Basta pensar em sentir Para sentir em pensar. Meu coração faz sorrir Meu coração a chorar. Depois de parar de andar, Depois de ficar e ir, Hei de ser quem vai chegar Para ser quem quer partir. Viver é não conseguir. Fernando Pessoa, 14-6-1932
03 julho, 2007
Ocultação de cadáver
29 junho, 2007
MP1D ou MDA?

ATENÇÃO: não sou eu o tal Cláudio Nolasco da reportagem - já sou marido por 24h de minha Amélia e, mesmo não sendo tão polivalente quanto o MP1D (marido por 1 dia) do anúncio, ainda não fui despedido.
Agora, convenhamos, apresentar-se como "marido por um dia" ou "marido de aluguel", pode ser uma boa estratégia de marketing, mas não deixa de ser esquisito. Ou ambíguo. Talvez, por isso mesmo, façam tanto sucesso.
28 junho, 2007
A profecia
26 junho, 2007
À procura da mulher bem resolvida
21 junho, 2007
Paranóia
Pintura de Radaelli (Porto Alegre-RS) - Photo by Cláudio CostaOs padres que dirigiam o antigo Colégio do Caraça e lá ministravam aulas eram "vicentinos", religosos da congregação fundada por São Vicente de Paulo, cuja sede fica em Paris, à rua Saint Lazare. Por isso, são denominados 'lazaristas'.
Assim, o sistema de ensino e toda a disciplina foram adaptados dos costumes europeus e, ainda por cima, obedeciam aos rigores das 'regras' monásticas: acordávamos às 5,25h da manhã, mesmo no mais rigoroso inverno, no alto da Serra do Caraça. Aos sábados, domingos e feriados, eram condescendentes e dormíamos até mais tarde: 5,55h! Isso mesmo, ansiosamente esperávamos o bendito 'descanso': nunca trinta minutos fizeram tanta diferença. Após a missa cotidiana, seguia-se o café-da-manhã, composto de pão, café-com-leite e mingau-de-fubá. Aos domingos, um luxo: tínhamos manteiga. Aprendíamos a frugalidade monástica, por bem ou por mal. Quem não se adaptasse, que descesse a serra e voltasse 'para o mundo, lá fóra'.
O currículo era muito apertado, com aulas de Português, Literatura, Latim, Francês, Inglês, Grego, Ciências, Matemática e Religião. Esporte era obrigatório, assim como o banho frio.
Até hoje louvo a organização: cada aula durava 45 minutos, precedida de igual período para prepará-la. Todos os alunos tinham de ficar em suas carteiras, num enorme salão, a estudar a matéria específica da aula que viria. Silêncio absoluto. O padre disciplinário, ocasionalmente, percorria os corredores entre uma carteira e outra, conferindo se realmente o aluno se dedicava ao estudo determinado. Às vezes, é claro, pegava alguém a ler uma revista, um livro de contos, uma carta recebida da famíia. Era repreendido à vista de todos, um vexame.
Por um tempo, eu ocupava a última fileira do salão, logo à entrada da porta, nos fundos. Assim, quando o padre disciplinário aparecia, ninguém percebia. Chegava de mansinho e observava os oitenta jovens debruçados sobre os livros. Calmamente conferia um a um e retornava a seu gabinete.
Certo dia, no primeiro horário da manhã, pus-me a ler O Cão de Baskerviles de Sir Arthur Conan Doyle, aventura de Sherlock Holmes e seu amigo Dr. Watson. O suspense era enorme e me desligara completamente do mundo, concentrado no fog londrino e na trama policial.
Súbito, com o canto dos olhos, percebo algo a balançar suavemente um pouco atrás de mim e logo me convenci de que era a borda da batina do disciplinário. Fora descoberto! O desfecho era previsível. Em voz alta, o padre exclamaria: - Muito bem, "senhor" Cláudio, os problemas de geometria, hoje, serão resolvidos pelo detetive Sherlock? Todos os colegas se voltariam para mim e aguardariam o castigo: - Hoje você ficará sem a sobremesa e não poderá brincar durante o recreio após o almoço. Era a senha para uma gargalhada geral.
O que fazer? Se eu escondesse o livro, seria tachado de hipócrita dissimulador. Terrível. Se não o fizesse, então seria descarado, desafiador, impertinente e sem-vergonha. Terrível, também. Minha imaginação trabalhou a todo vapor e inventei uma esperança: quem sabe o padre não percebera meu deslize, estaria olhando lá para frente e nem se dera conta de minha falta? Alívio!
Fingi que nada me perturbava e debrucei-me mais um pouco para tentar encobrir a prova de meu crime. É claro que não conseguia ler e um suor frio escorregou fronte abaixo, coração disparado e respiração suspensa. Com o canto dos olhos, contudo, ainda percebia o vulto a balançar logo ali atrás, um pouco à minha esquerda. O danado do padre não saíria dali nunca mais?
Resolvi enfrentar o inevitável. Arranquei do medo e da vergonha um resto de coragem: confessaria meu crime e acataria o castigo. Não seria a primeira vez. Voltei-me resoluto e já enunciava um "desculpe-me, sr. padre" quando descobri, aliviadíssimo, a origem daquela sombra balançante: era a ponta de meu cachecol, pendurado no encosto da cadeira, que oscilava ao sabor da brisa matinal. Não havia padre nenhum e, portanto, nada de castigo. O mundo continuava a girar, o silêncio imperava e eu só escutava o bater assustado de meu coração. Joguei Conan Doyle para a gaveta da estante e ri, ri muito de mim mesmo.
...ooo)000(ooo...
Ao lado, o que restou após o incêncio que destruiu parte do Colégio, em 1968. O salão de estudos ficava no segundo andar, acima dos arcos. Atualmente, funciona, aí, o museu do Caraça.
[Clique aqui para ver mais fotos]
Caraça-MG - Photo by Ana Letícia (Art director: Cláudio Costa)
20 junho, 2007
Um defeito de cor & Mothern
Compareci, a convite do Idelber e da própria, ao Encontro Marcado com Ana Maria Gonçalves, que escreveu "Um defeito de cor". Muita gente já escreveu e falou sobre a maravilhosa epopéia produzida por Ana Maria Gonçalves. - Se você é daqueles que desanimam diante de 952 páginas, faça o seguinte: comece a ler! Duvido que não fique 'possuído' pela escrita, pelo personagem, pelo clima, pela história, pela emoção e pela abrangência de "Um defeito de cor". É começar e não parar. Depois me conte. Antes de completar um ano de lançamento, "Um defeito de cor" já ganhou o Prêmio de Literatura da Casa de las Americas!
Ao final da entrevista, enquanto a Autora autografava seu romance, encontro o Idelber já bem acomodado numa mesa do "Café da Feira", em companhia das Mothern, Juliana e Laura. Acheguei-me, é claro. Lá estava eu entre as globais do GNT: afinal, Mothern é um blog que virou sitcom de canal pago. Se você ainda não lê Mothern, não sabe o que anda perdendo.
Juliana, Idelber, Cláudio e Laura
Foi uma noite e tanto, mermão!
18 junho, 2007
Passeio de domingo

O domingo foi dia de passear: a filhota Ana Letícia e eu resolvemos, num repente, fugir de Belo Horizonte e respirar oxigênio puro a 1400m de altitude. Em 90 minutos estávamos no alto da Serra do Caraça, usufruindo da paisagem preservada, do silêncio quase monástico e da comida caseira "que só padre come"!
Se você quiser mais fotos, clique bem aqui.
15 junho, 2007
Novos Amigos
Durou um átimo e devolvi-lhe a ligação:
O grande Milton, porém, de coração grande e alma generosa, prega-me supresa e tanto ao aparecer sorridente, ainda a tempo de entrarmos juntos: decidiram-se a compartilhar conosco o programa de sexta-feira, ele e Cláudia.
Reconhecemo-nos imediatamente e o virtual cedeu ao real. Tal como acontecera, na véspera, quando abracei Dom Afonso e sua família, no aeroporto.
O jantar foi maravilhoso: o bom humor e a espontaneidade do Milton e da Cláudia logo nos contagiaram e posso dizer, sem exagero, que nossa mesa era a mais loquaz, animada e estrepitosamente gargalhante do lugar.

O cardápio? Massas, of course. Precederam-nas os frios, outra marca registrada do lugar. Fui premiado com o Spaghetti Brody, exuberantemente guarnecido de camarões, champignons, ervas, brócolis... 07 junho, 2007
A Condessa e o Plebeu
Pois que tem alma de aventureiro não se intimida.
Arriei e montei no cavalo ao qual eu chamarei de Fokker 100, da raça TAM. Sacode um pouco, tem selas meio apertadas, veio na base do pinga-pinga (Campinas e Curitiba) e apeei no tal reino, ao sul do equador, mais ao sul do trópico. Setentrional, o reino? Não sou afeito a geografias mas voei pelos céus, sobre montanhas e rios, planícies e outros "acidentes geográficos".
Ao desembarcar, eis que sou recebido por uma condessa, a Condessa Clarissa, acolitada pelo papai e pela mamãe, nobres, todos eles muito nobres.


Palavras não há - socorram-me, poetas e trovadores!
Inspirem-me, musas e ninfas!
Forneçam-me significantes para um significado maior do que eu mesmo, plebeu das grimpas das Gerais, sendo recebido por tão ditoso séquito.

06 junho, 2007
De poetas, congresso e gentileza

04 junho, 2007
O futuro é a morte
Falcão – Meninos do Tráfico (MV Bill – “Mensageiro da Verdade”) reavivou as discussões acerca de uma realidade praticamente negada. A “negação” não significa desconhecimento, mas um “mecanismo de defesa” – quase sempre necessário – para que suportemos a vida.
Os temas violência, criança abandonada, ausência do Estado, falta de Educação, miséria se entrelaçam e provocam intelectuais, sociólogos e políticos a buscarem causalidades e apontarem soluções. Por outro lado, o senso comum – entidade abstrata e intangível, porém prevalente – aponta o dispositivo policial como melhor remédio: “são os traficantes; é preciso acabar com o tráfico; isso é coisa de bandido”.
Transgressões, com efeito, clamam por medidas corretivas e punitivas. Entretanto, mais do que o respeito (medo?) ao ordenamento jurídico da sociedade, a submissão à Lei é um dos componentes da subjetividade (“realidade psíquica, emocional e cognitiva do ser humano, passível de manifestar-se simultaneamente nos âmbitos individual e coletivo” – apud Houaiss).
O documentário de MV Bill é protagonizado por 17 crianças, das quais apenas uma sobreviveu. A crueza das cenas e das falas chocou a muitos, principalmente pelos pequenos “falcões” – os meninos usados pelos traficantes.
O desprezo à própria vida e a falta de senso do que é socialmente classificado como bom ou ruim, certo ou errado e a falta de identificação a modelos “éticos” de comportamento provocam-nos a interrogar:
- Qual o sentido da vida para esses meninos? De onde vêm tanta insensibilidade e ausência de temor à punição? Será que não sentem culpa? Não têm medo de morrer? Colocam-se no lugar do outro? São vítimas ou delinqüentes juvenis? De quem ou do que é a culpa?
As respostas não são simples, muito menos unânimes.
Ao apropriar-se da tragédia grega do Édipo, Freud toma o personagem criado por Sófocles como paradigma das vicissitudes de todo ser humano no caminho de entrada na cultura. Assim como “Falcão”, Édipo não tem nome, é simplesmente “aquele que tem os pés inchados” – conseqüência do furo em seus calcanhares, feito pelo pastor que o salvou da morte.
O “medo à castração” determina sua fuga para Corinto. O castigo seria aplicado pelo pai caso o filho realizasse os desejos incestuosos em relação à mãe. Isso remete à passagem da natureza à cultura, condicionada à relação com a Lei. O temor à Lei é condição para que o sujeito estabeleça uma “sociedade” com a cultura humana: é mister que se obedeçam as regras da linguagem, por exemplo, sob pena de não ser compreendido ou ser tachado de louco.
“Uma lei que não é temida – que não tenha potência de interdição e de punição – é uma lei fajuta, de fancaria, impotente. No entanto, o temor à lei, sendo necessário, é absolutamente insuficiente para fundar a relação do ser humano com a Lei. Uma lei que se imponha apenas pelo temor é uma lei perversa, espúria – lei do cão.” (Hélio Pellegrino).
A “civilização”, é verdade, provoca sempre um “mal-estar”. Embora garanta um certo ordenamento, exige uma dose de renúncia pulsional, controle dos instintos (erótico e agressivo). Mas também proporciona alguns ganhos, é claro.
Freud não chegou a fazer uma crítica à sociedade capitalista e não menciona que a violência da repressão em nossa sociedade existe também pela forte carga de injustiça social. Mas o mito é um paradigma.
A “solução” estaria num pacto: renúncia à onipotência (tudo é permitido) em nome de ganhos para o indivíduo e para a sociedade. Compensam-se as perdas com a conquista de certos direitos: ao nome, à filiação, à estrutura de parentesco, à sobrevivência digna. O pertencimento à cultura que acolhe o indivíduo supõe acordo a respeito de seus valores e ideais – até mesmo direito para criticá-los e denunciar as injustiças.
A compreensão do tal “complexo de Édipo” para além da construção da subjetividade pode iluminar um pouco as discussões acerca da tragédia que se abate sobre incontáveis “Falcões”. Estes nascem e morrem nas sombras. "Existem" apenas nas estatísticas que acusam índices assustadores: o enorme número de jovens entre 12 e 18 anos que são assassinados, vítimas da violência, caso não sejam atingidos, antes, pela mortalidade infantil por fome e doenças causadas por falta de saneamento básico, etc.).
A Lei imposta na micro-esfera do romance familiar (pai-mãe-criança) deve ser compensada pelo atendimento às necessidades da criança (afeto, sustento, educação, acesso aos bens materiais e culturais), do mesmo modo que as renúncias exigidas pela sociedade deveriam garantir a todos os cidadãos os direitos inalienáveis a cada um: trabalho, remuneração digna, expectativas de ascensão social, preservação da integridade física e psíquica, etc.
Sempre que fracassa a figura do Pai (não necessariamente o pai da realidade, mas o pai “simbólico”, representante da Lei e garantidor das compensações), a criança romperá o pacto estabelecido e as exigências da cultura serão insuportáveis: reaparecem os impulsos agressivos, incestuosos, predatórios.
Da mesma forma, quando falha o Estado – garantidor do que chamaríamos de “pacto social” – o que esperar senão a emergência dos impulsos delinqüênciais e homicidas? Com que autoridade pode a sociedade exigir o fim da verdadeira guerra civil travada em forma de assaltos, tráfico de drogas, desrespeito às normas, quando predominam as leis implacáveis do capitalismo selvagem, que mantém um número crescente de cidadãos sem nome, sem casa, sem trabalho, sem remuneração digna, sem esperança de inclusão social? As promessas e ofertas do Mercado não incluem os excluídos.
Os “Falcões”, de alguma forma, expressam o fracasso de políticas sociais excludentes. Em “nome-de-qual-Lei” adotarão os valores defendidos por uma sociedade – que somos nós mesmos – que lhes nega nome, identidade e futuro?
- O futuro é a morte.
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Referência: Pellegrino, Hélio. Pacto Edípico e Pacto Social in: Grupo Sobre Grupo - Luiz Alberto Py et alii - Editora Rocco, RJ, 1987.
02 junho, 2007
Blogar é Falar
30 maio, 2007
Evocações
- O melhor era colocar um barbante (cordinha) amarrado a um pedaço de carniça. Urubu comia e voava para bem alto. Aí eu dava linha, como quem solta uma pipa, pendurava-me no barbante e o grande pássaro preto me carregava pelos céus da cidade. Às vezes, ao "sobrevoar" o rio Piracicaba, eu caia em suas águas e tinha que nadar rápido, para fugir do jacaré. Um dia, um urubu bem grande me levou até a caixa dágua, no alto do morro atrás do Hospital São José. E como conseguia fugir de todos os jacarés e sempre cair em lugar macio, estou aqui a contar como acontecia.
# Meu pai, Soié, lembrou-se de quando eu saía de mãos dadas com o vovo Ilidinho. Ao passar próximo ao matadouro municipal, diante dos animais abrigados no pequeno curral anexo, apontava para um ou outro e perguntava:
- Vovô, aquele boi ali é boi ou vaca?
# Tia Irani, irmã de meu pai (Soié), relembrou um fato acontecido também na minha infância. Eu já aprontava das minhas, é claro. Tia Irani comentou assim:
- GOSTEI e lembrei-me da vaca que entrou na venda (armazém) que meu pai (Ilidinho) tinha aqui junto à nossa casa... Foi o seguinte:
Era costume que os fazendeiros conduzissem sua boiada pelas ruas da cidade. Às vezes, uma ou outra rês se desgarrava e investia sobre os passantes. Numa dessas ocasiões, gritaram:
- "Vaca braaaaava"!
Todos correram para apreciar o espetáculo e o pobre do Claudinho, que estava assentado na porta do Foto Irineu, defronte à venda, saiu em disparada atravessando a rua e gritou:
- Vovôôôôô me acode!!!.
Acontece que a vaca, que estava bem próxima, deve ter pensado que o menino fosse seu bezerrinho (!) e igualmente atravessou a rua e adentrou as instalações do meu pai que, num relance, puxou o menino que tremia e berrava alojado num canto. A vaca tentou passar para detrás do dentro balcão, ficando "engasgalhada" na porta, bufando e batendo c/as patas no assoalho.
Os vaqueiros logo chegaram com um laço e arrastaram a coitada para a rua, onde o povo aglomerado aplaudia. Cláudio, nos braços do avô, chorava e reclamava:
-"Vovô, a vaca queria me pegar".
Nesta hora, foi chegando minha mãe com um copo d’água e biscoitos para acalmar o bezerrinho... ou melhor, o netinho!!!. Boas lembranças, muitas saudades!!!
# Ah, lembro-me dessa minha tia Irani, mocinha nova, a fazer bordados juntos às outras tias. Eu, menino de calça-curta, zanzava pela sala de costuras, pois era casa do meus avós Nhanhá e Ilidinho. E não é que as danadas das tias, quando queriam que não entendesse o que diziam, principiavam a falar na língua do pê? Espertinho, logo logo decifrei o código. Pois então, inventaram mais uma:
Depemoporeipei apa depecopodipifipicarpar.
Quanpandopo despescopobripri quepe eperapa apa linpinguapa dopo pêpê, epelaspas copomepeçaparampam apa upusarpar apa linpinguapa dopo epefeperrepe:
Voforrocêfêrrê confonronheferreceferre afarra linfinringuafarra doforro eferreeferre?
24 maio, 2007
Cotidiano
- Continuo na escola, vou a algumas a festas, faço academia, tenho amigos; mas algo não vai bem comigo. Tenho um relacionamento afetivo há alguns anos, "mais sério que um namoro, menos sério que um noivado", mas... O pior é que os defeitos dela começaram a me incomodar, embora eu sempre compreendesse, pois houve um tempo em que estive mesmo apaixonado.
- Explique melhor o que você quer dizer com perder a alegria de viver, como é isso no dia-a-dia.
- E aí?
- Bem, aí comecei a dar corda para algumas conversas, principalmente com meninas que se propunham a conhecer alguém. Dei o telefone para uma pá de gente. Chegava da escola e corria pro computador, nem lanchava, nem conversava com meus familiares: minha mãe, coitada, ia chegando com um toddy e eu dizia: "espera aí, mãe, que 'tou ocupado'. Ela até reclamou, mas não mudei.
- E?
- Agora estou sentindo uma angústia danada, pois vou terminar com minha namorada-quase-noiva e não sei como falar. Sinto duas coisas: angústia e culpa.
23 maio, 2007
Comentário em forma de Recado
19 maio, 2007
Matadouro municipal

09 maio, 2007
Bento XVI no Brasil
Na Bandeirantes, o motorista vinha dirigindo muito lentamente quando o papa pediu-lhe que corresse mais. Mas, recebeu como resposta uma negativa, porque não poderia andar rápido, por haver muitos guardas na estrada.
Então, o Papa mandou que ele parasse o carro e disse que dali em diante ele mesmo dirigiria, mandando o negão pro banco de trás. Quando estava a 180km/h, não deu outra, foi parado por um policial.
O guarda pediu-lhe os documentos.
Ao ler os documentos dados pelo papa, ele foi até o seu superior que estava na viatura e disse:
- Chefe, o homem é muito importante, é dos graúdos.
O chefe falou:
- Se é o governador? Pode multar!
- Não. É mais do que isso. Respondeu o guarda.
- Então, é o presidente? Pode multar também, que não tem perdão!
- Não! Disse o guarda. Acho que é bem mais do que isto, chefe.
- Porra, quem é? Pra ser mais importante que o presidente?!?!?!
- Para falar a verdade, chefe, eu acho que é São Benedito , pois só para o senhor ter uma idéia, o motorista dele é o Papa!
05 maio, 2007
Cada tribo com sua SPAM
No meio médico, recebemos SPAM que dizem respeito às nossas especialidades, a medicamentos, etc.
Eis uma SPAM que recebi de um colega. Não sei quem foi autor do texto nem se é verdadeiro o que descreve... afinal, onde anda a Verdade?
Como vocês sabem, bactérias possuem reprodução assexuada. Quando estão grandes demais, elas simplesmente se dividem em duas bacteriazinhas que são idênticas à bactéria original.
Mas, se elas não fazem sexo, então como se divertem?
Pode parecer incrível, mas a diversão das bactérias é o canibalismo! As bactérias comem umas às outras, numa lambança microscópica de dar inveja a qualquer baile de carnaval!
E, mais incrível ainda, o canibalismo é melhor que o sexo! Geneticamente falando, se dois seres fazem sexo, o filho resultante é muito parecido com os pais, já que há apenas recombinações de alelos, exceto é claro no caso de mutações.
Com as bactérias isso não acontece. Quando uma come a outra, o material genético da primeira mistura-se com o da segunda, o que permite uma variação genética muito maior, e conseqüentemente uma maior velocidade de adaptação ao ambiente. Não é por acaso que grande parte das bactérias hoje em dia são imunes à penicilina: bastou nascer uma que fosse imune, e o canibalismo fez com que o gene da imunidade se espalhasse rapidamente.
Outro processo que pode acontecer, ainda mais curioso, ocorre quando uma bactéria grande come uma bactéria pequena. Pode acontecer da grande não conseguir romper a membrana da pequena, e nesse caso a menor continua vivendo, dentro da maior, como se nada tivesse acontecido. Para todos os efeitos, a menor torna-se uma organela da maior.
Esse processo de canibalismo não é recente; na verdade vem acontecendo muito antes dos seres humanos surgirem. Em especial, ele foi o responsável pelo surgimento de vida aeróbica: algum dia surgiu uma bactéria que era capaz de respirar, processando oxigênio, e uma bactéria maior, anaeróbica, comeu a primeira. Nesse processo, a pequena tornou-se uma organela da grande, e a grande adquiriu a capacidade de processar oxigênio, ainda que indiretamente.
A tal da bactéria pequenina existe até hoje: é a nossa conhecida mitocôndria! Essa teoria pode ser facilmente comprovada, se você notar que a mitocôndria possui um DNA próprio, diferente da célula em que está inserida.
Tal fato bizarro leva a várias considerações curiosas:
Primeiro, eu sempre achei que, quando o projeto genoma acabasse, nossa espécie poderia finalmente ser extinta em paz. Já estaríamos documentados, se alguma raça inteligente pousasse no planeta, poderia clonar um humano a partir da descrição do genoma. Porém, apenas com o genoma humano isso não é possível, já que é necessária também a descrição do genoma da mitocôndria.
Segundo, é um fato conhecido que os espermatozóides humanos perdem suas mitôcondrias quando penetram no óvulo. Como o DNA do espermatozóide não possui informação para sintetizar mitocôndrias, conclui-se que todas as mitocôndrias do nosso corpo são descendentes das mitôcondrias que estavam no óvulo da nossa mãe. Portanto, se é verdade que todo homem tem um lado feminino, tal lado feminino deve estar guardado no DNA da mitocôndria, que é reproduzido exclusivamente pelas mulheres.
Por fim, se o DNA da mitocôndria é diferente do DNA do núcleo de nossas células, significa que ela pode ser considerada uma forma de vida distinta.
Ou seja, nós não somos seres autônomos, na verdade somos simbiontes com nossas mitocôndrias."
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A propósito: há um monte de informações sobre SPAM na Wikipedia. Veja aqui.
03 maio, 2007
26 abril, 2007
Televisionismo paroxístico agudo
Confesso que meu esporte é zapear, pois "O controle remoto é o maior amigo do homem".
Se alguém ainda não disse isso, acabo de criar um aforisma [s.m. máxima ou sentença que, em poucas palavras, explicita regra ou princípio de alcance moral; apotegma, ditado] pelo qual devo cobrar royaties ou, pelo menos, reconhecimento público. Digo e repito: "O controle remoto é o maior amigo do homem".
Mas voltemos ao zapear e algumas constatações:
1. a dita "tv aberta" é uma merda: desconsidera a inteligência do espectador ou se nivela por baixo, oferecendo muita baixaria. Vez por outra escapa um bom programa.
Podem dizer:
- O que é bom para você pode não ser bom para o outro, e vice-versa, e tal-e-coisa.
- Tá bom, de gustibus non disputantur.
2. as propagandas estão ruins demais!
- De maneira geral, tem-se que diminuir o volume nos intervalos, pois o pessoal da criação (criação?) acha que todo televidente é surdo.
- As lojas populares GRITAM as ofertas, tudo a qualquer valor que termine em 0,99: Máquina de lavar: 799,99! Sapato: 49,99! Carne: 11,99! Computador: 24 x 109,99!
- Os automóveis são máquinas maravilhosas, fazem 300km/h nas moderníssimas highways tupiniquins! Outro dia vi o anúncio da VW de seu carro popular, o Gol: o danado do carrinho é bombardeado, enfrenta terremotos e maremotos, desmoronamentos e o escambau [o Houaiss explica: s.m. série de outras coisas não mencionadas] e continua lindo, inamassável, limpinho da silva! [Eu, que não sou nada bobo, corri e comprei um, hehehehe].
- O Brasil é o país das louras, lindas e maravilhosas, todas muito bem vestidas ou despidas, todo mundo muito feliz. As casas têm mobiliário clean, ultra-contemporâneo com um toque de conforto, iluminação high-tech e todos os apetrechos que a tecnologia pode proporcionar.
- Dinheiro? Não é problema, afinal, A Caixa é Nossa, O Banco do Brasil é Nosso, Você tem 120 razões para ser cliente do Bradesco e os juros estão deste tamaninho aqui, ó! O que é que um cartão de crédito não pode pagar?
- Os telefones celulares (que os nossos irmãos portugueses chamam de telemóvel) existem para todos os gostos e têm modelos novos lançados todos os dias, várias vezes ao dia, igual remédio: tome um comprimido pela manhã, à tarde e à noite. Pois as máquinas da Nokia, LG, Samsung e outras (será que alguém aí vai me pagar pelo merchandising?) só faltam falar, mas têm câmeras digitais, computadores, baixam e-mails e enviam torpedos. Já há modelos com salva-vidas, panela de pressão e air-bag, dizem.
- O que existe de programa esportivo não tá no gibi, mas tá na tv: o brasileiro é o povo mais instruído do mundo, se for avaliado pela quantidade de mesas-redondas nos finais de domingo, de quarta-feira, de quinta-feira... Também na hora do almoço: antes, durante e depois os comentaristas, locutores, jogadores, juízes, torcedores, tá tudo ali, esmiuçando cada jogada!
- os comentaristas econômicos são os verdadeiros cavaleiros do apocalipse. Adoram dar notícia ruim: "O desemprego subiu 0,001% nas primeiras horas da manhã!" Quando a notícia é boa, advertem que não é para ficarmos eufóricos, pois tudo pode mudar, a inflação voltar, o Banco Central diminuir a queda da taxa básica dos juros e, o mais incompreensível de tudo: "O Brasil teve um crescimento negativo". Como? -Igual buraco, rapaz: Quanto mais cresce, mais vai para o fundo! - Anh...
- Pois sou obrigado a falar a verdade: tudo isso vislumbrei em algumas zapeadas básicas, rapidíssimas, entre uma garfada e outra, entre um cochilo e outro, entre uma e outra, que ninguém é de ferro!
21 abril, 2007
Daqui para uma melhor: uma viagem sem escalas
As aulas eram ministradas por uma velha senhora, muito rígida, que ensinava religião como quem lidava com hereges, pecadores contumazes e irremediavelmente condenados ao fogo eterno! Teríamos chance de escapar da condenação se praticássemos escrupulosamente os dez mandamentos, as quatro virtudes cardeais (prudência, justiça, fotaleza e temperança). Era mister obedecer aos cinco mandamentos da igreja (ouvir missa inteira aos domingos, confessar-se uma vez ao ano, comungar pelo menos uma vez anualmente, jejuar e fazer penitência, pagar os dízimos). Ah, e que não caíssemos nas tentações dos sete pecados capitais (ira, gula, inveja, orgulho, avareza, preguiça e luxúria)!
Ainda menino, vislumbrei um caminho difícil para ir direto ao céu. Tinha de ser uma viagem sem escalas, porque, mesmo evitando os pecados capitais, poderia morrer em pecado venial (etim lat.tar. veniális,e 'de perdão, leve, perdoável, desculpável'), o que me levaria ao purgatório (etim lat. purgatorìus,a,um 'que purga, purgativo, que purifica', já em Macróbio (fim do sIV d.C.) 'que purifica (a alma)'; como subst. ligado ao cristianismo (em gr. kathartêrion ou purgatóiron [tomado ao lat.]), o lat. purgatorìum se usa como 'lugar ou estado especial de pena e expiação de almas depois da morte'), menos terrível - posto que provisório!
Uma doutrina, porém, deixava-me intrigado: a existência do limbo (s.m. (1562-1575 cf. PaivSerm) 1 na religião cristã, morada das almas que, não tendo cometido pecado mortal, estão afastadas da presença de Deus, por não haverem sido remidas do pecado original pelo batismo (como, p.ex., as almas ditas justas que viveram antes do advento do cristianismo).
Se alguém morresse sem o batismo, mesmo que fosse virtuoso, não poderia ir para o céu, mas ficaria no "limbo" até o final dos tempos, quando se abririam as porteiras do céu. Seria necessário esperar muito, muito mesmo. Eu me regozijava por saber-me portador do passaporte, pois nascera em família católica. Entretanto, preocupavam-me os milhões de não-cristãos nascidos antes da instituição do batismo e em países onde não havia sido introduzida a fé cristã. Por que Deus faria uma coisa dessas?
Finalmente, vejo o noticiário:
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Um documento da comissão teológica pontifical teve alguns extratos publicados no site da agência Catholic News Service (CNS) mas ainda não foi divulgado pelo Vaticano, apesar de pronto há várias semanas - precisou à AFP um integrante da comissão, o arcebispo de Dijon (França) Roland Minnerath.
Finalmente! Acabaram-se meus receios pelos bebês ficarem sofrendo no limbo até o fim dos tempos!
Agora, só me falta praticar os 10 mandamentos, as 4 virtudes cardeais e... ficar apenas nos pecadinhos veniais!
Quando vier o final dos tempos, quero ver cada um de vocês que me lêem. E nada de caírem de gozação em cima de mim - "-tão virtuoso, o Cláudio, coitado! - dizendo que pecaram, pecaram e se arrependeram na última hora e chegaram, igualmente, no bem-bom do paraíso!
Não! Não tenho pressa nenhuma de atravessar os portais da existência, muito menos desejo-lhes que partam em breve.
Por isso mesmo, conclamo a todos para se engajarem na campanha FAÇA SUA PARTE, assim como Lúcia Malla, Flávio Prada e muitos outros...


