19 março, 2007

Sob o signo da emoção

Acabo de ler o post de hoje do blog de minha filhota Ana Letícia & amigas, o Mineiras,Uai!. Os flashs com que ela descreveu um tempo bom de muitos anos atrás me provocou risos e saudades. Só quem passou por aquelas vivências pode compreender que saudade boba é essa.

Também o post do meu pai Soié, no Ontem-Hoje provocou-me sentimentos gostosos.

Um comentário do primo Omar, no meu último post, igualmente, mexeu com lembranças, reavivou memórias e desencadeou emoções.

Há sentimentos e experiências que podem ser consideradas "inenarráveis", uma vez que só se pode ter noção do que se trata se a pessoa passar pela mesma situação. Mesmo assim, cada pessoa é única e singular e, em última instância, as palavras que vier a utilizar serão sempre coloridas pela sua particularidade.

Mesmo aqueles vocábulos (os "nomes comuns" ou "substantivos comuns") que nomeiam objetos cotidianos, ao serem utilizados por alguém ou ao se intrometerem no discurso carregam significados pessoalíssimos, construídos ao longo da vida de cada um de nós.
É mais ou menos isso que J.Lacan afirma quando diz que um significante (uma palavra qualquer, um signo, um traço) tem inúmeros significados [ S/s1,s2,s3... ].

Um exemplo óbvio seria a palavra "mãe", que, embora esteja associada indelevelmente à experiência pessoal de cada um com aquela entidade que nos gerou, ou cuidou, ou adotou, ou amparou, ou acarinhou... ou... ou... tá vendo? "mãe" são muitas, infinitas e, ao mesmo tempo, "mãe é uma só!": a minha!

Assim, cada palavra (=significante) tem significados múltiplos que se sucedem numa cadeia infindável.

Por isso mesmo podemos afirmar que a linguagem (a língua, qualquer língua) é insuficiente para dizer tudo o que se quer dizer! Haverá sempre um resto, um indizível, um inenarrável (palavra danada de bonita, essa).

Os poetas são aqueles que, ao se apropriarem das palavras, fazem delas sua matéria prima com que conseguem exprimir as mais recônditas emoções, surpreendendo-nos com achados tão originais que se transformam em arte.

Ah! olhaqui: 'saudade' também é nome de flor, de acordo com o mesmo Aurélio: Designação comum a diversas plantas da família das dipsacáceas, principalmente da espécie Scabiosa maritima, e às suas flores; escabiosa, suspiro: "E ela deu-lhe do seio uma saudade / Murcha, e no entanto bela" (Gonçalves Dias, Obras Poéticas, II, p. 98).

17 março, 2007

Sociologia de estrada

- São 20,12h e acabamos de chegar a Nova Era.
Foram 4h de estrada, apenas 138km, pela BR 262, sentido leste.
A rodovia está sendo recuperada, já com o piso pronto, quase toda sinalizada, algumas pontes a serem alargadas, trevos precários.
- Então, por que demorar 4h para percorrer distância tão curta?
- Por burrice do DNIT e seu programa de 'recuperação' das estradas: as curvas (infinitas e acentuadas) não foram corrigidas, mas os motoristas, principalmente os de caminhão, carretas e ônibus aceleram pra valer.
Resultado: acidentes constantes.
- Como?
- Após o recapeamento, o número de mortes aumentou e o tempo de viagem, anteriormente de 1,50h, passou para o dobro, pois as retenções são diárias. Hoje, por exemplo, foram três acidentes graves envolvendo caminhões. Um deles foi até pitoresco: tratava-se de um transporte de biscoitos e vimos mais de 100 carros estacionados no acostamento. Os passageiros saíam correndo e saquevam a carga. Um opala (?) azul tinha o banco traseiro abarrotado de pacotinhos, até o teto. Uma farra!

Foto by Ana Letícia

- Será que alguém se interessou em saber como estava o motorista?
- Viajar por essas bandas é uma aula de sociologia, antropologia e política: pobreza, descaso, falta de civilidade e corrupção: obras inacabadas e mal feitas.
- Quem aprova e quem fiscaliza isso? Para onde vai o dinheiro - 38% do nosso rendimento - dos impostos?
- Quem souber responder que me diga.

Violência

Tempos Sombrios

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade.

Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes?

Pois falar de coisas inocentes
é quase um delito:

implica em silenciar
sobre tantos horrores.

[ De Bertold Brecht,
porque me faltam palavras ]

12 março, 2007

Fazenda da Vargem

Deparo-me com uma notícia sobre minha cidade natal, Nova Era, na primeira página do jornal EM de hoje. Fiquei triste com o que li:

Tombada pelo patrimônio público, a Fazenda da Vargem perde a cada dia um pouco de sua riqueza histórica e arquitetônica. Referência no desenvolvimento econômico e social da região do Vale do Rio Doce, o imóvel foi construído em 1840, em Nova Era. Desapropriada há 30 anos, com o objetivo de abrigar o parque da cidade, permanece desocupada e sem função.

A tal Fazenda da Vargem é uma construção magnífica, dos finais do séc. XIX e poderia ser um polo de atração turística, educação artística e ambiental para toda a região do Vale dos Rio Piracicaba e Rio Doce. Mas está caindo aos pedaços, como descreve a reportagem do jornalista Gustavo Werneck:

Três grandes impactos perturbam quem chega à Fazenda da Vargem, em Nova Era, na região Central do estado, a 137 quilômetros de Belo Horizonte. O primeiro está na beleza estonteante do casarão do século 19, pintado de azul e branco e, pelo visto, em paz com a natureza que o cerca. Mais de perto, embora a grandiosidade permaneça a mesma, vai caindo lentamente a máscara da conservação. De uma tacada só, vem o choque que conduz os olhos para a falta de janelas e portas, madeiras quebradas, mato crescendo entre tábuas do assoalho, teias de aranha e galinhas ciscando sobre pedras centenárias do pátio.

Há duas fotos maravilhosas (autoria: Beto Novais, do EM) que compartilho com vocês, para demonstrar a imponência da vetusta construção e quanta beleza se esconde no interior das Minas Gerais:


Há alguns anos, a administração municipal promovia anualmente a Feane - Feira de Arte e Artesanato de Nova Era: a participação popular era maciça e foi aí que as pessoas descobriram a riqueza cultural que possuíam. Além da 'feira' em que se vendiam produções da terra, havia shows com bandas de lá e de outras cidades. Um fim-de-semana de festas!

Na "Feane" assisti, pela primeira vez, a famosa banda Sagrado Coração da Terra, de Marcus Viana, que viria a fazer sucesso como compositor de trilhas sonoras para novelas da Globo, etc. O Marcus circulava entre o público, conversamos um pouco (ele nem sabe quem sou) e se mostrou admirado com a escolha de sua banda para tocar naquela cidadezinha. (Clique aqui para escutar algumas de suas músicas e assistir samples de alguns DVDs.)

Pois, agora, tomo conhecimento de que a Fazenda da Vargem pode estar indo pro beleléu, sem que ninguém assuma a responsabilidade de manter e revificar aquele patrimônio.

Triste sina. Temo que, um dia, alguém poderá parafrasear Drummond e exclamar: "A Fazenda da Vargem é apenas um retrato na parede... mas como dói".

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Créditos:
Fotografia: Beto Novais.
Retirado do EM de 12.mar.07

10 março, 2007

Soié & Ana

Vou fazer 'nepotismo' aqui:

1. Vocês já leram os dois últimos posts de meu pai, Soié, no Ontem-Hoje? Em 20/2, sou personagem (verdade ou fantasia?) de uma história de carnaval. Hoje, uma fábula contada pela minha avó.

2. O Mineiras, Uai! - da filhota Ana e amigas, está demais! E eu, aqui, babando...

Como se deduz, somos três gerações de blogueiros: O Soié - meu pai; eu aqui e minha filha, a Ana. Cada qual com seu estilo. Divirtam-se neste sábado.

04 março, 2007

Sobremesa de Aniversário


Amélia, como sempre, fez-me todos os agrados possíveis no dia do meu aniversário. As sobremesas foram de enlouquecer: dois rocamboles (um de doce-de-leite e outro de doce-de-leite-com-coco + damascos). Coisa de louco mesmo, não?

Mas não ficou aí. A surpresa do dia foi uma
Tartelete Romeu e Julieta, danada de gostosa, com recheio de goiabada e doce-de-queijo, uma combinação tipicamente mineira elevada à sofisticação francesa!

Clique nas fotos para ver o Álbum e... babar!

Precioso líquido

- O que é que custa quase R$ 6.000,00/ litro e não é para beber?
- Sei lá!
- TINTA DE IMPRESSORA!
- Ahn?
- É mais uma forma de roubo do qual não nos demos conta ainda!
Apenas reclamamos do preço.
- Só se for tinta feita de ouro, uai!

- Acorda! Você não vê que as impressoras ink-jet estão cada vez mais baratas? Pois é. Os fabricantes oferecem impressoras cada vez mais e mais baratas. Só que os cartuchos de tinta custam muito caro. Há casos em que o conjunto de cartuchos pode custar mais do que a própria impressora.
- Igualzinho às lâminas de barbear da Gilette. Comprei um ‘Sensor’, aquele com lâmina tripla. Custou-me pouquíssimo. Agora, vá comprar lâminas de reposição! Caríssimas e fabricadas nos Estados Unidos. Levam nosso minério, fazem o aço inoxidável e nos vendem as lâminas.
- Uma HP DJ3845 já pode ser encontrada por apenas R$170,00, nas principais lojas. Gastam-se R$ 130,00 para repor os dois cartuchos (10ml o preto e 8ml o colorido). Daí você vende facilmente sua impressora semi-nova sem os cartuchos por uns R$90,00 (pra vender rápido), e com
mais R$80,00 adquire nova impressora com cartuchos
originais de fábrica: ainda economizará R$50,00!
- Então é um bom negócio, hehehe!
- Bom pra quem fabrica tinta, ô meu. Os fabricantes fingem que nem é com eles, dizem que é caro por ser tecnologia de ponta, transformam o simples ato de fabricar tinta em algo mais complexo do que coletar a 3ª lágrima da Deusa-Loba dos Campos Elíseos, ou algo assim.
- Que Deusa-Loba é essa?

- Esqueça. O que importa é que o Cartucho HP, com míseros 10ml de tinta custa R$55,99. Isso dá R$5,99 por mililitro. Um litro = R$ 5.999,00! Quase R$ 6.000,00 por um litro de tinta de impressora! Já existem cartuchos com 5ml de tinta, os tais de HP 21 e 22. A Lexmark comete o mesmo abuso ao vender um único cartucho para a linha de impressoras X, o tal cartucho 26, com 5,5 ml de tinta colorida por R$75,00.
Se 1.000ml / 5.5ml=181 cartuchos, então 181 cartuchos custarão R$13.575,00. R$13.575,00 por um litro de tinta colorida! Com este valor podemos comprar: 300gr de ouro ou 3 TV s de Plasma de 42 polegadas.

- E eu com isso? Não tenho impressora, não tenho computador, só escrevo com lápis e moro em Jaçanã!

- Ops!

26 fevereiro, 2007

Abraço

Museu de Arte da Pampulha

Museu de Arte da Pampulha
Abraço - Escultura de Ceschiatti (Museu de Arte da Pampulha-BH)
Photo by Cláudio Costa

E por falar em abraço,
comemorarei meu aniversário
com vocês, amigos e amigas,
no Reciclo, dia 01.março - quinta-feira -
a partir das 21h.

O som é garantido pela banda dos filhotes (Ângelo e Leo),
"a nova guarda do samba": Chapéu Panamá.

Aguardo vocês lá: afinal, aniversário é pra ganhar abraço!
E a melhor forma de ganhar abraços é abraçar.
Vamos?


________________
Avenida do Contorno, 10564
Barro Preto

23 fevereiro, 2007

Quero ganhar de aniversário:



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Update: sou de Peixes: 25 de fevereiro!
Músico, poeta e louco, tenho de tudo um pouco!

20 fevereiro, 2007

CIÚME E DESESPERO: O INFERNO

Daqui a pouquinho, às 11h, darei uma entrevista à Rádio Itatiaia-FM (95,7) (clique no link para escutar on line).

O programa: José Lino

O tema: Ciúmes.


A jornalista que me convidou explica, por telefone:
- Está havendo um tititi no BBB7: uma das participantes brigou com o namorado, ambos participantes do programa, porque o rapaz deu uns selinhos nas colegas. Não quer desculpá-lo, nem a ele nem às 'amigas', pois se sentiu traída. Diz a mocinha que não pode suportar 'contato físico do namorado com mulher nenhuma!

A propósito, republico um post que fiz em 07 de setembro do ano passado. Aqui vai:

Procura-me um rapaz (N.) de 20 anos, universitário.

Acaba de perder a namorada (T.):

- “Ela é linda, doutor, uma modelo. A gente namora desde o segundo ano do colegial, eu tinha 15 anos e meio; ela, 14. Fazíamos tudo junto: fins-de-semana, festas, passeios, almoços, cinema, até a própria faculdade: ela quis entrar pra mesma faculdade que eu, um ano depois de mim. A gente só não se via quando estava dormindo! Agora, ela não quer saber mais de mim, brigou comigo. Chegou pra mim, de repente, na quarta-feira passada e, sem mais nem menos, falou:

- Olha, N., há dois meses estou repensando nossa relação. Resolvi dar um tempo!

Essas palavras me detonaram, Doutor. Desmontei. Chorei, implorei, falei que ela estava errada, que ela era a mulher de minha vida. Mas ela foi irredutível, saiu do carro, lá no estacionamento da faculdade e me deixou ali, feito criança, chorando. Na hora do almoço não fui pra minha casa, mas pra casa dela. Cheguei lá e falei com a mãe dela que T. estava ficando louca! A T. chegou e nem queria olhar pra mim. Mas insisti que deveríamos conversar mais. Aceitou. Fomos pro quarto dela e, aí, ela falou que não suportava mais meus ciúmes, que queria viver a vida, que queria sair com os colegas – coisa que eu não deixava. Se eu nem mesmo tenho amigos, como é que vou ficar sem ela? Mas ela não cedeu. Então lhe prometi que iria mudar, seria outro homem, que ela poderia sair, sim, mesmo que me machucasse. Jurei, da boca pra fora, claro, que a deixaria ir às festas da turma dela sem mim, que fosse ao shopping com as colegas, até mesmo que viajasse prum sítio, no final de semana. Mas ela tinha de me prometer que não ficaria com ninguém, que não beijaria ninguém, pois eu não suportaria. Eu me mataria se soubesse disso. Ela concordou e só então fui pra casa. À noite, liguei pra ela, só pra conversar como amigos e não a encontrei. Ela tinha ido pro barzinho com a turma dela. Não agüentei: desci a Avenida Afonso Pena a 140km, cortando pela direita e pela esquerda, devo ter sido multado naquele radar da Contorno, ali do Tobogã, o senhor sabe? Cheguei na Prudente de Morais. Ela bem ali, alegre, rindo, cheio de gente, uns caras que eu nunca vi. Avancei pra cima dela. Só não bati, mas xinguei de tudo: irresponsável, insensível, traidora, burra! Burra, sim, porque me tinha largado pra ficar com gente que só quer saber de sarrar ela. Burra porque não enxerga meu amor por ela, que ela é a mulher de minha vida. Tenho certeza disso, ela é a mulher de minha vida. O pessoal até me segurou, senão teria batido nela. Acabei indo pra casa, arrependido, com medo de ter colocado tudo a perder, pois eu a agredi feio. Não durmo desde então. Hoje é segunda e não consigo comer desde quarta-feira. Emagreci já 6kg por causa dela. A vida perdeu o sentido, doutor. Quero morrer. Mas não tenho coragem de me matar, não vou deixá-la por aí. Ainda mais porque acredito que ainda vou reconquistá-la. Posso falar com ela pra vir aqui? Pra ela fazer uma terapia com o senhor e voltar atrás? O senhor me ajuda?”

Ao nascer, perdemos o a segurança e aconchego proporcionados pelo útero e adquirimos duas ansiedades básicas que nos acompanharão pelo resto da vida: o medo do ataque e o medo da perda. Logo, estabelecemos uma relação idílica com a mãe, na ilusão de que formamos um par perfeito, até que descobrimos uma terceira figura, um gigante, o pai – o marido dela, o Outro. Na grande maioria dos casos, mais um intruso se interpõe: um irmão a se aninhar nos braços daquela que imaginávamos ser somente nossa.

Essas primeiras experiências amorosas e de “frustração” nos deveriam ter ensinado que:

a) não existem garantias de exclusividade;

b) não podemos manipular as ações do outro;

c) e mais ainda: não podemos dominar o desejo do outro!

Os ciúmes existem e atormentam os humanos desde Caim e Abel. Shakespeare desenvolveu o tema em Otelo. Os homens já inventaram o cinto de castidade. Mata-se e se morre por amor (?).

Os ciúmes podem ser decompostos em três sentimentos básicos que se manifestam em condutas correspondentes:

a) Insegurança: baixa de auto-estima e conseqüente medo de não ser amado, ansiedade, sentimento de posse e necessidade de controle. O ciumento se torna possessivo e cada vez mais insuportável ao outro. Cava sua própria desgraça!

b) Inveja: quero que meu (minha) amado(a) não dê a outrem o que julgo ser somente meu; não tolero ver outra pessoa receber o carinho, o afeto, o olhar daquele(a) que amo!

c) Raiva: odeio meu amado (minha amada) quando não faz aquilo que eu desejo. Odeio também quem recebe a atenção que deveria ser somente para mim. E meu ódio me leva à agressividade: tenho de destruir ambos: meu objeto de amor – que agora odeio – e o intruso – usurpador do meu bem e causa minha perda!

Muitas vezes, a baixa de auto-estima e a culpa por meus sentimentos e ações agressivas para com o objeto amado são tão insuportáveis que a agressividade se volta contra mim mesmo: então quero morrer: "se você não ficar comigo, eu me mato! Já que você me traiu, prá que viver?" O meu “suicídio por amor” contempla minha dupla necessidade: a autopunição e a punição de quem eu amava e agora odeio. E me odeio, por não possuir você, por ter deixado você escapar de mim, por odiar a quem amo!

Tais idéias podem ser fruto de fantasias, até mesmo de delírios (tal como o delírio de ciúme dos alcoólatras). Neste caso, as consequências são terríveis.

Se é verdade que um certo grau de ciúmes pode “esquentar” uma relação e mesmo erotizá-la, é mais comum que ciúmes patológicos tornam o amante cada vez mais rígido, vigilante, controlador, inseguro, às vezes deprimido e, muitas vezes, agressivo. A pessoa não suporta a idéia de perder o objeto de amor pela convicção de que jamais encontrará alguém que o substitua. O pensamento recorrente é:

- Tenho de estar absolutamente seguro(a) de que ele/ela me ama, pois sem seu amor não posso viver. Tenho que estar atento(a) porque, a qualquer momento, quando menos espero, posso ser roubado(a).

É o inferno, dentro de nós!
_______________
Post republicado.

17 fevereiro, 2007

São Francisco da Pampulha



Pousada às margens da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, a igrejinha de S. Francisco. Quedo-me, mudo.
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13 fevereiro, 2007

Sai de baixo!

Às vezes me sinto confortável por não morar no Rio de Janeiro, de onde chegam notícias aterradoras por causa da violência que impera numa das cidades mais lindas do mundo. Impressiona-me a quantidade de pessoas que são vítimas do que chamam "bala perdida".

Um levantamento exclusivo do Fantástico mostra que só no ano passado, 170 pessoas foram atingidas por balas perdidas na região metropolitana do Rio: 35 delas eram crianças com menos de 13 anos. E o pior: essa estatística é desconhecida pela polícia. Pior ainda: esses são os casos registrados.

Penso que essas balas não são "perdidas", mas "achadas", pois que acertaram alguém e, provavelmente, foram retiradas pelos cirurgiões, guardadas para prova material em processos, etc.

E as balas 'realmente' perdidas? Quantos milhares de projéteis voam de um lado para outro, no enfrentamento entre gangues e atiradas pela PM? Reportagens de TV mostram tiroteios noturnos nas favelas, com aquelas 'brasas' voando de um lado para outro: parecem fogos de artifício ou caudas de minúsculos cometas rasgando o breu da noite.

Agora, leio reportagem que fala de um grande meteorito em exposição no Museu de Mineralogia da Praça da Liberdade, aqui em BH:

Wikipédia: "O Museu de Mineralogia Professor Djalma Guimarães de Belo Horizonte, foi criado pelo prefeito Oswaldo Pieruccetti em 1974 e implantado com a colaboração da administração do Estado de Minas Gerais, que cedeu o acervo da antiga Feira Permanente de Amostras.

Até 1992, o MMPDG funcionou na Rua da Bahia, esquina com Av. Augusto de Lima, onde funciona, hoje, o Centro de Cultura Belo Horizonte. Em junho de 2000, foi reinaugurado através de esforços conjuntos da Prefeitura de Belo Horizonte, por intermédio da Secretaria Municipal de Cultura, da Secretaria Estadual de Minas e Energia e da COMIG, como parte integrante do memorial da mineração.

O acervo conta com cerca de 1.000 amostras expostas, de um conjunto total de 3.000, sendo 70 a 80% dele procedentes de Minas Gerais, cerca de 10 a 15% de outros estados e o restante de outros países."

O meteorito "Bocaiúva" tem aspecto metálico e cor negro-acinzentada. Pesa mais de 60 kilos e, devido à grande quantidade de minerais de ferro que o compõe, apresenta densidade elevada. Proveio da região de Bocaiúva, a 400 km ao norte de Belo Horizonte, de onde foi trazido para estudos na UFMG e guardado no Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear.

Descubro, assustado que, além do valor científico, os meteoritos que caem na Terra à razão de 40.000 toneladas por dia, pesando, em sua maioria, apenas alguns gramas, podem conter alguns metais de grande interesse econômico (como ouro, cobre e níquel). Chove ouro, minha gente!

Se somos bombardeados por tal quantidade de poeira celestial a cada dia, acho que a possibilidade de ser atingido por um 'meteorito perdido' é muito maior do que por uma bala perdida... ou estou errado? Em dez dias serão 400 mil toneladas; em cem dias, então, 4 milhões de toneladas de poeira cósmica, feita de partículas miúdas ou do porte de um "Bocaiúva"! Sai de baixo!

Se, por um lado, chovem balas perdidas, por outro, o céu está despencando e não me avisaram.

E agora, José?

11 fevereiro, 2007

Turista em casa


Amélia e eu resolvemos fazer um tour por nossa Belo Horizonte: ontem, à tarde; hoje, pela manhã.

Aproveitamos a caminhada diária (o coração agradece!) e visitamos locais por onde passamos, de carro, com destino e hora determinados.

Pelas janelas do automóvel, as paisagens desfilam céleres . Mesmo que quiséssemos usufruí-las, o estresse do trânsito não nos permitiria reduzir a velocidade, fotografar, respirar cultura. Qual nada! Ficamos de olho na pista, nos retrovisores, atentos aos sinais. É preciso suportar até os mal educados.

Vez por outra um comentário:
- Olha! como está bonita a Pampulha!
- Vamos trazer nossas visitas aqui, um dia...
- Como Belo Horizonte cresceu!
- Que pena, quanta sujeira, quanta pichação nas casas...
O diálogo pontua o caleidoscópio intinerante, nem sempre agradável de se ver.

Muitas vezes, somos surpreendidos pela tonalidade das copas das árvores, pelo colorido das florzinhas amarelas de sibipurunas ou pela explosão dos ipês - roxos, amarelos, rosas!

Após dias de chuva, como é gostoso deixar-se levar pelo azul do céu, no qual as nuvens brincam de assumir formas infinitas, ora carneirinhos, ora monstros medonhos, ora fiapos de lã prateada pelo sol poente.

- Vamos passear?
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09 fevereiro, 2007

Horror

O que falar diante da brutalidade que vitimou um menino de 6 anos, no Rio, ontem? Tamanha violência atingiu, na verdade, todas as crianças, todas as famílias, todos cidadãos cariocas, fluminenses, brasileiros!
É hora do luto e da revolta.
Se o luto nos emudece, identificando-nos ao morto, a revolta nos atiça a agressividade e, muitas vezes, provoca-nos identificação com o agressor: olho por olho, dente por dente!
Não há o que dizer, mas é preciso dar voz à dor, por mais indizível que seja.
Da mesma forma é necessário falar do ódio que nos invade a alma, da raiva que precisa ser externalizada.
Quando se pensa que o tecido social já está por demais apodrecido, eis que surge uma ferida maior.
Incurável?


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
(Castro Alves em "Navio Negreiro")

08 fevereiro, 2007

CNPq não dá bolsa para ELE

O CNPq não aceitou Deus no seu quadro de pesquisadores, negando-lhe bolsa de produtividade, a CAPES também não o aceitou nos quadros de orientadores e professores de pos-graduação. Seu currículo, considerado fraco, o impede de disputar qualquer concurso nas universidades brasileiras.
As razões alegadas são conhecidas de todos os pesquisadores do país.

Vejamos por que Deus nunca chegará a ser professor titular de nossas melhores universidades ou pesquisador do CNPq:

1.Só tem uma publicação;

2. Essa publicação não foi escrita em inglês e sim em hebraico (apesar de traduzida para vários idiomas);

3. A referida publicação não contém referências bibliográficas;

4. Não tem publicações em revistas indexadas, ou com comissão editorial ou ainda com pareceristas;

5. Não tem nenhum trabalho citado no International Citation Index;

6. Há quem duvide que sua publicação tenha sido escrita por ele mesmo. Em um exame rápido, se nota a mão de, pelo menos, 11 colaboradores;

7. Há muito tempo não trabalha;

8. Dedicou pouco tempo ao trabalho de Criação (apenas 6 dias seguidos);

9. Poucos colaboradores Seus são conhecidos;

10. A comunidade científica tem muita dificuldade em reproduzir Seus
resultados;

11. Seu principal colaborador caiu em desgraça ao desejar iniciar uma linha de pesquisa própria;

12. Nunca pediu autorização aos Comitês de Ética para trabalhar com seres humanos;

13. Quando os Seus resultados não foram satisfatórios, afogou a população;

14. Se alguém não se comporta como havia predito, elimina-o da amostra;

15. Dá poucas aulas e o aluno para ser aprovado tem que ler apenas o Seu livro, caracterizando endogenia de idéias;

16. Segundo parece, Seu filho é que ministra Suas aulas;

17. Atua com nepotismo, fazendo com que tratem Seu Filho como se fora Ele mesmo;

18. Ainda que Seu programa básico de curso tenha apenas dez pontos básicos, a maior parte dos Seus alunos é reprovada;

19. Além das Suas horas de orientação serem pouco freqüentes, apenas atende Seus alunos no cume de uma montanha;

20. Expulsou os Seus dois primeiros orientados por aprenderem muito;

21. Não teve aulas e nem fez mestrado com PHDeuses;

22. Não defendeu teses de Doutorado ou Livre Docência;

23. Não se submeteu a uma banca de doutores titulares;

24. Não fez proficiência em inglês, alemão ou francês;

25. De mais a mais não existe comprovação de participação Sua em bancas examinadoras e de publicação de artigos no exterior...

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Referência: recebi por email e repasso. Descubro, perplexo, que eu também seria rejeitado... sniff...

07 fevereiro, 2007

Fog londrino sobre Beagá


BH sob neblina, originally uploaded by ClaudioCosta.

Em pleno verão, a neblina escondeu os edifícios e a paisagem de Belo Horizonte. Tempo bom para ler, ouvir música, tomar vinho ou uma cachacinha... Mas é dia de trabalho. Então, vamos à luta!

Será o efeito do famigerado efeito estufa? Os meteorologistas garantem que se trata de um fenômeno chamado 'zona de convergência boliviana'. Coisa do Evo Morales? Convergência socialista? Ou a ordem da natureza se alterou?


O certo é que há quase dois meses chove direto nessas minas gerais, com tréguas ínfimas a trazer esperança de céu azul. As estradas, já precárias, desmancham-se sob as águas; pontes caem e isolam cidades; barracos esboroam-se e, pior de tudo, quase 30 pessoas já morreram soterradas ou afogadas. No sul de Minas, todos já viram, algumas cidades foram soterradas por lama, após o rompimento da barragem de contenção de resíduos da Mineração Cataguazes, cujos efeitos atingiram municípios do norte do Rio de Janeiro.

Se não cuidarmos deste nosso planetinha, se cada um não fizer sua parte, em breve não haverá paisagem, pois não haverá quem olhe para os campos, as montanhas, os lagos, rios, pedras ou uma simples flor.

Update: O Dom Afonso deixou-me um dever de casa: responder ao Meme que foi iniciado pela Lúcia Mala. Trata-se do seguinte:


“Poste as 3 atitudes ecoconscientes que você praticou/pratica/pretende praticar na sua vida (ou na sua casa, no seu trabalho, no boteco, etc.) para melhorar a situação ambiental do planeta Terra.”

1. Aqui em casa sempre lutamos contra o desperdício (de água, de comida, de energia) e valorizamos o cuidado com a natureza: plantas, conversas sobre isso, observação durante viagens, etc. Convergência de horários para sair pro trabalho e voltar: um carro leva 4 de nós, pela manhã.
2. Por morarmos em apartamento (não numa cobertura luxuosa como a do Dom Afonso!!!) não é possível colocar energia solar: mas dá pra apagar luzes, reduzir o tempo de uso de chuveiro elétrico, máquina-de-lavar-roupa, passar roupas, etc. Já fui síndico e implementei um intervalo maior na lavação de áreas de garagem e estacionamento: antes, era semanal. Agora, mensal. (E não ficou mais sujo!)
3. Redução de uso de papel no trabalho: aproveitamento de folhas com erros de impressão, utilização de 'modo rascunho' na impressão de documentos, não utilização de ar-condicionado, verificação de registros de descarga em banheiros (o que se encontra de vazamentos em prédios públicos e residências é impressionante!).

Faça a sua parteE você? Já está fazendo sua parte?

03 fevereiro, 2007

Big Brother na TV Muro

Há 25km de Belo Horizonte, encontramos a cidade de Sabará. Foi importante na época da extração do ouro, tendo sido 'descoberta' pelo bandeirante Borba Gato. Atualmente, é referência na culinária mineira, com as iguarias preparadas com uma folhagem denominada 'ora-pro-nobis'.

Mas o assunto é outro. Transcrevo a reportagem do Estado de Minas:

Vestindo roupa nova, que ele garante ter sido confeccionada especialmente para a estréia do programa, Francisco Dário Santos, que agora é Chiquinho Mial (foto ao lado), abriu ontem à noite as transmissões do Muro Brother Brasil. Para garantir o sucesso da nova atração da TV Muro, ele espalhou câmeras pela casa onde vive com a mãe, Maria da Piedade, e convocou parentes, amigos da família e até o cachorro para entrarem no confinamento noturno – durante o dia, cada um tem de cuidar da sua vida.

Ontem pela manhã ele já havia percorrido a vizinhança divulgando o programa. Enquanto, no Big Brother da Globo, Pedro Bial convoca os telespectadores a darem uma “espiadinha”, Chiquinho Mial convida os “murospectadores” de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a darem “uma olhadinha no buraco do portão”. E Chiquinho avisa: enquanto o BBB 7 estiver no ar, a segunda edição do Muro Brother também será transmitida.

Os participantes da atração são Jorge Luís (editor da TV Muro), Thâmer Pimentel, Fabrícia Rodrigues, Jucélia Batista e as crianças Thayná, de 11 anos, Taís, de 8, e Sandy, de 7, além do cachorro Duque, vencedor da primeira edição do reality show, no ano passado. Dona Maria da Piedade também participa e, aliás, é ela quem decide quase tudo no Muro Brother. Aos 68 anos, a mãe de Chiquinho é a pessoa mais velha da casa e, por isso, é também a mais importante (quanta diferença para o Big Brother da Globo, não?). É ela quem resolve, por exemplo, quem é o “guardião”, que tem imunidade no “murão” – o paredão do Muro Brother. As crianças também têm prioridades: “Elas só podem ser eliminadas depois do terceiro murão”, explica Chiquinho.


As câmeras posicionadas na sala, na cozinha, no quarto que serve de estúdio para a TV Muro, no quarto de dormir e em frente ao banheiro foram todas doadas por pessoas que acreditam no sonho de Chiquinho e querem torná-lo mais real. Mas o grande patrocinador do Muro Brother é a fábrica de chupe-chupe de dona Maria da Piedade.

Há ainda uma sexta câmera, instalada junto ao telhado, com o foco virado para a rua, que Chiquinho chama de “câmera do povo”. É por meio dela que os “murospectadores” se comunicam com os confinados e até se vêem, fazendo festa e torcida pelos seus preferidos, na tela de um aparelho de TV posicionado em cima do muro da casa de Chiquinho. Na hora de votar, o público faz fila no portão. Explica-se: é que não há votação por telefone, mensagem de celular ou internet. Para cada candidato emparedado – ou seria “emurado”? –, é necessário dar um determinado número de batidas no portão da casa. O bike link – link de TV montado numa bicicleta que Chiquinho conduz pela cidade para entrevistar os conterrâneos – também ajuda a dar o termômetro da audiência pelas ruas de Sabará. “É como o De olho no Big Brother”, Jorge Luís compara.

O confessionário do Muro Brother é o banheiro. A câmera instalada em frente a esse cômodo foca os brothers que, sentados sobre o vaso sanitário, votam nos companheiros que devem ir para o paredão, ou melhor, murão. Mas ninguém é filmado enquanto usa o banheiro: a câmera fica do lado de fora e basta fechar a porta para que não se veja nada lá dentro. Triângulos amorosos, bebedeira e todas aquelas frivolidades do Big Brother também não estão na pauta. Dona Maria da Piedade é quem dita as regras por lá, se lembram? Mas quem acha que isso torna o programa morno, está muito enganado. Não vai faltar assombração para movimentar a atração. “Esta casa já foi uma fábrica de caixões”, Chiquinho avisa. “E vai ter muitos fantasmas aqui durante o Muro Brother, inclusive a ‘mulher do algodão’, que vai sair de dentro do banheiro.”


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Créditos:
Reportagem:Daniela Mata Machado.
Foto do "Chiquinho Mial": Cristina Horta

01 fevereiro, 2007

O segredo do poeta - Ungaretti -


SEGRETO DEL POETA

Solo ha amica la notte.
Sempre potrò trascorrere con essa
D´attimo in attimo, non ore vane;
Ma tempo cui il mio palpito trasmetto
Come m´aggrada, senza mais distrarmene.

Avviene quando sento,
Mentre riprende a distaccarsi da ombre,
La speranza immutabile
In me che fuoco nuovamente scova
E nel silenzio restituendo va,
A gesti tuoi terreni
Talmente amati che immortali parvero,
Luce.
Giuseppe Ungaretti - "La Terra Promessa"

Dr. Lucas Monteiro de Castro, neuropediatra e amigo, ensinou-me que não se "traduz" um poema sem trair o poeta. Propõe, em lugar da mera (e traidora) "tradução", o exercício (sempre perigoso) da "transcriação". Ajudado por ele, que me forneceu uma primeira tradução literal, além de primorosos comentários, aqui vai meu primeiro exercício:

O segredo do poeta

Somente à noite
Minha Amiga se revela
Em rapidíssimos instantes, não em horas vãs;
Dou-lhe a palpitar meu coração
Sem dela me distrair, jamais
(como me apraz)

Brilha quando a ausculto
Aprendendo a vê-la das sombras destacada
Reavivando em mim, mais uma vez, o lume;
Silenciosamente
Em gestos terrenos
- Tão amados quão imortais -
Reluz!
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PS1 - Allan poderia sugerir uma tradução melhor...
PS2 - Photo by Cláudio Costa

29 janeiro, 2007

Leitura crítica

Você acredita em tudo que lê nos jornais, assiste nos noticiários da TV, escuta dos políticos ou vê nas propagandas e mensagens das empresas?
  • Você confia cegamente nas informações obtidas na internet?
  • Você procura saber quais intenções determinaram a escolha de uma manchete de jornal, o tamanho da letra, a foto que a ilustra?
  • Você já percebeu que há jornais, revistas e TVs que defendem determinadas idéias, posições políticas (criticam sempre ou elogiam sempre o governo)?
  • Você acha que os jornalistas e repórteres são livres para apresentarem os fatos tais como aconteceram, sem que a notícia seja publicada eivada de preconceitos, juízos morais, posições ideológicas?
  • Você sabia que, "mais importante que o fato, é a versão do fato"? (frase cínica de um político cujo nome não guardei).

"No tempo das imagens - hoje, agora - é assim: imagens são ícones e, portanto, devem ser selecionadas, ideologizadas e sacralizadas. As imagens fazem parte do show de entretenimento. Na Guerra do Afeganistão o mundo é virtual simbolizado num tal Osama Bin Laden, que ninguém viu, ninguém vê, ninguém sabe onde está. Ele, tão real para os de casa, mas ali, em sua casa, uma caverna imaterial, platônica, não existe. Lá, diz a TV nossa, a do bem, que é norte-americana, existe a miséria, a fome, o mal. Tudo culpa desse tal de Bin Laden. Felizmente os Estados Unidos invadem este espaço etéreo: chega a salvação: fiat lux! Nossos intrépidos jornalistas lêem os releases do Departamento de Estado: agora eles, os bárbaros, os afegãos, podem fazer a barba e jogar futebol. Alá é substituído por Deus. Jesus salva. A civilização chegou." [Dioclécio Luz]

Outro dia, li o Observatório da Imprensa este artigo aqui, onde Carlos Castilho faz comentários interessantes sobre Leitura Crítica:

"A leitura crítica é um conceito antigo e que era discutido até agora, apenas dentro dos ambientes universitários. Mas o aumento oceânico da informação disponibilizada pela internet acabou transformando-o numa ferramenta quase obrigatória na luta pela sobrevivência dentro da selva noticiosa na qual passamos a viver.
Até agora nós, os leitores, estávamos tranquilos porque acreditavamos piamente que a imprensa era quase infalível e que os seus integrantes eram profissionais vigilantes que zelavam pelas informações que nós tomavamos como base para decidir o que fazer. A tranquilidade foi quebrada quando descobrimos que a realidade não era bem esta não só por conta dos sucessivos escândalos envolvendo manipulação das informações como casos claros de fraude noticiosa."
[continua]

O pior é que tem muita gente que pensa assim:
- Me engana que eu gosto!
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Foto retirada deste link.

26 janeiro, 2007

De que somos feitos?

Antecipando um pouco a Postagem Coletiva a favor da Paz e contra a violência, convido a todos a aderirem à iniciativa do Lino Resende.
A blogagem está marcada para dia 30 de janeiro. Mais informações com o Lino.

De que somos feitos? Perguntei-me, hoje pela manhã, ao presenciar um jovenzinho em seu carrinho fazendo gestos obscenos para o motorista de um ônibus que, supostamente, lhe dera uma fechada.


As associações vieram:

Foi Shakespeare quem assim definiu a essência do ser humano: "Somos feitos da matéria dos sonhos, nossa vida pequenina é cercada pelo sono."

Freud, é demais sabido, atribuiu importância fundamental aos sonhos, a ponto de considerá-los a 'via real' para o conhecimento do inconsciente. Pretendeu criar um método para sua interpretação e para a compreensão das angústias que afligem o Homem. Se não sonhássemos, os conteúdos insuportáveis dos sonhos se refletiriam nos reguladores neurovegetativos (respiração, transpiração, ritmo cardíaco, pressão arterial...) e não dormiríamos em paz: "os sonhos são o guardião do sono", disse. Quando acordamos sobressaltados, o coração aos pulos e a respiração ofegante, constatamos um pesadelo "terrível".

Comumente, chamamos de pesadelo os sonhos em que somos vítimas de ataques, intempéries, vicissitudes de toda ordem: alguém morreu, um ladrão nos persegue, um criminoso nos ameaça ou um animal nos ataca. Nem sempre somos vítimas: há sonhos em que nós mesmos fazemos algo proibido, experimentamos desejos inconfessáveis, cometemos violências e praticamos atos reprováveis. Freud explica: "os sonhos são a realização dos desejos reprimidos".


Descobrimos, pelos sonhos, que não somos feitos apenas de bons sentimentos (solidariedade, amor, compreensão, etc) mas também – e principalmente – de impulsos agressivos. "Qualquer um sabe, por experiência própria, que o mau gênio, o egoísmo, a baixeza, a voracidade, os ciúmes e a hostilidade são sentidos e expressos pelos outros diariamente, embora não vislumbre tão claramente sua existência dentro de si". (Joan Rivière).

O noticiário da manhã já nos oferece um cardápio suculento: bombas no Iraque, tiroteio no Rio, assaltos nas rodovias, assassinatos no bairro vizinho, guerras, falcatruas, terrorismo... Ao meio dia, a TV tinge de sangue o prato do dia. À noite, não dormimos sem escutar e ver mais e mais do mesmo. Às vezes dá vontade de acreditar que "o inferno são os outros", como dizia Sartre e poetizaram os Titãs:

O Inferno São Os Outros
Não quero rotina, nem disciplina,
Não tenho hora, pra ir embora
Não vou pro trabalho, não ganho dinheiro
Não ando na moda, não olho no espelho

Não tenho endereço, casa, nome e sobrenome
Não tenho documento, carro, conta e telefone
Se todo mundo acha, que estou errado, eu acho que não
Se todo mundo acha, que estou louco, eu acho que não

O problema não é meu
O paraíso é para todos
O problema não sou eu
O inferno são os outros, o inferno são os outros

Não tenho amigo, nem inimigo
Não me engano mais
Ninguém vive em paz
Não uso relógio
Não escondo a idade
Não ouço conselho
E nem falo a verdade

Projetamos no mundo externo, no outro, todo o mal. O mecanismo de projeção é, realmente, uma medida de segurança contra a dor, os ataques, o desamparo. O mal está lá fora e, quando temos sentimentos ruins, estes são causados pelos outros: "a culpa não é minha, foi ele quem me atacou".

As guerras assim se justificam: defesa do país, do território. O 'outro' é o agressor. Os noticiários oficiais denominam de 'insurgentes e rebeldes' aqueles que lutam contra o invasor – não é o que dizem os telejornais em relação aos iraquianos que lançam bombas contra os americanos?

Ora, se projetamos no outro todo o mal que nos aflige, o passo seguinte é justificar nosso ataque, nossa agressividade, nosso ódio. Se alguém me ofende, me desagrada, fala mal de mim, "ficamos de mal", não o convidamos para festas e dizemos: -"Fulano morreu para mim". Matamos! Ufa!

Somos feitos de amor e ódio, fome e amor, desejos egoísticos e desejos de harmonia e paz. O difícil – impossível – é controlar tudo isso...


25 janeiro, 2007

Tá mudado!

Com a cara e a coragem fiz a migração pro www2.Blogger!

Até agora, não mudou nada, não doeu.


De brinde, uma fotinha:




De INHOTIM

23 janeiro, 2007

Blogger beta?



Quando abro o editor para escrever algum post, recebo este aviso:

A nova versão do Blogger está pronta!

Agora a nova versão do Blogger possui marcadores de postagem, modelos editáveis via arrastar e soltar, controles de privacidade e todos os recursos originais que você já conhece. E ficou muito mais confiável.

Depois da mudança, o acesso é feito com o login da sua Conta do Google, mas os blogs continuarão os mesmos. O conteúdo e o layout não serão alterados.

Pois alguém já tem experiência neste tal de Blogger Beta?
Funciona bem? É igualzin ao antigo?
Os posts antigos continuarão a aparecer, tal e qual postados?
E os comentários via Haloscan?
Afinal, há vantagens em migrar?

Minha ignorância é enciclopédica, homérica, bíblica, atávica, descomunal...

Alguém aí pode me ajudar?
Desde já, agradeço...

20 janeiro, 2007

18 janeiro, 2007

Alguém leva a sério as advertências do MS?

O Minisério da Saúde adverte... alguém se importa?

A Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária) deve obrigar os fabricantes de bebidas alcoólicas a publicar advertências nos rótulos de seus produtos. Faz parte de uma campanha de conscientização mais agressiva a respeito dos malefícios do abuso.

Se vai surtir efeito, não sei. Parece-me que, no caso dos cigarros, onde há avisos semelhantes, há os que nem lêem e, se o fazem, ignoram as advertências.

A frase "O Ministério da Saúde adverte" já virou gozação e talvez até provoque certo descrédito. Mas não dá pra ficar parado diante dos acidentes de trânsito, mortes violentas, desavenças e outros prejuízos sociais causados pelo uso irresponsável de bebidas.

Quanto a mim, que trabalho na área de Saúde Mental, bem sei dos danos causados aos consumidores crônicos: psíquicos, neurológicos e sociais.

Mas cada qual é dono de seu corpo... ou melhor, acha que é e acaba perdendo a autonomia na medida em que se torna um dependente ou um inconsequente. Enfim, todo mundo sabe disso, mas faz questão de esquecer.

Eis as frases formuladas para os comerciais de bebidas alcoólicas:

  • “O Ministério da Saúde adverte: o álcool é causa de inúmeras doenças, como câncer de fígado e lesões cerebrais”

  • “O Ministério da Saúde adverte: o álcool causa dependência física, química e psíquica"

  • "O Ministério da Saúde adverte: a ingestão de álcool durante a gravidez é causa de retardo no desenvolvimento mental do bebê"

  • “O Ministério da Saúde adverte: acidentes de trânsito após o consumo de álcool são responsáveis pela maioria das causas de morte em todo o mundo. Se beber, não dirija”

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas é incompatível com a condução de veículos, podendo resultar em prejuízos para o indivíduo e/ou terceiros"

  • “O Ministério da Saúde adverte: a cada 100 acidentes de trânsito fatais, cerca de 70 são causados pelo consumo de álcool. Se beber, não dirija”

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas pode causar dependência, sendo proibida sua venda a menores de 18 (dezoito) anos"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo irresponsável de bebidas alcoólicas é prejudicial não só para o indivíduo como também para a sociedade"

  • "O Ministério da Saúde adverte: a cada 100 casos de adoecimento e morte no país, cerca de 10 são causados pelo consumo de álcool"

  • "O Ministério da Saúde adverte: a cada 100 laudos cadavéricos por mortes violentas, em 70 são detectados a presença de álcool"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas alcoólicas está relacionado ao abandono de crianças, aos homicídios, delinqüência, violência doméstica, abusos sexuais, acidentes e mortes prematuras"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o álcool é causa de inúmeras doenças, como pancreatite, hipertensão arterial, doenças do coração, acidentes vasculares cerebrais"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas alcoólicas durante a gravidez é causa de má formação do bebê"

  • "O Ministério da Saúde adverte: o consumo de bebidas alcoólicas impõe prejuízos incalculáveis ao indivíduo e a seus familiares, à sociedade e ao sistema de saúde pública"

  • "O Ministério da Saúde adverte: dirigir alcoolizado é crime de trânsito”

  • "O Ministério da Saúde adverte: vender bebida alcoólica à criança é crime”

14 janeiro, 2007

Frango com queijo na moranga


Porque hoje é domingo
Porque o tempo está frio
Porque chove de mansinho
e a alma até se arrepia

Ponha lenha no fogão
atice o fogo sem perdão

Pegue uma abóbora das maiores
e retiradas as sementes
por um tampo bem cuidado
deixe a moranga cozinhar

Recheie:
nacos de frango temperados
pimentão, tomate, cebola,
sabores olorosos do quintal

Cubra:
com requeijão
- sem miséria!

Leve ao forno
Gratine

Sirva com fidalguia
E devore como um frade
tão sublime iguaria

Suspire
(lamba os beiços, faz mal não!)

- Existe igual em sua terra?

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12 janeiro, 2007

Assutador!

Pedro Dória publicou e repasso, com o espírito de promover o bem público, a saúde de todos e a felicidade geral da nação! O artigo original se intitula What Happens To Your Body If You Drink A Coke Right Now?.
Mesmo que não seja tudo verdade científica, dá pra assustar:


" Vejam o que acontece em seu organismo se você beber uma latinha de coca-cola agora (vale para outros refrigerantes não-diet, acho eu):

  • Nos primeiros 10 minutos: 10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo porque o ácido fosfórico corta o gosto.

  • 20 minutos: O nível de açúcar em seu sangue estoura forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito neste momento particular.)

  • 40 minutos: Absorção da cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sangüínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras.

  • 45 minutos: O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona igualzinho com heroína.)

  • > 60 minutos: O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.

  • > 60 minutos: As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. (Você urina.) Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, dos quais seus ossos precisariam.

  • > 60 minutos: Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritadiço. Você já terá posto para fora tudo o que estava na Coca, mas não sem antes ter posto para fora junto coisas das quais seu organismo precisaria. "
No mesmo site (em inglês) você pode aprender o que acontece com seu corpo se você parar de fumar agora...

11 janeiro, 2007

Trânsito complicado

Eu ia reclamar, no post de hoje, do trânsito aqui em BH, pelas seguinte razões:
  • 'ninguém' dá a seta antes de mudar de faixa ou entrar numa rua lateral;
  • todos os caminhões de entrega de refrigerantes, dinheiro, cerveja e cargas em geral param na faixa de rolamento, mesmo quando há vagas próximo à calçada;
  • a rodoviária fica no centro da cidade, cercada de ruas 'contra-mão' por todos os lados;
  • a cidade só tem subidas, nenhuma descida (juro!);
  • os concertos de asfalto, buracos da Cia. de Água e Saneamento e outros buracos mais são feitos no horário de rush (afinal, a noite é para dormir!).

Não, não vou falar nada disso, pois o que está no filme aí embaixo é mil vezes pior!


09 janeiro, 2007

Milagre

Orvalho
Tempestade
ou garoa:
a folha tenra
brinca de Deus
e transforma a água
em pérolas.




Foto by Cláudio Costa
Posted by Picasa

06 janeiro, 2007

Psicanalisando "O Código Da Vinci

Eu me permiti indicar, hoje, uma 'escuta' diferenciada do livro "O Código Da Vinci". O sucesso dessa obra não me pareceu lá muito merecido.

Li e me decepcionei com a pouca 'literatura', embora reconheça algum valor na trama policialesca. Entretanto, o 'pano de fundo' é instigante e provocou reações em todo o mundo ocidental.

Eis a análise feita pelo psicanalista Sérgio Telles:

"O enorme sucesso do romance O código Da Vinci, de Dan Brown, bem como do filme nele baseado, o caracterizam como produto típico da indústria cultural globalizada consumido vorazmente por milhões, até saturar o mercado e logo ser esquecido e substituído por um similar que inicia um novo ciclo de consumo. Em contrapartida aos produtos da indústria cultural, as obras de arte atingem um número pequeno de pessoas e persistem por muito tempo, seduzindo novas gerações. Elas dificilmente são tão lucrativas quanto os artefatos da indústria cultural, que enchem os bolsos de todos os envolvidos em sua produção.
O enredo já é de conhecimento geral:" (Leia mais aqui. Interessantíssimo!)