Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
03 outubro, 2007
Viagem no tempo
30 setembro, 2007
Churrasco de surubim ou Surubim na brasa
O filé de surubim, após limpo, será fatiado em pedaços de mais ou menos 4cm de espessura. O tempero é tradicional: caldo de limão, alho-e-sal (pouco sal) e pimenta-do-reino. Ficará a marinar por 1 hora, enquanto se partirão ao meio algumas batatas e cebolas, não muito grandes. Estas, regadas generosamente com azeite e salpicadas de tempero em pó, irão ao forno ou à grelha até corar. Serão o acompanhamento.

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27 setembro, 2007
Frei Betto: - "Engana que eu gosto"
Engana que eu gosto
"Assim, de engano em engano, para o bem de todos e a felicidade geral da nação, transcorre a nossa história"
Ora, é evidente que contra o senador não há “provas conclusivas”, tudo não passou de gentileza do lobista de uma grande empreiteira. A contabilidade pecuária está em ordem, embora haja certa desordem na documentação pertinente.
Desde muito cedo, o cidadão brasileiro é educado na síndrome do engano, enfermidade de etiologia política cuja cura só pode ser alcançada mediante doses maciças de auto-estima e senso cívico.
Os descobrimentos da América e do Brasil foram magníficos encontros de culturas transoceânicas. O saldo de milhões de indígenas mortos é mero acaso de organismos vulneráveis em suas defesas imunológicas às gripes e resfriados que os ibéricos contraíam em contato com as frias correntes marítimas.
A casa-grande, generosa com os escravos, tratava-os como filhos, e uns tantos senhores, livres de todo preconceito, chegaram a mesclar seu sangue de branco ao prenhar negras e gerar o mestiço e este símbolo nacional chamado mulata.
Graças à benevolência da casa-grande é que a senzala, farta de carnes variadas, brindou-nos com o prato de preferência nacional: a feijoada. E que não se olvide o bom-gosto do caipira, inventor deste coquetel que, hoje, conquista o sabor mundial: a caipirinha.
A rebelião de Vila Rica não passou de uma transposição extemporânea, ao solo pátrio, das idéias iluministas em voga na Europa. O bando de intelectuais, surpreendidos em sublevação contra a Coroa, fez de um alferes boi de piranha. Tanto que outro qualificativo eles não mereceram senão o de inconfidentes, incapazes de guardar confidência, segredo. À exceção do que teve o pescoço enforcado, deduraram uns aos outros. Hoje, o evento passaria à história como Deduragem Mineira.
E a Guerra do Paraguai? Foi lá o nosso Exército pacificar aquele povo iludido pela mente insana de um caudilho raivoso disposto a defender valores anacrônicos: a soberania nacional e os direitos sociais. Tamanha a paz que os nossos militares impuseram à nação vizinha, que apenas em cemitérios se pode encontrar tanta quietude.
Em Canudos, um bando de fanáticos, liderados por um fundamentalista desmiolado, ousou contrapor-se à proclamação da República! Não tivesse aquela gente resistido à ação pacificadora do Exército, teriam todos sobrevivido e, ordeiramente, retornado ao sadio trabalho nas lavouras canavieiras.
Tantas proeminentes figuras em nossa bela história: Vargas, pai dos pobres; JK, 50 anos em 5; Jânio, o homem da vassoura; Collor, o caçador de marajás! Merece destaque a Revolução de 1964, que salvou o Brasil da ameaça comunista e imprimiu índices astronômicos ao nosso desenvolvimento. Vide a Transamazônica, a Ferrovia do Aço, o Mobral e o fim do analfabetismo! Se um bando de subversivos preferiu trocar canetas por armas, insatisfeitos com a hierarquia trasladada dos quartéis às ruas, não fizeram as Forças Armadas outra coisa senão reagir em defesa da lei e da ordem.
Assim, de engano em engano, para o bem de todos e a felicidade geral da nação, transcorre a nossa história. Ela que avança em ciclos de prosperidade, do pau-brasil ao ouro, do café à cana-de-açúcar, do minério à madeira amazônica, da soja à carne e, agora, retorna aos canaviais, de onde jorra o etanol, a bola da vez a oferecer ao mercado externo.
Sabemos todos que a verdade é inconveniente, incômoda,
constrangedora. É melhor esse jeitinho elitista, capaz de acomodar as situações mais conflitivas e adotar, em nossas escolas, a versão cordial sobre o povo brasileiro. Povo pacífico, ordeiro, leal, com exceção de uns poucos que enxergam mensalão onde houve apenas “operações não contabilizadas”. E ainda querem avacalheirar o presidente do Senado!
Engana que eu gosto!, diz a nação. Porque não há reação, não há manifestações nem mobilizações. Cadê as lideranças populares, as centrais sindicais, as pastorais proféticas? Fora um ou outro protesto ou gesto de indignação, tudo permanece como dantes no quartel de Abrantes.
Razão tinha Proust que, em Sodoma e Gomorra, escreveu: “No mundo da política as vítimas são tão covardes que não se consegue considerar os algozes maus por muito tempo.”
[Frei Betto é escritor, autor de A mosca azul –
reflexão sobre o poder (Rocco), entre outros livros.]
21 setembro, 2007
18 setembro, 2007
15 setembro, 2007
Pequena Homenagem a Bashô
Bashô - Prefiro olhar esta árvore a olhar o templo que fica no vale. Prefiro olhar esta folha a olhar a árvore. E, depois, esta gota de água à folha onde está pousada. Agora pergunto-te: serás capaz de escrever um poema acerca desta gota?
Jovem Poeta - Julgo que sim. Por isso terei que falar da folha, da árvore e do templo.
Bashô - Será preciso? Então, por que não falar também do vale onde se encontra o templo? Nesse vale corre um rio.
Jovem Poeta - E referir-me-ei a esse rio...
Bashô - Talvez seja melhor falares nos seus peixes. São prateados porque é deste modo que neles aparece a sombra. E a sombra desce porque está a anoitecer.
Jovem Poeta - A noite é semelhante às escamas do peixe. Há nelas também um pouco de luz. Os teus ensinamentos ajudam-me tanto... Julgo progredir pouco a pouco, mas seguramente.
Bashô - As escamas... Estás a pensar agora numa folha?
Jovem Poeta - Sim. As gotas de água aparecem nessa folha como se escamas fossem.
Bashô - Mas ainda não disseste o que é preciso dizer acerca da luz e da noite. E de outras coisas. O vulto de alguém que, antes de principiar a madrugada, se encaminha para pescar nesse rio e leva consigo uma lanterna para atrair os peixes. A mulher que, em casa, lhe prepara a primeira refeição. O ruído um pouco abafado das chaleiras. O modo como um e outro se despediram...
Jovem Poeta - Queres com isso dizer que no poema muitas coisas devem ficar devidamente expressas, que ele deve referir-se a tudo?
Bashô - Não é bem isso. O que quero dizer é o contrário. Nele, tudo pode ser dito, desde que se fale apenas de uma gota d'água.
(Fernando Guimarães, in "Limites para uma Árvore" - Poesia Afrontamento 2000)
08 setembro, 2007
Maria Aparecida
Nasceu minha mãe no dia 09/09 de um ano terminado em 9. Após 9 meses, cheguei a este mundo, em outro ano com final 9, quando minha mãe tinha 19 anos. Ela teve 9 filhos.
Mais uma vez, o número 09/09 se repete no calendário. Seria uma data qualquer, um domingo qualquer.
Domingo, entretanto, é o aniversário de minha mãe Aparecida, a moça bonita aí da foto.
O bíblico Salomão, há séculos, perguntou: "A mulher forte, quem a encontrará?"
Pois respondo: minha mãe é uma mulher forte, amorosíssima e cuidadosa com os filhos. Brinca, trabalha, dança (mesmo!), verifica, afaga, previne, remedia, aconselha, manda, pede, ajuda, reprime, resmunga, chora, sorri, tudo olha, faz-que-não-vê, intui, deduz, adivinha ("o mindinho me contou"), controla, apoia, socorre, reza, reza muito, tem fé e nos ensinou o bom caminho.
Faz aniversário há anos e continua jovem ao lado do namorado Soié.
O presente? Ah! quem ganha é a gente mesmo: ter você por perto, Mamãe, eis a dádiva que Deus nos deu.
Sua bênção para o filho, Cláudio.
03 setembro, 2007
Sintomas
26 agosto, 2007
ÁGAPE
Pois foi um verdadeiro ágape a festa promovida pelos 'Famosos', ou Famouxxos, como se denomina a turma que se formou desde os tempos do ensino médio e se mantém unida até hoje, no limiar do término do curso universitário. Leonardo, nosso filho, é um dos 'famouxxos', privilegiado pela convivência alegre, sadia e fiel.
Pois essa turminha promoveu, ontem, o II Encontro para os Pais, vejam só! Fomos convocados para compartilhar a alegria e a amizade, numa demonstração que juventude e maturidade podem muito bem se combinar. Namoradas, irmãs e irmãos também fizeram parte da festa.
Além do churrasco, bebidas, almoço e muita música, os 'meninos' promoveram o concurso "Especialidade da Família", com regulamento e tudo, porém brincadeira pura. Os pais poderiam levar uma iguaria (doce ou salgada) para ser degustada. Numa votação secreta se escolheram os vencedores da duas categorias. Com muito orgulho, anuncio que Amélia ganhou o 1º lugar dentre as sobremesas:

Ao final do dia, outro ágape: o Idelber nos convidara para sua despedida, pois que amanhã retorna a New Orleans, onde é professor da Tulane University. O local foi bem escolhido: Armazém Mineiro, ou Emporium, casa mineira no alto da Avenida Afonso Pena. Não fiquei até o sol raiar, mas o abraço amigo fez o sábado terminar como começou: ágape gastronômico!

19 agosto, 2007
Sábado bucólico
Quisera ser poeta para escrever éclogas a cada visita ao Pau D'Alho, fazenda onde viveram os avós da Amélia, em Sta. Maria de Itabira...

Fazenda do Pau D'Alho
18 agosto, 2007
Samba no Observatório
15 agosto, 2007
BH by night
E a vida continua...
08 agosto, 2007
Eu claudico. Tu claudicas?

Eu claudico, tu claudicas...
"Quando nasci, um anjo torto, desses que vivem na sombra, disse: vai, Carlos, ser gauche na vida".
Taí o primeiro verso do poema autobiográfico do Carlos Drummond de Andrade. Drummond confessa, logo de cara, sua claudicação pela vida: ser gauche é ser meio manco, meio sem jeito, tímido talvez.
Pois, quando nasci, meus pais me deram um nome:
- Vai, menino, ser Cláudio na vida!
Acho que foi logo aí que me identifiquei com o Poeta itabirano. Afinal, meu nome deriva do verbo "claudicar = arrastar de uma perna; não ter firmeza em um dos pés; coxear, mancar, capengar e, no sentido figurado, cair em erro ou falta; fraquejar intelectualmente".
Ai, ai, ai, minha humildade não chega a tanto, nem Soié e Dona Aparecida me rogaram praga nenhuma! Segundo minha mãe, tratava-se de um nome bonito e menos comum e, além disso, nome de imperador romano!
Um grande futuro me esperava - ou ainda espera, duvidar quem há-de? Gosto de utilizar o verbo claudicar sempre que cometo uma gafe, ou "mancada = atitude, resolução, comportamento errôneo, cujos resultados são insatisfatórios ou negativos; falha, lapso, erro, indiscrição espontânea, irrefletida; ação ou fala inoportuna; gafe."
Pois agora, confesso: de vez em quando dou umas mancadas, que deus-me-livre-e-guarde!
Aqui vai uma: - encontro-me com o jornalista político Vidal, na rua da Bahia.
Logo digo:
"- Há quanto tempo".
E ele: "- Viajei, estava em Milão."
Todo afoito, exclamo: "- Ah! então deve estar ótimo no alemão!"...
"- Que isso! Milão fica na Itália."
Tento consertar: " - É mesmo, onde fica a FIAT."
Não deu mais, desolado, me ampara:
"- Não, a FIAT fica em Turim!!!".
Deixei um cumprimento sem graça e me mandei! Já claudicara demais!
E você, já claudicou alguma vez?
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Publiquei este post em dez.2004. Republico-o, sem pejo: é tempo de reminiscências...
06 agosto, 2007
Tentando arrumar a casa
Ele (o Desejo) é o primogênito, ela (a Esperança) veio a seguir – e logo, logo depois dela (não tinham passado ainda nove meses) nasceu o Sonho.
Olhem para a bela trindade:
Desejo, Esperança, Sonho - estes dois muito chegadinhos um ao outro.
O Desejo nasceu por que razão?
Sei lá! Resultou de concepção e gestação espontâneas? Surgiu por obra e graça do Espírito Santo? Recuso-me a ir por esses caminhos.
Penso que notámos a presença dum espaço e apeteceu-nos preencher esse espaço.
Exemplos: um buraco na estrada, espaço na nossa vida para um filho, um Mi entre um Dó e um Sol (para termos o acorde perfeito...), etc.
A modificação apetece-nos, e logo a desejamos.
E aqui uma janela abriu-se sem eu mexer nela:
Não havendo apetite não há desejo.
Na cama, com 40 graus de febre, não há apetite; e sem apetite não há comida que possamos desejar.
Não temos apetite, não desejamos.
Cuidado! Olhem que sem se comer... Morre-se!
Cá está ela! A malvada. Com maiúscula, a Morte! - a muralha intransponível junto da qual tudo se queda...
Olho em frente e vejo, da esquerda para a direita:
Apetite, Desejo, Esperança, Sonho, Morte.
C'est la vie?
É a vida das batatas e das couves.
Não há uma coisa chamada Ação (Trabalho)?
O trabalho de tapar o buraco da estrada, o do coito (é agradável, mas dá trabalho, não dá?), o de desenhar um Mi entre o Sol e o Dó, etc.
O Trabalho faz parte da vida.
Onde o porei?
Entre o Sonho e a Morte:
Apetite, Desejo, Esperança, Sonho, Trabalho, Morte.
Ça, oui, c'est la vie.
Não me convidem para espreitar à direita da Morte, para lá do por sol, do lado do Ocidente.
Nem me convidem para olhar à esquerda do Apetite, para lá do nascer do sol, do lado do Oriente (o Cabo das Tormentas estafou-me, perdi a obsessão do Oriente, não voltarei a partir para ir buscar pimenta e mostrar o crucifixo...).
Deixem-me acordar com Apetite, de manhã, e depois durante o dia deixem-me Desejar, Esperar, Sonhar e Trabalhar, até adormecer com a Morte, à noite.
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PS – Dr. Cláudio Costa: Sem o seu post eu não teria tido o prazer deste passeio no seu jardim de plantas e flores que não estou habituado a ver.
FMP
01 agosto, 2007
Eu? quem sou eu?

Não é contingência única do mundo virtual que as pessoas se mostrem com identidades inventadas, falsas, maquiadas, fingidas ou 'anônimas'. Apresentar-se sob máscara é atitude comum. Afinal, nós mesmos podemos nos enganar (mesmo não intencionalmente) sobre quem somos. Talvez isso anime tanta gente a se esconder sob um nickname pomposo neste mundo virtual, tanto quanto no real.
- Anh? indagaria um interlocutor menos afeito às filosofices. Eu sou eu, pelo menos disso tenho certeza, eu sou Fulano, acrescentaria, crente que sabe quem realmente é.
- Fulano? que Fulano? (risos)
Aí começam as complicações, pois não basta ser Fulano:
- Sou Fulano de Tal, uai! (mais risos)
Então, logo descobrimos que o nome próprio, para ser próprio, necessita de predicados, já que um nome é apenas um nome e pode designar qualquer pessoa - ou todas as pessoas, não faz diferença. "João", por exemplo, pode designar qualquer um.
Mas predicados, por mais numerosos que existam, não nos podem definir. Sim, não adianta quantidade de predicados (sou isso e aquilo e mais aquela coisa - tipo assim: Sabe com quem está falando?). O que importa é a qualidade deles.
- E como se mede a qualidade de um predicado?, indaga o último da fila, lápis em riste, pronto a anotar em seu caderno encapado com o nome - olha aí, o nome! - escrito na etiqueta.
"Os predicados apenas designam, nada significam. (Saul Kripke citado em Identidades sem Necessidade).
Digo, sem pestanejar, que a qualidade do predicado que julgo ser meu - provisoriamente, bem provisoriamente - tem a ver com a minha verdade.
- Mas aí, ô meu, que verdade é sua verdade? E se o brother estiver enganado? Ou se enganando a si mesmo e a todos? A verdade não é relativa? Este repto vem direto da menina de óculos (viu este predicado? "de óculos" diz alguma coisa de quem é a tal menina? Apenas a identifica, mas não diz quem ela é.
De nada adianta dizer Eu sou aquele que sabe, portanto, não discuta, anote aí, aprenda! porque ninguém tem o atributo da infalibilidade. Portanto, não posso dizer quem sou, ou quem você é.
Afinal, até o próprio nome, aquele da certidão de nascimento ou de batismo, foi-nos dado por outrem, com intenções nem sempre conscientes.
Ninguém escolhe o nome, tudo bem. O pior - ou a verdade - é que até mesmo como nós nos vemos nos é dado pelo Outro (com O maiúsculo, porque se trata de um Outro significativo, claro!) e, submetidos ao desejo desse Outro, tomamos suas avaliações como verdadeiras, quer gostemos ou não:
Sou inteligente, sou bonzinho, sou sem-vergonha, sou bem-sucedido, sou caridoso, sou bonito, sou feio, sou isso e aquilo - eis a coleção de imagens ou predicados que nos foram dadas e que colecionamos ao longo da vida, tesouro carregado cuidadosamente pelo nosso Imaginário, até que tropeçamos e...
- Eu, que sou uma boa pessoa, descontrolei-me, tratei mal a quem mais amava, invejei o vizinho e não devolvi o troco-a-maior que a balconista me deu... entendi, disse tudo de uma respirada só aquele rapaz de moleton preto-bordado-de-letras-brancas-GAP.
Querem mais um exemplo? Vejam este post aqui do Milton.
É claro que há exemplos, digamos, edificantes, quando nos vemos praticando uma boa ação que surge assim, do nada. São os pequenos heroísmos do cotidiano, quando sorrimos para alguém ou descobrimos afinidades por quem menos suspeitávamos. Ou seja, nosso eu verdadeiro é o eu que escapa! Ou, como nos disse Freud (1933): "“onde estava o id ali estará o ego”.
Por isso, digo e repito: somos o que desejamos - e desejar não é querer, hein?
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A belíssima ilustração acima é de J.D. Hillberry.
31 julho, 2007
Amanhecer sobre Pampulha

O sol explodiu prateado sobre as águas calmas da Lagoa da Pampulha,
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E aproveitando o inverno, que tal seguir esta receita de Bette Keefer, publicada pelo Itiro?
Ontem à noite, na festa de confraternização da Olimpíada dos Veteranos, no Centro de Convenções que fica no Holiday Inn, em Sheridan, uma das atletas homenageadas foi Bette Keefer, uma simpática senhora de Windsor, Colorado, de 93 anos, a participante mais idosa dos jogos. Ela participou nos 100 m rasos e no boliche. Ela caminhou até a mesa de prêmios, toda sorridente e elegante, de saltos (!) e quando perguntada sobre o segredo de sua longevidade, respondeu toda faceira e com um sorriso malicioso: Chocolate (de preferência Dark Chocolate) e sexo!
Se você pretende seguir a receita, não se esqueça que antes do chocolate e do sexo você tem nadar 100m rasos e jogar boliche...
29 julho, 2007
Passeio por Belo Horizonte

A manhã fria (18 °C), porém ensolarada, convidou-nos (Amélia e eu) a um passeio por Belo Horizonte. Caminhamos contra o vento, sem lenço nem documento. Acompanhe-nos, por aqui.
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Updates:
Domingo à noite --------------------------------- Hoje, segunda, pela manhã:

28 julho, 2007
27 julho, 2007
E se for verdade? A day in the life of Oscar, the cat
O gato Oscar tem o hábito de se aninhar perto de pacientes em Providence, no Estado de Rhode Island (nordeste do país), em suas últimas horas de vida.Segundo o autor do estudo sobre ele, publicado na revista de medicina New England Journal of Medicine, o gato de dois anos teria acertado suas previsões de morte em mais de 25 casos até o momento.
25 julho, 2007
Pedrinhas e pedreira

Às vezes as discussões se tornam bizantinas, onde o detalhe conta mais que o conjunto. Muitos problemas talvez sejam mesmo singulares e a pedrinha só machuca o pé de quem a tem no calçado. De tanta pedrinha, estamos sob uma pedreira sem fim.
Se formos enumerar os problemas de nosso país, este post seria a pedreira-mor, matando de tédio quem se dispusesse a lê-lo (olha que falei de Esperança no post anterior!).
Lembro-me de uma reportagem:
Ocorrera um grande terremoto num país distante, não restando pedra sobre pedra. Todas as casas desmoronaram, muitos morreram e a reconstrução era quase impossível, mas necessária.
O repórter observa um homem a chorar e se lamentar enquanto separava os escombros de sua casa, para aproveitar alguma coisa.
- Por que o senhor chora tanto?
- De desespero e raiva! Veja quanto trabalho tenho pela frente, o tanto que falta, isso aqui não vai acabar nunca! É a desgraça total!
Mais à frente, cenário semelhante. Outro homem, porém, cantava alegremente e carregava pedras com muita disposição.
- Por que está tão feliz assim?
- É que sobrevivi e cada objeto recuperado é uma possibilidade a mais. Cada pedra carregada é uma pedra a menos.
Ambos 'faziam sua parte', mas a disposição era influenciada pelo sentimento e pela perspectiva. Se olharmos apenas a pedreira, não valorizaremos as pedrinhas, fáceis de remover. Se considerarmos apenas essas últimas, perderemos noção de conjunto e brigaremos por migalhas.
Mãos à obra.
21 julho, 2007
"Tsunami de FRUSTRAÇÕES ameaça nossa Esperança" [Manchete imaginária]
Sonho, logo vivo.
19 julho, 2007
Balaio de Gatos e Gatas
O encontro foi ontem, plena quarta-feira. Dia útil, e daí? Todo dia é dia de boteco na capital das alterosas!
O local é super simpático, misto de barzinho e bazar de artesanato, badulaques, enfeites, lembranças, antiguidades, quadros, roupas, luminárias. Você acha de um tudo.- Idelber Avelar, nosso professor na Universidade de Tulane (USA), a nos servir o imprescindível O Biscoito Fino e a Massa.
- Ana Maria Gonçalves, nossa grande escritora de Um defeito de cor e das 100 Meias Confissões da Aninha.
- Fernanda (Fefê), que se define como "mãe, mulher e menina" no seu Cria-Minha. Com ela, o jornalista Maurício Lara.
- Juliana Sampaio, uma das duas Mothern, sucesso de blog e TV (GNT).
- Ana Letícia, filhota nossa, representando todas as Mineiras, Uai!
- Letícia Marteleto, nossa professora demógrafa na Universidade de Michigan (USA), descreve suas aventuras no Letícia na Web, além de ser mãe da Helena e esperar mais um filhote do:
- Fernando Lara, também nosso professor na Universidade de Michigan (USA), que ensina arquitetura, fala de espaços e de tudo o mais em Parede de Meia.
- É claro que este que vos fala estava muitíssimo bem acompanhado pela primeira dama do Pras Cabeças, meu bem-querer Amélia.
Eis os gatos e as gatas da noite:

Você pode ver todas as fotos do Balaio bem aqui.
17 julho, 2007
Fabrício Carpinejar em BH
Hoje, fico sabendo que o próprio estará aqui em BH, para lançamento do seu livro "Meu filho, minha filha", dentro do projeto Sempre um Papo [Sala Juvenal Dias - Palácio das Artes - hoje às 19,30h - entrada franca].15 julho, 2007
Una derrota que duele en el alma (La Nación)
10 julho, 2007
Memória gustativa de comidas mineiras: o simples que é o máximo!
- Conversa vai, conversa vem, o assunto aportou as praias da culinária, mais precisamente das comidas simples e gostosas. Aí, surgem as memórias olfativas e gustativas, lembranças de comidinhas do tempo de criança, da adolescência e até mesmo do que se comeu ontem. Parece mesmo que somos feitos de memória e de...Sonhos!
- "Somos feitos da matéria dos sonhos". ["We are such stuff as dreams are made on." ( Shakespeare, in The tempest, 4.156)].
- Já os nutrólogos ensinam: "diga-me o que come e direi o que você é".
- Os sexólogos: "diz-me quem comes e dir-te-ei quem és".
- Pois os filósofos, estes elucubrarão: "Quem como? Como como? Quando e porque como? Como?".
- Caetano Veloso simplifica tudo: "eu como, eu como, eu como, eu como..."
Mas isto são prolegômenos, com certeza fátuos.
Retomemos do princípio: Conversa vai, conversa vem, lembrei-me de comidas simples, prosaicas, aqueles petiscos ou pouco mais que isso dos quais ainda sinto o gosto e o cheiro, mesmo que saboreados há décadas. Então, vamos lá:
1. purê de batata recheado com sardinha ao molho de tomate: minha mãe fazia uma espécie de pastel gordo com o purê, recheava, passava no ovo batido e na farinha (ou seja, à milanesa) e fritava. Muito bom!
2. arroz-feijão-couve refogada-angu e ovo frito, que minha avó preparava quando ia visitá-la, de surpresa. O feijão ficava na trempe do fogão "a serragem" (alguém conhece?), cozinhando por horas, lentamente. Simples e divino.
3. arroz-de-forno, que era comida de domingo. Hoje nem sei se existe, se alguém faz...
4. sanduíche de pão francês com mortadela, acompanhado de guaraná Champagne Antárctica. Querem combinação mais banal? Era uma exceção, geralmente em viagens, quase sempre longe de casa. Dizem que paulista gosta disso até hoje. Há anos que não provo e fico pensando nas calorias, no sódio excessivo, na mistura cabulosa das carnes (até de cavalo, dizem)... então fico na lembrança.
5. lombo fatiado, acebolado, com fatias finíssimas de jiló, tudo passado na chapa, na hora do pedido, na frente do freguês. Onde: no Mercado Central de Belo Horizonte, quase todo domingo. Acompanhado de cerveja geladíssima. A gente come em pé, no balcão: é um ritual imperdível para quem sabe o que é bom. Virou marca registrada do local.
6. pão-de-queijo quentim com cafezim. Este aí, meus caros, é hors concours, nem vou falar. [várias receitas aqui]. Para variar o lanche, Amélia faz uma broa de fubá que parece coisa do céu! [Aproveite a receita secreta da Amélia aqui].
7. canjiquinha de milho com costelinha de porco. Amélia, aqui em casa, é mestre nesta iguaria, saborosíssima quando quente, com pimentinha, cebolinha, pedaços de queijo derretendo. Meu pai, Soié, adora. No Mercado Central é prato premiado, chamado Mineirinho Valente [receita aqui].
8. feijão tropeiro no Bar 10 ou outro, no Mineirão, em dia de jogo: é servido em prato descartável de alumínio. Acompanhado de um ovo frito e um bife de pernil, preparados ali na nossa frente! Uma celebração à gastronomia que tem a unanimidade das torcidas. [Receita aqui].
9. Macarronada fria, sobra do almoço, devorada no final do domingo. Alguém discorda?
10. a décima iguaria fica por sua conta, caríssimo leitor: compartilhe comigo.
- Agora, com licença: vou "forrar o estômago".
09 julho, 2007
De duas, uma...
Se não vir, tudo mal.
Se vir, de duas uma:
ou você não gosta ou você gosta.
Mas, se gostar, de duas uma:
ou você não comenta ou você comenta.
e se você comentar, de duas uma:
Posso ler ou não.
Mas se eu ler, com certeza só uma coisa pode acontecer:
Vou ficar feliz em saber que você me visitou.
Inspirado (mal e porcamente) neste vídeo aqui:







