual ficaria melhor".
Entretanto, a praticidade das câmeras digitais, o resultado conferido ali mesmo no visor de LCD, os comentários imediatos, a possibilidade de enviar por email... resistir, quem há-de?
A Fuji agora está com meu filho Ângelo, antes que compre outra, em busca de mais pixels, mais nitidez, melhores resultados.
- C'est la vie... filosofou em francês o senso comum.

Sony Cyber-shot N1 - 8.1MP

Há quase três anos impera aqui a Sony N1, com poderosos 8.1 MegaPixels que nunca utilizei (ainda não houve necessidade), lentes Carl Zeiss, touch-screen, recursos multimídia, etc. Já está velha? É o que decretam os marketeiros, a roda tecnológica, o desejo de mais e mais, o tal do progresso.
Mas, por ora, meus dois amores ainda são esta nova-velha Sony e a robusta Beautyflex.

07 setembro, 2009

Mamão grávido

Mamão grávido
Foto by Cláudio Costa

Desde criança tenho a capacidade de me surpreender com as pequenas "coisas" da natureza, desde o imprevisto reflexo no espelho de uma poça d'água até às nuances da luz que incide sobre as montanhas, ao por-do-sol.
Lembro-me bem da alegria que era achar uma "banana gêmea" ou aquela laranjinha na laranja bahia. Coisas bobas, bobíssimas, mas que retornaram hoje ao me deparar com um mamãozinho dentro do mamão papaia. O café-da-manhã teve um sabor a mais, uma emoção tão inútil quanto desimportante, que me impeliu a correr para buscar a câmera e fotografar.
Amélia recordou as proibições da avó, que dizia ser perigoso comer bananas gêmeas porque eram 'alterações' da natureza! "-Quem disse que não comia? Era uma delícia!", sorriu Amélia ao contar as preocupações da Dona Rosinha, nascida em 1895.
O prosaico do feriado seria colorido pela surpresa do mamão grávido.

03 setembro, 2009

Serra do Rola Moça


3abr05SerraRolaMoça7, upload feito originalmente por ClaudioCosta.

A serra do rola-moça

Mário de Andrade




A Serra do Rola-Moça
Não tinha esse nome não...


Eles eram do outro lado,
vieram na vila casar.
E atravessaram a serra,
o noivo com a noiva dele
cada qual no seu cavalo.


Antes que chegasse a noite
se lembraram de voltar.
Disseram adeus pra todos
e se puserem de novo
pelos atalhos da serra
cada qual no seu cavalo.


Os dois estavam felizes,
na altura tudo era paz.
Pelos caminhos estreitos
ele na frente, ela atrás.
E riam. Como eles riam!
Riam até sem razão.


A Serra do Rola-Moça
não tinha esse nome não.


As tribos rubras da tarde
rapidamente fugiam
e apressadas se escondiam
lá embaixo nos socavões...


Temendo a noite que vinha.
Porém os dois continuavam
cada qual no seu cavalo,
e riam. Como eles riam!


E os risos também casavam
com as risadas dos cascalhos,
que pulando levianinhos
Da vereda se soltavam,
Buscando o despenhadeiro.


Ali, Fortuna inviolável!
O casco pisara em falso.
Dão noiva e cavalo um salto
precipitados no abismo.
Nem o baque se escutou.


Faz um silêncio de morte,
na altura tudo era paz ...


Chicoteado o seu cavalo,
no vão do despenhadeiro
o noivo se despenhou.


E a Serra do Rola-Moça
Rola-Moça se chamou.

02 setembro, 2009

Chaminés


Chaminés no Itaú Power Shopping, upload feito originalmente por ClaudioCosta.

As chaminés foram as únicas estruturas que sobraram da antiga fábrica de cimento Itaú, em Contagem-MG, região metropolitana de Belo Horizonte. Hoje, ali estão três mega construções: O Leroy Merlin - casa e construção; o Sam's Club - hipermercado de atacado e o Itaú Power Shopping. Diz a lenda que compõem o maior centro de compras da América Latina. Será?

31 agosto, 2009

A maior feira

Domingo é dia de feira "hippie", um programa cheio de surpresas, onde se pode encontrar tesouros entre quinquilharias. Passeio obrigatório para quem vem de longe...

04 agosto, 2009

Imitação de Cristo

O velho padre, durante anos, tinha trabalhado fielmente.
Doente e moribundo, é notícia da hora em sua cidade, Brasília.
Já nos últimos suspiros, ele faz um sinal à enfermeira.
- Sim, Padre?
- Eu queria ver dois proeminentes políticos antes de morrer, Renan
Calheiros e Sarney, sussurrou.
- Sim, Padre, verei o que posso fazer.
De imediato, ela entra em contato com sua direção e esta com Congresso Nacional.
Para fazer um Ibope com o bom padre e melhorar a imagem surrada, os políticos logo aceitam fazer a visitinha, mas rápida né.
Quando chegaram ao quarto, com toda a imprensa presente, o velho padre, nas últimas, pegou um em cada mão.
Houve um grande silêncio e notou-se um ar de pureza e serenidade no semblante do padre.
Renan então disse:
- Padre, porque é que fomos nós os escolhidos, entre tantas pessoas para estar ao seu lado?
O velho Padre, lentamente, disse:
-Sempre, em toda a minha vida, procurei ter como modelo o Nosso Senhor Jesus Cristo.
-Amém, disse Sarney.
-Amém, disse Renan Calheiros.
E o Padre concluiu:
-Então... como Ele morreu entre dois ladrões vigaristas, eu quero fazer o mesmo.

02 agosto, 2009

Paraty-RJ

Pequena lembrança da viagem a Paraty-RJ: Rodovia Rio-Santos (BR 101) pela orla da Baía de Ilha Grande (Angra dos Reis e Paraty), usina nuclear, casario colonial, pousada, etc.
Parati que, na língua tupi, significa "peixe de rio" ou "viveiro de peixes", era o nome que os índios guaianás davam ao local onde hoje fica a cidade. Originalmente, o nome era escrito com dois "i": Paratii. Posteriormente, já no século XVIII, o nome passou a ser escrito como Paraty, com "y". Esta grafia foi mantida até 1943, quando a Convenção Ortográfica Brasil-Portugal suprimiu o Y do alfabeto português. Desde então, escreve-se Parati. (Fonte: Portal Brasileiro de Turismo).

Fotos: Cláudio Costa
Música: Hora Staccato (Grigoras Dinicu)
Executada por: Isao Tomita (música eletrônica)

25 julho, 2009

Da gripe que está aí: mitos e verdades

43 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A GRIPE SUÍNA

1.-Quanto tempo dura vivo o vírus suíno numa maçaneta ou superfície lisa?

Até 10 horas.


2. - Quão útil é o álcool em gel para limpar-se as mãos?
Torna o vírus inativo e o mata.


3.-Qual é a forma de contágio mais eficiente deste vírus?

A via aérea não é a mais efetiva para a transmissão do vírus, o fator mais
importante para que se instale o vírus é a umidade, (mucosa do nariz, boca e
olhos) o vírus não voa e não alcança mais de um metro de distancia.


4.-É fácil contagiar-se em aviões?

Não, é um meio pouco propício para ser contagiado.
Nota: no avião talvez não, mas aeroportos são lugares públicos... Carregue a garrafinha de gel... avemaria!


5.-Como posso evitar contagiar-me?

Não passar as mãos no rosto, olhos, nariz e boca. Não estar com gente
doente. Lavar as mãos mais de 10 vezes por dia.

6.-Qual é o período de incubação do vírus?
Em média de 5 a 7 dias e os sintomas aparecem quase imediatamente.

7.-Quando se deve começar a tomar o remédio?

Dentro das 72 horas os prognósticos são muito bons, a melhora é de 100%


8.-De que forma o vírus entra no corpo?

Por contato ao dar a mão ou beijar-se no rosto e pelo nariz, boca e olhos.

9.-O vírus é mortal?

Não, o que ocasiona a morte é a complicação da doença causada pelo vírus,
que é a pneumonia.


10.-

Que riscos têm os familiares de pessoas que faleceram?

Podem ser portadores e formar uma rede de transmissão.


11.-A água de tanques ou caixas de água transmite o vírus?

Não porque contém químicos e está clorada


12.-O que faz o vírus quando provoca a morte?

Uma série de reações como deficiência respiratória, a pneumonia severa é o
que ocasiona a morte.


13.-Quando se inicia o contagio, antes dos sintomas ou até que se apresentem?

Desde que se tem o vírus, antes dos sintomas..


14.-Qual é a probabilidade de recair com a mesma doença?

De 0%, porque fica-se imune ao vírus suíno..


15.-Onde encontra-se o vírus no ambiente?

Quando uma pessoa portadora espirra ou tosse, o virus pode ficar nas
superfícies lisas como maçanetas, dinheiro, papel, documentos, sempre que
houver umidade. Já que não será esterilizado o ambiente se recomenda
extremar a higiene das mãos.

17.-O vírus ataca mais às pessoas asmáticas?

Sim, são pacientes mais suscetíveis, mas ao tratar-se de um novo germe
todos somos igualmente suscetíveis.

18.-Qual é a população que está atacando este vírus?

De 20 a 50 anos de idade.


19.-É útil a máscara para cobrir a boca?

Existem alguns de maior qualidade que outros, mas se você não está doente é
pior, porque os vírus pelo seu tamanho o atravessam como se este não
existisse e ao usar a máscara, cria-se na zona entre o nariz e a boca um
microclima úmido próprio ao desenvolvimento viral: mas se você já está
infectado use-o para não infectar aos demais, apesar de que é relativamente
eficaz.


20.-Posso fazer exercício ao ar livre?

Sim, o vírus não anda no ar nem tem asas.


21.-Serve para algo tomar Vitamina C?

Não serve para nada para prevenir o contagio deste vírus, mas ajuda a
resistir seu ataque.

22.-

Quem está a salvo desta doença ou quem é menos suscetível?

A salvo não esta ninguém, o que ajuda é a higiene dentro de lar,
escritórios, utensílios e não ir a lugares públicos.


23.-O virus se move?

Não, o vírus não tem nem patas nem asas, a pessoa é quem o coloca dentro do
organismo.


24.-Os mascotes contagiam o vírus?

Este vírus não, provavelmente contagiem outro tipo de vírus.


25.-

Se vou ao velório de alguém que morreu desse vírus posso me contagiar?

Não.

26.-Qual é o risco das mulheres grávidas com este vírus?

As mulheres grávidas têm o mesmo risco mas por dois, podem tomar os
antivirais mas em caso de de contagio e com estrito controle médico.


27.-O feto pode ter lesões se uma mulher grávida se contagia com este vírus?

Não sabemos que estragos possa fazer no processo, já que é um vírus novo.


28.-Posso tomar acido acetilsalicílico (aspirina)?

Não é recomendável, pode ocasionar outras doenças, a menos que você tenha
prescrição por problemas coronários, nesse caso siga tomado.

29.-Serve para algo tomar antivirales antes dos síntomas?

Não serve para nada.


30.-As pessoas com AIDS, diabetes, câncer, etc., podem ter maiores complicações
que uma pessoa sadia se contagiam com o vírus?

SIM.

31.-

Uma gripe convencional forte pode se converter em influenza?

NAO.


32.-O que mata o vírus?

O sol, mais de 5 dias no meio ambiente, o sabão, os antivirais, álcool em
gel.

33.- O que fazem nos hospitais para evitar contágios a outros doentes que não
têm o vírus?

O isolamento.

34.-O álcool em gel é efetivo?

SIM, muito efetivo.

35.-Se estou vacinado contra a influenza estacional sou inócuo a este vírus?

Não serve para nada, ainda não existe vacina para este vírus.

36.-Este vírus está sob controle?

Não totalmente, mas estão tomando medidas agressivas de contenção.


37.-O que significa passar de alerta 4 a alerta 5?

A fase 4 não faz as coisas diferentes da fase 5, significa que o vírus se
propagou de Pessoa a Pessoa em mais de 2 países; e fase 6 é que se propagou
em mais de 3 países.


38.-Aquele que se infectou deste vírus e se curou, fica imune?

SIM.


39.-As crianças com tosse e gripe têm influenza?

É pouco provável, pois as crianças são pouco afetadas. (Nota minha: a primeira vítima nos USA foi uma criança...)


40.-Medidas que as pessoas que trabalham devam tomar?

Lavar-se as mãos muitas vezes ao dia.


41.-Posso me contagiar ao ar livre?

Se há pessoas infectadas e que tussam e/ou espirrem perto pode acontecer,
mas a via aérea é um meio de pouco contágio.

42.-Pode-se comer carne de porco?
SIM pode e não há nenhum risco de contágio.

43.-Qual é o fator determinante para saber que o vírus já está controlado?

Ainda que se controle a epidemia agora, no inverno boreal (hemisfério
norte) pode voltar e ainda não haverá uma vacina.

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(Além de tudo que devemos fazer, é preciso saber: informação é fundamental. O que pode ser conhecido para você, será novidade valiosa para alguém. )

Da gripe que está aí

Algumas notícias sobre a tal "gripe suína":

1. o controle da doença está precário, apesar de o governo dizer o contrário;

2. quando se contabilizam apenas os mortos e se limita o exame específico, não se pode confiar em estatísticas oficiais;

3. o governo está aconselhando a população a não procurar o serviço público se os sintomas não estiverem graves... quando for assim, a vaca já foi pro brejo;

4. o atraso na produção de vacina + aumento da velocidade de transmissão = mais e mais mortes;

5. tempo seco e frio aumentam as chances de contaminação.

6. para dificultar pegar o virus: evite lugares cheios de gente, aglomerações, contato com pessoas gripadas, uso de transporte coletivo. Lave as mãos, muitas vezes mesmo!

7. quanto mais gente contaminada maior a virulência!

(Divulguei porque acho que é questão de saúde pública, o bicho tá pegando e tem gente acreditando nas estatísticas oficiais).

20 julho, 2009

Do amor

"A M A R É . . ."

Tenho visitado inúmeros blogs, com os quais aprendo, divirto-me, irrito-me, espanto-me, rio, me identifico, surpreendo-me. Ou seja: esse mundo virtual é o espelho do mundo real, onde as vicissitudes do dia-a-dia se traduzem e se metaforizam de forma multifacetada, instantaneamente.

Alguns blogs chamam a atenção pelo conteúdo lamentoso em função das frustrações amorosas vivenciadas por quem os escreve: tal como um muro das lamentações, os diários virtuais, trazem à tona a carência maior do ser humano: o desejo de ser amado incondicionalmente! Oh! missão impossível!

Comecemos pelo princípio: ao nascer, o filhote do homem é totalmente dependente, frágil, incapaz de se manter. Graças aos cuidados maternos (ou de quem se assume como cuidador), sobrevive-se. Uma relação imediata se configura: necessitado + cuidador. Ou seja: no início da vida, somos "seres da necessidade". Até aí, funcionamos como todo ser vivo, animais: a mãe/cuidador se apresenta indispensável até que, pelo próprio desenvolvimento do bebê e pelas outras atribuições do adulto, ela (mãe) se afasta lentamente... já consegue se atrasar para acudir as necessidades do recém-nascido que, por seu lado, começa a antecipar os indícios de que será atendido: o ruído de passos, a voz, o barulhinho da colher mexendo o mingau, etc. Um hiato (uma fenda, um vazio) se interpõe na díade mãe-filho, propiciando ao bebê uma experiência fundamental: clamar pelo que precisa!

O chôro, o grito, a agitação de braços e pernas, tudo passa a se configurar como linguagem que é interpretada e verbalizada pela mãe: neném tá com frio, neném tá com dor-de-ouvido, neném tá com fome!

A evocação da figura ausente e dos objetos de satisfação instauram os princípios da linguagem simbólica (símbolo = representação da "coisa", sem a "coisa"). Nasce o "desejo"!

O que, pois, inaugura a linguagem é a "falta", a "perda do objeto" de necessidade e sua substituição pelo "objeto do desejo". Muito além das funções de sobrevivência (objetos de necessidade) clamamos por uma atenção colorida de afeto. Fornecer comida, apenas, não basta, é preciso que o ato de alimentar seja atencioso, cuidadoso, amoroso! "Com açucar e com afeto", na canção do Chico Buarque.

Se, antes, a mãe era identificada ao objeto necessário aos instintos básicos (sobrevivência, alimentação, proteção contra frio, etc), agora passa a ser a benfeitora que propicia a satisfação. É quem garante a vida e o prazer (éros/libido), constituindo-se como primeiro objeto erótico/libidinal da criança. Nasce o AMOR, expressão de reciprocidade gratificante entre mãe e criança (ainda sem romantismo, invenção tardia na história da humanidade).

A experiência fundadora do amor se expande vida afora, com a saudável substituição da mãe como objeto único de amor por outros objetos a serem conquistados - um ser a quem amamos e que nos ame (resolução do "complexo de Édipo").
Entretanto, uma ILUSÃO pode permanecer: a de que haverá alguém que nos garanta a satisfação plena, o afeto total, o amor incondicional! Inconscientemente, queremos repetir o idílio da primeira infância, quando nenhum esforço tínhamos que fazer: bastava desejar e... pronto! Satisfação garantida!

Muito mais tarde vamos aprender que "o amor é conquistado": temos de perguntar sempre ao outro: "o que queres de mim"? Só assim seremos amados. Enganam-se aqueles que se julgam dignos do amor, sem nada oferecerem.

O jogo é complexo e interminável: de um lado, projetamos no outro as qualidades que o tornam digno de nosso afeto. O outro, por sua vez, tudo faz para corresponder e, às vezes, se julga realmente portador de todas aquelas qualidades. E vice-versa!
Sobre isso, Jaques Lacan retoma uma frase platônica: "Amar é dar o que não se tem a quem não sabe o que quer"... Decifre-a quem puder.

O Amor, assim, é indefinível por natureza, incomensurável (nada matemático), inconsistente, sem garantia de retorno, absolutamente assimétrico - já que cada um tem seu inconsciente e seu imaginário forjados na mais tenra idade, com experiências tão singulares quanto incomunicáveis! Só mesmo os poetas para darem conta de falar do Amor: O amor é mesmo "fogo que arde sem se ver..." (Camões); é "...ânimo dos desmaiados, arrimo dos que vão a cair, braço dos caídos, báculo e consolação de todos os desditosos" (Cervantes); "Ninguém é pobre quando ama". (Camilo Castelo Branco). "Há amores sem felicidade, mas nunca felicidade sem amor" (Jacques Lelouch) e "ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor... nada disso me aproveitaria" (S.Paulo).
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Republicado.