Com vocês, myself!!!
Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
22 julho, 2006
Meu primeiro 'concerto' - sem conserto - !
Com vocês, myself!!!
21 julho, 2006
Dois links: um sério, outro só de bobagens
1. É sério:
Sobre as vítimas libanesas – em todas partes, mas muito especialmente em São Paulo – haverá o que dizer, oxalá: são 6 milhões de descendentes no Brasil. Quantos deles estarão em pânico de que um ser amado seja o próximo Basel Irmad Termos? Lembro-me vividamente de muitos deles, quando visitei São Paulo durante a última hecatombe promovida por Israel no Líbano, no começo dos anos 1980. Lembro-me do horror e do medo. (O texto completo você lê no Biscoito, do Idelber. Dá o que pensar.)
[Para comprovar a origem dessa bobagem e ver muitas outras, o link é esse]
20 julho, 2006
The candidate´s head jump day
Pela manhã, escutara o noticiário da TV sobre o assunto: hoje é o World Jump Day (Dia Mundial do Pulo) e, por ironia do destino, no Brasil a única cidade a aderir ao projeto foi Brasília - ou os brasilienses, melhor dizendo.

Pois eu aqui proponho que transformemos o dia das eleições, em outubro, no:
A idéia é dar uns pulinhos sobre a cabeça dos candidatos em busca de reeleição, principalmente nos candidatos envolvidos com mensalão, sanguessugas, corrupção ativa e passiva, gazeta de reuniões no Congresso, viagens cheias de mordomias pelo mundo afora, nepotismo exacerbado, promessas não cumpridas, projetos de lei que favorecem seus apadrinhados, etc.
Seria o Dia do Pisoteio: é claro que falo no sentido metafórico! Não quero ver o sagrado solo de nossa Pátria Mãe Gentil (gentil só para alguns, infelizmente) com o excremento que escorreria das cabeças tão nobres. Nossos pés, sapatos, coturnos e chinelos seria a recusa em votar nos representantes do povo que não honraram a confiança que lhes foi depositada nas últimas eleições.
Quem sabe provocaremos uma mudança de rumo neste nosso país?
15 julho, 2006
São emocões demais
são emocões demais que sinto ao ler suas histórias no Ontem e Hoje.
A precisão com que conta aquelas histórias, papai, deixam transparecer todo seu carinho pelos filhos, pela mamãe, por tudo que já viveu e ainda vive.
Viver em plenitude, eis a maior lição que você nos dá: cada momento da vida, um acontecimento simples do cotidiano, tudo é matéria que se saboreia com prazer. Taí um segredo que não quero esquecer.
Hoje, mais uns causos.
Surpreendo-me sendo personagem.
Parece, realmente, que foi ontem...
São emoções demais.
Obrigado.
13 julho, 2006
Fim das ideologias?
Hoje, para ilustrar a impensável aliança entre Nilmário Miranda(PT) e Newton Cardoso (PMDB), o Estado de Minas publica uma série de frases ditas pelo primeiro a respeito do segundo:
“Não fazemos acordo com a corrupção, com este governador antipopular. O senhor Newton Cardoso deve buscar pactuar com seus semelhantes na corrupção e na violência. Não temos nenhum ponto em comum com este prepotente, com essas dez arrobas de indignidade”
Trecho de discurso publicado no Diário do Legislativo em 24/8/89, na página 54, ao encaminhar pedido de impeachment do então governador Newton Cardoso à presidência da Mesa da Assembléia Legislativa de Minas
“O povo não tolera essa encenação política e quer ver coerência entre a teoria e a prática, entre o discurso e a prática”
Trecho de discurso de 13/7/89, ao pedir a bancada do PT voto a favor do impeachment do então governador Newton Cardoso, publicado no Diário do Legislativo, em 30/7/89, na página 30
“Quando uma pessoa da falta de qualidade como Newton Cardoso diz que vai apoiar alguém, qualquer que seja esse alguém, no caso de um candidato de esquerda, só pode ser para queimá-lo”
Trecho de discurso de 19/10/89, publicado no Diário do Legislativo de 17/11/89, nas páginas 35 e 36
“Em Minas Gerais, está instalada a permissividade. Roubai! Roubai! A corrupção aqui é livre e generosa. Vinde corruptos, que nós os absolveremos. Dá até para engordar porco”
Trecho do discurso de 8/8/89, publicado no Diário do Legislativo, em 13/9/89, nas páginas 40 e 41
É o fim do 'ideário político', das ideologias? O que interessa agora é só o poder? O interesse aplainou todas as legendas?
Para o sociólogo e cientista político Rodrigo Mendes, a aliança entre dois adversários históricos como Newton e Nilmário é um reflexo do distanciamento entre a prática e a ideologia, que se acentuou no mundo inteiro depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, que separava as duas Alemanhas. “As diferenças entre esquerda e direita ficaram pequenas após a queda e a ideologia passou a ter papel secundário. O que interessa são as alianças pragmáticas e não programáticas”. Para ele, o pragmatismo sempre foi a tônica de todos os partidos brasileiros e o único que fugia desse estigma era o PT . Mendes lembra que a primeira aliança em nível nacional feita pelo PT com um partido que não integrava seu tradicional arco de alianças foi em 2002, quando a legenda se coligou com o PL. De lá para cá, na avaliação do cientista, o PT teve um “ganho de pragmatismo” , que se tornou uma novidade dentro da legenda. “O que reforçou mais ainda a idéia de que o PT é um partido como os outros”.
Está correta essa análise do cientista político Rodrigo Mendes?
É o fim do 'ideário político', das ideologias? O que interessa agora é só o poder? O interesse aplainou todas as legendas?
Nilmário Miranda sairá queimado, como afirmou acima, pelo apoio do Newtão?
Acho que queimados estamos todos, calcinados pela descrença e pela indignação.
11 julho, 2006
Recordes
Nunca fui chegado a recordes e sei que muitos deles não servem pra nada, apenas pra entrar no tal livro: existem empresas especializadas nisso, pessoas que fazem questão de inscrever seu nome na história da humanidade cuspindo mais longe do que se pode imaginar.
Destaco aqui alguns, que me fizeram rir, mais do que embasbacar:
- Maior multa por execesso de velocidade: Jussi Salonoja, da Finlândia, foi multado em US$ 223.000 por dirigir a 80km/h numa estrada de Helsinque, agorinha há pouco, em 2004. A lei finlandesa multa os infratores proporcionalmente à sua renda anual e Jussi, herdeiro de um império de salsichas, teve uma renda de US$ 11 milhões! No meu caso, se fosse multado, acho que o Estado é que deveria me pagar, devolver o imposto absurdo que pago pra andar em estradas esburacadas.
- Pessoa que mais sobreviveu a enforcamentos: Joseph Samuel, na Austrália, foi condenado à morte na forca. Primeira tentativa: a corda se rompeu. Segunda: a corda esticou tanto que os pés tocaram no chão. Terceira tentativa: a corda, novamente, se rompeu. Isso me lembra as tentativas de punição dos políticos corruptos e dos colarinhos brancos, aqui no Brasil: o processo anda, anda, anda até parar. No final: impunidade.
- Enforcado mais idoso: Em 1843, no Reino Unido, Allan Mair foi executado por homicídio. Estava tão velho e alquebrado pelos anos que o enforcaram assentado numa cadeira, pois ele era incapaz de ficar em pé! E aqui? Muitos morrem deitados na fila de espera de atendimento. E ninguém vai pro Guiness por causa disso.
- Melhor time do mundo que levou o maior show de bola na Copa: um certo time da América do Sul, com os grandes astros do Futebol, dois deles já eleitos como Melhores do Ano, conseguiram bater vários recordes: maior número de gols em Copa, maior número de jogos pela Seleção, maior número de vezes em que foram para as baladas, maior número de namoradas, noivas e esposas louras e modelos de passarela, melhores contratos com a Nike, Adidas, etc. Pois esse time não jogou nada contra a Franca, deu vexame e saiu pelos fundos quando chegou ao Brasil. Adivinha qual?
10 julho, 2006
Sic transit gloria mundi
- Ronaldo já foi chamado de 'O Fenômeno'. Agora recebe apelidos: Ronalducho, Bola, O Gordo...
- Roberto Carlos (jogador) já foi incensado pela imprensa como o maior lateral do mundo. Agora sai escorraçado, chamado de Roberto Meia.
- Ronaldinho Gaúcho, duas vezes campeão do mundo. Não jogou nada e está sendo apedrejado pela crítica esportiva.
- Cacá entra como o 'salvador da Pátria', a revelação da Copa 2006. Saiu-se mediocramente, é apontado como um dos 'enganos' de Parreira.
- Parreira foi incensado por grande parte da imprensa, principalmente a Globo. É atacado por todos os lados.
- Zidane dá um chapéu em Ronaldo, dispensa a Seleção Brasileira, é cantado em prosa e verso pelos franceses, preparava uma saída triunfal. Sai 'pelos fundos', deixando pra trás a Taça da FIFA World Cup.
08 julho, 2006
Dor do crescimento
A experiência como terapeuta de adolescentes me fornece exemplos preciosos, difíceis de serem narrados com propriedade, pois requereriam contextualizar cada caso. Mas o cinema, algumas vezes, o faz com maestria.
Hoje à tarde, por acaso, sintonizo um dos canais do TeleCine, bem no início de mais um filme:
Um garoto atravessa campos dourados de trigo, em sua bicicleta. Chega a uma casa abandonada e descobre, aterrorizado: uma criança é mantida acorrentada dentro de um buraco. Nas cenas seguintes, o menino percebe que se trata de um sequestro perpetrado pelos adultos do vilarejo, com a participação de seu pai e de sua mãe. A idealização da figura paterna se dissolve aos poucos. Simultaneamente o garoto descobre, em si, medo e coragem.Esse é o argumento do filme "Eu não tenho medo", que recomendo com veemência. É possível que seja encontrado nas locadoras, pois foi lançado em 2002.
Marcelo Moutinho, do site Críticos.com.br é quem diz:
Não consegui desgrudar do sofá.
Ficha técnica:
EU NÃO TENHO MEDO (io non ho paura)
Itália, 2002
Direção: GABRIELE SALVATORES
Roteiro: NICCOLÒ AMMANTI, FRANCESCA MARCIANO
Fotografia: ITALO PETRICCIONE
Música: EZIO BOSSO
Montagem: MASSIMO FIOCCHI
Elenco: GIUSEPPE CRISTIANO, MATTIA DE PIERRO, AITANA SÁNCHEZ-GIJÓN
Duração: 109 min
07 julho, 2006
Em Minas: Samba do Criolo Doido
06 julho, 2006
Bom pras cabecas...
Stop
O sinal está fechado
O trânsito engarrafou
Automóveis buzinam
A poluição irrita os olhos
O céu está nublado
E faz frio
Stress?
...
O rosa do ipê,
e árvores frondosas
colorem o olhar e a alma.
Isso é bom pras cabeças!
04 julho, 2006
Brincar de oposição
Os ataques a Lula (e ao governo) são apenas em caráter pessoal (ele bebe, o governo é corrupto, etc). Nada falam de projetos, programas. Muito menos criticam ações do governo, não mostram clara e didaticamente erros administrativos).
Tudo fica na repetição ad nauseam de que "o PT é igual a todos os partidos - ou seja, igual a eles (oposição) mesmo! Já se sabe que o PSDB não quis queimar o Aécio Neves agora. Mandaram o Alckmin Chuchu pra forca.
Aqui em Minas, Aécio anda de braços dados com grande parcela do PMDB, flerta com o PT, não ataca Lula e já se fala numa chapa "Lulécio" ...
Será que políticos não têm jeito mesmo? Cada um quer "tirar o seu" e o resto que "zidane"?
Ops, falei no diabo!!!
02 julho, 2006
Fantasmagorias
Quem não conhece não sabe o que está perdendo.
Corram para o Ontem e Hoje!
01 julho, 2006
Guloseimas

Mais algumas fotos pro álbum.
Começo com duas guloseimas preparadas para acompanhar o jogo de hoje.
A primeira:
Pão-de-queijo de forminha. Após assado, fica mais ou menos ôco por dentro. Daí, a gente recheia com carne-desfiada-com-alcaparras, lombinho de porco, linguiça, requeijão e, pasmem, queijo catupiry com goiabada cascão mole! É mole???
A segunda, também receita tradicional das terras de Minas, broa-de-fubá.
Além de fubá, leva ainda côco ralado e uns pedacinhos de queijo canastra! Polvilha-se canela com açucar e... sai um cafezinho aí?Tudo isso, mais pipoca, cerveja e um longo etc... Teremos a companhia da filhota Ana com seu Daniel, o mano Clóvis com sua Consola e o filho Ângelo com sua Renata. Ou seja, por falta de torcida e guloseimas a Seleção não volta pra casa hoje. Se voltar... bem, nem é bom pensar!
É servido?
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Em tempo: as fotos foram batidas pela Ana, com a Sony N1.
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Update: não deu! O Brasil agora volta à rotina: temos a campanha eleitoral e as eleições: é hora de mostrar patriotismo de verdade! Vamos vestir verde-amarelo e eleger... eleger.... quem mesmo?
30 junho, 2006
Tudo é futebol. Futebol é produto. Tudo é produto.
Mas acho que há uma supervalorização pela mídia: a cobertura da Globo apela para emoções baratas, entope o telespectador com estatísticas absurdas e desencadeia uma onda de patriotada extemporânea. O povo, lógico, cai na esparrela...
Achei o artigo abaixo, do jornalista Thomaz Wood Jr. , que copiei do site CartaCapital.
idênticas atitudes, unem-se em uma orgia comunal, a celebrar a superioridade da euforia sobre a alegria.
Hoje, uma boa medida de popularidade é o número de citações obtidas no
Google. Tome-se, por exemplo, o termo "football" e retornarão nada menos do que 564 milhões de citações, superando "God" (545 milhões) e "Christ" (apenas 131 milhões). Significativo! Insira-se o nome das celebridades relacionadas ao citado esporte e resultarão cifras igualmente astronômicas.
O inglês Beckham conta com mais de 31 milhões de citações e o brasileiro
Ronaldo chega a quase 24 milhões. Outro inglês, Harry Potter, com 162
milhões de citações, supera-os com folga. Entretanto, é bruxo e pratica
outro esporte. Do outro lado da fama, este pobre escriba não chega a
insignificantes 60 mil citações, o que leva a deduzir que duas chuteiras
valem aproximadamente 500 penas.
Trata-se, sem dúvida, de um fenômeno. O New York Times, há quatro anos, dedicava apenas espaços secundários ao mais globalizado dos esportes.
Hoje, o diário mais lido da internet faz chamadas na primeira página, traz longas matérias e mantém um blog exclusivo. Da pátria mãe do esporte, o semanário The Economist advoga que a Copa do Mundo é o principal evento esportivo do planeta, superando as Olimpíadas. Rationale: a Copa é mais igualitária, mais surpreendente e menos propensa a manipulações por governos e ditadores.
Será?
Aos excêntricos, que teimam em ignorar o fenômeno, restam o isolamento e a perplexidade. É o caso deste escriba, que na vida assistiu a uma única
peleja. Foi no ano de 1998, na terra de Asterix, em uma abertura festiva de Copa do Mundo. No pasto plano à frente perfilaram-se 22 atletas, dos quais 11 representavam Pindorama e 11 outros defendiam a pátria dos saiotes.
Aberta a partida, a curiosidade de marciano não durou mais do que 12
minutos. Então, a vista se perdeu, a atenção se esvaiu. Teria sido diferente com uma partida de críquete ou um torneio de bocha? Provavelmente, não.
Exercitar esqueleto e músculos é uma maneira muito prazerosa e saudável de manter o espírito alerta, a coluna reta, a mente aberta e o coração
tranqüilo. Espiar trotes cansados, alternados com desabaladas correrias e
pontapés, é meramente enfadonho. Não menos bizarro é testemunhar os
malabarismos romanescos de talentosas penas, a acrescentar genialidade e poesia a movimentos incertos e desarmônicos. Nas linhas desses magos, encontros aborrecidos transmutam-se em lutas épicas, momentos insossos ganham matizes políticos e ascensões fortuitas ressurgem como tratados
sociológicos. Tudo isso ficaria recolhido aos subterrâneos da civilização,
não fosse a incontrolável histeria da mídia, a fazer eco em parcela
considerável da população. Então, por motivos que escapam ao senso comum, embates de pouco brilho transformam voyeurs em selvagens, a brandir buzinas e explodir rojões madrugada afora.
Na entrada do terceiro milênio, o esporte em questão soma religião, mercado e espetáculo. É religião porque é marcado por uma fé de fanático, que turva a razão e a sensibilidade. É mercado porque é dominado pelo comércio das pernas, da imagem e dos sonhos. É espetáculo porque foi transformado em show mundial, com mídias especializadas e celebridades próprias, tudo acompanhado em tempo real por turbas globais, conformistas e esbaforidas.
A perseverar as tendências atuais de hiperespecialização e hipercomercialização, o futuro será ainda mais frenético e eufórico. Aos
atletas, assessorias e entourage, serão acrescidos torcedores profissionais.
Eles serão recrutados em todo o mundo, ganharão maquiagem e fantasia, e preencherão ordenadamente as arenas esportivas. De Liverpool e de São Paulo serão trazidos exemplares mais violentos, destinados a erupções controladas de selvageria.
Do Rio de Janeiro virão os tagarelas profissionais, mestres
da incontinência verbal. De Estocolmo e de Buenos Aires virão exuberantes loiras, postas a adornar pontos estratégicos das arquibancadas. Da África e da China virão os atletas, em grande quantidade e com baixo custo. Da
Califórnia e da Índia virão os gurus para garantir a harmonia e a
auto-estima das equipes. Fotógrafos e cinegrafistas, dirigidos por magos da publicidade, ensaiarão e produzirão momentos de espontaneidade e vivacidade.
Escritores de grande talento e baixa renda serão recrutados para elaborar
épicos e fábulas. Fabricantes de cerveja e de tênis comandarão todo o
espetáculo, explorando cada oportunidade de merchandising. Pelas tevês,
internet e fones móveis, as hordas continuarão a acompanhar o show, uivando e disparando rojões em momentos precisos. Ao menos não estarão pelas ruas roubando, dirão as avós.
28 junho, 2006
26 junho, 2006
Psicodrama em Instituições Públicas
Com muita alegria recebi delas dois presentes, uma verdadeira homenagem: pediram-me o prefácio do livro e a palestra no lançamento. É claro que aceitei!
Pois então, no Restaurante do Minas II, no Mangabeiras, estaremos às 20h desta quarta, para o coquetel.
Ao receber o convite para prefaciar este livro, inúmeras associações surgiram em minha mente. As mais remotas levaram-me ao momento em que entrei em contato com o Psicodrama. Era estudante de Medicina e estagiava numa clínica de atenção psiquiátrica, psicológica e pedagógica a crianças e adolescentes. Foi quando, – aprendiz – comecei a participar das sessões de psicoterapia de grupo, nas quais se utilizavam técnicas psicodramáticas. Minha posição de “observador” evoluiu para a de participante ativo, quase um co-terapeuta, embora ainda sem formação. Bastaram algumas sessões para que fosse arrebatado pela força da invenção de Jacob Levy Moreno: imaginar cenas e cenários, criar e encarnar personagens, experimentar a espontaneidade e a improvisação, aprender a me colocar no lugar do outro e ser surpreendido por sentimentos e conflitos de minha própria alma conduziram-me rapidamente ao setting terapêutico. Fui acolhido pela saudosa Lea de Araújo Porto e um mundo novo se desvelou.
O leitor há de compreender que o Psicodrama proporciona aos seus praticantes um certo tipo de comprometimento afetivo, uma vez que o treinamento da espontaneidade é um de seus fundamentos.
Portanto, saliento duas características essenciais deste livro:
· a transparência, clareza e simplicidade da autoras, que se revelam em cada relato de caso. Demonstram sua atuação e ensinam processos técnicos inovadores, frutos do conhecimento e da espontaneidade;
· a consistência dos pressupostos teóricos adquiridos no estudo constante e aprimorados ao longo de anos e anos de trabalho numa instituição pública.
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25 junho, 2006
Domingueira
Algumas indústrias moveleiras de alta qualidade também aproveitam a feira; oferecem descontos significativos, parcelam a dívida, distribuem brindes. Alguns restaurantes e uma chopperia repõem as energias dos visitantes.
E ao voltar para casa, mais à noite, vamos saborear a canjica feita pela Amélia, com amendoim e coco ralado, quentinha, quentinha...
24 junho, 2006
Já que a Copa é na Alemanha, aprenda alemão rápido!!!

A língua alemã é relativamente fácil. Todos aqueles que conhecem as línguas derivadas do latim e estão habituados a conjugar alguns verbos podem aprendê-la rapidamente. Isso é o que dizem os professores de alemão logo na primeira lição.
Para ilustrar como é simples, vamos estudar um exemplo em alemão:
Primeiro, pegamos um livro em alemão, neste caso, um magnífico volume, com capa dura, publicado em Dortmund, e que trata dos usos e costumes dos índios australianos Hotentotes (em alemão, Hottentotten).
Conta o livro que os cangurus (Beutelratten) são capturados e colocados em jaulas (Kotter) cobertas com uma tela (Lattengitter) para protegê-los das intempéries.
Estas jaulas, em alemão, chamam-se jaulas cobertas com tela (Lattengitterkotter) e, quando abrigam um canguru, chamamos ao conjunto de "jaula coberta de tela com canguruLattengitterkotterbeutelratten).
Um dia, os Hotentotes prendem um assassino (Attentäter), acusado de haver matado uma mãeMutter) hotentote (Hottentottenmutter), mãe de um garoto surdo e mudo (Stottertrottel).
Esta mulher, em alemão, chama-se Hottentottenstottertrottelmutter e a seu assassinoHottentottenstottertrottelmutterattentäter.
Mas o preso escapa.
Após iniciarem uma busca, chega um guerreiro hotentote gritando:
- Capturamos o assassino (Attentäter)!
- Qual Attentäter? - pergunta o chefe indígena.
- O Lattengitterkotterbeutelrattenattentäter, comenta o guerreiro, a duras penas
- Como ? O assassino que estava na jaula de cangurus coberta de tela ? - pergunta o chefe.
- Sim, é o Hottentottenstottertrottelmutteratentäter (assassino da mãe do garoto surdo-mudo da tribo)
Assim, através deste singelo exemplo, podemos ver que o alemão é extremamente simples. Basta um pouco de interesse!
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22 junho, 2006
Esperança e paciência
Pois foi a minha interpretação para o comportamento do Ronaldo, no jogo de hoje (Brasil 4x1 Japão), logo após seu primeiro gol. O rapaz "desencantou", ficou solto, voltou a sorrir, correu mais em campo, participou de mais jogadas.
"Desencantou" de vez quando acertou o fundo das redes com um chute de pé direito, certeiro como há muito não víamos.
Antes de ouvir os comentaristas profissionais, prevejo a mudança de tom: sai o "gorducho", "baleia", "velho", "fora-de-forma" e entra o "fenômeno", o "perseverante", o Ronaaaaaaldo!
Logo agora, depois do jogo, assisto sua entrevista. Sorriso mais franco, sua marca registrada, o craque responde assim à pergunta do repórter sobre seus sentimentos logo após a providencial cabeceada: - Fiquei aliviado! Antes, chutei com pé esquerdo e o goleiro defendeu. Depois, com o pé direito e o goleiro fez milagre. Pensava: 'meu Deus, será que a bola não vai entrar?' até que veio o gol!
Confesso que eu também fiquei aliviado e emocionado. Mesmo percebendo as limitações do Ronaldo nos jogos anteriores, principalmente no primeiro, torcia para que ele se recuperasse, desse a volta por cima. E isso aconteceu nesse jogo recém terminado.
Destaco outra expressão do Fenômeno: - Sempre tive paciência.
Se fizermos uma analogia com as vicissitudes que a vida nos apresenta, creio que duas virtudes são fundamentais: a esperança e a paciência.
Não a esperança acomodada, inerte, "esperar sentado", mas a esperança-ação, a esperança-desejo. [Outro dia escrevi sobre a Esperança, confira!].
Quanto à paciência, refiro-me à paciência de esperar o tempo certo, à calma que não nos deixa perder o controle, a persistência.
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Em teste, meu álbum de fotos no Picasa.
20 junho, 2006
Sursum corda: para o alto os corações
Poemas de Viviane Mosé
Poemas do livro Pensamento do Chão, poemas em prosa e verso.
quem tem olhos pra ver o tempo soprando sulcos na pele soprando sulcos na pele soprando sulcos?
o tempo andou riscando meu rosto
com uma navalha fina
sem raiva nem rancor
o tempo riscou meu rosto
com calma
(eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença)
acho que a vida anda passando a mão em mim.
a vida anda passando a mão em mim.
acho que a vida anda passando.
a vida anda passando.
acho que a vida anda.
a vida anda em mim.
acho que há vida em mim.
a vida em mim anda passando.
acho que a vida anda passando a mão em mim
e por falar em sexo quem anda me comendo
é o tempo
na verdade faz tempo mas eu escondia
porque ele me pegava à força e por trás
um dia resolvi encará-lo de frente e disse: tempo
se você tem que me comer
que seja com o meu consentimento
e me olhando nos olhos
acho que ganhei o tempo
de lá pra cá ele tem sido bom comigo
dizem que ando até remoçando
muitas doenças que as pessoas têm são poemas presos
abscessos tumores nódulos pedras são palavras
calcificadas
poemas sem vazão
mesmo cravos pretos espinhas cabelo encravado
prisão de ventre poderia um dia ter sido poema
pessoas às vezes adoecem de gostar de palavra presa
palavra boa é palavra líquida
escorrendo em estado de lágrima
lágrima é dor derretida
dor endurecida é tumor
lágrima é alegria derretida
alegria endurecida é tumor
lágrima é raiva derretida
raiva endurecida é tumor
lágrima é pessoa derretida
pessoa endurecida é tumor
tempo endurecido é tumor
tempo derretido é poema
palavra suor é melhor do que palavra cravo
que é melhor do que palavra catarro
que é melhor do que palavra bílis
que é melhor do que palavra ferida
que é melhor do que palavra nódulo
que nem chega perto da palavra tumores internos
palavra lágrima é melhor
palavra é melhor
é melhor poema
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Link e poema enviado pelo amigo Idelfonso - o Dé.




