A Revista de Psiquiatria & Psicanálise com Crianças & Adolescentes, do Centro Psíquico da Adolescência e Infância (Cepai), da Rede Fhemig, chega a sua décima terceira edição. Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
08 setembro, 2008
Número 13
A Revista de Psiquiatria & Psicanálise com Crianças & Adolescentes, do Centro Psíquico da Adolescência e Infância (Cepai), da Rede Fhemig, chega a sua décima terceira edição. 07 setembro, 2008
Amar é...
Mais recentemente, cientistas alardeiam ter encontrado uma área cerebral responsável pelo amor: sítios neurológicos que "captam" mais dopamina e desencadeiam sensações de prazer quando alguém se depara com o objeto amado (a palavra objeto, aqui, não tem nenhum significado pejorativo, coisificante).
Os poetas hão de desdenhar a apropriação biologicista de sentimento tão universal quanto inexplicável. Dirão - com razão - que "amor não é pulsão sexual".
Os filósofos se definem como "amantes" da sabedoria, pois se entem inspirados pelo "amor ao conhecimento"!
O Dicionário Larousse de Psicanálise (Dictionnaire de la Psychanalyse - reférences Larousse) assim definiu o Amor: "sentimento de afeição de um ser por outro, às vezes profundo, violento mesmo, mas sobre o qual a análise mostra que pode estar marcado pela ambivalência e, sobretudo, que não exclui o narcisismo". Ufa! Nada simples: sentimentos quase antagônicos se misturam no que seria o amor: afeição, violência, ambivalência, narcisismo - poderíamos acrescentar: ilusão, imaginário, projeção, sentimento de posse, ciúmes, ódio, medo, sexualidade e um longuíssimo etcoetera!
"Amor e ódio são as duas faces de uma mesma moeda", já ouvi em algum lugar. Por isso se diz que "o contrário do amor não é o ódio - como parece - mas a indiferença".
Quantas vezes escutei, na clínica, os lamentos de gente recém-saída de um relacionamento amoroso:
-"O pior, doutor, é que nem se passaram duas semanas e ele já arrumou alguém! Eu, aqui, sofrendo. Como posso acreditar que em nossa relação teve amor? Se ele gostasse mesmo de mim, não arrumaria outra pessoa tão rapidamente! Isso mostra que eu não significava nada!" A dor está aí: nada significar para o outro, ser-lhe indiferente.
Ou então:
-"Após a separação eu estava ótimo, já me acostumando com a vida de solteiro, dando minhas saídas. Mas outro dia, num restaurante, eu a vi acompanhada e meu mundo desabou!" Constata-se que é substituível. Oh dor!
Por mais dicionários que se utilizem, pouco saberemos do Amor. Usa-se o A maiúsculo para indicar que essa experiência quase inefável seja um "deus". Nas religiões, principalmente no Novo Testamento, há uma definição de Deus: "Deus é amor". Lembro-me de meus tempos de Colégio do Caraça, onde as Semanas Santas eram comemoradas ainda de acordo com a liturgia romana em latim: Ubi amor est, Deus ibi est: onde existe amor, Deus aí está. Cantávamos em gregoriano...
Só mesmo poetas descobrem palavras para falar do amor. Para quem não experimentou este sentimento, tudo parece ridículo. Dizem: "amantes são ridículos".
O amor não se explica, vive-se. Quem está de fora jamais poderá compreender como se formou este ou aquele casal.
Outro dia, escutei:
-"Não sei o que fulano viu naquela garota tão sem graça."
Ainda:
-"Como pode uma menina tão feiinha arrumar um cara tão gato?"
Geralmente, após uma ruptura ou durante um relacionamento tumultuado por brigas e até maus tratos, a "vítima" se lamenta:
-"Não sei porque, mas não consigo me livrar daquele cafajeste!"
-"Por mais que eu tente, não me esqueço daquela vagabunda!"
Nosso inconsciente não têm explicação racional, visível. Algo foge de nosso controle e somos apanhados por um objeto que desperta nosso desejo. Quantas fantasias embalam o sentimento amoroso e edulcoram o objeto amado! Fantasias necessárias, saudáveis, deliciosas. Explicações não são mesmo necessárias. Quanto as encontramos, descobrimos logo que são insuficientes. Melhor mesmo é amar e pronto!
Não há como negar a propriedade do psicanalista francês, Jaques Lacan, quando assim define o amor:
-"Amar é dar o que não se tem a quem não sabe o que quer."
E você, discorda?
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Republicado com os comentários anteriores.
31 agosto, 2008
Périplo ou odisséia?
Périplo - s.m. (a1858 cf. MS6) 1 viagem de circunavegação em torno de um país, de um continente 2 fig. viagem turística de longa duração 3 (a1858) p.ext. relato dessas viagens ¤ etim gr. períploos ou períplous,ou 'circunavegação', perí- 'em torno de' e plóos,ou 'navegação', pelo lat. perìplus,i 'id.' [Houaiss].
Odisséia - s.f. (1873 cf. DV) 1 longa perambulação ou viagem marcada por aventuras, eventos imprevistos e singulares 2 narração de viagem cheia de aventuras singulares e inesperadas 3 travessia ou investigação de caráter intelectual ou espiritual
[Houaiss]
De repente, surgiu o convite do mano Boni para festa de 15 anos de casamento com a Cida que, por sua vez, comemoraria aniversário. Além disso, ir a Nova Era tem sabor de encontro de família, rever os meus pais e outro irmão que moram por lá.
Juntamos mala e cuia e saímos daqui de BH às 16,50h de sábado, com tempo de sobra. Éramos: Amélia, eu, nosso filho Ângelo & a namorada Renatinha.
Foi o início comum de uma longa viagem.
Sair de Belo Horizonte em direção ao Vale do Aço (nome da região por causa das grandes metalúrgicas Arcelor/Belgo-Mineira, Acesita e Usiminas) requer paciência e cuidado para enfrentar uma estrada saturada, com traçado absolutamente maluco, abarrotada de caminhões, ônibus e automóveis. Trata-se da 'rodovia da morte'. Sei que quase todas são "de morte", mas a BR262/381 ganha com muitos corpos de vantagem (argh! que coisa horrível este trocadilho!).
Tudo corria bem, exceto o trânsito que se arrastava, como sempre. Entardeceu e começou uma ventania fortíssima. Há três meses sem chuva, pequenos galhos e miríades de folhas (sempre quis usar essa palavra) rodopiavam à luz dos faróis. Antes que acabasse de falar Vai chover, a tempestade desabou. Mal e mal vislumbrava o farolete do veículo à frente, o olho-de-gato que divide as pistas, mais nada. Assim dirigi por 1 hora inteira, palmo a palmo vencendo chuva, enxurrada, (in)visibilidade, tensão. Éramos quatro pares de olhos, cada par tentando adivinhar o que havia 30 cm à frente: Devagar! Olha, o carro ali freou! Aquele ali saiu da pista! Ó o caminhão! Vamos parar?
Dentro do carro era muita tensão, medo, sensação de extremo perigo. Às margens da rodovia, carros parados, alguns com as rodas dentro das valetas, impossibilitados de continuar viagem... Amélia e Renatinha contavam casos engraçados, riam, mas era nervosismo puro. Chegaram a rezar. Entretanto, não havia como sair daquela situação: trânsito à frente e atrás, uma fila indiana da qual só se viam as lanternas da frente e o farol no retrovisor.
Paramos. Ou melhor: tudo parou, a fila de luzinhas vermelhas, pisca-pisca piscando. Stop! a vida parou ou foi o automóvel?, poetou, um dia, Carlos Drummond de Andrade. [Cota Zero, Alguma Poesia, 1930]. Parou tudo, mesmo. Estávamos no contorno de João Monlevade, próximos a um posto da PRF; dei meia volta e fui lá saber do guarda o que estava acontecendo. Explicou: uma árvore caiu lá na frente, fechou a estrada. Não há previsão de liberar, pois estamos sem energia elétrica e não dá pra chamar ajuda. Pergunto: E por dentro de Monlevade, dá prá passar? Ele: Lá está tranquilo. Nós: Então vamos!
Ledo engano! [Fala aí, professor, o que é ledo? "Ledo" vem do latim 'letus', que significa alegre. Daí 'Letícia", que significa alegria. Ah, bom, continuemos.] A alegria durou pouco, pois a entrada para a cidade estava inundada. Mas um chevettinho passou, porque não passaríamos? Pisei fundo e seguimos em frente. Dentro da cidade a avenida principal estava quase intransitável.
Próximo à usina fomos envolvidos pela neblina, um fog intenso, apesar de Londres estar do outro lado do oceano. Os alagamentos eram numerosos. Avaliávamos o risco, engatávamos uma segunda marcha, acelerávamos com determinação e ganhávamos mais uns metros à frente.
Em Bela Vista de Minas, o caos: uma chuva de granizo cobriu o asfalto. Deslizamos numa ladeira mas, graças ao empurrãozinho do Ângelo e à perícia do condutor (este humilde servo que vos fala) vencemos os obstáculos, com denodo e arte.
[Que isso, professor? Uai, procura no Houaiss e você vai achar: denodo: /ô/ s.m. (sXIV cf. IVPM) 1 ousadia, bravura diante do perigo; intrepidez, coragem 2 p.ext. atitude arrojada e irrefletida; precipitação, afoiteza 3 p.ext. agilidade na ação; desembaraço, soltura, desenvoltura 4 fig. procedimento nobre e valoroso; brio, distinção. Nossa! Que exagero!]
Hoje, 10,30h, pé na estrada. Vamos voltar cedo, que o trânsito deve estar bom, almoçamos em Belorizonte, meio dia a gente tá chegando em casa. Ângelo e Renatinha teriam um compromisso às 14h. Mais tarde, uma festa de aniversário. A gente queria descansar. Então, vamos!
Na descida da Serra de São Gonçalo, um caminhão baú tombara fora da estrada, à beira do abismo. Passamos devagar, porém aliviados por não haver retenção do tráfego. Se continuar assim, chegaremos antes das 13h, exclamei.
Fazemos uma mini-assembléia: Esperar? Voltar até um restaurante, almoçar e ver o que vai dar pra ver como é que fica? Dar uma volta de 150km em torno da Serra do Caraça, passar por Barão de Cocais, Santa Bárbara, Sta. Rita Durão, Mariana, Ouro Preto, Itabirito e chegar a BH pela Br 040?
Venceu a última alternativa, a mais complicada, com o forte argumento de podermos almoçar no velho Colégio do Caraça [a comida lá é boa demais, é só uma subidinha à serra, foda-se, vamos passear, turismo é assim, de tardinha a gente chega, tudo é festa quando a alma não é pequena, não existe pecado ao sul do Equador... Chega!].
Resultado: almoço na serra, paradinha em Catas Altas, cruzamento com carreata política em Mariana [Roque já ganhou!], empadinha com guaraná em Cachoeira do Campo, virar à direita na Br040 alí perto de Alphaville, depois o Miguelão, Belvedere, Raja Gabaglia e... casa! Mais tempo de estrada que de festa.
Foi um périplo! Ou seria uma odisséia?

29 agosto, 2008
Pra não dizer que não falei das flores... para onde foi a política?
19 agosto, 2008
15 agosto, 2008
Em breve: mais um empreendimento...
Belo Horizonte sintetiza, assim, a própria geografia do Estado e suas avenidas percorrem vales onde, antes, corriam riachos e ribeirões. As ruas do plano inicial da cidade foram traçadas a régua e esquadro, ignorando totalmente os acidentes geográficos: algumas são intransitáveis! Entretanto, há certa beleza nessa paisagem acidentada e diversa, que alguns comparam com San Francisco-CA, por exemplo.
O certo é que a especulação imobiliária nunca tem fim e prédios são construídos em locais improváveis, já que os recursos de engenharia atendem ao desejo de se habitar bairros mais centrais.
Pois o nosso bairro, o Gutierrez, é assim: começou no fundo de um vale, atendendo à classe média no final da década de 50. Pouco a pouco evoluiu morro acima, onde terrenos valiosos e novos prédios foram erguidos, alguns até luxuosos.
O movimento no terreno ali ao lado, finalmente, fez sentido: eram agrimensores com seus teodolitos e planilhas. Imaginei: vem mais um prédio, aí.
Finalmente, uma incorporadora, qual conquistadores de outrora, fincou suas bandeiras amarelas no perímetro extenso do quarteirão. Teremos vizinhos:

09 agosto, 2008
Mineirão e Diamantina
[Up date: não deu zebra! Pior: o esquadrão gaúcho saboreou churrasco de galináceo: 4x0.]
Mineirão! Foto by Hugo (meu vizinho, do helicóptero da PMMG)
2. Há uma semana chegamos de Diamantina. Valeu o passeio, um mergulho na região central das Minas Gerais, paisagem áspera palmilhada e descrita por Guimarães Rosa, telhados coloniais, igrejas para todos os santos, Chica da Silva, cristais, tradição das serestas, Vesperata, etc.

Diamantina-MG. Mercado. Foto by Cláudio.
3. Amanhã, comme il faut, almoço com o pai Soié, em Nova Era, cidadezinha que se debruça às margens do Rio Piracicaba, onde até a ponte mandada construir por Getúlio Vargas é atração:

01 agosto, 2008
Serro e Diamantina
São cidades do ciclo do ouro e do diamante, históricas por motivos vários: seja pela riqueza que gerou e foi transferida para Portugal e Inglaterra, seja pelos desmandos dos capitães de escravos e contratadores de garimpeiros, seja pela origem de JK, seja pelo queijo "do Serro", enfim, pela paisagem interessantissima: campos altos da Serra do Espinhaço, que começa com a Serra do Caraça (próximo a Ouro Preto), continua como Serra do Cipó, perto de Jaboticatubas e passa por aqui (hoje vi a nascente do Rio Jequitinhonha) e se estende até à Bahia.
Muita aridez, pedra pra chuchu, cachoeiras, etc.
Ah, tem a casa de Chica da Silva, logo ali. E, em frente, o mercado que foi cenário do filme sobre a Chica. Mais adiante, a casa onde nasceu J.K., o presidente "bossa nova", hehehe
A gente anda pra baixo e pra cima, muita ladeira calçada com pedras escorregadias, lisas pelo tempo.
Igrejas não faltam: ô povo rezador, aquele daquela época.
Muito universitário pelas ruas, ou melhor, pelos botecos: como bebem! Também, a dose de pinga é 0,50 , a garrafa custa R$ 3,50 e o frio é de lascar, pelo menos nessa época.
Amanhã à noite, "Vesperata": músicos ficam a tocar das janelas dos casarões e a gente na rua, escutando, bebendo, namorando.
Terra de Minas, essa. Cada povo com seu uso, cada roca com seu fuso...
E o porta-malas repleto de "queijo do Serro", que ninguém é de ferro.
31 julho, 2008
Relax
Então: Amélia & eu estamos indo, agorinha mesmo, pra Diamantina-MG. Antes, uma noite na cidade do Serro, onde comeremos o genuíno "queijo do Serro", of course.
Até segunda, com bateria recarregada e algumas idéias na cabeça pra voltar a postar. Xô, preguiça!
17 julho, 2008
Vou dobrar-me à regra nova de viver?
- Como assim, cara pálida? perguntei.
No decorrer do texto, havia outros termos do campo psi, não necessariamente com embasamento científico, pois que se tratava de um texto leve, numa revista levíssima.
O autor quis agregar alguma reflexão psicológica à palavra adultescente.
Eu próprio já a ouvira antes, mas não custava nada socorrer-me na fonte inesgotável de saber (!), o buraco sem fundo chamado Google.
O primeiro link, texto de Sérgio Rodrigues, socorreu-me:
Adultescente é um neologismo jocoso de sentido óbvio, cruzamento de adulto com adolescente. No entanto, ainda não abriu caminho até os dicionários brasileiros e, mais do que isso, não parece ter vingado de verdade em nosso dia-a-dia. Tudo indica que vingará. Nascido no inglês americano como adultescent, registrado pela primeira vez em 1996 e eleito pelo dicionário Webster’s a “palavra do ano” de 2004, o termo já tomou assento firme pelo menos em espanhol, na forma adultescente, de grafia igual à nossa.
(...) adultescente tem consistência maior do que ajudar profissionais de marketing a bolar produtos destinados a esse nicho de mercado detectado no fim do século 20, o dos adultos “infantilizados”, consumidores de videogames e livros sobre magos mirins, que prolongam a dependência do lar paterno muitos anos além da média histórica, mesmo que – e isso é o mais intrigante – ganhem dinheiro suficiente para ter sua própria casa.
Um outro link remeteu-me para considerações de Maria Teresa Soares Eutrópio, mais próximas da interpretação psicológica:
Adultescente, pessoa imbuída de cultura jovem, mas com idade suficiente para não o ser. Geralmente entre os 35 e 45 anos, os adultescentes não conseguem aceitar o fato de estarem deixando de ser jovens.
A cronologia do fenômeno deu um salto de 20 anos! Vê-se bem que este critério não é lá muito confiável, inda mais que o psiquismo escapa do calendário.
Perseguindo o raciocínio do autor - não lhe lembro o nome e recuso-me a declinar o nome da revista. Confesso que estou sendo injusto, pois o que vi, a seguir, me agradou mais do que a primeira acepção (mercadológica), sendo mais profunda que a segunda (o que fundamenta a recusa em aceitar o fato de ser jovem?).
O conceito de adulto jovem seria aplicado, segundo o cara da revista, a alguns mecanismos psíquicos comuns ao que chamaríamos de pensamento mágico(Piaget), próprio da criança entre 7 e 11 anos, progressivamente abandonado até sua substituição por outra forma de estar-no-mundo, mais condizente com a realidade. Piaget diz que o egocentrismo é a base do pensamento mágico e a saída deste estágio de desenvolvimento intelectual se dará pela socialização e teste de realidade. É o que escreve Gobin:
Tratam-se de fenômenos psíquicos, complexos, com aspectos intelectivos, cognitivos, emocionais e sociológicos - inclusive dependentes da classe social a que pertence o tal jovem adulto.
- Vamos ao que interessa!
Três crenças alimentam o jovem adulto descrito na revista, as quais podem ser mais exacerbadas, caracterizando uma pessoa mais próxima da adolescência propriamente dita. Se mais tênues e diminuindo de intensidade, estaremos diante de um jovem entrando na fase adulta
- 1a. crença: Posso ser tudo!
- 2a. crença: Posso ter tudo!
- 3a. crença: O Tempo não passa!
O mundo do Marketing quer nos manter atrelados aí, prometendo-nos e aos jovens mais ainda, um mundo onde tudo é possível, o importante é viver o aqui e o agora, seja o que quiser: basta comprar tal ou qual gadget, o celular de última geração, o automóvel que suporta bombas, demolições e terremotos, já que transporta La Bündchen e Mr. Stallone! Seja você, também, um deles é o imperativo do marketing.
Assim, não dá mais para sair da casa dos pais, enfrentar o mundo (real), pois é preciso ter TUDO, ser TUDO e o futuro não existe!Mas não é preciso nenhuma 'psicologia' para revelar os conflitos que atravessam os adolescentes e os jovens adultos. Os poetas sabem dizê-lo, muito antes de inventarem palavras como adultescente e forjarem expressões tipo adulto jovem. Lembrei-me deste poema do Carlos Drummond de Andrade, que aprendi há anos e não me abandona:
“Vou dobrar-me à regra nova de viver.
Ser outro que não eu,
até agora musicalmente agasalhado
na voz de minha mãe, que cura doenças,
escorado no bronze de meu pai, que afasta os raios.
Ou vou ser menos, talvez isso,
apenas eu unicamente eu,
a revelar-me na sozinha aventura em terra estranha?
Agora me retalha o canivete desta descoberta:
eu não quero ser eu,
prefiro continuar objeto de família”.
[Drummond: "Fim da casa paterna"]
16 julho, 2008
Me engana que eu gosto

O que é que é?
Tem gosto de cigarro, solta fumaça
como cigarro, mas não é cigarro?Cada kit vem com 20 cigarros e custa US$ 49,95 nesta
loja virtual.
[Recebi e repasso.]
13 julho, 2008
À mesa, num domingo
Estava frio, pela manhã. A gente ficou naquela preguiça típica do inverno, tentando manter o calor dos cobertores até o sol garantir sua presença.
O café-da-manhã foi degustado sob forma de iogurte com frutas, pão com queijo canastra passado na frigideira, café pelando a língua e otras cositas más.
A natureza foi lembrar-nos do almoço no meio da tarde, quando ainda bezerrávamos placidamente pela casa, meias grossas nos pés, jornais espalhados, tv, computador, música...
Ângelo deu a dica, pegamos a Renatinha e buscamos o Bistrô, que fica pros lados da Pampulha, pertinho do Mineirão e da lagoa.
Sol plácido, ar puro e paisagem tão aprazível formavam o cenário quando estacionamos em frente à Floricultura Verde Essencial. Explico: o local abriga restaurante, flora e atelier:
Acomodamo-nos na varanda.A seleção de cogumelos frescos grelhados com ervas, azeite e redução de aceto balsâmico foi a entrada sugerida pela chef Heloísa Barreto:
A pièce de resistence seria escolha individual.Quanto a mim, oscilava entre camarões e salmão grelhado. Este último me pareceu mais consistente, já que prometia a leveza do pescado associada à crosta de gergelin e ervas, guarnição de purê de mandioquinha com creme de espinafre, além da sutileza do shimeji:
A tarde ainda nos brindava com sua cálida energia, o que justificou o sorvete de frutas do cerrado, como sobremesa.O sol, afinal, deslizou preguiçosmente para o outro lado do mundo, talvez fugindo do frio que descia da Serra do Curral.
- E o domingo foi ótimo!
30 junho, 2008
26 junho, 2008
Uma noite das Arábias
Recebemos a visita do Thiago, de Canis Familiaris, aqui em casa. Vocês sabem, blogueiro conhece blogueiro e o Thiago logo se lembrou de uma história que contei há uns 3 anos, verídica em todos os detalhes. Em sua homenagem, já que ele é de Teresópolis, republico o post:
À chegada, um mirante nos proporciona o espetacular panorama do famoso "Dedo de Deus" e de outros picos. Dali, descortina-se, lá embaixo, parte da cidade do Rio de Janeiro e da baía da Guanabara (à noite, as luzes brilham como num céu estrelado, só que aos nossos pés!).
A impressão dela quase se concretizou diante da cortina de plástico no box do banheiro, tal e qual. Agora só faltava o facão!!! [Com efeito, na minha cabeça, revi as cenas do mais famoso filme de Alfred Hitchcock, no qual uma jovem foge com o dinheiro da imobiliária onde trabalha e planeja encontrar o namorado, que mora em outra cidade, mas interrompe a viagem para dormir num velho motel administrado por um estranho rapaz (o psicótico Norman Bates) e sua mãe.]
O dia estava radiante, o sol banhava a floresta e os pássaros faziam algazarra. Um bando de maritacas passou gritando rente à varanda. Já de malas prontas, despedimo-nos do nosso anfitrião, transmutado em afável interlocutor. 22 junho, 2008
Ainda as Bodas
Aqui.
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(Veja algumas fotos das Bodas).
11 junho, 2008
Sexagésimo ano: Bodas de Diamante
Sexagésimo aniversário de casamento com saúde, lucidez e bom humor é para pouquíssimos casais.
Sexagésimo aniversário de união feliz seria impossível se não fossem os protagonistas deste feito: meus pais, Ismael (Soié) e Aparecida.
Quem melhor para contar essa história, senão ele próprio, meu pai?
AQUI
08 junho, 2008
NONADA
- Será pura sonhice ou é existível sabor tão penetrante?
Fechabri os olhos, para melhor sentir, disquirindo sabores e aromas. Pois foi. Amélia suputou quantidades e mandamos pesar um dos:
- É pra preparar uns pãozim-de-queijo...
Desfechei o bolso, pois que carecia pagar. Ela ainda refalou:
- Polvilho bom é Marinez.
Aos pouquinhos, a matlotagem se completou.
Beiradeando os corredores dos botecos, passamos por entre gaiolas onde tintipiava a passarinhada em turbulindo. No Café Dois Irmãos, tradicional ponto de paragem, nãostante ainda com lembranças do almoço, uma pedida:
- Um cafezim com broinha!
- Perfeitamém, ossenhor, perfeitamém.
Pois a mocinha deu e redeu, pois impossível desquerer mais e mais.
- Essezim, sim, que é cafezim, cujo Minas Rio era o nome.
Hora dirembora. Lá fora, o lusfús, a tocar Ave Maria.
É que a Editora Santa Clara, do amigo ZéMaria, acabou de publicar-lhe "Um abreviado do Grande Sertão:Veredas".
25 maio, 2008
Madeleine
16 maio, 2008
Com adrenalina ou sem adrenalina?
O pai, por sua vez, jamais negou atenção ao filho e, para o bem ou para o mal, exercia certo controle à base de promessas, presentes e raríssimas privações: eu compro o garoto, mas não tem outro jeito! Ele só faz o que peço mediante troca.
No capítulo 8, resume a "invenção" de Balint, criada para dar conta de explicar duas expressões comportamentais:
- certo tipo de pessoas se comprazem em viver perigosamente, nem que seja em jogos e esportes radicais, enquanto outras fogem do perigo, temem o incerto, aferram-se à rotina e aos objetos.
O moço que causava tanta preocupação se diz atraído pela aventura, admira os marginais que não temem pela própria vida. Frequenta as bocas e as quebradas, justifica, pois é onde reina a alegria, a zoação, o não-estou-nem-aí, o vamos fundo, brother! Apressa-se em se distinguir deles, porém: não bebo, não fumo, não faço coisa errada; tenho família! Seu critério para diferenciar o 'certo' do 'errado' é bem elástico, convém dizer. Refere-se aos boyzinhos classe-média como rabos-de-peru.
Já outro pai queixou-se da filha, moça de 26 anos, que era insegura, não conseguia terminar nenhuma das três faculdades que iniciara, sempre se dizia incapaz de competir, não desgrudava da mãe, de quem dependia até mesmo para escolher o que vestir. Exemplifica com uma situação recente, quando a filha recusara um emprego porque teria de pegar ônibus e chegar tarde em casa. A jovem não se permitia uma aventura sequer, um passo além do bairro, uma conquista acadêmica. Aferrou-se à segurança do ventre materno?
Balint repara que muitos brinquedos em parques-de-diversões oferecem prazeres por meio de atirar ou bombardear, quebrar coisas, vertigens de balanços, carrosséis e rodas gigantes, jogos de azar, horóscopos, enfim, prazeres ligados a sensações de vertigens.
Se os sintomas do rapaz são o avesso dos apresentados pela moça, algo existe em comum: tanto o primeiro quanto a segunda têm uma base de apoio: o jovem, como um saltador de bump jumping, tem a garantia da corda que lhe cinge o corpo, o elástico que o trará de volta à rampa do salto. O paraquedista, o marinheiro, o piloto de avião, todos se lançam ao espaço, arriscam-se mas esperam retornar ao chão firme, sãos e salvos. Mas não recusam a adrenalina!
Balint aponta três características deste comportamento:
- Um certo grau de medo consciente ou pelo menos a consciência de um perigo externo real.
- O fato de se expor voluntária e deliberadamente a este perigo externo e ao medo que ele provoca.
- A esperança mais ou menos firme de ser capaz de suportar e dominar o medo, de ver desaparecer o perigo e de estar à altura de reconquistar são e salvo a segurança.
Trata-se, segundo Balint, de um comportamento que se caracteriza pelo agarrar-se a objetos que dão segurança quando a pessoa se sente ameaçada. Ou seja, evita sempre as situações filobáticas.
Inventou outra palavra, também derivada do grego: akneo, que significa “furtar-se, hesitar, agarrar-se”, e filia (busca, aproximação, amizade) e surgiu termo Ocnófilo.
Balint:
O ocnófilo é a pessoa que evita situações de risco, de aventura, e prefere permanecer em zonas seguras ou se agarrar a objetos. A grosso modo, o filobata gosta de gozar das dificuldades, da independência e dos espaços livres; o ocnófilo gosta de objetos e coleciona coisas.
Assim, aparece uma tentativa de classificar as pessoas pela filobacia e ocnofilia que apresentam na maior parte de seus comportamentos. Não sei se existem mais autores dedicados a isso, se se pode comprovar estatisticamente a existência destas personalidades, mas acho muito interessante. Qualquer definição que pretenda enquadrar as pessoas corre o risco de ser desmentida, tal a diversidade de fatores que determinam o agir.
Exemplifico com a demanda feita por um jovem marido, especialista em flertar com todas as mulheres, jogar conversas de duplo sentido e até cometer umas aventuras extra-conjugais. Imagine que o rapaz se queixou de sua insegurança e solicitava ajuda para ser mais corajoso! Como assim? perguntei. Ele: É que gostaria de separar-me da minha esposa e morar com uma colega de trabalho pela qual estou apaixonado... mas tenho medo de dar errado e minha mulher não me aceitar de volta. Provoco: Fale com sua mulher, quem sabe ela aceita? Ao que, de pronto, responde: De jeito nenhum! E se ela não gostar e me mandar embora? Aí eu posso ficar sem ninguém!
Seria o caso de um pseudo filobata? Um ocnófilo borderline?
Eu próprio já tive algumas experiências de risco: Saí de Belo Horizonte e fui hospedar-me na casa do Milton Ribeiro, em Porto Alegre. Apenas o conhecera via blog. E se ele fosse o Vampiro de Dusseldorf? Outra: Comi lasagna na casa do Dom Afonso, autodenomimado O Chato. Nunca o tinha visto, a não ser pela sua chatura no blog, e nem pensei que o gremista pudesse envenenar um torcedor do Clube Atlético Mineiro. Mas arrisquei: filobata, eu? Pior: aceitei carona em um Honda Civic, no Rio de Janeiro!!! Diagnóstico definitivo!
Mas sou mineiro, montanhês, desconfiado, apegado à família, agarrado com Amélia, caseiro, estável no mesmo emprego e na mesma profissão. Pois que seja, sou mesmo ocnófilo!
Definir alguém como filobata ou ocnófilo pode ser, realmente, reducionista demais. Balint e Pierre Weil sabem disso e afirmam que não existem os tipos extremos, mas todos oscilamos entre um polo e outro, dependendo das circunstâncias e das fases da vida.
11 maio, 2008
Cartão virtual
04 maio, 2008
Viagem afetiva
Temos amigos valiosos na capital federal e queríamos estar perto deles e abraçá-los, para além do virtual internético ou dos telefonemas.
Assim, embornal a tiracolo, fomos num pé e voltamos no outro, mas a alegria dos encontros inundou nossos corações.
Primeiro, conhecemos a netinha meio-brasileira e meio-americana de Maria Auta e Valdir, numa festa de segundo aniversário cheia de brilho, balões, brincadeiras e boa conversa. O papai Guga, que vimos ainda de calças curtas, agora é um jovem empreendedor lá nos States. O tempo passa...
No dia seguinte, hora de abraçarmos mermão Paulo e sua Letícia, de quem falei algumas vezes, em especial neste post de 2004.Não era aniversário, mas também rolou a festa, juntou-se a família, filhos e namorado da filha, pois os laços afetivos são antigos e cultivados com encontros ocasionais, férias em conjunto, etc.
30 abril, 2008
28 abril, 2008
26 abril, 2008
Daylight
Quase posso tocá-las.
Se, ontem, a torre se banhava de luar, hoje mergulha no anil.
As coisas são sempre as mesmas ou mudam conforme o olhar?
Existem realmente ou apenas reverberam ondas de luz, mais intensas ou tênues, de dia e à noite?
Que mensagens são captadas por ouvidos tão atentos e numerosos, que florescem no tronco metálico?
Antenas são ouvidos e olhos?
Será que espiam meus passos, escutam-me ao piano, censuram meus pensamentos?
A torre é feia e bonita.
A torre.





