14 janeiro, 2006

Mineirinho Valente

Mineirinho Valente




Ingredientes:
600 gramas de canjiquinha (deixar de molho na água por 1 hora aproximadamente)
2 cebolas picadas
1 pimentão vermelho picado
2 talos de aipo picado em cubos
Tempero alho e sal
2 litros caldo de costela
4 dentes de alho picado
3 colheres de sobremesa de manteiga
4 colheres de azeite
Uma pitada de curry
Pimenta Biquinho
Espinafre picado
Cheiro verde
300 grs de queijo minas meia cura ralado grosso
pimenta do reino a gosto
500 grs de lombo defumado picado em cubos
400 grs lingüiça caseira
500 grs Costelinha de porco desossada picada em cubos e temperada com vinho branco

Preparo:
Fritar o alho no azeite, em seguida colocar a cebola, pimentão, aipo e curry, deixe fritar por alguns minutos. Escorrer a água da canjiquinha e colocar na panela. Adicionar o caldo de costela, pimenta do reino e temperar a gosto. Deixe cozinhar aproximadamente por 15 minutos mexendo de vez em quando para não agarrar, vai colocando caldo de carne a medida que for secando, misturar 2 colheres de manteiga e reservar. Fritar levemente a lingüiça com um pouco de manteiga e reservar. Fritar a costelinha desossada e reservar. Misturar o lombo defumado, lingüiça e a costela na panela da canjiquinha por 10 minutos em fogo baixo, em seguida colocar as folhas de espinafre e fazer a montagem com queijo.

Levar o caldeirãozinho ao fogo, forrando-o até ao meio com a canjiquinha preparada, Colocar o queijo ralado, formando uma camada. Completar com a canjiquinha, mais uma camada de queijo, cheiro verde e pimenta Biquinho. E..., bom apetite!

Autor: Ilmar
Esta foi a melhor "comida di buteco' de 2005, em Belo Horizonte! O festival popular de gastronomia, que agita os bares e botequins de BH e, desde ano passado, de outras cidades de Minas, já esquenta os tamborins para 2006.

Uma notícia de hoje, no EM, encheu de orgulho os belorizontinos, já bairristas por natureza:

Um dos bares mais tradicionais de Belo Horizonte vai receber um prêmio no 31º Festival Internacional de Hotelaria, Gastronomia e Turismo de Madri, na Espanha. O Casa Cheia, que fica no Mercado Central, na região Centro-Sul da capital, foi reconhecido como um dos mais importantes estabelecimentos do setor e será condecorado com a insígnia de ouro “Global Quality Management”.

O prêmio será entregue dia 25, na abertura do festival, que se prolonga até o dia 29, na capital espanhola. O dono do Casa Cheia, Ilmar Antônio de Jesus, viaja com a família segunda-feira para receber a condecoração. O bar é o primeiro de Minas Gerais a receber o prêmio.

De acordo com Ilmar, a indicação ocorreu depois do término do último Festival Comida di Buteco, em junho, quando o Casa Cheia foi escolhido como o bar com o melhor tira-gosto de Belo Horizonte. O prato escolhido foi o “mineirinho valente”, que combina canjiquinha, lombo e lingüiça defumados, costelinha temperada ao vinho, creme de espinafre, queijo e pimenta-biquinho,

TURISTAS Ilmar conta que logo depois do festival, recebeu a visita de um grupo de turistas espanhóis e serviu a eles, durante uma semana, diferentes pratos da casa, como o “porconóbis e sabugosa”, o “costela de Adão” e o “feijão mexicano”, já premiados em edições anteriores do Comida di Buteco. Depois de trocar receitas com o grupo, Ilmar ficou surpreso ao descobrir que entre eles estavam integrantes do comitê de seleção do prêmio internacional.

“Estou muito feliz com o reconhecimento e o prêmio vai servir para divulgar o turismo de BH”, comemora Ilmar, que foi informado sobre a premiação em novembro. O Casa Cheia é um dos mais antigos bares do Mercado Central e, a exemplo do complexo comercial, atende um público bastante diversificado. O sucesso do bar é tanto que, nos fins de semana, os clientes fazem fila para conseguir uma mesa.

"Estou muito feliz com o reconhecimento e o prêmio vai servir para divulgar o turismo de BH" - Ilmar Antônio de Jesus, dono do Casa Cheia.

___________
Outro que deveria ser condecorado é o Soié.
Veja aqui, por quê.

13 janeiro, 2006

ASSIM FALOU SOFOCLETO:

  1. A liberdade consiste em não usar relógio.
  2. As melhores coisas sobre a liberdade têm sido escritas no cárcere.
  3. É preciso ser louco para se pôr nas mãos de um psiquiatra.
  4. Muitos escritores esgotam-se antes dos seus livros.
  5. O açúcar é o sal da vida.
  6. O homem criou o espelho à sua imagem e semelhança.
  7. O mundo está dividido entre os de mais e os de menos.
  8. Os aniversários são o aluguel que pagamos pela vida.
  9. Os imbecis deixam suas impressões digitais no que dizem.
  10. Para compreender os pais, é preciso ter filhos.
  11. A mediocridade é a arte de não ter inimigos.
  12. Quando a gente se apaixona pensa em tudo menos no que está pensando.
  13. Não há nada tão difícil como ler o pensamento de um analfabeto.
  14. Ousar é tropeçar momentaneamente, não ousar é se perder.
  15. Os biógrafos e os abutres alimentam-se de cadáveres


    [Luis Felipe Angell, pseudônimo: Sofocleto (Peruano, 1926- 2004).
    Autor de “La tierra prometida”.
    Escreveu artigos de caráter humorístico e satírico nos jornais de Lima, compilados em suas obras: "Sinlogismos"(1955), “Sofonetos” e “Al pie de la letra”(1960) e “Diccionario chino"(1969).]
Essas frases lembraram-me Millor Fernandes, que é mais do que humorista, quase filósofo "marginal".
Saber manejar palavras e sintetizar uma idéia complexa em uma única sentença, para mim, é uma arte.
Arte pras cabeças.
A gente pode rir, mas pensa.
Às vezes começamos com um sorriso e terminamos com um travo meio amargo.

Diante do trágico da vida, rir é preciso, chorar não é preciso.

12 janeiro, 2006

No escurinho do cinema

Assistir a um bom filme é experiência sensorial e emocional plena, principalmente se for "no escurinho do cinema", se a platéia souber se comportar, é claro.

Infelizmente, o "povo" hoje está muito mal educado e transformou as salas de exibição em lugar de convescote, ou pic-nic, como se diz: levam-se sacos e mais sacos de pipoca, copos e mais copos de refrigerante, desembrulham-se quilos e mais quilos de balas, chocolates, bombons e pirulitos, além das conversas em voz alta, piadas de mau gosto, etc. Quem nunca passou pela tortura de querer prestar atenção em um filme e ser desconcentrado pela bagunça reinante?

Mas quando se consegue o propício ambiente, não há como se deixar envolver por uma boa trama, uma história bem narrada, música e ruídos realçando sensações desencadeadas pelo desfile de luz e sombra que nos hipnotiza e nos transporta para outra dimensão.

Há, porém, outras utilidades para a tal da "sétima arte", dentre as quais salientarei uma que concerne ao meu campo de trabalho: o ensino da Psiquiatria e da Psicanálise.

Diz-se que "a arte imita a vida", o que muitas vezes é verdade. Afinal, o simbólico surge como fator inaugural da cultura: dizer o indizível, representar os conflitos, os medos, os sonhos... tudo isso compete à arte.

A Psicanálise (pacientes, psicanalistas, conflitos) tem sido tema de inúmeros de filmes. Um casamento nem sempre feliz, pois predominam a caricatura e o simplismo. Veja-se o que diz
Cláudio Duque, psiquiatra pernambucano recentemente falecido:

O cinema, ao se aproximar da psicanálise o faz de fora, com o olho do espectador, e a psicanálise não existe para terceiros. Por isso, um filme sobre o trabalho psicanalítico parece tão sem vida quanto uma sessão anotada por um aprendiz para mostrar ao seu supervisor. Tão expressiva quanto um calendário-brinde de bolso, com uma reprodução da Santa Ceia, em comparação com o original.

Se "a via régia" para se aproximar do inconsciente são os sonhos, conforme nos ensinou Freud, em A Interpretação dos Sonhos, a analogia destes com o cinema é óbvia. Na sala escura temos a oportunidade de vivenciar emoções mais diversas, intrigantes, assustadoras ou prazerosas, assim como nos sonhos. A "realidade" imaginária do sonhar, onde tudo é possível, em que a aparente lógica do dia-a-dia é totalmente subvertida, o passado e o presente se misturam, tudo isso ocorre nas telas e nos envolve plenamente.

Cito, novamente, Cláudio Duque:

Esse poder absoluto, disponível nos sonhos, de criar uma realidade alucinatória, desde há muito tem sido comparado com a atividade de construir um espetáculo cênico e se torna mais evidente se tomarmos o cinema como exemplo. Quem faz cinema se aproxima mais que ninguém desse poder criador. Muito antes das brincadeiras dos irmãos Lumiére, Joseph Addison, no The Spectator n. 487, Londres, publicou em 18 de setembro de 1712, um artigo intitulado "Sobre os sonhos", em que dizia:


"Não há ação mais penosa da mente do que a invenção. Não obstante, nos sonhos funciona com uma facilidade e uma diligência que não ocorrem quando estamos acordados". (...) "O que desejo destacar é o divino poder da alma de construir a sua própria companhia. Conversa com inumeráveis seres de sua própria criação e se transporta a dez mil cenários de sua própria imaginação. É o seu próprio teatro, seu ator, e seu espectador. Isso me faz recordar o que Plutarco atribui a Heráclito: todo homem acordado habita um mundo comum; porém cada um pensa que habita seu próprio mundo quando dorme (sonha)"(...).

Acho que é hora de ir ao cinema. Até.

10 janeiro, 2006

Linkagens

  1. Dicas de como permanecer casado, por alguém de muita experiência!
  2. Poesia em prosa em forma de confissões: 100meiasconfissões.
  3. O dia em que o padeiro derrubou o MacDonald's: focaccia 1 x Big Mac 0!
  4. Quer ganhar na loteria? Aposte no 23.568.
  5. Afinal, o que é um intelectual?
  6. Você conhece o blog nota 10 eleito pelo Gravatá, d'O Globo?

09 janeiro, 2006

Pedido de Demissão

CARTA DE DEMISSÃO


Quero pedir urgente a demissão,
Do compromisso banal de ser adulto,
E me recuso a prestar o velho culto,
De insanidade, problemas e ambição.

Retroceder ao tempo da descontração,
Ir com os ventos, viver cada minuto,
Com a pureza no olhar, sem nada oculto,
Correr na chuva, sorrir, deitar no chão.

Quando o cansaço chegar, dormir profundo,
Ir passear no sonhar, em outro mundo,
Brincar de nuvem, num céu que é colorido.

E extasiado em viver cada momento,
Quero gritar bem alto, aos quatro ventos,
Que desse mundo sem cor, fui demitido.


[Martinho Ferreira de Lima - inspirado em um post de Conceição Trucom]

07 janeiro, 2006

Vinho, boa companhia, peixe e música

Sábado especial:
almoço com os filhos Leo e Ângelo, a norinha Renata e a amada Amélia.


Cardápio:
  • - Arroz e salada: a Amélia
  • - Batata sauté: a Leo
  • - Sobremesa: sorvete com nozes, avelãs, castanhas (Sessão coletiva de quebra-nozes)
(Chegou Ledinha, a outra norinha).

06 janeiro, 2006

JK - A minissérie global

É difícil não compartilhar da opinião de que as minisséries produzidas pela Rede Globo têm qualidade excepcional e se diferenciam da maioria das produções da TV brasileira.


Mesmo quando não emplacam na audiência, os figurinos, os atores, a ambientação, a edição, a música e o roteiro costumam ser exemplo do cuidado que deveria nortear as emissoras.
Está em cartaz a minissérie JK, sobre a vida do ex-presidente Juscelino Kubitschek, tido como um dos mais bem sucedidos presidentes do Brasil. Há quem o acuse de populista e "criador" da onda inflacionária que assolou o país nas últimas décadas. Os aspectos políticos e econômicos não estão em julgamento, em meus comentários.
Para a gravação em Minas, duas equipes completas de gravação foram deslocadas para o estado e cerca de quase 100 profissionais - entre elenco e equipe técnica - trabalham para compor as cenas que farão parte das duas primeiras fases da minissérie. [leia mais, aqui]
A mineiridade que nos impregna a alma colore definitivamente nossa apreciação, mas... fazer o quê? Uma dose de bairrismo é inevitável ao se falar de JK e de tudo que lhe diz respeito. Afinal, o homem nasceu em Diamantina, percorreu os trilhos que o trouxeram à novíssima capital das Minas Gerais. Os bancos da Faculdade de Medicina que ele frequentou foram frequentados também por mim... As paisagens montanhosas de Minas, as locações (Tiradentes, Diamantina, BH - Praça da Liberdade, Palácio do Governo, casarões, alamedas perfumadas que ainda inspiram caminhantes noturnos nas arborizadas ruas daqui), até mesmo o sotaque, uai! Tudo ressoa no coração mineiro, facilitando a identificação com personagens que conhecemos pelos nomes das avenidas e instituições belorizontinas.
Penso, entretanto, a geração pré-64 há de se lembrar da figura sorridente, dos olhos puxados, da convicção e do otimismo de JK.
Pois tudo isso está brilhantemente retratado nos capítulos já exibidos, o que nos faz aguardar ansiosamente os outros.

05 janeiro, 2006

Meu pé esquerdo


Alguém se lembra do filme "Meu pé esquerdo", sucesso, há algum tempo?
O diretor Jim Sheridan (O Lutador) leva às telas a história de Christy Brown, que apesar de sofrer de paralisia cerebral desde que nasceu conseguiu mostrar ao mundo sua inteligência e talento através da arte. Com Daniel Day-Lewis. Vencedor de 2 Oscars!
Pois o Caderno de Informática do Estado de Minas de hoje traz a história de Priscila:
Uma usuária especial
(Marcos Vieira)

"Portadora de paralisia cerebral e dependente de cadeira de rodas, apesar de todos os tratamentos submetidos, Priscila de Toledo Fonseca, de 20 anos, não tem movimentos corporais voluntários, mal consegue balbuciar algumas palavras (a maioria das vezes incompreensível para quem não convive com ela diariamente) e tem como parte mais funcional do corpo, o pé esquerdo, com o qual executa suas tarefas. Todas, claro, ligadas ao computador, inclusive a redação de seu primeiro livro de poemas.
Apesar das muitas barreiras, Priscila Fonseca superou todas com dignidade e força de vontade incomuns. O computador, com certeza, foi o principal aliado nessa batalha, principalmente depois que ela descobriu que tudo ficava mais fácil quando utilizava o pé esquerdo. Ela ressalta que o computador entrou em sua vida em 1990, mas de 2000 para cá é que ele fixou-se , além de uma ferramenta imprescindível de comunicação, também como um companheiro inseparável em virtude da internet e de outros recursos oferecidos pela máquina, e que ela utiliza como poucos."

São exemplos assim que nos fazem acreditar no poder do desejo, que alimenta a esperança e nos move em todas as nossas ações.

Parece muito romântico dizer que o desejo é capaz de tudo, assim como a Fé, move montanhas! Na vida cotidiana isso parece não fazer muita diferença, mas é diante de alguma dificuldade, de uma tarefa mais árdua, que nos confrontamos com nosso verdadeiro desejo. Do contrário, cairemos no pior dos vícios: a tibieza.

Ser tíbio é triste!

04 janeiro, 2006

Descobri porque sou feliz! (hehehehe)

Trabalhar duro pode ser a chave para a felicidade, dizem cientistas
Sorriso
Relacionamentos também são antídotos contra depressão
Pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, estão realizando um estudo em que está ficando claro que trabalhar duro pode ser uma das chaves da felicidade.

Leia mais, aqui!

03 janeiro, 2006

Mais uma safra


A safra 2006 de nosso vinhedo na Serra do Caraça
começa agora em Janeiro.
Evoé Baco!

31 dezembro, 2005

DA ESPERANÇA ou Idéias para começar mais um ano

“A esperança é irmã do desejo.”

Essa frase me ocorreu de repente, num estalo. Não me lembro de tê-la ouvido ou lido em qualquer lugar. Por ora, se quiserem citá-la em algum discurso ou obra literária, por favor, dêem-me o crédito: “A esperança é irmã do desejo”, segundo Cláudio Costa! Espero (= desejo ) que o façam.

Penso começar por aí a “oficina sobre a esperança”, que coordenarei no KalaCultura, Diversão e Arte. Participarão pessoas da “terceira idade”, frequentadores daquele simpático espaço, em busca de conhecimento, diversão, convívio e qualidade de vida no sentido amplo. Convidou-me uma das diretoras, a Beatriz, com a seguinte indicação:
- “Tem um tema que eu gostaria muito que você viesse destrinchar para nós: a esperança!
Perdemos uma cliente neste início de ano, ela teve um câncer que a levou muito depressa. É sempre um abalo no grupo.
Ficou um ponto em questão em nossas conversas, mediante a idade de todas elas e a vontade de fazerem planos, o nosso apoio para que se envolvam em novos projetos e, ainda, a finitude da vida, que não queremos negar: planejar, sim, mas em que medida? Como pensamos a passagem do tempo e a nossa necessidade de fazermos "reservas"? Qual o papel da esperança?”

Ah! O estalo ocorreu exatamente quando recebi o convite: “A esperança é irmã do desejo”. A idéia talvez comporte algumas variáveis: “A esperança existe em função do desejo”. Ou: “Sem desejo não há esperança.” Ou, então, bem radical: “Esperança é desejo!”

Outras idéias começaram a pipocar (“esperem todo o milho estalar, senão vai dar muito piruá”, dizia minha mãe, quando ficávamos em torno do fogão, crianças ainda, loucos para comer pipocas) e aí, o melhor é ter calma, senão...
Bom, se desejo e esperança se articulam tão intimamente, o que seria este tal de “desejo”?

Sei que NÃO é necessidade. NÃO é compulsão. NÃO é impulso.

Se a Psicanálise atribui a gênese do desejo à proibição do objeto sexual (tabu do incesto), na vida comum, longe de teorias complicadas, concorda-se que o desejo é algo distinto do querer. Aceitamos mesmo que o desejo possa ser inconsciente a ponto de sermos por ele traídos - assim o demonstram os atos falhos.
Somos seres-de-desejo, isso nos diferencia dos animais. E só desejamos quando experimentamos a falta: a castração! Complicado... Quando alcançamos o objeto desejado, o desejo morre. Ainda bem que este tal de objeto desejado NUNCA É O OBJETO TOTAL, completo, absoluto e isso nos garante continuar desejando... Ufa! Ainda bem.

Corri pra o Houaiss e lá estava a correlação que pipocara em minha cachola:
Desejo = ato ou efeito de desejar; aspiração humana diante de algo que corresponda ao esperado; aspiração humana de preencher um sentimento de falta ou incompletude.

Eureka! A conexão estava lá. Só há desejo quando há falta. E a maior de todas as faltas é a danada da Morte. A certeza de sua chegada ( sempre inoportuna ) é a grande castração (falta) sob a qual vive o ser humano. Se tivéssemos a garantia da imortalidade, nada faríamos, pois nada desejaríamos.
Tudo aí, na nossas fuças!

E quem deseja, quem espera (tem esperança), sonha. Ou seria o contrário: só quem sonha tem desejos e esperanças? Acho que é isso: é preciso aprender a sonhar, ou cultivar os sonhos, ou acreditar neles. Talvez seja uma boa maneira de viver, driblar a Morte: sonhar.

Não se tratam, aqui, dos sonhos dos lunáticos e delirantes, mas do sonho que engendra a ação, a construção, a busca ativa. Quase inventaria: a sonha-ação!
Na homepage do Kala, descubro esta frase atribuída a alguém que não conheço, John Barrymore: Um homem não está velho até que comece a lastimar em vez de sonhar.
_______________________
(Publiquei este post há alguns meses. Acho que é um tema interessante para começar o ano...
Feliz Ano Novo!!!)

30 dezembro, 2005

Mapalupuquipicepe

Umpumapa daspas coipoisaspas quepe mepe ipirripitapavampam eperapa epessapa linpinguapa dopo pêpê quepe minpinhaspas tipiaspas upusapavampam enpenquanpantopo cospostupurapavampam, napa capasapa dopo vopovôpô Ipilipidinpinhopo.
Depemoporeipei apa depecopodipifipicarpar.
Quanpandopo despescopobripri quepe eperapa apa linpinguapa dopo pêpê, epelaspas copomepeçaparampam apa upusarpar apa linpinguapa dopo efeerre:
Voforrocêfêrrê confonronheferreceferre?

27 dezembro, 2005

Cuide bem de seu médico

Você que é, foi ou será cliente de um médico, sabia que aquele que deve(rá) cuidar de você é o profissional liberal mais estressado?
  • Vários fatores concorrem para isso:
    a) as condições de trabalho são, geralmente, pesadas
    b) o cansaço é crônico
    c) o número de pacientes por jornada é excessivo, levando à pressa
    d) as dificuldades financeiras são cada vez maiores: há 09 anos não recebem aumento dos planos de saúde - (Média: 17 reais/consulta)- os quais - em igual período- aumentaram em 240% o valor das anuidades/mensalidades dos usuários
    e) a maioria dos profissionais trabalha em 3 ou mais empregos, correndo de um lado para outro
    f) pouco ou nenhum tempo dedicado ao lazer e à família

Os impactos sobre sua pessoa são físicos e emocionais, segundo o Dr. João Gabriel M. Fonseca, em entrevista ao jornal do CRM de MG, tais como:
  • irritabilidade,
  • supervalorização de pequenos contratempos,
  • hipertensão,
  • dores musculares e na coluna,
  • depressão e ansiedade,
  • dificuldade de concentração.

De acordo com os estudos do Colégio Médico de Barcelona-Espanha, os médicos estão mais propensos a:

- abusar de sedativos, tranqüilizantes, analgésicos e estimulantes;
- desenvolver a síndrome do stress e do esgotamento emocional;
- suicidar-se, apresentando uma taxa 3 vezes e meia mais alta que a população em geral. Na Espanha, desde que foi criado o Programa de Atenção Integral ao Médico Enfermo (PAIME), em 1988, 60% dos casos atendidos são por problemas psíquicos e 26% por abuso de bebidas alcoólicas!

O Conselho Federal de Medicina do Brasil e o Colégio de Médicos de Barcelona assinaram um protocolo de intenções com o objetivo de oficializar a cooperação espanhola na elaboração de um programa brasileiro de atenção à saúde do médico.
Por outro lado, o profissional da Medicina é um péssimo cliente: cuida mal de si mesmo! O mesmo jornal enumera as razões para isso:
a) o médico se acha invulnerável e não se assume como paciente
b) geralmente esconde de colegas e de familiares o fato de que está doente ou tem algum sintoma
c) tem medo de não poder exercer a profissão, caso descubra que está doente
d) evita salas-de-espera de consultórios, procurando consultas informais, pouco resolutivas
e) geralmente não tem recursos financeiros para custear seu próprio tratamento.

Assim como já escrevi sobre
quem vigia os que vigiam?, agora é hora de perguntar:
  • Quem cuida dos cuidadores?
  • E você, já está cuidando de seu médico?

[Já publiquei este post antes]

25 dezembro, 2005

Trovas de Natal

Meu grande amigo Paulo Alonso, meu irmão de Brasília, é filho do João Tavares.
Irmão Jota, como gosta de assinar, nasceu no Rio em 1920, foi para BSB em 71 e se dedica ao próximo incansavelmente.
Há duas semanas estivemos em sua casa, no Lago Norte, onde ele e sua Hilda nos receberam como príncipes: mesa farta e conversa calorosa!


Pois o Sr. João presenteou-me com seu recém publicado "Evangelho em Quadrinhas", , que é uma graça! Simplicidade e fé fazem do seu libreto um companheiro inspirador: por isso tenho-o sempre à mão. Eis a descrição do Nascimento de Jesus, nas trovas do "Irmão Jota":


Por decreto de Augusto,
Imperador do momento,
Deveria haver no mundo
Um total recenseamento.

Todos deviam fazer
Na sua própria cidade
As declarações pedidas
À gente de toda idade.

Sendo José descendente
Da estirpe de David,
Deveria ir a Belém
E recensear-se ali.

Partiram de Nazaré,
Que fica na Galiléia,
À cidade de Belém,
Situada na Judéia.

Na cidade de Davi,
Não achando hospedaria,
Tiveram que se alojar
Numa velha estrebaria.

Enquanto ali se achavam,
Maria teve o seu filho,
Envolveu-o em panos velhos,
Deitou-o em palhas de milho.

E o Verbo se fez carne
E habitou entre nós.
Para estar na Sua glória,
Basta ouvir a Sua voz.

Que os versos singelos do Sr. João possam nos inspirar na lição de humildade daquele menino, nascido numa manjedoura. Feliz Natal.

22 dezembro, 2005

- Se eu fosse Papai Noel, sabe qual presente distribuiria para todas as pessoas?
- Qual?
- Eu distribuiria o dom da escuta.
-?
-É, o dom da escuta.
- Anh...
- Se aprendêssemos a arte da escuta, o mundo seria outro. Você já prestou atenção como é difícil escutar alguém? De maneira geral, as conversas parecem diálogo de surdos: um fala, outro retruca, o primeiro replica, aquele treplica. Cada qual tenta convencer o interlocutor de uma verdade própria.
As discussões políticas, religiosas, futebolísticas, econômicas... todas se orientam pelo desejo de cada um proclamar a sua verdade, convencer o outro. Colegas de trabalho se encontram e cada um fala de si. Perguntam 'Como vai? Tudo bem?" e logo emendam uma assunto qualquer. Contam-se vantagens, tragédias, piadas. Fala-se de abobrinhas. Mas não há uma abertura para o outro.

- Por que será?
- Há explicações diversas, quase todas convergindo para o predomínio do individualismo no mundo atual. Cada qual na sua. Também se diz da dificuldade de se estabelecerem laços mais profundos, compromissos interpessoais...
- É mesmo.
- Inda mais, fala-se muito! Uma falação danada! Não há silêncio, não há reflexão. Não há tempo! Pressa, pressa, pressa. "Dá licença... até mais ver... amanhã a gente se fala... depois te ligo". E fica por isso mesmo. A verdadeira escuta é generosa, calma.

- Mas não dizem que a internet revolucionou o mundo, facilitando a comunicação entre as pessoas?
- Meia verdade. Trocam-se informações instantaneamente. O mundo está sem fronteiras, etc. Mas eu me refiro à escuta pessoal: tempo de ouvir, tempo de refletir, tempo de responder. Pois hoje é tudo muito rápido: abre-se um e-mail e logo se dá a resposta. Muitas vezes nem se relê o escrito. Emoções podem perpassar um texto sem que o remetente se dê conta. Tudo muito objetivo, rápido, zás-trás!

- E então?
- Então, é Natal. Vamos "escutar" o que nos diz o Natal. Desliguemo-nos das luzes que enfeitam as cidades, do alarde do comércio, das musiquinhas e do bimbalhar dos sinos. Aprendamos a escutar.

- É difícil...
- Lembro-me daquela mãe que fazia sua filha dormir, toda noite. Após contar-lhe umas histórias, levantava-se devagar e apagava a luz do quarto. Certa noite, a mãe começa a falar e percebe que a luz estava apagada. Pergunta: "- Filha, quer que acenda a luz?". "Não, mamãe, basta que você fale. Quando você fala, TUDO FICA CLARO!"

- Bom Natal!
- Boa escuta!

20 dezembro, 2005

Renovar a frota, eis a questão!


Neste mês de dezembro, mais do que a azáfama natalina (comprar o quê para quem?) provocada pelo transformação do Natal em período áureo do capitalismo, estamos às voltas com nosso projeto de trocar de carro, uma vez que a "frota" familiar está caindo pelas tabelas:

- "Batendo biela", "entortando a rebimboca da parafuseta", "queimando óleo", "dando tilt", "resfolegando no morro e despencando nas ladeiras", "chacoalhando que nem caminhão de galinhas", eis o arsenal descritivo que resume a situação.

Antes de tomar decisão tão grave, fui lá eu pesquisar "qual o melhor carro que se encaixa no meu saldo bancário atual (devedor!) e pelos próximos 48 meses" (ou seja, comprar é possível, desde que seja até perder as vistas...).

Descobri uma pesquisa feita pelo
Rafael Porto, publicitário, professor ddo Depto. de Publicidade da Faculdade de Comunicação da Universidade de Brasília:



Eis aqui o resumo da tese:

Carros Compactos: unanimidade entre pessoas que valorizam desafios. Em sua maioria, são jovens estimulados pela novidade.
[Este é o meu caso, vou atrás de um compacto!]

Utilitários/Esportivos: carros esportivos e jipes preferidos por mulheres jovens, que valorizam a boa saúde física e mental.
["Compra uma Cherokee, compra!", suplicam Amélia e Ana Letícia...]

Sedans: escolha das pessoas que prezam pelo poder e pelo bem-estar da família. Querem ter status social e domínio sobre os indivíduos.
[Prezar o bem estar da família, eu garanto que sim! Agora, domínio sobre os indivíduos só depois de dominar a mim mesmo. O que está loooonge de acontecer!]

Minivans: objeto de desejo de quem tem valores de autodeterminação, que busca liberdade e conforto.
[Eu, eu mesmo!]

Picapes: escolha natural de pessoas que acreditam na realização pessoal e se empenham na busca do que querem.
[Risca tudo o que escrevi acima, eu quero é uma picape!]

Li, reli, tresli.

Meu perfil psicológico encaixa-se em todos os subtipos descritos. Descubro, atarantado, que sou polivalente, multifacetado, megalomaníaco, sugestionável por qualquer propaganda...

Sugiro que se inclua, como fator preditor determinante, a conta bancária do sonhador e sua capacidade de endividamento.
Neste quesito, estou entre o
sonhador delirante e o realista desesperado.

E você?

17 dezembro, 2005

Matéria de memória:

Lembrei-me agora de como fui me despertando para o mundo simbólico da poesia.

Não aquela poesia "escolar" aprendida no Grupo Escolar Desembargador Drummond, lá de Nova Era, terrinha mineira e simpática às margens do Rio Piracicaba....

Falo de quando minha cabeça foi se abrindo para o
mundo mundo vasto mundo, nas aulas de Literatura Brasileira, no antigo Colégio do Caraça. Maurílio Camello e João Batista Ferreira, outrora padres e professores, fizeram-me a cabeça. Por conta disso, tive a ousadia de escrever uma cartinha ao tio-padrinho Ismar, pedindo um livro do poeta Carlos Drummond de Andrade.

Tio Ismar tinha um modo especial de me presentear: foi-me dando, aos poucos, os livros de Monteiro Lobato, desde O Sítio do Picapau Amarelo até História do Mundo para as Crianças. Como eu viajava naquelas narrativas...

Tenho outras histórias com o Tio Ismar: deu-me o primeiro método para aprender piano, o Schmmol; levava-me a passear na Capital e, com ele conheci o asfalto (que ele brincava de chamar "chão preto"); levou-me a almoçar num restaurante "giratório", onde fiquei entre a comida deliciosa e o assombro diante das mesas que, literalmente, davam uma volta completa sobre o salão!!!


Pois bem, o tio atendeu meu pedido e enviou-me um exemplar da Antologia Poética, de Drummond. A correspondência passava na "censura prévia" do padre disciplinário (como casam os padres, este já se casou, também). Chamou-me ao seu gabinete, senho franzido, aspecto grave, tom de preocupação:

"-Meu filho, olhaqui, chegou um livro prá você, de um poeta muito esquisito!".


Impetuosamente lancei mão do livro recém desembrulhado, sobre a mesa.


"-Não! quero comentar com você algumas coisas: veja essa poesia aqui... nem sei se é poesia".

Leu no meio do caminho tinha uma pedra..., "isso parece coisa de ateu, meu filho, sem esperança!".

Selecionou outro poema,
A Mão Suja. Escandindo bem as palavras, voz de mistério, reticente:


"- Minha mão está suja.
Preciso cortá-la.
Não adianta lavar.
A água está podre.
Nem ensaboar.
O sabão é ruim.
A mão está suja,
suja há muitos anos."


"-Tá vendo, meu filho? isso não é coisa para um jovem puro e inocente como você. O autor está incentivando a masturbação! Isso vai desviar você do bom caminho!".


Dito isso, guardou o livro sob chave, numa gaveta da escrivaninha.

Desde então, nunca mais vi a Antologia Poética do Drummond!


Minha mãe, sabedora do meu gosto pela literatura e pelo poeta itabirano, passou a me enviar, semanalmente, recortes do jornal Estado de Minas, com as crônicas e poemas do poeta C.D.A.! Mãe é mãe.


Até que, saindo do Colégio, com um dos meus primeiros dinheirinhos, logo comprei aquele livro e muitos outros.... Só então, após anos, pude, enfim, usufruir do "presente" do Tio Ismar!

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Atualização:
Hoje, domingo (18), mais um show do
Chapéu Panamá
no Calle Pub (Seis Pistas, próximo ao Biocor - saída para Nova Lima). Samba de raiz com a "nova guarda do samba". Vamos?

15 dezembro, 2005

Museu de Artes e Ofícios

Há algum tempo, fiz um passeio com meus pais (Soié e Aparecida) na antiga estação ferroviária de Belo Horizonte. O prédio estava sendo remodelado para instalação do Museu de Artes e Ofícios e já nos fazia antever quão maravilhoso seria.
Visitamos uma instalação multimídia, com fotos do início do século passado (Belo Horizonte acaba de completar 108 anos), da construção de vários prédios públicos, imagens de visistantes ilustres (Príncipe Albert, da Bélgica; Getúlio Vargas), campanhas políticas, etc.
Meus pais ficaram empolgados, relembrando as viagens que fizeram à capital, ainda na década de 40. Soié apontava, nas fotografias, os lugares percorridos, acontecimentos pitorescos, pensões onde se hospedara. Impressionante a capacidade de evocação dele e da minha mãe.
Naquela época, de Nova Era a Belo Horizonte o trajeto era percorrido pelos trilhos da Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB), em vagões puxados pelas "marias-fumaça", as locomotivas fabricadas nos EEUU e na Inglaterra.
Demorava-se mais de 8h para vencer os 140km de vales, rios e montanhas, geralmente margeando rios e córregos (Rio Piracicaba, Rio das Velhas...). Cidades históricas eram atravessadas pelo único meio de transporte "moderno", alternativa às tropas de burros, que levavam mantimentos para cidades que se denominavam de acordo com sua localização: Itabira do Mato Dentro, São Gonçalo do Rio Acima, São Gonçalo do Rio Abaixo, Conceição do Mato Dentro, São João do Morro Grande, etc.
Nesta semana, finalmente, inaugurou-se o tal museu, que será aberto definitivamente ao público em 10 de janeiro de 2006. Do pouco que vi, dá para recomendar: será um programa imperdível para quem visitar Belo Horizonte. Para os habitantes daqui, servirá de resgaste da memória de uma cidade que se transforma velozmente: em 108 anos evoluiu de uma fazenda às margens do Córrego do Leitão para a metrópole de mais de 3 milhões de habitantes.
O Portal Uai trouxe esta notícia:
O primeiro empreendimento museológico do Brasil dedicado integralmente ao tema das artes, ofícios e trabalho foi inaugurado nesta quarta-feira em Belo Horizonte. O Museu de Artes e Ofícios ocupa os prédios históricos da Estação Central onde funciona a principal estação do metrô e um ramal ferroviário, numa área de 9.200 metros², na Praça Rui Barbosa, no centro da capital mineira. A visitação do público estará aberta a partir do dia 10 de janeiro. O projeto, do arquiteto e museólogo francês Pierre Catel, é uma iniciativa do Instituto Cultural Flávio Gutierrez e foi desenvolvido a partir da doação ao patrimônio público de uma coleção de 2.200 peças, dos séculos XVIII, XVIX e XX, feita pela empreendedora cultural Ângela Gutierrez.
O acervo vai apresentar ao público um amplo painel da história das relações sociais do trabalho no Brasil, nos últimos dois séculos - as tecnologias de produção da era pré-industrial, os fazeres, artes e ofícios que deram origem a muitas das profissões contemporâneas. Poderão ser vistos ferramentas, utensílios e equipamentos, que caracterizam formas de conhecimento e revelam diferentes condições de trabalho. Entre os destaques estão uma carpintaria do século XVIII, movida a água, e uma balança de pesar escravos, do século XVIII.

14 dezembro, 2005